CARTA DO SUPERIOR GERAL AOS MEMBROS E FIÉIS DA FSSPX POR OCASIÃO DO 50º ANIVERSÁRIO DE SUA FUNDAÇÃO

“O motivo, a razão de ser de todos os nossos combates, é a vida de união a Nosso Senhor, Rei”.

Caros membros e fiéis da FSSPX,

É uma verdadeira alegria para mim poder me dirigir a vós neste momento tão particular da história da nossa Fraternidade, que é a celebração do seu jubileu de ouro.

O 50º aniversário da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é antes de tudo uma oportunidade para uma verdadeira e profunda ação de graças. E essa ação deve ser dirigida primeiro a Deus, que não cessa de nos manter e de nos encher de satisfação, apesar das provas, e que nos fortifica nessas mesmas provas: se a cruz jamais esteve ausente nesse meio século de história, é preciso ver nisso a prova de uma benevolência particularíssima da Providência, que só permite os males para a edificação de seu reino e a santificação de seus fiéis servidores; e também ao nosso fundador, que nos soube transmitir os tesouros mais preciosos da Igreja com a chama ardente de uma intrépida caridade, iluminada por uma fé profunda e sustentada por uma esperança indefectível na caridade do próprio Deus: “credidimus caritati”.

O 50º aniversário nos convida também a recapitular nossa situação hoje: essa chama recebida de nosso fundador ainda está viva? Exposta a todas as ventanias de uma crise que se prolonga indefinidamente, tanto na Igreja quanto na sociedade inteira, essa preciosa chama não corre o risco de vacilar e se enfraquecer?

Por um lado, os combates de todos os tipos, que duram e que não vemos o fim, tendem a nos cansar: realmente ainda temos que lutar? Por outro lado, após meio século de lutas, a Fraternidade São Pio X pode achar que está muito confortavelmente acomodada, e que ela desfruta de uma relativa tranquilidade. Tal acomodação e tal tranquilidade, não seriam perigosas? Essa chama, que agora está em nossas mãos para ser transmitida àqueles que nos seguirão, há necessidade de reavivá-la?

Não é supérfluo verificar se sempre temos bem presente em nosso espírito a razão de ser da nossa Fraternidade, se nós buscamos seu verdadeiro objetivo, fazendo um bom uso dos meios que estão à nossa disposição para consegui-lo. Isso é até mesmo indispensável se realmente quisermos continuar com o mesmo ímpeto desses primeiros 50 anos. Continuar lendo

PARA UMA JUSTA REAVALIAÇÃO DO VATICANO II: A TRADIÇÃO E O MAGISTÉRIO CLARAMENTE DEFINIDOS

Concílio trouxe maior participação dos leigos na missão de evangelizar -  Vatican NewsFonte: Courrier de Rome  n.º 322, maio de 2009 – Tradução: Dominus Est

Autor: Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

Por meio de um decreto da Congregação para os Bispos do dia 21 de janeiro de 2009[1], Bento XVI “levantou a excomunhão”[2] sofrida em 1988 pelos quatro bispos da Fraternidade São Pio X. Apenas uma semana depois, durante a Audiência geral de quarta-feira, 28 de janeiro[3], o papa julgou que deveria explicar o sentido desse decreto, dizendo que quisera realizar «um ato de misericórdia paternal», acrescentando que ele esperava da parte dos bispos consagrados por Mons. Lefebvre «um verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do papa e do concílio Vaticano II».

Razões profundas de um antagonismo

As palavras de Bento XVI ecoam as de Paulo VI e de João Paulo II. Com efeito, duas frases se mantêm na memória de todos. «Como hoje alguém poderia se comparar a Santo Atanásio, ousando combater um concílio como o segundo concílio do Vaticano, que não possui menos autoridade, e que inclusive, sob certos aspectos, é mais importante ainda que aquele de Niceia?»[4]. Essa censura lançada pelo papa Paulo VI em 1975 é reiterada de maneira ainda mais precisa pelo papa João Paulo II, após Mons. Lefebvre ter evocado o estado de necessidade na Igreja para se dar o direito de consagrar os quatro bispos em 30 de junho de 1988. No motu proprio Ecclesia Dei afflicta, que excomunga Mons. Lefebvre, o papa João Paulo II declara: «A raiz deste ato cismático pode localizar-se numa incompleta e contraditória noção de Tradição. Incompleta, porque não tem em suficiente consideração o carácter vivo da Tradição»[5].

A recente declaração do Papa Bento XVI

Ao pedir à Fraternidade São Pio X que reconhecesse a autoridade do Concílio Vaticano II, Bento XVI confirma então a análise de seus dois predecessores e parece manter o postulado deles com essa nova noção de uma tradição viva. Na famosa carta de 10 de março de 2009 ele revisita o assunto: «Pretendo, no futuro, vincular a Comissão Pontificial “Ecclesia Dei” – que desde 1988 é responsável por essas comunidades de pessoas que, vindo da Fraternidade São Pio X ou de outros grupos similares, querem voltar à plena comunhão com o Papa – à Congregação para a Doutrina da Fé. Parece evidente que os problemas a serem tratados agora são de natureza essencialmente doutrinal, em particular aqueles concernentes à aceitação do concílio Vaticano II e o magistério pós-conciliar dos papas. […] Não podemos congelar a autoridade do magistério da Igreja em 1962: isso deve estar muito claro para a Fraternidade»[6]. Mas, desta vez, Bento XVI acrescenta uma reflexão que não deve deixar ninguém indiferente: «Não obstante, para alguns daqueles que se proclamam grandes defensores do Concílio, devemos lembrar que o Vaticano II contém em si a história doutrinal inteira da Igreja. Aquele que quer obedecer ao Concílio deve aceitar a fé professada ao longo dos séculos e não pode cortar as raízes que dão vida à árvore»[7]. Continuar lendo

COMUNICADO DO PRIOR DA FSSPX EM NICE (FRANÇA) SOBRE O ATAQUE ISLAMITA NA CIDADE

Fonte: Medias-Catholique.info – Tradução: Dominus Est

Prezados fiéis,

Assim como eu, os senhores souberam, nesta manhã, da terrível notícia do atentado que abalou nossa cidade. Evidentemente, nossa oração vai, primeiramente, às vítimas e as seus familiares, mas talvez ainda mais ao nosso país.

Foi-nos dito que o culpado foi neutralizado. Não tenho tanta certeza disto. Certamente, o terrorista imbuído do islã foi preso pelas Forças de Segurança. Mas, será esse realmente o único e último responsável do que aconteceu hoje de manhã.

O Sr. Macron, como porta-voz da nossa República laica e maçônica, reivindicou a nosso país o “direito à blasfêmia”: não tem ele uma enorme responsabilidade no que acaba de acontecer?

É claro que não reconheço direito nenhum em respeito a Maomé, e muito menos um respeito sagrado. No dia em que o Islã celebrava o nascimento do seu “profeta”, este terrorista não fez mais do que imitar as práticas muitas vezes bárbaras deste chefe de guerra do qual ele afirma ser, assim como a história suficientemente indica. E da mesma maneira que não posso respeitar o ato deste terrorista, assim também não posso respeitar Maomé, falecido com semelhantes crimes em sua consciência. Porém, não podemos deixar de dizer que, os nossos concidadãos que, por desgraça, ainda não descobriram a beleza e a verdade do Cristianismo, merecem um mínimo de respeito. Insultá-los não é ajudá-los.

Mais ainda do que os seus concidadãos, é o próprio Deus que o Sr. Macron insulta. No seu orgulho incomensurável, afirma ser superior ao seu Criador, a ponto de reinvidicar o direito de desprezá-Lo, de insultá-Lo. Ao afirmar repetidamente que não há lei nenhuma acima da República, o nosso Presidente não faz outra coisa além de divinizá-la: constituí-la como o princípio último do bem e do mal. Eis-nos de volta aos dias dos impérios pagãos, cujo príncipe afirmava encarnar a Onipotência. É a chamada ditadura. Continuar lendo

AS ORIGENS DO VATICANO II, PELO PE. HESSE

Título original: “The Mess Manifest”. Nesta conferência, o padre Gregory Hesse conta como os modernistas, amparados por mãos maçônicas, se infiltraram na alta cúpula da Igreja Católica, até instituir a “Igreja do Novo Advento” com o Concílio Vaticano II. Além disso, é esclarecido o papel da Opus Dei desde sua origem até os dias de hoje.

D. VIGANÒ SOBRE OS CONSERVADORES

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Fonte: The Remnant News Paper – Tradução: Dominus Est

“Entretanto, sabemos que além da ala progressista do concílio, e da ala tradicionalista católica, existe uma grande parte do episcopado do clero e dos fiéis que procura encontrar uma distância razoável entre o que considera dois extremos. Eu falo daqueles que se denominam conservadores – eles são uma espécie de centrismo do corpo eclesial, que acaba por prestar serviço aos revolucionários. Porque ao mesmo tempo que rejeitam os excessos, partilham dos mesmos princípios.

O erro dos “conservadores” consiste em dar uma conotação negativa ao tradicionalismo, e em colocá-lo em oposição ao progressismo. A aurea mediocritas [via média] dos conservadores consiste em se colocar arbitrariamente não entre dois vícios, mas entre a virtude e o vício. São os únicos que, apesar de criticarem os excessos da pachamama ou as mais extremas dentre as declarações de Bergoglio, não toleram que o Concílio seja questionado, e menos ainda [que se aponte] a ligação intrínseca entre o câncer conciliar e a atual metástase”.

A PSICOLOGIA DO AMOR

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Dom Lourenço Fleichman OSB

No mundo em que vivemos é moeda corrente as pessoas só quererem fazer o que lhes agrada. Que seja por prazer do corpo, ou pelo prazer de ter dinheiro, ou pelo prazer de se sentir influente, livre e independente, somos formados, à nossa revelia, a detestar as coisas árduas, maçantes, rotineiras, obrigatórias. Que elas tenham um quê de dificuldade ninguém discute. Que a nossa tendência seja a de diminuir a dureza das suas realizações, é compreensível. O que não pode ser é a revolta tomar conta do nosso coração sempre que temos alguma coisa obrigatória a fazer. No fim das contas, tudo o que é de nosso dever é feito com pressa, de qualquer maneira, sem a atenção necessária ou pelo dinheiro que vamos receber. A revolta a que me refiro não é necessariamente uma revolta barulhenta e explosiva. Pode ser apenas o sentimento surdo e escondido de um ódio acumulado.

Se examinarmos com atenção o ambiente cultural em que vivemos, constatamos, por exemplo, que os homens do nosso tempo passam a semana em função da sexta-feira, aguardando o fim do serviço do último dia útil para, enfim, voltar a ser “normal”. O que significa ser “normal”? Para uns, passar o tempo numa festa, numa discoteca, na porta de um botequim assando uma carninha na brasa e tocando um som com os amigos. Para outros, o sofá e a televisão, umas latinhas de cerveja. Muitos preferem passar duas horas num engarrafamento para ir à praia. Tudo isso, é claro, regado com algum sexo, muita alegria, e a sensação de que não há entrave para nada, que somos poderosos para fazer tudo, ao menos durante algumas horas, até que o monstro da segunda-feira volte a rosnar nos obrigando a retomar a vida maçante do trabalho. Vejam que não trato aqui do descanso merecido e legítimo, mas da busca de uma liberdade total que é mais um posicionamento cultural – melhor seria dizer espiritual: não enquanto coisa religiosa propriamente, mas enquanto coisa do espírito humano.

Quando se trata das crianças, já de há muito que é assim. Não se pode mais imaginar um adolescente que ame o seu estudo, como aquela obrigação amorosa que o eleva e o forma no saber. Nem se pode dizer que é culpa deles, pois há décadas que o estudo é sinônimo de dinheiro. Eles se arrastam até uma faculdade e são precipitados no liquidificador do que se chama “mercado de trabalho” onde brilha a purpurina de um futuro paradisíaco do dinheiro que tudo compra. Eles também, pobres crianças, só pensam na sexta-feira e nas férias. Depois, é a praia, as festinhas, a liberdade. Daí a grande revolta típica do nosso mundo “evoluido” quando os pais procuram orientar seus filhos em alguma atividade formadora, cultural ou religiosa. Eles encaram esta tentativa como o grande obstáculo à sua liberdade e já não temem mais enfrentar os pais e lhes jogar em rosto uma série de insultos. Continuar lendo

O APOSTOLADO DA FSSPX E O “ESTADO DE NECESSIDADE”

il buon smaritano cura l'uomo malmenato dai brigantiFonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Por que os sacerdotes da Fraternidade São Pio X exercem um apostolado, mesmo não tendo uma estrutura canônica “oficial”? Neste artigo o autor demonstra como a atual situação “extraordinária” que se instalou na Igreja há quarenta anos torna necessário o recurso às “normas extraordinárias”, previstas no Código de Direito Canônico, e que não apenas justificam, mas impõem a esses sacerdotes um apostolado em favor das almas, cuja salvação é a lei suprema.

“Dirigindo-se depois a eles, disse:

Quem de entre vós que, se o seu filho ou o seu boi

cair num poço, o não tirará logo

ainda que seja em dia de sábado? (Lc 14,5)

Mesmo após o levantamento das ditas excomunhões, o ministério dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X continua a ser definido como ilegítimo, porque não se enquadra em uma forma canônica. Na verdade, esses padres realizam confissões e administram os sacramentos como se fossem párocos, enquanto as autoridades ordinárias da Igreja não lhes tenha concedido qualquer título para exercer qualquer tipo de ministério.

Por isso, propomos neste texto examinar sob qual título os sacerdotes da Fraternidade continuam a exercer o seu apostolado e com base em que normas divinas e jurídicas. Na verdade, eles invocam, frequentemente, um “estado de necessidade”.

Mas o que é esse estado e quais faculdades jurídicas permitem seu exercício? O estado de necessidade é uma espécie de selva, de regressão a um estado pré-social, ou, em vez disso, uma situação extraordinária onde são aplicadas normas extraordinárias quando seria errôneo pretender aplicar literalmente as ordinárias? Existe, de direito e de fato, uma situação que torna impossível, inútil ou mesmo prejudicial a aplicação das leis positivas ordinárias e, ao invés disso, a exigência da aplicação de normas mais elevadas, certamente não arbitrárias, mas previstas pelo legislador e pela lei divina? Continuar lendo

MUITOS NOS PERGUNTAM: O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA IGREJA?

MONSEÑOR LEFEBVRE Y LA SEDE ROMANA | Imágenes religiosas, Catolico, Religión

Nada que Mons. Marcel Lefebvre já não tenha visto décadas atrás:

  1. PORQUE OS CATÓLICOS ESTÃO PERPLEXOS?
  2. “ESTÃO MUDANDO NOSSA RELIGIÃO”
  3. MISSAS OU QUERMESSES?
  4. A MISSA DE SEMPRE E A MISSA “AO SABOR DO VENTO”
  5. “VOCÊS SÃO RETRÓGRADOS!”
  6. O NOVO BATISMO, O NOVO CASAMENTO, A NOVA PENITÊNCIA, A NOVA EXTREMA-UNÇÃO
  7. OS NOVOS PADRES
  8. DO CATECISMO HOLANDÊS A “PIERRES VIVANTES”
  9. A NOVA TEOLOGIA
  10. O ECUMENISMO
  11. A LIBERDADE RELIGIOSA
  12. OS CAMARADAS E OS IRMÃOS
  13. LIBERDADE RELIGIOSA, IGUALDADE COLEGIAL, FRATERNIDADE ECUMÊNICA
  14. “VATICANO II, É O 1789 NA IGREJA”
  15. CONÚBIO DA IGREJA COM A REVOLUÇÃO
  16. O NEO-MODERNISMO OU “PIERRE VIVANTES” EM RUÍNAS
  17. QUE É A TRADIÇÃO?
  18. A VERDADEIRA OBEDIÊNCIA
  19. AS SANÇÕES ROMANAS CONTRA ECÔNE
  20. A MISSA DITA “DE S. PIO V”, MISSA DE SEMPRE
  21. NEM HEREGE NEM CISMÁTICO
  22. AS FAMÍLIAS DEVEM REAGIR
  23. CONSTRUIR, NÃO DESTRUIR