A FÉ PODE AUMENTAR OU SE PERDER

Idoso-RezandoComo Aumenta – Como se Perde

A Fé pode aumentar, a Fé pode diminuir e se perder. A Fé, consistindo essencialmente na adesão de nosso espírito à verdade revelada, aumenta ou diminui segundo seja a adesão mais ou menos firme. Ora, sendo a alma humana ativa por natureza, é indispensável que sua Fé aumente ou diminua. Ela aumenta se a alma avança no conhecimento do Pai e do Filho e do Espírito Santo, se a alma penetra melhor nas verdades do Credo, em uma palavra, se a alma progride no caminho da verdade.

Mas como a Fé requer, juntamente com assentimento do espírito, o movimento de piedade da vontade que quer crer, evidentemente a Fé também pode e deve crescer pelo caminho da vontade que se submete cada vez mais docilmente, cada vez mais amorosamente à verdade divina. Assim, duas coisas ajudarão singularmente a Fé em seu progresso, a saber: a instrução e a piedade. A instrução, o cristão a encontrará na pregação, no Catecismo, nas leituras santas; a piedade consistirá sobretudo na fidelidade às promessas do batismo; o cristão ajudado pela oração e pelos sacramentos, crescerá na Fé.

Todo cristão que quer crescer na Fé, deve vigiar com redobrada atenção contra tudo que for capaz de enfraquecer a Fé. Ele deve tomar cuidado para não se deixar levar pelas máximas deste mundo, pois o mundo, enquanto mundo, só se ocupa das coisas sensíveis; a Fé, ao contrário, nos mostra o preço inestimável das coisas invisíveis. O mundo só vê o presente; a Fé, que nos esclarece tanto sobre o passado quanto sobre o presente, nos faz velar principalmente sobre o futuro. O mundo está todo voltado para os gozos da terra; a Fé nos ensina que este é o tempo das privações e das penitências e nos mostra que Deus é o único bem verdadeiro em que podemos repousar nossas almas e esperar os verdadeiros gozos. Continuar lendo

COMO EDUCAR A CRIANÇA COLÉRICA?

criCada temperamento tem seus aspectos positivos e negativos. Ser pronto nas reações, sobretudo quando a segurança, a independência, os gostos profundos são feridos, é positivo, desde que o homem tenha sido habituado a servir-se de seus dons com moderação.

A cólera é um elemento de defesa, que Ribot liga ao instinto de conservação: toma a ofensiva contra ameaças. Ai dos homens, quando não sabem mais indignar-se! Ai dos que perderam a capcidade de encolerizar-se em face das injustiças, das violências, das tiranias! Ai dos que se desfibram, se acomodam, se submetem ao injusto, ao criminosos!

Desgraçada educação, a que pretendesse tirar às crianças a reação ante o mal, a capacidade de encolerizar-se ante a violação do direito e da moral.

A cólera é, às vezes, a única forma de defesa. Em face de um “perigo”, a criança que não sabe ainda falar se manifesta pela cólera: grita, chora, estrebucha para não ir com pessoa estranha, para rejeitar o que não lhe apetece, ou para se livrar do que lhe mete medo.

O seu mal são os excessos: na forma, na freqüência, na duração. Continuar lendo

DAS RECOMPENSAS

Resultado de imagem para recompensa criançasJerônimo escrevia a Laeta: «Animai vossa filha, dando-lhe pequenas lembranças, das que são estimadas na sua idade.» As recompensas são efeti­vamente um meio de excitar a emulação entre as crianças. É certo que se não deve, quando são exor­tadas a aplicarem-se ao estudo e a praticar as vir­tudes cristãs, propôr-lhes a recompensa, como o único meio de fazerem o que se lhes exige; importa, pelo contrário, fazer-lhes bem sentir a obrigação que temos de trabalhar por dever, para cumprir a von­tade de Deus. Seria dalguma forma tornar venal a alma de uma criança, habituá-la a não fazer nada, senão com a promessa de receber alguma coisa; mas quando se sabe usar delas com comedimento e pru­dência, as recompensas são úteis: fazem compreen­der às crianças que encontramos interesse e estima nos nossos semelhantes, quando nos aplicamos ao trabalho, e sabemos cumprir os nossos deveres.

Nunca se deve propor, como recompensa, diz Rollin, nem adornos, nem gulodices, nem coisas semelhantes. E a razão é óbvia: é que, prometendo-lhes essas coisas, em forma de recompensa, faz-se que elas as julguem, como coisas boas e dese­jáveis, e dessa forma, fazemos-lhes estimar o que devem desprezar. O mesmo direi do dinheiro.» — «Nunca pude compreender, escreve Mgr. Dupan­loup, a religião de certos pais, que prometem a seus filhos, como recompensa, para o dia da sua primeira comunhão, relógios e correntes de ouro. O resultado foi, como algumas vezes vi, que o relógio era nesse dia mais adorado, que o próprio Deus».— «Podem recompensar-se as crianças, diz Fénelon, com brinquedos, com passeios, com pequenas lem­branças, como quadros, estampas, medalhas, livros dourados», e especialmente por algumas distrações agradáveis, que sirvam, para lhes alimentar a pie­dade, como peregrinações, passeios a um oratório, ou assistência a alguma solenidade religiosa, nalguma terra vizinha.

Com as crianças, como nota um judicioso autor, deve haver o cuidado de não faltar àquilo que se prometeu; doutra forma não tardariam a desprezar tanto as promessas, como as recompensas, fartas de esperar pelo cumprimento do que lhes prometeram.

A Mãe segundo a vontade de Deus – Pe. J. Berthier

AS ÚLTIMAS DA CRISE NA IGREJA

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COMO A FÉ É UM DOM DE DEUS

Rezando (1)A Fé é um dom de Deus. Hoje gostaria de fazer com que a senhora compreendesse ainda melhor a natureza íntima deste dom precioso.

Adão o teria recebido de Deus e nos teria transmitido, se ele não tivesse pecado; mas tendo acreditado em Eva e, por Eva, em Satã mais do que em Deus, perdeu a Fé que Deus lhe havia dado, perdendo-a para ele e para nós (Adão pôde conservar o hábito da Fé; mas perdeu a Fé enquanto virtude informada pela Caridade; e este hábito não era transmissível à sua descendência, pois era uma disposição pessoal de sua alma). Por sua vez, quando o filho de Adão entra neste mundo já não tem mais Fé e só pode recupera-la se esta for dada pelo próprio Deus.

A Igreja reza para pedir a Deus a Fé para os infiéis e o aumento de Fé para os fiéis, de modo que o começo, o aumento e a conservação da Fé nas almas, são pura e simplesmente um dom que Deus nos dá pelos méritos de nosso único Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Mas chego agora ao ponto que tinha prometido abordar hoje: a natureza íntima deste dom.

A Fé é um ato em parte da inteligência que crê, e em parte da vontade que quer crer. Ao perguntarem se a Fé é um dom de Deus do lado da inteligência que crê ou do lado da vontade que quer crer, é preciso responder que há um dom de Deus na inteligência e um dom na vontade.

Pois para o que concerne à inteligência é preciso notar duas coisas: primeiramente as verdades em que devemos crer estão tão acima do espírito humano, que este nunca poderia atingi-las naturalmente. Assim, o adorável mistério da Santíssima Trindade, as profundezas da sabedoria de Deus na Encarnação de Nosso Senhor, a Redenção e a salvação dos homens, sem o dom da Fé, seriam para sempre tesouros escondidos às inteligências humanas. Em segundo lugar, além do ministério da Igreja ensinando essas sublimes verdades, é necessário ainda para que nós creiamos, uma graça interior que clareie nossa inteligência e a faça receber com docilidade a palavra da Fé, a Fé falada, como dissemos antes. Continuar lendo

FOTOS DA FORMAÇÃO PARA FAMÍLIAS – 2016

Nesse ultimo final de semana (entre 22 e 24 de janeiro) foi realizado em um sítio de Mogi das Cruzes, mais uma Formação para Famílias, promovida pelos padres da FSSPX.

Em um ambiente muito agradável, foram proferidas palestras, fóruns, rezadas Missas, terços, com espaço para o convívio e troca de experiências entre casais que buscam verdadeiramente a santidade. Alguns dos temas abordados foram o Liberalismo, a Contracepção e o papel dos esposos no matrimônio.

Houve tempo também para esclarecimento de dúvidas particulares, para recreação das crianças, lanches familiares e um futebol para os adultos. 

ATENÇÃO: Vejam aqui o calendário para os Retiros de Santo Inácio para homens e mulheres para o mês de fevereiro/2016.

A ARANHA INSENSATA

teia3Em bela manhã de abril, conta Joergensen numa das suas engenhosas parábolas, estava a atmosfera cheia de tênues fios. Tendo-se prendidoum deles na elevada copa de uma árvore, um1apequenina aranha, valendo-se dele, veio firmar opé na folhagem. Imediatamente Lança novo fio,prende-o à copa e conseguedescer até ao pé daárvore. Ali encontrou um arbusto assaz ramificado e logo pôs mãos à obra: tecer uma teia. A extremidade superior do tecido foi atada à longa fibra pela qual baixara; as pontas restantes, prendeu-as aos ramos da sarça.

Esplêndida rede foi o resultado do seu esforço,meio excelente para pegar moscas. Mas, uns diasapós, pareceu-lhe pequena demais, e a aranha começoua ampliá-la em todos os sentidos. Graçasao fio resistente que segurava no alto, pôde realizarseu intento. E, quando as gotas de orvalho da manhã de outono cobriam o tecido, ele brilhava na luz baça do sol, como um véu de pérolas.

Orgulhosa de sua obra, a aranha desenvolvia-se a olhos vistos. Criou ventre volumoso. Talvez nem se lembrasse mais corno era miserável e esfaimada quando pousara no alto da árvore, no começo do outono. Continuar lendo

COMO SE ADQUIRE A FÉ

rezandoDissemos que a Fé é um dom de Deus. Vamos examinar como este dom tão precioso chega até nós. Para começar, notemos que este dom, sendo sobrenatural, é sempre inteiramente gratuito. Não podemos merecê-lo e nenhum homem pode merecê-lo por nós. Se ele nos vem é unicamente pelos méritos de Nosso Senhor e por pura misericórdia de Deus.

Mas como a Fé chega até nós? Para nós, que fomos batizados criancinhas, o dom da Fé nos chega no meio deste magnífico cortejo de graças que se chama Batismo. Neste momento Deus, adotando-nos como filhos, derrama em nossa alma o dom da Fé; quer dizer que ele dispõe interiormente as potências da alma, nossa inteligência e nossa vontade do modo necessário para que esta alma produza facilmente, alegremente o ato de Fé. E mais tarde, já dispondo do uso da razão, o espírito da criança poderá receber a verdade revelada, dela se alimentar e corresponder, pelo ato de Fé: Creio em Deus Pai, etc.

Assim, a criancinha batizada trás em sua alma o gosto pela verdade revelada, a inclinação para esta verdade, a necessidade desta verdade. Desta disposição, deste hábito sobrenatural a senhora fará uma justa idéia comparando-o à disposição, à inclinação natural que tem a criancinha pelo peito de sua mãe. Ela precisa dele, ela o reclama: se o encontra, está bem, se lhe é recusado será sua morte. Do mesmo modo a criança batizada, em virtude de seu batismo, tem fome e sede de ensino cristão; ela quer seu leite, aquele do qual fala o intróito Quasimodo. É aí que está a sua vida, pois o justo vive da fé, diz a Escritura. Com instrução cristã, a criança batizada está praticando atos de fé, a fé que recebeu no seu batismo e que, pondo em prática, desenvolve; toma conhecimento de Deus seu Pai, da Igreja sua Mãe, dos santos do Paraíso que são seus pais e irmãos; exatamente como na ordem natural a criança que a senhora alimenta, sorri primeiro para sua mãe, depois para seu pai, depois para seus irmãos e depois toma conhecimento do mundo exterior e torna-se homem. Por um caminho análogo, porém superior já que sobrenatural, a criança batizada cresce como filho de Deus e de sua Igreja, e torna-se um membro vivo de Jesus Cristo sobre a terra, para ser mais tarde co-herdeiro de seus bens no Céu. Continuar lendo

A ALMA AMANTE IMOLA-SE COM JESUS

cruzMortui sumus cum Christo (Rom., 6,8)

Mortos somos com Cristo.

… O Cristianismo … é a religião por excelência do sacrifício. Tudo converge para o altar. Todos os benefícios descem da cruz. A Santa Igreja mesma com seus canais de graça, os sacramentos, nasce do Coração transpassado de Jesus.

Todas as cerimônias começam e terminam pela cruz, todas as consagrações, todas as bênçãos se fazem com o sinal da cruz, todas as grandes solenidades, quer religiosas, quer profanas, são marcadas com o sinal da cruz. E quanto mais se penetra nesse pórtico da Igreja, na sua vida íntima, na alma que a move, tanto mais se percebe o sacrifício.

Milhares de mártires fecundam-se com seu sangue em todas as partes do mundo, e esta imolação, que não cessou em nossos dias, abrange todas as idades e todas as condições.

Perseguições intermítentes, lutas internas, cismas, heresias, apostasias, conservam sempre aberta, no seio da Igreja, a chaga que lhe fizeram os tiranos dos primeiros séculos…. Não há ninguém no mundo que possa escapar à dor. O sofrimento, seja físico, ou moral, espreita todas as criaturas sem distinção. Deus quer, na sua justiça e misericórdiosa bondade, que todos, bons e maus, tenham sua parte na medida e proporção prevista por sua infinita sabedoria. Continuar lendo

A NATUREZA DA FÉ

Mulher1A senhora leu com muita atenção certo post scriptum do nosso catecismo e pede-me para escrever-lhe uma carta respondendo a uma pergunta: «o que é, pois, a Fé?»

A pergunta é curta, a resposta será longa. Vou lhe escrever uma carta, duas cartas, três cartas e talvez até mais.

Sem mais demora, entro no assunto.

A senhora tem filhos amáveis e amados que Deus lhe deu; e é por causa deles que me pergunta: o que é a Fé? Responderei; e precisamente por eles encontrarei um meio fácil de dizer o que é a Fé.

Note bem: a senhora conhece seus filhos, e sabe que eles são seu filhos, mas a posição deles em relação à senhora não é exatamente a mesma. Pois, se é verdade que eles a conhecem, é preciso convir que eles não têm outro remédio senão acreditar que a senhora é mãe deles. Digo que eles têm de acreditar porque nunca terão a prova de visu deste fato. Foi a senhora quem lhes disse e no que ouviram, creram: eles o receberam com uma confiança perfeita, quase se poderia dizer, cega; pois se uma outra mulher tivesse cuidado deles como a senhora cuidou, e lhes tivesse testemunhado alguma afeição, eles a chamariam mamãe, levados por um impulso natural.

Veja por esse exemplo como crer é natural ao homem, pois ele tem necessidade de crer,primeiramente em seu pai e sua mãe. Nunca sobre esse ponto o homem pode chegar a uma demonstração, ele deve crer. Isto faz parte da ordem natural, e ele crê. É por isto que o homem chama seu pai de pai e sua mãe de mãe. Continuar lendo

A MULHER FORTE, QUEM A ENCONTRARÁ?

mulher forteMulierem fortem quis inveniet? Procul et de ultimis finíbus pretium ejus. 
Confidit in ea cor viri sui, et spoliis non indigebit: 
Reddet ei bonum et non malum, omnibus diebus vitae suae. 
 
Quem encontrará a mulher forte? Ela é mais preciosa que as pérolas 
que vêem das extremidades do mundo. O coração do seu marido põe nela 
inteira confiança e não terá necessidade de riquezas estranhas. 
Ela dar-lhe-á o bem e não o mal durante os dias da sua vida.
(Prov., XXXI, 10-12) 
Senhoras. 
“Qualquer escrito divinamente inspirado, é útil para instruir e para ensinar, a fim de que nos façamos perfeitos, e próprios para todas as boas ações.”[1]
A Sagrada Escritura, dizem os Santos Padres, é como um vasto prado, esmaltado de flores, onde as plantas mais formosas, mais variadas, de mais admirável matiz, crescem e se desenvolvem para agrado da vista, preparando para os dias do outono, saborosíssimos frutos. Com efeito, nada há mais profundo que o ensino das Divinas Escrituras, nada mais belo, mais simples, e, ao mesmo tempo, mais gracioso. As palavras dos livros santos têm um sabor particular, uma luz que lhes é própria, uma claridade e um calor, que penetram de certo modo, que atraem o coração por um movimento, tão doce quanto enérgico. Nunca as obras dos homens produziram resultado tão maravilhoso. Uma única palavra da Bíblia converte-se em semente que produz centuplicados frutos e desenvolve na alma uma farta seara de virtudes, quando encontra o terreno bem preparado. Vede esse grãozinho que a brisa suspende no ar: se o examinardes de perto, achá-lo-eis munido de um aparelho, alternativamente sólido e delicado, semelhante a umas asas. Com ele ondula ligeira e graciosamente! Segue à mercê da Providência, cujo olho maternal o acompanha sempre; e quando lhe chega a hora de germinar, dir-se-ia que uma mimosa e previdente mão o abate sobre um fragmento de terra. Cai, penetra-a, desenvolve-se, cresce e carrega-se de numerosos e fecundos frutos. Assim vão as palavras da Escritura Sagrada: graça à predicação evangélica, o ar está cheio desses germens divinos, e as sementes aladas volteiam por toda a parte; e quando uma alma está preparada, o sopro da graça leva-lhe um destes maravilhosos átomos, que vêm não se sabe de onde, e que pode produzir com o tempo uma floresta de alentadas árvores: – Et terra gignet germen suum, et pomis arbores replebuntur.[2]

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CARTAS SOBRE A FÉ – INTRODUÇÃO

mulherEm nosso século (XIX), falou-se e fala-se muito de «instrução» e mesmo de «instrução pública», assim como de «instrução obrigatória».

Mas há um ponto essencial sobre o qual o mais freqüente é não ter ele merecido mais do que uma atenção superficial. Não se indaga, antes de tudo, a quem se teria de ensinar.

Isso no entanto valeria a pena, pois geralmente, senão universalmente, as pessoas a quem devemos ensinar são pessoas batizadas.

Pessoas batizadas! O que quer isto dizer? Quer dizer que uma criança batizada, tendo recebido de Deus na ocasião de seu batismo graças que modificaram poderosamente as condições de sua inteligência, é preciso ter este fato em consideração quando se deseja falar a essa inteligência assim modificada. Deus tendo pelo batismo incutido na alma da criança o «hábito» da fé, daí decorre infalivelmente esta alma ter uma inclinação muito forte para as verdades da fé e uma necessidade premente de recebê-las para assimila-las, nutrir-se delas e passar, na fé, do hábito ao ato.

E esta deve ser a regra invariável da instrução, seja na família, seja nas escolas, não importa quão superiores ou famosas elas sejam.

O cristão é sempre cristão, o batizado sempre um batizado; e sempre um filho de Deus aspira conhecer seu Pai que está nos Céus. Continuar lendo

COMO SE DEVE FUGIR À VÃ ESPERANÇA E PRESUNÇÃO

cabiInsensato é quem põe sua esperança nos homens ou nas criaturas. Nào te envergonhes de servir a outrem por Jesus Cristo, e ser tido como pobre neste mundo. Não confies em ti mesmo, mas põe em Deus tua esperança. Faze de tua parte o que puderes, e Deus ajudará tua boa vontade. Não confies em tua ciência, nem na sagacidade de qualquer vivente, mas antes na graça de Deus, que ajuda os humildes e abate os presunçosos.

Se tens riquezas, não te glories delas, nem dos amigos, por serem poderosos, senão em Deus, que dá tudo, além de tudo, deseja dar-se a si mesmo. Não te desvaneças com a airosidade ou formosura de teu corpo, que com pequena enfermidade se quebranta e desfigura. Não te orgulhes de tua habilidade ou de teu talento, para que não desagrades a Deus, de quem é todo bem natural que tiveres.

Não te reputes melhor que os outros para não seres considerado pior por Deus, que conhece tudo que há no homem. Não te ensoberbeças pelas boas obras, porque os juízos dos homens são muito diferentes dos de Deus, a quem não raro desagrada o que aos homens apraz. Se em ti houver algum bem, pensa que ainda melhores são os outros, para assim te conservares na humildade. Nenhum mal te fará se te julgares inferior a todos; muito, porém, se a qualquer pessoa te preferires. De contínua paz goza o humilde; no coração do soberbo, porém, reinam inveja e iras sem conta.

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

PARA ONDE VAI A NOVA TEOLOGIA?

conciliovaticano2Em um livro recente do Pe. Henri Bouillard, lê-se:

Quando o espírito evolui, uma verdade imutável não se mantém senão graças a uma evolução simultânea e correlativa de todas as noções, mantendo entre elas uma mesma relação. Uma teologia que não fosse atual seria uma teologia falsa” 1.

Ora, nas páginas anteriores e nas seguintes, mostra-se que a teologia de Santo Tomás em muitas partes importantes já não é atual. Por exemplo, Santo Tomás concebeu a graça santificante como uma forma (princípio radical de operações sobrenaturais que têm por princípio próximo as virtudes infusas e os sete dons):

As noções utilizadas por Santo Tomás são simplesmente noções aristotélicas aplicadas à teologia” 2.

Que se segue daí? “Renunciando à Física aristotélica, o pensamento moderno abandonou as noções, os esquemas, as oposições dialéticas que só tinham sentido em função dela” 3.Ele abandonou, pois, a noção de forma.

Como evitará o leitor esta conclusão: a teologia de Santo Tomás, por já não ser atual, é uma teologia falsa?

Mas, então, como os Papas amiúde nos recomendaram seguir a doutrina de Santo Tomás? Como, então, diz a Igreja no Código de Direito Canônico, can. 1366, n. 2: “Philosophiæ rationalis ac thelogiæ studia et alumnorum in his disciplinis institutionem professores omnino pertractent ad Angelici Doctoris rationem, doctrinam, et principia, eaque sancte teneant”?

Ademais, como “uma verdade imutável” se pode manter, se as duas noções que ela reúne pelo verbo ser sãoessencialmente cambiantes? Continuar lendo

GRÃ-BRETANHA: “ISLAMIZADO” O CALENDÁRIO ESCOLAR

islam-407x278Fonte: Corrispondenza Romana – Tradução: Dominus Est

Cada vez pior. A Grã-Bretanha está cada vez pior … A islamização do Reino avança rápida e agressivamente, sem encontrar resistência alguma, com portas abertas, escancaradas na realidade. A última “moda” é de se adaptar ao Ramadã o calendário escolar de provas e exames, a fim de “não penalizar os adolescentes que observam tal período de jejum”.  Esta decisão foi tomada pelo órgão responsável pela organização didática. Contudo, se sonhava, no passado, de conceder um tratamento favorável aos alunos católicos no período da Quaresma. E não parece ter-se tomado medidas semelhantes para os jovens judeus, budistas, taoístas, sikhs ou qualquer outro.

Mas para o Islã, sim. Este ano, o Ramadã deverá se iniciar por volta da segunda semana de junho, em pleno período de exames, de modo que, “sempre que possível, recomenda-se programar antecipadamente” de tal data ”os temas mais importantes, tendo, no entanto, uma atenção para organizá-las preferencialmente pela manhã ou início da tarde ”, gentilmente sugerida pelo JCQ (Conselho Conjunto de Qualificações).

Esse ponto está unido plenamente também com o do sindicato dos professores: “Como educadores – afirmou  Mary Bosted, secretária-geral da organização da categoria – queremos que todos os jovens possam dar melhor de si em exames tão cruciais para seu futuro. ” Tambem  Malcolm Trobe, vice-secretário-geral da Associação de líderes de escolas e faculdades, apelou para que a observância do Ramadã não leve a eles “conseqüências que possam afetar” o resultado dos exames. Continuar lendo

A FÉ CATÓLICA NÃO É OFENDIDA SÓ COM A HERESIA

Por Roberto de Mattei – Corrispondenza Romana, 13-01-2016 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com

Em uma longa entrevista aparecida em 30 de dezembro no semanário alemão Die Zeit, o cardeal Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, levanta uma questão de crucial atualidade. Quando perguntado pela entrevistadora sobre o que pensa daqueles católicos que atacam o Papa, definindo-o de “herege”, ele responde: “Não só pelo meu ofício, mas pela convicção pessoal, devo dissentir. Herege na definição teológica é um católico que nega obstinadamente uma verdade revelada e proposta como tal pela Igreja para ser crida. Outra coisa é quando aqueles que são oficialmente encarregados de ensinar a fé se exprimem de forma talvez infeliz, enganosa ou vaga. O magistério do Papa e dos bispos não é superior à Palavra de Deus, mas a serve. (…) Pronunciamentos papais têm ademais um caráter vinculante diverso – desde uma decisão definitiva pronunciada ex cathedra até uma homilia que serve bastante para o aprofundamento espiritual.”

indifferentism-468x256Tende-se hoje a cair em uma dicotomia simplista entre heresia e ortodoxia. As palavras do cardeal Müller nos lembram que entre o branco (a plena ortodoxia) e o preto (a heresia aberta) há uma zona cinzenta que os teólogos têm explorado com precisão. Existem proposições doutrinárias que embora não sendo explicitamente heréticas, são reprovadas pela Igreja com qualificações teológicas proporcionais à gravidade e ao contraste com a doutrina católica. A oposição à verdade apresenta de fato diferentes graus, conforme seja direta ou indireta, imediata ou remota, aberta ou dissimulada, e assim por diante. As “censuras teológicas” (não confundir com as censuras ou penas eclesiásticas) expressam, como explica em seu clássico estudo o padre Sisto Cartechini, o julgamento negativo da Igreja sobre uma expressão, uma opinião ou toda uma doutrina teológica (Dall’ opinione al domma. Valore delle note teologiche, Edizioni “La Civiltà Cattolica”, Roma, 1953). Este julgamento pode ser privado, se for dado por um ou mais teólogos por conta própria, ou público e oficial, se promulgado pela autoridade eclesiástica. Continuar lendo

CITAÇÕES SOBRE O ANTICRISTO

antiPe. Emmanuel André: 

“Apresentar-se-á como cheio de respeito pela liberdade dos cultos, uma das máximas e uma das mentiras da besta revolucionária. Dirá aos budistas que é um Buda; aos muçulmanos, que Maomé é um grande profeta… Talvez até irá dizer, em sua hipocrisia, como Herodes seu precursor, que quer adorar Jesus Cristo. Mas isso não passará de uma zombaria amarga. Malditos os cristãos que suportam sem indignação que seu adorável Salvador seja posto lado a lado com Buda e Maomé em não sei que panteon de falsos deuses”  (O Drama do fim dos Tempos)

Santo Ambrósio

“O Senhor não virá como juiz antes que o reino romano seja dissolvido, e que o Anticristo apareça. Este matará os santos e restituirá aos Romanos sua liberdade mas sob seu próprio nome”.

Santo Anselmo

“O Anticristo procurará passar-se por religioso, a fim de poder seduzir sob este exterior de piedade; e há mais, ele dirá que e Deus e se fará adorar e prometerá o céu”.

“Porque, que incrédulo se converterá à fé, que cristão não ficará abalado e quebrado em sua fé, quando o perseguidor da religião se tornar autor de grandes prodígios?”

“Mas, o Espírito Santo é bastante poderoso para sustentar o coração dos seus, mesmo no meio desses grandes prodígios; esses prodígios extraordinários seduzirão somentes aqueles que merecem ser seduzidos”.

Santo Antônio

“O Anticristo será designado como chefe dos hipócritas, porque este homem tão perverso recorrerá sobretudo à hipocrisia para seduzir”.

Santo Agostinho

“Quando o Anticristo, filho do demônio, autor o mais perverso de toda malícia, vir perturbado o mundo inteiro e tiver atormentado o povo de Deus por diversos suplícios; depois que tiver morto Enoch e Elias e tiver martirizado todos os que perseveraram na Fé, a cólera de Deus tombará enfim sobre ele e Nosso Senhor o fará perecer pelo sopro de sua boca”.

São Boaventura

“Marcas do advento do Anticristo:

Quando os velhos não tiverem nem bom senso nem prudência;

Quando os cristãos estiverem sem fé;

Quando o povo estiver sem amor;

Quando os ricos forem sem misericórdia;

Quando os jovens não tiverem respeito;

Quando os pobres forem sem humildade;

Quando as mulheres tiverem perdido o pudor;

Quando, no casamento, não houver mais continência;

Quando os clérigos forem sem honra e sem santidade;

Quando os religiosos não tiverem verdade nem austeridade;

Quando os prelados não se inquietarem de sua administração e não tiverem piedade;

Quando os mestres da terra não tiverem misericórdia nem liberdade.”

São Gregório Magno

“O Anticristo se levantará tão alto, reinará com tanto poder, aparentará uma tão grande santidade por prodígios e sinais extraordinários, que ninguém poderá contradizer suas obras porque somará ao poder do terror os sinais mais aparentes de sua santidade exterior”.

“É coisa diferente de uma testemunha de Anticristo aquele que, não mais considerando como sagrada a Fé que deu a Deus, dá testemunho do erro?”

São Jerônimo

“O Anticristo deverá sair do povo judeu e tais serão sua simplicidade e sua humildade que se não lhe prestarem as honras devidas a um rei, ele se tornará mestre do poder por suas falsidades e seus artifícios e ele forçará os exércitos do povo romano a se renderem e os quebrará”.

“O Anticristo fingirá ser casto para pegar de surpresa um grande número de pessoas”.

São Berlarmino

“O Anticristo estará em entendimento secreto com o demônio que ele servirá secretamente. Em desígnio cheio de fingimento, ele mostrar-se-á como Cristo para enganar os cristãos e, ao mesmo tempo, aprovará a circuncisão e o sábado para seduzir os judeus”.

O Itinerário espiritual da Igreja Católica Júlio Fleichman

HISTÓRIA E TEOLOGIA DE UMA TRADUÇÃO TRAIDORA

cvPor todos” ou “por muitos”?

Quando começaram a ser usadas as traduções da Missa de Paulo VI, muitos fiéis católicos não puderam ocultar sua surpresa ao ouvir as palavras da consagração do cálice: “Este é o cálice de meu Sangue, Sangue da aliança nova e eterna, que será derramada por vós e por todos os homens para o perdão dos pecados”. Em efeito, o texto latim da nova liturgia dizia em realidade: “pro vobis et pro multis – por vós e por muitos”. Atribuiu-se isto naqueles tempos à traição das traduções.

Ora, a encíclica do Papa João Paolo II ‘Eucaristia de Ecclesia’ parece assumir a tradução errada, desta vez inclusive no texto latino: “Accipite et bibite omnes: hic calix novum aeternumque testamentum est in sanguine meo, qui pro vobis funditur et pro omnibus in remissionem pecatorum. (Ver Marc. 14, 24; Luc. 22, 20; 1 Cor. 11, 25). (No 2).

Versões Latinas e Gregas da Bíblia

Se consultarmos as versões latinas e gregas do Evangelho, e as edições críticas que mencionam as variantes do texto que chegou até nós, não encontraremos nada parecido. Em todos os textos da Sagrada Escritura acerca da narração da instituição da Sagrada Eucaristia (Marc. 14, 24; Mat. 26, 28), lemos ‘pro multis’, por muitos, e não ‘pro omnibus’, por todos. Continuar lendo

TRAIÇÃO DE JUDAS

judasDiscípulo — Por que se chama a comunhão sacrílega “traição de Judas?”

Mestre — Você já sabe que Judas, impelido pela avareza e fascinado pelas ofertas dos escribas e fariseus, chegou ao ponto de vender Nosso Senhor pelo irrisório e vil preço de trinta moedas.

D. — Sim, Padre, isso já sabia.

M. — Pois bem, firmado o infame contrato, ele se ofereceu para acompanhar os soldados que deviam prender o divino Mestre.
Sabendo que Jesus estava em oração no horto das Oliveiras, dirigiu-se para lá, à testa dos soldados.

Ao penetrarem no horto, preveniu-os com estas palavras: Olhem! Não vão se enganar! Jesus é aquele a quem eu beijar na face: prendei-O e atai-O fortemente.

Jesus no entanto, ouvindo o tropel, se adiantou. Judas, embora sentisse no fundo do coração o remorso a lhe pungir a alma, todavia aproximou-se de Jesus, e abraçando-O beijou-Lhe a fronte, exclamando: Ave Rabbi! Ave ó Mestre!

Naquele instante consumou-se o mais horrendo crime perpetrado em todos os séculos.

Judas retirou-se imediatamente e corroído pelo desespero foi enforcar-se.
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CARTA A UM JUIZ

(“Vós sois deuses… contudo, morrereis como um homem qualquer” – Sl 81,6-7)

Pelo Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Prezado juiz Jesseir Coelho de Alcântara.

Permite-me tratar-te por “tu” em vez de “Vossa Excelência”, sem que isso queira significar nenhuma falta de respeito.

Tu deves ter-te emocionado pelo recém-nascido encontrado no centro de Goiânia em 22 de dezembro de 2015, dentro de dois sacos de lixo, debaixo de uma árvore da Rua 01. A criança foi encontrada por um casal, socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada até o Hospital Materno Infantil, onde os servidores, emocionados, deram-lhe o nome de Manoel, “Deus conosco”. O bebê teve alta no dia de Natal, 25 de dezembro, com uma lista extensa de pessoas querendo adotá-lo[1]. Que alegria, para um juiz como tu, da 1ª vara de crime dolosos contra a vida, ver que uma pessoa foi salva de uma tentativa de homicídio!

No entanto, há três anos, também em época natalina, em 21 de dezembro de 2012, o mesmo Hospital Materno Infantil terminava de executar um aborto em um bebê com mais de 20 semanas (cinco meses) de vida, filho de uma adolescente de 15 anos [2]. Que fizera ele para merecer a pena capital? Nada. Mas, segundo informações de sua mãe, ele teria sido fruto de um estupro. No dia 12 de dezembro, tu havias mandado expedir um alvará judicial para o aborto, com a seguinte justificativa: “Se for permitido que a criança nasça, um dia ela saberá que foi fruto de um ato criminoso, o que acarretará enormes problemas em sua formação[3]. A solução para a violência sofrida (o estupro) seria, segundo teu parecer, uma violência ainda maior: o aborto. O estuprador, após um julgamento com amplo direito de defesa, se fosse condenado, não receberia pena de morte. Sofreria alguns anos de reclusão, começando em regime fechado, mas com direito a progredir para os regimes semiaberto e aberto. A criança, porém, inocente e indefesa, deveria pagar com a morte pelo crime de seu pai. Como magistrado, tu sabes que isso contradiz o princípio fundamental esculpido em nossa Constituição de que “nenhuma pena não passará da pessoa do condenado” (art. 5º, XLV, CF). Continuar lendo