A DESCOBERTA DA OUTRA

gcorcao_back_brancoUm leitor que se diz assíduo, numa longa conversa telefônica, estranhou o pós-conciliar. O leitor entende o termo como se significasse a mesma Igreja Católica, na era pós-conciliar. Bem sei que nesse período conturbado continua a existir, na terra, a Igreja Católica dita militante. Ora, minha sofrida e firme convicção, tantas vezes sustentada aqui, ali e acolá é que existe, entre a Religião Católica professada em todo o mundo católico até poucos anos atrás e a religião ostensivamente  apresentada como “nova”, “progressista”, “evoluída”, uma diferença de espécie ou diferença por alteridade. São portanto duas as Igrejas atualmente governadas e servidas pela mesma hierarquia: a Igreja Católica de sempre, e a Outra. E note bem, leitor: quando acaso der a essa outra o nome de Igreja pós-conciliar não quero de modo algum insinuar a infeliz idéia de que, após o Concílio, a Igreja de Cristo se teria transformado a ponto de tornar-se irreconhecível, devendo os fiéis de bem forma­da doutrina católica acreditar nessa nova forma visível da Igreja, por pura disciplina, ainda que a maioria das pregações e dos novos ensinamentos sejam ostensivamente diversos e as vezes opostos à doutrina católica. Não! A Igreja Católica e Apostólica continua a existir na era pós-conciliar, submetida a duras provações, mas sempre permanente e fiel guardiã do depósito sagrado.

Se o leitor me perguntasse agora quais são as essenciais diferenças que separam as duas religiões, eu responde­ria: diferença de espírito, diferença de doutrina, diferença de culto e diferença moral. Como terei chegado a tão assustadora convicção? Com muito sofrimento e muito trabalho, são milhares os católicos que chegaram à mesma convicção.

Começamos por confrontar os novos textos, as novas alocuções, as novas publicações pastorais com a doutrina ensinada até anteontem. A começar pelos textos emanados dos mais altos escalões, citemos alguns daqueles que mais dolorosamente e mais irresistivelmente nos levaram à conclusão de que se inspiram em outro espírito e se firmam em outra doutrina. Entre os textos conciliares, citamos os seguintes: Constituição Pastoral sobre a Igreja e o Mundo Atual (Gaudium et Spes); Decreto sobre o Ecumenismo (Unitatis Redintegratio); Declaração sobre a Liberdade Religiosa (Dignitatis Humanae); Discurso de Encerramento do Concílio, 7 de Dezembro de 1965; Institutio Generalis do Novus Ordo Missae: Ponto 7 (na primeira redação, de 1967, e principalmente a segunda redação de 1970). Além desses documentos dos mais altos escalões, poderíamos encher as páginas deste jornal com obras e pronunciamentos de cardeais, arcebispos, bispos e padres que eram bisonhos, retraídos e discretos quando tinham vaga consciência de suas deficiências filosóficas e teológicas e que subitamente descobrem que na “nova Igreja” podem dizer tudo o que lhes vem à boca que fala ou à mão que escreve. O que menos se conhece é a Teologia, mas o que mais abunda na Nova Igreja são os “teólogos da libertação”.  Continuar lendo

DA EDUCAÇÃO, SUA NECESSIDADE

Resultado de imagem para batismoRegenerada pelas águas do batismo, a criança cresce pouco a pouco, e bem depressa começa, pelo seu sorriso, a dar o primeiro indício de inteligência. Então nascem novos deveres para a mãe; é mister que desde então se aplique com zelo à grande obra da educação. Educar a criança é cultivar o seu espírito, e o seu coração: o espírito enriquecendo-o com os conhecimentos necessários ou úteis: o cora­ção, sufocando nele o gérmen das paixões e dos vícios, que crescem conosco, e implantando nele o amor do bem e da virtude.

Em grande número dos nossos Livros canônicos a obrigação que Deus deu à mãe de bem educar os seus filhos, é expressa com tanta clareza, como força; e acerca deste assunto, os mais sagrados interesses das crianças, os dos pais e os da própria sociedade, se unem à voz de Deus, para repetir a todas as mães, pela boca do grande Apóstolo: — «Educai os vossos filhos segundo a lei, e no temor do Senhor» (S. Paulo ad Eph. VI, 4.)

O homem não abandonará na velhice o ca­minho que tiver seguido na adolescência; e é isso o que faz a desgraça quase irreparável de quem tiver recebido dos pais uma má educação ou sim­plesmente nula.

Infeliz! privado muito novo de sua mãe, ou tendo uma mãe negligente, sem ter ninguém que lance no seu espírito a semente da divina palavra não sendo instruído nos seus deveres de cristão; sem ninguém para vigiar pela sua inocência; sem ter quem lhe arranque do coração os primeiros ger­mens das paixões nascentes, e cultivar as flores das virtudes cristãs. Que pode ser uma criança nestas condições? Crescem as más ervas na terra inculta da alma, e o mal desenvolve-se, sufocando todos os germens de bem. Fortificando-se nele diariamente, as tendências perversas, deixam acrescer raízes cada vez mais profundas. Como é possível deter os des­troços desta torrente devastadora, que têm origem numa educação má, ou simplesmente desprezada? Onde arrastarão a sua vítima? Talvez à condenação eterna, porque a árvore cai para onde pendia. É, pois, bem de recear que o mau, avergado sob o peso do pecado para os abismos do inferno, aí vã precipitar-se. Continuar lendo

UMA FONTE DE ENERGIA – ORAÇÃO

Resultado de imagem para rezando catolicaA oração é um colóquio de amor com Deus. A criança, que ama verdadeiramente os pais, gosta de falar com eles, manifesta-lhes tudo que agita o seu coração. Cada alegria que sente, vai logo comunicá-la à mãe, ou ao pai; expõe-lhes todas as suas dores; narra-lhes os seus receios; conta-lhes os seus interesses.

Se a criança passasse com seus pais um dia inteiro, sem lhes dirigir uma só palavra, teriam muita razão em se queixar: nosso filho não nos ama, pois se nos amasse seria mais comunicativo conosco. É o que dará contigo, jovem cristã, se amares a Deus e Vosso Salvador, verdadeiramente, e de coração, sentir-se-ás necessariamente compelida a falar com Ele, a entreter-se com Ele, isto é, a rezar. A oração é para ti um dever sagrado, que não hás de omitir um só dia sequer.

1º – A oração te enobrece.

Conta-se que a opala à luz solar por muito tempo, é penetrada tão profundamente pelos raios, que (esta pedra) se torna inteiramente luminosa, e na escuridão da noite, irradia uma luz brilhante.

A opala é a imagem da alma, que na oração, se põe em contato com o Altíssimo.

A alma, quando reza, entra em relação íntima com Deus, infinitamente grande, infinitamente perfeito e santo. A luz de Deus, os raios da Sua santidade e magnificência atuam sobre ela. Deus a alumia e a penetra cada vez mais com Sua graça, a atrai cada vez mais para si, eleva-a e a enobrece. A alma, pela oração, torna-se semelhante a Deus. Aqui, também, viria muito a propósito o brocardo: “Dize-me com quem andas e dir-te-eis quem és”. Continuar lendo

ESTOU SÓ

“Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo”. (Mt 26,38)

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Padre Juan Manuel Rodríguez de la Rosa – Adelante la Fe | Tradução Sensus fidei:

Queridos irmãos, possivelmente conhecemos pessoas que se lamentam de sua solidão, ainda mesmo quando estão acompanhadas. O que acontece, muito provavelmente, é que essas pessoas querem ser ouvidas, querem consolo, mas realmente não estão com o Senhor. N’Ele está toda a resposta para a nossa vida. Se entendêssemos que Ele está conosco, não se chegaria a esta situação de solidão.

Muitas pessoas que se sentem sozinhas, sem uma explicação óbvia, pois nada lhes falta, estão de boa saúde, tudo o que elas realmente esperam é que alguém lhes telefone ou as visite. Verdadeiramente elas não têm o pensamento no Senhor. O que o Senhor deseja é que pensemos n’Ele; e se o fizéssemos realmente as horas do dia não nos seriam suficientes.

Saem, vão daqui para lá, e quando as atividades cessam sobrevém a solidão, e apenas esperam que as atividades voltem para continuar distraindo-as. Não pensam que nesses momentos de solidão o Senhor pode presenteá-las, se compartilhassem o tempo com Ele, acompanhando-O, Ele que espera ansiosamente nossa atenção e carinho. Esses momentos de oração que já estão tão esquecidos!

Quanto tempo para o Senhor? Quem está impossibilitado de visitá-lo no Sacrário, pode fazê-lo espiritualmente. Pode dedicar-lhe momentos de íntima oração em casa. Conversar com Ele. O próprio Senhor está verdadeiramente sozinho. Se pensarmos bem, os que se queixam de sua solidão não expressam nada mais do que puro egoísmo, puro desejo de ser consolados. Cada um vive a sua vida, e quando cessam as suas atividades sobrevêm-lhes a solidão. Continuar lendo

QUERO IR AONDE ESTÁ JESUS

Resultado de imagem para luz sacrarioUm pastor protestante, inclinado já ao catolicismo, foi um dia com sua filhinha em visita à capital da Inglaterra. A menina contava apenas cinco anos.

O pai levou-a primeiro a uma igreja Católica e a atenção da pequena ficou muito tempo presa a lâmpada do Santíssimo.

– Papai, – disse – para que aquela lampadazinha?

– Filha, é para lembrar a presença de Jesus atrás daquela portinha dourada.

– Papai, eu quero ver Jesus!

– Filha, a porta está trancada e Ele está escondido debaixo de um véu, não o poderás ver…

– Ah! papai, quanto eu quisera ver Jesus!…

Saindo dali, entraram logo depois num templo protestante, onde não havia nem imagens, nem lâmpada nem sacrário.

– Papai, por que não há lâmpada aqui? Continuar lendo

HAVERÁ FELICIDADE SEM DEUS?

Resultado de imagem para pensativoMais cedo ou mais tarde a vida te ensinará quanto vou afirmando; entremente, quisera que me acreditasses.

Sem fé, sem esperança, sem amor de Deus não há verdadeira felicidade para o homem. Por que? Porque a alma foi criada por Deus e para Deus, e nosso coração está inquieto enquanto não acha descanso no Criador.

A alma humana não pode encontrar a felicidade fora de Deus. Todo o universo está subordinado a leis próprias:

O astro não se detém, mas sem parar segue em sua órbita. O fogo só pode flamejar para o alto. A pedra vai unicamente para baixo. Experimenta misturar o óleo com a água; impossível, pois o óleo volta à tona. Tenta equilibrar água sobre azeite; impossível, ela desce. Tudo é regido pela natureza. Cada criatura move-se, turbilhona e procura seu lugar; a paz e quietude, só depois de acertar cada uma com sua posição natural.

Afasta a alma de Deus; ela fica desassossegada, agita-se, geme, procura, até encontrá-lo novamente.

Quando Lenau perdera a fé, difícil lhe foi descrever o vazio de sua alma desviada de Deus: O mundo era urna como cidade abandonada, varrida pela morte, ruas compridas e escuras, onde ele andava às apalpadelas. Em cada janela via o olhar tétrico da morte e da ruina … E escreve: Continuar lendo

AMOR DE DEUS

mocaMuitas jovens cristãs se têm distinguido por uma grande piedade, que consiste no amor de Deus e na fidelidade ao Divino Salvador. Estavam resolvidas a sofrer tudo de boa vontade, a sacrificar até a própria vida, para não ofenderem a Deus e se não tornarem infiéis ao Seu Salvador. A mártir Santa Susana brilhava em Roma pela alta nobreza do seu nascimento e pelos dotes excepcionais de espírito e de corpo. O Imperador Diocleciano desejava, então dá-la por esposa a seu cor-regente Galério Maximiano, e para este fim pediu-a ao pai. Dirigiu-se este imediatamente, à casa da filha e assim lhe falou:

– “Minha filha, compreendeste bem o valor e a superioridade de ser esposa de Cristo?”

– “Eu o conheço tão bem – replicou Susana – que em minha opinião, todas as coroas deste mundo nada são comparadas com Ele”.

Instou Gabino? “Julgas retamente. Mas, se o Imperador te destinasse para esposa de Galério, a dignidade de imperatriz não venceria o teu amor ao Salvador Crucificado? Serás, acaso, bastante forte, para preferir, por amor de Cristo, morte cruel a cingir a

coroa de Imperatriz?” Radiante de júbilo, respondeu Susana: – “Ah! meu querido pai, quanto não me sentiria feliz, se me fosse concedido sacrificar a vida por amor ao divino esposo, que derramou Seu sangue pela minha salvação! Nenhuma púrpura seduz-me, nenhum martírio me atemoriza!”

– “É o que provarás dentro em breve”, respondeu comovido o pai cristão, animando a filha, para o combate iminente. A todos os engodos e adulações, como também as ameaças e injúrias, Susana opôs inabalável firmeza. Os mais cruéis martírios, nem sequer um instante a fizeram vacilar no seu amor ao Divino Salvador. Não precisas, leitora cristã, sofrer pelo teu Divino Salvador, a morte violenta pelo martírio doloroso: deves, todavia oferecer-Lhe o primeiro lugar no teu coração juvenil; quer te chame Deus para o matrimônio, quer para o estado religioso ou para uma constante vida de solteira no mundo. Continuar lendo

A ENFERMIDADE É A PEDRA DE TOQUE DA ALMA…

Resultado de imagem para doente quadro… porque a enfermidade e a doença des­cobrem o caráter da virtude que a alma possui. Se uma pessoa se não desassossega, se não se queixa, se não dá inquietação, se obedece às pessoas, que tratam, e a seus superiores, e se está perfeitamente tranquila e resignada à vontade divina, sinais são estes de que possui muita virtude. Mas que diremos daquele doente, que se queixa e diz: que não é bem tratado? que suas dores são insuportáveis? que nada o me­lhora? que seu médico é ignorante? E que mesmo algumas vezes se queixa, de que a mão de Deus pesa sobre ele? S. Boaventura relata na vida de S. Francisco (C. 14) que o Santo achando-se atacado de extraor­dinários padecimentos, um dos seus reli­giosos lhe dissera: «Padre, pedi a Deus que vos trate mais benignamente: porque a sua mão carrega demasiado sobre vós.» Ao ouvir isto replicou S. Francisco em alta voz: «Se eu não soubesse que o que dizeis pro­cede da simplicidade, não vos quereria ver mais, por vos terdes atrevido a repreender os juízos de Deus.» Dizendo isto, posto que fraco e extenuado pelas dores e pela moléstia, lançou-se fora da cama sobre o duro chão, e beijando-o, exclamou: «Mil graças te sejam dadas, ó Senhor, pelo padecimento que me mandaste. Peço-te que m’o mandes maior, se essa for a tua divina vontade. De­sejo que me aflijas e não me poupes na menor coisa; porque o cumprimento da Vossa vontade é a maior consolação, que posso receber nesta vida.»

Tem esta conformidade referência tam­bém à perda de pessoas, que promovem o nosso bem temporal e espiritual. Pessoas assaz devotas são muitas vezes culpáveis neste ponto, não se resignando às divinas determinações. A nossa santificação deve proceder de Deus, e não de nossos espirituais diretores. É Sua vontade que nos aproveitemos deles para guia da alma, quando no-los dá: porém quando no-los tira de­vemos conformar-nos, e aumentar nossa confiança na Sua bondade, dizendo: «Vós, ó Senhor, me deste este socorro, e agora m’o tiraste, bendita seja para sempre a Vossa vontade, porque tu mesmo suprirás essa falta, e me ensinarás como Vos devo servir.» Igualmente devemos aceitar das mãos de Deus, outra qualquer cruz que Ele Se digne enviar-nos. Mas tantos padecimentos, direis vós, são castigos. Eu respondo: «Acaso não são os castigos, que Deus nos envia nesta vida, graças e benefícios? Se O temos ofendido, é necessário satisfazer à divina justiça de algum modo, ou nesta ou na vida futura. A isto exclamaremos com Santo Agostinho: «Cortai e queimai aqui, ó Se­nhor, mas poupai-me na outra vida.» E com o Santo Job: «Seja consolação minha que, afligindo-me com tristeza, Ele me não poupe.» (VI. 10.) Aquele que tem merecido o inferno, deve consolar-se, quando Deus o castiga neste mundo, porque isto lhe inspirará a esperança, de que Deus o isen­tará do castigo eterno. Digamos então quando Deus nos pune, o que dizia o sumo sacerdote Heli: «É o Senhor; faça Ele o que for justo e agradável a seus olhos. (I.. dos Reis III. 18.)

Tratado da conformidade com a vontade de Deus – Santo Afonso

O OLHAR, O PENSAMENTO E O PECADO

EysNão terás pensamentos ou desejos impuros.
(Nono Mandamento)

“Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia”. (Tg 1,14)

Tudo começa com o olhar

Pe. Juan Manuel Rodriguez de la Rosa – Adelante la Fe | Tradução Sensus fidei

Queridos irmãos, muitos não são conscientes da importância do olhar para se evitar a pecar, pois peca-se com o olhar. Olha-se de cima para baixo, de baixo para cima. Não se vigia o olhar. Não se olha para a alma das pessoas com os olhos, olha-se com desejo para o corpo. Atraído pela aparência, há quem se enfraqueça até cair em pecado. Olha-se com desejo, com o pensamento dissoluto, deleita-se e a alma peca. É necessário aprender a vigiar o olhar.

Tudo começa com o olhar. Quando alguém vê algo desagradável, rapidamente afasta o olhar, esforça-se para não olhar. Mas se, depois, vê algo ou alguém agradável, delicia-se com o prazer dos sentidos. O espírito está pronto, mas a carne é fraca (Mt. 26, 41). Abre-se a brecha para o pecado. Entra o desejo daquele que é olhado, o desejo da pessoa para a qual se olha. Muitos não entendem que por trás de algo, dizem, que é superficial, justificável e normal, na verdade, está a tentação do demônio. Lembremos as palavras do Apóstolo: “Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares”. (Ef 6,12). Nas lutas interiores da alma acrescentam-se as acometidas e tentações exteriores, que algumas vezes combatem abertamente, e outras por caminhos ocultos que introduzem a alma em tal estado de paixão cega que não pode ver-se livre por si mesma.

Quando na alma entra o espírito maligno, a malícia espiritual, ouve-se: Eu quero teu corpo. É o desejo pela pessoa para a qual o olhar se deleitou com atenção e prazer. Aquele corpo que se olhou com aparente normalidade, porque era belo, agora deseja-se cegamente, apaixonadamente. Continuar lendo

QUÃO LOUCOS SÃO AQUELES QUE DESEJAM A SAÚDE….

rez….não só para não sofrerem, mas para mais poderem servir a Deus, observando as regras, assistindo em comunidade, indo à Igreja, recebendo a Sagrada Comunhão fazendo penitências, trabalhando, ouvindo confissões e pregando! Mas, pergunto eu, porque desejais vós fazer essas coisas? Para agradar a Deus? Para que procurais vós agradar-Lhe nessas coisas, quando conheceis que Lhe não é agradável a prática de vossas ordinárias devoções, comunhões, peni­tências, estudos ou sermões; mas sim que suporteis com paciência as dores e enfer­midades que Ele foi servido mandar-vos? Uni pois vossos padecimentos aos de Jesus Cristo. Porém é-me penoso ser inútil e pesado à comunidade. Conformai-vos com a vontade de Deus, e persuadi-vos que vossos superiores estão resignados a ela, vendo que servis de peso à comunidade, é pela vontade de Deus, e não por preguiça vossa. Vossos desejos e mortificações, não procedem do amor de Deus, mas sim do amor próprio, que procura pretextos para se desviar da vontade divina. Se desejarmos agradar a Deus, quando nos acharmos do­entes e de cama; basta repetir estas pala­vras: «Senhor seja feita a vossa vontade» por cujas palavras agradaremos mais a Deus, que por todas as devoções e mortificações que nos seja possível oferecer-Lhe.

Não há me­lhor caminho no serviço de Deus, do que aquele que nos conduz a abraçar a Sua vontade com alegria. O venerável padre Ávila (Epíst. 2) escreveu a um sacerdote que estava enfermo: «Amigo, não vos inq­uieteis com o bem que poderíeis fazer, se estivésseis bom, mas contentai-vos de conti­nuar doente todo o tempo que Deus quiser. Se procurais a vontade de Deus, indiferente vos deve ser o estar mal ou de saúde.» E certamente assim o podia dizer, porque as nossas obras não glorificam a Deus, mas sim a nossa resignação e conformidade à Sua santíssima vontade.

Daqui diz também S. Francisco de Sales, que Deus é mais bem servido por nossos padecimentos, do que por nossas fadigas. Continuar lendo

PEQUENA CONSAGRAÇÃO À NOSSA SENHORA APARECIDA

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Ó Virgem Santíssima, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, eis-nos prostrados suplicantes, aos pés do Vosso trono, na certeza de obter de Vossa misericórdia as graças e a ajuda oportuna nas calamidades presentes, não em virtude de nossos méritos, que são poucos, mas unicamente pela imensa bondade do Vosso Coração maternal.
 
Os abomináveis pecados do mundo, as perseguições dirigidas contra a Igreja de Jesus Cristo, mais ainda, a apostasia das nações e de tantas almas cristãs, em suma, os esquecimentos por parte da maioria dos homens de que sois a Mãe da Divina Graça, tudo isso é agonia para Vosso Coração Doloroso e Imaculado, tão unido, em sua compaixão, aos sofrimentos do Sagrado Coração de Vosso Filho.
 
Nesses tempos calamitosos em que tantas almas se perdem viemos ao vosso Santuário suplicar a vossa proteção sobre nossas famílias, dilaceradas pela discórdia e pelo flagelo do divórcio.
 
Pedimos pelos nossos filhos, atraídos covardemente por um mundo apóstata da fé, que lhes acena com falsos prazeres, as drogas e uma impressionante  revolta contra a autoridade de Deus e de seus pais.
 
Pedimos também pela nossa Pátria, esquecida de vós e do Coração de vosso Filho, ela que nasceu sob o manto da Santa Cruz e que tantas glórias já trouxe para a Santa Igreja Católica, em tempos de maior devoção e vida católica.
 
Não permitais que os próximos anos se transformem em perseguições sorrateiras e silenciosas contra os direitos de Deus e de sua Igreja.
 
Dai-nos as graças que nos são tão necessárias para resistir a tantas mentiras e enganações, e fazei que sejamos fiéis às promessas do nosso Santo Batismo. Queremos viver sob o vosso manto e sob vossa maternal proteção e para tanto, consagramos nossas almas como filhos amorosos e confiantes, prometendo o esforço de nunca abandonar a oração do Terço e a devoção ao vosso Imaculado Coração, última tábua de salvação.
 
Assim seja.

12 DE OUTUBRO – DIA DE NOSSA SENHORA APARECIDA

nossa_senhoraDesde o descobrimento do Brasil cultiva-se  aqui a  devoção de Nossa  Senhora.

Os portugueses descobridores do país tinham-na aprendido e usado desde a  infância; os primeiros  missionários  recomendavam e propagavam-na. Aonde se fundavam cidades, construíram-se igrejas em honra de Nossa Senhora Aparecida e celebravam-se com grandes solenidades as  suas festas. Foi certamente em recompensa desta constante devoção que a Virgem Santíssima quis  estabelecer no Brasil um centro de  sua  devoção, um trono de graças, um santuário em nada inferior aos grandes  santuários de  outros países.

Data  o ano  de  1717 a  origem da  romaria de  Nossa  Senhora  Aparecida.  Três pescadores, de nome  Domingos  Garcia, João Alves e Felipe Pedroso, moradores  nas margens do rio Paraíba, no município de Guaratinguetá/SP,  estavam um dia  pescando em suas canoas, sem conseguir durante longas horas pegar peixe algum.  Lançando João Alves mais uma vez a  sua rede na altura do Porto de  Itaguaçu, retirou das águas o corpo de uma  imagem, mas sem cabeça e,  lançando mais abaixo de novo a  rede, colheu também a cabeça. Envolveu-a  em um pano e continuou a pesca. Desde aquele momento foi tão abundante a  pescaria, que  em poucos lances encheram as canoas e tiveram de suspender o trabalho para não naufragarem.  Eram certamente extraordinários  esses fatos:  O encontro da imagem, da qual nunca se soube que  a  tivesse atirado à água, o encontro da cabeça a  qual naturalmente devia ser arrastada mais  longe pela  correnteza da água, e  além disto dificilmente podia ser colhida em rede de  pescador,  enfim, a pesca abundante que seguiu o  encontro da imagem. Os pescadores limparam, pois, com grande  cuidado e respeito a misteriosa  figura e  com grande satisfação verificaram que era uma imagem de Nossa  Senhora da Conceição. Colocaram-na no oratório de  sua pobre morada e  diante dela  começaram a  fazer suas devoções  diárias.  Continuar lendo

SANTIFICAR A MOCIDADE

donz1º- Orna, donzela cristã, de virtudes a tua mocidade.

Para isto, deve o teu pensamento, antes de tudo, incitar-te para Deus. Quando desejas mimosear tua amiga com uma rosa, certamente, não lhe envias uma flor sem viço, cujas pétalas caíram em parte, antes escolhe a rosa mais fresca, mais viçosa e mais olorosa do teu jardim; pois, somente esta será recebida com gratidão, enquanto a primeira será desdenhosamente rejeitada. Do mesmo modo deverá proceder, donzela cristã, para com teu Deus. A mocidade é o tempo mais belo, mais florescente mais alegre de tua vida. Assemelha-se à primavera, na qual, por toda parte, na natureza, se agita uma juventude forte e fresca; inúmeras flores abrem a doce corola, o céu azul sorri por cima de nossas cabeças e uma exalação aromática nos envolve. Assim sucede agora contigo.

Como corre fresco e forte o sangue em tuas veias, como teus olhos cheios de esperança fitam o futuro, e como são elásticas as forças do teu espírito! Teu coração ainda não está dominado pelas paixões e se entusiasma por tudo quanto é elevado e bom. Na tua força juvenil e na tua inocência, tu és mil vezes mais bela que a mais formosa flor, de cujas pétalas pende uma gota de orvalho, onde brilha maravilhosa a imagem do sol.

Este tempo mais belo de tua vida não o deves negar a Deus, a quem tudo tens que agradecer, até a última gota de sangue de tuas veias e a menor fibra de teu coração; a Deus, para cujo serviço fosse criada e perante cujo tribunal hás de comparecer um dia, a fim de lhe prestar contas de toda tua vida, como também de tua mocidade; a Deus que te ama infinitamente e que encontra o Seu maior prazer nos serviços que lhe prestas na tua mocidade, e por isto Se inclina para ti cheio de graças e pede o teu amor sincero: “Minha filha, dá-me o teu coração”. (Prov. 23,26). Este teu nobre coração não o deves negar a Deus, para dá-lo ao mundo, que aproveita de ti e por fim te ilude; nem a uma paixão que te escraviza, cega e conduz ao caminho de perdição. Não, não! Tal coisa não pode, nem deves querer. Tem sempre em vista a admoestação do Espírito Santo: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade” (Ecl. 12,1). Alegremente e com entusiasmo deves consagrar-lhe o mais belo tempo de tua vida. De fato: somente aquilo que é mais belo, melhor e mais excelente é digno de Deus. Continuar lendo

“JAMAIS ME TORNAREI CATÓLICA. DIZEIS E REPETIS SEMPRE AS MESMAS PALAVRAS NO ROSÁRIO, E QUEM REPETE AS MESMAS PALAVRAS NÃO É SINCERO”

Já se tem objetado que há muitas repetições no rosário, e que o «Pai-Nosso» e a «Ave-Maria», à força de repetidos, tornam-no monótono. Isto faz-me lembrar o caso duma mulher que veio procurar-me uma tarde, depois da preleção

São Domingos, que morreu em 1221, recebeu de Nossa Senhora a ordem de pregar e popularizar a devoção em sufrágio das almas do purgatório, pela vitória sobre o mal e pela prosperidade da Santa Madre Igreja, e assim nos deu o rosário na sua forma atual. Já se tem objetado que há muitas repetições no rosário, e que o «Pai-Nosso» e a «Ave-Maria», à força de repetidos, tornam-no monótono. Isto faz-me lembrar o caso duma mulher que veio procurar-me uma tarde, depois da preleção.

Disse-me: «Eu jamais me tornarei católica. Vós dizeis e repetis sempre as mesmas palavras no rosário, e quem repete as mesmas palavras não é sincero. Eu nunca acreditarei em tal pessoa. Tampouco Deus acreditará nela».

Perguntei-lhe quem era o homem que a acompanhava.

Respondeu-me que era o seu noivo.

Perguntei-lhe ainda: «Ele gosta de si?» Continuar lendo

MULHER FORTE E A ESMOLA

Resultado de imagem para caridadeManus suam aperuitinopi et palmas suasextendit ad pauperem.

Ela abriu a sua mão ao indigente, e estendeu os braços e as mãos ao pobre.

(Prov., XXXI)

Senhoras.

Explicando os dois antecedentes versículos do livro dos provérbios, sobre a mulher forte, vimos que ela podia gozar do bem que se opera em derredor dela, do bom resultado das suas obras, e deixar expandir o coração no espetáculo da felicidade e da prosperidade de sua família, uma vez que a sua alegria não fosse de orgulho e estivesse contida nos limites da sabedoria: pois o abuso das melhores coisas pode conduzir a alma aos sentimentos do pueril amor-próprio e da triste vaidade, que, de tal forma são comuns entre os homens, que até, muitas vezes, senão sabe que conselhos se lhes hão de dar.

Se alguém os empenha a rejubilarem-se em Deus, e rejubilarem-se com tudo quanto pode ser bom na vida, porque a vista do bem dilata e anima, deixam-se cair no ridículo e na desorientação de uma miserável vaidade; se, no contrário, alguém comprime ao mesmo tempo, a mola do louvor e da justa apreciação das coisas, e se detém assim a legítima satisfação que pertence necessariamente à virtude, segundo a doutrina de São Tomás, a alma estiola-se, e expõe-se a perder toda a energia, e toda a atividade para o bem.

Recomendamos em seguida, uma grandíssima reserva na manifestação do bem e da alegria. Pondo mesmo de parte os princípios da humildade, o orgulho, a inveja, a vaidade magoada e os pequenos amores-próprios, que nos rodeiam sempre, como pequenas serpentes, deveriam empenhar-nos a viver na obscuridade, a ocultar a nossa ventura, o nosso engrandecimento, e a passar neste mundo, tanto quanto possível, como o regalo sob a folhagem. Continuar lendo

BASTA DE “CATOLICISMO CONFORTÁVEL”. A IGREJA DEVE SE PREPARAR PARA A PERSEGUIÇÃO

A Escritura diz: Bendito seja o Senhor, minha rocha, que adestra as minhas mãos para a guerra, e os meus dedos para a batalha (Sl 144: 1). Preparar as pessoas para a guerra — uma guerra moral e espiritual, e não uma guerra de tiros — deve incluir uma definição clara diante dos erros de nosso tempo, e uma aplicação clara e amorosa da verdade sobre o erro e a luz sobre a escuridão

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Mons. Charles Pope – LifeSiteNews | Tradução Sensus fidei:

Há uma consternação crescente entre alguns católicos no sentido de que a Igreja, pelo menos em sua liderança, está vivendo no passado. Parece que não há consciência de que estamos em guerra e que os católicos precisam ser convocados à sobriedade, à progressiva separação da cultura dominante, ao corajoso testemunho e contínuo martírio.

Já vai longe a escuridão sobre nossa cultura, mas na maioria das paróquias e dioceses, acontece de tudo, menos o alarme sóbrio realmente necessário em tempos como estes.

A Escritura diz: Bendito seja o Senhor, minha rocha, que adestra as minhas mãos para a guerra, e os meus dedos para a batalha (Salmo 144: 1). Preparar as pessoas para a guerra — uma guerra moral e espiritual, e não uma guerra de tiros — deve incluir uma definição clara diante dos erros de nosso tempo, e uma aplicação clara e amorosa da verdade sobre o erro e a luz sobre a escuridão. Continuar lendo

A GRAVATA BRANCA

Resultado de imagem para GRAVATA BRANCA CRIANÇAJorge era um verdadeiro anjinho que a todos edificava por suas virtudes. Fez a primeira comunhão num colégio de Rouen.

Entre outros fez o seguinte propósito: “Levarei comigo a gravata branca da minha primeira comunhão até o dia em que, por suma desventura, venha a perder a graça de que ela é símbolo”.

Jorge crescera… conservando sempre a gravata branca. Quando rebentou a guerra franco-prussiana, alistou-se como voluntário entre os zuavos do general De Charette. Em janeiro de 1871, por ocasião da vitória de Mans, foi ferido mortalmente. O capelão aproximou-se dêle imediatamente. “Obrigado, Sr. capelão… confessei-me há dois ou três dias; nada me pesa na consciência; estendei-me sobre um pouco de palha e trazei-me o santo Viático, porque vou morrer”.
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ORAÇÃO À MISERICÓRDIA DIVINA

Então aquela serva, ébria, incapaz de se dominar, como que em pé diante de Deus, dizia:

Ó misericórdia divina, que disfarças os defeitos humanos! Não me espanto que digas a quem deixa o pecado mortal e volta a ti: “Não me lembrarei mais de que me ofendeste”. Não, misericórdia inefável, não me espanto de que fales assim a quem se converte. Surpreende-me que digas sobre os que te combatem; “Quero que oreis por eles, a fim de que eu os perdoe”.

Ó misericórdia, Pai, que procede da tua divindade e que, pelo teu poder, governa o mundo inteiro. Tua misericórdia nos criou, tua misericórdia nos recriou no sangue de teu Filho, tua misericórdia nos conserva. Foi ela que levou Jesus a atirar-se aos braços da cruz na batalha da vida contra a morte, da morte contra a vida. Então a vida venceu a morte do pecado, enquanto a morte que vem do pecado destruiu a vida física do Cordeiro sem manchas. Mas quem foi o vencido? A morte! Quem o vencedor? Tua misericórdia.

Tua misericórdia produz a vida, concede a luz, revela o Espírito em todos os homens, santos e pecadores. Reluz nas alturas do céu, em teus santos; e, se me volto para a terra, como ela é abundante aqui! Tua misericórdia brilha mesmo na escuridão do inferno, porque não dá aos condenados todo o castigo que merecem. Com tua misericórdia mitigas a justiça; por tua misericórdia nos lavaste no sangue; por misericórdia vieste conviver com os homens.
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PERIGOS DO MUNDO – TEATRO

Resultado de imagem para teatro pinturaGeralmente é imoral

Mesmo quando ele não fosse (e o é com freqüência) o acionamento de uma tese contrário aos princípios de uma santa moralidade, ainda quando não se achasse nele senão a pintura viva de costumes condenáveis, o jogo dramático das paixões humanas mais arrastadoras, nem por isso o teatro deixaria de ser um divertimento dos mais perigosos para uma jovem cuidosa de não criar de propósito, para a honestidade de sua vida, perigos e inextricáveis dificuldades.

As máximas mais falsas são nele correntemente aplaudidas, as paixões mais baixas são exaltadas, todas as desordens são pintadas e todas as fraquezas desculpadas. Nele ridiculariza-se por vezes a virtude ou procura-se torná-la odiosa; em compensação, o vício muitas vezes é coberto de flores. As instituições mais santas, os deveres mais sagrados da família e da sociedade são nele tratados com uma leviandade voluntária e um escandaloso desprezo. Como não haveriam tais espetáculos de ser condenados pela moral?

É uma ocasião de pecado

Tudo o que nele se vê e tudo o que nele se ouve é de natureza a leval ao mal. Os assuntos que nele se tratam são, muitas vezes, arriscados, os costumes que nele se vêem, a sociedade que nele se acotovela, aqueles cenários, aquelas luzes, aquela música, aqueles relatos apaixonados, aqueles enredos amorosos, tudo isso produz na imaginação de um jovem, no seu organismo sensível e nervoso, uma superexitação que cedo triunfará da sua consciência.
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FELIZ DE VÓS AMADO LEITOR, SE SEMPRE FAZEIS OUTRO TANTO!

joelhosA santidade será a consequência, e, tendo passado uma ditosa vida, concluirá com uma não menos ditosa mor­te. Quando se passa desta para outra vida, a esperança que os que ficam, concebem da salvação do que foi, procede do conhe­cimento que haja, de que morrer com resig­nação. Se abraçamos todas as vicissitudes da vida, como vindas da mão de Deus, e mesmo a morte, com submissão à Sua von­tade, por certo que morreremos santos, e seremos salvos. Abandonemos-nos pois em tudo à boa vontade d’Aquele Senhor, que sendo o mais sábio, conhece o que melhor nos convém: e sendo o mais amante, pois que deu a Sua vida por nosso amor, quer também o que é melhor por nós. Fiquemos certos e persuadidos, diz S. Basílio, que Deus procura o nosso bem, sem comparação melhor, do que nós o podemos procurar ou desejar. Mas prossigamos e consideremos em que coisas nos devemos unir com a divina vontade.

1.º Devemos unir-nos a vontade de Deus nas coisas naturais, como quando faz frio, calor, quando chove, ou em tempo de escassez ou epidemia, e em outros casos iguais. Devemos abster-nos de dizer: que intolerável frio, que horroroso calor! que desagradável estação! Ou fazermos uso de algumas ex­pressões que mostrem a nossa repugnância para com a vontade de Deus. Devemos querer tudo como é, porque Deus de tudo dispõe. S. Francisco de Borja, indo uma noite a um convento da sua ordem, enquanto que nevava muito, bateu à porta muitas vezes; porém os padres que estavam dormindo não lh’a abriram. Quando ama­nheceu, muitos deles lastimavam tê-lo feito esperar tanto fora de casa; mas o Santo lhes disse «que ele tirara muita consolação durante aquele tempo, pensando que era Deus quem fazia cair os flocos de neve sobre ele.»

2.º Devemos unir-nos à divina vontade, quando padecemos fome, sede pobrezadesolação desonra. Em todo o caso de­vemos dizer: «Senhor, Vós fazes e desfazes, e eu estou contente, desejando unicamente o que Vós queres» E o mesmo devemos dizer, diz Rodrigues, naqueles casos imaginários sugeridos por Satanás, na intenção de nos fazer cair em alguma maldade, ou pelo menos para nos inquietar. Se alguém vos dissesse estas e aquelas palavras, ou vos fi­zesse estas ou aquelas ofensas, que diríeis? que faríeis? Devemos responder: «Eu diria e faria o que Deus quizesse» E assim nos livraríamos de toda a falta de inquietação. Continuar lendo

DOIS LINDOS EXEMPLOS

Resultado de imagem para comunhão criança tridentinaa) O AMOR DOS PEQUENINOS

Perguntaram a uma piedosa jovenzinha:

– Que é a Primeira Comunhão?

– É um dia de céu na terra.

Perguntaram-lhe em seguida:

– E que é o céu?

– É uma Primeira Comunhão que nunca terá fim – respondeu ela graciosamente.

E respondeu muito bem, porque a felicidade dos Anjos e Santos no céu consiste em possuir a Deus eternamente. Ora, não é justamente a Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que possuímos na Santa Comunhão?

b) DENTES DE LEITE

Escrevia em 1915 um missionário: Uma orfãzinha do Orfanato de Trichinopoli, que poderia ter dois palmos de altura, veio um dia suplicar-me que a admitisse à Primeira Comunhão.

– Que idade tens? perguntei-lhe.

– Ah! isso não sei.

Recolhida de lugar desconhecido, não pode saber quantos anos tem; nem as Irmãs o puderam descobrir.

– Mostra-me os dentes – disse.

Com um sorriso gracioso descobre a inocentinha duas filas de alvíssimos dentinhos.

– Oh! exclamei; os teus dentes de leite dizem-me que não tens nem sete anos. Portanto, este ano não farás a Primeira Comunhão.

Meu Deus! quem o acreditaria? tendo ouvido aquelas palavras, a menina, sem dizer a ninguém, corre ao quintal, toma uma pedra e, intrepidamente, faz saltar da boca todos os dentinhos. Depois, com a bocaensanguentada, mas com ar de triunfo, volta e diz-me:

– Padre, não tenho mais nem um dente de leite. Dai-me, oh! dai-me Jesus! Eu o quero muito bem!…

Chorando de comoção – diz o missionário – tomei-a em meus braços e segredei-lhe ao ouvido:

– Filha, amanhã te darei Jesus…

Sim, não podia deixar de atendê-la.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

PERIGOS DO MUNDO – A DANÇA

Resultado de imagem para dançaO que ela é do ponto de vista filosófico

Um prelado assim se exprime:

O Espírito Santo falou justo quando chamou à dança “uma vertigem, uma loucura”. Para apreciar bem essas pessoas que têm a paixão de rodopiarem e de fazerem momices compassadas, há só que as olhar tampando os ouvidos. Lord Byron compara os valsantes a “dois besouros enfiados no mesmo alfinete, em torno do qual giram, giram, giram”. Nunca, a não ser por motivos pouco definíveis, poderá a razão explicar-se que vantagem acha uma mulher sensata em fazer o exercício de uma enceradora de assoalhos, nos braços de um valsante que não é seu marido nem seu irmão.”

O que ela é do ponto de vista moral

Continua ele:

Sabereis, jovens, como proceder quando vós mesmas tiverdes filhas grandes a vigiar. Enquanto isso, deixai-me lembrar-vos a palavra de Job: “Os filhos dos homens gostam de saltar para se alegrarem ao som dos tamborins. E, enquanto se entregam aos transportes da sua alegria, descem ao inferno.” O texto original não diz precisamente “descer”, mas “escorregam e caem de repente”. De fato, embora não se cometa necessariamente um pecado mortal por dançar, o diabo que marca o compasso bem sabe aonde quer conduzir os dançarinos. Esses assoalhos encerados sobre os quais desliza facilmente são a imagem fiel do terreno perigoso em que a pessoa se acha.” Continuar lendo

QUEIXA DIVINA

Então Deus, ébrio de amor pela nossa salvação, encontrou um modo de aumentar ainda mais a caridade e a dor daquela serva, fazendo-a compreender com quanto amor criara a humanidade. Disto já falamos alguma coisa antes. Dizia-lhe:

-Não vês como todos me ofendem? No entanto eu os criei numa grande chama de amor; dei-lhes graças e favores quase infinitos, gratuitamente, sem nenhum merecimento deles. Olha, minha filha, quanto me ofendem. Especialmente por egoísmo, do qual procedem todos os outros males.  O amor-próprio tudo envenenou. Da mesma forma como a caridade contém todas as virtudes benéficas aos homens, assim o egoísmo procede do orgulho e contém todos os males. Por falta de amor, os homens praticam mutuamente o mal. Não me amam nem se amam. Estes dois amores vão sempre juntos. Por isto eu te dizia (2.5) que todo mal é feito no próximo.

Tenho muito a me queixar dos homens. De mim só receberam o bem e eles me odeiam, praticando toda espécie de mal. Afirmei que somente as lágrimas de meus servidores aplacarão minha ira. Torno a repeti-lo. Servidores meus, colocai-vos diante de mim com muita oração, repletos de dor e tristeza por causa das ofensas cometidas contra mim e por causa da condenação eterna dos maus. Mitigareis a ira do meu julgamento.

Ninguém escapará de minhas mãos. “Sou aquele que sou” (Ex 3.14) e vós, vós não possuís a razão do próprio ser. Sois aquilo que eu fiz. Criei tudo o que participa do ser; somente o pecado não procede de mim, porque é negação. Por não estar em mim, o pecado não merece amor. Quem o faz, ofende toda criação e odeia-me. O homem tem obrigação de me querer bem. Sou imensamente bom, dei-lhe o ser numa chama de caridade. Todavia, os maus fogem de mim. Mas por justiça ou misericórdia, ninguém escapa de minhas mãos.

Abre, pois, os olhos da fé e fixa-os em minhas mãos. Verás como é verdade o que acabei de dizer… 

O Diálogo – Santa Catarina de Sena

A ALMA FAZ MAL EM EXAGERAR AS DIFICULDADES DA VIDA INTERIOR

exagDeus é o soberano Senhor de todas as coisas. É o princípio do meu ser, o fim da minha existência, o divino modelo da minha vida. Tem sobre mim um direito absoluto e universal. Eu me assusto perante esta obrigação tão rigorosa e tão graves de ser todo de Deus. Não Lhe posso subtrair nenhum ato nem tempo algum sem com isso praticar um furto.

Como dedicar-Lhe por inteiro uma vida composta de milhares de ações diárias? O espírito engendra pensamentos sem conta e o coração produz afeições sem número. Como governar todo este mundo interior?

As paixões fortes ou indômitas estão constantemente em ação. Os sentidos dificilmente aceitam o jugo da vontade; a imaginação julga-se a dona da casa e perturba toda a ordem interior; a razão deixa-se enganar pelos sentidos e seduzir pelas aparências da verdade; a própria vontade é fraca e mantém ligações secretas, está de conivência com o inimigo.

E mais, como dedicar a Deus uma vida inteira, quando os obstáculos exteriores se multiplicam em volta da alma? Querendo ela dar-se a Deus, consentirão que o faça? Os inimigos de Deus e da piedade são muitos, e os indiferentes e os covardes ainda mais numerosos. O respeito humano governa o mundo: o sorriso, o sarcasmo e a pilhéria têm afastado mais almas de Deus do que o próprio demônio. Continuar lendo

SANTA CATARINA DE SENA E O SONHO DA ÁRVORE

Resultado de imagem para santa catarina de senaQuando se encontrou sozinha na sua cela, teve Catarina uma visão das mais singulares. Viu uma árvore imensa, carregada de frutos magníficos, em torno da qual uma moita de espinhos se elevava tão alta e densa, que difícil se tornava aproximar-se dela e colher-lhe os frutos. Pouco adiante, elevava-se uma pequena colina coberta de espigas de trigo que já amadureciam para a colheita, lindos de aspecto, mas cujas espigas ocas convertiam-se em pó ao contato das mãos que as tocavam. E diante da árvore, uma multidão se detinha a considerar-lhe os frutos, ansiosa por colhê-los. Como se ferissem porém, nos espinhos, uns após outros renunciavam imediatamente à tentativa de vencer a sebe.

Voltando então os olhos para a colina onde a messe dourava, precipitavam-se naquela direção e, ao alimentar-se com o mau trigo, caíam enfermos e privados de forças. E outros vinham, a seguir, com mais coragem do que os primeiros. Chegavam estes a transpor o espinheiro, mas chegando junto à árvore, viam que os frutos pendiam de muito alto e o tronco era liso e de difícil acesso. Também estes continuavam o caminho em busca do trigo enganador que mais esfomeados os deixava. Chegaram, afinal, alguns que se decidiram a atravessar a moita espinhosa e a subir na árvore. E os frutos colhidos que comeram de tal forma lhes fortificaram a alma que, em seguida, todo outro alimento lhes causava aversão.

“Catarina”, escreveu Caffarini, “tomou-se de espanto diante do pensamento de que tantos homens pudessem ser ignorantes e cegos a tal ponto que amassem e seguissem o mundo enganador em vez de se entregar a Jesus Cristo que os convida e chama, e que, em seu exílio, consola e alegra seus servidores. Porque aquela árvore, Catarina bem o compreendeu, representava o Verbo Eterno Encarnado, cujos frutos deliciosos são as virtudes, enquanto a colina, que não produz o bom trigo mas sim o joio, representava os campos dourados do mundo que são cultivados em vão, com grande esforço. Aqueles que se afastam da árvore, assim que os ferem os espinhos, são todos os que se sentem incapazes de levar uma vida piedosa, e a ela renunciam logo de início. Os que dela se aproximam, mas se deixam impressionar pela altura do tronco, são os que empreendem com energia e boa vontade a obra da santificação, mas que esmorecem e não têm perseverança. Os últimos são os verdadeiros crentes, firmados na verdade”.

Trecho do livro “Santa Catarina de Sena” – Johannes Joergensen, p. 52-53.

 

A GRANDE OBRA DA MÃE

maeUma mulher da Ionia, mostrando um dia, com orgulho, os ricos tecidos que tinha bordado, viu que uma lacedemónia lhe mostrava seus quatro filhos todos bem educados, dizendo-lhe:— «Eis no que uma mulher sensata se ocupa; é aqui que ela põe toda a sua glória.» Haverá, por ventura, arte mais nobre que a da educação, diz S. Crisóstomo? Os pintores e os escultores apenas fazem estátuas inanimadas; mas o que educa bem uma criança, produz uma obra prima, que encantará os olhos de Deus e os dos homens.

A mulher, que assim o compreende, não consen­tirá em se desencarregar sobre outros, do cuidado de educar os seus filhos. A primeira educação deve ser efetivamente obra sua; ninguém pode substituir uma mãe, tratando-se de um filho de tenra idade. «Aos lábios duma mãe, que cobrem de carícias estas fontes tão puras, é que compete ensinar as primeiras lições de piedade, diz Mgr. Dupanloup; à mãe é que compete despertar no filho os primeiros clarões da inteligência, e o primeiro amor do bem, colocar nos seus lábios as primeiras palavras da fé e da virtude, e ensiná-los a olhar pela primeira vez para o Céu. É à mãe, numa palavra, que com­pete dotar o seu filho de uma alma cristã, como já o tinha dotado de um corpo humano».

*A própria mulher pobre, que é obrigada a deixar a família, para ir ganhar o pão cotidiano com um penoso trabalho, não se poderia desculpar, se dei­xasse de se ocupar dos seus filhinhos. Se habita nas cidades, conduza-os às creches, aos recolhimentos próprios, mas nunca os perca de vista! Quando os vir reunidos em volta do lar doméstico, trate de lhes incutir o amor e o respeito pelas coisas do Senhor, e reprima os seus defeitos nascentes. Se não houver meio de confiar a estabelecimentos caridosos o cui­dado de guardar seus filhos, por não os haver no local em que habita, mais adiante lhe diremos o que deva fazer; mas nada a pode dispensar de tomar cuidado na educação de seus filhos. Continuar lendo

MALDIÇÃO DA IMPIEDADE

Resultado de imagem para ateuInteligência e vontade sofrem, no ateu. Ele vê o mundo em derredor, cheio de inesgotáveis belezas, pleno de harmonia, mas sua “convicção” não lhe permite admitir um Criador e Conservador para tudo isso! Quantas ações boas e nobres, resoluções heróicas e caritativas à roda dele, mas sua “convicção” deve negar Aquele que tudo recompensa! Um salteador assassino consegue fugir à justiça, viver em abastança no estrangeiro, e morre entre riquezas; e a mesquinha “convicção” do ateu lhe diz que esse terá a mesma sorte que o homem de caráter, virtuoso e honrado…

O ímpio está obrigado a dizer que o homem fiel a Deus, cumpridor de seus deveres enganou-se e foi estulto; mas que foi hábil e engenhoso quem soube adquirir bens e vantagens mercê de fraudes, má fé e ardis inconfessáveis.

Em sua vida há dias e horas em que até gozos lhe causam nojo, o mundo todo lhe é aborrecimento, a vida insuportável fardo e tortura. Teve um grande desengano? … Indescritível amargura dele se apossa… Nada consegue entusiasmá-lo; de nenhuma resolução é capaz. E ele pergunta: “Qual é realmente a razão de minha existência?” “A quem aproveita ter eu saído do nada e estar aqui? E que seria se eu pusesse fim a esta vida inútil e indigna…?”

Vida sem Deus é insuportável. Também Bismark o diz: “Não posso compreender como pode ainda suportar a vida, quem se considera a si mesmo, e, todavia não sabe, ou não quer saber de Deus”. (Carta a sua esposa, 1851).

Quem não crê em Deus não tem ideais, alegria, esperança, valor na adversidade, nada possui senão instintos de animal. E um povo que perdesse a fé em Deus, perderia seus ideais, seu manancial de energias, os fundamentos de sua existência.

Religião e Juventude – Mons. TihamerToth

O ESPÍRITO DA CRUZ

exalEstá página é extraída do Boletim de Nossa Senhora da santa Esperança, de Março de 1903 (reeditada em Le Sel de la Terre, no. 44, consagrado ao padre Emmanuel). O Padre Emmanuel pronunciou o seu último sermão na festa da Exaltação da Santa Cruz, no Domingo, 14 de Setembro de 1902, seis meses antes de morrer. Trata do espírito da Cruz, que é “a participação do próprio espírito de Nosso Senhor, levando a Cruz, pregado à Cruz e morrendo na Cruz”. 

O ESPÍRITO DA CRUZ

O último sermão do Padre Emmanuel

Irmãos, há muito tempo que não me vedes aqui; não venho aqui com freqüência.

Vou falar-vos de uma coisa da qual nunca falei, nem aqui, nem algures. E essa coisa desejo-a a todos; sei bem que o meu desejo não chegará a todos. Vou falar-vos do espírito da Cruz.

Quando o Bom Deus cria um corpo humano, dá-lhe uma alma, é um espírito humano; quando o Bom Deus dá a uma alma a graça do batismo, ela tem o espírito Cristão.

O espírito da Cruz é uma graça de Deus. Há a graça que faz apóstolos, e assim por diante. O que é o espírito da Cruz? Continuar lendo