O VALOR DO PUDOR!

jovemTalvez venham a zombar da tua atitude reservada, por não te sentires à vontade no meio de conversas estercorosas e de corares logo que ouvires uma palavra imprópria. Meu filho, orgulha-te disso! Orgulha-te de poderes corar!

O pudor em nós não é “criancice”, “ingenuidade”, “hipocrisia” – como eles dizem, – senão um ato de valor incalculável, uma arma recebida da natureza, que defende, quase sem que o percebamos, a parte mais nobre da nossa pessoa contra os maus pensamentos. Para o jovem o pudor, que defende quase instintivamente contra a impureza a sua alma delicada, é precioso tesouro.

É um poderoso dique contra as ondas da imoralidade, que todos os lados rebentam contra a nossa alma… Lembra-te desta bela máxima de Santo Agostinho: 

“Não odeies os homens por causa dos seus erros e das suas faltas, mas não estimes as faltas e os erros por amor dos homens”.

É covarde quem não sabe tolerar, contra as suas convicções, algumas contrariedades. Outrora débeis crianças, sem dizerem palavra e por amor de Cristo, se deixaram despedaçar por animais ferozes. Aos quatorze anos São Vito sorria ao mergulharem-no em azeite fervente – por amor de Cristo; e aos treze anos São Pelágio suportava que durante seis horas lhe arrancassem os membros, um após outro, – também por amor de Cristo. Continuar lendo

TRATADO DOS ESCRÚPULOS DE CONSCIÊNCIA – CAPÍTULO 2

esc2DIFERENTES ESPÉCIES DE ESCRÚPULOS. SEUS OBJETOS

Podem-se distinguir diversas espécies de escrúpulos: uns são em matéria de fato, e outros em matéria de direito. Há escrúpulo em matéria de fato quando, por exemplo, a pessoa receia ter consentido num mau pensamento, não haver confes­sado bem um pecado, ou ter esquecido al­guma circunstância, etc. Há escrúpulo em matéria de direito quando, por exemplo, se acredita que há pecado quando não o há; que uma coisa é proibida, quando não o é; que uma ação é culposa, posto que o não seja.

Há escrúpulos em matéria grave quan­do, por exemplo, se receia que uma ação que se fez ou que se deve fazer seja pe­cado mortal; donde vem que, depois de a haver feito, a pessoa se considera como um inimigo de Deus e como objeto de sua aversão. Há-os em matéria leve quando se receia que uma ação que se fez ou que se quer fazer, mesmo a mais inocente, é desa­gradável a Deus, e se considera a Deus como um amo severo, sempre irritado e descontente, que só tem para o escrupu­loso censuras e ameaças, e que breve deve abandoná-lo para puni-lo das suas infide­lidades.

Há, finalmente, a tentação do escrúpulo e o consentimento na tentação. A tenta­ção consiste no temor e na angústia que empolgam o coração do escrupuloso e lhe fazem ver pecado onde absolutamente não o há. O consentimento na tentação consis­te em que o escrupuloso, em vez de resis­tir aos seus escrúpulos, a eles se deixa arrastar, escuta-os, examina-os e rola-os cem e cem vezes na mente, embora fique sempre igualmente embaraçado. Final­mente, deixa-se ele persuadir de haver pecado, e não tem repouso enquanto não depositar o seu escrúpulo aos pés de um confessor. — Eis agora os principais ob­jetos dos escrúpulos: Continuar lendo

A COMUNHÃO DÁ FORÇA

comunEstava a vózinha no terreiro, assentada à sombra de uma viçosa parreira.

– Vovózinha?

A avó levanta os olhos, um pouco surpreendida, pois até aquela hora a netinha não lhe mostrara muito amor; era atenta, mas não afetuosa.

– Que queres, filha?

– Vovó, eu queria saber por que tens uma perna de pau.Andaste a combater?

– Não, Lina; mas isso não é pergunta para a tua idade.

Não foi uma bala de canhão, que me cortou a perna, nem mesmo um acidente.

– Então, o que foi?
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TRATADO DOS ESCRÚPULOS DE CONSCIÊNCIA – CAPÍTULO 1

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I- DEFINIÇÃO E NATUREZA DOS ESCRÚPULOS, SEUS SINTOMAS.

O escrúpulo, diz Santo Afonso de Ligório, não passa de um vão temor de pe­car causado por apreensões que não têm motivo algum.

Por sua vez, Bergier diz que o escrú­pulo é uma pena de espírito, uma an­siedade de alma que faz que a pessoa creia ofender a Deus em todas as suas ações e nunca se quitar dos seus deveres assaz perfeitamente.

Enfim, o escrúpulo, dizem os autores da Ciência do confessor, é uma dúvida que não é fundada, ou que só o é mui ligei­ramente, e que perturba a consciência e a enche de inquietações. É um vão ter­ror, um receio extremado de achar pecado onde realmente não o há, nascendo daí na alma uma angústia que a torna irresoluta e inquieta.

O escrupuloso, pois, como diz o P. Quadrupani nas suas instruções, só vê uma série de pecados em todas as suas ações, e em Deus vingança e cólera. Continuar lendo

A ALMA ABANDONADA DEVE CONTAR COM A PERSEGUIÇÃO

cruzaOs que quiserem viver piedosamente em Jesus Cristo sofrerão perseguição“. (II Tim 3,12)

É São Paulo quem o diz sob a inspiração do Espírito Santo.

Nos começos, a alma naturalmente boa acha que na vida tudo lhe sorri. Entrega-se descuidada ao que lhe agrada e atrai. Julga que todos os homens são retos e simples como ela. Esta ilusão dura pouco. Em breve constata que o amor que lhe manifestam, a bondade com que a tratam não andam sem mistura e muitas vezes não passam de um verniz, de uma aparência, digamos de um véu, sob o qual se esconde muitas vezes o egoísmo.

Quanto mais lida com os homens, mais descobre em muito deles a frieza de coração, a pequenez de sentimentos, e estreiteza de vistas. Esses defeitos, pode encontrá-los mesmo naqueles que lhe parecem virtuosos e instruídos. E a verdade é que, por uma série de experiências pessoais, acaba por constatá-los em si própria.

E não se engana. Todo homem é por natureza limitado em todos os sentidos: em inteligência, prudência, reflexão e conselho.

O amor-próprio egoísta amesquinha extraordinariamente o coração humano; e o mesmo faz a ambição com o espírito. A mesquinhez e estreiteza de vistas, a obstinação nas próprias opiniões desfiguram as melhores almas. Muitas vezes, sem dúvida, estes defeitos não são culpáveis, mas são reais e com frequência tornam difícil o convívio prolongado, mesmo entre pessoas que têm o mesmo nível espiritual ou no seio da família. Continuar lendo

SOU CATÓLICO, EIS A MINHA GLÓRIA

Cravos utilizados na crucificaçãoExiste uma atitude frequente entre nós e, no entanto, profundamente absurda: o sentirmos vergonha de sermos católicos. A isso se chama respeito humano.

Ora, quem tem vergonha de estar com boa saúde? Quem tem vergonha de possuir um emprego interessante e bem remunerado? Ou uma família amorosa? Ninguém, evidentemente. Ao contrário, sentimos orgulho de nossas riquezas naturais (a saúde, a vida profissional, a família), e temos mesmo a tendência de ostentá-las.

Por que bizarrice do espírito humano, então, acontece de sentirmos vergonha das riquezas sobrenaturais que são nossas, da nossa fé católica, da graça divina? Podemos nos acanhar delas? É incompreensível, e contudo é um mal demasiadamente difundido entre os católicos. 

A falta, o vício que deveria nos ameaçar, em boa lógica, não deveria ser a vergonha, mas antes a jactância, o orgulho. Se sou amigo de um rei, de um homem político, de uma estrela do cinema ou da música, de uma atleta famoso, quero proclamá-lo por cima dos telhados. Por que, então, se sou amigo de Jesus Cristo, Filho de Deus, Rei dos reis e Senhor dos senhores, tenho antes a tendência de escondê-lo? O respeito humano é, em si mesmo, a coisa mais imbecil e inconveniente: e contudo, ele nos paralisa a cada dia.

O que tememos? Um sorriso de canto de boca, um gracejo mordaz, uma palavra amarga? Isso não mata ninguém. Nos nossos países ocidentais, o fato de se mostrar cristão não expõe, senão raramente, a conseqüências mais graves. Os cristãos do Oriente, eles, que vivem sob o jugo do islã, expõem-se a humilhações, prisões e até mesmo a assassinatos. Porém, vejam como reagem: exibem-se publicamente como cristãos, com suas roupas, cruzes e medalhas aparentes. Continuar lendo

UM MÁRTIR DA CONFISSÃO E DA EUCARISTIA

cristeros1 (1)Em 1927 dominavam no México os inimigos da Igreja Católica. Os ministros de Jesus Cristo eram perseguidos, presos e fuzilados sem compaixão. Do número desses mártires foi o ancião Pe. Mateus Correa.

Estava em casa de um amigo, num dos bairros mais radicais, quando o foram chamar para um pobre índio que queria receber os últimos sacramentos. Apesar do perigo que corria, o padre quis cumprir com esse dever de caridade. Tomando consigo o Santíssimo, dirigiu-se com o amigo à casa do doente.

Escolheram de propósito os caminhos menos frequentados, mas, assim mesmo, os soldados de Calles os surpreenderam e, vendo que o Padre levava o Santíssimo, quiseram arrancar-lho à força para o profanar. Mas o Pe. Correa foi mais esperto que os soldados, pois, consumindo imediatamente a sagrada partícula, disse:

– Matai-me, se quiserdes: mas não a Jesus não o profanareis.

Depois de maltratarem cruelmente ao pobre Padre, levaram-no à cidade de Valparaíso, onde o meteram no cárcere. Acusado de ter cumplicidade com os Cristeros que combatiam nos arredores, detiveram-no até que o General Ortiz o levou consigo a Durango.
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DOMINUS FLEVIT SUPER GALLIAM

A data não podia ser mais significativa: o fatídico 14 de julho, data comemorada só pelos inimigos de Deus e da Igreja, ou pelos idiotas úteis que ainda não compreenderam a perversidade da Revolução Francesa, marco inicial do direito político moderno, da farsa da democracia, da rebelião da soberania popular contra a autoridade legítima que governa conforme a Lei de Deus e não conforme os caprichos dos demagogos revolucionários.

14 de julho de 1789 não foi apenas um presságio das calamidades que se precipitariam; foi também uma advertência, para que os franceses (e todos os povos que viam na França a filha primogênita da Igreja e a imitavam) voltassem a trilhar o bom caminho da tradição, os ensinamentos da Igreja e dos Santos e combatessem e condenassem com firmeza os erros e heresias dos filósofos modernos e dos ideólogos do Iluminismo.

Infelizmente, a advertência não foi ouvida. Os anos passaram-se, sucederam-se os séculos. A mão poderosa de Deus feriu a humanidade por causa dos seus pecados e crimes: sobreveio a Revolução Comunista de 1917. Os erros da Rússia espalharam-se pelo mundo afora. Milhões de mortos inocentes. Sobreveio o nazifascismo. Regiões imensas do mundo gemem sob um regime totalitário que, em nome dos princípios revolucionários modernos, em nome da Liberdade, da Igualdade, da Fraternidade, declara guerra ao homem criado por Deus e tenta construir um novo homem, um homem sem Deu, um homem inimigo de Deus, um homem que quer ser um deus.

Em fins do século XX, a humanidade, embrutecida pelo materialismo, dopada pelas drogas e pela pornografia, a humanidade corrompida pela revolução cultural da Escola de Frankfurt que se difunde a partir da grande potência norte-americana, comemora a queda do Muro de Berlim, achando que a partir de então viveria no paraíso de uma democracia universal, onde os homens viveriam como bem entendessem, cada um com seus próprios valores, sem nenhuma preocupação em saber se há uma verdade objetiva, uma lei moral de ordem superior. Continuar lendo

DECLARAÇÃO DO SUPERIOR GERAL A TODOS OS MEMBROS DA FRATERNIDADE SACERDOTAL SÃO PIO X…

… ao término da reunião de Superiores Maiores em Anzère (Valais), 28 de junho de 2016

Ao final da reunião dos Superiores da Fraternidade São Pio X, além da declaração lida em 29 de junho de 2016, Dom Bernard Fellay havia dirigido aos sacerdotes, na véspera das ordenações sacerdotais em Ecône, uma declaração importante que a DICI publica exclusivamente. (Tradução: Dominus Est)

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No atual estado de grave necessidade da Igreja, que lhe concede o direito de administrar os auxílios espirituais às almas que a ela recorrem, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X não busca acima de tudo um reconhecimento canônico, ao qual tem direito por ser católica. A solução não é simplesmente jurídica. Trata-se de uma posição doutrinária que é imprescindível manifestar.

Quando São Pio X condenou o modernismo, ele resumiu toda a argumentação da encíclica Pascendi a um princípio fundamental: a independência. Ora, eis que o mundo usa todas as forças para mudar o eixo sobre o qual deve girar. É evidente tanto para os católicos, como para aqueles que não o são, que a Cruz já não é mais esse eixo. Como Paulo VI bem disse, é o homem (cf. Discurso de encerramento do Concílio Vaticano II, 07 de dezembro de 1965).

Hoje, o mundo gira em torno deste eixo, segundo ele, definitivamente estabelecido: a dignidade do homem, sua consciência e sua liberdade. O homem moderno existe para si mesmo. O homem é o rei do universo. Ele destronou a Jesus Cristo. Ele exalta sua consciência autônoma e independente a ponto de dissolver até mesmo os fundamentos da família e do matrimônio. Continuar lendo

DIFÍCIL CONSERVAR A PUREZA EM UM MUNDO DESCOBERTO

“A moda feminina está repleta de blusas que não têm mangas; às vezes, apenas duas pequenas alças que não cobrem boa parte do peito, que não cobrem o ventre ou as costas (mini-blusas). Freqüentemente, as moças usam roupas apertadas, coladas ao corpo ou transparentes; e se usam saia ou vestido, muitas vezes deixam descobertos os joelhos. Hoje em dia, é muito comum que os sacerdotes, ao atenderem a confissões, ouçam os homens se queixarem de como é difícil conservar a pureza num mundo em que as mulheres não se cobrem.”
(Pe. Luís Carlos Lodi da Cruz)

Outro dia conversando com um amigo, ele disse que o mais difícil num namoro – para manter a castidade – é a roupa que a mulher veste. Hoje em dia as meninas andam seminuas com seus tops decotados e justíssimos, com suas minissaias expondo as coxas e até mesmo o bumbum (sim, porque as pessoas precisam subir escadas, sentar…), com suas calças justas mostrando todas as suas formas. Ora, como se manter casto desta maneira? Afinal de contas castidade é questão do pensamento também. Com manter pensamentos puros, como Nosso Senhor exige, se há tanta impureza por todos os lados? Como pode um homem se manter puro em seus pensamentos se é todo o tempo tentado por tanta exposição das formas femininas? É difícil, muito difícil! Ele precisa trabalhar muito em sua purificação, mas nós podemos ajudar a partir do momento em que nos vestimos e nos portamos modestamente.

Quem lida com os homens – os confessores, principalmente – sabe o quanto é difícil manter-se casto nos dias de hoje. Sabe que existem sensibilidades diferentes, mas que a moral católica é correta quando diz que há partes que devem ser veladas. Há pessoas que dizem que uma roupa decotada não tem nada de mais, que uma saia acima do joelho não tem problema, mas não é isso o que ouço de muitos homens e não é isso o que padres, como Pe. Lodi, ouvem em seus confessionários. Não é porque todo mundo usa algo de determinada forma que este algo se torna correto e aceito pela Igreja. Isso é relativismo. Os tempos mudam, mas a pscicologia dos homens e o corpo humano não mudam, e a moral da Igreja também não.

Diz o Compêndio de Teologia Moral: Continuar lendo

A PRÁTICA DA MORTIFICAÇÃO CRISTÃ

Livre-tradução do Artigo La mortificación cristiana” do Cardeal Desidério José Mercier (1851-1926) publicado em “Cuadernos de La Reja” número 2 do Seminário Internacional Nossa Senhora Corredentora da FSSPX.

Nota: Todas as práticas de mortificação que reunimos aqui são recolhidas dos exemplos dos santos, especialmente Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, Santa Teresa, São Francisco de Sales, São João Berchmans, ou são recomendadas por reconhecidos mestres da vida espiritual, como o Venerável Louis de Blois, Rodriguez, Scaramelli, Abade Allemand, Abade Hamon, Abade Dubois, etc.

Artigo 1 – Objeto da mortificação cristã

A mortificação cristã tem por fim neutralizar as influências malignas que o pecado original ainda exerce nas nossas almas, inclusive depois que o batismo as regenerou. Nossa regeneração em Cristo, ainda que anulou completamente o pecado em nós, nos deixa sem embargo muito longe da retidão e da paz originais. O Concílio de Trento reconhece que a concupiscência, ou seja, o triplo apetite da carne, dos olhos e do orgulho, se deixa sentir em nós, inclusive depois do batismo, afim de excitar-nos às gloriosas lutas da vida cristã (Conc. Trid., Sess. 5, Decretum de pecc. orig.).

A Escritura logo chama esta tripla concupiscência de “homem velho“, oposto ao “homem novo” que é Jesus que vive em nós e nós mesmos que vivemos em Jesus, como “carne” ou natureza caída, oposta ao “espírito” ou natureza regenerada pela graça sobrenatural. Este velho homem ou esta carne, ou seja, o homem inteiro com sua dupla vida moral e física, deve ser, não digo aniquilado, porque é coisa impossível enquanto dure a vida presente, mas sim mortificado, ou seja, reduzido praticamente à impotência, à inércia e à esterilidade de um morto; há que impedir-lhe que dê seu fruto, que é o pecado, e anular sua ação em toda a nossa vida moral. Continuar lendo

PECADO TERMINAL

corcao“O que sou eu principalmente? O habitante do século XX não sabe responder a essa pergunta, e conseqüentemente não sabe se deve andar ou parar, se deve sentar-se para estudar, se deve deitar-se e deixar a vida correr, se deve virar de cabeça para baixo como os palhaços, se deve cair de quatro como os imbecis, se deve erguer a cabeça, ou se deve dobrar o joelho. O mundo em que vivemos é a projeção de todas estas perplexidade dos “eus” que já não sabem o que são.”

(A Crise de autoridade e o Democratismo, Permanência, junho de 1969 ) 

“Em nome de um otimismo confiante nos recursos humanos, na ida à Lua e nos transplantes de corações logo rejeitados, em nome de um novo humanismo que ousa dar o qualificativo de novo ao capricho inconstante dos homens, em nome do nada e da vaidade das vaidades, perseguição de vento, o caudal de erros se alargou neste estuário de disparates que inunda o mundo e produz na Igreja devastações incalculáveis. Que nome daremos ao mal deste século?  

“Este: DESESPERANÇA.  

“Ei-lo, o mal de nosso tormentoso e turbulento século que ousou horizontalizar as promessas de Deus transformadas em promessas humanas. Que ousou tentar a secularização do Reino de Deus que não é deste mundo. Ei-los os escavadores do nada a construir em baixo-relevo, en creux, a nova torre de Babel. Esperantes às avessas, eles querem fazer revoluções niilistas, querem voltar ao zero, querem destruir, querem contestar, rejeitar, querem niilizar. E se chamam “progressistas”.   Continuar lendo

ALMAS MORTAS EM VIDA

Quantas almas mortas em vida, que já não vivem a santidade do Santo Sacrifício, que já nem mais o conhecem. Acostumadas à criatividade do dia e do momento, à reunião da comunidade; os fiéis se alimentam do vazio destas reuniões

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Pe. Juan Manuel Rodríguez de la Rosa – Adelante la Fe | Tradução Sensus fidei: Queridos irmãos, muitas almas que vão à Santa Missa e recebem a comunhão com frequência, almas boas, com boas intenções, vivem sem ver a Deus, sem reconhecê-lo. Elas vão à Santa Missa, mas dela nada trazem espiritualmente; estão estancadas em sua vida interior.

É o vazio destas almas, é o vazio da própria Missa o que elas assistem, uma Missa desprovida de todo o sagrado, de todo o cerimonial, do tradicional, da própria realidade do Sacrifício. Com efeito, estas almas participam de uma reunião, de uma assembleia. A própria frieza da cerimônia e do oficiante contagia os fiéis, tornando tíbias as suas almas. Eles já não reconhecem Deus. Muitas almas querem que a reunião acabe logo, cansam-se quando há alguma demora mais do que o habitual; muitos só assistem se a coisa for bem rápida.

Se não há sacrifício a alma morre. Muitos recebem a Sagrada Comunhão espiritualmente mortos, sem ter participado no Sacrifício; para eles é suficiente terem chegado a tempo para a Comunhão; terem permanecido ausentes durante a Missa ou participado de uma reunião de assembleia, de uma simples ceia. Continuar lendo

A CRUZ DO CASAMENTO

Pense num mundo sem divórcio. Pense em famílias que não se separam. Pense na ausência de crianças machucadas ou corações dilacerados.

Traduzido do original por Rogério Schmitt.

O casamento é a vocação mais desafiadora que existe, e o divórcio está aumentando em toda parte. Mas há uma cidadezinha na Europa que é uma exceção – uma notável exceção – a esta estatística perturbadora.
Na cidade de Siroki-Brijeg, na Bósnia e Herzegovina, nenhum divórcio ou família separada jamais foi registrado entre os seus mais de 26 mil* habitantes! Qual seria o segredo do seu sucesso?

A resposta é a bela tradição matrimonial do povo croata de Siroki-Brijeg. Na verdade, a tradição croata de casamento está começando a chegar ao resto da Europa e aos Estados Unidos, especialmente entre católicos devotos que perceberam as bênçãos que ela confere!

O povo de Siroki-Brijeg sofreu cruelmente por séculos, pois a sua fé cristã sempre foi ameaçada, primeiro pelos turcos muçulmanos e depois pelos comunistas. Eles aprenderam, por experiência própria, que a fonte da salvação chega através da Cruz de Cristo! Ela não chega através da ajuda humanitária, dos tratados de paz ou dos planos de desarmamento – ainda que essas coisas possam trazer benefícios limitados.

Essas pessoas possuem uma sabedoria que não permite que elas sejam ludibriadas nas questões de vida e morte. É por isso que elas conectaram indissoluvelmente o casamento à Cruz de Cristo. Elas fundamentaram o casamento, que gera a vida humana, sobre a Cruz, que gera a vida divina.
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ESCRÚPULOS DE CONSCIÊNCIA: O QUE SÃO E COMO REMEDIÁ-LOS

Pe. Lucas Prados – Adelante la Fe | Tradução: Sensus fidei

Definição

Define-se consciência escrupulosa como aquela que diante de qualquer ato realizado não sabe determinar a moralidade do mesmo, mas que se encontra num mar contínuo de dúvidas das quais não sabe sair.

Distinção entre a consciência meticulosa, delicada e laxa

Devemos distinguir a consciência escrupulosa da consciência delicada. Consciência delicada é aquela que julga corretamente, mesmo em pequenas faltas. Toma cuidado, por amor a Deus e por rejeição ao pecado de praticar qualquer ato, mesmo leve, que possa ofendê-lo. Quando no momento de fazer um exame de consciência, não só examina de modo genérico, mas desce aos detalhes e, em seguida, é capaz de manifestá-los com serenidade na confissão.O oposto da consciência delicada seria uma consciência laxa. Consciência laxa é aquela que não vê nenhum pecado em muitas ações que lhe são próprias. Quando uma pessoa com consciência laxa se examina, mostra-se genérica: “Padre, há dois anos que não me confesso. Eu não tenho pecados, pois não mato nem roubo.”

Fatores que causam o desencadeamento dos escrúpulos de consciência

Ao longo da minha experiência sacerdotal no trato com pessoas escrupulosas tenho sido capaz de verificar a existência de três elementos que agem na maioria dos casos como fatores causais e / ou desencadeantes dos escrúpulos: a soberba espiritual, a falta de aceitação de si mesmo e em focar a vida espiritual não tanto em amar a Deus quanto em não cometer pecados. Esses três elementos são uma forma de terreno comum, e embora que de si mesmos não sejam exatamente a origem dos escrúpulos, se não forem corrigidos adequadamente, mais tarde poderão agravar-se.Soberba espiritual ou mais comumente também chamado de “perfeccionismo” é uma inclinação psicológica para tentar ser perfeito pelo desejo de ser perfeito e não por qualquer outro motivo humano ou espiritual. São pessoas que quando descobrem um defeito ou limitação de sua personalidade se entristecem em um primeiro estado. Começam a lutar para remover essas limitações e quando veem que é quase impossível, tentam negar que essas imperfeições são suas, surgem os escrúpulos para auto justificar-se e, assim, inicia-se um círculo vicioso. Esse círculo deve ser cortado fazendo-se com que essas pessoas vejam que “só Deus é perfeito.” Continuar lendo

COMO EDUCAR A CRIANÇA QUE FALTA À VERDADE? – PARTE 2

ment2Vaidade

A)Há crianças (e adultos…) que gostam de chamar a atenção sobre si, pôr-se em evidência, fazer-se o centro de gravitação do mundo. Não o podendo pela força dos fatos, recorrem à inventiva. Não se contentam com a mediocridade da vida: enfeitam-na. Não ouvem uma vantagem alheia, que não tenham outra maior a apresentar. Não é o caso da mentira de compensação, porque aqui já agem de modo consciente.

São gabolas, mas só contam vantagens onde pensam não poderem ser desmascaradas.

– O pequeno que se gabava de saber falar inglês.

– Outro que atira muito bem e feriu o ladrão a tiros; mas o pai lhe tomou o revólver…

– Outra prometia chegar qualquer dia à escola, de helicóptero, que o pai ia comprar.

B)Além das chamadas à realidade, a esses vaiodosos devemos advertir do resultado contraproducente das suas invencionices, que mais os desacreditam que engrandecem. Podem cair no ridículo.

– Estimulá-los a procurar reais situações de prestígios, por meios lícitos: o estudo assegura notas altas, a bondade grangeia amigos, a destreza nos esportes desperta admirações, etc. Continuar lendo

COMO EDUCAR A CRIANÇA QUE FALTA À VERDADE? – PARTE 1

ment1Mentir é falar contra o que se pensa, com intenção de enganar. Quem falta à verdade por não conhecê-la, erra; mas não mente. Quem mistura os fatos com cenas da imaginação, por falta de idade (ou por excesso…), não mente: altera a verdade.

O teor prático do nosso estudo não discutirá se as crianças são naturalmente verdadeiras ou mentirosas. Se umas vezes elas nos vexam com suas fraquezas, outras são incapazes de repetir o que vêem e ouvem sem misturá-lo a seus desvaneios.

Ao educador o que mais importa é distinguir dos naturais enganos infantis as verdadeiras mentiras, conhecer-lhes as causas, saber como haver-se em face de uns e das outras.

Mentiras infantis

Ante a inverdade duma criança, nosso primeiro cuidado é indagar-lhe a causa, para nos inteirarmos da verdadeira situação da criança, avaliar a sua condição psíquica ou moral, e proporcionar-lhe os meios de cura…. Vejamos por que mentem as crianças e como acudi-las.

Medo

A)Eis a mais abundante fonte da mentira infantil. O Dr. Gilbert Robin (“L’enfant sans défauts“) cita o resultado de um inquérito entre escolares na França: o medo figura com 72,9%, enquanto o interesse apenas com 7,6%, a ficção com 3,5%, e a maldade (como o altruísmo) com 2,6%. Afora outras causas. Continuar lendo

A PRUDENCIA NO JULGAMENTO

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

A dureza é má conselheira. Sempre tira conclusões exageradas de qualquer coisa que se diz. Sempre interpreta as palavras dos outros em seu sentido mais duro. Por exemplo, há pessoas que dizem: “O Papa disse tal coisa, portanto é um herege, e, portanto, não é mais Papa ...” Esse é um raciocínio simplista; basta tirar uma frase de seu contexto para concluir: “É um herege“.

Para ser um herege deve ser persistente no erro e não basta ter proferido uma frase herética. Por exemplo, sobre o tema da Santíssima Trindade – tema que é muito difícil – todos nós podemos nos equivocar, expressando de forma incorreta e dizer algo que não seja muito ortodoxo. Se alguém nos assinala, o corrigimos. Mas quão terrível seria se alguém nos acusasse em seguida de heresia e excomunhão

Alguns não hesitam em tirar conclusões incríveis: “Esse disse tal frase, por isso é um liberal, com certeza é um maçom; portanto é excomungado … “Com tais argumentos todo mundo seria maçom! Continuar lendo

EXEMPLOS PARA AS PESSOAS DE CATEGORIA

c-sacrilegaUma mulher, que entra na Igreja com um traje espaventoso, atrai todos os olhares, e queira DEUS não atraia também os corações, arrebatando ao SENHOR as devidas adorações. Não é preciso excitar estas pessoas a assistir todos os dias à Santa Missa; já são demais levadas a frequentar as igrejas. O importante será fazer-lhes compreender com que modéstia e respeito devem portar-se na casa de DEUS, especialmente quando se celebra a Santa Missa.

Tanto mais me edificam senhoras da nobreza e princesas que só aparecem ante aos altares vestidas simplesmente, sem luxo nem elegâncias refinadas, quanto me escandalizam certas pretensiosas que, com seus penteados ridículos e ares de atrizes, assumem poses de deusas no lugar santo.

A bem-aventurada Ivete teve, certo dia, uma visão, que deveria inspirar a essas pessoas o temor respeitoso devido à Santa Missa. Ao assistir à Santa Missa, viu essa nobre flamenga um espetáculo terrível. Perto dela estava uma dama distinta, cujo olhar se fixava aparentemente no Altar; mas não era para seguir o Santo Sacrifício, nem para adorar o Santíssimo Sacramento que ia receber, e sim, para satisfazer uma paixão impura. Em volta dela havia um grande número de demônios que dançavam e se expandiam em demonstrações de regozijo. Quando ela se levantou para se dirigir à Mesa sagrada, uns lhe seguraram a cauda do vestido, outro lhe ofereceu o braço, enquanto outros lhe faziam cortejo e serviam-lhe como a sua senhora. No momento em que o sacerdote descia do Altar com a Santa Hóstia nas mãos, a fim de dar a Comunhão àquela infeliz, pareceu a Ivete que o Salvador abandonava as santas espécies e volvia ao Céu, repugnando-Lhe entrar num coração assim rodeado de espíritos das trevas.
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NOVA CRUZADA DE ROSÁRIOS DA FSSPX

fellay_160629_econe_communiqueFonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Por ocasião das ordenações sacerdotais em Zaitzkofen (Alemanha), no dia 02 de julho de 2016, D. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, anunciou o lançamento de uma nova Cruzada de Rosários, a fim de uma boa preparação espiritual para a centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima (Maio à Outubro/1917).

Esta cruzada será realizada de 15 de agosto de 2016 a 22 de Agosto 2017 .

Ela corresponde às intenções indicadas pela própria Virgem Santíssima: 

(I) Jesus quer estabelecer no mundo a devoção ao Coração Imaculado de Maria. Para que seja feita, todos os fiéis são convidados a:

  • Recitar diariamente o rosário, sozinho ou em família; 
  • Realizar a devoção da Comunhão reparadora nos cinco primeiros sábados do mês, e multiplicar os sacrifícios diários, em espírito de reparação pelos ultrajes cometidos contra Maria; 
  • Levar consigo a medalha milagrosa e difundi-la;
  • Consagrar seus lares ao Imaculado coração de Maria .

Além da propagação desta devoção, rezemos também:

(II) para apressar o triunfo do Coração Imaculado; 

(III) Para que seja realizado pelo Papa e todos os bispos do mundo católico a consagração da Rússia ao Coração Imaculado e Doloroso de Maria.

E nós adicionamos (IV) como uma intenção especial, a proteção da Santíssima Virgem à Fraternidade São Pio X e todos os seus membros, bem como as comunidades religiosas da Tradição .

Dom Bernard Fellay fixa como objetivo um buquê de 12 milhões de rosários e 50 milhões de sacrifícios ofertados a Nossa Senhora de Fátima.

FOTOS EXTRAS DAS ORDENAÇÕES: UMA CELEBRAÇÃO FAMILIAR

No mês de junho a FSSPX ordenou mais 17 sacerdotes e 21 diáconos para suas fileiras. Para fechar os números do Hemisfério Norte, ainda faltam as do seminário de Zaitzkofen, na Alemanha, programadas para julho. 

Publicamos ontem uma reportagem das ordenações em Ecône (veja aqui)dias atrás das ordenações em Winona (EUA) (veja aqui).

Acerca dessas de Winona, publicamos abaixo uma matéria com fotos “extras” do site americano da FSSPX, não sobre as ordenações em si, mas do ambiente familiar em torno desse grandioso momento. 

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est 

A cada ano, milhares de pessoas viajam para Winona para celebrarem o sacerdócio, encontrarem com famílias e se reunirem com amigos católicos.

Para milhares de católicos tradicionais, desde 1988 o início do verão tem sido um tempo de peregrinação para a fronteira de Wisconsin / Minnesota. O fim de semana de ordenações é muito alegre, com o norte do Centro-Oeste americano finalmente invadido pelo calor e pelo sol, e novos sacerdotes sendo feitos pelas mãos do bispo, abençoado pela presença de inúmeros outros sacerdotes. 

Embora o foco principal é de natureza espiritual, o segundo motivo para o afluxo de fiéis não é menos evidente: É pela família.

Especialmente hoje, as grandes famílias católicas tradicionais raramente ficam juntos na mesma cidade, e muitas vezes estão espalhadas por todo país. As Ordenações propiciam uma oportunidade perfeita para as famílias se reunirem, especialmente para aquelas que tem jovens no próprio seminário. O terreno de Winona (e do futuro seminário na Virginia) fornece um amplo espaço para as famílias ficarem, de forma barata, em um “acampamento Católico”.

Além da família ligada por laços de sangue, contudo, a maior a família católica é a de fiéis. Especialmente para aqueles de capelas menores ou de missão, que raramente têm a oportunidade de visitar ou conversar com muitos outros católicos que pensam da mesma forma. As ordenações são de uma atração irresistível para se socializarem e se conectarem com outros que acreditam no que eles também acreditam, e vivem como eles vivem.

Algumas das nossas escolas de ensino médio usam as ordenações como uma excursão sênior para que os jovens se exponham à nova geografia, tanto no sentido literal, como em um conceito mais amplo de que existem milhares de outras pessoas que acreditam da mesma forma que eles acreditam. Especialmente para os nossos jovens paroquianos de comunidades menores, o catolicismo tradicional pode parecer uma batalha muito solitária, penosa. Uma das jovens visitantes desse ano em Winonadisse:

“Depois de apenas três dias aqui, sinto que eu fiz amigas para toda vida. Eu não sabia que poderia me relacionar com tantas outras meninas, mas elas são ótimas! Já estamos pensando em nos encontrar novamente ainda neste verão. E podemos até mesmo ir para a mesma faculdade no próximo ano!

As Ordenações são uma festa de família em muitos sentidos. E como o capítulo de Winona se fecha, a Virginia manterá a mesma e irresistível promessa – de reunir a família católica tradicional, para que, juntos, elas possam “Restaurar todas as coisas em Cristo.”

RELIGIOSIDADE EXTERIOR E INTERIOR

Sou religioso, sinceramente religioso; todavia, o que se passa entre Deus e mim, não o revelo aos outros. Isso não é da conta de ninguém! A vida religiosa é manifestação tão delicada da alma humana, que não se deve pô-la à mostra; cada um resolva o assunto consigo mesmo, em segredo, no seu íntimo. O principal é ser interiormente religioso; tudo o mais, exterioridades, formas, cerimônias, é de somenos importância…”

Assim falam muitos jovens, mesmo aqueles cuja religiosidade sincera e firme está acima de qualquer dúvida, mas que, todavia, não compreendem quão errôneo seja esse modo de pensar. E sabes porque tão dificilmente percebem o engano? Porque há muitas coisas verdadeiras em suas palavras.

“A religião é manifestação em extremo delicada de nossa alma”, dizem eles, e nisso têm toda a razão. “O essencial é a religiosidade interior!” Também está certo. Eu mesmo teria dificuldade em achar uma reprovação assaz forte para um homem que, por qualquer motivo, finge piedade exterior, imita práticas piedosas, enquanto sua alma está cheia de impureza, sem um pensamento religioso sério.

Tudo isso é indiscutivelmente exato. Sim, a religiosidade pode tornar-se mera exterioridade, cerimônia inanimada, se lhe faltar a vitalidade interior sincera. Religioso não é quem exalta com os lábios as glórias de Deus enquanto sua alma está bem longe. Religioso outrossim não é quem reza muito, vai à igreja, mas vive em pecado e tem o coração indiferente, duro para com o próximo. Tal religiosidade exterior é apenas uma caricatura, um escárnio da verdadeira idéia de religião, coisa muito própria a propagar um conceito errado de religião. Continuar lendo

DAS OBRAS FEITAS COM CARIDADE

Por nenhuma coisa do mundo, nem por amor de pessoa alguma, se deve praticar qualquer mal; mas, em prol de algum necessitado, pode-se, às vezes, omitir uma boa obra, ou trocá-la por outra melhor. Desta sorte, a boa obra não se perde, mas se converte em outra melhor. Sem a caridade, nada vale a obra exterior; tudo, porém, que da caridade procede, por insignificante e desprezível que seja, produz abundantes frutos, porque Deus não atende tanto à obra, como à intenção com que a fazemos.

Muito faz aquele que muito ama. Muito faz quem bem faz o que faz. Bem faz quem serve mais ao bem comum que à sua própria vontade. Muitas vezes parece caridade o que é mero amor-próprio, porque raras vezes nos deixa a inclinação natural, a própria vontade, a esperança da recompensa, o nosso interesse.

Aquele que tem verdadeira e perfeita caridade em nada se busca a si mesmo, mas deseja que tudo se faça para a glória de Deus. De ninguém tem inveja, porque não deseja proveito algum pessoal, nem busca sua felicidade em si, mas procura sobre todas as coisas ter alegria e felicidade em Deus. Não atribui bem algum à criatura, mas refere tudo a Deus, como à fonte de que tudo procede, e em que, como em fim último, acham todos os santos o deleitoso repousar. Oh! Quem tivera só uma centelha de verdadeira caridade logo compreenderia a vaidade de todas as coisas terrenas!

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

O MODO DE SE VESTIR MANIFESTA O QUE ESTÁ NA ALMA

Um ótimo trecho, traduzido por mim, do livro do Prof. Martín Echavarría, onde ele discorre sobre a importância dos movimentos externos e da ligação deles com a alma. Baseado em  Aristóteles e Santo Tomás de Aquino, é ótimo para saber mais sobre a modéstia.

O caráter expressivo da alma, que atribuímos ao corpo, pode ser visto não somente na ordem entitativa, mas também em nível operativo, que é o que aqui nos ocupa: as palavras, os gestos, os costumes, o modo de se vestir, etc., manifestam o que há na alma, em nível específico (mostrando-nos que se trata de um ser humano), e individual (sexo, caráter, temperamento, profissão, cultura, etc.). De fato, na prática, é através destes indícios que o psicólogo chega pouco a pouco a conhecer o interior da pessoa que está a sua frente: ‘Os movimentos exteriores são certos sinais de disposição interior’, afirma o Aquinate. (…) A tal ponto o ‘homem interior’ se manifesta no ‘homem exterior’ que o modo de mover-se e de vestir-se é objeto também de virtudes e vícios específicos – espécies da modéstia – pois a forma de vestir é parte do caráter de uma pessoa. O vestuário tem uma valência simbólica. De modo tal que não somente expressa a espécie humana, mas o modo individual de realizá-la. Efetivamente, a expressividade da alma se manifesta mais além do corpo ao qual está substancialmente unida, através de seus instrumentos externos. Aristóteles, na enumeração das categorias, distingue uma própria do homem somente: o ‘habitus’. As vestes e instrumentos são prolongamento da corporalidade humana e expressam também sua mente racional.”

(Echavarría, Martín F. La Práxis de la Psicologia e sus niveles epistemológicos según Santo Tomás de Aquino. UCALP: La Plata, Argentina. 2009. pgs. 581, 582)

A BELEZA DA VIRTUDE DA PUREZA

A)Bem-aventurados os corações puros!”

A gente se sente imediatamente empolgado por esta palavra. Só um Deus podia usar semelhante linguagem. Ouvindo estas palavras divinas, a alma delicada sente em si a necessidade de realizar essa bem-aventurança. Ver a Deus! sim, ver a Deus de algum modo, mesmo desde este mundo! e é essa a recompensa prometida aos que são puros!

“Bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus.” Como dizer a beleza dessa virtude celestial, semelhante ao lírio branco, embalsama os que a possuem e espalha em volta deles  um perfume indefinível.

Ela é bela! porque dá à fisionomia um não sei quê que cativa, que atrai, que subjuga, que faz nascer uma simpatia respeitosa.

É bela! O Próprio Deus sente-lhe o encanto. Ele chama a alma pura sua “Amiga“: “Sois toda bela, ó minha bem-amada, e em vós não há mancha!” Chama-a “sua esposa“: “Vem, minha Esposa, vem, serás coroada!” Continuar lendo

“VÓS SOIS, Ó JESUS…”

crucifixo“Vós sois, ó Jesus, o Cristo, meu Pai santo, meu Deus misericordioso, meu Rei infinitamente grande; sois meu bom pastor, meu único mestre, meu auxílio cheio de bondade, meu bem-amado de uma beleza maravilhosa, meu pão vivo, meu sacerdote eterno, meu guia para a pátria, minha verdadeira luz, minha santa doçura, meu reto caminho, sapiência minha preclara, minha pura simplicidade, minha paz e concórdia; sois, enfim, toda a minha salvaguarda, minha herança preciosa, minha eterna salvação…

Ó Jesus Cristo, amável Senhor, por que, em toda a minha vida, amei, por que desejei outra coisa senão vós? Onde estava eu quando não pensava em vós? Ah! que, pelo menos, a partir deste momento meu coração só deseje a vós e por vós se abrase, Senhor Jesus! Desejos de minha alma, correi, que já bastante tardastes; apressai-vos para o fim a que aspirais; procurai em verdade aquele que procurais. Ó Jesus, anátema seja quem não vos ama. Aquele que não vos ama seja repleto de amarguras. Ó doce Jesus, sede o amor, as delícias, a admiração de todo coração dignamente consagrado à vossa glória. Deus de meu coração e minha partilha, Jesus Cristo, que em vós meu coração desfaleça, e sede vós mesmo a minha vida. Acenda-se em minha alma a brasa ardente de vosso amor e se converta num incêndio todo divino, a arder para sempre no altar de meu coração; que inflame o íntimo do meu ser, e abrase o âmago de minha alma; para que no dia de minha morte eu apareça diante de vós inteiramente consumido em vosso amor…

Amém.

Meditationum lib. 1, cap XVIIIm n. 2 (inter opera S. Agostini)

MUITOS FILHOS – CONFIANÇA EM DEUS

“Nunca vi o justo abandonado, nem a sua descendência a mendigar o pão” (Sl. 36,35).

Falta aos cônjuges modernos, mesmos católicos a confiança em Deus. Temos o direito de exprobrar-lhes a falta de generosidade e de esperança. O tremendo egoísmo burguês dessorou os corações.

… O filho é hoje economicamente encarado, “um herdeiro”. Vê-se no filho a nascer mais um leito, mais um prato, mais uma mensalidade de colégio. Pior ainda, talvez: “mais um trabalho”. A própria mãe é quem teme e se queixa.

As queixas mais lamentáveis para lábios maternos: está envelhecendo; não pode mais freqüentar a sociedade; não tem mais tempo para nada; as senhoras antigas podiam ter muitos filhos, mas hoje não! É a linguagem do egoísmo gélido e desalmado. E isto é tanto pior quanto são os aquinhoamentos da fortuna que mais se queixam.

Outros experimentam reais dificuldades. Cresce-lhes a família e não se lhes aumentam os meios. A continuar assim, temem chegar à penúria.

A uns e outros lembramos que a generosidade divina não se deixa vencer. Retrai-se diante dos que retraem. Mas não terá limites com os que põem no Pai toda a sua confiança. Continuar lendo

O ZELO DE UMA MÃE

A-leitura-mae-e-filhaOs deveres que expusemos até aqui para a mãe, embora graves e importantes, são bem me­nos graves e importantes do que os de que nos resta a tratar. Até qui efetivamente só nos ocupamos dos cuidados que têm por objeto o corpo e a vida natural da criança, e daqui por diante vamos ocu­par-nos da cultura da sua inteligência e da vida sobrenatural da sua alma.

Divino Salvador, Palavra eterna do Padre, Luz incriada, falai ao ouvido do coração de todas as mães, e iluminai o seu espírito, para que todas compreendam e sintam de que tesouros são depo­sitárias, e quais os cuidados que devem ter, para vo-los conservar. Concedei-lhes essa graça, para que elas, deixando este mundo, possam dizer, com verdade, o que Vós dizíeis a Vosso Pai, na véspera do dia em que derramastes o Vosso sangue pela salvação dos homens: Meu Pai, cumpri a missão que me confiastes: guardei os que me destes, e nem um só de entre eles se perdeu.

Não há nada, debaixo do Céu, que seja comparável à beleza da alma humana. — «O mundo in­teiro, e todos os milhares de tesouros que ele en­cerra, não podem sequer aproximar-se do seu preço» diz S. João Crisóstomo. Suponde uma balança imensa. Colocai num dos seus pratos todas as riquezas da terra, e todas as criaturas privadas de razão, embora fossem transformadas em ouro, e noutro prato colocai uma única alma. Esta alma pesará mais que todas as riquezas amontoadas. É que, segundo o pensa­mento de Santo Tomás, a alma humana é a mais excelente criatura que há na terra; é o ornamento, a beleza do mundo, a obra prima saída das mãos de Deus, e a sua imagem viva [1], a irmã dos anjos, destinada a partilhar da sua glória. Para resgatar as almas, foi necessário o sangue de Jesus Cristo, o sangue de um Deus! Qual não é pois o seu preço?

Eis a razão por que todos os santos têm dedi­cado um generoso amor para com as almas. —«Por elas, exclamava S. Paulo, de boa vontade me entre­garei, me dedicarei todo inteiro.» — «Ó meu Padre, dizia a um religioso, Santa Catarina de Sena, se soubesseis quanto uma alma é bela e qual é a per­feição dessa obra prima, não duvido que, para a ganhardes para Deus, desseis de boa vontade cem vidas, se as tivesseis.» —Santa Madalena de Pazzi, exclamava com todo o ardor do seu zelo: «Oh! se me fosse possível voar às Índias, ou por entre os Turcos, para converter as almas, como todos os tra­balhos e todos os sofrimentos me pareceriam doces!» Continuar lendo

PARA QUE SERVEM AS ROUPAS?

a721d6dd2b4cd34bc1705c3cacca87a3Pelo Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

(o hábito não faz o monge, mas a casca protege o fruto)

A feminista brasileira Sara Winter, conhecida por sua militância pró-aborto, após ter dado à luz, publicou em 14/10/2015 na sua página do Facebook um texto com o título “Eu me arrependi de ter abortado e hoje peço perdão”. Eis um trecho do que ela escreveu:

Amanhã faz um mês que meu bebe nasceu e minha vida ganhou um novo sentido. Estou escrevendo isso enquanto ele dorme sereno no meu colo. É a melhor sensação do mundo.

Eu ensaiei este texto milhares de vezes durante meses na minha mente e talvez ele não saia tão brilhante como eu gostaria que saísse, mas o mais importante que gostaria de que chegasse a vocês é que, por favor, mulheres que estão desesperadas para abortar, pensem muito, eu me arrependi muito, não quero o mesmo destino pra vocês[1].

Além disso, Sara passou a criticar a ideologia de gênero, tão cara às suas colegas feministas. Em seu artigo “Meu filho é XY e sou muito feliz com isso”, de 17/10/2015, ela diz:

Algumas pessoas têm comentado aqui na page sobre o que eu acho da Teoria de gênero. Continuar lendo