
Caros fiéis,
Na história da humanidade, muitas vezes a verdade incomoda. Um provérbio afegão resume bem esse fato: “Dê um cavalo àquele que diz a verdade, ele precisará dele para fugir”. Situação absurda, mas muito frequente: aquele que aponta o problema torna-se o problema. Esse fenômeno é perfeitamente ilustrado pela atualidade da Fraternidade São Pio X. No último dia 2 de fevereiro, por meio de seu superior, ela anunciou sua intenção de consagrar bispos em julho próximo, motivando sua decisão por um estado de necessidade devido à crise da Igreja. A Fraternidade obriga-nos, portanto, a considerar o elefante no meio da sala. Esta famosa crise da Igreja, que se verifica diariamente em todo o mundo (crise doutrinal, moral, pastoral, litúrgica e até econômica das dioceses), mas da qual não se deve falar. Alguns têm interesse em que essa crise perdure. Outros não têm coragem de enfrentá-la. Todos eles, portanto, concordam em condenar a Fraternidade para preservar seus projetos obscuros, sua covardia ou simplesmente seu conforto.
Mas já não estamos em 1988. Naquela época, a clarividência de Dom Lefebvre e Dom Castro Mayer permaneceu um fato notável, mas isolado. Os corajosos prelados tornaram-se párias. Antigos companheiros de luta, assustados ou cheios de ilusões, entraram numa espécie de reserva indígena constituída pelo motu proprio Ecclesia Dei. Estamos agora em 2026. Muita água correu sob as pontes. Os índios não foram poupados pela Igreja conciliar (expressão usada pela primeira vez por Dom Giovanni Benelli, substituto da Secretaria de Estado de Paulo VI, em junho de 1976). Além disso, essa Igreja conciliar inaugurou outro caminho, no qual todas as religiões conduzem à salvação; outra moral, na qual os pecadores, públicos ou não, podem comungar. Assim, as fontes da vida, que são os sacramentos, tornaram-se fontes de morte, pois “quem come e bebe o Corpo e o Sangue do Senhor indignamente come e bebe a sua própria condenação” (I Cor. 11). “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. As palavras de Nosso Senhor ainda ressoam nas igrejas, mas não produzem mais frutos, pois foram esvaziadas de seu conteúdo. Um trabalho eficaz de destruição conduzido pelo modernismo (releia-se a encíclica Pascendi). Durante esse tempo, a Fraternidade desenvolveu, inegavelmente, um apostolado florescente, autenticamente católico. Continuar lendo






















