SEM ILUSÕES E NEM DISPERSÕES: COMO VIVER NA PRESENÇA DE DEUS

Viver o momento presente é o que o Bom Deus pede aos seus filhos, porque é a forma privilegiada de comungar com a presença eterna d’Ele.

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

Uma disposição fundamental: receber

O momento presente é um instante no tempo. Mas o tempo nos é dado, não de uma só vez, mas gota a gota, a cada instante. Como, então, podemos viver o momento presente enquanto pensamos em Deus?

Antes de tudo, recebendo-o como um dom de Deus. Devemos, portanto, acolhê-lo, recebê-lo como um dom e desejar serenamente a ação que lhe está associado, sem sermos passivos, sem sofrermos nossa vida. Nossa alma poderá então oferecer mais facilmente a Deus as ações que realizamos, por meio de um ato voluntário de caridade. Ela deve primeiro ser receptiva, antes de se lançar em múltiplas atividades. Se nossa mente está ocupada com muitas outras coisas — julgamentos, murmurações, modos de pensar mais ou menos deficientes, etc. — ela não pode estar na atitude de quem recebe, de quem acolhe. A constante fixação no passado, a recusa em desapegar-se de certas coisas, as intermináveis projeções para o futuro, o medo do que pode acontecer nele — tudo isso esgota a pessoa. O Bom Deus nos dá a vida no presente, não para nos esgotar. Devemos, portanto, saber acolher este momento presente com humildade e gratidão. Continuar lendo

JESUS CRISTO É REI: ROMANTISMO ULTRAPASSADO OU UM REMÉDIO NECESSÁRIO?

A questão crucial não é se Cristo é Rei? Mas sim: Uma vez que Cristo é Rei, quem sou eu para viver como se fosse meu próprio soberano?

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

Nas palavras de Pio XI em sua encíclica Quas primas (1925), “o remédio eficaz à peste que corrói a sociedade humana” hoje é a Realeza universal de Jesus Cristo. Um Rei? Como solução para os males do século XX? Não seria essa uma visão romantizada do passado? Essa palavra soa como uma moeda velha e enferrujada perdida no fundo de uma gaveta já ultrapassada. Vivemos, antes, na era do indivíduo-rei, do “eu primeiro”, de uma democracia corrompida. Esta verdade fundamental de que Jesus Cristo é Rei se opõe ao laicismo e ao naturalismo contemporâneos, ideologias que afirmam que a sociedade pode e deve ser governada “como se Deus não existisse”. Vemos os frutos amargos disso todos os dias em nossa pobre França… Se retirarmos Cristo Rei das sociedades naturais, o que acontece? A autoridade perde sua fonte sagrada e se torna tirania ou uma mera luta pelo poder. A lei perde sua base imutável e se torna uma opinião majoritária, mudando conforme os caprichos das pesquisas de opinião. A humanidade perde seu destino eterno e se torna uma mera produtora-consumidora destinada ao esquecimento.

Então, o que significa que Jesus Cristo é rei? E como isso pode ser vivenciado na realidade atual? Cristo pode ser visto como Deus a quem se presta culto privado, ou, no máximo, como uma bela figura histórica, um mestre espiritual… mas um rei que comanda?

No entanto, o Evangelho (João 18, 37: “Tu o dizes: ‘Eu sou rei’”) e a Igreja, em seu seguimento, são categóricos: Continuar lendo

DEVER DE ESTADO OU DEVERES DE ESTADO

O que é esse “dever de estado” que frequentemente é objeto de nossos exames de consciência?

Fonte: Le Seignadou (set/22) – Tradução: Dominus Est

A expressão “dever de estado” não aparece no Evangelho, nem no restante das Sagradas Escrituras. Parece estar ausente dos escritos dos primeiros Doutores da Igreja para aparecer apenas muito tardiamente. Encontramo-la nos escritos de São Francisco de Sales, na Introdução à Vida Devota (especialmente nos capítulos 3 e 8 da primeira parte). Ou ainda no Catecismo de São Pio X: “Por deveres do próprio estado entendem-se aquelas obrigações particulares que cada um tem por causa do seu estado, da sua condição e da situação em que se acha. (…) Foi o mesmo Deus que impôs aos diversos estados os deveres particulares, porque estes derivam dos seus divinos Mandamentos. No quarto Mandamento, sob o nome de pai e mãe, entendem-se também todos os nossos superiores; assim deste Mandamento derivam todos os deveres de obediência, de amor e de respeito dos inferiores para com os seus superiores e todos os deveres de vigilância que têm os superiores sobre os seus inferiores.” (Catecismo de S. Pio X, 3º parte, capítulo 5)

O que pensar disso? O cumprimento do dever de estado é uma obrigação moral descoberta apenas mais tarde?

Uma expressão muito vaga

Na realidade, essa lenta e tardia aparição da palavra se deve à reviravolta da mentalidade do homem moderno. Mais ou menos marcado pela filosofia moderna que se afasta da realidade das coisas, o homem hoje prefere falar uma linguagem abstrata. Ele falará, portanto, do “dever do estado”, expressão geral que tem a vantagem muito interessante de permanecer vaga e confusa… e, portanto, não permitir identificar claramente qual é o dever envolvido. Portanto, como cumprir um dever do qual não conhecemos seus precisos contornos? Como saber se cumprimos nossa obrigação? A expressão “dever do estado”, por mais necessária que seja, não deixa de ser demasiado confusa. Continuar lendo