A CAPACIDADE DE FAZER O MAL É UM DEFEITO DA VONTADE – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Vamos esclarecer uma coisa. A capacidade de fazer o mal é um defeito da liberdade. Isso é o que o liberalismo condena. Para os liberais, precisamente, o homem é livre; somos livres e por isso podemos fazer o bem e o mal, e se não pudéssemos fazer o mal, não seríamos livres. Esse é o seu raciocínio.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Se a capacidade de escolher entre o bem e o mal fosse um bem e uma perfeição, teríamos a impressão de poder fazer mais do que se escolhêssemos apenas coisas boas: poderíamos também escolher as más. À primeira vista, seria uma capacidade mais ampla, mas não é assim, porque se fosse uma perfeição também a seria para Deus, que desta forma também poderia fazer o mal. Porém, Deus é sumamente livre. Ele possui liberdade em um grau infinito, mas não pode fazer o mal. O mesmo acontece com os bem-aventurados, anjos ou homens.

Por outro lado, os anjos, antes de sua prova, podiam fazer o mal moral, ou seja, pecar. Deus lhes havia proposto algo novo: sua possível elevação à visão beatífica ou, como dizem alguns, havia-lhes revelado o mistério da Encarnação e sua vontade de fazer-se homem. E então alguns se rebelaram. Descartaram a necessidade de algo que já não possuíam por natureza, ou sendo puros espíritos, negaram a obrigação de adorar um Deus homem, composto de matéria, ou seja, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Portanto, para os anjos e para os homens, a capacidade de cometer o mal não é nenhuma perfeição. Isso é exatamente o que Santo Agostinho enfatizou contra os pelagianos:

“Se a possibilidade de enganar-se no bem fosse da essência e da perfeição da liberdade, então Deus, Jesus Cristo, os Anjos, os Bem-aventurados, entre os quais este poder não existe, ou não seriam livres, ou, pelo menos, o não seriam tão perfeitamente como o homem em seu estado de prova e imperfeição” 

Com certeza, isso é impensável. Deus, os anjos e os eleitos seriam menos livres e menos perfeitos do que os homens. Ademais, basta refletir um pouco: escolher o mal só pode ser um defeito. Se fizermos uma comparação com a doença: o que é mais perfeito, estar doente ou não? Se estar doente fosse melhor do que não estar – os santos no céu não podem estar- os homens na terra poderiam “escolher” entre a saúde e a doença, e assim seríamos mais perfeitos na terra do que no céu. Isso é ridículo.

Escolher o mal é um defeito e não pode ser mais do que isso. No fundo, se escolhe a própria destruição … é suicidar-se. Querer o que é pecado é querer a própria imperfeição e, portanto, o nada. Como Deus poderia querer seu próprio mal? Isso é impossível, porque já não seria Deus. Como poderiam os anjos e os eleitos, que estão em perfeito gozo e absoluta perfeição, destruirem-se procurando o mal? Isso é impossível.

Vamos esclarecer uma coisa. A capacidade de fazer o mal é um defeito da liberdade. Isso é o que o liberalismo condena. Para os liberais, precisamente, o homem é livre; somos livres e por isso podemos fazer o bem e o mal, e se não pudéssemos fazer o mal, não seríamos livres. Esse é o seu raciocínio.

Este é o pensamento que norteia nossas sociedades atuais, ditas liberais: o homem é livre e deve poder exercer sua liberdade e fazer o que quiser.

D. Marcel Lefebvre – Sou eu, o acusado, quem deveria vos julgar

NA HOLANDA, O ANJO DA MORTE PAIRA SOBRE OS BERÇOS

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Hugo de Jonge, Ministro da Saúde da Holanda, anunciou na Câmara dos Deputados que o governo examinaria a possibilidade de permitir a eutanásia de crianças e pré-adolescentes. A Conferência Episcopal do país se pronuncia contra uma medida que, se adotada, tornaria essa prática gravemente ilícita, aplicável agora a todas as idades.

À primeira vista, não ousamos acreditar. Mas temos que lidar com a terrível realidade: a Holanda está pensando seriamente em legalizar o assassinato de crianças a partir de um ano de idade.

Como fazer para alterar a legislação, em uma civilização secularizada onde qualquer forma de transcendência se reduz ao mínimo de saúde e bem-estar? Basta confiar nos relatos de médicos e especialistas, os oráculos contemporâneos.

Assim, em 2019, três hospitais universitários holandeses publicaram um relatório quase inacreditável, afirmando que “84% dos pediatras na Holanda querem a eutanásia ativa para crianças entre 1 e 12 anos“. Continuar lendo

ONDE BUSCAREMOS REFÚGIO?

Cresce perseguição aos cristãos no Oriente Médio – Olhares do Mundo

Fonte: Boletim Permanencia

No espaço de menos de 30 dias, lemos novos relatos de ataques bárbaros realizados por muçulmanos na França. Primeiro, um professor foi brutalmente assassinado por ter mostrado aos seus alunos uma caricatura de Maomé; poucas semanas depois, outro ataque ocorreu dentro de uma igreja na cidade de Nice: o ataque levou três fiéis à morte, entre os quais, uma brasileira.

Não foi o primeiro ataque terrorista ocorrido dentro de uma igreja — ainda está fresco na memória de todos o assassinato do Pe. Jacques Hamel, poucos anos atrás. A única novidade aqui foi a crueldade do ato: tanto o professor como uma das vítimas de Nice foram literalmente decapitados pelo muçulmano.

Infelizmente, nada disso servirá para mudar a política europeia de acolhida indiscriminada dos imigrantes, ou o ecumenismo irenista de Roma.

Sobre esse último ponto, convém recordar a carta que um grupo de muçulmanos convertidos ao catolicismo escreveu ao Papa Francisco em 25 de dezembro de 2017, denunciando o equívoco da sua aproximação ao islã.

As palavras desses convertidos são certamente amargas e dolorosas, mas muito verdadeiras: Continuar lendo

PARA UMA JUSTA REAVALIAÇÃO DO VATICANO II: EPÍLOGO

As quatro janelas abertas do Concílio Vaticano II

Fonte: Courrier de Rome  n.º 322, maio de 2009 – Tradução: Dominus Est

Autor: Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

4.1 – Um dilema inalterado

Reencontramos aqui o mesmo dilema, onde apesar de tudo estamos obrigados a escolher entre duas concepções diferentes de Tradição. Por um lado, uma Tradição concebida como a transmissão fiel de uma doutrina substancialmente imutável; pelo outro, uma Tradição viva concebida como um movimento histórico. Quando ainda teólogo, Joseph Ratzinger havia explicado claramente: «Não somente deve-se dizer que a história dos dogmas, no âmbito da teologia católica, é fundamentalmente possível, mas também que todo dogma que não se elabora como história dos dogmas é inconcebível»[50]; e é por isso que «a formação do conceito de Tradição no catolicismo pós-tridentino constitui o maior obstáculo a uma compreensão histórica da realidade cristã»[51].

Com efeito, o conceito pós-tridentino de Tradição supõe que a revelação foi encerrada na morte do último dos apóstolos e que desde então ela se mantém substancialmente imutável. Ora, «o axioma do fim da revelação com a morte do último apóstolo», explica Joseph Ratzinger, «era e é, no interior da teologia católica, um dos principais obstáculos à compreensão positiva e histórica do cristianismo: o axioma assim formulado não pertence aos primeiros dados da consciência cristã»[52]. «Ao afirmar que a revelação encerrou-se com a morte do último apóstolo, concebe-se objetivamente a revelação como um conjunto de doutrinas que Deus comunicou à humanidade. Essa comunicação terminou em uma determinado dia e os limites desse conjunto de doutrinas reveladas permaneceram assim estabelecidos ao mesmo tempo. Tudo o que vem após seria ou a consequência dessa doutrina ou a corrupção dela»[53]. Ora, «não somente essa concepção se opõe a uma plena compreensão do desenvolvimento histórico do cristianismo, mas está inclusive em contradição com os dados bíblicos»[54].

Não vemos como seria possível conciliar essa proposta com os ensinamentos do papa São Pio X. No Decreto Lamentabili, ele condena efetivamente as duas proposições seguintes: «A revelação, que é objeto da fé católica, não terminou com os apóstolos»[55] e «Os dogmas que a Igreja apresenta como revelados não são verdades caídas do céu, mas uma interpretação dos fatos religiosos que o espírito humano logrou alcançar à custa de laboriosos esforços»[56].

4.2 – Congelar o magistério?

Nessas condições, podemos dizer que não é preciso «congelar a autoridade do magistério da Igreja em 1962»? Se a autoridade do magistério está «congelada» no sentido em que ela não poderia mais sequer ser exercida após essa data, e que só valeria em si mesma a doutrina já proposta nos atos do magistério anterior, resulta que só se teria na Igreja um magistério póstumo, contrastando com um magistério vivo. Ora, nós sabemos bem que a instituição divina da Igreja faz com que seja necessária uma autoridade social que seja exercida em cada época da história, no ambiente de uma pregação viva porque atual, e que essa pregação do magistério tenha como tarefa propor com autoridade, explicar e esclarecer, sempre no mesmo sentido, o depósito da fé. Nesse sentido, está bem claro que a Igreja católica não poderia ser definida, por princípio, como «a Igreja dos sete ou dos vinte primeiros concílios ecumênicos».

Mas por outro lado, é indubitável que a autoridade desse magistério vivo deve ser exercida em cada época da história para transmitir sem alteração o depósito da fé definitivamente revelada, e nesse sentido, para retomar a expressão metafórica do papa Bento XVI, tudo está «congelado» desde a morte do apóstolo São João e a doutrina católica permanece substancialmente imutável: «As definições são estáticas, as definições são definitivas, o Credo é algo definitivo, não se pode mudar o Credo»[57]. Ora, nós somos obrigados a constatar: para Bento XVI, se «não se pode congelar a autoridade do magistério da Igreja em 1962», isso se explica porque o «Vaticano II contém em si a história doutrinal inteira da Igreja», ou seja, porque a Tradição é viva. Mas nós encontramos aí a noção já indicada por João Paulo II no Motu proprioEcclesia Dei afflicta, noção que constitui uma novidade inaudita em relação aos ensinamentos do magistério anterior ao Vaticano II.

4.3 – A solução verdadeira requer a questão verdadeira

O fato é que, acerca de uma questão, devemos reconhecer em Bento XVI o mérito da clareza. Exprimindo sua intenção de unir no futuro a comissão pontificial Ecclesia Dei à Congregação para a Doutrina da Fé, o papa explica nos seguintes termos o sentido desse desejo: «Deste modo torna-se claro que os problemas, que agora se devem tratar, são de natureza essencialmente doutrinal e dizem respeito sobretudo à aceitação do Concílio Vaticano II e do magistério pós-conciliar dos Papas»[58]. A remissão da excomunhão é um «provimento no âmbito da disciplina eclesiástica. […] É preciso distinguir este nível disciplinar do âmbito doutrinal»[59].

Embora existam ainda muitos pontos de vista possíveis, é difícil de seguir um e impossível seguir muitos simultaneamente. Não distinguir a natureza das verdades que estão em jogo, e que tornam necessárias as discussões entre a Fraternidade São Pio X e a Santa Sé, pode fazer com que todo o esforço para dissipar os mal-entendidos acabe tendo como efeito a multiplicação deles. Se nos limitarmos às declarações recentes que citamos e analisamos, podemos perceber que o papa delimita inequivocamente o ponto da disputa, cuja solução deverá estar no centro de uma eventual discussão doutrinal entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X.

Seria necessário começar por entender acerca da própria natureza da Tradição e do magistério. É somente às custas desse primeiro esclarecimento que o Concílio Vaticano II poderia ser objeto de uma discussão séria, e que se poderia esperar resolver seriamente os graves problemas que apareceram até aqui.

Fim.

Notas

  1. Joseph Ratzinger, Théologie et histoire. Notes sur le dynamisme historique de la foi, 1972, p. 108, citadopor Joaquim E. M. Terra, Itinerarioteologico di Benedetto XVI, Roma, 2007, p. 66.
  2. Id., ibid., p. 65.
  3. Id., ibid., p. 64.
  4. Id. ibid.
  5. Id. ibid.
  6. Proposição condenada n.º 21 em DS 3421.
  7. Proposição condenada n.º 22 em DS 3422.
  8. Mons. Lefebvre, «Conferência em Écône, 18 de outubro de 1976» em Vu de haut n.º 13 (outono 206), p. 47.
  9. Beto XVI, «Carta de Sua Santidade Bento Xvi aos bispos da Igreja católica a propósito da remissão da excomunhão aos quatro bispo consagrados pelo Arcebispo Lefebvre» em DC n.º 2321, p. 319-320.
  10. Id., ibid., p. 319.

 

FORMAÇÃO MJCB 2020 – 50 ANOS DA FSSPX – TRANSMISSÃO AO VIVO

capa

20 a 22 de Novembro de 2020 – Transmissão ao vivo

Devido às restrições atuais, o número de vagas para a participação presencial na Formação de 2020 ficou bastante reduzido. Além disso, todos os anos muitas pessoas deixam de participar por conta da distância e dos custos de viagem envolvidos.

Pensando nisso, pela primeira vez ofereceremos a oportunidade de participação a distância da Formação, com transmissão ao vivo de todas as conferências durante os três dias de evento.

ADQUIRA SEU INGRESSO PARA ASSISTIR À FORMAÇÃO AO VIVO

De modo a cobrir as despesas envolvidas com a realização do evento e sua transmissão, o custo de participação é de R$25, que podem ser pagos por boleto ou cartão. Após confirmação de pagamento, você receberá um usuário e senha para acessar a área de transmissão do evento.

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Pagamento online 100% seguro. São aceitos todos os cartões e boleto bancário.

Programação da Formação 2020

Sexta, 20/11/20

17h – Conferência de abertura

18h30 – 2ª Conferência

Sábado, 21/11/20

9h30 – 3ª Conferência

11h30 – 4ª Conferência

15h – 5ª Conferência

17h30 – 6ª Conferência

21h – Fórum

Domingo, 22/11/20

9h – 7ª Conferência

10h30 – Missa Solene

 

Como funciona o acesso?

Quando seu pagamento for confirmado, você receberá instruções de acesso por e-mail. 

Importante:

  • O acesso ao evento é pessoal e intransferível. Não é permitido compartilhar seus dados de acesso com terceiros (o sistema bloqueia)
  • Uma família pode assistir, junta, ao evento usando o mesmo login, desde que no mesmo computador
  • Se você não puder assistir ao vivo, não se preocupe: a gravação de cada conferência ficará disponível para assistir até segunda, 23/11/20.

A UNIDADE DA HUMANIDADE

L'unité du genre humain • La Porte Latine

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

O Bom Deus quis que os homens nascessem de um só homem e de uma só mulher – que ela mesma fosse tirada dele – para que a unidade da raça humana fosse perfeita. De fato, “Porque ninguém aborreceu jamais a sua própria carne, mas nutre-a e cuida dela”(Ef. 5, 29). Foi o pecado que destruiu este plano de Deus. Assim, o Gênesis conta o assassinato de Abel por seu irmão Caim, imediatamente após a narração do pecado original.

A Redenção deveria restabelecer as coisas da maneira mais maravilhosa no mistério do Verbo Encarnado, mas não suprimindo toda divisão entre os homens. Ao contrário, Deus se dirigiu à serpente tentadora, profetizando: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua raça e a dela” (Gn 3, 15). Toda a História Sagrada descreve as muitas separações que o Bom Deus permitiu ou ordenou: Abraão deixou sua família; Isaac, e não Ismael foi o escolhido; Jacó foi preferido a seu irmão Esaú … O que São Paulo disse ao louvar a fé poderíamos repetir sobre as divisões e separações que narra a Sagrada Escritura: “E que mais direi ainda? Fartar-me-ia o tempo, se eu quisesse falar de Gedeão, de Barac, de Sansão, de Jefté, de David, de Samuel, e dos profetas.“(Hb. 11, 32)

Os homens nunca aceitaram este plano divino. Não é incrível que o único evento narrado pelo Gênesis entre o Dilúvio e o chamado de Abraão seja a construção da Torre de Babel? Nada é dito sobre a história dos homens sobre como eles se multiplicam novamente, exceto a tentação de estabelecer uma unidade da humanidade sem recorrer a Deus. “Vinde, façamos para nós uma cidade e uma torre, cujo cimo chegue até ao céu: e tornemos celebre o nosso nome antes que nos espalhemos por toda a terra.”(Gn. 11, 4). Deus não demorou a castigar esta pretensão de restabelecer uma união dos homens que não fosse baseada no amor e serviço de Deus: “Vinde pois, desçamos, e confundamos de tal sorte a sua linguagem, que um não compreenda a voz do outro.”(Gn. 11, 7) Continuar lendo

CARTA DO PE. PAGLIARANI SOBRE A IMPORTÂNCIA DA ORDEM TERCEIRA DA FSSPX

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O Superior Geral da Fraternidade São Pio X, Pe. Davide Pagliarani, escreve aos fiéis e amigos da FSSPX sobre a importância da Ordem Terceira nos tempos atuais:

Caros fiéis e amigos da Fraternidade São Pio X,

Esta carta é dirigida a todos aqueles que aspiram à santidade; a todos aqueles que buscam um caminho fácil e uma ajuda eficaz para alcançar o Céu; a todos os católicos que amam sinceramente a FSSPX e que desejam estar mais intimamente ligados a ela. Sobretudo, dirige-se a todas as almas sinceras que amam a Nosso Senhor e que querem prova-Lo dando-Lhe “algo a mais“.

Não vos falarei aqui do sacerdócio, nem da vida religiosa, mas de outro meio que a Igreja dá aos fiéis para lhes ajudar: a Ordem Terceira. Todas as grandes Ordens religiosas têm uma, e se Mons. Lefebvre desejava fundar uma Ordem Terceira para a Fraternidade, é porque a via como um meio poderoso de santificação.

A Ordem Terceira é um dos “ramos” da FSSPX. Tornar-se membro da Ordem Terceira é, portanto, pertencer à família da Fraternidade, da mesma forma que Padres, Irmãos ou Oblatas. Significa entrar em sua vida, seu combate, suas alegrias e preocupações; significa apoiar todos os outros membros com a própria fidelidade e ser ajudado por todos quando a luta se torna cansativa e falta coragem. Este é, enfim, o dogma da Comunhão dos Santos, tão belo e consolador, vivida todos os dias! Continuar lendo

PARA UMA JUSTA REAVALIAÇÃO DO VATICANO II: O MAGISTÉRIO CONCILIAR SEGUNDO BENTO XVI

Concílio Vaticano II terminou há 50 anos: A Igreja é como uma árvore, dá  frutos a seu tempo | Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura

Fonte: Courrier de Rome  n.º 322, maio de 2009 – Tradução: Dominus Est

Autor: Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

3.1 – Uma nova perspectiva

O magistério ordinário universal é regulado em função do magistério solene, visto que o ecoa. Isso quer dizer que o magistério ordinário conciliar deve se definir enquanto tal como eco do Vaticano II. E nós podemos ver que de fato é o que acontece[38]. Ora, segundo João XXIII, a intenção do Vaticano II foi adotar as «formas de investigação e de formulação literária do pensamento moderno»[39].

E pouco antes de sua eleição ao soberano pontificado, o cardeal Joseph Ratzinger havia explicado claramente o que se deveria entender nessa passagem: o pensamento moderno se identifica com a cultura do Iluminismo, «definida substancialmente pelos direitos da liberdade» e que «ela parte da liberdade como valor fundamental e à luz da qual tudo é medido»[40]. Conforme essas duas interpretações autorizadas de João XXIII e do futuro Bento XVI, o concílio Vaticano II não quis mudar diretamente a verdade da doutrina, mas propô-la desde um ponto de vista novo: do ponto de vista da liberdade. Os dois pontos culminantes desse ensinamento são a declaração Dignitatis humanae sobre a liberdade religiosa e a constituição pastoral Gaudium et spes sobre a Igreja no mundo atual.

Mas certamente podermos nos perguntar como seria possível conciliar esse novo ponto de vista com a Tradição da Igreja. Com efeito, a verdade revelada por Deus é exprimida em conceitos que correspondem a uma filosofia bem determinada. Está é a filosofia natural à inteligência humana e é a única possível: filosofia do ser, que dá o primado à inteligência sobre a vontade e, portanto, sobre a liberdade, e onde a verdade se define como a exata conformidade da faculdade intelectual com a realidade, «adaequatio rei et intellectus». Não se pode mudar essa filosofia natural, dando o primado à liberdade, sem alterar profundamente a revelação divina, sem modificar o sentido das expressões dogmáticas[41]. No Motu proprio Doctoris angelici de 29 de junho de 1914, o papa São Pio X recorda a ligação necessária que existe entre uma sã filosofia, a filosofia perene de Aristóteles e de Santo Tomás, e a inteligência autêntica dos dogmas revelados: «Os principais pontos da filosofia de Santo Tomás não devem ser colocados no gênero de assuntos que podem ser disputados em um ou outro sentido, senão que devem ser considerados como fundamentos sobre os quais toda a ciência das coisas naturais se encontram estabelecidas; e se forem retirados ou alterados de qualquer maneira esses fundamentos, acontecerá necessariamente como consequência que os estudantes das ciências sagradas não percebam mais sequer o significado das palavras pelas quais os dogmas que Deus revelou são propostos pelo magistério da Igreja. É por isso que Nós quisemos que todos aqueles que se dedicam a ensinar a filosofia e a teologia sagrada fossem advertidos que, caso se afastem, sobretudo nas coisas da metafísica de Santo Tomás, não será sem grande prejuízo».

É por isso que o concílio Vaticano II dificilmente poderia propor a doutrina revelada do ponto de vista novo «das formas de investigação e de formulação literária do pensamento moderno» sem correr o risco de alterar profundamente a inteligência e o sentido do depósito da fé. Continuar lendo

IDEOLOGIA DE GÊNERO: MAIS UM PASSO DA REVOLUÇÃO ANTICRISTÃ

Ideologia de Gênero | Cooperadores da Verdade

“A Revolução é o triunfo do esforço de todas as potências tenebrosas que se sucederam no curso dos séculos (…), a coroação do incansável combate que o Inferno não cessou de travar contra a ordem divina, geração pós geração (…) e objetiva quase que exclusivamente a destruição do Cristianismo. Pois bem: o Cristianismo somente se encontra em estado íntegro, vivo e expansivo na Igreja Católica” (Jean Ousset, “Para que Ele reine”)

Pe. Ricardo Olmedo, FSSPX

Introdução

 O tema desta conversa é a descrição de um novo intento e ataque à ordem natural, à civilização cristã e à Igreja.

Por trás desse intento existe um poder oculto, inimigo de Deus, cuja cabeça só pode ser Satanás, que, por meio de organismos internacionais, organizações não governamentais e meios de comunicação de massa, vai impondo ideologias e modos de pensar e falar, em aberta oposição à Igreja Católica, à ordem cristã e natural. Sua meta: a Nova Ordem Mundial, humanista, antropocêntrica, na qual Deus é substituído pelo homem; um pretenso paraíso terrestre, em lugar da vida eterna.

Já faz mais de um século e meio que esse inimigo foi clara e publicamente denunciado pela hierarquia eclesiástica: “A Igreja teve outros inimigos (…); venceu a todos. Hoje, tem de enfrentar a Revolução”. E Monsenhor Gaume a definiu assim:

“Se, arrancando-lhe a máscara, perguntarem-lhe: ‘Quem és tu?’, ela responderá: ‘Não sou o que se imagina. Muitos falam de mim, mas poucos me conhecem. Não sou nem a Carbonária…, nem o motim…, nem a mudança da monarquia em república, nem a substituição de uma dinastia por outra, nem os distúrbios momentâneos da ordem pública. Não sou nem as vociferações dos jacobinos, nem os furores da Montanha, nem o combate de barricadas, nem o saque, nem o incêndio, nem a lei agrária, nem a guilhotina, nem os afogamentos. Não sou nem Marat, nem Robespierre, nem Babeuf, nem Mazzini, nem Kossuth1. Estes homens são meus filhos, não são eu mesma. Estes homens e estas coisas são fatos passageiros; já eu sou um estado permanente. Sou o ódio de toda ordem não estabelecida pelo homem e na qual ele não seja rei e Deus a um só tempo. Sou a proclamação dos direitos do homem sem a preocupação com os direitos de Deus. Sou a fundação do estado religioso e social sobre a vontade do homem em vez da vontade de Deus. Sou Deus destronado e o homem posto em seu lugar (o homem chegando a ser, ele mesmo, a sua finalidade). Eis aqui por que me chamo Revolução, quer dizer, inversão’.”

Nesse plano orgulhoso, blasfemo e diabólico, uma nova inversão vai se impondo com força avassaladora: a ideologia do gênero, aberrante atentado contra a ordem natural. É o que iremos expor com brevidade, propondo ao final algumas idéias para combatê-la. Continuar lendo

PARA UMA JUSTA REAVALIAÇÃO DO VATICANO II: O MAGISTÉRIO ORDINÁRIO UNIVERSAL É INFALÍVEL

Concílio Vaticano II precisa ser mais conhecido também pelos leigos -  Vatican News

Fonte: Courrier de Rome  n.º 322, maio de 2009 – Tradução: Dominus Est

Autor: Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

Segunda parte

2.1 – Valor dessa infalibilidade

O Vaticano I não diz explicitamente que o magistério ordinário é infalível. Em DS 3011 é dito que o que é ensinado pelo magistério ordinário universal deve ser crido com fé divina. Visto que o que é ensinado como devendo ser crido com fé divina é ensinado infalivelmente, infere-se daí que o magistério ordinário universal ensina infalivelmente. A infalibilidade do magistério ordinário universal é conclusão teológica.

2.2 – Qual é o fundamento da infalibilidade do magistério ordinário universal?

Devemos distinguir duas questões: o que funda a infalibilidade do magistério ordinário universal em si; o que funda essa infalibilidade em relação a nós, ou seja, qual é o critério de visibilidade da infalibilidade do magistério ordinário universal?

2.2.1 – O que funda essa infalibilidade em si mesma?

A infalibilidade é resultado da assistência prometida por Cristo no Evangelho de São Mateus, capítulo 28, versículos 18 a 20, a todo o corpo episcopal docente. Com efeito, há nessa passagem a instituição do instrumento do magistério ordinário universal, dotado com o carisma da indefectibilidade. Cristo disse: «Eu estarei convosco todos os dias». Ora, o sentido dessa expressão, onde se diz que «Deus está com alguém», é bem claro. Essa expressão é utilizada constantemente na Escritura para designar a proteção divina naquilo que há de certo e invencível. Ela significa uma assistência que não padece de qualquer falibilidade no cumprimento do dever que prometeu cumprir e que a preserva antecipadamente de tudo aquilo que lhe poderia causar uma perda ou desvio do fim visado.

Ora, os apóstolos e todos aqueles que lhes sucederam receberam a promessa dessa assistência de Cristo para sempre, e ela visa um efeito muito particular. Nessa passagem Cristo diz: «Estou convosco quando fordes ensinar o que está contido na revelação do meu Evangelho». Eis porque devemos reconhecer sem a menor dúvida que a assistência prometida nessa passagem, assim como a indefectibilidade que lhe está associada, diz respeito precisamente à transmissão intacta da doutrina autêntica de Cristo.

Observemos ainda que há nessa passagem da instituição do magistério ordinário universal a maneira como Cristo dará sua assistência: de maneira contínua e não somente intermitente. Com efeito, Cristo afirma ainda que Ele assistirá seus apóstolos e seus sucessores não somente em alguns dias e nem em certas circunstâncias, como é o caso no Evangelho de São Lucas, capítulo 22, versículo 32, quando se fala da assistência prometida somente aos sucessores de São Pedro, no exercício de seu magistério solene (locutioex cathedra ou concílio ecumênico). Em se tratando do magistério ordinário universal, Cristo diz o contrário: «todos os dias», o que exclui absolutamente toda interrupção, seja o quão breve for, nem mesmo por um só dia, e isso não deixaria espaço para qualquer deturpação. O que se deve ainda entender por «todos os dias»? Que a cada século, a cada geração, se manterá sempre de pé a mesma hierarquia apostólica que é a coluna e fundamento da verdade[28], porque ela transmite indefectivelmente o Evangelho recebido de Cristo. Continuar lendo

OS MAIORES INSTITUTOS MASCULINOS DA IGREJA (EM NÚMEROS). A FSSPX É O 39°

Classement des instituts masculins dans l'Église • La Porte Latine

Classificação dos Institutos masculinos na Igreja

Os números são do Anuário Pontifício de 2020, publicado pela Livraria Editora do Vaticano.

Fonte: La Porte Latine

  • O número total de membros masculinos é fornecido por cada Instituto no mundo: padres, irmãos, seminaristas e noviços.
  • São considerados apenas os institutos, regulares e seculares, com mais de 170 membros.
  • Após o nome de uso comum, segue entre parênteses as iniciais do nome oficial do Instituto (geralmente em latim).

Principais Institutos (mais de 1500 membros)

Maiores

maiores

Grandes institutos (800 a 1500 membros)

grandes

grandes

Institutos de Médio Porte (500 a 800 membros)

Medio

Medios

Pequenos Institutos (300 a 500 membros)

pequenos

pequenos

Institutos Menores (170 a 300 mebros)

menores

menores