Fonte: DICI
Revmo. Pe. Pagliarini – Superior Geral, são esperados eventos importantes até o final do ano, como o Sínodo da Amazônia e a reforma da Cúria Romana. Eles terão uma repercussão histórica na vida da Igreja. Em sua opinião, que lugar eles ocupam no pontificado do Papa Francisco?
A impressão que muitos católicos padecem atualmente é a de uma igreja à beira de uma nova catástrofe. Se fizermos uma retrospectiva, o próprio Concílio Vaticano II só foi possível porque foi o resultado de uma decadência que afetou a Igreja nos anos que precederam sua abertura: uma barragem se rompeu pela pressão de uma força que já operava há algum tempo. É isso que permite o sucesso das grandes revoluções, porque os legisladores apenas aprovam e sancionam uma situação que já é um fato consumado, pelo menos em parte.
Assim, a reforma litúrgica foi apenas o resultado de um desenvolvimento experimental que remonta ao período do entreguerras e que já havia penetrado em grande parte do clero. Mais próximos a nós, sob este pontificado, a Amoris lætitia foi a ratificação de uma prática, infelizmente, já presente na Igreja, especialmente no que diz respeito à possibilidade de comunhão às pessoas que vivem em estado de pecado público. Hoje a situação parece madura para outras reformas excessivamente sérias.
O senhor poderia especificar vosso julgamento sobre a exortação apostólica Amoris lætitia três anos após a sua publicação?
A Amoris lætitia representa, na história recente da Igreja, o que Hiroshima ou Nagasaki são para a história moderna do Japão: humanamente falando, os danos são irreparáveis. Este é, sem dúvida, o ato mais revolucionário do Papa Francisco e, ao mesmo tempo, o mais contestado, mesmo fora da Tradição, porque afeta diretamente a moral conjugal, que permitiu muitos clérigos e fiéis detectar a presença de erros graves. Este documento catastrófico foi apresentado, indevidamente, como o trabalho de uma personalidade excêntrica e provocadora em suas palavras, que alguns querem ver no atual papa. Isso não está correto, e é inadequado simplificar dessa forma o problema.
O senhor parece sugerir que essa consequência foi inevitável. Por que o senhor está relutante em definir o papa atual como uma pessoa original?
Na realidade, a Amoris laetitia é um dos resultados que, mais cedo ou mais tarde, deveria ocorrer como resultado das premissas estabelecidas pelo Concílio. O cardeal Walter Kasper já havia confessado e salientado que uma nova eclesiologia, aquela do Concílio, corresponde a uma nova concepção da família cristã[1].
De fato, o Concílio é primeiramente eclesiológico, ou seja, propõe em seus documentos uma nova concepção da Igreja. A Igreja fundada por Nosso Senhor não corresponde mais à Igreja Católica, simplesmente. Ela é mais ampla: inclui outras denominações cristãs. Como resultado, as comunidades ortodoxas ou protestantes teriam “eclesialidade” em virtude do batismo. Em outras palavras, a grande novidade eclesiológica do Concílio é a possibilidade de pertencer à Igreja fundada por Nosso Senhor em diferentes maneiras e graus. Daí a noção moderna da comunhão plena ou parcial, “à geometria variável”, poderíamos dizer. A Igreja tornou-se estruturalmente aberta e flexível. A nova modalidade de pertencimento à Igreja, extremamente elástica e variável, segundo a qual todos os cristãos estão unidos na mesma Igreja de Cristo, está na origem do caos ecumênico. Continuar lendo


















































Fonte: 
Na terça-feira, 16 de julho de 2019, na festa de Nossa Senhora do Carmo, realizou-se a bonita e comovente cerimônia de reconciliação da antiga Capela da Visitação, em Puy-en-Velay, na França, recentemente adquirida pela FSSPX, em junho passado. 









