BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR (AO PE. JOSÉ EDUARDO)– SETEMBRO/25

Priorado Padre Anchieta FSSPX-Brasil - YouTube

Caros fiéis,

Os padres da Fraternidade já têm trabalho suficiente para se envolver nas polêmicas que mais frequentemente surgem nas redes sociais. No entanto, às vezes é aconselhável reagir e impor limites a quem exagera.

Nos últimos meses, um padre de Osasco encheu-se de coragem para denunciar um dos maiores perigos da Igreja: abusos litúrgicos? Não! Imoralidade (nos seminários, por exemplo)? Não! Perda da fé? Não! O valente Padre José Eduardo embarcou em uma cruzada contra a Fraternidade (16 padres e aproximadamente 5.000 fiéis no Brasil). Nessa batalha, ele não arrisca nada, exceto uma promoção. O padre doutor rasga sua batina, revelando ao mundo inteiro uma realidade insuportável que abala os alicerces da Igreja: a Fraternidade não está em plena comunhão! A Fraternidade não obedece ao Papa! Incrível! Ele compartilhou suas valiosas descobertas com a Cúria Romana e a CNBB?

Todos os que lêem estas linhas testemunharam vários escândalos em suas paróquias; escândalos sistêmicos, não de poucos, perpetrados por pessoas “em plena comunhão” e que obedecem ao Papa, especialmente quando seu nome era Francisco e muito menos quando se chamava Bento.

O Padre José Eduardo conhece a Fraternidade, tendo conhecido seus padres, inclusive seu superior, Padre Pagliarani, na Itália e no Brasil. Ele foi bem recebido. No fundo, este Padre foi, talvez, um daqueles padres em cima do muro. Se defendem demais a Tradição, são punidos. Se não a defendem suficientemente, sua consciência os repreende. Conhecemos esses padres que sofrem, mas não têm a coragem ou a capacidade de se engajar mais na luta. Rezamos por eles e os acompanhamos da melhor maneira possível. Poucos ousam deixar um cargo bem remunerado como pároco ou vigário, com inúmeros benefícios. Eles merecem nossa admiração e apoio.

Mas nosso padre atingiu outro nível. Tendo perdido a decência do silêncio, ele agora uiva com os lobos. Na verdade, ele busca desacreditar o que, para ele, é uma reprovação. Sim, a Fraternidade é uma reprovação para os falsos conservadores que desesperadamente justificar seu liberalismo. Continuar lendo

COM OU SEM MANDATO? SOBRE AS FUTURAS SAGRAÇÕES NA FSSPX

Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

Fonte: Courrier de Rome n° 687 – Tradução: Dominus Est

Esse artigo é uma continuação do UMA LEITURA CUIDADOSA? SOBRE AS FUTURAS SAGRAÇÕES NA FSSPX

1 – Direito Divino e Direito Eclesiástico

1. Em todos os textos em que Pio XII fala da sagração episcopal realizada sem mandato apostólico,(1) é tratado da sagração conferida com jurisdição. Ora, a sagração conferida com jurisdição só constitui uma violação ao direito divino quando é conferida sem mandato apostólico e contra a vontade do Papa. A passagem da Encíclica Ad Apostolorum Principisem que Pio XII caracteriza essa violação do direito divino utiliza a expressão “contra jus fasque“, que designa tanto o direito humano (“jus”)quanto o divino (“fas”). Aqui, mais uma vez, é importante ter uma compreensão bastante clara do que esses conceitos implicam.

2. O direito divino é o objeto da lei divina, imediatamente promulgada por Deus. É costume distinguir entre direito divino natural e direito divino positivo. O direito divino natural equivale à lei natural, isto é, a expressão da ordem moral estabelecida por Deus, autor da ordem natural por meio de sua criação, expressão presente para todos os homens. O direito divino positivo é o objeto de uma lei da qual Deus é o autor e que Ele promulgou por meio de sua Revelação sobrenatural (em oposição à lei divina natural). O direito eclesiástico é o objeto da lei humana promulgada pela Igreja para o bem comum de toda a sociedade eclesiástica e que obriga todos os fiéis batizados a partir dos 7 anos de idade.

3. Pode-se dizer que um poder é de direito divino ou de direito eclesiástico em três sentidos diferentes. Continuar lendo

UM AMBIENTE FAMILIAR FELIZ

Usando Incenso Litúrgico no Lar Católico: Uma Prática de Devoção e  Santificação - Liturgicus Incensos

Irmãs da Fraternidade São Pio X

As flores, para desabrocharem, precisam dos raios quentes do sol. E no jardim das almas, é a alegria que proporciona a atmosfera necessária para os corações se expandirem.

Não deixemos as crianças se fecharem em si mesmas

Há temperamentos alegres, otimistas, que nunca se mostram apáticos ou abatidos; sabem ser gratos ao bom Deus, e isso é um dom precioso. 

Ao lidarmos com crianças mal-humoradas, emburradas, ranzinzas e tristes (e que acabam por se afastar de todos), precisamos ensiná-las a serem alegres. Que saibamos apontar o lado bom das coisas — porque sempre há um. O tempo está ruim? A chuva nutre a Terra e ajuda as plantações a crescer. Se um motivo de aborrecimento se apresenta, encaremo-lo como uma oportunidade de oferecer um sacrifício ao Bom Deus! Recebi um pedaço menor de bolo que o meu irmão? Fico feliz por ele!

Não deixemos que as crianças fiquem ensimesmadas em seu mal-humor. Tão logo isso se apresente, devemos aliviar as tensões com uma piada ou um gracejo como “Cuidado, seu beicinho está crescendo! Vamos, tire rápido um sorriso do bolso!”, ou algo do tipo. Crianças irritadiças, que nunca estão satisfeitas, devem ser interrompidas com comentários do tipo: “Pare de reclamar. Você reclama tanto do que não tem, que esquece de perceber o que tem!”. Continuar lendo

UMA LEITURA CUIDADOSA? SOBRE AS FUTURAS SAGRAÇÕES NA FSSPX

As sagrações episcopais de 1988 por Lefebvre não criaram um cisma?

Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

Fonte: Courrier de Rome n° 687 – Tradução: Dominus Est

DA ENDOXA À CIÊNCIA.

1. A endoxa(1) equivale somente a uma probabilidade, que normalmente fornece a presunção necessária em favor da verdade declarada. O fato é que ela não passa, nem mais nem menos, de uma opinião seriamente fundamentada. Ela difere, como tal, da ciência, que sozinha pode fornecer uma verdadeira certeza. Essa certeza da ciência se baseia na evidência fornecida por argumentos verdadeiramente demonstrativos, que diferem, como tal, do simples sinal que advém da adesão quase unânime da grande maioria das pessoas à verdade em questão. Para ir além da endoxa, é necessário, portanto, recorrer a uma demonstração científica e, neste caso, em matéria teológica, esta nasce no argumento de autoridade que representa o ensinamento do Magistério.

2. A compreensão adequada disso requer certo domínio. E isso deve ser alcançado particularmente em uma matéria como a eclesiologia, cujos dados essenciais estão diretamente envolvidos na solução das graves dificuldades da atualidade. O autor do panfleto publicado na edição de 27 de março de 2025 do site da revista La Nef reconhece isso, afinal: “Alguns defensores da FSSPX sustentam que D. Lefebvre não cometeu um ato cismático, pois, de acordo com eles, a prerrogativa de escolher os bispos não seria uma prerrogativa que pertence ao Papa por direito divino, mas apenas por direito eclesiástico. No entanto, o direito eclesiástico pode reconhecer exceções em casos de estado de necessidade, o que permite a justificação das sagrações. O Pe. Gleize, teólogo oficial da FSSPX, resume bem essa posição em seus escritos. No entanto, ele reconhece que, se sagrar um bispo contra a vontade do Papa for proibido por direito divino, logo, as sagrações de 1988 seriam cismáticas. Portanto, essa é única premissa que deve ser examinada. E isso se dá por meio de uma leitura diligente do Magistério”. Continuar lendo

PEREGRINAÇÃO DA FSSPX A ROMA PELO ANO JUBILAR – IMAGENS DO PRIMEIRO E SEGUNDO DIAS

DIA 19 – TERÇA FEIRA

Procissão da Santa Cruz de Jerusalém até Santa Maria Maior. 

De 19 a 21 de agosto, 7.200 peregrinos de 44 países diferentes participam da Peregrinação da FSSPX a Roma durante este Ano Santo. Entre eles, 680 padres, religiosos e religiosas. Um acampamento foi instalado perto de Roma, acolhendo mais de 700 peregrinos.

A procissão da terça-feira conduziu os peregrinos de Santa Cruz de Jerusalém até Santa Maria Maior, onde passaram pela Porta Santa. À frente da procissão, estava a cruz processional, carregada por Sua Excelência D. Bernard Fellay, que presidiu a procissão desse dia, ao final da qual foram recitadas as orações jubilares.

Para acessar as fotos do primeiro dia CLIQUE AQUI.

CINQUENTA ANOS ATRÁS….

…D. Lefebvre em Roma para o Jubileu do Ano Santo de 1975

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DIA 20 – QUARTA FEIRA

Missa Solene no Parque Colle Oppio (Roma)

Procissão solene até a Basílica de São João de Latrão


Veja as fotos do segundo dia CLICANDO AQUI.

BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – AGOSTO/25

Imagens de Jesus sacred heart sem royalties | Depositphotos

Caros fiéis,

Segundo a expressão de Santo Agostinho, o mundo após o pecado original era “uma massa condenada” sob o domínio do demônio. Esse império das trevas recebeu o golpe fatal com o triunfo de Nosso Senhor na Cruz. No entanto, a guerra não havia terminado. O triunfo final da Igreja é certo, assim como a derrota de Satanás no fim do mundo. Enquanto isso, a batalha continua. O Batismo arranca almas do demônio, que tenta reconquistá-las. E, como soldados no campo de batalha, os padres que dão a absolvição recuperam para Deus o terreno das almas cedidas, por um tempo, ao demônio por nossa covardia. Consequentemente, o inimigo da humanidade dedica um ódio particular ao padre e ao sacramento da Confissão. Nos Estados Unidos, na Austrália, na França e em outros países, o sacramento da Penitência é atacado. Isso não deve nos surpreender. O ângulo de ataque é o segredo da Confissão. O argumento é simples: o segredo da confissão protege os criminosos.

Tudo isso não passa de um pretexto. Compreende-se bem que ninguém se confessaria, especialmente os criminosos, se o padre não fosse obrigado a guardar segredo. Muitas vezes, o confessionário é o único lugar onde podemos nos aliviar de segredos pesados e receber conselhos e encorajamentos adequados às situações pessoais. O culpado encontra a oportunidade de tomar consciência e corrigir-se. A vítima encontra apoio e força para falar . A salvação das almas continua a ser a prioridade da Igreja, que, logicamente, obriga o padre ao sigilo sob pena de excomunhão. Isso não agrada ao demônio, que gostaria de ver os pecadores afastados da absolvição. Santo Cura d’Ars foi o pesadelo do demônio. Deus lhe deu o dom de conduzir as almas; ele inspirava o gosto, quase a fome da confissão: lia nas consciências, dizendo a cada uma a verdade, e aconselhava com algumas palavras luminosas e sábias. Levantava-se à meia-noite e ia para a igreja uma hora depois; confessava aqueles que o esperavam; depois da missa, recomeçava até a hora do catecismo, que acontecia antes do meio-dia. Por volta da uma da tarde, ele estava novamente na igreja para confessar até a hora da oração da tarde. Passou de dezesseis a vinte horas por dia no confessionário durante mais de trinta anos. Este santo bem conhecido nos permite apresentar outro que foi canonizado no mesmo dia pelo Papa Pio XI, há um século, em 31 de maio de 1925. Continuar lendo

O “SUBSISTIT IN” E A NOVA CONCEPÇÃO DE IGREJA

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

“A questão da Igreja e de sua constituição, as novas abordagens e perspectivas que o Concílio Vaticano II traz sobre a Igreja estão no centro de um debate teológico que nos leva a questionar a ortodoxia de vários de seus textos. Não se pode deixar de estudá-los se se quer compreender as questões de um debate cinquentenário, que não deve se perder nas falsas pistas de uma correta ou má recepção dos textos, que, na verdade, estariam em conformidade com a doutrina da Igreja Católica, de uma correta ou má interpretação ou hermenêutica desses mesmos textos, moldadas conforme as intenções de ruptura, que iriam além daquelas do magistério conciliar. O pressuposto de que os textos são necessariamente isentos de erros esterilizaria qualquer exame teológico sério.”

Assim, a novidade que a expressão “subsistit in” – que associa a Igreja de Cristo subsistindo na Igreja Católica – constitui para todos pode ser qualificada como estratégica. Ela é estratégica do ponto de vista do novo ecumenismo implementado e propagado pelos Papas conciliares e pós-conciliares.

Recordemos que o ecumenismo moderno busca em todas as religiões cristãs o menor denominador comum, a fim de recuperar a unidade perdida. Isso sempre foi condenado, até 1949, por Pio XII [1]. O ecumenismo, no sentido católico, busca renegar as comunidades cristãs dissidentes para integrar a única Igreja de Cristo, que é a Igreja Católica, única arca e fonte de salvação. Quanto ao diálogo inter-religioso, nascido do movimento e extensão do ecumenismo moderno, busca, por meio do debate aberto entre representantes de religiões não cristãs, promover a paz e o intercâmbio sobre os valores éticos, excluindo qualquer proselitismo [2]. Continuar lendo

ESPECIAIS DO BLOG: ALGUMAS RESPOSTAS A ARGUMENTOS CONSERVADORES, PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

Obediência

Fonte: Courrier de Rome nº 679 – Tradução: Dominus Est

Nota do Blog: O Pe. Gleize, um dos principais teólogos da FSSPX, está há mais de um ano em franco debate na França com os Institutos Ecclesia Dei, e os textos desse debate têm sido publicados no jornal Courrier de Rome. Essa série de três textos que publicamos é uma (dentre várias) dessas intervenções. Embora praticamente inexista a Fraternidade São Pedro aqui no Brasil, os argumentos lá usados contra a FSSPX são bem parecidos com os que conservadores/continuístas usam por aqui, por isso reaproveitamo-nos:

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Um outro excelente texto sobre Tradicionalismo x Conservadorismo, escrito por Dado Juán Calderón, pode ser lido CLICANDO AQUI.

Um outro, do Pe. Etienne de Blois, FSSPX, com o título Conservador = Corruptor pode ser lido CLICANDO AQUI.

UMA TRIPLA E ESPANTOSA CONFUSÃO

Obediência

Fonte: Courrier de Rome nº 679 – Tradução: Dominus Est

Pelo Pe. Jean-Michel -Gleize, FSSPX

Esse texto é continuação do: A FRATERNIDADE SÃO PIO X: SOB ARTILHARIA DE SEIS OBJEÇÕES

1. Observemos também, como que para concluir, que a leitura que o Padre Vernier faz de nossa tese é surpreendente. Pois em pelo menos três pontos a avaliação que ele faz é, se não uma extrapolação, pelo menos um mal-entendido difícil de entender.

Negar a indefectibilidade da Igreja?

2. O mais importante e o mais grave desses mal-entendidos consiste em nos imputar a negação prática da indefectibilidade da Igreja. Ao descrever qual seria a posição da FSSPX como a apresentaríamos, o Padre Vernier escreve: “Se o dogma da indefectibilidade da Igreja e suas implicações necessárias permanecem sempre teoricamente válidos, mesmo em tempos de crise provocada pela hierarquia, algumas de suas implicações práticas podem deixar de ser aplicadas em virtude da prudência. De fato, para o nosso autor, como essas implicações não parecem absolutamente necessárias, ele admite que a posição da FSSPX difere apenas prudencialmente do alegado sedevacantismo oculto”.

3. No entanto, essa citação é dada na nota 5 de nosso artigo na edição de abril de 2024 do Courrier de Rome, onde escrevemos exatamente o seguinte: “O zelo do Padre Vernier, sem dúvida, tem algo de cavalheiresco, e o ardor com que ele se propõe a destruir qualquer coisa que possa parecer lançar dúvidas e pôr em perigo o dogma da indefectibilidade da Igreja, bem como sua visibilidade, teria, em outras circunstâncias, merecido aprovação irrestrita. Infelizmente, esse zelo e esse ardor são claramente desproporcionais às circunstâncias da crise que ainda assola, e se agrava cada vez mais, dentro da santa Igreja”. Continuar lendo

CARDEAL JOHN NEWMAN, DOUTOR DA IGREJA?

Fonte: La Porte Latine – Tradução : Dominus Est

Pelo Padre Jean-Michel Gleize, FSSPX

1. “É necessário guardar não somente o que nos foi transmitido nas Sagradas Escrituras, mas também as explicações dos santos doutores que as conservaram intactas para nós” Assim fala Santo Tomás de Aquino, ele mesmo qualificado, posteriormente, como “Doutor Comum da Igreja”[1]. Tal reflexão não é letra morta, se considerarmos que as obras do doutor angélico comportam cerca de 8000 citações dos “santos doutores”.

2. O termo “doutor” pode ser compreendido em sentido lato e impróprio, designando o teólogo tomado enquanto tal. O mesmo termo também pode ser entendido em sentido estrito e próprio e é um título dado “oficialmente pela hierarquia da Igreja[2] aos escritores eclesiásticos notáveis pela santidade de vida, pela pureza da ortodoxia e pela qualidade da ciência”[3]. Melchior Cano[4] mostra no que os doutores se distinguem dos Padres da Igreja, título este que é reservado a pessoas que viveram nos primeiros séculos[5]: os Padres dos primeiros séculos não são todos doutores, e nem os doutores são todos Padres do primeiro século. De fato, os doutores constituem, junto com os Padres, duas espécies diferentes de testemunho sobre os quais o Magistério da Igreja tem a possibilidade de se apoiar para indicar o sentido autêntico da doutrina divinamente relevada nas Escrituras. Tanto entre os Padres como entre os doutores (é o ponto comum que faz de ambos testemunhas autorizadas) é necessária a ortodoxia, ou seja, a conformidade perfeita de seus ensinamentos com o depósito revelado. A diferença é que nos Padres é necessária a antiguidade, enquanto nos doutores é necessária a erudição; ou seja, uma ciência eminente a qual pode ser apontada extensamente em razão da extensão de seus escritos, ou em razão da sua intensidade, ou em razão da profundidade de seu gênio. A auréola dos Doutores, diz Santo Tomás, é a recompensa de sua ciência, ou seja, o fruto da vitória que eles recebem ao expulsar o diabo das inteligências[6]. Outra diferença: o título de Doutor é objeto de uma atribuição oficial que se realiza por decreto solene do Soberano Pontífice e pelo preceito que lhe é dado de celebrar a missa e de recitar o ofício litúrgico correspondente; o título de Padre, ao contrário, é objeto de atribuição imemorial, baseado no costume. Continuar lendo

SÉRIE “CRISE NA IGREJA” – EPISÓDIO 10: INFILTRAÇÃO MODERNISTA – OS PRIMÓRDIOS

Neste episódio, temos a presença do Pe. Paul-Isaac Franks, professor no St. Mary’s College, para iniciar nosso estudo sobre o modernismo, analisando os antecedentes desse erro. Primeiro, veremos como ele surgiu na teologia protestante, depois, como o Modernismo tentou dar uma interpretação inteiramente nova das Escrituras e da Divindade de Nosso Senhor e, finalmente, como esses erros se espalharam nas mentes de alguns teólogos católicos no final do século XIX. No final, veremos como esses teólogos teriam sido extremamente influentes nas mentes dos clérigos ao longo do século XX e além.

SOBRE A CANONIZAÇÃO DO CARDEAL JOHN HENRY NEWMAN

Cardeal John Henry Newman "une" católicos e anglicanos, afirma especialista

Fonte: Courrier de Rome nº 627 | Tradução: Dominus Est

Pelo Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

* texto de 2019, na ocasião da canonização do Cardeal John Henry Newman pelo Papa Francisco

1. Beatificado por Bento XVI em 2010, o cardeal John Henry Newman (1801-1890) foi canonizado por Francisco em 13 de outubro de 2019. É claro que usamos aqui as palavras “beatificado” e “canonizado” com todas as restrições impostas pela situação atual, em que, desde o Concílio Vaticano II, as novas beatificações e canonizações realizadas pelos papas são claramente questionáveis[1]. A questão aqui colocada é precisamente saber o que pensar da última dessas supostas canonizações, aquela pela qual Francisco quis levar a termo o ato iniciado por seu predecessor, propondo a toda a Igreja John Henry Newman (1801-1890) como um modelo de virtudes heroicas. Para ser justo, convém salientar que a causa da sua beatificação foi introduzida em 17 de junho de 1958, sob o Papa Pio XII.

2. Recordemos brevemente – para delimitar melhor a nossa questão – que as novas canonizações são duvidosas por dois motivos bem diferentes. O primeiro motivo é comum a estas novas canonizações e torna-as, portanto, todas duvidosas: é a reforma do procedimento, que deve preceder o ato da canonização[2]. As novas normas, promulgadas por Paulo VI em 1967 e 1969, e depois por João Paulo II em 1983, semeiam dúvidas, na medida em que não oferecem mais as garantias exigidas pelos homens da Igreja para que a assistência divina assegure a infalibilidade da canonização e, a fortiori, a ausência de erro de fato na beatificação. O segundo motivo é próprio de algumas canonizações, como, por exemplo, as de João Paulo II ou Paulo VI. A canonização define-se, com efeito, como o ato pelo qual o Sumo Pontífice declara não só que o canonizado goza da glória do céu, mas também e sobretudo que mereceu essa glória ao exercer durante a sua vida as virtudes heroicas – o que equivale precisamente à santidade – e as dá como exemplo a toda a Igreja. De fato, desde o Concílio Vaticano II, os homens da Igreja não têm mais ideias claras sobre o que deve representar a santidade, e é por isso que puderam dar como exemplo fiéis falecidos cuja vida parece incompatível com uma verdadeira heroicidade das virtudes, especialmente no que diz respeito ao exercício das virtudes teologais. A canonização de Newman já é duvidosa, como todas as outras, devido ao novo procedimento. Gostaríamos aqui de verificar o que se passa, do ponto de vista do exemplo a dar a toda a Igreja, devido à virtude heroica. Continuar lendo

NADA É MAIS INSPIRADOR DO QUE ESSE PERÍODO CONTURBADO

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Essas desordens nos conectam, de alguma forma, aos católicos de antigamente, dos tempos de outras crises que abalaram a Igreja.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Na vigília de Pentecostes, no início da Peregrinação de Chartres a Paris, a Missa foi celebrada pelo Pe. Gabriele D’Avino, Superior do Distrito da Itália. Reproduzimos aqui a última parte do seu sermão proferido no sábado, 7 de junho de 2025, em frente à Catedral de Notre-Dame de Chartres.

A luta pela tradição não deve ser uma luta desordenada, dispersa, puramente individual. É por isso que D. Lefebvre não se contentou em nos transmitir um ensinamento, em proferir belos sermões, ou mesmo em ordenar padres, bispos, sem um objetivo, sem uma ordem. Ele queria fundar — essa é a sua principal ação, a mais importante que realizou — queria fundar uma fraternidade sacerdotal que reproduzisse, tanto quanto possível, o espírito da Igreja. Foi assim que nos deu uma estrutura jurídica, com autoridade, com superiores.

A crise que assola a Igreja hoje certamente não acabou, muito pelo contrário. Ela já dura muito tempo, e há um risco muito concreto de desânimo, de cansaço, de querer depor as armas, descansar, de nos rendermos a uma pretensa evidência que consistiria em dizer que os homens da Igreja, as autoridades atuais, têm a maioria, que a Igreja mudou hoje e que agora precisamos nos adaptar. Continuar lendo

SÉRIE “CRISE NA IGREJA” – EPISÓDIO 9: O QUE HÁ DE ERRADO COM O MUNDO?

Já concluímos nosso estudo sobre o Liberalismo. E, antes de começarmos a abordar o Modernismo em detalhes, gostaríamos de reservar um episódio para responder à pergunta de um ouvinte sobre a Crise na Igreja: “O que há de errado com o mundo? Há alguma conexão entre o caos na Igreja pós-conciliar e o caos que estamos vendo na sociedade secular?” Entramos em contato com o Pe. David Sherry, Superior do Distrito da FSSPX no Canadá. Dedicaremos 40 minutos ao tema e, ao final, você terá uma resposta para resolver quase todos os problemas que o mundo vem enfrentando!

O PODER DA GRATIDÃO

Língua Portuguesa: a origem da palavra «Obrigado»

Uma virtude para restaurar nossa alma.

Fonte: Apostol n°198 – Tradução: Dominus Est

À medida que um ano letivo chega ao fim — e antes que o próximo surja no horizonte — as férias oferecem um momento de pausa e relaxamento, um momento para rever o ano que passou, um momento para despertar a gratidão em almas que muitas vezes estão cansadas e fatigadas.

A gratidão é o movimento que nos leva em direção àqueles que nos fizeram bem, demonstrando-lhes estima, atenção, consideração e honra. Temos o dever de agradecer a nossos pais ou benfeitores, sejam eles quem forem: é justiça para com eles. Mas, como toda boa atitude que é cultivada, a gratidão também tem o poder de colocar nosso coração em ordem e remediar muitos de nossos infortúnios; tem o poder de restaurar o equilíbrio e a simplicidade de almas perdidas e complicadas; também pode restaurar a alegria e o ímpeto do desejo e da esperança de corações deprimidos que estão afundando em uma espiral negativa. Continuar lendo

A FRATERNIDADE SÃO PIO X: SOB ARTILHARIA DE SEIS OBJEÇÕES

Obediência

Fonte: Courrier de Rome nº 679 – Tradução: Dominus Est

Pelo Pe. Jean-Michel -Gleize, FSSPX

Esse texto é continuação do: O TRADICIONALISMO “RECONHECIDO”: O FALSO DILEMA DA OBEDIÊNCIA

Não obstante a preocupação em justificar seu teorema, o Pe. Vernier pretende se apoiar em seis exemplos, seis fatos, que seriam, aos seus olhos, “por si só mais convincentes que qualquer argumento”.

A obediência ao Papa

2. Em primeiro lugar, “de modo habituala FSSPX não se submete em nada à autoridade do Papa e dos bispos unidos a ele”. As distinções que fizemos entre a autoridade e seu exercício, entre o poder e seu ato, deveriam ser suficientes para privar este primeiro exemplo de seu valor demonstrativo. A FSSPX não se submete em nada aos atos da autoridade que se mostram contrários ao bem comum da Igreja, visto que contradizem os atos anteriormente realizados pela autoridade antes do Concílio.

Agir sem jurisdição?

3. Em segundo lugar, a “FSSPX invoca um estado de necessidade generalizado na Igreja para abrir seus apostolados e ministrar os sacramentos sem nenhuma solicitação prévia aos bispos dos lugares envolvidos, arguindo uma jurisdição de suplência, quase universal, sem precedentes, nem fundamento eclesiológico e canônico sérios”. Este fato, supostamente único, correlaciona, na verdade, dois fatos: primeiro fato, a FSSPX invoca o estado de necessidade; segundo fato, a FSSPX se apoia neste estado de necessidade para utilizar a jurisdição de suplência que, tal como emprega a FSSPX, seria desprovida de todo fundamento eclesiológico e canônico sérios. O primeiro fato é evidente. O segundo é contrário à evidência. Com efeito, para provar que a jurisdição de suplência, tal como a concebe a FSSPX, seria desprovida de qualquer fundamento, o Pe. Vernier pretende se apoiar sobre um estudo publicado pelo Pe. Hervé Mercury(1): este se limita a se servir dos dados teológicos e canônicos que fundamentam a definição da jurisdição de suplência, e que a justificam; dados aos quais D. Lefebvre sempre se referiu, e que são retomados no livro oficial das Ordenanças da Fraternidade São Pio X, já citado. Em outras palavras, o argumento destinado a provar que a FSSPX se apoia sobre uma jurisdição de suplência “sem fundamento eclesiológico e canônico sérios” prova, na realidade, o contrário, ou seja, que a jurisdição de suplência, tal como a entende a FSSPX, se baseia nos mais sérios fundamentos eclesiológicos e canônicos(2) Continuar lendo

O TRADICIONALISMO “RECONHECIDO”: O FALSO DILEMA DA OBEDIÊNCIA

Obediência

Fonte: Courrier de Rome nº 679 – Tradução: Dominus Est

Pelo Pe. Jean-Michel -Gleize, FSSPX

Nota do Blog: O Pe. Gleize, um dos principais teólogos da FSSPX, está há mais de um ano em franco debate na França com os Institutos Ecclesia Dei, e os textos desse debate têm sido publicados no jornal Courrier de Rome. A série de três textos que publicaremos a partir de hoje é uma dessas intervenções. Embora praticamente inexista a Fraternidade São Pedro aqui no Brasil, os argumentos lá usados contra a FSSPX são bem parecidos com os que conservadores/continuistas usam por aqui, por isso reaproveitamo-nos. 

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1. “É possível ser sedevacantista sem declarar?” Esse é o título do artigo publicado pelo Pe. Hilaire Vernier, na página de 5 de maio do site “Claves” da Fraternidade São Pedro (1). O autor desta prosa indica sua intenção nestes termos: “O artigo a seguir pretende ser uma resposta aos artigos “Cismáticos e heréticos?” e “Tradivacantistas?“, publicados pelo padre Jean-Michel Gleize (Courrier de Rome n° 674 de abril de 2024, republicado em laportelatine.org), teólogo da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), em resposta aos nossos dois artigos publicados no Claves.org em julho de 2023, intitulados “Uma Igreja sem papa?””.

2. Eis, portanto, a nossa “resposta à resposta“. A presente edição do Courrier de Rome pretende responder ao artigo supracitado. Reservamos às próximas edições a oportunidade de responder aos outros dois artigos: “É possível ser prudentemente ecclesiovacantista“, (1/2) (2) e (2/2) (3)”, nos quais o Pe. Vernier pretende desenvolver ao extremo sua resposta.

Um Falso Dilema

3. De acordo com ele, o ponto central do debate estaria na seguinte questão: “É possível apropriar-se habitualmente do poder jurisdicional da Igreja (detido pelo Papa e principalmente pelos bispos diocesanos unidos a ele) e concedê-lo a si mesmo com base em uma crise provocada pela hierarquia eclesiástica?”. Daí adviria o dilema. Se a resposta for sim, a Fraternidade São Pio X (FSSPX) entra em contradição, do ponto de vista dos princípios dogmáticos que supostamente ditam sua prudência, com os dados revelados da eclesiologia católica. Se a resposta for não, as decisões de sua prudência estão em contradição com seus próprios princípios dogmáticos. Tal dilema só pode surgir de uma questão mal formulada, e é por isso que as orientações seguidas pela prudência da FSSPX, se as examinarmos pelo que realmente são, e estabelecendo a questão como convém, escapam dela sem dificuldade. É possível verificá-lo através dos quatro pontos a seguir. Continuar lendo