Jesus é crucificado entre dois ladrões.
Crucifixerunt eum, et cum eo alios duos, hinc et hinc, medium autem Iesum — “Crucificaram-No e com Ele outros dois, um de uma parte, e outro da outra, e no meio Jesus” (Jo, 19, 18).
Sumário. Imaginemos que junto com a divina Mãe presenciamos a crucifixão de Jesus Cristo. Eis que, plantada já a cruz, o Filho de Deus está neste patíbulo infame, suspenso em suas próprias feridas, e sofre tantas mortes, quantos momentos durou aquela longa agonia. Ó Deus! Jesus pensou então em cada um de nós, e a previsão de nossas culpas tornava-Lhe a morte mais dolorosa. Unamo-nos em espírito com a Santíssima Virgem, e aproximemo-nos para beijar a preciosa Cruz com coração contrito e amante.
******************************
I. Logo que Jesus chegou ao Calvário, todo exausto de dores e de cansaço, deram-Lhe a beber o vinho misturado com fel, que era costume dar aos condenados à cruz, para diminuir neles o sentimento da dor. Jesus, porém, querendo morrer sem alívio, provou apenas e não quis beber. Depois, tendo-se a multidão colocado em círculo ao redor de Nosso Senhor, os soldados arrancaram-Lhe as vestes, pegadas ao corpo todo chagado e dilacerado, e com as vestes Lhe arrancaram também pedaços da carne. Em seguida deitaram-no sobre a cruz. Jesus estende as sagradas mãos e oferece ao Eterno Pai o grande sacrifício de si mesmo e pede-Lhe que O aceite pela nossa salvação.
Os soldados furiosos tomam os pregos e os martelos, e traspassando as mãos e os pés de nosso Salvador, pregam-no na cruz. Afirma São Bernardo que na crucifixão de Jesus os algozes se serviram de pregos sem ponta, para que causassem dor mais violenta. O som das marteladas ressoa pelo monte, e chega aos ouvidos de Maria, que se achava perto, acompanhando o Filho. — Ó mãos sagradas, que com vosso tato curastes tantos enfermos, porque vos traspassam agora sobre a cruz? Ó pés sacrossantos, que vos cansastes tantas vezes na busca das ovelhas perdidas, que somos nós, porque vos pregam com tanta dor nesse patíbulo? Continuar lendo