CATECISMO DE SÃO PIO X – DOS EXERCÍCIOS PIEDOSOS QUE SE ACONSELHAM AO CRISTÃO PARA CADA DIA
969) Que deve fazer um bom cristão, pela manhã, apenas acorda?
Um bom cristão, pela manhã, apenas acorda, deve fazer o sinal da Cruz, e oferecer o coração a Deus, dizendo estas ou outras palavras semelhantes: Meu Deus, eu vos dou o meu coração e a minha alma.
970) Em que deveríamos pensar ao levantar da cama e enquanto nos vestimos?
Ao levantar da cama e enquanto nos vestimos, deveríamos pensar que Deus está presente, que aquele dia pode ser o último da nossa vida; e entretanto levantar-nos e vestir-nos com toda a modéstia possível.
971) Depois de se levantar e de se vestir, que deve fazer um bom cristão?
Um bom cristão, apenas se tenha levantado vestido, convém pôr-se na presença De Deus e ajoelhar, se pode, diante de alguma devota imagem, dizendo com devoção: “Eu Vos adoro, meu Deus, e Vos amo de todo o coração; dou-Vos graças por me terdes criado, feito cristão e conservado nesta noite; ofereço-Vos todas as minhas ações, e peço-Vos que neste dia me preserveis do pecado, eme livreis de todo o mal. Assim seja”. Reza depois o Padre-Nosso, a Ave-Maria, o Credo, e os atos de Fé, de Esperança e de Caridade, acompanhando-os com um vivo afeto do coração. Continuar lendo
O CIRCO DA IGREJA CONCILIAR
Terceiro dia da Novena a Nossa Senhora Aparecida (5 de outubro de 2016) no Santuário Nacional de Aparecida.
Até quando Nosso Senhor permitirá essa profanação da Casa de Deus? Esse desprezo por tudo que é sagrado e a exaltação do profano e do sacrílego?
Veja também:
9 de outubro de 2013: Novena da Padroeira, o carnaval continua em Aparecida.
8 de outubro de 2012: No “Espírito de Aparecida”: discípulos-missionários ou ridículos-salafrários?
MULHER FORTE E A ESMOLA
Manus suam aperuitinopi et palmas suasextendit ad pauperem.
Ela abriu a sua mão ao indigente, e estendeu os braços e as mãos ao pobre.
(Prov., XXXI)
Senhoras.
Explicando os dois antecedentes versículos do livro dos provérbios, sobre a mulher forte, vimos que ela podia gozar do bem que se opera em derredor dela, do bom resultado das suas obras, e deixar expandir o coração no espetáculo da felicidade e da prosperidade de sua família, uma vez que a sua alegria não fosse de orgulho e estivesse contida nos limites da sabedoria: pois o abuso das melhores coisas pode conduzir a alma aos sentimentos do pueril amor-próprio e da triste vaidade, que, de tal forma são comuns entre os homens, que até, muitas vezes, senão sabe que conselhos se lhes hão de dar.
Se alguém os empenha a rejubilarem-se em Deus, e rejubilarem-se com tudo quanto pode ser bom na vida, porque a vista do bem dilata e anima, deixam-se cair no ridículo e na desorientação de uma miserável vaidade; se, no contrário, alguém comprime ao mesmo tempo, a mola do louvor e da justa apreciação das coisas, e se detém assim a legítima satisfação que pertence necessariamente à virtude, segundo a doutrina de São Tomás, a alma estiola-se, e expõe-se a perder toda a energia, e toda a atividade para o bem.
Recomendamos em seguida, uma grandíssima reserva na manifestação do bem e da alegria. Pondo mesmo de parte os princípios da humildade, o orgulho, a inveja, a vaidade magoada e os pequenos amores-próprios, que nos rodeiam sempre, como pequenas serpentes, deveriam empenhar-nos a viver na obscuridade, a ocultar a nossa ventura, o nosso engrandecimento, e a passar neste mundo, tanto quanto possível, como o regalo sob a folhagem. Continuar lendo
TEILHARD DE CHARDIN, O PROFETA DO CRISTO CÓSMICO
[Capítulo XV do livro Cent ans de modernisme. Généalogie du Concile Vatican II (Editions Clovis, 2003) do padre Dominique Bourmaud, FSSPX.]
Falando estritamente, uma síntese de Teilhard parece fora de propósito numa recensão genealógica dos princípios modernistas, porque nosso protagonista não é filósofo, nem exegeta, nem propriamente teólogo. Porém, fazer o álbum da família neomodernista sem incluir Teilhard de Chardin seria expor-se a subestimar a popularidade do movimento nos círculos profanos. Se, no período das primeiras publicações teilhardianas, em 1927, o modernismo não passava de uma sombra, trinta anos depois, quando da morte de Teilhard, o vírus conquistara todos os níveis hierárquicos e infectara aos pensadores mais sutis, antes de ganhar Roma. O fenômeno teilhardiano age como um termômetro. É o ponto de referência, o critério definitivo que permite distinguir entre modernistas e católicos fiéis. Depois de um esboço do profeta e da sua visão, será preciso abordar as razões profundas de sua celebridade, de ordem científica e mística, para concluir com sua influência póstuma.
1. O profeta e sua visão
Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955) nasceu em Auvérnia (França), e descende de Voltaire por parte de mãe. Seu professor de literatura e futuro amigo, Bremond, o descreve à idade de quatorze como muito inteligente, mas desesperadamente tranquilo. Não se podia encontrar a menor exaltação em seus olhos, de tão imerso que vivia em outro mundo, de tão absorto que estava por uma paixão todo-poderosa. Este é o primeiro testemunho da dupla personalidade de Teilhard: por um lado, o estudante modelo que se tornará sacerdote jesuíta; por outro lado, o visionário obcecado por uma idéia fixa, seu sonho da evolução criadora. Esta dualidade psíquica se revela em suas atitudes paradoxais. Teilhard exulta de uma alegria lírica e romântica perante as bombas atômicas, que evocam, para ele, nem tanto o dia do Juízo, mas as fecundas entranhas da evolução. Ele chora de emoção diante do ferro oxidado. Extasia-se na presença da matéria, na presença de toda matéria. Esse delírio pela evolução provavelmente explica seu interesse pelos audaciosos avanços da bioética e pela revolução chinesa de Mao Tse Tung.
A atração irresistível pela biologia e a paleontologia orienta seus estudos pessoais, e daí em diante tudo será compreendido sob o ponto de vista da evolução da matéria. Os anos 1916-1918 marcam a virada decisiva de seu pensamento, o que ele chama de seu segundo nascimento. Ora, nessa época, buscava-se um pioneiro, um herói dentro do clero, e se fosse jesuíta, tanto melhor. Um herói e um pioneiro entre os jesuítas deveria dar mostras de certas qualidades: um profundo intelectualismo, um contato fácil com os grande deste mundo, um toque de poesia e de misticismo, um espírito de independência frente a Roma e, enfim, relações mundiais que lhe dessem distinção, e mesmo um certo nível de celebridade, de internacionalismo[1]. Ora, Teilhard não só possui todas estas qualidades, mas também muitas outras. Ele tem uma imensa fé em suas crenças que, mesclada a uma pitada de auto-suficiência e de originalidade, lhe trará uma incrível popularidade. Sua linguagem esotérica e mistificadora apresenta a grande vantagem de permitir que cada um o entenda como melhor lhe pareça[2]. Se, além disso, com sangue frio e convicção, ele diviniza o progresso indefinido do mundo, o advento do Super Homem e a evolução inelutável, logo será consagrado como o profeta dos novos tempos. Este é o segredo deste homem fascinante. Teilhard nada tem de pensador profundo; é um visionário atormentado por um desejo messiânico que nele se torna uma idéia fixa. Não é um teórico, é um vulgarizador. Não é um sábio especulativo, é um profeta. Um profeta que, ao mesmo tempo, é consciente de sua missão:
“ele tem a sensação de possuir, por seus estudos, relações e mesmo dons, uma espécie de missão científico-religiosa in partibus infidelium”[3].
Se sua visão do mundo e da religião apresenta um atrativo irresistível para o pensamento moderno, é porque oferece uma explicação que não deixa de ter um toque de gênio. Propõe uma síntese notável por sua coerência, tão grandiosa quanto atrevida. Para Teilhard, tudo, tanto o mundo sobrenatural como o natural, emergiu da matéria em perpétua evolução, e tudo converge para um ponto comum. Este sistema está perfeitamente elaborado em suas duas obras, O fenômeno humano e O ambiente divino, que resumiremos rapidamente.
Na obra O fenômeno humano, que trata da gênese da espécie humana a partir do cosmos, Teilhard quer fazer uma obra de ciência pura, baseada apenas na aparência sensível, o fenômeno[4]. Como biólogo que é, seu ponto de partida é o evolucionismo biológico, uma hipótese científica que explica que tudo o que se move sobre a terra descende de um tronco comum. Em particular, o homem evoluiu a partir da ameba monocelular mais simples, que, por sua vez, saiu da matéria inerte. Deste ponto de partida, ele deduz, por generalização, a «lei de complexidade e de consciência». Esta lei estabelece que, na escala dos seres vivos, o grau de consciência vital corresponde ao grau de complexidade do organismo nervoso, nos vegetais, ou do cérebro, nos animais. O homem, único ser dotado de reflexão, apresenta o máximo de consciência. Mas, longe de ser exclusiva dos seres vivos, a lei de complexidade e de consciência se aplica também aos minerais, que acreditamos desprovidos de vida, e que têm, não obstante, uma parte de consciência que Teilhard chama de energia psíquica.
Com semelhantes princípios condutores, ele está em condições de descrever a formação do universo criado, a “cosmogênese”. O universo formou-se por uma progressão contínua de complexidade orgânica, que seguia lado a lado com a intensidade de energia. O mundo se fez em três etapas separadas por dois saltos, vale dizer, por transformações de energia mais profundas. O primeiro salto é a passagem dos seres inanimados para os seres vivos. O segundo salto designa a passagem dos seres vivos mais desenvolvidos aos homens. A evolução termina no homem? Os cérebros humanos acabarão por se reunir fisicamente para produzir um cérebro mais complexo? Teilhard não acredita nisso, porque o homem já tem em si mesmo toda a perfeição de reflexão e de pensamento. Porém, a evolução biológica continuará no sentido da convergência de todos os espíritos humanos para reunir a humanidade inteira. O pensamento deve tender biologicamente a se socializar, isto é, a se unir em uma comunidade perfeita de pensamento e de amor. Ela terminará em um ponto de união, um Superespírito, ser pessoal e preexistente a todos, sem, no entanto, absorvê-los. Este ponto final, que Teilhard chama de «Ponto Ômega», será dotado das propriedades do próprio Deus. E, finalmente, chegará o dia em que essa convergência exigirá uma evasão coletiva de toda a humanidade para fora da matéria, a fim de reunir-se no Ponto Ômega: este será o fim do mundo.
O fenômeno humano pretendia ser uma obra puramente natural e científica. Já O ambiente divino escreveu-o Teilhard como cristão e pressupõe as verdades de fé. Este segundo livro tem uma dinâmica paralela ao primeiro e visa principalmente a identificar o Ponto Ômega com a encarnação de Cristo. É a obra mística de Teilhard, e a ela não faltam atrativos. Posto que tudo, até mesmo o material, foi feito para nossa alma, e que nossa alma está consagrada a Deus, segue-se que todo o real é sagrado.
“Cristo é o término da evolução inclusive natural dos seres: a evolução é santa”[5].
Tudo está submetido à atração de Cristo por via de consumação. Teilhard afirma que a encarnação fez do mundo inteiro um sacramento. Ele compara o mundo com as espécies sacramentais:
“Deus meu …, para que eu não sucumba à tentação de maldizer o Universo, fazei que eu o adore, vendo-vos oculto nele. A grande palavra libertadora, Senhor, a palavra que revela e opera, ao mesmo tempo, repita-a para mim, Senhor: “Hoc est corpus meum.” De fato, o monstro, a sombra, o fantasma, a tempestade – se quisermos, sois Vós … No fundo, não são mais que as espécies ou as aparências de um mesmo Sacramento”[6].
É igualmente pela Encarnação que o Verbo se constituiu o centro físico e biológico da evolução natural do mundo. Reinterpretando a doutrina de São Paulo sobre a formação do Corpo místico de Cristo, Teilhard transpõe essa união mística dos eleitos com a Cabeça da Igreja em termos de evolução para um todo natural e físico. Assim como a «santa matéria» engendrou os homens por evolução vital, os homens engendrarão o Cristo por evolução progressiva: a cosmogênese se converte em cristogênese, a formação do Cristo total entendida, em Teilhard, como um todo biológico e físico. Claro está que ele não se refere à pessoa histórica de Jesus de Nazaré. Ele fala de uma
“terceira natureza de Cristo, em um sentido verdadeiro, que não seria humana nem divina, mas cósmica”[7]. “Para converter-se no Alfa e no Ômega, Cristo deve, sem perder sua dimensão humana, fazer-se coextensivo às dimensões físicas do tempo e do espaço”[8].
Inútil dizer que este Cristo está ainda em vias de formação e só existirá definitivamente quando se tornar o Ponto Ômega. O Cristo de quem Teilhard fala é
“o motor essencial de um humanização que conduz a uma ultra-humanização. O desvio cósmico move-se em direção a um incrível estado quase “monomolecular”… onde cada ego está destinado a alcançar seu paroxismo em algum misterioso superego … Somente esta integração poderá fazer que apareça a forma do homem futuro, em que o homem alcançará plenamente o fim e o ápice do seu ser”[9].
Teilhard explica que esta integração desemboca na religião sincretista, isto é, na convergência geral das religiões em direção a um Cristo universal que, no fundo, satisfaça a todas. Esta lhe parece ser a única conversão possível para o Mundo e a única forma imaginável para uma Religião do futuro[10].
Desde as primeiras publicações, essas teses audaciosas foram submetidas a duras críticas, e seus superiores romanos o proibiram de escrever. Mas Teilhard recebia a proteção dos superiores locais, e nos ambientes da vanguarda seus textos circulavam com ainda mais gosto pelo sabor que tinham de fruto proibido.Exilado em Pequim, ali ficou sob bloqueio durante toda a guerra, só regressando à Europa em 1945. Cinco anos depois, na encíclica Humani generis, Pio XII condenou seus erros teológicos. O superior de Teilhard, Janssens, cogitava expulsá-lo, mas temendo seriamente uma revolta na Companhia de Jesus, acabou por lhe dar total liberdade de movimento, exilando-o nos Estados Unidos, em 1951. Lá, graças ao fascínio por suas ideias e, ressalte-se, graças também a sua agilidade mental, Teilhard pode seguir com suas investigações até à morte, em 1955.
Assim, por quinze anos, até o Concílio, se tornou possível o lançamento metódico de seus livros, que contradiziam quase sistematicamente todas as posturas ortodoxas. Na verdade, nem sua pessoa e nem mesmo suas ideias foram importunadas seriamente, uma vez que poderosos protetores o cobriram com um pudico véu[11]. Suas obras, imbuídas de modernismo, nunca foram condenadas durante sua vida, e, em 1962, um simples Monitum, que estava longe de ter a força de uma inclusão no Index, declarou suas obras póstumas como “cheias de ambiguidades, ou melhor, de graves erros, que ofendem a doutrina católica”. Esta ausência de condenação é um sinal da enfermidade que atravessava a Igreja, mas também da astúcia que os seus amigos utilizaram para proteger o novo precursor da Igreja do futuro.
2. A convergência da fé modernista e da ciência
Qual é a explicação para o fenômeno teilhardiano? Diga-se o que quiser, a razão primordial para a imprensa internacional colocá-lo nas nuvens, era ser um cientista, além de padre e jesuíta, que enfrentava o dogma da Criação e do pecado original, colocando a fé de joelhos diante da ciência. Eis o motivo da auréola de sábio atribuída ao jesuíta. Teilhard pretendia revisar o velho problema da relação entre a fé e a ciência. Desde Siger e Lutero, a partir de Descartes e da filosofia moderna, a fé e a ciência tinham sido consideradas autônomas, cada uma reinando em sua esfera. Mas como a ciência é rigorosa e seus progressos trazem imensos serviços à humanidade, o homem moderno, que deixou de lado a metafísica, já não tem o que fazer com um Deus inoportuno que pouco a pouco se tornou quimérico. O modernismo nasceu da briga mortal entre a fé católica e a «ciência» que pretende contradizer o dogma. O neomodernismo de Teilhard tropeça no mesmo escolho. Ora, naquela época, falava-se muito da teoria da evolução científica das espécies. Spencer, Lamarck, e por último Darwin, desenvolveram várias idéias para propagar essa hipótese científica.
É nesta conjuntura que Teilhard intervém. Vendo a antiga Igreja desafiada pela ciência moderna, procura oferecer uma solução. Pretende ser não tanto o apóstolo da Igreja antiga, mas o fundador de uma nova religião. Quer estabelecer essa religião que floresce no coração do homem moderno a partir da ideia de evolução. Na verdade, o verdadeiro fundador do novo culto não é Yahvé e nem Cristo, mas Charles Darwin. Para reabilitar seu leitmotiv da evolução divina, Teilhard vai cruzar os mares e realizar as descobertas do homem de Piltdown e do homem de Pequim[12]. Mas essas descobertas científicas, que o levaram à glória, provocaram também seu ocaso quando comprovado que se tratavam falsificações. Porém, o problema capital desta teoria não reside na adoção de uma hipótese científica, por mais discutível que seja. Deriva, principalmente, do fato de que Teilhard pretende implantar a evolução darwiniana em um campo que não era o seu: a teologia. É neste ponto que reside o pecado original do teilhardismo: querer passar do chinês ao árabe, de um registro a outro; querer traduzir os dados das ciências experimentais (biológicos, geológicos, etc.) para a linguagem filosófica e teológica. Como se o botão de rosa e a evolução do grão em espiga pudessem definir uma verdade atemporal ou um dogma de fé!
Santo Tomás tinha suas razões para dizer que uma falsa ideia sobre a natureza da criação implica sempre em uma falsa ideia de Deus: a criação é a única via racional que conduz a Deus. Ora, a “criação” teilhardiana está nas antípodas do Gênesis bíblico.
É a partir de um novo conceito da gênese do mundo, uma evolução extrema da matéria “espiritual”, que Teilhard constrói toda sua teologia. O cosmos se desenvolveu a partir da “santa matéria”, por graus sucessivos ordenados em milhares de anos. A matéria é o estofo do mundo,
“onde o mais pressupõe o menos, onde pela Evolução algo de substancial se depura e passa realmente do polo material ao polo espiritual do Mundo”[13].
Os dogmas da criação e da existência de um Deus criador, e, por tabela, o dogma do pecado original, são sacrificados no altar da Evolução, a única categoria do pensamento teilhardiano, segundo as palavras de seu amigo e admirador Urs Von Balthasar.
Se Teilhard acolhe a invenção darwiniana de evolução no que se refere ao início do mundo, o fim dessa evolução é fruto de seu próprio credo. Em um determinado momento, surgiram homens — homo sapiens — em diferentes pontos do globo[14]. Com o aparecimento dos homens, começa a História humana e a ascensão de todos os indivíduos à unidade perfeita, o Ponto Ômega da História. Nós nos encontramos agora no coração desse processo de gestação grandiosa da Humanidade. A evolução contínua acabará em apoteose quando a Humanidade inteira se transformar em um Super-homem tão certo quanto misterioso. É a mesma doutrina que encontramos exposta em Hegel e Strauss, repetida depois por Loisy e Tyrrell. Mas por que essa necessidade de pôr em maiúsculas o homem, abstraindo-o de sua condição individual, para não ver senão sua essência pura e ideal? Porque o indivíduo concreto, Pedro ou Paulo, tomado separadamente, é limitado, e não é necessário acreditar no pecado original para ver que é um ser caído. Por outro lado, o Super-homem, o Homem ideal, é isento do pecado original e se torna mais verossímil qualificá-lo de salvador e de todo-poderoso. Esta salvação pelo Super-homem, esta redenção com a qual sonha Teilhard, é a hominização, a reunião dos homens em uma fraternidade universal, a salvação futura e coletiva.
É evidente que semelhante enfoque exige o abandono completo da fé. Além da criação, todo o catecismo é desfigurado na sinfonia teilhardiana da evolução: o espírito, o mal, o pecado original, a parusia e o céu. As noções mais sagradas são conservadas, mas, ao mesmo tempo, são esvaziadas de seu sentido original e transformadas ao modo da “gênese”. Se o sistema teilhardiano é notável por sua consistência, também é célebre pela série de erros graves. Em Teilhard, tudo flui por necessidade física. Toda a evolução biológica, histórica e crística é organicamente coerente. Há um fluxo evolutivo necessário entre a criação, o pecado, a Redenção e a Ressurreição. Entre a cosmogênese e o Ponto Ômega quase não sobra lugar para o sobrenatural, que, segundo Teilhard, teria sido inventado por Santo Agostinho:
“Não me falem desse homem nefasto: pôs tudo a perder ao inventar o sobrenatural!”[15].
Tampouco há lugar para Deus e sua liberdade:
“A fim de ser Deus, deveria criar o mundo”[16].
Mas essa é a essência mesma do panteísmo, pois afirma que o mundo procede por emanação necessária, e por conseguinte, que é tão necessário e divino como o próprio Deus.
3. A convergência do modernismo e do panteísmo
Sublinhamos, há pouco, os traços inequívocos de panteísmo nos escritos de Teilhard de Chardin. Se ele é discreto em seus primeiros textos, é certo que suas obras, senão seu pensamento, amadureceram com os anos, de maneira que seus últimos trabalhos são muito reveladores. Eis aqui alguns trechos:
“Não me dei conta que, inevitavelmente, à medida que, das profundezas da Matéria até os cumes do Espírito, Deus “metamorfoseava” o mundo – o mundo, por sua vez, devia ‘endomorfizar’ a Deus. Sob o efeito mesmo da operação unitiva que o revela a nós, Deus de algum modo ‘se transforma’ encorporando-nos a si.”[17]. “Não aceito a postura ‘antipanteísta’ que o senhor atribui a mim. Ao contrário, sou essencialmente panteísta de pensamento e de temperamento; e passei toda a minha vida declarando que existe um verdadeiro ‘panteísmo de união’, Deus omnia in omnibus (um pancristismo, diria Blondel) frente ao pseudopanteísmo de dissolução, Deus omnia. E por isto mesmo não sinto nenhuma simpatia pelo Criacionismo bíblico (salvo na medida em que funda a possibilidade de união). De outro modo, a idéia da criação bíblica me parece infantil e antropomórfica”[18]. “Se, em consequência de alguma perturbação interior, eu chegasse a perder sucessivamente minha fé em Cristo, minha fé em um Deus pessoal, minha fé no Espírito, parece-me que continuaria acreditando no mundo. O mundo (o valor, a infalibilidade e a bondade do mundo) é, em última instância, a primeira e a única coisa em que acredito… Abandono-me à fé confusa em um Mundo uno e infalível, onde quer que ela me conduza”[19].
Vejamos agora rapidamente as relações e implicações que existem entre o modernismo e o panteísmo, que decididamente parecem obcecar os pensadores cativados pelas ideias modernas. Trata-se de harmonias inexplicáveis sem vínculo necessário, ou há entre elas relação de causa e efeito? Esta é a questão que precisamos responder neste parágrafo.
Historicamente só houve duas formas de pensamento e de vida[20]: o “sobrenatural” carnal e o sobrenatural espiritual. O que a História revela dos sistemas religiosos, a razão prova com facilidade. A religião, vínculo entre o homem e Deus, tem duas expressões possíveis: ou o homem reconhece um Deus exterior que a ele se revela, ou o rejeita. Se o aceita, essa religião não é outra que a religião católica, a única que recebeu a Revelação do Deus feito homem. Ela tem uma visão otimista do mundo saído das mãos de Deus, “Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra”, e se há o mal, a culpa recai nas criaturas que pecaram e caíram. Posto que é um ser caído, o homem tem necessidade de um Salvador para elevar-se até Deus. Mas se o homem não reconhece seu Criador, tem de introduzir “Deus” em seu foro interior, fazendo, assim, “Deus” à sua imagem e semelhança. Neste caso, “Deus” é uma criação do homem, é o homem que toma consciência de si mesmo. Tudo está contido no homem que, mediante evolução progressiva, torna-se “Deus” por suas próprias forças. A religião em que o homem se autodiviniza e adora a si mesmo é a negação do pecado original e a rejeição do Salvador. Estamos no coração da heresia modernista.
Essa divisão das crenças e da cultura em duas posturas antagônicas constitui o enredo da História considerada em seu conjunto. O primeiro homem sucumbiu à mesma tentação de Lúcifer, a de querer ser como Deus. E, depois do pecado original, a história das religiões, quer dizer, a História simplesmente, é um perpétuo recomeço. Os persas seguem Zoroastro e a religião maniquéia dos dois deuses do bem e do mal; os budistas seguem os hinduístas com sua filosofia panteísta (o mundo é Deus), e rumam em direção à “perfeição” do nada, que chamam de nirvana — extinção — por meio da autoconsciência e do espírito[21]. No século III, a gnose maniquéia retoma as mesmas ideias panteístas ensinando precisamente o contrário da doutrina cristã. Três princípios conjugados lhes dão coesão: a desvalorização do cosmo; o vôo místico para o mais além; e o meio para realizar este voo místico, a gnose ou o conhecimento esotérico. Os gnósticos negam absolutamente o pecado original universal e a necessidade de um Redentor[22]. Longe de sermos seres caídos, somos seres divinos que, sem culpa da nossa parte, fomos atirados em um universo cruel, inexplicável e caótico. Da Criação maligna, os gnósticos deduzem que o homem tem de libertar-se deste mundo para se divinizar, mediante um “êxodo” ou viagem mística. Como o único caminho racional que conduz a Deus, a Criação boa, lhe está fechado, o homem tem de inventar um caminho gnóstico, a descoberta do “sagrado”, que o eleva por suas próprias forças até a divindade.
A crença panteísta tem sete vidas. Nesse ponto, a História corrobora o que já a teologia ensinava anteriormente sobre a origem única de todas as heresias. O panteísmo repete no homem o pecado de Lúcifer e dos anjos rebeldes, e não é nada surpreendente que todas as heresias deitem nele as suas raízes. A mesma tentação de um Deus imanente, do homem que faz Deus a sua imagem, existe há mais de vinte séculos. Passou sucessivamente por Confúcio e Buda, no século VI antes de Cristo, à cabala farisaica, ao maniqueísmo dos séculos II e III, e ao bramanismo. Voltamos a encontrá-la no milenarismo, depois no catarismo do século XIII, e finalmente em Jakob Böhme e Baruch Spinoza, no século XVII[23]. Curiosamente, observa-se um recrudescimento das mesmas tendências imanentistas e panteístas no século XVIII, o século da maçonaria, o século dos filósofos “deístas”, que seriam melhor chamados de ateus. Os novos magos são legião: Rousseau, Voltaire, os enciclopedistas, Kant e Hegel, Nietzsche e Marx. Sua linguagem é direta quando descrevem o “assassinato de Deus”, a “Sexta-feira Santa especulativa” de Hegel e o “Deus está morto” de Nietzsche. Vimos como os protestantes modernistas do século XIX estavam imbuídos das mesmas tendências, com Schleiermacher e Strauss. Os modernistas católicos do início do século XX foram contaminados por essas idéias deletérias. Bergson e Le Roy, Hébert e Loisy, Blondel e Tyrrell, professaram todos de maneira mais ou menos matizada sua fé num Deus que existe dentro da mente humana.
Assim, quando Teilhard chega ao campo das idéias depois do período modernista, só precisa consultar seus predecessores para continuar os seus temas habituais. Possivelmente foi buscar também em Madame Blavatsky e seu movimento teosófico, nascido pouco depois de Darwin[24]. Teilhard não esconde que suas idéias exalam o odor do maniqueísmo[25]. De fato, a síntese de Teilhard faz progredir a causa panteísta ao lhe dar coesão. Até então, os mestres haviam sentido dificuldade em unir as duas pontas da cadeia: a queda da criação material e a salvação terrestre. A Teilhard coube o mérito de tê-las unido. Ele é o arauto da Igreja sincretista, onde o homem salva-se por si mesmo ao alcançar o Ponto Ômega. Mas para que esta “Boa Nova da salvação por si” seja aceita, é preciso, que seja apresentada sob os auspícios da “criação por si” darwiniana. Melhor que os maniqueus e os alemães, Teilhard descreve perfeitamente a relação íntima entre a “criação por si” e a “salvação por si”, graças ao incessante processo da evolução. Se os átomos se uniram em moléculas, e as moléculas em seres vivos de todas as classes, por que a humanidade não poderia se unir por si mesma na Nova Jerusalém? A Jerusalém apocalíptica é o Corpo místico de Cristo, o “Super-homem” que começa a se formar diante de nossos próprios olhos, pelo esforço único do homem, através das façanhas da tecnologia e do aparecimento dos Superestados. E esta “superevolução” pretende continuar a evolução darwiniana das formas orgânicas.
Se a religião panteísta sempre existiu como fenômeno oculto transmitido pela maçonaria e pelas seitas, agora dispõe de uma generosa difusão no recente movimento, embora já muito poderoso, da New Age. É suficiente citar a profissão de fé feita por um jornalista partidário desta Nova Era de Aquário para compreender a influência panteísta, hegeliana, teilhardiana, e por que não confessá-lo, luciferiana, desse movimento:
“O universo em sua totalidade é um ser espiritual, vivo e consciente, do qual nós todos fazemos parte. Esta Consciência, chamem-na de ‘Deus’ ou do nome que lhes convier, está habitada por aspectos de si mesma, quer dizer, por seres conscientes. O universo não é mais que uma única e mesma vibração, o Amor! A partir do Amor, as consciências desejam ser geradas, como aspectos vibratórios, como sombras, como fontes luminosas. Os seres humanos criaram-se a si mesmos para experimentar o amor, a inteligência, a matéria e a ação. Atravessamos uma série de vidas encarnadas e desencarnadas que nos conduzirá à fusão final com a Consciência Única, que é a identidade subjacente de tudo o que existe no universo, e é a origem e o destino de todos os seres separados. É preciso preparar o futuro da humanidade, o Homem Novo, um ser de quem nós ainda não podemos ter idéia de como será, como tampouco podemos suspeitar em que consistirá a originalidade da Consciência coletiva humana. A missão que cabe a nós, homens da Nova Era, é conduzir todos os seres humanos capazes de ser receptivos ao estado de consciência anterior à queda. Pouco a pouco, esta nova consciência se introduzirá nas atividades cotidianas dos homens e, cada vez mais, as células humanas individuais tomarão consciência do que acontece. A mudança acontecerá a uma velocidade exponencial”[26].
4. Discípulos e continuadores de Teilhard
Teilhard está morto e enterrado há algum tempo. Assim também a maior parte de suas obras. O teilhardismo, por outro lado, tem se portado bem. Com a revolução vaticana, Teilhard obteve não só o direito de cidadania, mas o trono de monarca absoluto nos meios eclesiásticos influentes. Se seus primeiros livros destilavam veneno em doses mais ou menos homeopáticas, nos últimos, o veneno corria aos borbotões. As primeiras publicações passavam de mão em mão entre bons amigos. Assim que foi atacado, seus amigos fizeram coro para defender aquele mártir da boa causa. Aproveitaram a ocasião para injuriar seus oponentes e injetar mais evolucionismo teilhardiano nas veias de leitores ingênuos. De Lubac, embora negasse ser teilhardiano, foi seu maior protetor e promotor antes e depois da censura romana. Já falamos também de Von Balthasar, que se inclinou seriamente às doutrinas do seu amigo. Mesmo se, em 1919, Blondel se escandalizava com as afirmações exageradas de uma ação demasiado naturalista e física de Cristo no mundo, manteve, ainda assim, uma grande admiração por este amigo de seus amigos.
“Compartilho também em tudo (como sempre o fiz) as idéias e sentimentos do padre Teilhard sobre o problema cristológico”[27].
Por fim, resta apenas acrescentar algumas palavras sobre a geração seguinte.
Ratzinger cita-o elogiosamente por ter repensado as relações do homem com Cristo a partir da imagem atual do mundo. Não hesita em mesclar o sonho de Teilhard com a cristologia de São Paulo.
“A partir daí, a fé verá em Cristo o começo de um movimento que introduz cada vez mais a humanidade dividida no ser de um único Adão, de um único ‘corpo’, no ser do homem futuro. Verá em Cristo o movimento para este porvir do homem, em que este se compreenderá totalmente ‘socializado’ e incorporado ao Único. Cristo, o último homem: mais que homem, o homem verdadeiro, o mais ilimitado, que não só entra em contato com o Infinito, mas que é um com ele: Jesus Cristo. Nele, o processo de hominização chega realmente a seu termo”[28].
O Papa Paulo VI manifesta também sua amizade por esse arauto dos novos tempos. Em uma entrevista com o padre Boyer, um dos adversários mais encarniçados de Teilhard, o Papa o exorta vivamente a reabilitar simultaneamente Teilhard e De Lubac. Boyer, sob o efeito da pressão pontifícia, é obrigado a escrever a De Lubac, assinalando
“a grande estima que [o Papa] sente por sua pessoa e seus escritos. Ao mesmo tempo, expressou, apesar de algumas reservas, uma apreciação sobre o padre Teilhard que não desagradaria ao senhor. Minhas reflexões me levaram a pensar, pois, que nesse congresso nós deveríamos ouvir uma exposição favorável ao pensamento do padre Teilhard de Chardin”[29].
O futuro João Paulo II estava familiarizado com Teilhard há muito tempo, pois, de acordo com os estudiosos, ele é o autor que cita mais frequentemente, junto com De Lubac. Imitando-o, pensa que a evolução serve de explicação em matéria religiosa, o que chama de historicismo do dogma. O Papa compartilha sua visão escatológica e a aplicou particularmente para o ano 2000. Acredita também na salvação coletiva da humanidade[30]. Sua admiração por Teilhard iguala-se a de Paulo VI. Em 1981, por razão do centenário do nascimento de Teilhard, João Paulo II enviou uma carta ao Instituto Católico de Paris que
“manifestava uma atitude da Santa Sé que lhe era [a Teilhard] bastante favorável, dissipando assim os temores difundidos por teólogos de rara falta de inteligência e grande agressividade; e exaltava a maravilhosa repercussão das suas investigações, ao mesmo tempo que o brilho da sua personalidade e a riqueza do seu pensamento”[31].
Teilhard foi definido ali como
“um homem cativado por Cristo no mais profundo do seu ser, solícito por honrar ao mesmo tempo a fé e a razão, respondendo deste modo, quase com antecipação, a invocação de João Paulo II”.
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A teologia de Teilhard[32] situa-se na linha do modernismo panteísta dos Schleiermacher, dos Loisy e dos Tyrrell. Apresenta, inclusive, o mesmo desprezo pela razão[33]. Sacrifica os dogmas mais fundamentais da fé católica: o pecado original, Deus e o Salvador. Oferece incenso aos mitos da Evolução e do Homem, e à salvação universal pelo homem e para o homem. É evidente que Teilhard afirmou coisas contrárias à fé, para quem o compara aos inimigos da Igreja, que souberam usar as teses do paleontólogo jesuíta. Alguns dos seus amigos não duvidam em definir cruamente sua obra:
“Teilhard de Chardin cometeu o pecado de Lúcifer que Roma reprovara nos maçons: no fenômeno da ‘humanização’, o homem é que se encontra no primeiro plano. Quando a consciência alcança seu apogeu, o Ponto Ômega, como diz Teilhard, o homem será tal como nós o desejamos, livre em sua carne e em seu espírito. Assim, Teilhard pôs o homem no altar e, ao adorá-lo, não pôde adorar a Deus”[34].
Seria Teilhard um maçom que vendeu sua alma ao diabo, animado a destruir para construir o novo? Não. Carecia totalmente de espírito prático. Terá servido conscientemente à anti-Igreja para destruir o Reino de Cristo a partir do seu interior? Não se pode ter certeza. Mas fato é que, atuando sozinho no terreno minado da evolução, fez mais pela causa dos inimigos da Igreja do que se o ataque tivesse vindo de fora. Ninguém jamais injetara o veneno modernista da ciência “pura” e do revolucionismo religioso como Teilhard. É preciso reconhecer que seu sistema chega na hora certa para servir aos projetos tanto maçônicos quanto modernistas, pois a nova formulação teilhardiana dos dogmas cristãos é o meio para transformar a Igreja e integrá-la — ou melhor dizendo, desintegrá-la — em uma Superigreja universal.
Tradução: Ricardo Bellei
Fonte: Permanencia
[1] Malachi Martin, The Jesuits, p. 286.
[2] Harmorização, hominização, cristogênese, cristificação, plerominização, excentração, etc.; a cadeia de palavras híbridas e indefinidas é longa.
[3] Em De Lubac, La pensée religieuse, p. 328.
[4] Em dom Frénaud, Estudio crítico sobre Teilhard, pp. 6-9.
[5] Em Frénaud, p. 18.
[6] Em Frénaud, p. 11.
[7] Opúsculo Le Christique, em Frénaud, p. 19.
[8] Em Frénaud, Ibid.
[9] Em Courrier II, p. 101, texto de Teilhard explicado no mesmo sentido panteísta por Ratzinger, em La foi chrétienne, hier et aujourd’hui, p. 162.
[10] Citado por Garrigou-Lagrange, capítulo 19.
[11] Muito tempo depois o grande público soube que Teilhard, durante 25 anos, havia sido amante da escultora Lucile Swan, protestante divorciada, segundo relata Mantovani em Avvenire, 14 de fevereiro de 1995, p. 17.
[12] Sinanthropus (Pithecanthropus pekinensis). (Nota do Tradutor).
[13] Em Philippe de la Trinité, Rome et Teilhard de Chardin, pp. 72-74.
[14] Isto supõe afirmar o poligenismo, que despreza o dogma do pecado original universal, o qual exige, ao contrário, a existência de um só casal nas orígens da humanidade.
[15] Dietrich von Hildebrand, The Trojan Horse, apêndice, p. 227. Contra a vontade do autor, o apêndice foi suprimido na tradução francesa do livro (Savoir I, p. 74).
[16] Teilhard, Le Cœur de la matière, em Frénaud, pp. 14-15.
[17] Em Philippe de la Trinité, p. 163.
[18] Carta de 14 de janeiro de 1954, em Philippe de la Trinité, p. 168.
[19] Comment je crois, texto datado de 1934, citado pelo Osservatore Romano de 1 de julho de 1962, apresentando o Monitum do Santo Ofício, em Philippe de la Trinité, p. 190.
[20] Meinvielle, De la cábala al progresismo, conclusão.
[21] Esta é, ao menos, a visão da escola Mahayana, que será retomada substancialmente pelo budismo Zen. Pretende, como Heráclito, que só o movimento existe, e que não há coisas e nem mesmo pessoas, entendidas como substâncias. O mundo é essencialmente vazio (sunyata) e aquilo que consideramos como coisas depende tanto do Grande Todo monista como do pensamento humano. O homem compreende a harmonia de todas as coisas quando entende que o mundo vazio, o eu não-ser e o nirvana-extinção são iguais. Isto se consegue, em última instância, pelo Zen — meditação — religioso e filosófico que considera o «eu» como o que é na realidade, quer dizer, vazio, apagado e, definitivamente, um «não-eu» (em Cooper, World of Philosophies, pp. 40-44, 214-222).
[22] Na doutrina católica, tudo se sustenta reciprocamente ou tudo desmorona. A redenção é correlativa ao dogma do pecado original. Santo Agostinho, paradoxalmente, demostrou a existência do pecado original, entre outras razões, pela fé no Salvador do gênero humano.
[23] Meinvielle, De la Cábala al progresismo, passim; Molnar, Le Dieu inmanent. Todas as religiões orientais (budista, brahmanista, hinduista) são amplamente sincretistas e são enriquecidas com as recentes contribuições que têm modificado notavelmente seus credos.
[24] O teosofismo nega a existência de um Deus pessoal e criador de todas as coisas. Segundo esta teoria, Deus é idêntico e consubstancial ao mundo, a matéria com o espírito. Por outro lado, distingue o Cristo singular (o Deus antropomórfico que, de acordo com eles, é somente um sábio como Buda) do Cristo universal. Veja Hugon, Les 24 thèses thomistes, pp. 80-86; Action familiale et scolaire, «Connaissance élémentaire du Nouvel Âge», suplemento do número 94, pp. 52-53.
[25] Escreve em L’union créatrice: «[Minha concepção] sugere que a criação não foi absolutamente gratuita, mas que representa uma obra de interesse quase absoluto. Tudo isto redolet manicheismum… É verdade, mas, sinceramente, podem-se evitar estes obstáculos — ou melhor dizendo, estes paradoxos — sem cair em explicações puramente verbais?» (em Frénaud, p. 15).
[26] Eric Pigani, Channel, les médiums du Nouvel Âge. Os itálicos são nossos.
[27] Blondel, 5 de dezembro de 1919, em Courrier II, p. 175.
[28] Ratzinger, La foi chrétienne, hier et aujourd’hui, pp. 159-163, em Courrier II, pp. 100-101.
[29] Courrier II, p. 92.
[30] Ver capítulo 24.
[31] La sapienza della Croce, abril-junho de 1996, p. 137, em Courrier II, p. 120.
[32] A título de curiosidade, o escritor Morris West, em sua obra “As Sandálias do Pescador” (The shoes of the Fisherman – publicado em 1963) e, depois, no filme homônimo (1968), retratou Teilhard de Chardin como o controverso Padre Jean Tellemond (interpretado por Oscar Werner), amigo pessoal do “papa russo” Kiril Lakota (interpretado por Anthony Quinn) e inimigo confesso do então Santo Ofício. A semelhança com a realidade é realmente impressionante. (Nota do Tradutor)
[33] F. Brunelli, Principi e metodi di massoneria operativa, pp. 66-84: «A iniciação instrui e ensina: Morte à razão! Somente quando a razão morrer poderá nascer o homem novo da Era futura, o verdadeiro iniciado. Somente assim poderão cair as muralhas dos templos, porque a aurora de uma nova humanidade surgirá no Oriente… Todas as disputas (religiosas) desaparecerão com o rechaço da lógica e do princípio de contradição» (em Courrier I, p. 409).
[34] J. Mitterrand em René Valvève, Teilhard l’apostat, p. 52, em Courrier I, p. 417.
BASTA DE “CATOLICISMO CONFORTÁVEL”. A IGREJA DEVE SE PREPARAR PARA A PERSEGUIÇÃO
A Escritura diz: Bendito seja o Senhor, minha rocha, que adestra as minhas mãos para a guerra, e os meus dedos para a batalha (Sl 144: 1). Preparar as pessoas para a guerra — uma guerra moral e espiritual, e não uma guerra de tiros — deve incluir uma definição clara diante dos erros de nosso tempo, e uma aplicação clara e amorosa da verdade sobre o erro e a luz sobre a escuridão

Mons. Charles Pope – LifeSiteNews | Tradução Sensus fidei:
Há uma consternação crescente entre alguns católicos no sentido de que a Igreja, pelo menos em sua liderança, está vivendo no passado. Parece que não há consciência de que estamos em guerra e que os católicos precisam ser convocados à sobriedade, à progressiva separação da cultura dominante, ao corajoso testemunho e contínuo martírio.
Já vai longe a escuridão sobre nossa cultura, mas na maioria das paróquias e dioceses, acontece de tudo, menos o alarme sóbrio realmente necessário em tempos como estes.
A Escritura diz: Bendito seja o Senhor, minha rocha, que adestra as minhas mãos para a guerra, e os meus dedos para a batalha (Salmo 144: 1). Preparar as pessoas para a guerra — uma guerra moral e espiritual, e não uma guerra de tiros — deve incluir uma definição clara diante dos erros de nosso tempo, e uma aplicação clara e amorosa da verdade sobre o erro e a luz sobre a escuridão. Continuar lendo
A GRAVATA BRANCA
Jorge era um verdadeiro anjinho que a todos edificava por suas virtudes. Fez a primeira comunhão num colégio de Rouen.
Entre outros fez o seguinte propósito: “Levarei comigo a gravata branca da minha primeira comunhão até o dia em que, por suma desventura, venha a perder a graça de que ela é símbolo”.
Jorge crescera… conservando sempre a gravata branca. Quando rebentou a guerra franco-prussiana, alistou-se como voluntário entre os zuavos do general De Charette. Em janeiro de 1871, por ocasião da vitória de Mans, foi ferido mortalmente. O capelão aproximou-se dêle imediatamente. “Obrigado, Sr. capelão… confessei-me há dois ou três dias; nada me pesa na consciência; estendei-me sobre um pouco de palha e trazei-me o santo Viático, porque vou morrer”.
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CATECISMO DE SÃO PIO X – DOS NOVÍSSIMOS E DE OUTROS MEIOS PRINCIPAIS PARA EVITAR O PECADO
965) Que se entende por Novíssimos?
Novíssimos são chamados nos Livros Santos as últimas coisas que hão de acontecer ao homem.
966) Quantos são os Novíssimos?
Os Novíssimos, ou últimas coisas do homem, são quatro: Morte, Juízo, Inferno e Paraíso.
967) Por que é que esses Novíssimos se chamam últimas coisas que acontecerão ao homem?
Os Novíssimos chamam-se últimas coisas que acontecerão ao homem, porque a Morte é a última coisa que nos acontece nestemundo; o Juízo de Deus é o último entre os juízos que temos a passar; o Inferno é último mal que hão de sofrer os maus; e o Paraíso é sumo bem que hão de receber os bons.
968) Quando devemos pensar nos Novíssimos?
É bom pensar nos Novíssimos todos os dias, e principalmente ao fazer a oração da manha, apenas acordados, à noite antes do deitar, e todas as vezes que somos tentados a fazer algum mal, porque este pensamento é eficacíssimo para nos fazer evitar o pecado.
SANTA MISSA EM RIBEIRÃO – 09 E 10 DE OUTUBRO
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ORAÇÃO À MISERICÓRDIA DIVINA
Então aquela serva, ébria, incapaz de se dominar, como que em pé diante de Deus, dizia:
– Ó misericórdia divina, que disfarças os defeitos humanos! Não me espanto que digas a quem deixa o pecado mortal e volta a ti: “Não me lembrarei mais de que me ofendeste”. Não, misericórdia inefável, não me espanto de que fales assim a quem se converte. Surpreende-me que digas sobre os que te combatem; “Quero que oreis por eles, a fim de que eu os perdoe”.
Ó misericórdia, Pai, que procede da tua divindade e que, pelo teu poder, governa o mundo inteiro. Tua misericórdia nos criou, tua misericórdia nos recriou no sangue de teu Filho, tua misericórdia nos conserva. Foi ela que levou Jesus a atirar-se aos braços da cruz na batalha da vida contra a morte, da morte contra a vida. Então a vida venceu a morte do pecado, enquanto a morte que vem do pecado destruiu a vida física do Cordeiro sem manchas. Mas quem foi o vencido? A morte! Quem o vencedor? Tua misericórdia.
Tua misericórdia produz a vida, concede a luz, revela o Espírito em todos os homens, santos e pecadores. Reluz nas alturas do céu, em teus santos; e, se me volto para a terra, como ela é abundante aqui! Tua misericórdia brilha mesmo na escuridão do inferno, porque não dá aos condenados todo o castigo que merecem. Com tua misericórdia mitigas a justiça; por tua misericórdia nos lavaste no sangue; por misericórdia vieste conviver com os homens.
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FÁTIMA VERSUS ASSIS
Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est
Aos 13 de maio de 1917, a Virgem apareceu em Fátima para pedir que rezássemos o terço todos os dias a fim de obtermos a paz no mundo e o fim da guerra. Dois meses depois, em 13 de julho , ela reitera seu pedido: “Eu quero que vocês continuem a rezar o terço todos os dias em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter o fim da guerra e a paz no mundo. “
Em 20 de setembro de 2016, no Dia Mundial de Oração pela Paz, não houve menção alguma a Nossa Senhora do Rosário. Seu divino Filho, único mediador dado por Deus aos homens, teve na pessoa do seu Vigário na terra a permanência com infiéis e pagãos, com os inimigos jurados da Cruz, bem como com as seitas que estão dilacerando sua igreja.
O católico sabe bem onde encontrar a paz nesta terra, que é o fruto da caridade. Ubi Crux, pax ibi. Se queremos paz, devemos pregar Jesus Cristo integralmente, e trabalhar para expandir sobre a terra o reino de Deus, isto é, o reinado de Cristo sobre os indivíduos, as famílias e as sociedades. Só Ele é o Príncipe da Paz – Princeps Pacifer (liturgia da festa de Cristo Rei).
São Paulo proclama: “É Ele, Jesus Cristo, que é nossa paz …” ( Ef 2, 14 ).
O espírito da Cruz de Cristo e a honra a Nossa Senhora: isso é mais do que nunca, o objetivo da Cruzada de Rosários que a FSSPX lançou para comemorar o centenário de Fátima . E reparar o escândalo de Assis.
Pe. Christian Thouvenot , Secretário-Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X
NUNC DIMITTIS
CATECISMO DE SÃO PIO X – DOS PECADOS OU VÍCIOS CAPITAIS E DE OUTROS PECADOS MAIS GRAVES
956) Que é o vício?
O vício é uma disposição má da alma que leva-a a fugir do bem e a fazer o mal, causada pela freqüente repetição dos atos maus.
957) Que diferença há entre pecado e vício?
Entre pecado e vício há esta diferença: que o pecado é um ato que passa, enquanto o vício é o mau hábito contraído de cair em algum pecado.
958) Quais são os vícios que se chamam capitais?
Os vícios que se chamam capitais são sete:
1º soberba;
2º avareza;
3º luxúria;
4º ira;
5º gula;
6º inveja;
7º preguiça.
959) Como se vencem os vícios ou pecados capitais?
Os vícios ou pecados capitais vencem-se com a prática das virtudes opostas. Assim, a soberba vence-se com a humildade; a avareza, com a liberalidade; a luxúria, com a castidade; a ira, com a paciência; a gula, com a temperança; a inveja, com a caridade; a preguiça, com a diligência e fervor no serviço de Deus. Continuar lendo
CRUZADA DE ROSÁRIOS – OUTUBRO
Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
Aos que estão em oração conosco na NOVA CRUZADA DE ROSÁRIOS DA FSSPX, segue abaixo a planilha para acompanhamento em outubro.
E aos que quiserem enviar a quantidade de terços e sacrifícios oferecidos em setembro, podem fazer pelo gespiox@yahoo.com.br
Ao recebermos repassaremos ao Priorado de São Paulo para a contabilização.
Que Nossa Senhora nos mantenha fiel na verdadeira Fé.
REPLETI SUNT OMNES
PERIGOS DO MUNDO – TEATRO
Geralmente é imoral
Mesmo quando ele não fosse (e o é com freqüência) o acionamento de uma tese contrário aos princípios de uma santa moralidade, ainda quando não se achasse nele senão a pintura viva de costumes condenáveis, o jogo dramático das paixões humanas mais arrastadoras, nem por isso o teatro deixaria de ser um divertimento dos mais perigosos para uma jovem cuidosa de não criar de propósito, para a honestidade de sua vida, perigos e inextricáveis dificuldades.
As máximas mais falsas são nele correntemente aplaudidas, as paixões mais baixas são exaltadas, todas as desordens são pintadas e todas as fraquezas desculpadas. Nele ridiculariza-se por vezes a virtude ou procura-se torná-la odiosa; em compensação, o vício muitas vezes é coberto de flores. As instituições mais santas, os deveres mais sagrados da família e da sociedade são nele tratados com uma leviandade voluntária e um escandaloso desprezo. Como não haveriam tais espetáculos de ser condenados pela moral?
É uma ocasião de pecado
Tudo o que nele se vê e tudo o que nele se ouve é de natureza a leval ao mal. Os assuntos que nele se tratam são, muitas vezes, arriscados, os costumes que nele se vêem, a sociedade que nele se acotovela, aqueles cenários, aquelas luzes, aquela música, aqueles relatos apaixonados, aqueles enredos amorosos, tudo isso produz na imaginação de um jovem, no seu organismo sensível e nervoso, uma superexitação que cedo triunfará da sua consciência.
Continuar lendo
CATECISMO DE SÃO PIO X – DOS PECADOS E DAS SUAS ESPÉCIES PRINCIPAIS
942) Quantas espécies há de pecado?
Há duas espécies de pecado: o pecado original e o pecado atual.
943) Que é o pecado original?
O pecado original é aquele com o qual todos nascemos, exceto a Santíssima Virgem Maria, e que contraímos pela desobediência do nosso primeiro pai Adão.
944) Que males nos causa o pecado de Adão?
Os males causados pelo pecado de Adão são: a privação da graça, a perda do Paraíso, a ignorância, a inclinação para o mal, a morte e todas as demais misérias.
945) Como se apaga o pecado original?
O pecado original apaga-se com o santo Batismo.
946) Que é o pecado atual?
O pecado atual é aquele que o homem, chegado ao uso da razão, comete por sua livre vontade. Continuar lendo
PELA SANTA MISSA AGRADECEMOS DIGNAMENTE A DEUS TODOS OS BENEFÍCIOS
A terceira dívida ou obrigação é a do reconhecimento pelos benefícios de que nos cumulou carinhosamente nosso DEUS. Computai todos os favores que dele tendes recebido, os bens da natureza e da Graça, o corpo, a alma, os sentidos, as faculdades, a saúde, a vida… A própria Vida, enfim, de seu Filho JESUS, e a Morte que por nós sofreu, elevam além de qualquer medida a divida de gratidão que temos para com DEUS. Como poderemos agradecer-Lhe suficientemente?
Se, duma parte, a lei da gratidão é observada mesmo pelos animais selvagens, que às vezes mudam sua ferocidade em afeição àqueles que lhe fazem bem (como quando recebem alimento ou um afago carinhoso), quanto mais deverá ser ela observada entre os homens, dotados de razão e tão prodigiosamente favorecidos pela liberalidade de DEUS! Doutra parte, porém, nossa miséria é tão grande que não temos sequer o meio de satisfazer pelos menores benefícios recebidos de DEUS. Pois o menor de todos, provindo das Mãos de tão grande REI e acompanhado dum Amor infinito, adquire um preço infinito e nos obriga a um reconhecimento também infinito. Infelizes que somos! Se não podemos suportar o peso de um só benefício, como poderemos arcar com o fardo de Graças inumeráveis?
Sendo assim, portanto, estaremos destinados à triste contingência de viver e morrer ingratos para com nosso Benfeitor. Consolai-vos, porém, pois o meio de dar ações de graças suficientes ao Boníssimo DEUS nos é ensinado pelo rei Davi, que, contemplando com espírito profético o Divino Sacrifício, confessava que só ele bastava para dar a DEUS ações de graças adequadas. “Quid retribuam Domino proomnibusquaeretribuitmihi?”, perguntava. “Que retribuirei ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?” Continuar lendo
FELIZ DE VÓS AMADO LEITOR, SE SEMPRE FAZEIS OUTRO TANTO!
A santidade será a consequência, e, tendo passado uma ditosa vida, concluirá com uma não menos ditosa morte. Quando se passa desta para outra vida, a esperança que os que ficam, concebem da salvação do que foi, procede do conhecimento que haja, de que morrer com resignação. Se abraçamos todas as vicissitudes da vida, como vindas da mão de Deus, e mesmo a morte, com submissão à Sua vontade, por certo que morreremos santos, e seremos salvos. Abandonemos-nos pois em tudo à boa vontade d’Aquele Senhor, que sendo o mais sábio, conhece o que melhor nos convém: e sendo o mais amante, pois que deu a Sua vida por nosso amor, quer também o que é melhor por nós. Fiquemos certos e persuadidos, diz S. Basílio, que Deus procura o nosso bem, sem comparação melhor, do que nós o podemos procurar ou desejar. Mas prossigamos e consideremos em que coisas nos devemos unir com a divina vontade.
1.º Devemos unir-nos a vontade de Deus nas coisas naturais, como quando faz frio, calor, quando chove, ou em tempo de escassez ou epidemia, e em outros casos iguais. Devemos abster-nos de dizer: que intolerável frio, que horroroso calor! que desagradável estação! Ou fazermos uso de algumas expressões que mostrem a nossa repugnância para com a vontade de Deus. Devemos querer tudo como é, porque Deus de tudo dispõe. S. Francisco de Borja, indo uma noite a um convento da sua ordem, enquanto que nevava muito, bateu à porta muitas vezes; porém os padres que estavam dormindo não lh’a abriram. Quando amanheceu, muitos deles lastimavam tê-lo feito esperar tanto fora de casa; mas o Santo lhes disse «que ele tirara muita consolação durante aquele tempo, pensando que era Deus quem fazia cair os flocos de neve sobre ele.»
2.º Devemos unir-nos à divina vontade, quando padecemos fome, sede pobreza, desolação e desonra. Em todo o caso devemos dizer: «Senhor, Vós fazes e desfazes, e eu estou contente, desejando unicamente o que Vós queres» E o mesmo devemos dizer, diz Rodrigues, naqueles casos imaginários sugeridos por Satanás, na intenção de nos fazer cair em alguma maldade, ou pelo menos para nos inquietar. Se alguém vos dissesse estas e aquelas palavras, ou vos fizesse estas ou aquelas ofensas, que diríeis? que faríeis? Devemos responder: «Eu diria e faria o que Deus quizesse» E assim nos livraríamos de toda a falta de inquietação. Continuar lendo
DOIS LINDOS EXEMPLOS
a) O AMOR DOS PEQUENINOS
Perguntaram a uma piedosa jovenzinha:
– Que é a Primeira Comunhão?
– É um dia de céu na terra.
Perguntaram-lhe em seguida:
– E que é o céu?
– É uma Primeira Comunhão que nunca terá fim – respondeu ela graciosamente.
E respondeu muito bem, porque a felicidade dos Anjos e Santos no céu consiste em possuir a Deus eternamente. Ora, não é justamente a Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que possuímos na Santa Comunhão?
b) DENTES DE LEITE
Escrevia em 1915 um missionário: Uma orfãzinha do Orfanato de Trichinopoli, que poderia ter dois palmos de altura, veio um dia suplicar-me que a admitisse à Primeira Comunhão.
– Que idade tens? perguntei-lhe.
– Ah! isso não sei.
Recolhida de lugar desconhecido, não pode saber quantos anos tem; nem as Irmãs o puderam descobrir.
– Mostra-me os dentes – disse.
Com um sorriso gracioso descobre a inocentinha duas filas de alvíssimos dentinhos.
– Oh! exclamei; os teus dentes de leite dizem-me que não tens nem sete anos. Portanto, este ano não farás a Primeira Comunhão.
Meu Deus! quem o acreditaria? tendo ouvido aquelas palavras, a menina, sem dizer a ninguém, corre ao quintal, toma uma pedra e, intrepidamente, faz saltar da boca todos os dentinhos. Depois, com a bocaensanguentada, mas com ar de triunfo, volta e diz-me:
– Padre, não tenho mais nem um dente de leite. Dai-me, oh! dai-me Jesus! Eu o quero muito bem!…
Chorando de comoção – diz o missionário – tomei-a em meus braços e segredei-lhe ao ouvido:
– Filha, amanhã te darei Jesus…
Sim, não podia deixar de atendê-la.
Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves
CATECISMO DE SÃO PIO X – DAS OBRAS DE MISERICÓRDIA
937) Quais são as boas obras de que se nos pedirá conta particular no dia do Juízo?
As boas obras de que se tios pedirá conta particular no dia do Juízo são as obras de misericórdia.
938) Que se entende por obra de misericórdia?
Obra de misericórdia é aquela com que se socorre o nosso próximo nas suas necessidades corporais ou espirituais.
939) Quantas são as obras de misericórdia?
As obras de misericórdia são catorze: sete corporais e sete espirituais, conforme são corporais ou espirituais as necessidades que se socorrem. Continuar lendo
FOTOS DA PEREGRINAÇÃO ANUAL AO SANTUÁRIO DOS MÁRTIRES CANADENSES
Créditos à nossa amiga Gercione Lima
IMPLICAÇÕES MORAIS EM CIRURGIA ESTÉTICA, MUTILAÇÃO CORPORAL E MUDANÇA DE SEXO
Hoje trataremos de vários temas que, embora aparentemente muito diferentes, têm uma conexão moral de fundo: a cirurgia estética, a mutilação do corpo e a mudança de sexo
Questões médicas com implicações morais (VI)
Pe. Lucas Prados – Adelante la Fe | Tradução Sensus fidei: Como se tinha proposto a princípio, hoje trataremos de vários temas que, embora aparentemente muito diferentes, têm uma conexão moral de fundo: a cirurgia estética, a mutilação do corpo e a mudança de sexo.
Julgamento moral sobre a cirurgia estética
Assim se denomina o ramo da cirurgia que se ocupa principalmente de eliminar certos defeitos anatômicos que podem se apresentar em nosso corpo. De si, do ponto de vista moral, não há nenhuma objeção à primeira vista; no entanto, quando a ela se recorre por obsessão, por puro culto ao corpo ou por rejeição ao que é próprio da idade: envelhecimento, teremos que estudar cada caso em particular, pois poderia ocorrer que, o que em princípio nada tivesse de errado, poderia chegar a converter-se em neurose e até mesmo em pecado.
Considero normal que uma mulher, depois de uma certa idade, aplique os meios convenientes para evitar ou corrigir as rugas faciais…, e que são nada mais do que o resultado da vida e dos anos. O que parece imoral é que uma mulher gaste o orçamento familiar em comprar cremes e depois dizer que não há dinheiro para comprar um par de sapatos para o seu filho. E, pior ainda, quando se leva a obsessão e por esse motivo muda o caráter, torna-se irritável…. Em algum lugar eu li esta frase que é muito certa: “É coisa boa querer melhorar o presente, porém, mais importante é aceitar o presente.” É bom querer dissimular os sinais deixados pelo tempo, mas desde a sua aceitação, pois significa aceitar a condição humana, e para um cristão é fundamental porque, como lemos na Epístola aos Hebreus, “não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura” (Hb 13:14).
Se uma pessoa entra em crise ao se olhar no espelho e é incapaz de aceitar o passar dos anos, é porque é muito superficial e não tem vida espiritual nenhuma.
Se há algo eticamente ilícito dentro da cirurgia estética, não há de ser encontrado no desejo de parecer mais jovem e mais atraente, mas na obsessão que a busca da beleza causa naqueles que chegam a considera-la essencial para ser feliz. Essa obsessão geralmente vem da alma e não de tal ou qual defeito físico. A cirurgia plástica nunca resolverá esse problema, porque não é do corpo, mas da alma.
Há certas intervenções de cirurgia plástica, embora a sua função seja puramente estética, não são incompatíveis com a moral. Refiro-me a reparações da curvatura da ponte do nariz, a posição das orelhas, os “pés de galinha” ou redução do “queixo duplo”. Há outras que são mais delicadas, e se não houver uma indicação direta do médico por motivos de saúde ou de um bem maior, haveria que pensar duas vezes, pois muitas vezes produzem efeitos colaterais eventualmente graves. Refiro-me a lipoaspiração, abdominoplastia, abdominoplastia e mais ainda a gastrectomia parcial (seção de parte do estômago) em pessoas muito obesas. Infelizmente, tenho conhecido alguns casos em que a intervenção não tenha solucionado o problema e também colocado em grave risco a vida das pessoas.
Mutilação corporal
Em determinadas doenças o médico tem que praticar a mutilação de uma parte de nosso corpo para o bem do resto. É o caso de tumores, gangrena de um membro, etc… Uma vez que o que se busca é a saúde da pessoa, saúde que estaria em grave perigo se nada for feito, não há problema moral algum em recorrer a esses procedimentos.
Há mutilações corporais que são fruto de certas culturas: como a ablação do clitóris entre as mulheres muçulmanas, ou a redução do tamanho dos pés entre as famosas gueixas japonesas. Práticas que de nossa perspectiva católica não são moralmente aceitáveis.
Nos últimos anos, tem se expandido fortemente, principalmente no mundo jovem das drogas, música demoníaca e álcool, a modificação de certas partes de seu corpo: chifres, língua bífida, orelhas de elfo, e até mesmo tatuagens exageradas aparentando pele do lagarto, etc …. Todas essas alterações não são apenas a manifestação de uma vida psicologicamente instável e espiritualmente vazia; inclusive, em alguns casos, a evidência de um mundo realmente diabólico ao qual se sentem orgulhosos de pertencer.
Os procedimentos extremos de modificação do corpo nunca são realizados por profissionais médicos. Estes tratamentos são mais frequentemente associados com locais de tatuagens do que com clínicas. De fato, eu nunca ouvi falar de um cirurgião plástico que tenha se submetido a realizar modificações corporais extremas.
“Gostaria de bifurcar a língua? Tome uma boa quantidade de whisky, aplique um pouco de gelo e tente ficar quieto enquanto o artista corta a sua língua ao meio.”
Uma das pessoas mais famosas em submeter-se à modificação do corpo, Dennis Avner, passou anos de sua vida tentando ver-se como um gato. Ele foi tão longe a ponto de pedir que lhe implantassem bigodes em seu rosto, e seus dentes tornaram-se presas afiadas. Há vários anos ele morreu de aparente suicídio.
Outros casos mais comuns de mutilação corporal e que também são pecado são: a laqueadura de trompas e a vasectomia. Ambos laqueadura e vasectomia são imorais, se a isso se recorrer para a contracepção. A razão é dupla:
Em primeiro lugar, por seu efeito contraceptivo em impedir que o óvulo alcance o útero (no caso de laqueação das trompas) ou que os espermatozoides sejam ejaculados (no caso de vasectomia).
Em segundo lugar, pela mutilação que se causa em homens ou mulheres; que em si já é pecado grave. Mutilações que em alguns casos já não são reversíveis; então, em caso de mais tarde se desejar que o casamento novamente tenha filhos, teria que se submeter a outra cirurgia para tentar recompor o dano causado; intervenção que em alguns casos já, é em si mesma, bastante complexa.
Juízo moral sobre a mudança de sexo
Outro caso de mutilação ou modificação corporal gravemente imoral é a “mudança de sexo”. Para aqueles que acabam sem entender o problema, explico-lhes em poucas linhas o que é o sexo genético ou cromossômico.
Cada célula do ser humano é composta por 23 pares de cromossomos; destes 23 pares, um deles é o que determina o sexo da pessoa: na mulher o 23 é XX e no homem é XY. Na fecundação, o óvulo, que como gameta tem metade da doação cromossômica, aporta um cromossomo X, e o espermatozoide, que também é gameta, pode ser no momento de unir-se ao óvulo, X ou Y. Se, quando o óvulo e o espermatozoide se unem, se unem-se X com X teremos uma menina, e se unem-se X com Y, teremos um menino. Quando o embrião tem apenas um mês já se pode facilmente saber se é homem ou mulher pelas gônadas (ovários ou testículos) que já começaram a se formar.
Ao embrião só lhe resta crescer e desenvolver as diferentes partes do corpo, que no momento do nascimento já estarão perfeitamente diferenciadas, pelo menos no essencial. Posteriormente na puberdade se concluirá a diferença anatômica com o desenvolvimento dos caracteres secundários próprios do homem e da mulher.
Um tema comum nos últimos anos e que está sendo fortemente manipulado pelo lobby gay está relacionado à mudança de sexo. A fim de encontrar argumentos em seu favor de modo que as leis sejam alteradas e eles possam ser considerados pessoas “normais”, tem sido usado certos “truques”: diferenciar entre sexo genético e sexo “psicológico”:
- Sexo genético seria determinado pelos cromossomos sexuais (explicado acima).
- Sexo psicológico seria determinado pela própria psicologia da pessoa.
Na maioria das pessoas o sexo genético coincide com o psicológico[1]. A disparidade entre o sexo genético e cromossômico pode ser devido a várias causas: problemas hormonais, educação inadequada em casas e escolas, trauma psicológico, etc…
Uma disparidade entre sexo genético e o cromossômico pode ser devido a muitas causas: problemas hormonais, educação inadequada em casas e escolas, traumas psicológicos, etc…
O raciocínio que faz o lobby gay para pressionar os governos com objetivo de mudem as leis é o seguinte: Cada pessoa tem o direito de desenvolver-se no sentido que sua psicologia se senta mais à vontade; seja como homem, como mulher, e mesmo sem declarar-se em um sentido ou outro. Se essa pessoa é geneticamente do sexo masculino ou feminino, mas psicologicamente se sente do sexo oposto, tem o direito de mudar de sexo (morfológica e legalmente) e também o direito de que a sociedade lhes respeite e aceite neste novo “papel”.
Se os governos caem nessa armadilha, eles terão que mudar muiguitas leis do código civil, para que estes novos “entes” encontrem lugar. Por exemplo: especificar o sexo na carteira de identidade ou não; no casamento, um homem poder casar-se com outro que também o é (geneticamente), mas que se sente mulher; ou de uma mulher que se sente homem.
Se seguimos esta “armadilha” cairemos no que tem sido chamado de “ideologia de gênero”. Como este não é o lugar para falar da ideologia de gênero, moda imposta pelo lobby gay e outras “instâncias” superiores a eles, se quiser ter um pouco mais de informação do mesmo poderá verificar o mesmo artigo publicado por www.catholic.net onde se faz uma análise bastante aceitável do mesmo[2].
Basta lembrar, à guisa de resumo, o que disse o cardeal Ratzinger quando era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé:
“A ideologia de gênero é a última rebelião da criatura contra a sua condição de criatura. Com o ateísmo, o homem moderno pretendeu negar a existência de uma instância exterior que lhe diz a verdade sobre si mesmo, sobre o bem e o mal. Com o materialismo, o homem moderno tentou negar suas próprias necessidades e a sua própria liberdade, que nascem de sua condição espiritual. Agora, com a ideologia de gênero homem moderno pretende livrar-se até mesmo das exigências de seu próprio corpo: se considera um ser autônomo que se constrói; uma pura vontade que se autocria e se converte em um deus para si mesmo”.
Assim: a ideologia de gênero é um sistema de pensamento fechado que defende que as diferenças entre o homem e a mulher, apesar das diferenças anatômicas óbvias, não correspondem a uma natureza fixa, mas são uma construção meramente culturais e convencionais, feitas de acordo com os papéis e estereótipos que cada sociedade atribui aos sexos.
Uma vez que analisamos superficialmente o que é o sexo genético e a ideologia de gênero, podemos entender melhor o problema atual sobre o “direito” dos homens para mudar de sexo.
A influência e o imenso poder do lobby gay, concedido pelos mesmos governos do mundo, está levando a situações tão ridículas como o fato de que a Segurança Social esteja obrigada a pagar uma cirurgia de mudança de sexo enquanto, os indivíduos têm de pagar ao dentista o valor total de um tratamento de ortodontia.
Do ponto de vista moral, uma operação de mudança de sexo, pelo simples fato de que alguém se sinta mais “homem ou mulher”, é gravemente imoral. Por outro lado, essa “suposta mudança de sexo” é puramente morfológica, porque do ponto de vista genético, o que era homem (XY) permanecerá homem e mulher que era (XX) permanecerá mulher.
A operação de mudança de sexo é um atentado contra a natureza criada por Deus; é um pecado gravíssimo contra o quinto mandamento da lei de Deus, e ao mesmo tempo é uma manifestação da degradação humana da sociedade em que vivemos.
Pe. Lucas Prados
Notas
[1] O sexo genético e o psicológico, se a formação é adequada e não deforma a criança, sempre coincidirão. Na verdade, o sexo psicológico é determinado por nossa natureza (genes). Em outras palavras, o homem é “homem” e por isso “sente-se” homem; a mulher “é mulher” e por isso “sente-se” mulher. Qualquer outra coisa é resultado, a maioria das vezes, de uma deformação interessada causada pelas pessoas maiores.
[2] http://es.catholic.net/op/articulos/41418/cat/447/que-es-la-ideologia-de-genero.html
MISERERE MEI DEUS
SALVE REGINA
PERIGOS DO MUNDO – A DANÇA
O que ela é do ponto de vista filosófico
Um prelado assim se exprime:
“O Espírito Santo falou justo quando chamou à dança “uma vertigem, uma loucura”. Para apreciar bem essas pessoas que têm a paixão de rodopiarem e de fazerem momices compassadas, há só que as olhar tampando os ouvidos. Lord Byron compara os valsantes a “dois besouros enfiados no mesmo alfinete, em torno do qual giram, giram, giram”. Nunca, a não ser por motivos pouco definíveis, poderá a razão explicar-se que vantagem acha uma mulher sensata em fazer o exercício de uma enceradora de assoalhos, nos braços de um valsante que não é seu marido nem seu irmão.”
O que ela é do ponto de vista moral
Continua ele:
“Sabereis, jovens, como proceder quando vós mesmas tiverdes filhas grandes a vigiar. Enquanto isso, deixai-me lembrar-vos a palavra de Job: “Os filhos dos homens gostam de saltar para se alegrarem ao som dos tamborins. E, enquanto se entregam aos transportes da sua alegria, descem ao inferno.” O texto original não diz precisamente “descer”, mas “escorregam e caem de repente”. De fato, embora não se cometa necessariamente um pecado mortal por dançar, o diabo que marca o compasso bem sabe aonde quer conduzir os dançarinos. Esses assoalhos encerados sobre os quais desliza facilmente são a imagem fiel do terreno perigoso em que a pessoa se acha.” Continuar lendo
CATECISMO DE SÃO PIO X – DAS BEM-AVENTURANÇAS EVANGÉLICAS
922) Quantas e quais são as Bem-aventuranças evangélicas?
As Bem-aventuranças evangélicas são oito:
1a Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino do Céu;
2a Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra;
3a Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados;
4a Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados;
5a Bem-aventurados os que usam de misericórdia, porque alcançarão misericórdia;
6ª Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus;
7ª Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus;
8ª Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino do Céu.
923) Por que Jesus Cristo nos propôs as Bem-aventuranças?
Jesus Cristo propôs-nos as Bem-aventuranças para os fazer detestar as máximas do mundo, e para nos convidar a amar e praticar as máximas do seu Evangelho. Continuar lendo
“ROMA PERDERÁ A FÉ”— 170 ANOS DE LA SALETTE
Relativamente à aparição da Santíssima Virgem em “La Salette”, como a qualquer outra manifestação do Céu sobre a terra, nossa curiosidade humana procura saber o que o Céu foi levado a dizer à terra. Mas é antes o atrativo do divino e a solicitude com a nossa santificação que nos deveria impelir a conhecer estas revelações. Por isso, daremos, duma parte, “in extenso”, as revelações feitas por Maria a 19 de setembro de 1846, em La Salette, doutra parte esperamos que tendo sido a inteligência instruída com estas coisas, a vontade será então fortificada, para que daí venha a santificação das almas: é o objetivo de Nossa Senhora, o qual deve ser o nosso. Que os curiosos sem desejo de santidade se abstenham de continuar a ler, pois se arriscariam de não compreender a Santíssima Virgem; os que, porém, querem se santificar que tirem proveito disso.
A 19 de setembro de 1846, duas crianças, Maximino Giraud e Melânia Calvat, originário de Corps no departamento de Isère, na França, guardam as suas vacas nos arredores do lugarejo de La Salette. Eis aqui o que Melânia escreverá desde 1860 e que publicará em 1875, com o “imprimatur” de Dom Zola, bispo de Lecce na Itália. Aí ela confia o texto do seu segredo que havia escrito e transmitido, como Maximino fizera com o seu, ao Papa Pio IX, em julho de 1851.
… Tendo despertado e não vendo as nossas vacas, chamei Maximino e subi o pequeno montículo. De lá, tendo visto que as nossas vacas estavam tranqüilamente deitadas, eu descia de novo e Maximino subia, quando subitamente vi uma magnífica luz, mais brilhante que o sol e mal pude dizer estas palavras: “Maximino, vês, lá embaixo? Ah! meu Deus!” Ao mesmo tempo deixo cair o bordão que tinha na mão. Não sei o que se passava de delicioso em mim nesse momento, mas eu me sentia atraída, experimentava um grande respeito cheio de amor, e meu coração teria querido correr mais depressa do que eu. Continuar lendo
QUEIXA DIVINA
Então Deus, ébrio de amor pela nossa salvação, encontrou um modo de aumentar ainda mais a caridade e a dor daquela serva, fazendo-a compreender com quanto amor criara a humanidade. Disto já falamos alguma coisa antes. Dizia-lhe:
-Não vês como todos me ofendem? No entanto eu os criei numa grande chama de amor; dei-lhes graças e favores quase infinitos, gratuitamente, sem nenhum merecimento deles. Olha, minha filha, quanto me ofendem. Especialmente por egoísmo, do qual procedem todos os outros males. O amor-próprio tudo envenenou. Da mesma forma como a caridade contém todas as virtudes benéficas aos homens, assim o egoísmo procede do orgulho e contém todos os males. Por falta de amor, os homens praticam mutuamente o mal. Não me amam nem se amam. Estes dois amores vão sempre juntos. Por isto eu te dizia (2.5) que todo mal é feito no próximo.
Tenho muito a me queixar dos homens. De mim só receberam o bem e eles me odeiam, praticando toda espécie de mal. Afirmei que somente as lágrimas de meus servidores aplacarão minha ira. Torno a repeti-lo. Servidores meus, colocai-vos diante de mim com muita oração, repletos de dor e tristeza por causa das ofensas cometidas contra mim e por causa da condenação eterna dos maus. Mitigareis a ira do meu julgamento.
Ninguém escapará de minhas mãos. “Sou aquele que sou” (Ex 3.14) e vós, vós não possuís a razão do próprio ser. Sois aquilo que eu fiz. Criei tudo o que participa do ser; somente o pecado não procede de mim, porque é negação. Por não estar em mim, o pecado não merece amor. Quem o faz, ofende toda criação e odeia-me. O homem tem obrigação de me querer bem. Sou imensamente bom, dei-lhe o ser numa chama de caridade. Todavia, os maus fogem de mim. Mas por justiça ou misericórdia, ninguém escapa de minhas mãos.
Abre, pois, os olhos da fé e fixa-os em minhas mãos. Verás como é verdade o que acabei de dizer…
O Diálogo – Santa Catarina de Sena
ESTUDO SOBRE O NATURALISMO DOS “MISTÉRIOS LUMINOSOS” DO PAPA JOÃO PAULO II – PARTE 4/4
Fonte: SSPX Asia – Tradução: Dominus Est
Frutos do Rosário
Se for necessária uma última prova sobre todo esse espírito naturalista da carta apostólica, ele encontra-se na discussão sobre os frutos do Rosário. Há, antes de tudo, uma reinterpretação humanista das graças a serem recebidas pela meditação dos mistérios, especialmente nos mistérios dolorosos e gloriosos. Tradicionalmente, meditamos os mistérios dolorosos em reparação aos nossos pecados e aos pecados do mundo, para que assim cresçamos em contrição e, ao sermos purificados das desordens da nossa sensualidade e orgulho, possamos carregar nossa cruz. Todavia, de acordo com a Carta Apostólica de João Paulo II, os mistérios dolorosos são simplesmente “o ápice da revelação do amor e a fonte da nossa salvação” que revela “o mesmo sentido do homem” através da “força regeneradora” do “amor de Deus” (§22). Essa é uma consequência direta da nova teologia naturalista do Mistério Pascal, que diz que não há necessidade de penitência, sacrifício e satisfação dos pecados. O sofrimento humano de Cristo simplesmente nos dá um maior conhecimento da humanidade em comum (isto é, do próprio “sentido do homem”). Visto assim, esse humanismo é em si mesmo uma revelação do amor de Deus, pois Cristo é a melhor manifestação humana desse amor. Pode-se facilmente ver que nenhum fruto sobrenatural pode vir dessa nebulosa experiência, pois ela não nos atrai ao paraíso, nem nos inspira a desprezar as coisas da terra e abraçar nossa cruz.
A mesma coisa pode se dizer das graças que se obtêm dos mistérios gloriosos. Tradicionalmente, eles nos dão as virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade) e nos dão um fervente desejo pelo Paraíso, além da humilde devoção e confiança na Santíssima Virgem Maria. Já na Carta Apostólica é dito que nos mistérios gloriosos “o cristão descobre novamente as razões da própria fé” (§23) — algo que não faz sentido algum para aqueles que acreditam que a Fé é um dom gratuito de Deus aceito por causa da autoridade D’Ele e porque Ele não pode enganar nem ser enganado. Apenas uma fé [puramente] humana procuraria confirmações desse tipo. Ademais, o Papa João Paulo II resume os frutos dos mistérios gloriosos dizendo que eles “alimentam nos crentes a esperança da meta escatológica, para onde caminham como membros do Povo de Deus peregrino na história” (§23). Essa estranha expressão indica que o propósito desses mistérios é ajudar crentes de todos os tipos (pois a ambígua expressão “o povo de Deus” é deliberadamente estendida aos que não são católicos), e ajudá-los na “história” — ou seja, nesta terra — em que a própria Igreja é uma peregrina que não sabe para onde os tempos modernos e as mudanças a levam, embora Ela sempre tenha uma mente aberta. A escatologia é o estudo do destino final, mas aqui o termo “meta escatológica” é usado em sentido ambíguo, de modo que ele muito bem poderia se referir ao destino final do povo de Deus na busca da paz e justiça terrenas, assim como na busca de uma vida perene. Novamente a perspectiva naturalista torna a verdadeira graça ausente. Continuar lendo






















