
Sermão do X Domingo depois de Pentecostes proferido na Capela São Pio X, do Priorado Padre Anchieta, com publicação autorizada para o blog Dominus Est
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
Caros fiéis,
Em 16 de julho, foi lançado um novo grande ataque contra a Tradição Católica: o Motu Proprio Traditionis Custodes do Papa Francisco, que reduz ao máximo a celebração da Missa Tridentina. Para a Fraternidade São Pio X (FSSPX), estas disposições não mudarão nada, exceto para lhes trazer mais fiéis. Mas é importante saber por que isto não mudará nada para nós. Também devemos entender a diferença entre a FSSPX e as chamadas comunidades “Ecclesia Dei” para as quais tudo vai mudar.
Voltemos à origem desta ruptura na luta pela defesa da Tradição católica. Em 1988, Dom Marcel Lefebvre consagrou quatro bispos sem a autorização de Roma. Para ele, era uma questão de sobrevivência. Após vários anos de negociações com Roma para tentar explicar os problemas colocados pela nova doutrina do Vaticano II, a nova liturgia, os novos sacramentos, a nova lei canônica, após os repetidos escândalos, incluindo a famosa reunião ecumênica em Assis, Dom Lefebvre estava convencido de que a hierarquia da Igreja não queria “apoiar ou continuar a Tradição“. E hoje o Papa Francisco lhe dá razão, pois deixa claro que as concessões feitas à liturgia tradicional foram feitas com o objetivo de trazer aos poucos os sacerdotes e os fiéis à nova liturgia. Então, consequentemente, Dom Lefebvre decidiu salvar a Tradição, consagrando bispos.
Infelizmente, alguns sacerdotes da Fraternidade São Pio X, naquela época não quiseram seguir Dom Lefebvre no que foi chamado de seu “cisma“. Para eles, Roma criou uma estrutura chamada Comissão Ecclesia Dei, cujo nome vem do texto que a estabeleceu. Esta estrutura reuniu gradualmente todos os Institutos que desejavam preservar a Missa tradicional sendo eles reconhecidos por Roma. Estes incluíam a Fraternidade São Pedro e o Instituto do Bom Pastor. “Não podemos desobedecer ao Papa“, disseram eles. “Temos que ficar dentro da Igreja para promover a Tradição.”
Mas para Dom Lefebvre, não se tratava de sair da Igreja, mas justamente de permanecer nela. Não foi ele quem mudou, mas as autoridades da Igreja que mudaram.
Em uma conferência em 21 de dezembro de 1984, ele disse: “Não podemos nos colocar sob uma autoridade cujas ideias são liberais e que nos condenaria pouco a pouco, pela força das circunstâncias, a aceitar suas ideias e suas consequências, antes de mais nada, a Nova Missa.”
Em uma conferência em dezembro de 1989 (um ano depois das sagrações episcopais), Dom Lefebvre voltou a falar da situação daqueles que preferiam se submeter a Roma: “Eles se encontrarão rapidamente em uma contradição, pois se aceitarem o Concilio, terão que aceitar suas consequências. E as consequências incluem a reforma litúrgica.”
Então, a atitude do arcebispo Lefebvre pode ser explicada por dois princípios: Continuar lendo →
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