MARIA SANTÍSSIMA, MODELO DE POBREZA

maria2Si vis perfectus esse, vade, vende quae habes, et da pauperibus; …et veni, sequere me – “Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, e dá-o aos pobre; …depois vem, e segue-me” (Matth. 19, 21).

Sumário. O divino Redentor, para nos ensinar a desprezar os bens do mundo, quis sempre ser pobre nesta terra. E a Santíssima Virgem seguiu-lhe o exemplo, mostrando-se a sua discípula mais perfeita, porque ela também nasceu, viveu e morreu na maior pobreza. Somos nós também amantes de tão bela virtude e dos incômodos que a acompanham?… Esforcemo-nos a todo custo por imitar a nossa querida Mãe, lembrando-nos de que o que ama as comodidades e as riquezas, nunca será santo.

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O nosso amoroso Redentor, para nos ensinar a desprezar os bens mundanos, quis ser pobre neste mundo. Por isso Jesus exorta a todo aquele que queira segui-Lo a que venda todos os seus haveres e distribua o produto entre os pobres:Si vis perfectus esse, vade, vende quae habes, et da pauperibus… et veni, sequere me– “Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, e dá-o aos pobres… depois vem e segue-me“. Eis como Maria, a sua discípula mais perfeita, lhe seguiu exatamente o exemplo. Afirma o bem-aventurado Canisio, que a Santíssima Virgem, com a herança de seus pais, teria podido viver muito comodamente, mas preferiu ficar pobre, reservando para si uma pequena parte, e distribuindo o mais em esmolas ao templo e aos pobres.

Querem muitos escritores que Maria tivesse feito também voto de pobreza, e sabe-se que ela mesma revelou a Santa Brígida, que desde o principio de sua vida prometera no coração nunca possuir alguma coisa no mundo: A principio vovi in corde meo, nihil umquam possidere in mundo. – Os dons que recebeu dos santos Magos não foram certamente de pouco valor, mas distribuiu-os todos aos pobres, como atesta São Bernardo. Isto se deduz também de que ela, indo ao templo, não ofereceu o cordeiro, que era a oferta das pessoas abastadas (1), mas duas rolas ou dois pombinhos (2), a oferta dos pobres. Maria mesma disse a Santa Brigida: “Tudo o que podia obter, eu dava-o aos pobres, e não reservei nada para mim, senão um tênue alimento e o vestido.”

Por amor à pobreza a Virgem não duvidou desposar-se com um pobre oficial, qual foi São José, e depois sustentar-se com o trabalho de suas mãos, fiando ou cosendo, como atesta São Boaventura. Numa palavra, as riquezas do mundo foram para Maria como que lodo, e ela sempre viveu pobre e morreu pobre. Na morte não se sabe que deixasse outra coisa além de duas pobres vestes, que deu a duas mulheres que a haviam servido em vida (3). Continuar lendo

EXPLICAÇÃO DAS CERIMÔNIAS DA MISSA – PREPARAÇÃO AO PÉ DO ALTAR

Publicamos abaixo um dos capítulo do livro “O Culto Católico em suas Cerimônias e seus Símbolos”, do Abbé A. Durand. 

Esta obra é uma tradução nossa do original francês Le Culte Catholique en ses Cérémonies et ses Symboles.

O livro é de leitura obrigatória para todos os católicos que desejam saber mais sobre todo o simbolismo e desenvolvimento da Missa (Tridentina).

Nessa crise de fé sem precedentes instaurada na Igreja, onde coloca-se a Missa (Nova) como uma festa, uma ceia, uma reunião, um banquete, um simples memorial…..onde o importante é dançar, balançar lencinhos, chorar e ouvir uma música “maneira” ao som de uma guitarra, uma bateria ou um pandeiro….nada mais precioso que conhecer a verdadeira e sã Doutrina Católica.

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CAPÍTULO VI

EXPLICAÇÃO DAS CERIMÔNIAS DA MISSA – I PARTE

PREPARAÇÃO AO PÉ DO ALTAR

Os fiéis estão reunidos para o santo Sacrifício; o padre, revestido com os ornamentos sagrados, deixou a sacristia para imolar a Vítima adorável; os anjos, aos milhares, cercam o altar, e do alto dos céus, a Santíssima Trindade considera com amor as grandes maravilhas que vão se operar. Uma voz secreta saída do tabernáculo se faz escutar pelo padre, e lhe diz como outrora disse a Moisés: “Trema ao aproximar- se do meu santuário, pois Eu sou o Senhor109””. O temor se apodera, então, de sua alma. Ele se detém ao pé do altar para se preparar pela confiança, o arrependimento e a oração, a fim de celebrar esses mistérios formidáveis do qual nem os próprios anjos se julgaram dignos

Ele vai imolar o Cordeiro de Deus, mas qual direito de vida ou de morte ele tem sobre o Deus que lhe extraiu do nada? O sinal da cruz que ele faz, o tranqüiliza, pois ele vem: em nome do Pai, que após ter entregue seu Filho à morte, deu ao padre sua autoridade para Lhe oferecer esse mesmo Filho em sacrifício; em nome do Filho, o qual ele vai tomar o lugar; em nome do Espírito Santo que formou no seio imaculado de Maria, a Vítima de nossa salvação, e por quem essa grande Vítima se ofereceu sobre o Calvário.

Esses pensamentos afiançam o padre. Seu olhar, iluminado pela fé, vislumbra acima do altar da terra, nos esplendores dos céus, outro altar misterioso. Pois é no seio do Pai, verdadeiro templo, sobre a substância do Verbo, verdadeiro altar, e pelo Espírito Santo, verdadeiro fogo sagrado, que Jesus Cristo, a Vítima, se oferece à majestade de Deus. Em instantes ele vai se aproximar desse sublime altar. Com este pensamento, um grito de alegria e de entusiasmo escapa de seu coração: Continuar lendo

QUEM AMA JESUS CRISTO DEVE ODIAR O MUNDO

amaMihi autem absit gloriari nisi in cruce Domini nostri Iesu Christi, per quem mihi mundus crucifixus est et ego mundo – “Longe esteja de mim o gloriar-me senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gal. 6, 14).

Sumário. Jesus Cristo quis morrer crucificado para nos livrar do amor ao mundo perverso. Tendo-nos chamado ao seu amor, quer que nos coloquemos acima das promessas e ameaças do mundo. Quer que não façamos caso nem das censuras do mundo nem das suas aprovações, e nos alegremos por sermos odiados e perseguidos como o próprio Jesus. Para alcançarmos um fim tão elevado, habituemo-nos a prever já de manhã as contrariedades e os desprezos que nos possam vir do correr do dia, e preparemo-nos para os sofrer com paciência.

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Quem ama a Jesus Cristo com amor verdadeiro, alegra-se quando se ve tratado pelo mundo assim como foi tratado Jesus Cristo, que por ele foi odiado, vituperado e perseguido até morrer de dor, suspenso num patíbulo infame. – O mundo é diametralmente oposto a Jesus Cristo: e por isso, odiando a Jesus, odeia a todos os que o servem. Pelo que o Senhor animava os seus discípulos a sofrerem com paz as perseguições, dizendo-lhes que, já que tinham abandonado o mundo, não podiam deixar de ser dele odiados (1).

Ora, como as almas amantes de Deus são para o mundo objeto de ódio, assim o mundo deve ser objeto de ódio para quem ama a Deus. Dizia São Paulo: Mihi absit gloriari nisi in cruce Domini nostri Iesu Christi, per quem mihi mundus crucifixus est et ego mundo – “Esteja longe de mim o gloriar-me senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo“. O mundo abominava o Apóstolo, assim como se abomina um homem condenado e morto na cruz; mas de igual maneira São Paulo abominava o mundo: mihi mundus crucifixus est. – Jesus quis morrer crucificado pelos nossos pecados, para livrar-nos do amor ao mundo perverso (2). Já que Jesus nos chamou ao seu amor, quer que nos coloquemos acima das promessas e das ameaças do mundo. Quer que não façamos mais caso nem de suas censuras, nem de suas aprovações.

Afim de chegarmos ali, representemo-nos, na nossa meditação, todos os desprezos, contrariedades e perseguições que nos possam sobrevir, e ofereçamo-nos com grande coragem a sofrê-los por amor de Jesus Cristo, não somente em paz, mas também com alegria de espírito. Procedendo desta maneira, estaremos na ocasião mais dispostos a aceitá-los. Mas sobretudo devemos pedir a Deus, que nos faça esquecer inteiramente o mundo, e alegrarmo-nos quando nos virmos rejeitados pelo mundo. Continuar lendo

HOMEM DESDE O MOMENTO DA CONCEPÇÃO

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Concebido no ventre de sua mãe, esse pequeno embrião, dê a ele o nome que quiser, já é um homem. Se antigamente poderia duvidar-se que houvesse uma nova vida humana no ventre de uma mãe, desde o momento da concepção da criança – com tudo o que isso implica –, a ciência hoje não nos deixa nenhuma dúvida: interromper a gravidez voluntariamente, ainda que fosse possível fazê-lo no primeiro momento da concepção, seria assassinar um inocente e privá-lo para sempre da visão de Deus. Tal crime não pode ser descriminalizado sem incorrer em terríveis castigos para uma nação inteira.

A alma do embrião na biologia tomista

Este poderia ser o título de um livro inteiro e estamos escrevendo apenas um artigo em uma revista de divulgação, mas diremos algumas coisas. Interessa enormemente ao moralista e ao teólogo definir com precisão o momento em que o homem recebe a alma espiritual, e o instante em que a perde. Porém determinar precisamente o momento da concepção de um organismo vivo, com suas diferentes etapas e também o instante de sua morte, não pertence propriamente ao moralista nem ao que é comumente entendido por um teólogo, senão ao biólogo.

E hoje que a biologia moderna fez progressos tão maravilhosos, parece que a “Suma Teológica” de São Tomás de Aquino já não tem mais nada a nos dizer. Mas, certamente, não é assim.

A ciência moderna perdeu, há muito tempo, a sabedoria, pois desconfiou da inteligência e se apegou à observação e à medida. Daí que seus progressos foram reduzidos à ordem puramente corporal e material, que é sensível e quantificável, perdendo de vista de toda a realidade que se eleve acima deste horizonte, pois já não sabe ver com a mente.

Ela perdeu a capacidade de perceber, então, não só a realidade da alma espiritual, própria do homem, mas também a dos princípios animadores dos organismos vivos – a alma animal e vegetal – que, embora dependam, em sua existência, da organização material – que poderíamos chamar de físico-química – no entanto, não apenas não se reduzem a ela, senão que, precisamente, a organizam e a governam. Essa carência não causa tantos problemas para a física, mas é uma catástrofe na biologia.  Continuar lendo

A IGREJA ONDE ESTÁ JESUS SACRAMENTADO É O SANTUÁRIO MAIS AUGUSTO

santElegi et sanctificavi locum istum, ut… permaneant oculi mei et cor meum ibi cunctis diebus – “Escolhi e santifiquei este lugar… para nele estarem fixos os meus olhos, e o meu coração, em todo o tempo” (2 Par. 7, 16).

Sumário. Os peregrinos experimentam grande ternura em visitar a Casa Santa de Loreto, ou os lugares da Terra Santa onde Jesus nasceu, habitou, morreu e foi sepultado. Muito maior, porém, deve ser a nossa devoção quando estamos numa igreja em presença de Jesus Cristo mesmo, oculto no Santíssimo Sacramento. Com efeito, não há santuário mais devoto e consolador do que uma igreja a na qual está Jesus sacramentado. Todavia a maior parte dos homens o deixam quase sempre só e abandonado!

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Oh! Que ternura experimentam os peregrinos ao visitar a Casa Santa de Loreto ou os lugares da Terra Santa, a Gruta de Belém, o Calvário, o santo Sepulcro, onde Jesus habitou, morreu, foi sepultado! Mas quanto mais terna não deve ser a nossa devoção quando nos achamos numa igreja, em presença do próprio Jesus, que está no Santíssimo Sacramento! Costumava o Bem-aventurado João de Ávila dizer que não conhecia santuário mais devoto e mais consolador do que uma igreja na qual se acha Jesus sacramentado. Por sua vez o Padre Balthazar Alvares chorava ao ver os palácios dos grandes cheios de gente, e as igrejas, onde está Jesus Cristo, vazias e abandonadas.

Meu Deus! Se o Senhor se tivesse deixado ficar em uma só igreja da terra, por exemplo, na de São Pedro em Roma, e ali quisesse dar audiência só num dia do ano, quantos peregrinos, quantos personagens grandes, quantos monarcas procurariam ter a ventura de se achar ali em tal dia, afim de prestarem homenagem ao Rei do céu, voltado à terra! Que tabernáculo precioso, de ouro e ornado de pedrarias não lhe seria preparado! Com que profusão de luzes não se havia de solenizar em tal dia a permanência de Jesus Cristo! Mas não, diz o Redentor, não quero morar em uma só igreja, nem por um dia do ano somente; não exijo tamanha riqueza nem tantas luzes; quero morar continuamente em todos os tempos e lugares, onde quer que vivam os meus fiéis, afim de que todos me achem com facilidade e sempre, na hora que quiserem.

Ah! Se Jesus Cristo não tivesse concebido tão grande fineza de amor, quem jamais pudera excogitá-la? – Se na Ascensão do Senhor ao céu alguém Lhe tivesse digo: Senhor, se quereis demonstrar-nos o vosso amor, ficai conosco sobre os altares debaixo das espécies de pão, afim de que possamos achar-Vos quando quisermos; não seria semelhante pergunta tida por excessivamente temerária? Mas o que nenhum homem podia imaginar, o nosso Salvador o excogitou e executou. Continuar lendo

ROSA MÍSTICA 2018 – FILME DA MISSÃO DA FSSPX NAS FILIPINAS

De 8 a 15 de abril de 2018, em General Santos – ilha de Mindanao – ao sul do arquipélago das Filipinas, realizou-se a “Operação Rosa Mística”, a missão médica anual da ACEM-ASIA, ramo filipino da ACEM (Associação Católica de Enfermeiros e Médicos).

Médicos, enfermeiros, profissionais de saúde de todo o mundo, aliviaram o sofrimento dos filipinos, acompanhados por padres e freiras da FSSPX.

Além da saúde física, há também todo o acompanhamento e preocupação com a espiritualidade do povo.

Fotos da Missão podem ser vistos nos links abaixo:

A SALVAÇÃO É A ÚNICA COISA NECESSÁRIA

salvaPorro unum est necessarium – “Uma só coisa é necessária” (Luc. 10, 42).

Sumário. Não é preciso que neste mundo sejamos cumulados de dignidades, que tenhamos riquezas, boa saúde, gozos terrestres; é necessário tão somente que nos salvemos. Não há meio termo: se não nos salvarmos, seremos condenados; estaremos ou sempre felizes no céu, ou sempre infelizes no inferno! Por isso avisa-nos o Senhor, que amontoemos tesouros, já não neste mundo, mas no céu, onde a ferrugem e os vermes não os consomem, nem os desenterram e roubam os ladrões.

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Não é necessário que neste mundo sejamos cumulados de dignidades, que tenhamos riquezas, boa saúde e gozos terrestres; mas necessário é que nos salvemos. Não há meio termo: se não nos salvarmos, seremos condenados. Depois desta breve vida seremos ou para sempre felizes no paraíso, ou para sempre desgraçados no inferno.

Quantos mundanos, que outrora gozaram abundância de riquezas e honras, foram elevados às mais altas dignidades, quiçá a tronos, estão agora no inferno! Ali todas as prosperidades gozadas neste mundo só lhes servem para sua maior dor e desesperação. – Eis o que nos avisa o Senhor: Nolite thesaurizare vobis thesauros in terra –Não queirais ajuntar tesouros na terra; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem a ferrugem e os vermes, e onde os ladrões não os desenterram nem roubam (1). Todos os bens terrestres se perdem na hora da morte; mas os bens espirituais são tesouros incomparavelmente mais preciosos e duram eternamente.

Deus manifestou-nos a vontade de que todos sejam salvos, e a todos dá o auxílio para se salvarem. Quem se perder, perder-se-á por culpa própria, e isto será a sua pena mais grave no inferno. Vindicta carnis impii, ignis et vermis (2) – “A vingança da carne do ímpio será o fogo e o verme”. O fogo e o verme roedor (isto é, o remorso da consciência), serão os algozes do réprobo para vingança de seus pecados; mas o verme roedor o atormentará eternamente muito mais que o fogo. – Que dor não causa neste mundo a perda de um objeto de valor, de um diamante, de um relógio, de uma bolsa com dinheiro, mormente quando a perda se deu por descuido próprio? A lembrança da perda faz perder o apetite e o sono, posto que haja esperança de remediá-la de outra maneira. Qual não será então o tormento do réprobo ao lembrar-se que por sua culpa própria perdeu o seu Deus e o paraíso, sem esperança de poder ainda possuí-los? Continuar lendo

DEUS PERDOA SEMPRE

Resultado de imagem para confissãoDiscípulo — Porém, se alguém reconhece a tempo as suas faltas e se confessa bem, Deus perdoa sempre não é verdade, Padre?

Mestre — Sim, Deus perdoa sempre a quem volta arrependido. Você se lembra da
parábola do “Filho pródigo?”

D. — Ouvi-a mais de cem vezes e acho-a sempre lindíssima e. muito consoladora.
Conte-ma, Padre.

M. — O infeliz rapaz foge de casa, gasta todos os seus bens em excessos. Reduzido à
miséria extrema é obrigado a ser guardião de porcos, e reparte com os animais imundos os restos de comida, para não morrer de fome. Por fim cansado de uma vida tão mesquinha, cheio de remorso, resolve voltar para junto do pai. Vence a vergonha e decidido exclama: “Surgam, et ibo ad patrem meus. — Erguer-me-ei irei para junto de meu pai”. De fato volta, e assim que chega atira-se aos pés do pai implorando: Pai, perdão, porque pequei.

O pobre pai, que desde o triste dia em que o filho partira, não tinha conhecido nem paz nem sossego, não o repele: abre-lhe os braços, ergue-o, aperta-o contra o peito, beija-lhe a fronte, cobre-o com o próprio manto para que ninguém o veja naquele estado. Ordena aos servos: Corram, tragam as roupas mais belas para que eu vista de novo o meu filho; tragam os anéis de ouro e os colares preciosos para que eu o enfeite.

E vocês, diz a outros, matem a vitela mais gorda e preparem um grande jantar.

Convidem parentes e amigos, chamem também os músicos; quero uma grande festa, porque meu filho que estava perdido voltou!

Poucas horas depois, já cada coisa está em ordem: cheia a sala, postas as mesas. O filho que, pouco antes causava dó, aparece todo enfeitado, radiante de alegria, ao lado do pai. E, sentado no lugar de honra, torna-se o “rei da festa”.

Você sabe quem é ele? É o pobre pecador, e seu pai é Jesus. Cada vez que o mais infeliz pecador atira-se aos pés de Jesus e diz, arrependido: “Padre, perdoai-me porque pequei” a mesma cena se repete. O confessor, que representa Jesus, ergue o infeliz; aperta-o nos braços, dá-lhe o beijo do perdão, reveste-o da graça santificante, adorna-o com seus conselhos, leva-o ao casamento de Jesus que é a Comunhão. Continuar lendo

O NADA DOS BENS DO MUNDO

balancaIn manu eius statera dolosa, calumniam dilexit – “Na sua mão está uma balança enganosa; amou a calúnia” (Os. 12, 7).

Sumário. É preciso pesar os bens na balança de Deus e não na do mundo enganador. Olhemos não somente os bens que possui tal senhor, mas atentemos também no que leva consigo na morte. Perguntemos a todos esses ricos, sábios, príncipes e imperadores, que entraram na eternidade e estão queimando no inferno: Que vos restou das pompas, delícias e riquezas gozadas na terra? Todos respondem: “Nada! Os nossos gozos passaram qual sombra, e nada nos resta senão uma eterna desesperação.” Sirva a desgraça dos outros de exemplo para nós!

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É preciso pesar os bens na balança de Deus e não na do mundo, que é enganadora. Os bens do mundo são desprezíveis, porque não nos satisfazem a alma e acabam depressa. “Os meus dias”, dizia lamentando o santo homem Jó (1), “foram mais velozes do que um cursor; passaram como navios carregados de frutos, como uma águia que se precipita sobre a presa.” Com efeito, os dias de nossa vida passam e fogem, e que nos fica por fim dos gozos da terra?Pertransierunt quase naves– “Passaram como navios”. Os navios não deixam nenhum vestígio da sua passagem; sulcam as ondas agitadas do mar, mas pouco depois já não se vê vestígio algum, nem mesmo o sulco que a sua quilha abriu nas ondas.

Peguntemos a tantos ricos, sábios, príncipes e imperadores, que já entraram na eternidade, o que lhes ficou das pompas, delícias e grandezas gozadas nesta terra. Todos respondem: “Nada! Absolutamente nada!” Ó homem, exclama Santo Agostinho, quid hic habet attendis; quid secum fert atende. Vós vos limitais a contemplar os bens que no mundo possuiu aquele grande senhor; atentai antes no que leva consigo na hora da morte. O que é senão um cadáver infecto e uma mortalha, ambos sujeitos à mesma podridão?

Quando morre algum dos grandes do mundo, apenas se fala dele algum tempo, para logo depois cair no ouvido: Periit memoria eorum cum sonitu (2) – “A sua memória pereceu como som”. E se porventura estes desgraçados caem no inferno, que fazem ali, que dizem? Choram e dizem: Quid profuit nobis superbia aut divitiarum iactantia? – Que fruto colhemos do fausto e das riquezas? Tudo passou como sombra, e só nos resta a mágoa, o pesar e a desesperação eterna. Transierunt omnia illa tamquam umbra (3). Continuar lendo

TOMADA DE HÁBITO E PROFISSÕES DAS IRMÃS DA FSSPX

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Quase uma centena de irmãs – das 195 que pertenciam nessa data à Congregação das Irmãs da Fraternidade São Pio X, estabelecidas nos cinco continentes – estiveram presentes na Festa de Quasimodo, em 08 de abril de 2018, para tomada de hábito de 2 novas noviças e a admissão de um nova professa.

D. Alfonso de Galarreta, bispo auxiliar da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, foi quem oficiou durante uma Missa Pontifical celebrada na igreja abacial de Ruffec, adquirida e restaurada pelas religiosas. Ele foi auxiliado pelos padres Christian Bouchacourt, Superior do Distrito da França e padre assistente, David Pagliarani, diretor do Seminário de La Reja e Bernard Lacoste-Lareymondie, professor do Seminário de Ecône, como diáconos assistentes.

No dia seguinte, em 9 de Abril, o Capítulo Geral das Irmãs da Sociedade de São Pio X, realizada na Abadia de St. Michael em Brenne (França) elegeu a Madre Mary Jean Bréant ao posto de Superiora Geral para um mandato de seis anos. Ela sucede a Madre Marie-Augustin de Poulpiquet. A Irmã Thérèse-Marie Trutt foi eleita Primeira Assistente Geral, e a Irmã Marie-Claire Wuilloud foi eleita Segunda Assistente Geral.

Após o domingo de “Jubilate”, em 22 de abril, três outras noviças vieram aumentar as fileiras da congregação, assim como duas outras novas irmãs professas, dos noviciatos de Browerville, Minnesota (EUA) e Göffingen, Alemanha.

Em 26 de setembro de 2014, a Congregação fundada pela própria irmã de D. Marcel Lefebvre celebrou seu quadragésimo aniversário. Em 22 de abril de 2018 completou 200 membros .

Deo gratias!

DA TIBIEZA

tibiQuia tepidus es, et nec frigidus nec calidus, incipiam te evomere ex ore meo – “Porque és morno, e nem frio nem quente, começarei a vomitar-te da minha boca” (Apoc. 3, 16).

Sumário. A verdadeira tibieza consiste em que a alma cai em pecados veniais plenamente voluntários, dos quais pouco se arrepende, e que menos ainda se esforça por evitar, dizendo que são coisas de pouca monta. Temamos cair nesta tibieza, porque é semelhante à febre héctica, que não inspira muito cuidado, mas é tão maligna que não deixa quase esperança de cura. Infeliz da alma que faz as pazes com os pecados, posto que leves; a desgraçada irá de mal a pior. Sendo ela tão avarenta para com Deus, como pode pretender que o Senhor seja liberal para com ela?

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Há duas espécies de tibieza, uma inevitável, outra evitável. A inevitável é a da qual na vida presente nem conseguem isentar-se as almas espirituais, que pela fragilidade humana não podem evitar que não caiam de vez em quando, sem vontade plenamente deliberada, em alguma falta leve. Desta espécie de culpas nenhum homem pode ficar livre sem uma graça especialíssima, que foi somente concedida à Mãe de Deus, porque a nossa natureza humana ficou corrompida pelo pecado original. – Deus permite tais manchas até mesmo nos Santos, para conservá-los humildes. Muitas vezes sentem-se estes frios, aborrecidos e desgostosos em seus exercícios de devoção, e em semelhante tempo de aridez caem facilmente em muitos defeitos, ao menos indeliberados.

Quem estiver em tal estado, não omita as suas devoções habituais, nem perca o ânimo, nem creia que já caiu na tibieza, porque isso não é propriamente tibieza. A tibieza verdadeira e deplorável é a que faz a alma cair em pecados veniais plenamente refletidos, de que quase não se arrepende e que se esforça menos ainda por evitar, sob o pretexto de que são coisas de pouca monta o ofender a Deus? Dizia Santa Teresa a suas religiosas: Minhas filhas, Deus vos livre do pecado cometido refletidamente, por leve que ele seja.

Dizem: os pecados veniais não nos privam da graça de Deus. Quem fala desta maneira, está em grande perigo de ver-se um dia cair em pecado mortal e privado da graça divina. Escreve São Gregório, que quem cai em pecados veniais deliberados e habituais sem fazer caso deles e sem pensar em emendar-se, nunca para no sítio em que caiu, mas afinal cairá no precipício: Nunquam illic anima quo cadit iacet. – As enfermidades mortais não provêm sempre de graves desordens, mas de muitas desordens leves e continuadas. Do mesmo modo a queda de certas almas em pecados graves, muitas vezes provem do hábito de pecar venialmente, pois este torna a alma tão débil, que, quando assaltada por alguma tentação mais forte, não tem força para resistir, e cai. Continuar lendo

DO BEM INEFÁVEL QUE É A GRAÇA DIVINA E DO GRANDE MAL QUE É A INIMIZADE COM DEUS – PONTO III

Resultado de imagem para arrependidoConsideremos agora o estado infeliz de uma alma que cai no desagrado de Deus. Vive separado de seu Sumo Bem, que é Deus (Is 59,2); de sorte que ela já não é de Deus, nem Deus já é seu (Os 1,9). E não somente não a considera como sua, mas detesta-a e a condena ao inferno. O Senhor não detesta a nenhuma das suas criaturas, nem às feras, nem aos répteis, nem ao mais vil dos insetos (Sb 2,25). Entretanto, não pode deixar de aborrecer o pecador (Sl 5,7); porque, sendo impossível que não odeie o pecado, inimigo absolutamente contrário à sua divina vontade, deve necessariamente aborrecer o pecador que se conserva unido à vontade do pecado (Sb 14,9).

Ó meu Deus! Se alguém tem por inimigo a um príncipe do mundo, não pode repousar tranquilo, receando a cada instante a morte. E aquele que for inimigo de Deus, como pode ter paz? Da ira de um rei se pode escapar, ocultando-se ou emigrando para outro país; mas quem pode livrar-se das mãos de Deus?

“Senhor, — dizia David, — se subir ao céu, ali estás, se descer ao inferno, estás ali presente… A todo e qualquer lugar aonde vá, tua mão alcançar-me-á” (Sl 138,8-10)

Desgraçados pecadores! São amaldiçoados por Deus, amaldiçoados pelos anjos, amaldiçoados pelos santos, e ainda amaldiçoados na terra, todos os dias, pelos sacerdotes e religiosos que, ao recitar o ofício divino, proferem a maldição (Sl 118,2). Além disso, o desafeto de Deus traz consigo a perda de todos os merecimentos. Ainda que uma pessoa tivesse merecido tanto como um São Paulo Eremita, que viveu noventa e oito anos numa gruta; tanto como um São Francisco Xavier, que conquistou para Deus dez milhões de almas; tanto como São Paulo, que por si só alcançou — segundo afirma São Jerônimo — mais merecimentos que todos os outros apóstolos, se tal pessoa cometesse um só pecado mortal, perderia tudo (Ez 18,24); tão grande é a ruína que produz a queda no desagrado do Senhor! De filho de Deus, o pecador converte-se em escravo de Satanás; de amigo predileto torna-se odioso inimigo; de herdeiro da glória, em condenado do inferno. Dizia São Francisco de Sales que, se os anjos pudessem chorar, certamente chorariam de compaixão ao verem a desdita de uma alma que comete um pecado mortal e perde a graça divina. Continuar lendo

O PENSAMENTO DA ETERNIDADE

pensCogitavi dies antiquos, et annos aeternos in mente habui — “Pensei nos dias antigos, e tive na mente os anos eternos” (Ps. 76, 6).

Sumário. Feliz de quem vive tendo sempre em mira a eternidade e pensa que em breve o paraíso ou o inferno será a morada de sua alma! Este pensamento infundiu a milhões de mártires a coragem para darem a sua vida por Jesus Cristo; fez tantos jovens, mesmo príncipes e reis, encerrarem-se nos claustros. Quanto mais eficaz não será, pois, para nos desprender dos miseráveis bens da terra e fazer-nos carregar com paciência as cruzes que Deus nos envia? Quem pensa na eternidade e não se converte a Deus, perdeu ou o juízo ou a fé.

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I. O pensamento da eternidade é chamado por Santo Agostinho o grande pensamento: Magna cogitatio. Este pensamento fez com que todos os tesouros e grandezas da terra se afigurassem aos santos como que palhas, lodo, fumo e monturo. Este pensamento inspirou tantos anacoretas a retirarem-se para desertos e grutas, tantos jovens nobres e mesmo reis e príncipes reinantes a encerrarem-se nos claustros. Este pensamento deu a tantos mártires coragem para sofrer os cavaletes, as unhas de ferro, as grelhas em brasa e a morte pelo fogo.

Não, não é para esta terra que fomos criados; o fim para o qual Deus nos pôs neste mundo, é que pelas nossas boas obras mereçamos possuir a vida eterna: Finem vero, vitam aeternam (1) — “E por fim a vida eterna”. Pelo que Santo Euquério disse que o único negócio em que devemos cuidar na vida presente , é a eternidade. Se assegurarmos este negócio, seremos felizes para sempre; se o errarmos, seremos para sempre infelizes.

Feliz de quem vive tendo sempre em mira a eternidade, pela fé viva que dentro em breve tem de morrer e entrar na eternidade! Iustus ex fide vivit (2) — “O justo vive pela fé”. A fé faz o justo viver na graça de Deus, dá vida à alma desprendendo-a dos afetos terrenos, e lembrando-lhe os bens eternos que Deus promete aos que O amam. — Dizia Santa Teresa que todos os pecados provêem da falta de fé. Pelo que, a fim de vencermos as paixões e as tentações, é mister que freqüentemente avivemos a nossa fé, dizendo: Credo vitam aeternam — “Creio na vida eterna”. Creio que depois desta vida, que em breve acabará para mim, há a vida eterna, ou cheia de gozos ou cheia de sofrimentos, uma das quais me tocará segundo os meus méritos ou deméritos. Costumava por isso Santo Agostinho dizer que o que crê na eternidade e não se converte a Deus, perdeu o juízo ou a fé. Continuar lendo

ENCÍCLICA MEDIATOR DEI – CONDENAÇÃO POR ANTECIPAÇÃO DA “REFORMA LITÚRGICA” DE PAULO VI

Resultado de imagem para missa ecumênicaUma “lei nociva”: o “Ordo Missae” ecumênico

Há 30 anos (3 de abril de 1969), o Novus Ordo Missae de Paulo VI sucedeu ao antiqüíssimo e venerável rito romano da Santa Missa.

Pela Festa de Corpus Christi deste mesmo ano, foi apresentado a Paulo VI um Breve exame crítico do “Novus Ordo Missae“, precedido duma “Carta” dos cardeais Ottaviani e Bacci, na qual se afirmava: “Os súditos, para o bem dos quais se quer estabelecer uma lei, tiveram sempre, mais do que o direito, o dever de pedir, com confiança filial, ao legislador a ab-rogação da própria lei, quando ela se demonstra ser nociva”.

E como o Novus Ordo era “nocivo”, a ponto de fundamentar um verdadeiro “dever” de pedir a sua ab-rogação, os dois cardeais diziam sem rodeios: o novo rito da Missa “representa, tanto no seu conjunto como nos seus pormenores, um afastamento impressionante da teologia católica da Santa Missa, tal como foi formulada na sessão XXII do Concílio de Trento”.

A “Mediator Dei”

Este “afastamento da teologia católica da Santa Missa” tinha já sido apontado e reprovado por Pio XII no movimento litúrgico que precedeu o Concílio Vaticano II. Na “Mediator Dei” (1947), escrevia o Papa: “Nós notamos com muita apreensão que alguns são demasiado ávidos de novidades e se afastam do caminho da são doutrina e da prudência. Na intenção e no desejo duma renovação litúrgica, eles interpõem freqüentemente princípios que, na teoria ou na prática, comprometem esta causa santíssima, e muitas vezes até a contaminam de erros que afetam a fé e a doutrina ascética“.

Com esta Encíclica, Pio XII se propunha “afastar da Igreja” “falsas opiniões… inteiramente contrárias à santa doutrina tradicional“, “erros que afetam a fé católica e a doutrina ascética“, “exageros e desvios da verdade que não se harmonizam com os preceitos autênticos da Igreja“… opiniões, erros, exageros, desvios, que são a alma da “reforma litúrgica” de Paulo VI e das suas múltiplas realizações que, chegando mesmo às vezes além da letra, se situam, não obstante, no “espírito do Concílio” e do Novus Ordo (como o demonstra também o fato de que eles não são objeto de nenhuma sanção disciplinar). Continuar lendo

DO AMOR QUE SÃO JOSÉ TEVE A JESUS E MARIA

sagrada-familiaIacob autem genuit Ioseph, virum Mariae, de qua natus est Iesus — “Jacó gerou a José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus” (Matth. 1, 16).

Sumário. A longa familiaridade de pessoas amantes faz muitas vezes resfriar o amor, porque, quanto mais tratam uns com outros, tanto mais conhecem os defeitos mútuos. Mas não foi assim com São José. Quanto mais convivia com o divino Redentor e com a Santíssima Virgem, tanto mais chegou a conhecer-lhes a santidade. Concluamos disso quanto devia amar aqueles queridos penhores de seu coração, gozando tão longos anos a sua companhia. Roguemos ao santo Patriarca, que nos comunique uma parte de seu amor a Jesus e Maria; e ao mesmo tempo esforcemo-nos por imitá-lo, pela consideração de suas grandezas.

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Considera em primeiro lugar o amor que José teve a Jesus. Já que Deus destinou o Santo a servir de pai ao Verbo humanado, com certeza infundiu-lhe no coração um amor de pai, e de pai de um filho tão amável, e que ao mesmo tempo era Deus. O amor de José não foi, portanto, um amor puramente humano, como o dos outros pais, mas um amor sobre-humano, visto que na mesma pessoa via seu Filho e seu Deus.

Bem sabia José, pela certa revelação divina recebida do Anjo, que o Menino, que via continuamente em sua companhia, era o Verbo divino, feito homem por amor dos homens, mas especialmente dele. Sabia que o Verbo mesmo o havia escolhido entre todos para guarda de sua vida que queria ser chamado seu Filho. Considera, de que incêndio de amor não devia estar abrasado o coração de José, ao considerar tudo isso e ao ver seu Senhor, que lhe servia como oficial, ora abrindo e fechando a loja, ora ajudando-o a serrar a madeira, ora manejando a plaina ou o machado, ora ajuntando os cavacos e varrendo a casa; numa palavra, que lhe obedecia em tudo que lhe mandava, e não fazia nada sem o consentimento daquele que considerava como seu pai.

Que afetos não deviam ser despertados no coração de José, quando o tinha nos braços, o acariciava, ou recebia as carícias daquele doce Menino! Quando escutava as palavras de vida eterna, que foram como outras tantas setas a ferirem-lhe o coração! Especialmente quando observava os santos exemplos de todas as virtudes que o divino Menino lhe dava! — A longa convivência de pessoas que se amam mutuamente, muitas vezes resfria o amor; porque, quanto mais convivem, tanto mais descobrem mutuamente os defeitos. Não foi assim com São José: quanto mais convivia com Jesus, tanto mais lhe descobria a santidade. Conclui disso, quanto deve ter amado a Jesus, cuja companhia gozou, na opinião dos autores, pelo espaço de vinte e cinco ou trinta anos! Continuar lendo

DO AMOR ÀS PRÓPRIAS OPINIÕES E O DESPREZO PELA SÃ DOUTRINA

Resultado de imagem para Santo Hilário de PoitiersNão há qualquer dúvida de que toda palavra humana está sempre exposta à contradição, porque, quando há diferentes movimentos das vontades, são também diferentes os modos de pensar das mentes. Quando se luta com paixão contra os juízos dos adversários, se contradizem as afirmações a que nos opomos. Embora cada palavra conforme a verdade seja perfeita, no entanto, se cada um prefere algo diferente, a palavra verdadeira se expõe à réplica dos contraditores, porque o erro de uma vontade insensata ou perversa se afirma contra a verdade que não entende ou não quer aceitar. O desejo de contradizer persiste, inabalável, e não tem medida a obstinação em contradizer.

A vontade não se submete à razão, e o interesse não se põe a serviço da verdadeira doutrina. Procuramos razões para provar o que desejamos com empenho e adaptamos a doutrina aos nossos desejos. Então será mais de nome do que de realidade, a doutrina que imaginamos, e já não será mantida a norma da verdade, mas a do que agrada, isto é, a que a vontade usará para defender o que quer, e não a que estimulará a vontade pelo conhecimento da verdade racional. Desses vícios das vontades caprichosas, surgem as objeções das tendências contrárias e, entre a afirmação do verdadeiro e a defesa do que agrada, trava-se uma luta pertinaz, visto que a verdade se mantém e a vontade caprichosa se defende. Aliás, se a vontade não precedesse a razão, mas, mediante a compreensão da verdade, fosse movida a querer o verdadeiro, nunca a doutrina originada na vontade seria desejada. Todo desejo de doutrina seria movido pela razão, e a palavra verdadeira não encontraria oposição. Ninguém defenderia como verdadeiro o que deseja, mas sim começaria a querer o que é verdadeiro.

O Apóstolo não ignorava a existência destas vontades viciadas e, entre muitos preceitos para o anúncio da fé e a pregação da Palavra, escreveu a Timóteo: Virá um tempo em que alguns não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, segundo seus próprios desejos, como que sentindo comichão nos ouvidos, se rodearão de mestres. Desviarão os ouvidos da verdade, orientando-os para as fábulas (2Tm 4,3-4). Quando, levados pelo desejo da impiedade, não puderem suportar a sã doutrina, então reunirão os mestres que desejam, isto é, os que acumulam argumentos doutrinários adaptados a seus desejos. Não quererão ser ensinados, mas congregarão doutores para dizer-lhes o que querem, a fim de que o próprio acúmulo de pesquisadores e de mestres escolhidos e reunidos por eles satisfaça sua ânsia. Esta tão grande loucura da estulta irreligiosidade ignora qual é o espírito que os leva a não suportar a sã doutrina e desejar a corrompida. Continuar lendo

DO BEM INEFÁVEL QUE É A GRAÇA DIVINA E DO GRANDE MAL QUE É A INIMIZADE COM DEUS – PONTO II

Resultado de imagem para rezando igrejaDisse São Tomás de Aquino que o dom da graça excede a todos os dons que uma criatura possa receber, porque a graça é a participação da própria natureza divina. Já antes havia dito São Pedro:

“Para que por isso sejais participantes da divina natureza” (2 Pd 1, 4)

Tanta é sua dignidade que Jesus Cristo no-la mereceu por sua Paixão! Ele nos comunicou, de certo modo, o resplendor que recebeu de Deus (Jo 17,22). Deste modo, a alma que está na graça se une intimamente a Deus (1Cor 6,17), e, segundo afirma o Redentor, a Santíssima Trindade vem habitar nela (Jo 14,22).

É tão bela uma alma em estado de graça, que o Senhor se compraz nela e a elogia amorosamente:

“Como és formosa, minha amiga, como és formosa!” (Ct 4,1)

Parece que o Senhor não pode apartar os olhos de uma alma que o ama nem deitar os olhos de uma alma que o ama nem deixar de dar ouvido a quanto lhe peça (Sl 33,6). Dizia Santa Brígida que ninguém seria capaz de ver a beleza de uma alma em estado de graça, sem morrer de alegria. Santa Catarina de Sena, ao contemplar uma alma em estado tão feliz, disse que preferia dar sua vida para que aquela alma jamais viesse a perder tanta beleza. Era por isto que a Santa beijava a terra que os sacerdotes pisavam, considerando que por seu intermédio recuperavam as almas a graça de Deus.

Que tesouro de merecimentos pode adquirir uma alma em estado de graça! Em cada instante lhe é dado merecer a glória; pois, segundo disse Santo Tomás, cada ato de amor, produzido por tais almas, merece a vida eterna. Por que, pois, invejar os poderosos do mundo? Estando na graça de Deus, podemos adquirir continuamente as maiores grandezas celestes.

Um irmão coadjutor da Companhia de Jesus, segundo refere o Padre Patrignani em seu “Menológio”, apareceu depois de sua morte e revelou que se tinha salvado, assim como Filipe II, rei da Espanha, e que ambos gozavam já a glória eterna. Quanto menor, porém, fora ele neste mundo em comparação ao rei, tanto mais elevado era agora o seu lugar no céu. Continuar lendo

DA MORTE

morte_del_peccatore_g[1] - 2Estole parati; quia qua nescitis hora Filius hominis venturus est — “Estai preparados; porque, não sabeis a hora em que o Filho do homem há de vir” (Matth. 24, 44.)

Sumário. A morte é certa, mas não se sabe quando virá. Quantas mortes são repentinas! Quantos à noite têm ido deitar-se sãos e pela manhã apareceram mortos! Não pensavam morrer assim, mas morreram; e se estavam em pecado, acham-se agora ardendo no inferno, onde estarão por toda a eternidade. Para que não nos suceda a mesma desgraça, aproveitemos o conselho de Jesus Cristo, e preparemo-nos para morrer bem, antes que a morte venha: Estote parati — “Estai preparados”.

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Considera como há de acabar esta vida. Já está decretada a sentença: hás de morrer. A morte é certa, mas não se sabe quando virá. Que é preciso para morrer? Uma síncope cardíaca, uma veia que se rompa no peito, uma sufocação catarral, um vômito de sangue, um bicho venenoso que te morda, uma febre, uma chaga, uma inundação, um tremor de terra, um raio, basta para te tirar a vida.

A morte virá surpreender-te quando menos o pensares. Quantos à noite foram deitar-se sãos e pela manhã foram encontrados mortos! Não pode o mesmo acontecer a ti? Tantos que morreram repentinamente, não pensavam morrer assim; mas morreram. E se estavam em pecado, onde estarão por toda a eternidade? — Seja, porém, como for, o certo é que há de chegar um tempo em que para ti o dia se fará noite: verás o dia e não verás a noite seguinte. Virei como um ladrão, de emboscada e desapercebido, diz Jesus Cristo. Teu bom Senhor avisa-te com tempo, porque deseja a tua salvação.

Corresponde, pois, aos avisos de Deus e aproveita-te deles, prepara-te para bem morrer, antes que chegue a morte: Estote parati — “Estai preparados”. Então não é tempo de te preparares, mas de estares preparado. É certo que hás de morrer. Há de acabar para ti a cena deste mundo, e não sabes quando. Quem sabe se será dentro de um ano?… Dentro de um mês?… Quem sabe se amanhã ainda estarás vivo? — Meu Jesus, iluminai-me e perdoai-me. Ai de mim! Que me resta de tantos pecados que cometi? O coração aflito, a alma agravada, o inferno merecido, o céu perdido. Ah, meu Deus e meu Pai, prendei-me com os laços de vosso amor.

Considera como na hora da morte te acharás estendido no leito, assistido de sacerdote que encomendará a tua alma a Deus, dos parentes que estarão chorando, tendo à cabeceira o Crucifixo, na mão a vela mortuária e próximo a entrar na eternidade. Sentirás a cabeça atormentada de dores, os olhos enevoados, a língua seca, a garganta apertada, o peito oprimido, o sangue gelado, a carne consumida, o coração traspassado. — Terás de deixar tudo, e pobre e nu serás atirado a uma cova onde apodrecerás. Ali os vermes te roerão todas as carnes, e de ti nada restará senão uns ossos descarnados e um pouco de pó fétido, e nada mais. Abre uma cova e vê a que está reduzido aquele ricaço, aquele avarento, aquela mulher vaidosa. É assim que acaba a vida!

Desgraçado de mim, que tantos anos não pensei senão em ofender-Vos, ó Deus de minha alma! Agradeço-Vos as luzes que agora me comunicais, e prometo-Vos mudar de vida. Meu Jesus, não atendais à minha ingratidão, mas atendei ao amor que Vos fez morrer por mim. Se eu perdia vossa graça, Vós não perdestes o poder de ma restituir. Tende, pois, piedade de mim! Perdoai-me e dai-me a graça de Vos amar, porque prometo de hoje em diante não querer amar senão a Vós.

Ó meu querido Redentor, entre tantas criaturas possíveis escolhestes-me para Vos amar; eu também Vos escolho, ó Bem supremo, para Vos amar sobre todas as coisas. Vós ides adiante com a vossa cruz: não quero deixar de seguir-Vos com a cruz que queirais dar-me a carregar. Abraço todas as mortificações e trabalhos, que me sejam enviados por Vós. Contanto que não me priveis de vossa graça e me façais morrer uma boa morte, estou satisfeito. — Maria, minha esperança, obtende-me de Deus a perseverança e a graça de amá-Lo, e não vos peço mais nada. (II 476).

Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso

O SACERDOTE E SEUS MAUS EXEMPLOS

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Na verdade, ninguém causa maior dano à Igreja do que aquele que, tendo um título e uma posição que comportam santidade, vive uma vida corrupta. Ninguém se atreve a denunciar suas faltas; e a falta se torna um exemplo que se difunde amplamente quando o pecador é reverenciado por causa do respeito devido à sua posição. Esses indignos evitariam as responsabilidades de uma culpa assim tão grave se meditassem em seus corações com ouvido atento a sentença da Verdade, que afirma: Quem escandalizar um só destes pequeninos que acreditam em mim, melhor seria para ele pendurar uma pedra de moinho no pescoço, e ser jogado no fundo do mar. (Mt 18,6)

A “pedra de moinho” simboliza o ciclo da vida neste mundo e a sua fadiga, e “o fundo do mar” designa a condenação eterna. Portanto, quando um homem posto em condição que exige santidade escandaliza os outros com a palavra e com o exemplo, seria melhor para ele que as suas ações mundanas o tivessem levado à morte, quando ainda vivia em estado laical, antes que as suas funções sacras o tivessem indicado aos outros, ele, pecador, como exemplo a ser imitado. Porque, caindo somente ele, as penas do inferno o atormentariam de modo mais suportável.

São Gregório Magno – Regra Pastoral

DA ORAÇÃO DEPENDE A NOSSA SALVAÇÃO

rezaSi quis vestrum indiget sapientia, postulet a Deo, qui dat omnibus affluenter, et non improperat — “Se alguém de vós necessita de sabedoria, suplique-a de Deus, que a todos dá liberalmente, e não impropera” (Iac. 1, 5).

Sumário. A oração é não só útil à salvação, mas mesmo necessária, porque de um lado somos incapazes de fazer obras boas sem o auxílio de Deus, e do outro, o Senhor, ainda que nos queira dar este auxílio, de ordinário não o dá senão a quem ora. Se, pois, queremos salvar-nos, devemos orar até à morte, pois desde que cessemos de orar, estaremos perdidos. Devemos orar não só por nós mesmos, como também pelo próximo e especialmente pelos pecadores e pelas almas do purgatório.

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A oração não só é útil à salvação, mas também necessária. Pelo que Deus, querendo salvar-nos, nos impõe o preceito da oração:Oportet semper orare et non deficere(1) — “Importa orar sempre e não cessar”. A razão desta necessidade de nos recomendarmos muitas vezes a Deus, baseia-se na nossa impotência para fazer, sem o auxílio divino, uma boa obra qualquer (2), mesmo para concebermos algum bom pensamento (3), e daí para nos defender contra o demônio, que não deixa de andar ao redor de nós para nos tragar.

É verdade; foi erro de Jansênio, condenado pela Igreja, o dizer que nos é impossível guardar certos mandamentos e que algumas vezes nos falta a graça para podermos observá-los. Deus é fiel, diz São Paulo, e não permitirá que sejamos tentados acima de nossas forças (4). Mas é igualmente verdade que Deus quer ser rogado; quer que nas tentações a Ele recorramos a fim de obtermos a graça para resistir. “Deus quer dar as suas graças”, diz Santo Agostinho, “mas, especialmente no tocante à perseverança, não a dará senão a quem a pedir.” E em outra parte acrescenta: “Lex data est, ut gratia quaereretur; gratia data est, ut lex impleretur — A lei foi dada para que se procure a graça; a graça foi dada para que se cumpra a lei.” O que exprimiu muito bem o Concilio de Trento quando disse: “Deus não manda coisas impossíveis; mas mandando, exorta-nos a que façamos o que está ao nosso alcance, e que peçamos o que excede nossas forças, a fim de que possa vir em nosso auxílio.” (5)

Numa palavra, o Senhor está todo disposto a dar-nos o seu auxílio, para não sermos vencidos; mas só dá este auxílio àqueles que o invocam no tempo das tentações, especialmente nas tentações contra a castidade, como disse o Sábio: Et ut scivi, quoniam aliter non possem esse continens, nisi Deus det… adii Dominum et deprecatus sum illum (6) — “Como eu sabia que de outra maneira não podia ter continência, se Deus ma não desse… recorri ao Senhor, e fiz-Lhe a minha súplica”. Continuar lendo

SEIS SEMINARISTAS RECEBEM A BATINA NO SEMINÁRIO DA SANTA CRUZ, EM GOULBURN (AUSTRÁLIA) – 2018

Fonte: Holy Cross Seminary – Tradução: Dominus Est

Uma semana após a Páscoa, o Seminário teve a alegria de testemunhar a recepção do hábito clerical por 6 seminaristas do Ano da Espiritualidade: 3 sul-coreanos, 1 australiano, 1 nigeriano e 1 filipino. Uma Missa solene foi oferecida pelo reitor do seminário, Pe. Daniel Themann. Seu sermão sobre o significado da batina pode ser ouvido aqui .

 

O Pe. Karl Pepping, Diretor da St. Philomena School, viajou de Brisbane, Queensland (um dos estados da Australia), para ajudar como diácono, enquanto o Revmo. Pe. John Mwangi serviu como subdiácono nas cerimônias.

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O Seminário da Santa Cruz, na Austrália, recebeu esse ano 2 novos seminaristas para o ano de Humanidades, 3 novos Irmãos postulantes, enquanto 14 seminaristas retornaram para continuar seus estudos. Ao todo, os seminaristas representam 7 nacionalidades:

  • 4 coreanos 
  • 4 australianos 
  • 3 filipinos 
  • 3 nigerianos 
  • 2 neozelandeses 
  • 2 quenianos 
  • 1 indiano

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“Senhor, dai-nos sacerdotes,

Senhor, dai-nos santos sacerdotes,

Senhor, dai-nos muitos santos sacerdotes,

Senhor, dai-nos muitas santas vocações religiosas,

Senhor, dai-nos famílias católicas, 

São Pio X, rogai por nós”

DO BEM INEFÁVEL QUE É A GRAÇA DIVINA E DO GRANDE MAL QUE É A INIMIZADE COM DEUS – PONTO I

Resultado de imagem para arrependidoNescit homo pretium ejus – “Não compreende o homem o seu preço” (Jo 28, 13)

Diz o Senhor que aquele que sabe distinguir o precioso do vil é semelhante a Deus, que reprova o mal e escolhe o bem (Jr 15,19).

Vejamos quão grande é a graça divina, e que mal mesmo é a inimizade com Deus. Os homens não conhecem o valor da graça divina (Jo 28,13).

Por isso é que trocam por ninharia, um fumo sutil, um punhado de terra, um deleite irracional. E, todavia, ela é um tesouro de valor infinito, que nos torna dignos da amizade de Deus (Sb 7,14); de modo que a alma no estado da graça é amiga do Senhor. Os pagãos, privados da luz da fé, julgavam impossível que a criatura pudesse manter relações de amizade com Deus; e, falando segundo o ditame de seu coração, não deixavam de ter razão, pois que a amizade — conforme diz São Jerônimo — torna os amigos iguais. Deus, contudo, declarou repetidas vezes que, por meio de sua graça, podemos tornar-nos seus amigos se observarmos e cumprirmos sua lei (Jo 15,14). Exclama São Gregório:

“Ó bondade de Deus! Não merecemos sequer ser chamados servos seus, e ele se digna chamar-nos seus amigos”.

Quanto se julgaria feliz aquele que tivesse a dita de ser amigo de seu rei! Mas, se a um vassalo fora temeridade pretender a amizade de seu príncipe, não obsta que uma alma aspire à amizade de Deus. Refere Santo Agostinho que, achando-se dois cortesãos num mosteiro, um deles começou a ler a vida de Santo Antônio Abade e, à medida em que ia lendo, seu coração se desprendia de tal modo dos afetos mundanos, que falou a seu companheiro nestes termos: Continuar lendo

SANTO AFONSO, MODELO DE AMOR PARA COM O PRÓXIMO

Santo Afonso Maria de Ligório - 01 de agosto | Convento da PenhaHic est fratrum amator et populi Israel – “Este é o amador de seus irmãos e do povo de Israel” (2 Mac 15, 14)

Sumário. Quem ama a Deus, ama também ao próximo. Eis porque Santo Afonso, que se distinguiu tanto pelo amor a Deus, se distinguiu igualmente pelo amor ao próximo. Toda a sua longa vida pode ser chamada um exercício contínuo e árduo de caridade, que não fugia nem trabalhos, nem fadigas, nem oposições, nem perigos. Nós nos gloriamos de ser devotos do grande Santo, mas como é que lhe imitamos os exemplos? … Podemos dizer que amamos verdadeiramente ao próximo como a nós mesmos ? Procuremos ser ao menos mais diligentes para o futuro.

I. Assim como Santo Afonso se distinguiu pelo seu amor a Deus, distinguiu-se igualmente pelo amor ao próximo, que dele necessariamente deriva. Toda a longa vida do Santo pode ser chamada um exercício contínuo e árduo de caridade. Assistência dos enfermos, visita dos encarcerados, hospitalidade para com os peregrinos, esmolas de toda a espécie, pregações, catecismos, instruções publicas e particulares; numa palavra, tudo que o Evangelho de Jesus Cristo pode inspirar para alivio das muitas misérias que afligem o gênero humano, o Santo o praticou mesmo a favor de seus inimigos figadais e de seus cruéis perseguidores. — No particular da caridade não conhecia trabalhos nem fadigas, oposições nem perigos; mais, para socorrer seus irmãos, teria sacrificado a própria vida. Com efeito, mostrou-se pronto para sacrificá-la, quando, temendo que o flagelo da peste, que grassava em Messina, se estendesse até ao reino de Nápoles, se obrigou por voto a socorrer os pestíferos, onde quer que fosse preciso.

Este mesmo amor ao próximo excitou o Santo a editar muitos livros para auxílio de toda a classe de pessoas: bispos, sacerdotes, missionários, religiosos, seculares, mesmo príncipes reinantes. Mais: o amor fez com que Afonso fundasse a sua Congregação, cujo escopo especial é trabalhar em prol das almas mais abandonadas e mais privadas de recursos espirituais.

Numa palavra, do santo Doutor se pode dizer o que São João Crisóstomo disse de São Paulo: Quem quiser saber qual deva ser o nosso amor para com o próximo, contemple a vida de Afonso e achará nele o mestre e discípulo de uma tão sublime virtude. — Tu, que te glorias de ser devoto e filho do Santo, examina a tua consciência para ver se imitas os seus exemplos, e lembra-te do que diz São Pedro Crisólogo: Quem faz obras contrarias às do seu pai, nega pelo fato a sua filiação.

II. Como fruto desta meditação, toma a resolução de imitar, segundo o teu estado de vida, os exemplos de caridade de Santo Afonso, e, se mais não puderes fazer, guarda ao menos as regras gerais que o Santo Doutor te dá.

Quanto aos atos interiores, guarda-te de julgar ou suspeitar mal do próximo sem grave razão; deseja-lhe todo o bem que a ti mesmo desejas, e alegra-te quando é bem, sucedido, e, ao contrario, compadece-te dos seus males como se fossem teus.

— Quanto aos atos exteriores, não só deves abster-te de toda a sombra de murmuração, mas fala bem de todos, também dos inimigos; e se não puderes desculpar a falta, desculpa ao menos a intenção. Esforça-te por socorrer o próximo, o melhor que puderes, e especialmente aqueles pelos quais sentes aversão, pelo menos orando por eles. Não te esqueças nunca das almas do próximo já falecido, isto é, das almas do purgatório, sufragando-as com missas, esmolas e orações. Lembra-te de que aquelas almas benditas saberão ser gratas, e te obterão de Deus grandes graças, não somente no paraíso, onde por teu intermédio venham a entrar mais depressa, mas mesmo desde já, enquanto ainda estiverem no purgatório.

Ó meu santo Protetor, Afonso, eu, vosso humilde devoto, prometo-vos querer sempre seguir os vossos exemplos e conselhos. Pelo vosso amor a vossa e minha querida Mãe Maria, alcançai-me a graça de vos ser fiel. Meu amado Santo, que na terra estáveis tão abrasado em amor para com o próximo e agora no céu ardeis num amor mais forte e mais puro, peço-vos que me alcanceis de Deus uma centelha dessa santa chama. — Alcançai-me um amor puríssimo para com Deus, sem o qual não pode haver amor verdadeiro para com o próximo. Numa palavra, fazei, ó meu Pai, com que eu seja um imitador perfeito das vossas virtudes e especialmente da do amor, que é a maior entre todas.

Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso

CONVIVÊNCIA DE SÃO JOSÉ COM JESUS E MARIA

sagDescendit cum eis et venit Nazareth, et erat subditus illis — “Desceu (Jesus) com eles e veio para Nazaré, e lhes estava sujeito” (Luc. 2, 51).

Sumário. Que bela sorte foi a de São José por ter vivido tantos anos em companhia de Jesus e Maria! Naquela família, não se tratava senão da maior glória de Deus; não havia outros pensamentos ou desejos senão a vontade de Deus; não se falava senão sobre o amor que Deus tem aos homens e que os homens devem a Deus. Oh! Se nós também soubéssemos aproveitar-nos da oportunidade, teríamos igualmente a ventura de viver com Jesus, presente na Santíssima Eucaristia. Procuremos portanto visitá-Lo freqüentemente e unamos os nossos afetos aos de Maria e José!

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Jesus, depois de ser encontrado no templo por Maria e José, voltou com eles para a casa de Nazaré, e viveu ali com José, até à morte deste, obedecendo-lhe como a seu pai. Considera a santa vida que José ali levou em companhia de Jesus e Maria. Naquela família não havia outro empenho senão a maior glória de Deus, não havia outro pensamento e desejo senão o agrado de Deus, não se conversava senão sobre o amor que os homens devem a Deus e que Deus tem aos homens; particularmente por ter enviado ao mundo o seu Unigênito para sofrer e terminar a vida num mar de dores e de desprezos pela salvação do gênero humano.

Ah, com que lágrimas de ternura não deviam Maria e José, tão bem entendidos nas divinas Escrituras, falar na presença de Jesus sobre a sua dolorosa paixão e morte! Com que ternura não deviam, conversando, recordar que, segundo a profecia de Isaías, o objeto de seu amor havia de ser um dia o homem de dores e de desprezos; que os inimigos haviam de desfigurá-Lo a ponto de não mais ser conhecido pelo mais formoso que era; que haviam de rasgar-Lhe de tal forma as carnes pelos açoites, que seria como que um leproso todo coberto de chagas e feridas; que seu amado Filho havia de sofrer tudo com paciência, sem querer abrir a boca para queixar-se de tantos ultrajes, que se deixaria levar à morte como um cordeiro, e finalmente seria pregado num madeiro infame entre dois ladrões, para terminar a vida pela força dos tormentos. — Considera que afetos de compaixão e de amor deviam ser despertados por tais colóquios no coração de José.

Avivemos a nossa fé! Nós também, à imitação de São José, podemos viver continuamente na companhia de Jesus Cristo, porquanto está verdadeiramente presente no Santíssimo Sacramento do altar. Procuremos, portanto, fazer-lhe cada dia uma visita, e, sendo possível, mais de uma. Achando-nos na presença de Jesus sacramentado, pensemos na sua dolorosa Paixão e unamos os nossos afetos aos de São José e de Maria Santíssima. Todos os Santos estiveram abrasados no amor de Jesus sacramentado e de sua Paixão e assim fizeram-se Santos. Continuar lendo

SEM DEDICAÇÃO NÃO HÁ AMOR

Resultado de imagem para duas floresJesus, vindo ao mundo, nada ensinou de mais amável do que a dedicação. Esta pequena flor – podemos chamá-la assim? – nasceu no Gólgota, aos pés da Cruz, no solo regado com o sangue de Cristo. Daí por diante, nunca mais desapareceu da terra.

Os amigos de Jesus cultivam-na carinhosamente. Conhecem o terreno onde se dá bem e a seiva de que se nutre. Sabem que evita o clima glacial do egoísmo e que se compraz nas quentes regiões da caridade divina. Mergulham-na no amor de Jesus, que é o seu verdadeiro lugar, o seu canteiro predileto.

Amor e dedicação são duas flores numa só haste. Jesus transplantou-as das regiões celestes para o nosso solo ingrato. Criaram raízes, vicejaram, multiplicaram-se e foram bem recebidas nos jardins dos grandes e nos canteiros dos pobres. 

Sob a influência do seu perfume, desabrocharam por toda a parte admiráveis virtudes: a abnegação, a humildade, o sacrifício, a mansidão, a compreensão mútua. A terra, anteriormente deserta, cobriu-se de creches, escolas, hospícios, asilos; povoou-se de irmãos e irmãs de caridade.

Não, não há dedicação sem amor, como não há amor sem dedicação. Nunca a flor da dedicação brotou em terras não cristãs. O joio, o insolente joio do egoísmo, devorava o solo pagão. A sociedade antiga, no apogeu da sua civilização, só engendrava monstros horrendos: a crueldade, a luxúria, a escravidão. Como já era tempo de que Jesus viesse ressuscitar esta pobre humanidade que jazia e se decompunha no túmulo! Como já tardava que Ele viesse ensinar-nos o amor e a dedicação!

O dom de si, vida de abandono em Deus – Pe. Joseph Schrijvers

MOTIVOS QUE TEMOS DE HONRAR A SÃO JOSÉ

joseConstituit eum dominum domus suae, et principem omnis possessionis suae — “Constituiu-o senhor de sua casa, e príncipe de tudo que possuía” (Ps. 104, 21).

Sumário. Tomemos a São José por nosso protetor especial e não nos esqueçamos de honrá-lo cada dia e de nos recomendar a ele. Honrando ao santo Patriarca, imitaremos os exemplos de Jesus e Maria, que foram os primeiros a honrarem-no sobre esta terra. Além disso, pelo intermédio do Santo obteremos os favores mais assinalados, porquanto a experiência demonstra que São José obtém de Deus para seus devotos tudo que quer e os socorre em suas necessidades.

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O exemplo de Jesus Cristo, que nesta terra quis honrar tão grandemente a São José, era bastante para inspirar a todos uma grande devoção a este preclaro Santo. Desde que o Pai Eterno designou São José para fazer as suas vezes juntos de Jesus, Jesus sempre o considerou e o respeitou como pai, obedecendo-lhe pelo espaço de vinte e cinco ou trinta anos:Et erat subditus illis(1) — E lhes estava sujeito. O que quer dizer que em toda aquela série de anos a única ocupação do Redentor foi obedecer a Maria e a José.

A José competia em todo aquele tempo exercer o ofício de governar, como cabeça que era da pequena família; a Jesus, como súdito, o ofício de obedecer. De sorte que Jesus não dava um passo, não praticava coisa alguma, não tomava alimento, não ia repousar, senão segundo as ordens de São José. Punha a mais atenciosa diligência em escutar e executar tudo o que lhe era imposto. — “O meu Filho”, assim revelou o Senhor a Santa Brígida, “era tão obediente, que quando José dizia: Faze isto, ou faze aquilo, logo o executava.” E Gerson acrescenta que em Nazaré “Jesus muitas vezes preparava a comida, buscava água, lavava a vasilha, mesmo varria a casa”.

Esta humilde obediência de Jesus ensina-nos que a dignidade de São José é superior à de todos os Santos, exceção feita da divina Mãe. Pelo que um douto autor escreve com razão: “É justíssimo que seja muito honrado pelos homens aquele que de tal maneira foi elevado pelo Rei dos reis.” (2) — Jesus mesmo recomendou a Santa Margarida de Cortona que fosse particularmente devota de São José, por ser ele quem o alimentou em sua vida: “Eu quero”, disse-lhe (e imaginemos que nos diz o mesmo), “que cada dia pratiques algum obséquio especial a meu amantíssimo pai nutrício, São José. Continuar lendo

SEGUNDO DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA: JESUS, O BOM PASTOR

bomEgo sum pastor bonus. Bonus pastor animam suam dat pro ovibus suis — “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas” (Io. 10, 11).

Sumário. O ofício de um bom pastor não é outro senão guiar as suas ovelhas para bons pastos e defendê-las contra os lobos. Mas, ó meu dulcíssimo Redentor, que pastor levou jamais a sua bondade tão longe como Vós, que quisestes dar a vida por nós, vossas ovelhas, e nos livrastes dos castigos merecidos? Não satisfeito com isso, quisestes ainda, depois da morte, deixar-nos o vosso corpo na santa Eucaristia, para sustento de nossas almas. Quem, pois, não Vos amará com todo o afeto? Mas infelizmente muitos Vos pagam com a mais negra ingratidão.

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I. Assim diz Jesus Cristo mesmo no Evangelho deste dia: Ego sum pastor bonus — “Eu sou o bom pastor”. O ofício de um bom pastor não é outro senão guiar as suas ovelhas para bons pastos e defendê-las contra os lobos. Mas, ó meu dulcíssimo Redentor, que pastor levou jamais a sua bondade tão longe como Vós, que quisestes dar o vosso sangue e a vida para salvar as vossas ovelhas, que somos nós, e livrar-nos dos castigos merecidos? Vós mesmo, diz São Pedro, levastes os nossos pecados em vosso corpo pregado na cruz, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas vossas chagas fomos curados: Cuius livore sanati estis (1). Para nos curar de nossos males, este bom Pastor tomou a si todas as nossas dívidas e pagou-as com o seu próprio corpo, morrendo de dor sobre a cruz.

Este excesso de amor de Jesus para conosco, as suas ovelhas, fazia Santo Inácio Mártir arder do desejo de dar a vida por Jesus Cristo, dizendo, assim como se lê numa carta sua: Amor meus crucifixus est — “O meu amor foi crucificado.” Quis o santo dizer: Como! Meu Deus quis morrer crucificado por meu amor, e eu poderei viver sem desejo de morrer por Ele? – Com efeito, que grande coisa fizeram os mártires dando a vida por Jesus Cristo, que morreu por amor deles! Ah! A morte que Jesus Cristo padeceu por eles, suavizava-lhes todos os tormentos, os açoites, os cavaletes, as unhas de ferro, as fogueiras e as mortes mais dolorosas.

Não se contentou, porém, o nosso bom Pastor com dar a vida pelas suas ovelhas; ainda depois de sua morte quis deixar-lhes na santíssima Eucaristia o seu próprio corpo, já sacrificado uma vez na cruz, a fim de que fosse o alimento e sustento das suas almas. O ardente amor que nos dedicava, diz São João Crisóstomo, levou-O a unir-se a nós e fazer-se uma coisa conosco: Semetipsum nobis immiscuit, ut unum quid simus. Continuar lendo

SERMÃO SOBRE O MATRIMÔNIO

O NOVO CONCEITO DE MATRIMÔNIO E A INVERSÃO DE SEU FIM PRIMÁRIO | DOMINUS EST

Fonte: Los Cocodrilos del Foso – Tradução gentilmente cedida por um amigo

Nem tudo o que se encontra na Suma Teológica, de Santo Tomás, é exclusivamente para teólogos. Uma das pérolas mais acessíveis e úteis lá encontradas é seu pequeno tratado acerca dos bens do matrimônio.

Ele começa dizendo: “Nenhum homem sábio deve aceitar um prejuízo se ele não vier compensado por um bem igual ou maior”. E observa que o matrimônio traz juntamente consigo bens e males. Quem se casa aceita sofrer estes para alcançar aqueles.

Até essa frase, todos estão de acordo. Mas, daqui em diante — e é assustador percebê-lo — entre o que ensina Santo Tomás, resumindo toda a Tradição e bom senso católicos, e o sentir comum de hoje não há uma mera divergência, e sim uma total e exata inversão. Aquilo que para o Doutor da Igreja são males, agora são considerados bens, e os bens, males. Deixemos bem claro que falamos de pessoas que se consideram católicas, de forma sincera.

Embora devamos reconhecer que tanto nos tempos de maior fé, como na época de Santo Tomás, quanto nos tempos de muita incredulidade, como hoje, muitos renunciam ao matrimônio (claro, antigamente renunciavam antes do casamento para entregar-se a Deus, e hoje renunciam depois dele, para entregar-se a… sabe lá Deus). Ainda assim, tanto antes quanto agora, a grande maioria segue casando. E é curioso, porque, apesar dessa inversão exata de valores, o saldo continua sendo positivo. Continuar lendo