COMO EDUCAR A CRIANÇA QUE FALTA À VERDADE? – PARTE 2

ment2Vaidade

A)Há crianças (e adultos…) que gostam de chamar a atenção sobre si, pôr-se em evidência, fazer-se o centro de gravitação do mundo. Não o podendo pela força dos fatos, recorrem à inventiva. Não se contentam com a mediocridade da vida: enfeitam-na. Não ouvem uma vantagem alheia, que não tenham outra maior a apresentar. Não é o caso da mentira de compensação, porque aqui já agem de modo consciente.

São gabolas, mas só contam vantagens onde pensam não poderem ser desmascaradas.

– O pequeno que se gabava de saber falar inglês.

– Outro que atira muito bem e feriu o ladrão a tiros; mas o pai lhe tomou o revólver…

– Outra prometia chegar qualquer dia à escola, de helicóptero, que o pai ia comprar.

B)Além das chamadas à realidade, a esses vaiodosos devemos advertir do resultado contraproducente das suas invencionices, que mais os desacreditam que engrandecem. Podem cair no ridículo.

– Estimulá-los a procurar reais situações de prestígios, por meios lícitos: o estudo assegura notas altas, a bondade grangeia amigos, a destreza nos esportes desperta admirações, etc. Continuar lendo →

COMO EDUCAR A CRIANÇA QUE FALTA À VERDADE? – PARTE 1

ment1Mentir é falar contra o que se pensa, com intenção de enganar. Quem falta à verdade por não conhecê-la, erra; mas não mente. Quem mistura os fatos com cenas da imaginação, por falta de idade (ou por excesso…), não mente: altera a verdade.

O teor prático do nosso estudo não discutirá se as crianças são naturalmente verdadeiras ou mentirosas. Se umas vezes elas nos vexam com suas fraquezas, outras são incapazes de repetir o que vêem e ouvem sem misturá-lo a seus desvaneios.

Ao educador o que mais importa é distinguir dos naturais enganos infantis as verdadeiras mentiras, conhecer-lhes as causas, saber como haver-se em face de uns e das outras.

Mentiras infantis

Ante a inverdade duma criança, nosso primeiro cuidado é indagar-lhe a causa, para nos inteirarmos da verdadeira situação da criança, avaliar a sua condição psíquica ou moral, e proporcionar-lhe os meios de cura…. Vejamos por que mentem as crianças e como acudi-las.

Medo

A)Eis a mais abundante fonte da mentira infantil. O Dr. Gilbert Robin (“L’enfant sans défauts“) cita o resultado de um inquérito entre escolares na França: o medo figura com 72,9%, enquanto o interesse apenas com 7,6%, a ficção com 3,5%, e a maldade (como o altruísmo) com 2,6%. Afora outras causas. Continuar lendo →

A PRUDENCIA NO JULGAMENTO

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

A dureza é má conselheira. Sempre tira conclusões exageradas de qualquer coisa que se diz. Sempre interpreta as palavras dos outros em seu sentido mais duro. Por exemplo, há pessoas que dizem: “O Papa disse tal coisa, portanto é um herege, e, portanto, não é mais Papa ...” Esse é um raciocínio simplista; basta tirar uma frase de seu contexto para concluir: “É um herege“.

Para ser um herege deve ser persistente no erro e não basta ter proferido uma frase herética. Por exemplo, sobre o tema da Santíssima Trindade – tema que é muito difícil – todos nós podemos nos equivocar, expressando de forma incorreta e dizer algo que não seja muito ortodoxo. Se alguém nos assinala, o corrigimos. Mas quão terrível seria se alguém nos acusasse em seguida de heresia e excomunhão

Alguns não hesitam em tirar conclusões incríveis: “Esse disse tal frase, por isso é um liberal, com certeza é um maçom; portanto é excomungado … “Com tais argumentos todo mundo seria maçom! Continuar lendo →

EXEMPLOS PARA AS PESSOAS DE CATEGORIA

c-sacrilegaUma mulher, que entra na Igreja com um traje espaventoso, atrai todos os olhares, e queira DEUS não atraia também os corações, arrebatando ao SENHOR as devidas adorações. Não é preciso excitar estas pessoas a assistir todos os dias à Santa Missa; já são demais levadas a frequentar as igrejas. O importante será fazer-lhes compreender com que modéstia e respeito devem portar-se na casa de DEUS, especialmente quando se celebra a Santa Missa.

Tanto mais me edificam senhoras da nobreza e princesas que só aparecem ante aos altares vestidas simplesmente, sem luxo nem elegâncias refinadas, quanto me escandalizam certas pretensiosas que, com seus penteados ridículos e ares de atrizes, assumem poses de deusas no lugar santo.

A bem-aventurada Ivete teve, certo dia, uma visão, que deveria inspirar a essas pessoas o temor respeitoso devido à Santa Missa. Ao assistir à Santa Missa, viu essa nobre flamenga um espetáculo terrível. Perto dela estava uma dama distinta, cujo olhar se fixava aparentemente no Altar; mas não era para seguir o Santo Sacrifício, nem para adorar o Santíssimo Sacramento que ia receber, e sim, para satisfazer uma paixão impura. Em volta dela havia um grande número de demônios que dançavam e se expandiam em demonstrações de regozijo. Quando ela se levantou para se dirigir à Mesa sagrada, uns lhe seguraram a cauda do vestido, outro lhe ofereceu o braço, enquanto outros lhe faziam cortejo e serviam-lhe como a sua senhora. No momento em que o sacerdote descia do Altar com a Santa Hóstia nas mãos, a fim de dar a Comunhão àquela infeliz, pareceu a Ivete que o Salvador abandonava as santas espécies e volvia ao Céu, repugnando-Lhe entrar num coração assim rodeado de espíritos das trevas.
Continuar lendo →

NOVA CRUZADA DE ROSÁRIOS DA FSSPX

fellay_160629_econe_communiqueFonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Por ocasião das ordenações sacerdotais em Zaitzkofen (Alemanha), no dia 02 de julho de 2016, D. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, anunciou o lançamento de uma nova Cruzada de Rosários, a fim de uma boa preparação espiritual para a centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima (Maio à Outubro/1917).

Esta cruzada será realizada de 15 de agosto de 2016 a 22 de Agosto 2017 .

Ela corresponde às intenções indicadas pela própria Virgem Santíssima: 

(I) Jesus quer estabelecer no mundo a devoção ao Coração Imaculado de Maria. Para que seja feita, todos os fiéis são convidados a:

  • Recitar diariamente o rosário, sozinho ou em família; 
  • Realizar a devoção da Comunhão reparadora nos cinco primeiros sábados do mês, e multiplicar os sacrifícios diários, em espírito de reparação pelos ultrajes cometidos contra Maria; 
  • Levar consigo a medalha milagrosa e difundi-la;
  • Consagrar seus lares ao Imaculado coração de Maria .

Além da propagação desta devoção, rezemos também:

(II) para apressar o triunfo do Coração Imaculado; 

(III) Para que seja realizado pelo Papa e todos os bispos do mundo católico a consagração da Rússia ao Coração Imaculado e Doloroso de Maria.

E nós adicionamos (IV) como uma intenção especial, a proteção da Santíssima Virgem à Fraternidade São Pio X e todos os seus membros, bem como as comunidades religiosas da Tradição .

Dom Bernard Fellay fixa como objetivo um buquê de 12 milhões de rosários e 50 milhões de sacrifícios ofertados a Nossa Senhora de Fátima.

FOTOS EXTRAS DAS ORDENAÇÕES: UMA CELEBRAÇÃO FAMILIAR

No mês de junho a FSSPX ordenou mais 17 sacerdotes e 21 diáconos para suas fileiras. Para fechar os números do Hemisfério Norte, ainda faltam as do seminário de Zaitzkofen, na Alemanha, programadas para julho. 

Publicamos ontem uma reportagem das ordenações em Ecône (veja aqui) e dias atrás das ordenações em Winona (EUA) (veja aqui).

Acerca dessas de Winona, publicamos abaixo uma matéria com fotos “extras” do site americano da FSSPX, não sobre as ordenações em si, mas do ambiente familiar em torno desse grandioso momento. 

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est 

A cada ano, milhares de pessoas viajam para Winona para celebrarem o sacerdócio, encontrarem com famílias e se reunirem com amigos católicos.

Para milhares de católicos tradicionais, desde 1988 o início do verão tem sido um tempo de peregrinação para a fronteira de Wisconsin / Minnesota. O fim de semana de ordenações é muito alegre, com o norte do Centro-Oeste americano finalmente invadido pelo calor e pelo sol, e novos sacerdotes sendo feitos pelas mãos do bispo, abençoado pela presença de inúmeros outros sacerdotes. 

Embora o foco principal é de natureza espiritual, o segundo motivo para o afluxo de fiéis não é menos evidente: É pela família.

Especialmente hoje, as grandes famílias católicas tradicionais raramente ficam juntos na mesma cidade, e muitas vezes estão espalhadas por todo país. As Ordenações propiciam uma oportunidade perfeita para as famílias se reunirem, especialmente para aquelas que tem jovens no próprio seminário. O terreno de Winona (e do futuro seminário na Virginia) fornece um amplo espaço para as famílias ficarem, de forma barata, em um “acampamento Católico”.

Além da família ligada por laços de sangue, contudo, a maior a família católica é a de fiéis. Especialmente para aqueles de capelas menores ou de missão, que raramente têm a oportunidade de visitar ou conversar com muitos outros católicos que pensam da mesma forma. As ordenações são de uma atração irresistível para se socializarem e se conectarem com outros que acreditam no que eles também acreditam, e vivem como eles vivem.

Algumas das nossas escolas de ensino médio usam as ordenações como uma excursão sênior para que os jovens se exponham à nova geografia, tanto no sentido literal, como em um conceito mais amplo de que existem milhares de outras pessoas que acreditam da mesma forma que eles acreditam. Especialmente para os nossos jovens paroquianos de comunidades menores, o catolicismo tradicional pode parecer uma batalha muito solitária, penosa. Uma das jovens visitantes desse ano em Winonadisse:

“Depois de apenas três dias aqui, sinto que eu fiz amigas para toda vida. Eu não sabia que poderia me relacionar com tantas outras meninas, mas elas são ótimas! Já estamos pensando em nos encontrar novamente ainda neste verão. E podemos até mesmo ir para a mesma faculdade no próximo ano! “

As Ordenações são uma festa de família em muitos sentidos. E como o capítulo de Winona se fecha, a Virginia manterá a mesma e irresistível promessa – de reunir a família católica tradicional, para que, juntos, elas possam “Restaurar todas as coisas em Cristo.”

RELIGIOSIDADE EXTERIOR E INTERIOR

“Sou religioso, sinceramente religioso; todavia, o que se passa entre Deus e mim, não o revelo aos outros. Isso não é da conta de ninguém! A vida religiosa é manifestação tão delicada da alma humana, que não se deve pô-la à mostra; cada um resolva o assunto consigo mesmo, em segredo, no seu íntimo. O principal é ser interiormente religioso; tudo o mais, exterioridades, formas, cerimônias, é de somenos importância…”

Assim falam muitos jovens, mesmo aqueles cuja religiosidade sincera e firme está acima de qualquer dúvida, mas que, todavia, não compreendem quão errôneo seja esse modo de pensar. E sabes porque tão dificilmente percebem o engano? Porque há muitas coisas verdadeiras em suas palavras.

“A religião é manifestação em extremo delicada de nossa alma”, dizem eles, e nisso têm toda a razão. “O essencial é a religiosidade interior!” Também está certo. Eu mesmo teria dificuldade em achar uma reprovação assaz forte para um homem que, por qualquer motivo, finge piedade exterior, imita práticas piedosas, enquanto sua alma está cheia de impureza, sem um pensamento religioso sério.

Tudo isso é indiscutivelmente exato. Sim, a religiosidade pode tornar-se mera exterioridade, cerimônia inanimada, se lhe faltar a vitalidade interior sincera. Religioso não é quem exalta com os lábios as glórias de Deus enquanto sua alma está bem longe. Religioso outrossim não é quem reza muito, vai à igreja, mas vive em pecado e tem o coração indiferente, duro para com o próximo. Tal religiosidade exterior é apenas uma caricatura, um escárnio da verdadeira idéia de religião, coisa muito própria a propagar um conceito errado de religião. Continuar lendo →

DAS OBRAS FEITAS COM CARIDADE

Por nenhuma coisa do mundo, nem por amor de pessoa alguma, se deve praticar qualquer mal; mas, em prol de algum necessitado, pode-se, às vezes, omitir uma boa obra, ou trocá-la por outra melhor. Desta sorte, a boa obra não se perde, mas se converte em outra melhor. Sem a caridade, nada vale a obra exterior; tudo, porém, que da caridade procede, por insignificante e desprezível que seja, produz abundantes frutos, porque Deus não atende tanto à obra, como à intenção com que a fazemos.

Muito faz aquele que muito ama. Muito faz quem bem faz o que faz. Bem faz quem serve mais ao bem comum que à sua própria vontade. Muitas vezes parece caridade o que é mero amor-próprio, porque raras vezes nos deixa a inclinação natural, a própria vontade, a esperança da recompensa, o nosso interesse.

Aquele que tem verdadeira e perfeita caridade em nada se busca a si mesmo, mas deseja que tudo se faça para a glória de Deus. De ninguém tem inveja, porque não deseja proveito algum pessoal, nem busca sua felicidade em si, mas procura sobre todas as coisas ter alegria e felicidade em Deus. Não atribui bem algum à criatura, mas refere tudo a Deus, como à fonte de que tudo procede, e em que, como em fim último, acham todos os santos o deleitoso repousar. Oh! Quem tivera só uma centelha de verdadeira caridade logo compreenderia a vaidade de todas as coisas terrenas!

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

O MODO DE SE VESTIR MANIFESTA O QUE ESTÁ NA ALMA

Um ótimo trecho, traduzido por mim, do livro do Prof. Martín Echavarría, onde ele discorre sobre a importância dos movimentos externos e da ligação deles com a alma. Baseado em  Aristóteles e Santo Tomás de Aquino, é ótimo para saber mais sobre a modéstia.

“O caráter expressivo da alma, que atribuímos ao corpo, pode ser visto não somente na ordem entitativa, mas também em nível operativo, que é o que aqui nos ocupa: as palavras, os gestos, os costumes, o modo de se vestir, etc., manifestam o que há na alma, em nível específico (mostrando-nos que se trata de um ser humano), e individual (sexo, caráter, temperamento, profissão, cultura, etc.). De fato, na prática, é através destes indícios que o psicólogo chega pouco a pouco a conhecer o interior da pessoa que está a sua frente: ‘Os movimentos exteriores são certos sinais de disposição interior’, afirma o Aquinate. (…) A tal ponto o ‘homem interior’ se manifesta no ‘homem exterior’ que o modo de mover-se e de vestir-se é objeto também de virtudes e vícios específicos – espécies da modéstia – pois a forma de vestir é parte do caráter de uma pessoa. O vestuário tem uma valência simbólica. De modo tal que não somente expressa a espécie humana, mas o modo individual de realizá-la. Efetivamente, a expressividade da alma se manifesta mais além do corpo ao qual está substancialmente unida, através de seus instrumentos externos. Aristóteles, na enumeração das categorias, distingue uma própria do homem somente: o ‘habitus’. As vestes e instrumentos são prolongamento da corporalidade humana e expressam também sua mente racional.”

(Echavarría, Martín F. La Práxis de la Psicologia e sus niveles epistemológicos según Santo Tomás de Aquino. UCALP: La Plata, Argentina. 2009. pgs. 581, 582)

A BELEZA DA VIRTUDE DA PUREZA

A)“Bem-aventurados os corações puros!”

A gente se sente imediatamente empolgado por esta palavra. Só um Deus podia usar semelhante linguagem. Ouvindo estas palavras divinas, a alma delicada sente em si a necessidade de realizar essa bem-aventurança. Ver a Deus! sim, ver a Deus de algum modo, mesmo desde este mundo! e é essa a recompensa prometida aos que são puros!

“Bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus.” Como dizer a beleza dessa virtude celestial, semelhante ao lírio branco, embalsama os que a possuem e espalha em volta deles  um perfume indefinível.

Ela é bela! porque dá à fisionomia um não sei quê que cativa, que atrai, que subjuga, que faz nascer uma simpatia respeitosa.

É bela! O Próprio Deus sente-lhe o encanto. Ele chama a alma pura sua “Amiga“: “Sois toda bela, ó minha bem-amada, e em vós não há mancha!” Chama-a “sua esposa“: “Vem, minha Esposa, vem, serás coroada!” Continuar lendo →

“VÓS SOIS, Ó JESUS…”

crucifixo“Vós sois, ó Jesus, o Cristo, meu Pai santo, meu Deus misericordioso, meu Rei infinitamente grande; sois meu bom pastor, meu único mestre, meu auxílio cheio de bondade, meu bem-amado de uma beleza maravilhosa, meu pão vivo, meu sacerdote eterno, meu guia para a pátria, minha verdadeira luz, minha santa doçura, meu reto caminho, sapiência minha preclara, minha pura simplicidade, minha paz e concórdia; sois, enfim, toda a minha salvaguarda, minha herança preciosa, minha eterna salvação…

Ó Jesus Cristo, amável Senhor, por que, em toda a minha vida, amei, por que desejei outra coisa senão vós? Onde estava eu quando não pensava em vós? Ah! que, pelo menos, a partir deste momento meu coração só deseje a vós e por vós se abrase, Senhor Jesus! Desejos de minha alma, correi, que já bastante tardastes; apressai-vos para o fim a que aspirais; procurai em verdade aquele que procurais. Ó Jesus, anátema seja quem não vos ama. Aquele que não vos ama seja repleto de amarguras. Ó doce Jesus, sede o amor, as delícias, a admiração de todo coração dignamente consagrado à vossa glória. Deus de meu coração e minha partilha, Jesus Cristo, que em vós meu coração desfaleça, e sede vós mesmo a minha vida. Acenda-se em minha alma a brasa ardente de vosso amor e se converta num incêndio todo divino, a arder para sempre no altar de meu coração; que inflame o íntimo do meu ser, e abrase o âmago de minha alma; para que no dia de minha morte eu apareça diante de vós inteiramente consumido em vosso amor…

Amém.

Meditationum lib. 1, cap XVIIIm n. 2 (inter opera S. Agostini)

MUITOS FILHOS – CONFIANÇA EM DEUS

“Nunca vi o justo abandonado, nem a sua descendência a mendigar o pão” (Sl. 36,35).

Falta aos cônjuges modernos, mesmos católicos a confiança em Deus. Temos o direito de exprobrar-lhes a falta de generosidade e de esperança. O tremendo egoísmo burguês dessorou os corações.

… O filho é hoje economicamente encarado, “um herdeiro”. Vê-se no filho a nascer mais um leito, mais um prato, mais uma mensalidade de colégio. Pior ainda, talvez: “mais um trabalho”. A própria mãe é quem teme e se queixa.

As queixas mais lamentáveis para lábios maternos: está envelhecendo; não pode mais freqüentar a sociedade; não tem mais tempo para nada; as senhoras antigas podiam ter muitos filhos, mas hoje não! É a linguagem do egoísmo gélido e desalmado. E isto é tanto pior quanto são os aquinhoamentos da fortuna que mais se queixam.

Outros experimentam reais dificuldades. Cresce-lhes a família e não se lhes aumentam os meios. A continuar assim, temem chegar à penúria.

A uns e outros lembramos que a generosidade divina não se deixa vencer. Retrai-se diante dos que retraem. Mas não terá limites com os que põem no Pai toda a sua confiança. Continuar lendo →

O ZELO DE UMA MÃE

A-leitura-mae-e-filhaOs deveres que expusemos até aqui para a mãe, embora graves e importantes, são bem me­nos graves e importantes do que os de que nos resta a tratar. Até qui efetivamente só nos ocupamos dos cuidados que têm por objeto o corpo e a vida natural da criança, e daqui por diante vamos ocu­par-nos da cultura da sua inteligência e da vida sobrenatural da sua alma.

Divino Salvador, Palavra eterna do Padre, Luz incriada, falai ao ouvido do coração de todas as mães, e iluminai o seu espírito, para que todas compreendam e sintam de que tesouros são depo­sitárias, e quais os cuidados que devem ter, para vo-los conservar. Concedei-lhes essa graça, para que elas, deixando este mundo, possam dizer, com verdade, o que Vós dizíeis a Vosso Pai, na véspera do dia em que derramastes o Vosso sangue pela salvação dos homens: Meu Pai, cumpri a missão que me confiastes: guardei os que me destes, e nem um só de entre eles se perdeu.

Não há nada, debaixo do Céu, que seja comparável à beleza da alma humana. — «O mundo in­teiro, e todos os milhares de tesouros que ele en­cerra, não podem sequer aproximar-se do seu preço» diz S. João Crisóstomo. Suponde uma balança imensa. Colocai num dos seus pratos todas as riquezas da terra, e todas as criaturas privadas de razão, embora fossem transformadas em ouro, e noutro prato colocai uma única alma. Esta alma pesará mais que todas as riquezas amontoadas. É que, segundo o pensa­mento de Santo Tomás, a alma humana é a mais excelente criatura que há na terra; é o ornamento, a beleza do mundo, a obra prima saída das mãos de Deus, e a sua imagem viva [1], a irmã dos anjos, destinada a partilhar da sua glória. Para resgatar as almas, foi necessário o sangue de Jesus Cristo, o sangue de um Deus! Qual não é pois o seu preço?

Eis a razão por que todos os santos têm dedi­cado um generoso amor para com as almas. —«Por elas, exclamava S. Paulo, de boa vontade me entre­garei, me dedicarei todo inteiro.» — «Ó meu Padre, dizia a um religioso, Santa Catarina de Sena, se soubesseis quanto uma alma é bela e qual é a per­feição dessa obra prima, não duvido que, para a ganhardes para Deus, desseis de boa vontade cem vidas, se as tivesseis.» —Santa Madalena de Pazzi, exclamava com todo o ardor do seu zelo: «Oh! se me fosse possível voar às Índias, ou por entre os Turcos, para converter as almas, como todos os tra­balhos e todos os sofrimentos me pareceriam doces!» Continuar lendo →

PARA QUE SERVEM AS ROUPAS?

a721d6dd2b4cd34bc1705c3cacca87a3Pelo Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

(o hábito não faz o monge, mas a casca protege o fruto)

A feminista brasileira Sara Winter, conhecida por sua militância pró-aborto, após ter dado à luz, publicou em 14/10/2015 na sua página do Facebook um texto com o título “Eu me arrependi de ter abortado e hoje peço perdão”. Eis um trecho do que ela escreveu:

Amanhã faz um mês que meu bebe nasceu e minha vida ganhou um novo sentido. Estou escrevendo isso enquanto ele dorme sereno no meu colo. É a melhor sensação do mundo.

Eu ensaiei este texto milhares de vezes durante meses na minha mente e talvez ele não saia tão brilhante como eu gostaria que saísse, mas o mais importante que gostaria de que chegasse a vocês é que, por favor, mulheres que estão desesperadas para abortar, pensem muito, eu me arrependi muito, não quero o mesmo destino pra vocês[1].

Além disso, Sara passou a criticar a ideologia de gênero, tão cara às suas colegas feministas. Em seu artigo “Meu filho é XY e sou muito feliz com isso”, de 17/10/2015, ela diz:

Algumas pessoas têm comentado aqui na page sobre o que eu acho da Teoria de gênero. Continuar lendo →

A IDÉIA PATRÍSTICA DE ANTICRISTO

Fim_dos_TemposFonte: Discussions and Arguments”, The Patristical Idea of Antichrist, part I – Cardeal John Henry Newman – Tradução: Dominus Est

Sermão 1. O tempo do Anticristo

Os cristãos tessalonicenses achavam que a vinda de Cristo estava próxima. São Paulo então os avisou por escrito para não alimentarem esse tipo de expectativa. Não que o Apóstolo desaprovasse o anseio deles pela vinda do Senhor, ao contrário; mas ele avisa que um determinado evento deverá ocorrer antes dessa vinda, e que enquanto não houver esse evento não haverá a vinda. “Ninguém de modo algum vos engane”, diz o Apóstolo, “porque isto não se dará sem que antes venha a apostasia (quase geral dos fiéis), e sem que tenha aparecido o homem do pecado, o filho da perdição” [2Ts 2:4].

Enquanto durar o mundo, essa passagem estará repleta de reverente interesse dos cristãos. É dever de todo cristão estar sempre atento para a vinda do Senhor; de buscar os sinais da vinda em tudo que acontece em sua volta; e, acima de tudo, ter em mente esse terrível sinal ao qual fala São Paulo aos tessalonicenses. Assim como a primeira vinda do Senhor teve seu predecessor, a segunda também terá o seu. O primeiro foi aquele que é “ainda mais do que profeta” [Mt 11:9], João Batista, enquanto que o segundo será mais que um inimigo de Cristo: será a própria imagem de Satanás, isto é, o assustador e odiável Anticristo. É dele, conforme nos é apresentado na profecia, que me proponho a falar. Ao fazer isso seguirei exclusivamente a orientação dos antigos Padres da Igreja.

Sigo os Padres da Igreja, mas não por pensar que em tal assunto eles possuem o valor que possuem nos campos das doutrinas e dos ritos. Quando eles falam de doutrinas, eles falam delas como algo que é universalmente mantido. Eles são testemunhas do fato de que receberam essas doutrinas não de um lugar ou de outro, mas de todos. Recebemos então essas doutrinas que eles nos ensinam, mas não apenas porque eles nos ensinaram, e sim porque os cristãos de todos os lugares a mantiveram dessa maneira. Tomamos os Padres da Igreja pela honestidade dos seus testemunhos, e não por suas autoridades, embora eles também sejam autoridades. Se eles afirmassem essa mesma doutrina, mas dissessem: “Essas são as nossas opiniões: nós a deduzimos da Sagrada Escritura, e elas são verdadeiras”, poderíamos então duvidar delas assim que a recebêssemos. Com justiça poderíamos dizer que temos tanto direito quanto eles de deduzir algo da Sagrada Escritura, pois essas deduções seriam meras opiniões, e que se nossas deduções coincidissem com as deles, essa seria uma feliz coincidência, e que se não coincidissem, paciência, pois cada um deveria seguir a própria luz. Não há dúvidas que homem nenhum jamais deve impor suas próprias deduções ao outro no que diz respeito à fé. Há, entretanto, uma óbvia obrigação do ignorante de se submeter àquele que é mais bem informado; também é conveniente que os jovens implicitamente submetam-se por um tempo aos ensinamentos dos mais velhos; mas, além disso, a opinião de um homem não é melhor do que a do outro. Todavia, esse não é o caso quando estamos falando dos primeiros Padres da Igreja. Eles não estão dando suas opiniões privadas; eles não dizem “Isso é verdade, porque vemos dessa forma na Sagrada Escritura” (e aí pode haver diferença entre os juízos), mas sim “Isso é verdade pois, com efeito, é algo que sempre foi mantido por todas as Igrejas até os nossos dias, sem interrupção, desde a época dos Apóstolos”, de modo que a coisa é apenas uma questão de testemunho, ou seja, se eles tinham os meios de saber como aquilo continuava a ser mantido — e ainda continuava sendo. Porquanto, essa era a crença mantida por igrejas que ao mesmo tempo estavam distantes e independentes uma das outras, mas que por terem sido todas elas fundadas pelos Apóstolos, não havia dúvida que esses testemunhos são verdadeiros e apostólicos. Continuar lendo →

QUANTO MAIS A ALMA SE ESQUECE DE SI, MAIS DEUS PENSA POR ELA

joelhosÀ medida que a alma avança na perfeição, a sua vida espiritual simplifica-se e acaba por resumir-se nestas palavras dirigidas a Santa Catarina de Sena: “Pensa em mim, que Eu pensarei em ti”. Isto quer dizer: Eu pensarei na tua honra, na tua saúde, nos teus bens temporais; pensarei na tua salvação e santidade. Jesus tudo sabe e nada esquece.

Quando Ele pede à alma um tão grande sacrifício como é o abandono total de si mesma, encarrega-se de por remédio aos inconvenientes que daí possam resultar humanamente.

A alma deve limitar-se a obedecer e abster-se de perscrutar o futuro.

A pobre viúva de Sarepta estava numa grande miséria quando um dia encontrou o profeta Elias. Ia consumir as suas últimas provisões, e depois só lhe restaria morrer à míngua junto com o seu filho. No entanto, a pedido daquele estranho, cedeu-lhe o último pão. Humanamente, era uma loucura, mas era também sabedoria diante de Deus, pois compelia-o a fazer um milagre.

A alma verdadeiramente simples procede assim com Deus. Só pensa nos seus deveres de estado, sempre cumpridos de olhos postos nEle. Ignora o cálculo, os rodeios, o fingimento, e, em troca, Deus tudo prevê por ela. Às vezes, sem dúvida, a astúcia julga tê-la feito cair nos seus laços. Puro engano. Um acontecimento imprevisto, uma simples palavra, um gesto, desmascaram a intriga. Continuar lendo →

FIGURA FEMININA SIM, FORMAS EVIDENCIADAS NÃO

Uma das características mais interessantes – e belas! – da mulher é o mistério. É com pesar que eu vejo como esta característica parece ter se perdido e isso é muito fácil de perceber apenas observando o vestuário.

O vestido modesto, ou saia, guarda esse charme feminino que o mistério proporciona. Mas com o advento da calça no guarda-roupa da mulher isso se perdeu. A calça não guarda o mistério, ela revela as formas femininas. Isso somente não acontece quando é usada como as hindus usam: com vestidos ou túnicas longas cobrindo o quadril e as coxas. Bom, mas esta não é a nossa cultura e não é desta maneira que as ocidentais usam a calça. Pelo contrário. Aqui no Ocidente a calça foi feita para evidenciar a sensualidade da mulher e surgiu como uma maneira de se contrapor à cultura cristã, sendo usada pelas feministas como bandeira pela “liberação”  feminina. E com toda esta “liberdade” o mistério feminino praticamente desapareceu: a mulher ficou muito exposta, cada vez mais exposta, pois o que começou com calças folgadas como pantalonas, terminou com o uso de leggings e calças skinny, exibindo as formas em vez de preservá-las como pede a modéstia.

Para perceber como as formas femininas ficam evidenciadas com o uso da calça, principalmente a justa, basta uma olhada nesta imagem onde aparecem três silhuetas:

A primeira das mulheres poderia estar usando uma legging ou uma calça skinny ou bermudinha ou short justo, enfim, qualquer uma dessas peças que deixam em evidência as formas, revelando o corpo e exibindo o que deveria ser guardado. Continuar lendo →

FOTOS DE UM MARTÍRIO

“Dos mártires daqueles dias, nenhum chamou tanto a atenção do público no México e no resto do mundo como o Jesuíta Miguel Agustín Pro. Pro foi morto por um pelotão de fuzilamento em frente das câmeras dos jornais que o governo trouxera para gravar o que esperava ser o constrangedor espetáculo de um padre implorando por misericórdia. Foi uma das primeiras tentativas modernas de usar a mídia para a manipulação da opinião pública com propósitos anti-religiosos. Mas, ao invés de vacilar, Pro demonstrou grande dignidade, pedindo apenas a permissão de rezar antes de morrer. Após alguns minutos de prece, levantou-se, ergueu seus braços em forma de cruz – uma tradicional posição de oração mexicana – e, com voz firme, nem desafiante, nem desesperada, entoou de forma comovente palavras que desde então se tornaram famosas: ‘Viva Cristo Rey‘.
“Longe de ser um triunfo da propaganda para o governo, as fotografias da execução de Pro tornaram-se objeto de devoção católica no México e de constrangimento do governo por todo o mundo. Oficiais tentaram suprimir sua circulação, declarando a mera posse de tais fotos um ato de traição, mas não tiveram sucesso…”(The Catholic Martyrs of The Twentieth Century, Robert Royal, pp. 17-18).
 
As fotos que abaixo reproduzimos estão entre as que os oficiais não conseguiram destruir. Constituem, como se observa, eloqüente documento, já das crueldades do anticlericalismo liberal, já do alto valor dos católicos mexicanos, fiéis e clérigos, que não se furtaram a testemunhar a Fé católica com sangue, quando Nosso Senhor assim o quis.
 
As imagens que apresentamos a seguir são fortes, mas todos católicos as devemos guardar no coração: 

Continuar lendo →

COLABORE CONOSCO!!!

caridPrezados amigos, prezados leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Estamos, mais uma vez, pedindo vossa ajuda nessa campanha em prol da compra de um terreno e futura construção de mais uma Capela para a Tradição e para a Santa Igreja.

Vocês que acessam e gostam de nosso blog, vocês que acompanham as ações da FSSPX pelo mundo, vocês que lutam pelo Reinado Social de Nosso Senhor, vocês que sabem que a Tradição é a única solução para a restauração a Igreja…

…AJUDE-NOS! 

CLIQUE AQUI E SAIBA COMO!

Faça um gesto nobre da verdadeira caridade, por amor à Santa Igreja….

Ad Majorem Dei Gloriam

Aproveitamos para agradecer a todos que nos ajudam ou ajudaram em algum momento nessa campanha, mesmo de forma anônima. Contem com nossas orações.

Que Nossa Senhora os conduza ao caminho da santidade.

A MODÉSTIA, A IMAGEM E O EXEMPLO

Fonte: Maria Rosa Mulher

Eu estava pensando sobre a modéstia e a questão que ficou em minha cabeça foi: o que passamos para os outros através do que vestimos? E o que queremos passar? Que exemplo nós estamos dando através do vestuário e dos modos?

Temos que pensar nisso. A roupa, a apresentação pessoal, os modos, tudo isso diz algo sobre cada um de nós. Tudo isso importa, por mais que se queira viver de forma a pensar que isso não faz diferença. Não é repetindo para si mesma que algo é de um jeito que vai ser desse jeito mesmo. Afinal de contas, nós buscamos nos vestir de maneira modesta mesmo ou dizemos que nos vestimos modestamente, mas não mudamos os nossos guarda-roupas (apenas descemos uns centímetros da saia, do meio da coxa para um pouco acima do joelho, por exemplo)? Não adianta ficar repetindo “sou modesta, sou modesta, sou modesta”, como se fosse um mantra e achar que por causa disso se está realmente decente, modesta. As coisas não funcionam assim. Nós temos que buscar a verdade e buscar também ter humildade para reconhecer onde estamos erradas e onde devemos mudar.

Eu duvido muito mesmo que alguém realmente ache que esteja decente quando usa roupas que mostra parte dos seus seios ou evidencia suas formas numa calça justa. Como alguém pode acreditar que se vestindo assim está sendo modesta? A modéstia é pudor. Como pode haver modéstia quando se sabe que partes íntimas estão sendo vistas por outros? Ou alguém pensa que uma calça justa não mostra exatamente a forma das nádegas? Lembro de alguém que me disse que na faculdade um de seus colegas uma vez comentou (perdoem o linguajar) “conheço todas as bundinhas do Campus”… e ele comentou isso olhando para as universitárias em simples calças jeans. Não, não eram calças de funkeira, não. Eram calças comuns, usadas por mulheres comuns. Este não é um caso isolado, eu já vi e ouvi e vejo quase todo dia coisas assim. Cansei de ver os homens virando as cabeças para olhar as mulheres em calças justas. Creio que não há semana que eu não veja uma cena dessas. Uma mulher que se expõe assim, a este tipo de reação masculina, está mesmo buscando a modéstia? Claro que não. Continuar lendo →

VONTADE DE DEUS

Numa palavra, que mais deseja Deus, que não seja o nosso bem? Quem acharemos nós, que nos ame mais do que Deus? A Sua von­tade é não só que ninguém se perca, mas que todos se façam Santos e sejam salvos: Não querendo que alguém pereça mas que todos se arrependam. (S. Pedro 2. .9.) A vontade de Deus é a vossa santificação. (1. Thess. IV, 3.). Deus tem colocado a Sua própria glória no nosso bem porque sendo em Sua essência infinita bondade, como diz S. Leão, e a bondade sendo por natureza desejosa de comunicar-se, Deus tem o so­berano desejo de nos fazer participantes de Seus bens e felicidade. E se nos manda as tribulações nesta vida, manda-as todas para o nosso bem: Tudo coopera para bem nosso. (Rom. VIII. 28.) Os mesmos castigos, dizia a Santa Judith, não vem para nossa ruína, mas para nossa emenda e salvação. Acreditemos pois, que estes flagelos do Senhor acontecem para nossa emenda, e não para nossa destruição. (Judith. VIII. 27.)

Nosso Senhor para nos salvar de eternas penas, cerca-nos com a Sua bondade: Ó Senhor, Vós nos tens coroado como com um escudo da Vossa vontade. (Ps. V. 13.) Ele não só deseja, mas solicita o nosso bem: O Senhor é zeloso em meu benefício. (Ps. XXXIX. 18.) E qual será a coisa, diz S. Paulo, que Deus nos negará, Ele que nos deu o Seu próprio Filho? Ele que não poupou o Seu Unigênito, mas que entregou por nós à morte, não nos deu com Ele todas as coisas? (Rom. VIII. 32.) Com confiança, portanto, devemos resignar-nos aos divinos decretos e determinações, como sendo tudo para nosso bem: Em paz, na mesma paz dormirei e descansarei porque tu, ó Senhor, me tens seguramente inspi­rado esperança. (Ps. IV, 9. 10. ) Entregue-mo-nos pois em Suas mãos, porque Ele sem dúvida terá cuidado de nós: ponde todo o vosso cuidado n’Ele, porque Ele tem cui­dado de vós. (I. S. Pedro V. 7.). Continuar lendo →

DAI-ME JESUS ! E SEREI BOAZINHA…….

Santa GemmaEntre os meninos e meninas mais pequeninos, puros e bons, costuma Jesus Menino escolher seus pajens (cruzadinhas) para que o acompanhem aonde quer que vá.

Uma dessas crianças foi S. Gema Galgani, uma santa de nossos tempos, que durante toda a sua vida recordava com prazer as primeiras práticas que tivera com Jesus Sacramentado, sendo ainda muito pequena.

O rosto de minha mãe, depois de receber a comunhão, dizia, ficava radiante de alegria e meu coração batia mais depressa, quando ela me chegava a seu peito, dizendo:

– Gema, aproxima-te de meu peito para dar um beijo a Jesus. Desde aquela idade na cessava de pedir a suas professoras capelães que lhe dessem o seu Jesus.

Eles olhavam para ela e sorriam, pois, apesar de ter nove anos, era tão pequena que parecia ter apenas seis. Naquele tempo o Papa não havia dado ainda o decreto da comunhão dos pequeninos e exigiam-se para a mesma instruções e conhecimentos cabais.

– Tem paciência, diziam-lhe, até que tenhas a idade requerida.

Mas Gema pedia, sem se cansar:

“Dai-me Jesus, dai-me…….E vereis que serei boazinha, não pecarei mais e serei bem comportada. Dai-me Jesus, porque me parece que não poderei viver sem Ele”. Continuar lendo →

O AUXÍLIO DE DEUS TODO PODEROSO, QUE UNIU OS ESPOSOS

familiacat“De fato, não é coisa fácil ser boa esposa. Acolher sempre amável e sorridente o esposo que entra em casa fatigado e aborrecido. Não se abandonar aos próprios caprichos e fantasia, mas fazer unicamente o que é razoável. Cuidar sempre dos filhos, com amor, mesmo se o menor é muito aborrecido, o segundo é turbulento e o terceiro é muito peralta. Sempre e com paciência praticar, entre eles, a justiça, ainda que o primogênito seja insuportável, questione dez vezes por dia com seus irmãos e irmãs. E ainda cuidar da cozinha, da casa, da limpeza, praticar a economia, e fazer a lavagem e os consertos, saber como se recebem e se fazem visitas…Sim, não é fácil ser uma boa esposa.

Mas não me queiram mal por isto, se constato o mesmo para a outra parte: “De fato, é difícil ser um bom esposo.” Ter sempre em primeiro plano as necessidades materiais da família apesar das dificuldades da vida atual. Novos vestidos que serão necessários, ou a pintura do quarto, ou ainda lições às crianças, ora isto, ora aquilo. Apesar das preocupações e dos cuidados do pão cotidiano, deve achar tempo para ser pai de família e não somente um empregado de escritório. Saber, ao mesmo tempo, fazer companhia à esposa e brincar com os filhos, sentindo o peso da vida, saber em casa pôr de lado todo o amargor e todo o nervosismo. Não se preocupar se o jantar estar um pouco atrasado, não discutir se o prato favorito não sai bom, suportar pacientemente os brinquedos barulhentos dos filhos…Sim, não é fácil ser um bom marido.

Se, contudo, isto não é fácil nem para o esposo e nem para a esposa, qual a conclusão? Garantir o auxílio de uma terceira pessoa – o auxílio de Deus todo Poderoso, que uniu os esposos. “

Casamento e Família – Mons. Tihamer Toth

AS VESTES À LUZ DA BÍBLIA SAGRADA – PARTE 2

Este trecho é continuação da Parte 1

RESPONDENDO A ALGUMAS OBJEÇÕES:

1ª objeção: Vestes é uma questão secundária. O que importa é o coração.

RESPOSTA: Vimos já no primeiro folheto que Deus não pensou assim. Ele mesmo fez questão de cobrir Adão e Eva com túnicas depois que eles pecaram. Confira Gen. III, 21. Depois, na verdade, nós não dizemos que toda aquela que se veste de acordo com a virtude da modéstia tem forçosamente o coração bom e perfeito, e estará isenta de outras faltas. Em outras palavras, nós não queremos dizer que a modéstia seja tudo o que a pessoa deve ser, mas é uma das coisas necessárias para se agradar a Deus e até é uma das coisas pelas quais se pode conhecer a pessoa segundo declara a própria Bíblia no livro do Eclesiástico XIX, 27: “A Veste do corpo, o riso dos dentes e o andar do homem, dão a conhecer o que ele é“. Vimos no primeiro folheto que a modéstia é exigida por Deus na Sagrada Escritura e é com a convicção de coração no sentido de agradar mais a Deus e com empenho de fazer sempre o que está mais de acordo com a Sua vontade, que a pessoa deve se vestir com modéstia. O que importa é o coração reto que procura fazer o que Deus manda.

2ª objeção: Este negócio de vestes é relativo. Hoje, vestes que antes eram proibidas são permitidas e não impressionam mais.

modRESPOSTA: Diz a Bíblia Sagrada: “Os olhos não se fartam de ver“. Confira Eclesiastes, I, 8. É a concupiscência dos olhos de que faz menção o livro do profeta Ezequiel, XXIII, 14-16. Esta concupiscência dos olhos leva a pessoa a procurar ver sempre o pior. Assim, a veste desde que começa a ser menos decente, vai provocando desejos mais perversos. E a sensualidade embora encontrando o que deseja, nunca se satisfaz. Daí, de um lado, se compreende porque o mundo tende sempre a uma maior imodéstia nas modas. E, por outro lado, entende-se porque a Igreja sempre lutou por uma maior modéstia nos trajes. E antigamente exigia-se até mais do que o mínimo para impedir que as vestes fossem piorando sempre mais. E a medida que o progressismo foi dando liberdade, a coisa foi só piorando e vai piorar mais se todos os padres da Igreja não voltarem a combater a imodéstia como a Igreja sempre fez. Dizem que tudo é natural. Mas pelos frutos se conhece a árvore. O que nós estamos vendo é uma sociedade cada vez mais entregue aos pecados da carne. É o desprezo completo pelos mandamentos de Deus, que, no entanto, continuam e continuarão de pé. É o que diz o Salmo 110, 8: “Todos os seus mandamentos (Senhor) são imutáveis, confirmados em todos os séculos, fundamos na verdade e na equidade“. Continuar lendo →

AS VESTES À LUZ DA BÍBLIA SAGRADA – PARTE 1

modestia 2Porque muitos padres não usam mais falar contra a imodéstia das modas, muitas pessoas, sobretudo as mais novas, ficam pensando que as exigências da modéstia são invenções dos padres tradicionalistas. Por isso, quero tratar deste assunto baseado na Sagrada Escritura, que é a palavra de Deus.

1 – Deus Criou Adão e Eva no estado de inocência, sem a concupiscência, isto é, sem o desregramento das paixões. Dai, antes do pecado, Adão e Eva estavam nus e não se envergonhavam. Confira a Bíblia Sagrada: Gen. II, 25. E eles conversam familiarmente com Deus. Mas a partir do momento em que pecaram, perderam a inocência, começaram a ter maldade e então, tiveram vergonha em se verem nus, e coseram folhas de figueira e fizeram para si cinturas. É o que se lê na Sagrada Escritura em Gen. III, 7. Foi o que eles puderam conseguir naquele momento após o pecado. Mas embora assim cobertos na cintura, se julgaram ainda nus, tiveram vergonha e se esconderam de Deus. Confira a Bíblia Sagrada: Gen. III, 9 e 10. E notai que o próprio Deus não achou também suficiente esta veste sumária. Eis o que diz a Bíblia em Gen. III, 21: “Fez também o Senhor Deus a Adão e à sua mulher umas túnicas de peles e os vestiu“.

2 – Consideremos bem isto, porque é uma ação do próprio Deus. Quem ousará contestá-la?! Se veste fosse assim algo secundário, Deus teria deixado a critério de Adão e Eva. Considere-se primeiramente, que Deus os vestiu assim com modéstia, embora fossem esposos e os únicos que existiam até então sobre a terra. Neste particular entende-se a palavra de S. Paulo que recomenda a modéstia “porque Deus está perto”. Confira Filipenses IV, 5. A pessoa deve se vestir com modéstia não só na igreja mas em toda parte. É claro que na igreja exigir-se-ão modéstia e decoro ainda maiores. São Paulo diz: “Do mesmo modo orem também as mulheres em trajes honestos, vestindo-se com modéstia e sobriedade“. Confira I Timóteo, II, 9. Considere-se também que Deus vestiu nossos primeiros pais com túnicas. A túnica, por sua própria natureza, é uma veste que satisfaz as exigências da modéstia, porque oculta inteiramente o corpo não só enquanto o cobre, mas também enquanto não deixa transparecer a sua forma. Continuar lendo →

NÃO SE DEVE FAZER CASO DO QUE DIZEM OS MUNDANOS

olha“Assim que a tua devoção se for tornando conhecida no mundo, maledicências e adulações te causarão sérias dificuldades de praticá-la. Os libertinos tomarão a tua mudança por um artifício de hipocrisia e dirão que alguma desilusão sofrida no mundo te levou por pirraça a recorrer a Deus. Os teus amigos, por sua vez, se apressarão a te dar avisos que supõem ser caridosos e prudentes sobre a melancolia da devoção, sobre a perda do teu bom nome no mundo, sobre o estado de tua saúde, sobre o incômodo que causas aos outros, sobre a necessidade de viver no mundo conformando-se aos outros e, sobretudo, sobre os meios que temos para salvar-nos sem tantos mistérios.

Filotéia, tudo isso são loucas e vãs palavras do mundo e, na verdade, essas pessoas não têm um cuidado verdadeiro de teus negócios e de tua saúde: Se vós fôsseis do mundo, diz Nosso Senhor, amaria o mundo o que era seu; mas, como não sois do mundo, por isso ele vos aborrece.

Vêem-se homens e mulheres passarem noites inteiras no jogo; e haverá uma ocupação mais triste e insípida do que esta? Entretanto, seus amigos se calam; mas, se destinamos uma hora à meditação ou se nos levantamos mais cedo, para nos prepararmos para a santa comunhão, mandam logo chamar o médico, para que nos cure desta melancolia e tristeza. Podem-se passar trinta noites a dançar, que ninguém se queixa; mas por levantar-se na noite de Natal para a Missa do Galo, começa-se logo a tossir e a queixar de dor de cabeça no dia seguinte.

Quem não vê que o mundo é um juiz iníquo, favorável aos seus filhos, mas intransigente e severo para os filhos de Deus? Continuar lendo →