COMO ALCANÇAR ESTE SEGUNDO GRAU DE PUREZA DA ALMA

Resultado de imagem para praying churchPara isso é necessário formar uma ideia viva e a mais perfeita possível do mal imenso que traz o pecado, a fim de que o coração se compunja e desperte em si uma contrição veemente e profunda. Uma contrição, por mais tênue que seja, mas verdadeira, é bastante para alijar da alma o pecado, máxime se for unida a virtude dos sacramentos; mas, se é penetrante e veemente, então pode purificar o coração também de todas as más inclinações que provem do pecado. Considera os seguintes exemplos: Se odiamos alguém pouco profundamente, aborrecemo-nos simplesmente de sua presença e o evitamos; mas, se o nosso ódio é violento e de morte, não nos limitamos a esta repugnância interior e a esta fugida: o rancor que lhe guardamos estende-se também as pessoas de sua casa, a seus parentes e amigos, cuja convivência nos é insuportável.

O seu retrato mesmo nos fere os olhos e o coração, e tudo o que lhe diz respeito nos desagrada. Assim, o penitente que odeia de leve os seus pecados e tem uma contrição fraca, se bem que verdadeira, fácil e sinceramente se determina e propõe a não os cometer de novo; mas, se seu ódio é vivo e profunda a sua dor, não só detesta o pecado, mas abomina também os hábitos maus e tudo aquilo que o pode atrair e servir-lhe de ocasião ele pecar. É, pois, necessário, Filotéia, que dês a dor de teus pecados a maior intensidade e extensão de que fores capaz, para que abranjas até as mínimas circunstâncias do pecado. Foi assim que Madalena, desde o primeiro instante de sua conversão, perdeu todo o gosto aos prazeres, a ponto de não os conservar sequer no pensamento, e David protestava que odiava o pecado e os caminhos e veredas do pecado. É nisso que consiste a renovação da alma, que o mesmo profeta comparava ao remontar da águia.

Mas, para persuadires-te vivamente da ruindade do pecado e conceberes-lhe uma dor verdadeira, cumpre aplicares-te a fazer bem as meditações seguintes, cujo exercício destruirá, com a graça de Deus, em teu coração, todo o pecado até as raízes. Com este intento eu as escrevi para ti, segundo o método que me pareceu melhor. Faze-as uma por uma, conforme a ordem que seguem; toma apenas uma em cada dia e, se for possível, eu te aconselho que seja de manhã, porque este é o tempo mais próprio para estes exercícios de espírito; depois pensa durante o dia, contigo mesmo, sobre aquilo de que ainda te lembras e, se ainda não tens prática em meditar, lê, para te tornar mais fácil, a segunda parte deste livro.

Filotéia – São Francisco de Sales

COMO NESTA VIDA NÃO HÁ SEGURANÇA CONTRA A TENTAÇÃO

Resultado de imagem para tentaçãoJesus: Filho, nunca estarás seguro nesta vida, mas, enquanto viveres, terás necessidade de armas espirituais. Andas cercado de inimigos, que à direita e à esquerda te acometem. Logo, se não te armares por todos os lados com o escudo da paciência, não estarás por muito tempo sem ferida. Demais, se não firmares em mim teu coração, com sincera vontade de sofrer tudo por meu amor, não poderás suportar tão renhido combate, nem alcançar a palma dos bem-aventurados. Cumpre, pois, caminhar com ânimo varonil por entre todos os obstáculos, e rebater com a mão poderosa todos os empecilhos. Pois ao vencedor será dado o maná (Apc 2,17), e ao covarde aguarda muita miséria.

Se buscas descanso nesta vida, como chegarás ao descanso eterno? Não procures muito descanso, mas muita paciência. Busca a paz verdadeira do céu, não sobre a terra, não nos homens, nem nas demais criaturas, mas só em Deus. Deves, por amor de Deus, aceitar tudo de boa vontade, isto é, trabalhos e sofrimentos, tentações, vexames, ansiedades, doenças, injúrias, murmurações, repreensões, humilhações, afrontas, correções e desprezos. Tudo isto faz progredir na virtude, prova o novo soldado de Cristo e prepara a coroa celestial. Eu darei prêmio eterno por breve trabalho, e glória infinita por humilhação transitória.

Julgas que sempre há de ter consolações espirituais à medida de teus desejos? Nem sempre as tiveram os meus santos, passando ao contrário por muitas penas, várias tentações e grandes angústias. Mas eles suportaram tudo com paciência, mais confiados em Deus que em si, porque sabiam “que não têm proporção os sofrimentos desta vida com a futura glória” que os recompensa (Rom 8,18). Quereis obter logo o que tantos apenas conseguiram só depois de copiosas lágrimas e grandes trabalhos? Espera no Senhor, age varonilmente, e sê firme (Sl 26,14); não desanimes, não recues, mas expõe generosamente corpo e alma pela glória de Deus. Eu te recompensarei plenamente, e estarei contigo em toda tribulação (Sl 90,15) .

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

A ESPERANÇA

Resultado de imagem para rezando joleho"Sejamos alegres pela esperança, sofridos nas tribulações. Porque quem bem espera bem sofre, e quem levanta o espírito aos bens eternos sabe portar-se bem nas misérias temporais.

Sabeis que coisa é a Esperança? Uma engenhosa máquina com que o espírito se guinda desde o mundo para a eternidade; e assim não lhe carrega o peso dos males que cá embaixo leva, porque tanto furta à aflição do trabalho que padece, quanto se levanta à contemplação do descanso que espera.

Raiando o sol, absorve-se o orvalho da fria noite; e aparecendo a esperança, enxugam-se as lágrimas do ânimo desconsolado. Por isso Susana pôs no Céu os olhos, quando cheios de lágrimas, porque do Céu esperava o remédio da aflição presente e a remuneração dos seus castos procedimentos.

Da esmeralda (símbolo da Esperança) escrevem os naturais que tem virtude de desterrar os medos noturnos e recrear o espírito. E Plínio diz que restaura a vista ofuscada com outro objeto desagradável. Esmeralda dissera eu ser aquela pedra preciosa a que Salomão comparou a Esperança; porque recreia a vista da alma, avocando-a da consideração dos presentes males para a dos bens futuros.

Do peixe asquino diz Santo Ambrósio que, sobrevindo tempestade, se pega fortemente a alguma rocha ou penedo; com que a violência das turbulentas ondas o não pode dali arrancar e envolver entre seus escarcéus altivos e furiosas ressacas. Já que as tribulações são tempestades, e a esperança do eterno é rocha imóvel, abrace-se a alma com esta rocha e vencerá estas tempestades.

A César, ao embarcar-se, resvalando-lhe o pé, caiu em terra; e, para mover o mau agouro que os seus podiam daqui formar, acudiu com presteza, dizendo: Continuar lendo

EXCELENTE TEXTO PARA RELEITURA: AS SETE IGREJAS E AS SETE IDADES

seteO Apocalipse relata o estado das sete igrejas da Ásia, para as quais São João teve de escrever, com o fim de lhes comunicar advertências para sua salvação. Ora, as sete igrejas figuram as sete épocas ou sete idades da Igreja universal, desde a Ascensão do Senhor até o Segundo Advento. Todas se denominam por nomes místicos que designam profeticamente o traço característico de cada uma das épocas.

A primeira igreja é a de EFÉSIO (2, 1-7). Em grego, Efésio significa impulso, o princípio da expansão ou do direcionamento a uma finalidade. Esse nome convém à idade apostólica, pois que os apóstolos pregaram por todo o mundo, com crescente êxito, após receberem o sopro impetuoso do Espírito Santo; Deus os ajudava, confirmando suas palavras com sinais. Mas a advertência epistolar convém igualmente, nesta época de que falamos, aos falsos apóstolos mencionados amiúde por São Paulo, e à seita dos nicolaítas, fonte primeva do gnosticismo impuro, criada por um dos sete primeiros diáconos.Escrito ao anjo a Igreja de Éfeso: Conheço tuas obras e teu trabalho… tu provaste os que se declaravam apóstolos e não o eram, apanhaste-os em mentira… Contudo, tens em testemunho de teu fervor o ódio pela obras dos Nicolaítas, obras que eu também odeio etc.

A segunda igreja é a de ESMIRNA (2, 8-11). Este termo designa a mirra, e também a idade durante a qual, em razão da crueldade das perseguições e da grande amargura das tribulações, se cumpriu na Igreja o que predissera a boca profética: a mirra caiu gota a gota de minhas mãos, e meus dedos estão cheios da mais excelente mirra (Ct 5, 5). Por isso, afirma o anjo à igreja de Esmirna: Eis que o diabo vai lançar alguns dentre vós no cárcere, para vos pôr à prova, e vossa aflição durará dez dias, significando claramente as dez perseguições gerais.

A terceira igreja é a de PÉRGAMO (2, 12-17). Célebre por sua literatura profana, Pérgamo é a cidade que deu origem ao pergaminho, batizando-o com seu nome. Quando alguém se refere à “pele de Pérgamo”, mais conhecida sob o nome de pergaminho, logo vem ao espírito os livros publicados e os embates e controvérsias travados com a pluma. Corresponde a igreja de Pérgamo à terceira idade, à época de Constantino, em que cessaram as perseguições cruéis aos santos e doutores, e se propagaram também as grandes heresias que satã perpetrara – os arianos, os maniqueus, os pelagianos, os nestorianos etc.. Deus suscitou grandes homens para defender a verdade, homens dignos de eterna memória: Atanásio, Basílio, Gregório Nazianseno, Ambrósio, Jerônimo, Agostinho, os dois Cirilos, e muitos outros ainda, que ilustraram magnificamente a fé católica em seus escritos. Logo, é de justiça que Pérgamo represente a terceira idade. É de justiça que se enviasse a advertência ao anjo desta igreja que, apesar de louvada pela constância da fé, está de contínuo exposta a grandes perigos, visto que habita na sé do trono de satã, havendo de se defender do sítio das doutrinas heréticas: Escrito ao anjo da igreja de Pérgamo: eu sei que habitais na sé do trono de satã, e que preservastes meu nome e não renegastes a fé etc.. Continuar lendo