Exspectabimus eum et salvabit nos — “Esperaremos por Ele, e Ele nos salvará” (Is. 25, 9).
Sumário. Foi tão grande o desejo de Maria de ver em breve nascido seu divino Filho, que em comparação com ele os suspiros mais ardentes dos Patriarcas e dos Profetas pareciam frios. Todavia Jesus não quis antecipar o seu nascimento; quis ser semelhante aos outros e ficar oculto no seio materno em recolhimento e em preparação de sua entrada no mundo. Oh! que bela lição para nós, se a soubermos aproveitar.
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I. Muito embora a divina Mãe reconhecesse perfeitamente a grande honra que lhe advinha por trazer um Deus no seu seio, e os grandes tesouros de graças que ia merecendo, dando abrigo a seu Senhor, todavia foram tão grandes e tão veementes os seus desejos de ver o Salvador nascido, que em comparação deles pareciam frios os ardentes desejos dos Patriarcas e dos Profetas, que durante quatro mil anos fizeram violência ao céu dizendo: Mitte quem missurus es (1) — “Envia aquele que deves enviar.” Esses desejos nasciam na Santíssima Virgem de um amor duplo. Em primeiro lugar amava com terníssimo afeto o seu divino Filho, e por isso desejava dar à luz para vê-Lo, abraçá-Lo e provar-Lhe seu amor prestando-Lhe toda sorte de serviços. Demais, o coração da Virgem estava possuído de amor ardente para com o próximo. Por esta razão, apesar de prever o modo inumano de que os homens haviam de acolher e de tratar Jesus Cristo, anelava pelo momento de manifestar ao mundo o seu Salvador, e de enriquecer o universo com aquele Bem supremo e com as graças infinitas que Ele queria comunicar a nossas almas.
Ó divina Mãe, graças vos sejam dadas por terdes desejado tanto dar-nos o vosso Jesus! Por piedade dai-m’O também a mim; fazei que, assim como nasceu corporalmente de vossas puríssimas entranhas, assim renasça espiritualmente pela graça em meu coração. Fazei que a minha alma abrasada no amor divino, procure comunicá-Lo também ao próximo. Continuar lendo

Hostiam et oblationem noluisti, corpus autem aptasti mihi — “Não quiseste hóstia nem oblação, porém me formaste um corpo” (Hebr, 10, 5).
Cântico:
Dedi te in lucem gentium, ut sis salus mea usque ad extremum terrae — “Eu te estabeleci para luz das gentes, a fim de levares a minha salvação até à ultima extremidade da terra” (Is. 49, 6).

Qui me invenerit, inveniet vitam, et hauriet salutem a Domino— “Aquele que me achar, achará a vida, e terá do Senhor a salvação” (Prov. 8, 35).
Sub umbra illius quem desideraveram sedi; et fructus eius dulcis gutturi meo — “Eu me sentei debaixo da sombra daquele a quem tanto tinha desejado; e o seu fruto é doce ao meu paladar” (Cant. 2, 3).
Iesus ergo fatigatus ex itinere, sedebat sic supra fontem — “Jesus, pois, fatigado do caminho, estava assim assentado sobre o poço” (Io. 4, 6).
Peccator videbit et irascetur, dentibus suis fremet et tabescet; desiderium peccatorum peribit — “Vê-lo-á o pecador e se indignará; rangerá os dentes e se consumirá; o desejo dos pecadores perecerá” (Ps. 111, 10).
Et vos estote parati; quia, qua hora non putatis, Filius hominis veniet — “Vós outros, pois, estai preparados; porque na hora em que menos cuideis, virá o Filho do homem” (Luc. 12, 40).
… porque a enfermidade e a doença descobrem o caráter da virtude que a alma possui. Se uma pessoa se não desassossega, se não se queixa, se não dá inquietação, se obedece às pessoas, que tratam, e a seus superiores, e se está perfeitamente tranquila e resignada à vontade divina, sinais são estes de que possui muita virtude. Mas que diremos daquele doente, que se queixa e diz: que não é bem tratado? que suas dores são insuportáveis? que nada o melhora? que seu médico é ignorante? E que mesmo algumas vezes se queixa, de que a mão de Deus pesa sobre ele? S. Boaventura relata na vida de S. Francisco (C. 14) que o Santo achando-se atacado de extraordinários padecimentos, um dos seus religiosos lhe dissera: «Padre, pedi a Deus que vos trate mais benignamente: porque a sua mão carrega demasiado sobre vós.» Ao ouvir isto replicou S. Francisco em alta voz: «Se eu não soubesse que o que dizeis procede da simplicidade, não vos quereria ver mais, por vos terdes atrevido a repreender os juízos de Deus.» Dizendo isto, posto que fraco e extenuado pelas dores e pela moléstia, lançou-se fora da cama sobre o duro chão, e beijando-o, exclamou: «Mil graças te sejam dadas, ó Senhor, pelo padecimento que me mandaste. Peço-te que m’o mandes maior, se essa for a tua divina vontade. Desejo que me aflijas e não me poupes na menor coisa; porque o cumprimento da Vossa vontade é a maior consolação, que posso receber nesta vida.» 




