PODE A FSSPX SER PROIBIDA DE FAZER O QUE É PERMITIDO AO PARTIDO COMUNISTA CHINÊS?

A resposta agora cabe a Roma.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A questão surge na mente de muitos fiéis católicos em todo o mundo. Como entender que Roma possa considerar com severidade as consagrações episcopais na FSSPX que ocorrerão no próximo dia 1º de julho, ao mesmo tempo em que reconhece, tolera ou ratifica a posteriori as nomeações impostas pelo Partido Comunista Chinês?

Não se trata de um paralelo artificial. Os fatos são públicos, repetidos, documentados. Há anos, o poder comunista chinês — oficialmente ateu, doutrinariamente materialista, estruturalmente hostil à realeza social de Cristo — intervém diretamente na nomeação dos bispos. Não o faz para servir a Igreja, mas para controlá-la. Não o faz para proteger a fé, mas para a supervisionar, vigiar e orientar de acordo com os interesses de um Estado ideológico.

No entanto, diante dessas graves interferências na constituição divina da Igreja, Roma dialoga, negocia, concilia. Chega a reconhecer certas nomeações realizadas sem mandato pontifício, unilateralmente, em nome de um pragmatismo diplomático apresentado como necessário para o bem das almas, a fim de preservar o acordo assinado desde 2018 entre o governo de Pequim e a Santa Sé. Continuar lendo

ENTREVISTA COM O SUPERIOR GERAL DA FSSPX – “SUPREMA LEX, SALUS ANIMARUM”

Fonte: FSSPX

Nota: Após o anúncio, em 2 de fevereiro, das futuras sagrações episcopais para a FSSPX, Sua Eminência o Cardeal Fernandez, escreveu ao Superior Geral para propor um encontro em Roma. o Superior Geral aceitou a proposta. A conversa terá lugar na quinta feira, 12 de fevereiro. Convidamos os membros e fiéis da Fraternidade a oferecerem suas orações pelo bom desenvolvimento deste encontro.

“‘A lei suprema é a salvação das almas.’ É deste princípio superior que depende, em última instância, toda a legitimidade do nosso apostolado.”

1. FSSPX.News: Senhor Superior-Geral, o senhor acaba de anunciar publicamente a sua intenção de realizar as sagrações episcopais para a Fraternidade São Pio X no próximo dia 1° de julho. Por que fazer esse anúncio hoje, 2 de fevereiro?

Padre Davi Pagliarani: A festa da Purificação da Santíssima Virgem é muito significativa dentro da Fraternidade. É o dia em que os candidatos ao sacerdócio vestem a batina. A Apresentação de Nosso Senhor no Templo, que hoje celebramos, lembra aos candidatos que a chave da sua formação e da sua preparação para as ordens está no dom de si mesmo, que passa pelas mãos de Maria. Trata-se de uma festa mariana de extrema importância, pois, ao anunciar uma espada de dor a Nossa Senhora, Simeão manifesta claramente o papel que ela tem de corredentora ao lado de seu divino Filho. Vemo-la associar-se a Nosso Senhor desde o início da sua vida terrena até a consumação do seu sacrifício no Calvário. Assim também, Nossa Senhora acompanha o futuro sacerdote durante a sua formação e ao longo de toda a vida: é ela quem continua a formar Nosso Senhor em sua alma.

2. Esse anúncio vinha sendo objeto de vários rumores nos últimos meses, especialmente desde o falecimento de Dom Tissier de Mallerais, em outubro de 2024. Por que o senhor esperou até agora? Continuar lendo

VÍDEO AULA: A SOLUÇÃO PARA A CRISE NA IGREJA – D. MARCEL LEFEBVRE E A FSSPX

O padre Luiz Cláudio Camargo apresenta um resumo da vida de Dom Marcel Lefebvre: nascimento, batismo, 1ª Comunhão, Seminário em Roma, ordenação sacerdotal, 30 anos de missões na África, sagração episcopal, sua relação com Pio XII, Superior Geral dos Espiritanos, o Concílio Vaticano II, a fundação da Fraternidade S. Pio X, a crise da Igreja contra a Fraternidade; não houve cisma e a excomunhão não foi válida. Os fundamentos da formação sacerdotal na Fraternidade. A solução para a crise da Igreja.

Para acessar a aula, CLIQUE AQUI

BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – FEVEREIRO/26

A apresentação do Senhor (Lc 2,21-40) - Locus Mariologicus

Caros fiéis,

No boletim anterior, adotando uma perspectiva materialista, fizemos uma pergunta provocativa: “Quem é mais inútil do que uma criança?” Da mesma perspectiva, poderíamos responder: “Um idoso”. De fato, uma criança tem todo o futuro pela frente. Ela é muitas coisas em potência. Ela personifica a esperança. O idoso não tem futuro. Ele consome, não contribui e nunca mais produzirá nada. Aos olhos do mundo, ele é um fardo a ser eliminado. Assim, surge a eutanásia. Eufemisticamente chamada de Assistência Médica para Morrer, ela é, na realidade, mais do que isso: causa a morte, contradizendo diretamente o Quinto Mandamento.

A justificativa para essa intervenção humana é sutil: a dignidade humana. É verdade que a velhice traz declínios que podem ser humilhantes: perda de memória, perda da razão, da mobilidade e da autonomia em geral. Essas provações são difíceis para o indivíduo e para aqueles que o cercam. Mas será que causam uma perda de dignidade? Continuar lendo

VÍDEO/CURSO 8: O ESPÍRITO DE ASSIS E O MEGA ECUMENISMO DE JOÃO PAULO II

Em 1986, pela primeira, o Papa João Paulo II reuniu em Assis, na Itália, representantes de todas as religiões para rezarem juntos. A partir dali, o papa se refere a um “espírito” novo, ecumênico, que corresponde à obra inicial do ecumenismo no Concílio Vaticano II.

Acesse essa aula do Pe. Gustavo Camargo CLICANDO AQUI.

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Veja também alguns de nossos “Especiais” sobre assuntos relacionados ao vídeo:

ESPECIAIS DO BLOG: O ECUMENISMO

ESPECIAIS DO BLOG – PAPAS JOÃO PAULO II, PAULO VI E JOÃO XXIII

ESPECIAIS DO BLOG: A LIBERDADE RELIGIOSA DO VATICANO II

PROJETO DE LEI CANADENSE PODE CONDENAR A BÍBLIA POR DISCURSO DE ÓDIO

Unigenitus e a Proibição à Leitura da Bíblia — Cooperadores da Verdade

Bispos canadenses reagiram fortemente a uma emenda ao Projeto de Lei C-9, ou “lei contra o ódio”, que poderia criminalizar a divulgação de trechos das Sagradas Escrituras.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em carta endereçada ao primeiro-ministro liberal Mark Carney em 4 de dezembro, a Conferência Canadense de Bispos Católicos (CCBC) se pronunciou contra as propostas de emendas ao Projeto de Lei C-9, a “lei contra o ódio“, que permitiria punir canadenses por citarem as Escrituras. A carta foi assinada pelo presidente da CCBC, D. Pierre Goudreault, Bispo da Diocese de Sainte-Anne-de-la-Pocatière.

O bispo explica: “A proposta de eliminar a defesa de textos religiosos de ‘boa fé’ suscita sérias preocupações. Essa isenção, cujo âmbito de aplicação é restrito, serviu durante muitos anos como garantia essencial para assegurar que os canadenses não fossem processados criminalmente pela expressão sincera e em busca da verdade de suas crenças, feita sem animosidade e enraizada em tradições religiosas de longa data.”

D. Goudreault acrescenta que “a supressão desta disposição corre o risco de criar incerteza para as comunidades religiosas, o clero, os educadores e outros que possam temer que a expressão de ensinamentos morais ou doutrinários tradicionais seja interpretada erroneamente como discurso de ódio e exponha o orador a processos que podem resultar em pena de até dois anos de prisão. Continuar lendo

VÍDEO/CURSO 6: A MISSA DE PAULO VI – NOVA ETAPA NA CRISE – PARTE 2 – POR D. ANTONIO MARIA ARAÚJO

Na Parte 2 da 6ª aula do nosso curso, Dom Antônio Maria Araújo entra mais no detalhe da comparação entre a missa católica, a missa de sempre, e a missa nova de Paulo VI.

Para acessá-la, CLIQUE AQUI.

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E PARA ACESSAR NOSSOS ESTUDOS E TEXTOS VARIADOS SOBRE A MISSA NOVA CLIQUE AQUI.

VÍDEO/CURSO 6: A MISSA DE PAULO VI – NOVA ETAPA NA CRISE – PARTE 1 – POR D. ANTONIO MARIA ARAÚJO

A missa de Paulo VI, também chamada de “missa nova”, responde aos requisitos necessários para uma missa católica? Na 6ª aula do nosso curso, Dom Antônio Maria Araújo apresenta uma comparação entre a missa católica, a missa de sempre, e a missa nova de Paulo VI.

Para acessá-la, CLIQUE AQUI.

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EM 21 DE NOVEMBRO….HÁ 51 ANOS…

“Nós aderimos de todo o coração e com toda a nossa alma à Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade.

Pelo contrário, negamo-nos e sempre nos temos negado a seguir a Roma de tendência neomodernista e neoprotestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II, e depois do Concílio em todas as reformas que dele surgiram.

Todas estas reformas, com efeito, contribuíram, e continuam contribuindo, para a demolição da Igreja, a ruína do sacerdócio, a destruição do Sacrifício e dos Sacramentos, a desaparição da vida religiosa, e a implantação de um ensino naturalista e teilhardiano nas universidades, nos seminários e na catequese, um ensino surgido do liberalismo e do protestantismo, condenados múltiplas vezes pelo magistério solene da Igreja.

Nenhuma autoridade, nem sequer a mais alta na hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir a nossa fé católica, claramente expressa e professada pelo magistério da Igreja há dezenove séculos. Continuar lendo

VÍDEO/CURSO 5: UM NOVO ESPÍRITO NA VIDA PAROQUIAL – POR D. LOURENÇO FLEICHMAN

As estranhas mudanças no comportamento dos fiéis em suas paróquias. Na quinta aula do curso sobre a crise na Igreja, Dom Lourenço Fleichman mostra como o novo espírito, a partir do Concílio Vaticano II, foi imposto aos fiéis através de movimentos que abriram as portas para o progressismo: Movimento Litúrgico, Ação Católica, Cursilhos de Cristandade, Carismatismo, entre outros.

Para acessá-la, CLIQUE AQUI.

COMUNICADO DA CASA GERAL DA FSSPX SOBRE A “NOTA DOUTRINAL SOBRE ALGUNS TÍTULOS MARIANOS REFERIDOS À COOPERAÇÃO DE MARIA NA OBRA DA SALVAÇÃO”

No último dia 4 de novembro, o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou uma “Nota doutrinal sobre alguns títulos marianos referidos à cooperação de Maria na obra da Salvação”.

Fonte: FSSPX

Esse texto, aparentemente preocupado em não “obscurecer a única mediação salvífica de Cristo”, ensina que “o uso do título de ‘Corredentora’ para definir a cooperação de Maria é sempre inoportuno” e que “requer-se uma especial prudência na aplicação do título ‘Medianeira’ a Maria”.

Caricaturando — para melhor se distanciar dela — a terminologia tradicional da Igreja e, por outro lado, sendo prolixo em belas considerações sobre o papel materno da Virgem, essa “Nota” pretende minimizar a missão confiada por Deus à sua Associada na obra da Redenção e da salvação das almas: de um lado, afirma-se que a Santíssima Virgem Maria não interveio na aquisição da graça; de outro, atenua-se quase até a negação o seu papel universal e necessário na distribuição das graças. Já não se lhe reconhece senão um vago papel de intercessão materna. Continuar lendo

VÍDEO/CURSO 4: OS DOCUMENTOS DO CONCÍLIO VATICANO II – PARTE 1- POR D. ESTEVÃO FERREIRA DA COSTA

Quarta aula do Curso sobre a crise na Igreja – D. Estevão fala sobre os textos do Concílio, seus erros, e como contradizem a doutrina de sempre da Igreja..

Para acessá-la, CLIQUE AQUI.

VÍDEO/CURSO 2: NOVO ESPÍRITO DO PAPADO – POR D. LOURENÇO FLEICHMAN

Segunda aula do Curso sobre a crise na Igreja – Com João XXIII um novo espírito aparece nos papas – O papel de cada papa do concílio na obra de destruição da Tradição católica.

Para acessá-la, CLIQUE AQUI.

O OPUS DEI, PRESTES A DEIXAR DE EXISTIR?

propuesta de nuevos Estatutos del Opus Dei

Fernando Ocáriz entrega ao Papa Leão XIV a proposta de novos Estatutos do Opus Dei.

Fonte: Infovaticana

Em Roma e na sede do Opus Dei ninguém nega mais: os novos estatutos, cuja aprovação por parte da Santa Sé estima-se iminente, presumem a ruptura definitiva da estrutura original concebida por “São” Josemaria. As fontes consultadas dentro da Cúria e da própria Obra dizem que o texto está fechado e que sua promulgação é questão de semanas.

Uma divisão em três partes

Os novos estatutos, elaborados após a entrada em vigor do motu próprio Ad charisma tuendum (2022) e adaptados à nova versão do Código de Direito Canônico, dividirão o Opus Dei em três realidades jurídicas distintas:

  • Uma prelatura clerical, que agrupará unicamente os sacerdotes numerários nela incardinados, conforme o novo marco canônico.
  • A Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz, reformulada para integrar os sacerdotes diocesanos que desejem associar-se espiritualmente com o carisma fundacional.
  • Uma associação pública de fieis, que reunirá os laicos – numerários, agregados, supernumerários e cooperadores – até agora vinculados à prelatura.

Na prática, isso implica que o Opus Dei deixará de existir como unidade jurídica e espiritual. O nome pode continuar a ser usado por conveniência, mas já não designará um único corpo orgânico, e sim três entidades autônomas com personalidade e governo próprios. Continuar lendo

A VIRILIDADE: UMA PERSPECTIVA CATÓLICA SOBRE UM COMENTÁRIO MUITO OPORTUNO

A crise histórica que vivemos, que deslegitimou o Pai e eliminou a complementaridade do masculino e do feminino, mostra uma evidente devirilização que informa todas as esferas de nosso ser-no-mundo. Apesar disso, temos a tomada de consciência daqueles que ainda mantêm um espírito crítico e um senso de realidade que está intimamente ligado à verdadeira fé.

Fonte: Chiesa e Post Concilio – Tradução: Dominus Est

Muitos homens vivem suas vidas evitando responsabilidades, trabalhos e esforços. Muitos não têm ideia do propósito de suas vidas ou para onde querem ir. Outros ainda recuam diante de uma cultura que interpreta qualquer movimento em direção ao desenvolvimento do caráter ou à liderança masculina como odioso e opressivo. Todas essas figuras masculinas estão perdendo um ingrediente vital: a virilidade. Eles precisam dela com urgência.

Finalmente alguém se manifesta

A virilidade não se resume a ter certos cromossomos. O senador americano Josh Hawley (Republicano do Missouri) descreve suas características em seu novo livro, “Manhood: The Masculine Virtues America Needs” (Masculinidade: As Virtudes Masculinas que a América Precisa). Ao ler esse livro, respiramos aliviados porque finalmente alguém está dizendo o que precisa ser dito: a virilidade é boa, necessária e alcançável.

O livro do senador Hawley combina vários estilos para expressar seu ponto de vista. É, em parte, um livro de memórias, com relatos de como seus familiares e antepassados vivenciaram sua masculinidade. Em parte, é um estudo bíblico que reúne histórias, lições e passagens das escrituras que apontam para o propósito da masculinidade dado por Deus. Por fim, é um comentário social sobre o desejo da pós-modernidade de destruir a masculinidade e o que precisa ser feito para recuperá-la. Continuar lendo

ESPECIAIS DO BLOG: A MISSA NOVA

La nouvelle messe • LPL

Em mais uma “Operação Memória” de nosso blog, colocamos abaixo alguns textos/vídeos/estudos que publicamos sobre a missa nova:

O “SUBSISTIT IN” E A NOVA CONCEPÇÃO DE IGREJA

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

“A questão da Igreja e de sua constituição, as novas abordagens e perspectivas que o Concílio Vaticano II traz sobre a Igreja estão no centro de um debate teológico que nos leva a questionar a ortodoxia de vários de seus textos. Não se pode deixar de estudá-los se se quer compreender as questões de um debate cinquentenário, que não deve se perder nas falsas pistas de uma correta ou má recepção dos textos, que, na verdade, estariam em conformidade com a doutrina da Igreja Católica, de uma correta ou má interpretação ou hermenêutica desses mesmos textos, moldadas conforme as intenções de ruptura, que iriam além daquelas do magistério conciliar. O pressuposto de que os textos são necessariamente isentos de erros esterilizaria qualquer exame teológico sério.”

Assim, a novidade que a expressão “subsistit in” – que associa a Igreja de Cristo subsistindo na Igreja Católica – constitui para todos pode ser qualificada como estratégica. Ela é estratégica do ponto de vista do novo ecumenismo implementado e propagado pelos Papas conciliares e pós-conciliares.

Recordemos que o ecumenismo moderno busca em todas as religiões cristãs o menor denominador comum, a fim de recuperar a unidade perdida. Isso sempre foi condenado, até 1949, por Pio XII [1]. O ecumenismo, no sentido católico, busca renegar as comunidades cristãs dissidentes para integrar a única Igreja de Cristo, que é a Igreja Católica, única arca e fonte de salvação. Quanto ao diálogo inter-religioso, nascido do movimento e extensão do ecumenismo moderno, busca, por meio do debate aberto entre representantes de religiões não cristãs, promover a paz e o intercâmbio sobre os valores éticos, excluindo qualquer proselitismo [2]. Continuar lendo

MUNDO, MUNDO…

Gustavo Corção – Conservador ardente | Pro Roma Mariana

Gustavo Corção

Entre os belos Cantos Eucarísticos do grande poeta místico que foi Santo Tomás de Aquino, vêm-nos à memória estes versos.

Solum expertus potest scire

quid sit Jesum diligere

Traduzimos, sem sabermos traduzir o sabor original: “Somente aqueles que o experimentaram podem saber o que seja o amor de Jesus”. Ou, “somente os que por experiência sabem…”.

Todos os mestres místicos ensinaram que a contemplação infusa é uma “quase experiência de Deus”. Por que “quase”? Este termo parece restritivo, e portanto impróprio para definir a mais alta de todas as aventuras da alma humana, a subida do Carmelo ou do Calvário, nas pegadas de um Deus que por nós se deixou crucificar. É por isso mesmo, aliás, que nunca poderemos encontrar termos próprios para exprimir a sobrenatural aventura. A linguagem dos místicos é inevitavelmente hiperbólica, antitética e metafórica; e é aqui, mais do que na poesia, que se aplica o que disse Rimbaud: que tentava dizer o indizível.

No caso em questão, Santo Tomás ousa empregar o termo “experimentar” quando canta, mas seus discípulos, quando tentam explicar o canto de maior linguagem especulativa, recuam diante do termo que traz sobre si uma pesada carga de conotações empíricas e carnais. E até ensinam que na subida do Caminho da perfeição o desejo de experiências sensíveis, sejam elas embora feitas do mais piedoso afeto, constituem pedras de tropeço, e até às vezes atrasos e retrocessos, porque nelas a alma se demora e se compraz no sabor e nas consolações de tal afeto. Ora, não foi este o exemplo que Jesus nos deixou na subida do Calvário. A subida mística só se fará se deixarmos para trás o lastro de terra e de carne, e se, corajosamente, aceitarmos a purificação da noite dos sentidos. Daí se explica a reserva dos mestres quando falam mais na pauta especulativa do que naquela da “experiência” ou “superexperiência” vivida na união com Deus.

* * *

Mas agora, caído em mim de tais alturas que tanto desejara ter alcançado, e das quais só ouso falar com ciência de empréstimo e de desejo, imagino o leitor a interpelar-me: — A que vêm todas essas considerações em torno da experiência mística, e dos cantos eucarísticos de Santo Tomás, quando falávamos da agonia da Espanha, e esperávamos comentários das efervescências nacionais em torno da denúncia em boa hora levantada por Dom Sigaud sobre a infiltração comunista na CNBB? Continuar lendo

DESCONTINUIDADE: A DESVIRILIZAÇÃO DA LITURGIA E DO SACERDÓCIO NO NOVUS ORDO MISSAE

Resumo de um excelente artigo do Padre Richard G. Cipolla sobre a “desvirilização” da liturgia do Novus Ordo.

Fonte: Chiesa e Post Concilio – Tradução: Dominus Est

Aquilo a que o cardeal estava se referindo está no cerne da forma Novus Ordo da Missa Romana e nos profundos e inerente problemas que afligem a Igreja desde a imposição do Novus Ordo Missae em 1970. Pode-se ser tentado a cristalizar o que o Cardeal Heenan vivenciou como a feminização da liturgia. Mas esse termo seria inadequado e, em última análise, enganoso, visto que há um aspecto mariano autêntico na liturgia que é, indubitavelmente, feminino. A liturgia carrega a Palavra de Deus; oferece o Corpo da Palavra à Adoração e o dá como Alimento. Uma terminologia melhor poderia ser que, no rito da Missa Novus Ordo, a Liturgia foi efeminizada

[…] Quando se fala da feminização da liturgia, corre-se o risco de ser mal interpretado, como se se estivesse desvalorizando o significado de ser mulher e da própria feminilidade. Sem adotar a perspectiva um tanto machista de César sobre os efeitos da cultura sobre os soldados, pode-se certamente falar de uma desvirilização do soldado que absorve sua força e sua determinação para fazer o que deve. Isso não é uma rejeição do feminino: em vez disso, descreve o enfraquecimento do que significa ser um homem.

Este termo desvirilização é o que quero usar para descrever o que o Cardeal Heenan testemunhou naquele dia de 1967, durante a celebração da primeira Missa experimental. Continuar lendo

SÉRIE “CRISE NA IGREJA” – EPISÓDIO 8: O EXCEPCIONALISMO AMERICANO É CATÓLICO?

Esta semana, estamos novamente com o Pe. Jonathan Loop, Diretor da Immaculate Conception Academy, para nos aprofundarmos um pouco mais no tema do Americanismo. Na semana passada, falamos sobre a fundação dos Estados Unidos e a demografia da Igreja. Nesta semana, discutiremos o rápido crescimento de escolas, paróquias, hospitais e orfanatos católicos, e a relação disso com o Excepcionalismo Americano. Também veremos como o Papa Leão XIII, ao mesmo tempo em que ficou admirado com a Igreja Católica americana, fez algumas advertências graves. E… essas advertências ainda estão sendo ouvidas pelos católicos americanos hoje?

ESPECIAIS DO BLOG: OBEDIÊNCIA E DESOBEDIÊNCIA

Nessa coletânea, Mons. Lefebvre e padres da FSSPX desmascaram o golpe de mestre que a inteligência perversa do demônio inventou para prejudicar a Igreja pós-Vaticano II: levar à desobediência por meio da obediência.

Por outro lado, repetimos com São Pedro: “Devemos obedecer a Deus e não aos homens” (Atos dos Apóstolos), ou com São Bernardo: “Aquele que pela obediência se submete ao mal está aderido à rebelião contra Deus e não à submissão devida a Ele“.

SÉRIE “CRISE NA IGREJA” – EPISÓDIO 7: PORQUE O AMERICANISMO É UMA HERESIA?

Hoje conversaremos com o Pe. Jonathan Loop sobre o Americanismo, que está intimamente ligado ao nosso último conjunto de episódios sobre Liberalismo.

Começaremos analisando a história e os desafios que a Igreja Católica enfrentou nos primeiros anos dos EUA. Além disso, perguntaremos por que o Americanismo é, de fato, um erro e se um americano (no caso) pode ou não ser patriota e um bom católico.

O Pe. Loop é o diretor da Immaculate Conception Academy, em Post Falls, Idaho, EUA, e tem uma perspectiva única, pois estudou história americana e se converteu do anglicanismo. Uma observação sobre o áudio – como dissemos, o Padre é diretor de uma escola. Dessa, você ouvirá crianças ao fundo – o que é ótimo!

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UM EXCELENTE TEXTO SOBRE O AMERICANISMO PODE SER LIDO NO LINK ABAIXO:

PALAVRAS DE MONS. LEFEBVRE AO CARDEAL RATZINGER: OS SRS. TRABALHAM EM PROL DA DESCRISTIANIZAÇÃO DA SOCIEDADE, DA PESSOA HUMANA E DA IGREJA, E NÓS TRABALHAMOS PARA A CRISTIANIZAÇÃO.

Resumi ao Cardeal Ratzinger em poucas palavras, porque digamos que é difícil resumir toda esta situação, mas eu lhe disse: “Eminência, mesmo que nos conceda um Bispo, mesmo que nos conceda certa autonomia em relação aos Bispos, mesmo se nos outorgue toda a liturgia de 1962, nos conceda continuar a obra dos seminários da Fraternidade tal como o fazemos atualmente, nós não podemos colaborar. É impossível, é impossível, porque nós trabalhamos em duas direções diametralmente opostas: os Srs. trabalham em prol da descristianização da sociedade, da pessoa humana e da Igreja, e nós trabalhamos para a cristianização. Não podemos, portanto, nos entender.

Então eu lhe disse: “Para nós, Cristo é tudo; Nosso Senhor Jesus Cristo é tudo, é a nossa vida. A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, é Sua noiva mística. O padre é outro Cristo; sua Missa é o sacrifício de Jesus Cristo e o triunfo de Jesus Cristo pela cruz. Nosso seminário: ali onde aprendemos a amar a Cristo e somos totalmente propensos ao Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nosso apostolado é pelo reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eis o que somos. E os Srs. fazeim o oposto. O Sr. acabou de me dizer que a sociedade não deve ser cristã, não pode ser cristã, que é contra sua natureza!  Acabou de me provar que Nosso Senhor Jesus Cristo não pode e não deve reinar nas sociedades! Quer provar que a consciência humana é livre em relação a Nosso Senhor Jesus Cristo! – ‘É preciso dar-lhes liberdade e um espaço social autônomo’, como disse. É a descristianização. Pois bem, nós somos pela cristianização” .

Eis então porque não podemos nos entender. E isso, garanto aos senhores, isso é o resumo. Não podemos seguir essas pessoas.

Conferência de Mons. Lefebvre durante o Retiro dos Sacerdotes da FSSPX, 1987

Trecho retirado da Revista Sal de la Terre, nº 87

SÉRIE “CRISE NA IGREJA” – EPISÓDIO 6: CATÓLICOS LIBERAIS NÃO EXISTEM

Estamos conversando com o Pe. Steven Reuter para concluir nosso estudo sobre o Liberalismo, mostrando como é completamente impossível para um católico ser liberal e um liberal ser católico. Sim, existem “católicos liberais”, mas será que eles podem realmente dizer que são católicos, no sentido pleno da palavra? Analisaremos as principais distinções entre essas filosofias opostas. Também nos aprofundaremos na História da Igreja e descobriremos como o Liberalismo chegou à Igreja Católica. A Igreja foi inicialmente enfraquecida por vários eventos importantes. Mesmo assim, ela se opôs ao Liberalismo, até que as janelas do Vaticano foram abertas – propositalmente – para essa suposta “nova primavera”.

PIO XII CONTRA O AMERICANISMO

Fonte: Sì Sì No No, Ano LI, n. 9 – Tradução: Dominus Est

O catolicismo entre o liberalismo e o socialismo

Pio XII[1], ao contrário de Russel Kirk (†1994), Edmund Burke (1797) e os neoconservadores atuais, compreendeu muito bem a oposição irreconciliável entre o espírito liberal/americanista (não uma questão de raça, mas de ideias) e o catolicismo; entre o comunismo (trotskista ou stalinista, essencialmente iguais, acidentalmente diferentes) e o cristianismo.

A excomunhão do comunismo ateu e materialista

De fato, depois de ter excomungado o comunismo apóstata, por ser ateu e materialista, em 1949, e de ter se pronunciado abertamente contra o perigo de uma junta social/comunista em Roma, em 1952, ele expulsou Alcide De Gasperi da Sé por não querer se aliar (tal como De Gasperi havia pedido) à direita contra a esquerda e por ter denunciado Giovanni Guareschi. Por fim, ele também expulsou Monsenhor Montini de Roma por estar muito próximo da mentalidade secularista e democrata-cristã de De Gasperi. Continuar lendo

SÉRIE “CRISE NA IGREJA” – EPISÓDIO 5: LIBERALISMO – O QUE É? LEÃO XIII E CARDEAL BILLOT

Esta semana, damos novamente as boas-vindas ao Pe. Steven Reuter. Aprenderemos mais sobre o liberalismo, sob o olhar de um dos maiores pontífices dos últimos dois séculos, o Papa Leão XIII, e sua condenação do liberalismo em sua encíclica “Libertas”. Também aprenderemos mais sobre o Cardeal Billot, que falou abertamente sobre o liberalismo e, até 2020 (ano do vídeo), foi o último cardeal a renunciar ao cargo. Além disso, descobriremos por que 1927 foi um ano tão fascinante na Cidade Eterna de Roma.

ESPECIAL DOS ESPECIAIS DO BLOG: VATICANO II

O Concílio Vaticano II é uma bússola que permite que a Igreja chegue à  meta, afirma Bento XVI

Em mais uma Operação Memória de nosso Blog, colocamos abaixo alguns links sobre o Vaticano II:

OS ENSINAMENTOS DO CONCÍLIO VATICANO II FAZEM PROPRIAMENTE PARTE DO MAGISTÉRIO?

A CRÍTICA DO VATICANO II

POR UMA JUSTA REAVALIAÇÃO DO VATICANO II

DO MAGISTÉRIO VIVO E DA TRADIÇÃO – PARA UMA “RECEPÇÃO TOMISTA” DO VATICANO II?

VATICANO II: INTRODUÇÃO A UMA NOVA RELIGIÃO

SINOPSE DOS ERROS IMPUTADOS AO CONCÍLIO VATICANO II

A IGREJA CONCILIAR SUBSISTE

O “SUBSISTIT IN” E A NOVA CONCEPÇÃO DE IGREJA

A PROTESTANTIZAÇÃO DO CONCÍLIO VATICANO II – PARTE 1

A PROTESTANTIZAÇÃO DO CONCÍLIO VATICANO II – PARTE 2

A PROTESTANTIZAÇÃO DO CONCÍLIO VATICANO II – PARTE 3

PRINCIPAIS ERROS DO VATICANO II

A PLENA COMUNHÃO

DO LIBERALISMO À APOSTASIA

“LEÃO”MANIA? NA VERDADE, NÃO É BEM ASSIM. PALAVRA DE UM “VILÃO TRADICIONALISTA”

Leonemania? Non è proprio il caso. Parola di tradizionalista cattivo

O site Radio Spada extraiu do Duc in altum essa intervenção de um “sacerdote anônimo”, cuja visão compartilhamos em grande parte.

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

Caro Valli,

Sou sacerdote e li, vi e ouvi (artigos, podcasts, blogs, Twitter etc.) expressões de um irreprimível e irrefreável tripúdio pela eleição do novo Papa, qualquer outro Papa que não fosse um Francisco II (melhor dizendo Desmanzelado II), que fosse pelo menos um pouco decente e que, pelo simples fato de ser outro alguém, sancionasse a saída do pesadelo distópico que durou cerca de duas décadas.

A exultação e o desejo de voltar (de voltar a poder dizer “viva o Papa“) transbordaram em projeções entusiasmadas, imaginativas e, por vezes, segundo alguns comentários, até mesmo infantis e grotescas, sobre as expectativas em relação ao Eleito.

Cada gesto seu se torna épico, cada movimento deve forçosamente indicar uma mudança de ritmo, cada palavra um marco na qual a História nunca mais será a mesma. E quando não há nada marcante, se inventa.

Agora, me permita observar que essa maneira de tratar os gestos e as palavras do Santo Padre é parte fundamental de um problema estrutural e grave de um certo catolicismo alterado que faz da Igreja o Corpo Místico não de Cristo, mas do Papa e que, entre outras coisas, contribuiu para aquela síndrome hipodoutrinária de imunodeficiência à heterodoxia que permitiu que o Papa Francisco dissesse e fizesse as mais escabrosas atrocidades em meio aos aplausos constrangidos de um Colégio Episcopal reduzido a uma claque da parterre norte-coreana. Continuar lendo

A FALÊNCIA PÓS-CONCILIAR É CADA VEZ MAIS EVIDENTE E ADMITIDA

Dois testemunhos de fontes muito diferentes apontam para a desordem cada vez mais clara iniciada pelo Concílio Vaticano II, continuada pelas reformas pós-conciliares, agravada em particular pelo recente pontificado findado e que só pode ser resolvido por um retorno determinado à Tradição da Igreja.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os números falam por si

Primeiramente, um padre que não se impressiona mais com o Vaticano II não hesita em listar os números do colapso pós-conciliar. No site de língua espanhola Infocatolica, em 15 de março, o padre madrilenho Jorge Guadalix escreveu: “As expectativas do Vaticano II eram altas. Todas as esperanças eram justificadas. Mas, sejamos honestos, algo deu errado.

“Trabalhamos na vinha do Senhor com todo o entusiasmo do mundo, absorvemos a mais fervorosa teologia pós-conciliar, dedicamos nossas vidas à causa do Evangelho. A primavera chegou? Não estou convencido. Nem um pouco convencido. Este ano marcará o 60° aniversário do seu encerramento.”

Sessenta anos depois, o que foi alcançado? O Pe. Guadalix responde sem rodeios: “Até agora, temos feito algo… mas os números falam por si. A secularização maciça [redução ao estado laico] de religiosos e padres, especialmente na década de 1970, nos assustou. O desastre do declínio das vocações para o ministério sacerdotal e a vida religiosa foi camuflado por uma média de idade que, no entanto, continuou a aumentar, ano após ano, e em ritmo cada vez mais acelerado.” Continuar lendo

INGLATERRA: MÉDICA CONDENADA POR QUERER CONVERSAR PRÓXIMA A UMA CLÍNICA DE ABORTO

Médico condenado na Inglaterra por conversar fora de clínica de aborto

A Dra. Livia Tossici-Bolt foi considerada culpada de violar a “zona de segurança” de uma clínica de aborto em Bournemouth, Inglaterra. Seu crime: segurar um cartaz que dizia: “Estou aqui para conversar, se você quiser“.

Fonte: Medias-Presse-Info – Tradução: Dominus Est

“Zona de Segurança”

Livia Tossici-Bolt, uma médica italiana, foi a julgamento nos dias 5 e 6 de março de 2025, após ser acusada de violar a “zona de segurança” estabelecida ao redor de uma clínica de aborto em Bournemouth, uma cidade litorânea no sul da Inglaterra. O veredito foi anunciado em 4 de abril: culpada por oferecer uma conversa voluntária a qualquer um que desejasse falar com ela.

As normas que regem essas áreas proíbem o “assédio”, “intimidação” e qualquer “ato de aprovação ou desaprovação relacionado aos serviços de aborto”. Apesar disso, Tossici-Bolt simplesmente apareceu na rua com uma placa que dizia: “Estou aqui para conversar, se você quiser“. Continuar lendo