LEÃO XIV À FSSPX: “SE ELES FIZEREM ESSA ESCOLHA, LAMENTO, MAS PRECISAMOS SEGUIR EM FRENTE.”

Papa Leão XIV inaugura a Conferência Raising Hope: o que ainda falta fazer  depois da Laudato Si'? - Movimento dei Focolari

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

Há pouco tempo (terça-feira, 16 de junho), em Castelgandolfo, Leão XIV respondeu a uma pergunta de um jornalista sobre a FSSPX: “Nós os convidamos, e ainda estou avaliando se devo fazer outro apelo, dizendo: ‘Não façam isso. Tentemos viver em comunhão dentro da Igreja.’ Mas a escolha cabe a eles. É preciso ter consciência do que isso implica para eles e para a Igreja. Certamente, a divisão entre os cristãos é sempre algo doloroso. No entanto, eles se recusam a aceitar alguns elementos fundamentais da Igreja, a começar por diversos pontos do Concílio Vaticano II. Se fizerem essa escolha, lamento, mas temos que seguir em frente.”

Haveria uma página inteira de perguntas a serem feitas nessas poucas linhas.

Convidados para quê?

Para a reunião do penúltimo ultimato com Fernández?

Para outra coisa?

Para a divisão entre os cristãos?

Eles se recusam a aceitar alguns elementos fundamentais da Igreja? Quais? O Vaticano II? Um Concílio que se apresenta como não dogmático passa agora a ser portador de elementos fundamentais da Igreja?

Mas então: será que aquela mulher vestida de arcebispa anglicana, a quem ele acabou de prestar homenagem, aceita esses elementos fundamentais?

E os bispos aliados do Partido Comunista Chinês?

Os elementos fundamentais são os do catolicismo ou de outra religião?

E, novamente: devemos seguir em frente? Para onde, exatamente?

Eis os “elementos fundamentais” da Igreja (conciliar) que deverão ser aceitos:

Pode ser uma imagem de texto que diz "OIMAAN lova Missa Novo Rito de Batismo Novo Rito de Matrimônio Novo Rito de Confirmação + Νονο Rito de Extrema Unção Novo Rito de Penitência + Νονο Rito de Ordenação Νονο Breviário + Novo Calendário Novo CDC + Νονο Catecismo Νονο Rito de Exorcismo Novo Martirológio Νονο Rosário Νονο processo de Beatificação Νονα Teologia Nova Filosofia Ecumenismo Liberdade Religiosa Colegialidade Caminho Sinodal ssis Abu Dhabi Traditionis Custodes populi fidelis"

AS COMUNIDADES TRADICIONAIS AMIGAS DA FSSPX: UMA FECUNDIDADE EVANGÉLICA

Em torno da Fraternidade São Pio X, uma verdadeira constelação de vida religiosa se manteve ou foi reformada: mais de 20 ramos tradicionais de Ordens e Congregações históricas conservam suas antigas Constituições em todo o seu rigor e beleza, atraindo centenas de jovens, homens e mulheres.

Fonte: DICI – Tradução: Domimus Est

Longe de ser um instituto de retraimento, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X define-se, acima de tudo, como uma obra de reconstrução católica. Em um mundo marcado por constantes turbulências e por uma aceleração das reformas modernistas que abalam os fundamentos da fé, ela ergue-se como um baluarte de estabilidade. Sua ambição não é uma luta em si mesma, mas a zelosamente zelada preservação do depósito da fé, para permitir que a Igreja permaneça firme em sua própria identidade. Apoiando-se na liturgia milenar e na doutrina imutável, ela permite que os fiéis se elevem acima das modas passageiras para se unirem à Tradição viva.

Junto aos nossos 738 sacerdotes, 268 seminaristas, 145 irmãos e 87 irmãs oblatas(1), eis um panorama das comunidades religiosas que trabalham conosco na luta pela Igreja, seguindo os passos de Dom Lefebvre.

OS PRIMEIROS COMPANHEIROS

Em sua maioria, forçados a deixar suas comunidades diante da revolução que se seguiu ao Concílio, esses pioneiros fundaram um ramo tradicional de sua Congregação: Continuar lendo

HOMENS E MULHERES: O QUE VESTIR PARA IR À IGREJA?

Durante um sermão proferido no Domingo da Santíssima Trindade em Écône, o Pe. Bernard de Lacoste, diretor do Seminário São Pio X, lembrou aos cristãos que, como templos da Santíssima Trindade pela graça, devemos honrar a Deus até mesmo em nossas vestimentas, particularmente durante a Missa dominical.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Certa vez, um menino na catequese perguntou:

— Padre, onde está a Santíssima Trindade?

E o padre respondeu:

— Meu filho, a Santíssima Trindade está no céu, na terra, em toda parte, mas especialmente na sua alma desde o seu batismo. Ela está na sua alma.

Então, o menino perguntou:

— Como assim? Na minha alma há o Pai, o Filho e o Espírito Santo?

E o padre:

— Sim, na sua alma vivem o Pai, o Filho e o Espírito Santo, desde que você esteja em estado de graça.

Essa é uma realidade muito importante sobre a qual devemos refletir. E São Paulo tira disso uma conclusão muito concreta e prática: devemos respeitar nosso corpo, porque nossos corpos são os templos da Santíssima Trindade.

Podemos até ir mais longe e dizer que, uma vez que devemos respeitar nossos corpos, devemos cuidar para vesti-los adequadamente. Sim, as roupas são um sinal de respeito. Continuar lendo

TRADITIO: PARTE 2 – MISSIONÁRIOS CATÓLICOS AO REDOR DO MUNDO – UMA OBRA DE ESPERANÇA

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O segundo episódio da série documental Traditio: Pelo Amor da Igreja concentra-se nos missionários católicos, na propagação do Evangelho e na administração dos sacramentos na África, Ásia e Caribe. Produzida ao longo de dois anos por dois jovens estudantes da Suíça e da Alemanha em colaboração com a Casa Geral da FSSPX, esta produção de mais de quatro horas é um dos projetos cinematográficos mais ambiciosos já realizados pela Fraternidade.

 Esse episódio é continuação da Parte1:Tornar-se sacerdote

JUNHO, MÊS PARA HONRAR O SAGRADO CORAÇÃO E FAZER REPARAÇÕES

Ora, se também por causa também dos nossos pecados futuros, por Ele previstos, a alma de Cristo esteve triste até a morte, sem dúvida, algum consolo Cristo receberia também de nossa reparação futura, que foi prevista quando o anjo do céu Lhe apareceu (Lc 22, 43) para consolar seu Coração oprimido de tristeza e angústias. 

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

Estas palavras, extraídas da Encíclica Miserentissimus Redemptor, escrita em 1928 pelo Papa Pio XI, convidam os fiéis a cultivar um espírito de reparação ao Sagrado Coração de Nosso Senhor. O mês de junho, que a Santa Madre Igreja designou como o mês em que se celebra a Festa do Sagrado Coração, é um tempo para os católicos fazerem visitas regulares ao Santíssimo Sacramento, oferecendo orações e sacrifícios pelos seus pecados e os de toda a humanidade.

Embora honrar o Sagrado Coração tenha raízes que remontam à Igreja primitiva, esta devoção especial ao amor ardente de Cristo pela humanidade está intimamente associada a Santa Margarida Maria Alacoque, uma freira Visitandina do século XVII no convento de Paray-le-Monial. Foi a esta humilde freira que Cristo revelou Seu desejo de que uma festa especial de reparação ao Seu Sagrado Coração fosse estabelecida na sexta-feira após a oitava de Corpus Christi (ou terceira sexta-feira depois de Pentecostes). É a partir das aparições de Nosso Senhor a Santa Margarida que surgiu a Devoção das Primeiras Sextas-feiras, prática que garante que as reparações ao Sagrado Coração sejam feitas ao longo de todos ano litúrgico.

A festa e mês do Sagrado Coração não são apenas um tempo de oração “simples” ou passageira. Pelo contrário, está ligada aos sacrifícios, com a reparação feita pelas ofensas contra Nosso Senhor. Os fiéis católicos devem se preparar para participar plenamente esse mês, com suas ações externas, penitências e horas santas desempenhando um papel vital, conforme desejado por Pio XI. Continuar lendo

A MISSA DE SEMPRE: QUANDO UM ARQUIDUQUE DÁ RAZÃO A DOM LEFEBVRE

Édouard de Habsburgo-Lorena é descendente de uma das maiores dinastias católicas da Europa. Ex-embaixador da Hungria junto à Santa Sé, o arquiduque acaba de publicar uma obra em defesa da Missa tradicional, demonstrando indiretamente a relevância da luta de Dom Lefebvre e sua repercussão muito além dos círculos da Tradição.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em um pequeno guia prático intitulado Descobrindo a Missa em Latim, publicado pela Sophia Institute Press, o Arquiduque relata como ele e sua família descobriram a Missa Tradicional em Latim há cinco ou seis anos — e como essa descoberta mudou tudo. “Toda a família iniciou uma jornada inteiramente nova de aprofundamento da fé, de aprofundamento de nossa relação com Cristo”, confidencia ele. Ele observa em seus filhos uma maior fidelidade à oração diária, ao Rosário e às novenas. “Isso transforma a sua vida”, diz ele simplesmente.

É isso que Dom Marcel Lefebvre não cessou de repetir durante quarenta anos, à custa da incompreensão, de humilhações canônicas e de um doloroso isolamento. Continuar lendo

FESTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

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Festa do Sagrado Coração de Jesus

O Sagrado Coração de Jesus

O Sagrado Coração de Jesus – pelo Pe. Pe. Patrick de La Rocque, FSSPX

O lugar do Sagrado Coração nas famílias católicas – pelo Pe. Carlos Mestre

As promessas do Sagrado Coração De Jesus

O Sagrado Coração – reservatório de graças

Ladainha do Sagrado Coração de Jesus

Exortação à prática mais pura e mais extensa do culto ao Sagrado Coração de Jesus

Nascimento e desenvolvimento progressivo do culto ao Sagrado Coração de Jesus

Participação ativa e profunda que teve o Sagrado Coração de Jesus na missão salvadora do Redentor

Legitimidade do Culto ao Santíssimo Coração de Jesus segundo a doutrina do Novo Testamento e da Tradição

Fundamentos e prefigurações do culto ao Sagrado Coração de Jesus no Antigo Testamento

Encíclica Miserentissimus Redemptor

MONS. STAGLIANÒ: “EU, BISPO DA IGREJA CATÓLICA, DIGO-VOS: JOHN LENNON TEM RAZÃO.”

Mons.Antonio Staglianò, presidente da Pontifícia Academia de Teologia, apresentou a famosa canção Imagine, de John Lennon — que nos convida a imaginar um mundo sem paraíso, sem religião e, em última instância, sem Deus — como “a canção mais bela do mundo”, chegando a afirmar: “Eu, bispo da Igreja Católica, digo-vos: John Lennon tem razão.”

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O prelado italiano, nomeado chefe da Pontifícia Academia de Teologia pelo Papa Francisco em 6 de agosto de 2022, lidera esta venerável instituição do Vaticano, fundada em 1718 pelo Papa Clemente XI com o objetivo de formar teólogos competentes e promover o estudo da teologia católica. 

Considerada uma das mais antigas academias da Santa Sé, ela deveria ser um local eminente de defesa e transmissão da ortodoxia doutrinária, mas desde o Concílio Vaticano II, e ainda mais desde as reformas de João Paulo II (1999) e depois de Francisco (2023), ela passou por uma profunda reorientação, sendo agora chamada a tornar-se um fórum de discussão para os principais temas conciliares: diálogo com os não crentes, ecumenismo, diálogo inter-religioso, envolvimento em questões sociais e culturais contemporâneas e a ampla participação do “povo de Deus” na reflexão teológica.

“John Lennon tem razão”

Em um breve vídeo publicado em 18 de maio e compartilhado nas redes sociais, Mons. Staglianò declarou: “Vamos abolir a religião, abolir Deus, abolir o paraiso. Quem diz isso? Hum… John Lennon, na canção mais linda do mundo, Imagine, o hino à paz, um hino universal à paz. Ele está certo ou errado? Eu, bispo da Igreja Católica, digo a vocês: John Lennon está certo.” Continuar lendo

MAGNIFICA HUMANITAS – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

O católico espera que o Papa lhe explique em que aspectos o uso da inteligência artificial é moralmente bom e em que aspectos não o é, à luz de uma moral que se define com referência à Lei de Deus.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

É a primeira Carta Encíclica do Papa Leão XIV data de 15 de maio de 2026, um ano após a eleição de Robert Francis Prevost para a Santa Sé. Com um total de 245 parágrafos, o texto do novo Papa não é nem mais nem menos extenso do que as Encíclicas de seu predecessor imediato. Conforme explica no § 3 do capítulo 1, Leão XIV quis aproveitar a ocasião do 135° aniversário da Encíclica Rerum novarum de Leão XIII, publicada em 1891, para dar continuidade, por sua vez, a “essa reflexão sobre a sociedade, a economia e a política que hoje chamamos de Doutrina Social da Igreja”. E isso, por si só, já deveria ser suficiente para causar consternação entre os católicos, ou pelo menos agravar ainda mais a perplexidade em que se encontram os pobres fiéis há mais de 60 anos, desde que se realizou o Concílio Vaticano II.

Uma nova concepção de doutrina social

De fato, o objetivo de um documento do Magistério eclesiástico, como é o caso de uma encíclica papal, não é conduzir “uma reflexão”, mas transmitir, com a própria autoridade de Deus, um ensinamento, a fim de declarar e explicar o sentido da verdade revelada por Deus. E a Doutrina Social da Igreja não é, pelo menos em primeiro lugar e acima de tudo, uma reflexão “sobre a sociedade, a economia e a política”. Ela é parte da doutrina moral que a Igreja ensina aos seus fiéis em nome de Deus, ou seja, a doutrina que deve indicar-nos como orientar as nossas ações com vista à salvação eterna das nossas almas. Continuar lendo

O “EXAME DE CONSCIÊNCIA PARA A IGREJA” DE LEÃO XIV SE VOLTA CONTRA ELE PRÓPRIO NO TRATAMENTO DADO POR ROMA À FSSPX

Por Robert Morrison

Fonte: The Remnant – Tradução: Dominus Est

A Magnifica Humanitas, de Leão XIV, exorta a Igreja a rejeitar os “abusos de consciência”, a acolher as diversas sensibilidades e a praticar a escuta sinodal — princípios que podem comprometer qualquer tentativa de censura à Fraternidade São Pio X.

Dos 245 parágrafos da encíclica de Leão XIV “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial (IA)”, Magnifica Humanitas, quatro deles (86 a 89) referem-se a um “exame de consciência para a Igreja”:

“Para concluir, gostaria de abordar um ponto que me é particularmente caro. A Doutrina social não é apenas uma palavra dirigida à sociedade: é também um exame de consciência para a Igreja, casa e escola de comunhão, chamada sempre a averiguar se os princípios evocados neste capítulo são vividos, em primeiro lugar, dentro de si mesma.”(86)

Embora o “exame de consciência” descrito na encíclica se refira principalmente a questões de doutrina social, podemos aplicar os mesmos princípios delineados por Leão XIV a questões mais especificamente relacionadas ao tratamento dado pela Igreja aos católicos. Assim, a análise que se segue aplica o exame de consciência da Magnifica Humanitas à situação da Fraternidade São Pio X (FSSPX). Continuar lendo

O PARECER DE MAIS UM CANONISTA SOBRE A POSSÍVEL EXCOMUNHÃO APÓS AS SAGRAÇÕES

Um cônego de Shaftesbury, canonista inglês, não hesitou em publicar “uma defesa canônica, teológica e pastoral contra a excomunhão prevista da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X”.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Segundo o site kath.net, de 29 de abril de 2026, o Vaticano declarará a Fraternidade São Pio X excomungada e cismática após as sagrações episcopais agendadas para 1º de julho em Écône, na Suíça. O site em alemão cita as palavras do jornalista italiano Nico Spuntoni à vaticanista americana, Diane Montagna: “Fontes bem informadas me confirmaram que o Dicastério para a Doutrina da Fé já se preprara para um cisma após as novas sagrações episcopais”. E, segundo as mesmas fontes, Nico Spuntoni afirma que o dicastério do Cardeal Víctor Manuel Fernández prevê oferecer “apoio pastoral aos membros do clero pertencentes à Fraternidade que não desejam permanecer nela, após uma nova ruptura com Roma“.  

Isso faz lembrar a Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, estrutura criada por Roma para acolher os sacerdotes que se recusaram a aceitar as ordenações de 1988, com o “sucesso” que todos conhecem! Essa comissão foi integrada à Congregação para a Doutrina da Fé em 2009 e, em seguida, simplesmente dissolvida em 2019, deixando as antigas comunidades da Ecclesia Dei à mercê dos caprichos dos bispos. Foi assim que a Fraternidade São Pedro foi brutalmente extinta em 2024 por D. Laurent Dognin, Bispo de Quimper e Léon.

A respeito dessa possível excomunhão, é sempre útil mencionar a tese do padre Jaime Mercant Simó, canonista espanhol, que declarou em 21 de fevereiro que não haveria “nem cisma nem pecado” em virtude das sagrações em Écône. Na mesma linha, o site americano Rorate Coeli publicou, em 6 de maio, o parecer de um cônego de Shaftesbury, que, ao que parece, deseja permanecer anônimo nestes tempos conturbados. Este canonista de língua inglesa não hesitou em publicar “uma defesa canônica, teológica e pastoral contra a proposta de excomunhão da Fraternidade São Pio X”. Continuar lendo

A IGREJA ABERTA E SEU INIMIGO

Popularizada por Karl Popper e adotada por George Soros através de sua Open Society, a ideia de uma sociedade aberta sempre revela seus inimigos. O que dizer, então, da “Igreja aberta” nascida do Vaticano II e do lugar que ela reserva para a Tradição?

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Frequentemente denuncia-se Georges Soros e sua Open Society Foundation pelo papel subversivo que desempenham nas sociedades ocidentais. O próprio título dessa fundação advém de uma obra escrita pelo famoso filósofo Karl Popper, A sociedade aberta e seus inimigos (The Open Society and Its Enemies), publicada em 1945. Nesse título, Popper fazia uma referência direta a Henri Bergson, de quem admirava o pensamento, e a uma de suas últimas obras, As duas fontes da moral e da religião, publicada em 1932.

Essa obra de primorosa literatura (seu ator recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1927) coloca em oposição a sociedade aberta e a sociedade fechada, que vivem de dois princípios morais distintos: uma aberta até a mística e a outra curvada em obrigações limitantes. O corolário dessas duas morais são evidentemente duas religiões diferentes, uma religião dinâmica e uma religião estática. Bergson evita utilizar o termo religião aberta.

Bergson pensava que o cristianismo seria a religião mais aberta. Frédéric Worms, professor de filosofia no ENS, sintetizava em um programa da RCF, em 2021[1], o que se poderia deduzir disso: Continuar lendo

O PRINCÍPIO DE GAMALIEL E A FSSPX

D. Lefebvre com o cardeal Thiandoum, em Écone.

Por que 18 anos de investigações não conseguiram descobrir um erro?

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em 1988, o motu próprio Ecclesia Dei Adflicta (2 de julho de 1988), publicado pelo papa João Paulo II após as sagrações episcopais de 30 de junho de 1988, assim identificava a causa do ato de D. Lefebvre:

“A raiz deste ato cismático pode localizar-se numa incompleta e contraditória noção de Tradição.”

Tais sagrações foram consideradas como um ato cismático, supostamente causado por uma compreensão não católica da noção de Tradição. Em outros termos, D. Lefebvre foi acusado de sustentar uma concepção de Tradição contrária à fé católica?

Uma simples questão

Isso levanta uma questão tão simples quanto fundamental: de 1970, data da fundação da FSSPX, até 1988, data da “excomunhão”, de onde Roma tirou tal “incompleta e contraditória noção de Tradição” que o Arcebispo teria professado?

Em realidade, Roma fez três investigações oficiais entre 1970 e 1988. A primeira foi a visita canônica do seminário de Écône (1974); a segunda foi o encontre com os cardeais em Roma que resultou na “supressão” da FSSPX (1975); a terceira foi a visita apostólica do cardeal Gagnon (1987).

Se D. Lefebvre e a FSSPX fossem julgados culpados de uma “noção incompleta e contraditória da Tradição” durante esses 18 anos, isso seria constatado e apontado nessas três investigações. Vejamos como foram. Continuar lendo

EXCOMUNGADOS POR UMA IGREJA QUE JÁ NÃO EXCOMUNGA NINGUÉM?

Desde o Concílio Vaticano II, não se é mais excomungado. Atualmente, não se está “em plena comunhão”.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

De fato, na abertura do Concílio, em 1962, João XXIII havia expressado seu desejo de uma Igreja nova, sem condenações nem anátemas. Apenas os canonistas que não assimilaram plenamente o espírito do Concílio Vaticano II – e os jornalistas que apreciam expressões simplistas – ainda podem brandir a excomunhão como um absoluto pré-conciliar, um “ukase” tridentino.

Em sua defesa, a noção “comunhão parcial”, que pretende ser generosa, levanta dificuldades reais. É possível estar em comunhão pela metade ou em três quartos? Nesse caso, está-se meio excomungado e meio em comunhão, ou excomungado em três quartos e em comunhão em um quarto? De fato, a excomunhão torna-se uma noção relativa, uma excomunhão de geometria variável. Continuar lendo

TRADITIO: PARTE 1 – TORNAR-SE SACERDOTE – UMA OBRA DE FÉ

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Conforme anunciado dias atrás em um Trailer oficial, este primeiro episódio da série documental TRADITIO – Por amor à Igreja é dedicado ao sacerdócio católico, à história da FSSPX e à formação sacerdotal nos seus seminários internacionais. Realizada ao longo de dois anos por dois jovens estudantes da Suíça e da Alemanha em colaboração com a Casa Geral da FSSPX, esta produção de mais de quatro horas é um dos projetos cinematográficos mais ambiciosos alguma vez realizados pela Fraternidade.

CLIQUE AQUI e veja todos os post publicados sobre as vocações e como discerni-las.

Continua na Parte 2: Missionários católicos ao redor do mundo – Uma obra de esperança

QUANDO LE BARROUX TENTA CORRIGIR MONS. SCHNEIDER

Na edição de 29 de abril de 2026 da revista La Nef, o padre Cyrille, monge de Le Barroux (França), tenta abertamente corrigir Mons. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana (Cazaquistão), que lançou um apelo fraterno ao Papa Leão XIV em 24 de fevereiro para construir uma ponte com a Fraternidade São Pio X. Segundo o monge beneditino, parece que, em vez de uma ponte com a Fraternidade, só se pode erguer uma ponte levadiça.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

A seu ver, “três elementos cumulativos fazem com que uma desobediência grave se transforme em uma lógica cismática: um elemento objetivo – um ato que, por sua natureza, fere a unidade visível da Igreja –; um elemento subjetivo – a persistência na recusa de se submeter à autoridade do papa que ordena que tal ato não seja praticado –; um elemento eclesiológico – o fato de se colocar em posição de funcionar de maneira autônoma, segundo seus próprios critérios e com sua própria rede hierárquica. Mons. Schneider pode afirmar sinceramente que esses três pontos não se concretizam nas ordenações de Écône ?” 

O monge pretende orientar – com unção – o prelado: “Certamente não é minha intenção pôr em causa a sinceridade nem a preocupação com a unidade de Mons. Schneider, mas convidá-lo a uma leitura mais completa dos textos normativos e magisteriais que enquadram este debate, lembrando-se de que, segundo todos os teólogos católicos clássicos, quando o papa se dirige aos fiéis como pastor e doutor de todos os fiéis para julgar um fato dogmático — neste caso, definir se um ato é cismático ou não —, ele invoca a sua infalibilidade.” Continuar lendo

MONS. SCHNEIDER EXPÕE A “QUESTÃO CENTRAL” NO DEBATE SOBRE AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DA FSSPX

“Em sua essência, o conflito gira em torno da questão da verdade.”

Fonte: Substack de Diane Montagna – Tradução: Dominus Est

ROMA, 4 de junho de 2026 — Com a Fraternidade São Pio X prestes a realizar as sagrações episcopais em 1º de julho, Mons. Athanasius Schneider publicou uma nova declaração argumentando que a controvérsia vai além das questões de disciplina eclesiástica e reflete disputas doutrinárias e litúrgicas que persistem na Igreja Católica desde o Concílio Vaticano II.

Intitulado “A Questão Central relativa a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X” e publicado na íntegra abaixo, o documento está estruturado em torno de 5 argumentos principais e levanta diversas questões-chave, incluindo:

  • Por que a aceitação incondicional dos textos do Vaticano II por parte da FSSPX está sendo apresentada como conditio sine qua non para a plena comunhão com a Santa Sé, enquanto não existe exigência comparável em relação aos ensinamentos pastorais, disciplinares ou não definitivos dos vinte Concílios Ecumênicos anteriores?
  • Por que a reconciliação e o diálogo paciente devem ser enfatizados no caso dos bispos alemães, mas não no caso da FSSPX?

Monsenhor Schneider afirmou que está publicando este texto porque as discussões sobre a Fraternidade São Pio X (FSSPX) e as sagrações episcopais planejadas permaneceram, em grande parte, superficiais, particularmente entre o clero e os fiéis de mentalidade tradicional, sem abordar o que ele considera as questões fundamentais envolvidas. Continuar lendo

QUAL RUPTURA? ANÁLISE DO LIVRO DO PE. ALBERT JAQUEMIN – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

No fundo, não há nada de novo, pois esta análise se limita a reproduzir os pontos essenciais do Motu próprio Ecclesia Dei afflicta de João Paulo II. A oposição, se é que existe, situa-se entre duas concepções da Tradição e do Magistério: a concepção católica, herdada dos concílios de Trento e do Vaticano I, defendida por Dom Lefebvre, e a concepção neomodernista, herdada do Vaticano II e de Francisco, passando por João Paulo II e Bento XVI, que o padre Jaquemin pretenderia defender.

Fonte: Courrier de Rome n°697 – Tradução: Dominus Est

O Pe. Albert Jaquemin e suas obras

Localizada no 19º distrito de Paris, a igreja de Santa Clara foi construída entre 1956 e 1958 pelo arquiteto André le Donné, aluno de Auguste Perret. Ela foi erigida como paróquia em 1963.

Desde 2020, seu pároco é o padre Mathias Sütterlin e aí reside o cônego Albert Jaquemin, oficial do Tribunal Penal Canônico da Conferência Episcopal da França, professor adjunto da Faculdade de Direito Canônico do Instituto Católico de Paris e juiz da Oficialidade de Paris. Albert Jaquemin foi ordenado sacerdote por Dom Lefebvre, em 29 de junho de 1987, em Ecône. Não reconhecendo a legitimidade das sagrações episcopais de 30 de junho de 1988, deixa a Fraternidade Sacerdotal São Pio X nessa data.

Tendo em seu histórico cerca de quarenta publicações no site do Instituto Católico de Paris, o padre Jaquemin acaba de escrever uma nova obra, publicada neste mês de maio pela Editions du Cerf: A Escolha da Ruptura. Dom Lefebvre, Roma, as sagrações. 1974-2026. 152 páginas de texto, distribuídas em sete capítulos e um epílogo, seguidas por cerca de sessenta páginas de anexos, onde estão reproduzidos 17 documentos importantes sobre o assunto, incluindo as últimas declarações do atual superior-geral da Fraternidade São Pio X, relativas às futuras sagrações episcopais anunciadas para o próximo dia 1º de julho. Continuar lendo

O EPISCOPADO NA ENCRUZILHADA – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

Brasil conta com cinco nomeações para o episcopado…

Fonte: Courrier de Rome n°697 – Tradução gentilmente cedida pelo André Abdelnor Sampaio

Toda a ofensiva travada há alguns meses contra a legitimidade das sagrações episcopais previstas na Fraternidade São Pio X para o próximo 1º de julho provém da corrente Ecclesia Dei, principalmente com estudos publicados na revista Sedes sapientiae da Fraternidade São Vicente Ferrer ou no site Claves da Fraternidade São Pedro(1). Falamos deliberadamente de uma «ofensiva travada contra», pois a questão que nos ocupa não é uma questão puramente teológica, suscitada apenas no plano das ideias puras, no âmbito de um debate que pretendesse apenas confrontar hipóteses e que por isso pudesse permanecer pacífico. A questão que nos ocupa diz respeito precisamente à legitimidade de uma ação — as consagrações de 2026 como as de 1988 — que não é moralmente indiferente e que deve ser objeto não de uma hipótese, mas de uma decisão carregada de consequências. Trata-se, pois, de uma questão de prudência, e a solução que ela exige diz respeito à conduta a adotar no plano da ação moral. A prudência pressupõe sem dúvida a consideração dos princípios dogmáticos ou teológicos, mas distingue-se da ciência (ou da sabedoria especulativa) por preocupar-se em evidenciar não o que convém conhecer, mas o que convém pôr em prática para agir da melhor forma. E aqui, a aposta da ação a realizar é considerável, pois esta visa responder a uma necessidade grave. E é isso que importa: não é primeiramente o simples fato de consagrar bispos apesar da oposição explícita de Roma, mas precisamente o fato de dar assim aos fiéis católicos o meio extraordinário de assegurar a sua salvação, numa situação em que o recurso ao meio ordinário se torna moralmente, senão impossível, ao menos demasiado difícil.

2. Repitamo-lo uma vez mais(2): o desacordo não versa sobre algo facultativo, que pudesse admitir uma diversidade legítima de opiniões. Pois, se a salvação das almas está em causa num estado de necessidade grave, só se pode recusar a possibilidade de recorrer, para suprir essa necessidade, a meios extraordinários proporcionados, se e somente se se tiver a certeza de fé divina e católica — e não apenas teológica — de que o recurso a tais meios seria ilegítimo. É essa certeza que nos é oposta — e que contestamos. Continuar lendo

SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI

Clique aqui e ouça o belíssimo ofício Adoro Te Devote, composto por Santo Tomás de Aquino a pedido do Papa Urbano IV, no século XIII, por ocasião da promulgação da Festa de Corpus Christi através da Bula “Transiturus de hoc mundo”.

Clique aqui e leia o que alguns missais dizem sobre essa Festa.

Clique aqui e leia a Meditação de Santo Afonso sobre essa data.

Jesus Cristo habita conosco no Santíssimo Sacramento?

Ó sagrado convite em que se recebe a Cristo:
renova-se a memória de sua Paixão;
a alma se plenifica de graça,
e nos é dado um penhor da glória futura.

Fonte: Hojitas de Fe, 200, Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX
Tradução: 
Dominus Est

Nas Vésperas da festa de Corpus Christi cantamos esta linda antífona, escrita (como todo o Ofício do Santíssimo Sacramento) por Santo Tomás de Aquino, e carregada de significado teológico.

Com efeito, Santo Tomás nos ensina na Suma Teológica (III, 60, 3) que todo sacramento, especialmente o da Eucaristia, é um sinal sensível que significa a nossa santificação, na qual podemos considerar três coisas: 1º a própria causa da santificação, que é a Paixão de Cristo; 2º sua essência mesma, que é a graça; 3º seu fim último, que é a vida eterna. Continuar lendo