LEÃO XIV E A SRA. MULLALY – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE

Tendo permanecido até agora indiferente às iniciativas empreendidas pelo Superior Geral da Fraternidade São Pio X para obter dele uma simples audiência, o Papa Leão XIV recebeu no Vaticano, nesta segunda-feira, 26 de abril, com todas as honras devidas a um arcebispo, a representante oficial do cisma anglicano, que incentiva o lobby LGBT, se declara aberta à possibilidade do aborto e recebeu uma ordenação inválida, perpetrada em desrespeito ao direito divino.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Uma visita estranha

Uma mulher atravessa o pátio de São Dâmaso no Vaticano, vestida com uma batina púrpura, uma faixa, um colarinho romano, uma cruz peitoral e um anel episcopal. Cardeais a saúdam, abrem-lhe as portas e a acompanham até o gabinete do Papa. Ela posará ao lado de Leão XIV. Receberá as honras devidas a um primaz. Ela abençoará a todos, conforme o costume dos bispos. A imagem circulará pelas primeiras páginas, abrirá os noticiários televisivos, ficará gravada nos livros de história ecumênica. E a imagem dirá, sem palavras, mas com extrema eloquência, o seguinte: diante dessa pessoa e diante do sucessor de Pedro, os sinais sacramentais são intercambiáveis.. 

Essa equivalência visual é falsa. E é falsa de uma forma realmente importante, porque os sinais sagrados não são meros ornamentos protocolares. São o que Santo Agostinho chamava de verba visibilia, palavras visíveis: comunicam uma realidade teológica. […] Significam que aquele que os ostenta recebeu, pela imposição de mãos em sucessão apostólica ininterrupta, o poder da ordenação, o caráter sacramental. […] Esse poder é, na fé católica, a única razão pela qual o bispo se veste como se veste e abençoa como abençoa. Quando o sinal é separado de seu conteúdo, ele não permanece neutro: torna-se ativo na direção oposta. Informa que o conteúdo nunca importou de fato(1).

 “Este tipo de gesto não corresponde a um ecumenismo baseado na clareza doutrinal, mas dilui os limites que a própria Igreja precisamente definiu ” (2).

Assim se expressa o site “Infovaticana“, um site conservador fundado pelo jornalista espanhol Gabriel Ariza(3). Todos — pelo menos entre aqueles que ainda mantém à fé católica e à razão — concordarão que seria difícil contestar essa afirmação. E o que mais se poderia dizer?

As origens profundas do anglicanismo: um cisma herético complexo.

A mulher que percorreu os corredores do Vaticano no final de abril de 2026 era ninguém menos que Sarah Mullaly, Primaz da Comunhão Anglicana e Arcebispa de Canterbury. Ela foi de fato recebida pelo Papa Leão XIV na manhã de segunda-feira, 27 de abril de 2026. Mas, ainda hoje, permanece à frente de uma pseudoigreja, que na realidade representa uma ruptura com a verdadeira Igreja, uma dupla ruptura de cisma e heresia.

A Comunhão Anglicana, de fato, teve origem no cisma provocado em 1534 pelo Rei Henrique VIII da Inglaterra (1509-1547) com o Ato de Supremacia, que consistia no princípio da rejeição da jurisdição papal sobre a Igreja da Inglaterra. Pior ainda, sob o reinado do sucessor de Henrique VIII, o jovem Rei Eduardo VI (1547-1553), por instigação do Arcebispo de Canterbury, Thomas Crammer, o Reino da Inglaterra adriu á heresia protestante. Em 1549, Crammer aboliu a antiga liturgia e compôs o Livro de Oração Comum, ou Livro de Oração, o equivalente ao missal e breviário católicos para os protestantes na Inglaterra. Paralelamente, em 1550, surgiu o novo Ordinal Anglicano , com os ritos de ordenação às ordens sagradas: este é o rito cuja invalidade Leão XIII definiria em 1896. Por fim, ainda em 1552, Crammer publica uma Confissão de Fé em 42 artigos, essencialmente calvinista, com pontos da doutrina luterana, zwingliana e católica.

Após um breve retorno ao catolicismo sob o reinado de Maria Tudor (1553-1558), o Reino da Inglaterra mergulhou definitivamente no cisma e na heresia sob Elizabeth I (1558-1603). Em 1559, a rainha depôs os quinze bispos do reino que se recusaram a prestar juramento de respeito ao Ato de Supremacia. Todos os bispados do reino ficaram vagos. Uma nova hierarquia precisava ser criada. Em 1º de agosto de 1559, Matthew Parker foi eleito Arcebispo de Canterbury pelo capítulo; sua sagração ocorreu em 17 de dezembro de 1559. Seguiu-se uma grande perseguição anticatólica, durante a qual muitos católicos morreram como mártires (entre eles o jesuíta Santo Edmundo Campion). 

Ordenações inválidas e pseudo-bispos

A consagração de Matthew Parker é a origem de toda a hierarquia anglicana e foi declarada inválida pelo Papa Leão XIII em 1896. 

Os Papas já haviam declarado essa invalidade de forma consistente, muito antes da declaração de Leão XIII, por exemplo, Júlio III em 1554 e Paulo IV em 1555. E até o século XIX, a Igreja sempre exigiu que a pessoa fosse reordenada incondicionalmente e como se o ordenando nunca tivesse recebido nada, visto que os ministros haviam recebido as ordens na comunhão anglicana, segundo o rito de Eduardo VI. 

O ato solene e infalível que estabelece definitivamente a invalidade de princípio das ordenações anglicanas é a Carta Apostólica Apostolicae curae, de 18 de setembro de 1896.(4) O Papa Leão XIII explica nela que o próprio rito de ordenação desenvolvido e usado pelos anglicanos não é o verdadeiro rito da Igreja. As ordenações conferidas segundo esse rito são, portanto, inválidas por três razões: primeiro, por falta de forma; segundo, por falta de intenção, porque o ministro que usa esse rito não pode ter a intenção exigida, que é fazer o que a Igreja faz, isto é, usar o seu rito; terceiro, por falta de um ministro, visto que, desde a consagração de Matthew Parker, nenhum ministro da Comunhão Anglicana é verdadeiramente sacerdote ou bispo. Embora alguns pseudo-bispos anglicanos tenham conseguido, ao longo dos últimos dois séculos, solicitar e obter uma ordenação válida de bispos cismáticos ortodoxos, o fato é que as ordenações conferidas por esses ministros anglicanos sempre foram inválidas pelos dois primeiros motivos indicados acima.

Leão XIV acumula escândalos

Após o Jubileu Ecumênico, após a viagem à Turquia e a recitação do Credo sem o “Filioque”, omitido para não ofender os ortodoxos, o Papa Leão XIV agora se aventura no surreal. Esta visita de Sarah Mullaly vai muito além do escopo de uma simples visita diplomática. Trata-se claramente da visita de uma líder religiosa, recebida como tal por outro líder religioso, o Arcebispo de Canterbury e o Bispo de Roma, dois chefes de Igrejas que se consideram irmãs. Já na Mensagem que lhe dirigiu por ocasião de sua entronização(5), em 20 de março, o Papa expressou reconhecimento oficial da missão da Sra. Sarah, invocando o Espírito Santo por ela em diversas ocasiões e pedindo o Espírito da Sabedoria. Ao fazer isso, Leão XIV dá a impressão de considerar a pseudo-Igreja Anglicana como um instrumento de salvação, na medida em que encoraja a Sra. Mullaly – que não é mais bispa do que Santa Joana d’Arc – em sua missão. 

Ao autorizar também todo este protocolo, que não é apenas um protocolo simples, como nos lembra o site “Infovaticana”, o Papa Leão XIV coloca-se em aberta contradição com os seus dois predecessores, Leão XIII, que declarou a invalidade das ordenações anglicanas, e também João Paulo II, que, pela Carta Apostólica Ordinatio sacerdotalis de 22 de maio de 1994, condenou a possibilidade de ordenar mulheres às funções sagradas do sacerdócio(6).

O estado de necessidade

Os últimos escrúpulos que ainda poderiam fazer hesitar certas consciências, desde que o Superior Geral da Fraternidade São Pio X anunciou novas sagrações episcopais para o próximo dia 1º de julho, não devem encontrar aqui motivo para preocupação. Sem dúvida, sim, a operação prevista pela Fraternidade apresenta um aspecto um tanto paradoxal, já que envolve a sagração de bispos contra a vontade do Papa. Mas não é o paradoxo mais escandaloso, por parte do Papa Leão XIV, essa atitude que leva a complacência ecumênica além dos seus limites? Que credibilidade poderia o Sumo Pontífice encontrar, depois disso, em excomungar aqueles que desejam permanecer fiéis ao ensinamento de Leão XIII, que declarou inválidas as ordenações anglicanas? Ou mesmo ao de João Paulo II, que declarou impossível ordenar mulheres bispas? 

Será que as coroações de 1º de julho levarão Leão XIV a demonstrar um rigor e uma severidade nunca antes vistos nele? Alguns já o profetizam (7). Se assim fosse, ele traria sobre a santa Igreja de Deus, já profundamente afligida pelas consequências incessantes e cada vez piores do Concílio Vaticano II, o escândalo indizível de uma injustiça flagrante. Tendo permanecido até então surdo aos pedidos de D. Davide Pagliarani por uma simples audiência, o Papa recebe com todas as honras devidas a um arcebispo a representante oficial do cisma anglicano, que apoia o movimento LGBT, que se declara aberta à possibilidade do aborto(8) e que recebeu uma ordenação inválida, perpetrada em desrespeito ao direito divino.

Padre Jean-Michel Gleize, FSSPX

Notas:

 

PROGRESSISMO E CONSERVADORISMO: HISTÓRIA DA DISSOLUÇÃO DO HOMEM NO MUNDO E NA IGREJA NOS ÚLTIMOS 100 ANOS

Grupo Companhia das Letras

Fonte: Sì Sì No No, ano XXXV, n. 14 – Tradução: Dominus Est

Esquema introdutório

• Antonio Gramsci (1891-1937) trabalhou na expansão do pensamento revolucionário da década de 1920 até o final da década de 1930. Seu estudo tinha como objetivo fazer com que a filosofia do materialismo dialético marxista fosse aceita intelectualmente por meio de manipulação mental (“entrismo”) e não pela força. Gramsci queria uma “revolução cultural”, ou seja, adquirir a hegemonia, o consenso e a direção da sociedade civil-cultural europeia (penetrando na escola, na imprensa, nas publicações, no judiciário e na mídia de massa). Só então se poderia pensar em ocupar o poder, o governo e o domínio do Estado. Gramsci é o progenitor de todas as correntes revolucionárias (Escola de Frankfurt, Estruturalismo francês) que tentarão, depois dele, trabalhar a revolta dentro do homem individual e não apenas na sociedade.

• Um autor que buscará revolucionar a Europa também religiosamente (e não só culturalmente como Gramsci) é Ernst Bloch (1885-1977), filósofo alemão de origem judaica, que na década de 1960 trabalhou para converter os católicos à dialética social-comunista por meio do diálogo, opondo à religião tradicional ou dogmática (tese) uma religião progressista (antítese), a fim de alcançar um messianismo terreno e imanentista ou “socialismo-cristão” (síntese). Infelizmente, sua estratégia foi bem-sucedida com o Concílio Vaticano II, que se propôs a dialogar com o mundo sem mais querer convertê-lo.

• Dos anos 1920-1930 até os anos 1960, a “Escola de Frankfurt” (Adorno-Marcuse), por meio de drogas, psicanálise, pansexualismo, moda e música pop, tentou revolucionar e aniquilar (a partir da Alemanha e dos EUA) o próprio homem nos aspectos mais profundos de sua alma e personalidade[1] (inclinações, intelecto e vontade) e não mais apenas a sociedade cultural (Gramsci) ou religiosa (Bloch). Continuar lendo

JESUS CONHECE O CORAÇÃO DE SEUS AMIGOS

Enquanto Ele estava em Jerusalém durante as festas da Páscoa, muitos creram nEle ao ver os milagres que realizava. 

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Nosso Senhor havia começado Seu ministério divino no Templo com um ato de suprema autoridade. A atenção foi atraída para Ele. Os discípulos acorreram a Ele imediatamente. O que Ele havia negado aos sumos sacerdotes do Templo, multiplicou na Cidade; confirmou Sua palavra com sinais. Assim, satisfez as exigências dos judeus e, indiretamente, colocou as autoridades em seus devidos lugares, as quais certamente estavam cientes dos milagres do Senhor. 

Entre esses novos discípulos, muitos eram, na verdade, curiosos atraídos por qualquer novidade, mas em quem dificilmente se podia confiar. Eles ficavam impressionados com os milagres realizados por Jesus; ouviam suas palavras, ficavam comovidos e se misturavam facilmente à multidão que o cercava. Mas, no fundo, seus corações ainda estavam longe das profundas transformações que a verdadeira fé exige dos verdadeiros discípulos do Mestre. 

Por isso, São João, que os conhecia e que talvez tivesse notado muitas deserções em suas fileiras, escreveu sobre eles: Continuar lendo

A SEGUNDA TÁBUA DE SALVAÇÃO

Não é ao sacerdote que nos confessamos, mas ao próprio Jesus; o sacerdote é apenas um instrumento. Quão bondoso Jesus era para com aqueles que se aproximavam dele!

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

“Tendo proferido estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-Ihes-ão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser–Ihes-ão retidos.” (João 20, 22-23).

Eis o poder extraordinário que Nosso Senhor Jesus Cristo deu aos seus Apóstolos e aos seus sacerdotes: apagar os pecados em Seu Nome. Ele providenciou um remédio tão eficaz e acessível quanto o mal e o pecado que abundavam no mundo.

O sacramento da penitência, comumente chamado de “confissão”, é uma obra de justificação e santificação. Destina-se a perdoar os pecados cometidos após o batismo. Santo Tomás de Aquino chama-o de “a segunda tábua de salvação”.(1) No coração do sacramento, por meio do sacerdote, seu instrumento livre e consciente, é o próprio Jesus quem age diretamente sobre a alma. Ele apaga as manchas do pecado e vivifica a alma com a vida sobrenatural da graça santificante. Essa graça tem dois aspectos: é “curativa” e “elevadora”; isto é, cura as feridas do pecado pessoal e eleva a alma a uma vida cristã mais perfeita. Essa é a parte de Jesus no sacramento da penitência. Continuar lendo

VÍDEO/CURSO 11: BENTO XVI – O MODERNISMO SOB A CAPA CONSERVADORA

Dom Lourenço Fleichman apresenta de modo sucinto e resumido alguns aspectos do estranho pontificado do papa Ratzinger. Intelectual renomado, com aspectos conservadores que agradavam a muitos, mas escondiam armadilhas teológicas sérias. O retorno relativo da missa de sempre, o levantamento das excomunhões dos bispos da Fraternidade São Pio X.

CLIQUE AQUI para acessar o vídeo.

“QUEM É QUE RASGA A TÚNICA DE CRISTO?” – ENTREVISTA COM O SUPERIOR-GERAL DA FRATERNIDADE SÃO PIO X

“Quem é que rasga a túnica de Cristo?”

“A ruptura não vem da parte da Fraternidade São Pio X, mas da divergência flagrante entre os ensinamentos oficiais e a Tradição e o Magistério constante da Igreja.”

Fonte: FSSPX

FSSPX.Actualités: Senhor Superior-Geral, o anúncio feito pelo senhor, em 2 de fevereiro passado, sobre as futuras sagrações episcopais, causou uma série de reações especialmente fortes. Que acha o senhor disso?

Padre David Pagliarani(1): Entende-se que tenha sido assim, pois trata-se de questão muito sensível para a vida da Igreja. Além disso, os motivos dessa decisão são objetivamente graves: o que está em jogo – o bem das almas – é uma questão capital. É natural, pois, que o debate desencadeado pelo anúncio tenha tido tanta ressonância. No fundo, ninguém ficou indiferente. É este um fator objetivamente positivo, e acho que, providencialmente, corresponde a uma necessidade muito atual. 

Nestes últimos anos, o campo conservador e tradicionalista – no sentido mais amplo – tem por vezes dado a impressão de se reduzir a um ambiente de comentadores, onde são expressas análises, expectativas e frustrações, muitas vezes legítimas, mas que dificilmente se traduzem em posicionamentos realistas e consequentes. Entre eles, há quem ainda aguarde uma resposta da Santa Sé aos dubia formulados dez anos atrás por quatro cardeais – dos quais dois já faleceram – acerca de Amoris lætitia, ou que aguardam a eventual publicação de um novo motu proprio tratando da missa tridentina. Continuar lendo

LEI DA SHARIA NO VATICANO

Se houvesse muçulmanos vivendo no Vaticano e pedissem a aplicação da sharia, deveria-se atender a esse pedido?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Há algo de repugnante nisso… E, no entanto, a declaração Dignitatis humanae, uma das mais famosas do Concílio Vaticano II, parece afirmá-lo claramente:

“A liberdade religiosa exige que os grupos religiosos não sejam impedidos de dar a conhecer livremente a eficácia especial da própria doutrina para ordenar a sociedade e vivificar toda a atividade humana.” Dignitatis Humanae nº 4

Como se chega a essa conclusão?

A Declaração afirma que o homem deve estar isento de qualquer coação, seja ela qual for, em matéria religiosa, por parte de qualquer poder humano. Essa imunidade é apresentada como um direito inalienável decorrente da natureza humana e deve ser inscrita na legislação civil (DH n.º 2). Desse direito decorre o de manifestar no espaço público tudo o que a religiosidade comporta de social (DH n.º 4). A única restrição imposta é a dos  “justos limites” (DH n.º 2), baseados nas “justas exigências da ordem pública” (DH n.º 4).

É difícil entender como pode haver “limites justos” ao exercício desse direito se as necessidades do indivíduo são tão amplas e inalienáveis. Essa é a ambiguidade dos direitos humanos, que estabelecem exigências absolutas em relação à pessoa humana, antes de percebermos que a realidade impõe leis ainda mais absolutas! Pode-se sempre proclamar o direito à alimentação suficiente, mas o que isso significa se, após um naufrágio, dez pessoas se encontrarem em uma jangada com apenas uma lata de sardinhas e sem abridor de latas? Continuar lendo

CARTA A UM BISPO DIOCESANO SOBRE VOCAÇÕES

A perspectiva que a Fraternidade São Pio X pode oferecer à Igreja universal no que diz respeito às vocações sacerdotais.

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Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Monsenhor,

Uma vez que nossa última conversa versou sobre as vocações sacerdotais, permita-me partilhar fraternalmente com o Sr. minha visão sobre o futuro das vocações nas dioceses.

Parece-me que os responsáveis ​​pela pastoral vocacional muito se beneficiariam se meditassem sobre as grandes lições que as comunidades tradicionais extraíram de sua experiência atual: o florescimento das vocações é, antes de tudo, fruto de uma vida de fé coerente, não apenas individual, mas familiar e social, de uma sólida cultura cristã, e não de uma estratégia de comunicação.

Nossa experiência com vocações

Observamos que as vocações surgem onde o sacerdócio é vivenciado como algo elevado e edificante, não como uma mera função, onde sua missão é vista claramente como sobrenatural e necessária — como um instrumento insubstituível da graça de Deus — e não como uma espécie de assistente social ou administrador. Um pároco da diocese me dizia recentemente:  “Nós nos dedicamos à presença e ao encontro. Vemos coisas belas.” Claramente, ele não inspirará nenhuma vocação. Continuar lendo

TOMADAS DE HÁBITO ENTRE AS IRMÃS DA FSSPX EM PILAR, NA ARGENTINA – 2026

Agora são 226 Irmãs professas 20 noviças.

O Domingo de Quasimodo, 12 de abril de 2026, foi marcado pela cerimônia de profissão religiosa das Irmãs da Fraternidade São Pio X, no Noviciado de Santa Teresa, em Pilar, Argentina. Foi também uma ocasião para agradecer a Deus pelos 40 anos de presença das Irmãs neste país, celebrando este aniversário especialmente na pessoa da Irmã Maria Brígida, que permaneceu nesta terra abençoada por estes 40 anos. Ad multos annos!

Quasimodo geniti infantes… Durante a Missa solene celebrada pelo Padre Cortés, assistido pelo Padre Utrilla e pelo Padre Caliri, 2 noviças fizeram seus primeiros votos. As 23 religiosas presentes cercaram com grande alegria suas irmãs mais novas.

Naquele mesmo dia, no noviciado de Ruffec, França, e no de Browerville, EUA, 7 noviças professaram seus votos e 8 postulantes receberam o hábito religioso, elevando o número de Irmãs professas para 226 e o ​​de noviças para 20. Deo gratias!

As Irmãs da FSSPX são uma congregação verdadeiramente internacional: entre as irmãs que participaram das cerimônias estavam 6 francesas, 6 australianas, 3americanas, 1 chilena, 1 mexicana, 1 polonesa e 1 sul-africana.

Dando graças a Deus por essas vocações, peçamos a Ele que envie muitas outras para esta bela congregação de religiosas fundada por D. Marcel Lefebvre.

 

 “Senhor, dai-nos muitas santas vocações religiosas”

Sobre as Irmãs da FSSPX e a vocação religiosa feminina pode ser visto clicando aquiaquiaquiaquiaqui aqui.

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O BOM PASTOR – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

mgr-lefebvre-5Fonte: FSSPX – Distrito do México – Tradução: Dominus Est

 

Eis algumas palavras de Mons. Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, sobre o evangelho de hoje, domingo – Jesus, o Bom Pastor.

 

Nosso Senhor disse no Evangelho do Bom Pastor: “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco e é preciso que Eu as traga, e elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor “(Jo. 10, 16).

 

Esta exortação é completamente contrária ao ecumenismo moderno. Nosso Senhor pede que tragamos as ovelhas. Ele não diz que devemos deixa-las no rebanho onde estão, mas que as conduzamos a Ele. É o que faz o bom padre. Vai buscar as ovelhas perdidas e desviadas no erro, pelo pecado, neste mundo de pecado e sob a influência do demônio; vai busca-las corajosa e zelosamente, imitando desta maneira, o Bom Pastor.

 

Há de ter um coração de pastor, que vai buscar suas ovelhas uma a uma. Continuar lendo

“E VÓS, NÃO TENHAIS MEDO!”

Ao chegarem ao túmulo onde o corpo de Jesus havia sido depositado, as santas mulheres — Maria Madalena e a outra Maria — ouviram, na manhã da Páscoa e por duas vezes, primeiro do anjo que rolou a pedra e depois do Cristo ressuscitado: “Não tenhais medo!”

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

A expressão, porém, não é nova nas Escrituras: pelo contrário, ela permeia todo o texto sagrado, a ponto de alguns terem encontrado até 365 vezes! Mas ela ganha todo o seu sentido na Páscoa, à luz da Ressurreição: se Jesus Cristo venceu o pecado com sua consequência, a morte, o que bem podem temer todos aqueles que depositaram nele sua fé e sua esperança?

Mais do que imaginamos, o medo — em todas as suas formas, fracas ou fortes — determina, ou pelo menos modifica, nossas ações, pensamentos, reações e planos. Como qualquer outra emoção, o medo não deve ser negado, nem mesmo rejeitado de forma absoluta: ele sinaliza àquele que o sente uma ameaça real ou imaginária; cabe a cada um, então, avaliar a realidade, a gravidade e a iminência do perigo para saber até que ponto é importante deixar o medo prosperar ou não no coração. Continuar lendo

POR QUE ADMIRAMOS GRANDES HOMENS?

Se o mundo mergulha no marasmo, é porque está à altura dos “heróis” que escolheu a si próprios: homens inúteis cuja fama assenta unicamente na cobertura midiática e não mais na verdadeira virtude.

Fonte: Editorial da revista Fideliter n°263 – Tradução: Dominus Est

A admiração instiga a reflexão. Um acontecimento inusitado, uma atitude inapropriada, uma resposta absurda, surpreende-nos. Todos os sentidos despertados nos incitam a encontrar a razão dessas manifestações inusitadas. E então, com mais ou menos cuidado, nos preocupamos em descobrir o porquê. Alguns se cansarão rapidamente da busca, mas outros, mais perseverantes, irão querer fugir dessa ignorância que os atormenta. Sabemos que os grandes pensadores foram todos pessoas obstinadas que viraram e reviraram, em todos os sentidos, estas observações iniciais para finalmente descobrir o segredo escondido sob a aparência inicialmente desoladora. Conhecemos, por exemplo, o grito de vitória de Arquimedes em sua banheira: eureka, encontrei; e conhecemos o pessimismo de Blaise Pascal, inquieto, que admitiu: “O que mais me surpreende é o fato que nem todos estão surpreendidos com sua fraqueza.” Mas o exemplo mais tocante e mais divino de admiração continua sendo o da Bem-Aventurada Virgem Maria quando o anjo lhe anuncia o privilégio de se tornar a mãe de Deus: “Como se fará isso, eu que não conheço homem algum?

“O extraordinário provoca admiração e emoção.”

O inusitado, por definição, como o extraordinário, o incomum, o raro, efetivamente provoca admiração; é uma emoção que pode lançar uma vida inteira na busca de uma certeza. O nosso tempo, por mais rico que seja em descobertas científicas, não vê apaziguar esta furiosa paixão pelas novas descobertas, sob o risco de abolir não só toda a moral, mas também as leis naturais sobre as quais não pode deixar de se apoiar. Mas, paradoxalmente, os meios eletrônicos atuais tendem a abafar qualquer admiração: a facilidade que oferecem para possuir tudo e rapidamente gera, em muitos, desencanto e decepção. Mentes desiludidas e cansadas tornam-se incapazes de admirar; o virtual destrói o inusitado.

E, no entanto, a natureza, sua flora e fauna criadas pelo bom Deus, nunca deixará de nos surpreender no pouco que lhe prestamos atenção. “Que Deus me conceda o dom de ouvir sempre… a imensa música das coisas…de descobrir os maravilhosos bordados da vida”, disse um jesuíta inclinado ao Ômega. Continuar lendo

IRMÃS DA FSSPX: 226 IRMÃS PROFESSAS E 20 NOVIÇAS APÓS AS CERIMÔNIAS DE QUASIMODO 2026

O Domingo de Quasimodo, 12 de abril de 2026, foi marcado pela cerimônia de tomada de hábito e profissões religiosas entre as Irmãs da Fraternidade São Pio X.

Quasimodo geniti infantes … Durante a Missa pontifical em Ruffec, rodeado por cerca de 40 sacerdotes, Irmãos e seminaristas, D. de Galarreta entregou o hábito das Irmãs da FSSPX a 6 jovens mulheres, enquanto 1 noviça pronunciava seus primeiros votos e 2 irmãs professas faziam seus votos perpétuos. As 122 freiras presentes cercaram com alegria suas integrantes mais jovens!

No mesmo dia, nos noviciados de Browerville, nos Estados Unidos, e Pilar, na Argentina, 8 noviças professaram seus votos e 2 postulantes receberam o hábito religioso, elevando o número de freiras professas para 226 e o ​​número de noviças para 20. Deo gratias!

Uma congregação internacional por excelência, as Irmãs incluem 6 francesas, 6 australianas, 3 americanas, 1 chilena, 1 mexicana, 1 polonesa e 1 sul-africana.

Agradecendo a Deus por essas vocações, roguemos para que Ele envie muitas mais para esta bela congregação de freiras fundada por D. Lefebvre.

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 “Senhor, dai-nos muitas santas vocações religiosas”

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TRADIÇÃO: UMA EXPERIÊNCIA FORMIDÁVEL E TEMIDA

Entre os benefícios espirituais das sagrações episcopais que ocorrerão em Écône em 1º de julho de 2026, estará o de permitir que todos aqueles que assim o desejarem vivenciem a Tradição, tal como pretendia Dom Marcel Lefebvre.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

É precisamente essa experiência que os progressistas temem, como afirmou inequivocamente o jesuíta Thomas Reese no Religion News Service, em 13 de abril de 2021: “A Igreja deve deixar claro que deseja o desaparecimento da liturgia não reformada [destaque nosso] e que só a autorizará por bondade pastoral para com os idosos que não compreendem a necessidade de mudança. Crianças e jovens não deveriam ser autorizados a assistir a essas missas [sic]..” – Em outras palavras, a Missa Tridentina é proibida para menores de 18 anos e reservada para maiores de 98 anos.

Esse é o objetivo do Motu proprio Traditionis custodes de 16 de julho de 2021, que reduz drasticamente a possibilidade de celebração da Missa Tridentina. Trata-se de confinar a Tradição, de confiná-la a uma reserva para uso de padres e fiéis que se espera que estejam em vias de extinção. E essas medidas profiláticas têm como objetivo proteger a “Igreja conciliar” – como a chamava Dom Giovanni Benelli, em 1976 – do “contágio” da Tradição. Continuar lendo

A ECLESIOLOGIA ILUSÓRIA DA FRATERNIDADE SÃO PEDRO – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

O legalismo da Fraternidade São Pedro foge à vista do lobo e abandona as ovelhas.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Sagrações legítimas?” Este é o título de um texto assinado por “Theologus” e publicado em 11 de abril de 2026 no site “claves.org”(1) pelos sacerdotes da Fraternidade São Pedro. Nele, tentam demonstrar que a argumentação apresentada pela FSSPX para estabelecer a legitimidade das sagrações episcopais que se prepara para realizar, no próximo dia 1º de julho, seria vã.

Esse tipo de discurso não é novo. De fato, desde o início, ou seja, desde o “verão de 1988”, os sacerdotes determinados a não seguir D. Lefebvre em sua decisão de nomear sucessores para o episcopado têm se esforçado para justificar sua posição. Foram, principalmente, os sacerdotes da então nascente Fraternidade São Pedro e, entre eles, o padre Josef Bisig(2). E o fizeram apresentando a iniciativa das sagrações como conduzindo a um episcopado não católico, um episcopado cismático, um episcopado que veicula uma heresia implícita. Reforçado pelo padre de Blignières(3), o estudo do padre Bisig inspira em grande parte a reflexão atual dos padres da Fraternidade São Pedro, em particular tal como se expressa no texto publicado online em 11 de abril(4).

A novidade, se é que existe alguma, consiste em contestar os argumentos apresentados pela FSSPX por ocasião do anúncio das futuras sagrações de 1º de julho de 2026. E em acompanhar o estudo com uma “enfática homenagem” do Cardeal Sarah. Continuar lendo

CUIDADO! UM CONCÍLIO PODE ESCONDER OUTRO

Durante o encontro que o Padre Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, teve em 12 de fevereiro de 2026 com o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, este último declarou pessoalmente que “embora fosse possível dialogar sobre o Concílio, não seria possível corrigir seus textos“.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Essa declaração do prelado romano suscitou uma resposta por parte de D. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana, no Cazaquistão, em 17 de fevereiro. A seu ver, os textos de um concílio que se recusou a ser dogmático e se propôs a ser apenas pastoral podem perfeitamente ser revisados ou corrigidos.

Dom Schneider chega a pensar, inclusive, que a Santa Sé deveria ser grata à Fraternidade São Pio X, porque “atualmente é quase a única grande entidade eclesiástica a apontar aberta e publicamente a existência de elementos ambíguos e incorretos em certas declarações do Concílio e no Novus Ordo Missæ“.

Segundo ele, a Fraternidade poderia “contribuir de forma construtiva para o bem de toda a Igreja, mantendo uma distinção clara entre o que diz respeito à fé divinamente revelada e à doutrina definitivamente proposta pelo Magistério, e o que, tendo um caráter essencialmente pastoral em circunstâncias históricas particulares, está aberto a um estudo teológico aprofundado, como sempre foi prática na Igreja“. Continuar lendo

ONDE A TRADIÇÃO É VERDADEIRAMENTE VIVIDA, A IGREJA CRESCE.

Um sacerdote húngaro, o padre Daniel Östör, responsável pelo apostolado da juventude da FSSPX na Hungria, regressou de uma viagem de estudos aos Estados Unidos e transmitiu o seguinte relato.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

No início da Quaresma de 2026, durante minha viagem aos Estados Unidos, tive a oportunidade de visitar dois lugares de particular importância na vida da Fraternidade São Pio X: a cidade de Armada, no estado de Michigan, e St. Marys, no estado do Kansas. Esses dois lugares diferem em tamanho e história, mas manifestam duas faces da mesma realidade eclesial.

Armada é uma comunidade familiar com cerca de 600 a 800 membros — a primeira fundação da Fraternidade nos Estados Unidos — que se encontra hoje no início de uma nova fase de desenvolvimento. St. Marys, por outro lado, com seus 5.000 a 6.000 mil fiéis, é quase uma pequena cidade católica, e sob essa forma praticamente única no mundo.

A história de Armada remonta aos primórdios da Fraternidade. A comunidade foi fundada em 1973 pelo próprio D. Marcel Lefebvre. Foi uma experiência especial visitar locais diretamente ligados à sua pessoa e à sua obra. Durante a minha estadia, realizou-se um funeral: foi sepultado um pai de família com mais de noventa anos que, após o serviço militar, dedicou toda a sua vida à Fraternidade. Era pai de mais de dez filhos. A presença de numerosos filhos, netos, familiares e fiéis demonstrou de forma impressionante o quanto essas comunidades se apoiam nas famílias. Continuar lendo

A VERDADEIRA QUESTÃO EM JOGO NAS SAGRAÇÕES, SEGUNDO O CARDEAL MÜLLER – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

O cardeal recrimina a Fraternidade por adotar a atitude daqueles que acreditam poder remediar as crises “se escondendo em um canto amuado de uma Igreja dos puros, último bastião de ortodoxia que deseja impor sua reintegração completa na Igreja Católica, convertendo-a ao seu próprio cenáculo”. Na verdade, não seria o contrário? Na realidade, não é a Igreja dos puros do Vaticano II, o último bastião entrincheirado do neomodernismo, que deseja impor uma pseudo unidade da Igreja, uma “plena comunhão eclesial”, convertendo todos os católicos à nova liturgia e à nova teologia do Concílio?

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O cardeal Müller, o protótipo do conservador na Igreja?

O cardeal Gerhard Ludwig Müller, nascido em Mainz, em 1947, foi um homem de confiança de Bento XVI. Aliás, foi este último que, em 2 de julho de 2012, quis elevá-lo à dignidade de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e, da mesma forma, lhe confiou a Presidência da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. Dois anos depois, em 12 de janeiro de 2014 – tendo o Papa Bento XVI renunciado nesse ínterim – o Papa Francisco o elevou ao cardinalato.

E foi o novo Cardeal Müller que, no outono de 2014, cinco anos após as primeiras discussões doutrinais de 2009-2011, retoma – na sua qualidade de Presidente da Comissão Ecclesia Dei – o diálogo com a Fraternidade São Pio X, e recebe, em Roma, Dom Bernard Fellay, então Superior Geral da referida Fraternidade. Diálogo que atingiu um ponto sem retorno em 6 de junho de 2017, quando o Cardeal Müller, em nome da Santa Sé, enviou a Dom Fellay uma carta na qual era exigido que, no caso de uma normalização canônica da Fraternidade, ou de um restabelecimento da “plena comunhão”, os membros da Fraternidade “declarem, explicitamente, sua aceitação dos ensinamentos do Concílio Vaticano II e daqueles do período pós-conciliar, concedendo às referidas afirmações doutrinárias o grau de adesão que lhes é devido”, e que reconhecessem “não apenas a validade, mas também a legitimidade do Rito da Santa Missa e dos Sacramentos, de acordo com os livros litúrgicos promulgados após o Concílio Vaticano II”(1). Continuar lendo

A ABSURDA DEFESA DA FAMÍLIA

AS VIRTUDES DA FAMÍLIA CATÓLICA | DOMINUS EST

Por Dardo Juan Calderón

Fonte: Adelante la fe – Tradução: Dominus Est

No século XX, alertava-se acerca do fato de que a família, como instituição formadora, estava sendo atacada por um sistema liberal individualista, que apontava seus canhões sobre o princípio de autoridade, pilar fundamental de toda instituição. Contudo, ninguém tinha dúvidas sobre as vantagens emotivas de ter uma família e a reprodução tinha seus números mais altos. O que se questionava é se essa família impunha a seu integrante – na qualidade de herdeiro sem benefício de inventário – uma concepção de ordem, uma cosmologia que condicionasse seu recebedor para o resto de sua vida. Aos mais avisados, não se ocultava que essa cosmologia era a essência mesma da instituição, que não era nada além da religião católica – e que, uma vez escamoteada, tudo cairia por seu próprio peso, inclusive a agradável tarefa de se reproduzir. A família é para continuar o religioso, ou se torna uma carga insuportável.

O assunto vinha de um século antes, pensado como estratégia para romper os esquemas sociais estabelecidos pelo “Antigo Regime” mediante o Código Civil Napoleônico que rompia com os patrimônios familiares, debilitando a coesão social e aumentando a pressão do Leviatã. Os confusos desvios monárquicos do corso e seu acordo (vergonhoso) com a Santa Sé, acordo que pariu o ralliement, fez com que muitos católicos perdessem a clara consciência de que o liberalismo atacava concretamente a Ordem Católica, a Cosmologia Católica e o Antigo Regime somente enquanto sustentava o mundo católico; mas poder-se-ia até salvar o sistema monárquico – desde que não fosse católico, como na Inglaterra. Cresceram crendo que a discussão era assunto de políticas em que se devia fazer acordos e acomodar-se, para desse modo poder seguir sendo católicos – mesmo com o mundo sendo diferente. Continuar lendo

O DIREITO DE NÃO SABER

Falar sobre tudo sem saber e querer ter uma opinião sobre todos os assuntos é prova da vaidade e da presunção da alma.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Em 8 de junho de 1978, em um famoso discurso na Universidade de Harvard (EUA), o dissidente russo Alexander Solzhenitsyn defendeu um novo direito humano.

“Todos têm o direito de saber tudo. Mas esse é um slogan falso, fruto de uma falsa era. De valor muito maior é este direito confiscado, o direito das pessoas de não saber, de não terem sua alma divina sufocada por fofocas, estupidez e palavras vazias. Uma pessoa que leva uma vida plena de trabalho e significado não tem absolutamente nenhuma necessidade desse fluxo pesado e incessante de informações. (…) A imprensa é o lugar privilegiado onde se manifestam essa pressa e essa superficialidade que constituem a doença mental do século XX. Ir ao cerne dos problemas é-lhe contraindicado, isso não está em sua natureza; ela retém apenas as frases sensacionalistas.”

Alexander Solzhenitsyn, discurso proferido na Universidade de Harvard, 8 de junho de 1978.

Mas Soljenítsin está só.

Quem o ouviu? Quem reivindicou para si esse “direito de não saber”? E quem o colocou em prática? Ninguém, ou quase ninguém…

Esse apelo de Soljenitsyn denuncia um sintoma: o da superficialidade. Por trás desse sintoma, há uma doença. E essa doença tem um nome: a vaidade da alma humana. Na imprensa, nas redes sociais ou em conversas privadas, frases sensacionalistas e julgamentos precipitados são, com demasiada frequência, preferidos ao esforço pela verdade e à caridade do real. Continuar lendo