O DEMÔNIO TOCA FLAUTA

As repugnantes blasfêmias proferidas em certas instituições da Igreja não provocam quaisquer reações das autoridades, que estão ocupadas  demais com o processo sinodal.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Um artigo no  site da Conferência Episcopal Alemã, katholisch.de, provocou protestos em todos os meios de comunicação católicos ditos conservadores. O texto apresenta, sem a menor análise crítica, uma obra publicada por Simone e Claudia Paganini, professores de teologia, exegese e filosofia, ambos considerados católicos devotos. O livro busca, em diversas figuras bíblicas, indícios de distúrbios psicológicos: depressão em Moisés, transtorno obsessivo-compulsivo em Jó (afinal, ele oferece sacrifícios pelos possíveis pecados de seus filhos), tendências maníacas em Judite, uma propensão ao álcool no próprio Jesus (já que seus adversários o chamam de bêbado) e narcisismo em Deus, por ele afirmar ser o único Deus. Era só isso que faltava.Diante dessa repugnante blasfêmia, ainda aguardamos os comunicados anunciando a proibição de toda oração pública nos santuários de Lourdes ou Mariazell para tais escritores e todos aqueles que os recomendam, como a Conferência Episcopal Alemã. Qual seria a reação? “E daí?”, diria Jesus,  segundo o evangelho apócrifo do Padre Arnaud Alibert, editor-chefe de La Croix. Assim como nas polêmicas em torno das uniões contra a natureza, nos responderão que isso não é o mais importante. O que é urgente é a sinodalidade e a denúncia dos pecados contra a ecologia. A Igreja está atordoada com encontros sinodais, mistagógicos e kerigmáticos, e obcecada por cubos de gelo e espécies ameaçadas de extinção. Continuar lendo

EDUCAÇÃO: A HARMONIA ENTRE OS PAIS

Quando os pais se contradizem, a criança aprende depressa a tirar proveito disso.

Fonte: La Porte LatineTradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio 

Como todas as noites, sua mãe acompanha os deveres de Claire, uma mocinha bastante inclinada à preguiça, sobretudo quando é preciso aplicar-se e pensar. Por isso, a mãe decide com firmeza, para ajudá-la a vencer seu feio defeito:

— Agora que você entendeu bem, Claire, vai terminar sozinha os seus exercícios de cálculo, e só irá brincar lá fora quando eles estiverem terminados e bem feitos.

Claire suspira, boceja, lança um olhar pela janela, rabisca alguns números vagos no caderno de rascunho, suspira novamente… A mãe não cede:

— Coragem, Claire; vou preparar a mamadeira de Pierre e, quando eu voltar, quero que o primeiro exercício esteja feito.

Assim que a mãe sai, Claire se levanta, corre para a sala, senta-se no colo do pai e lhe pede, com um ar carinhoso: Continuar lendo

A FSSPX AINDA PODERIA ESPERAR ALGO DE ROMA?

Em entrevista concedida ao Distrito italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 14 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco explica as necessidades práticas que impossibilitaram o adiamento das sagrações episcopais, apesar dos esforços empreendidos junto a Roma. Ele também aborda a profissão de fé publicada pela Fraternidade e os obstáculos doutrinais que, até o momento, impediram qualquer acordo verdadeiro.

FSSPX Itália — Voltando especificamente às sagrações, elas poderiam ter sido evitadas?

Alguns defendem que a Fraternidade poderia ter esperado mais um pouco, construído um relacionamento com Leão XIV, tentado obter um mandato pontifício ou aguardado uma mudança na liderança do Dicastério para a Doutrina da Fé.

A Fraternidade realmente tentou todas as vias possíveis antes de chegar a essa decisão?

Por que o senhor considera que era o momento oportuno para sagrar os novos bispos?

Padre Di Sorco — A Fraternidade decidiu prosseguir agora com as sagrações episcopais por uma razão eminentemente prática. 

Na Fraternidade, restavam apenas dois bispos em atividade. Esses dois bispos estão envelhecendo e enfrentavam dificuldades para atender a todas as necessidades dos fiéis e dos sacerdotes. Continuar lendo

O CÉU É UMA DÁDIVA, NUNCA UM DIREITO

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta quarta parte relembra que o homem, criado à imagem de Deus, é chamado gratuitamente a um destino sobrenatural que ultrapassa as forças de sua natureza. Ela reafirma que somente a graça eleva o homem até Deus e rejeita as doutrinas que reduzem a fé a um mero humanismo.

III – A criação do homem e a ordem sobrenatural da graça

23 – Creio que Deus criou o homem à sua imagem, provido de uma alma espiritual e imortal, capaz de conhecer a verdade, de amar o bem conhecido pela razão natural, e de se voltar livremente para o seu Criador. O homem, portanto, não é o produto necessário de uma evolução cega, nem o mero resultado de forças materiais; vem de Deus como de sua causa criadora, depende de Deus, que o mantém no ser, e está ordenado a Deus como ao seu fim.

24 – Professo que Deus não destinou o homem à sua perfeição meramente natural, senão que o chamou gratuitamente a um fim sobrenatural que ultrapassa absolutamente as forças e os direitos da natureza criada: a visão beatífica, na qual o homem verá Deus face a face e participará da vida íntima da Santíssima Trindade. Que o homem seja chamado a tornar-se filho de Deus, partícipe da natureza divina e herdeiro do Céu, não é a consumação necessária da sua natureza, mas um puro efeito da liberalidade divina. Continuar lendo

CRISE DE AUTORIDADE: QUANDO UM ÓDIO INCONSCIENTE PARALISA A AUTORIDADE

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

Nenhuma sociedade humana pode subsistir sem autoridade. Eis uma verdade fundamental da ordem natural e política: a partir do momento que as pessoas se unem para formar uma comunidade, uma família, uma cidade ou mesmo a Igreja, a existência de um princípio de ordem e direção torna-se absolutamente imprescindível. A autoridade é, portanto, o poder moral conferido a um superior para compelir seus inferiores a agirem em prol do bem comum da sociedade. Ela não pode ser concebida e não tem sentido senão no âmbito social. Sem uma orientação clara, sem uma direção firme em direção a esse bem comum para todo o corpo social, e sem a posse de uma força coercitiva legítima capaz de assumir e impor essa direção, a comunidade se dissolve imediatamente no caos da anarquia ou no choque de interesses particulares.

A origem divina e a natureza paternal do poder

As Sagradas Escrituras afirmam isso sem ambiguidade: toda autoridade vem de Deus. São Pedro ensina isso explicitamente aos primeiros fiéis: “Sêde, pois, submissos a toda a instituição humana, por amor de Deus: quer ao rei, como a soberano, quer aos governadores, como enviados por ele” (1 Pedro 2, 13-14). E quando a autoridade humana falha em sua missão suprema, os Apóstolos recordam simultaneamente sua origem e seus limites: Deve-se obedecer a Deus antes do que aos homens” (Atos 5, 29). Da mesma forma, diante do poder temporal personificado por Pôncio Pilatos, Nosso Senhor Jesus Cristo já havia declarado:Tu não terias poder algum sobre mim, se te não fosse dado do alto.” (João 19, 11). Portanto, se toda autoridade vem de Deus, então ela não deriva seu princípio fundamental de um contrato social arbitrário ou da mera vontade da maioria. Continuar lendo

O EXERCÍCIO DA AUTORIDADE NA EDUCAÇÃO

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

“Meu filho não me obedece, o que esperam que eu faça?” Desiludido, esse pai desistiu; não suporta mais os caprichos do filho, seus gritos, suas lágrimas. Prefere deixar os dias passarem sem lutar; há uma certa paz em renunciar à autoridade, a paz de um cão exausto a deriva, a paz do vencido que se submete à tirania do vencedor, a paz da morte quando a vida abandona o corpo sem alma. Amanhã, essa criança se tornará um adolescente, resistente a toda autoridade, incapaz de tolerar um único comentário ou restrição; ele próprio tiranizado por suas paixões, oscilará entre entusiasmos passageiros e desânimos recorrentes.

Finalmente, na vida adulta, pelo menos em termos de idade, esse indivíduo inflexível e caprichoso será, dependendo da escolha, um revolucionário sempre em guerra contra injustiças reais ou presumidas, um adulto instável incapaz de tomar uma decisão a longo prazo, um cônjuge infiel ou egoísta, um zumbi translúcido sem caráter e sem combatividade, uma pessoa ansiosa e depressiva, sempre inquieta, nunca em paz. Continuar lendo

CEGUEIRAS E VELHACARIAS

What US adults think about Pope Leo XIV, according to a new ...

“As almas encontram-se enfermas de uma terrível Doença: a fadiga e o horror à verdade” (Louis Veuillot)

por Tomás Ignacio González Pondal 

O site Religión en Libertad — bem ganho pelo progressismo — publica a seguinte notícia: “Histórico primeiro encontro entre o Vaticano e o confucionismo para construir uma sociedade ideal”. Acrescenta-se que foi “organizado pelo Dicastério para o Diálogo Inter-religioso” presidido pelo “cardeal George Jacob Koovakad”, e que os move o “falar e escutar, dar e receber, crescimento e enriquecimento mútuos”. E algo mais nos é dito: “Junto ao dicastério vaticano, neste histórico encontro participam a conferência episcopal da Coreia e a Academia Confuciana Coreana, e fazem-no em torno do tema ‘Novo Céu, Nova Terra e Datong [Grande Harmonia, Grande Unidade]: o diálogo cristão-confuciano para construir uma sociedade ideal’”. Pois bem, nos dias 4 e 5 de agosto de 2026, dentro de poucos dias apenas, a política vaticana modernista agora nas mãos do Papa Leão XIV mostrará ao rebanho católico este novo circo com o confucionismo; mais anticatolicismo servido a milhões de pessoas, e ainda há quem diga que não há estado de necessidade geral.

No dia 31 de julho o Papa Leão XIV recebeu a roqueira Patti Smith, «a madrinha do punk». Segundo as notícias, a punk rock foi “criada como filha de uma testemunha de Jeová e recebeu uma forte educação religiosa, que abandonou na adolescência por achá-la demasiado restritiva. A este respeito, Smith escreveu anos depois, na estrofe inicial da sua versão de uma canção dos Them, «Gloria», que «Jesus morreu pelos pecados de alguém, mas não pelos meus», e isso em resposta a essa experiência” (https://es.wikipedia.org/wiki/Patti_Smith). Patti Smith é favorável à manobra assassina chamada aborto e favorável ao orgulho LGBT (muitas das suas letras dão conta disso). Já conhecemos os encontros do Papa Francisco com personagens semelhantes, por exemplo com o ex-presidente Biden. Quando se invocam estes casos, a pastelaria progressista sai a dizer que “Jesus reuniu-se com pecadores”. Mas um “nada a ver” fica-me curto. Porque nos encontros de agora não há admoestações contra os pecados; observa-se antes uma espécie de simpatia e quase uma premiação de itinerários mundanos. Continuar lendo

O ESTADO DE NECESSIDADE INVOCADO PELA FSSPX É REAL?

Em uma entrevista concedida ao Distrito da Itália da Fraternidade São Pio X e publicada em 14 de agosto de 2026, o padre Daniele Di Sorco explica por que os erros decorrentes do Concílio Vaticano II não podem ser combatidos por meras críticas e como a atual crise da Igreja gera um verdadeiro estado de necessidade espiritual.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

FSSPX Itália — O que o senhor responderia aos católicos que reconhecem o caráter problemático desses episódios (oração inter-religiosa em Assis, beijo no Alcorão por João Paulo II, cerimônia da Pachamama no Vaticano e recepção a Sarah Mullaly), mas consideram a reação da Fraternidade São Pio X excessiva ou injustificada?

Padre di Sorco — Existem, de fato, católicos chamados de conservadores e que se opõem a esses excessos.

Por exemplo, católicos que não aceitam a legitimação da homossexualidade, que não aceitam a comunhão a pessoas divorciadas e recasadas, que ficam profundamente perplexos diante de documentos como o de Abu Dhabi, onde se afirma que todas as religiões são fruto da vontade de Deus, que constituem uma riqueza desejada por Deus.

O problema é que esses conservadores param por aí.

Eles rejeitam, digamos, a segunda fase do modernismo, mas aceitam a primeira. Não compreendem que esses desenvolvimentos na esfera moral ou dogmática nada mais são do que as consequências lógicas dos erros do Concílio Vaticano II. Continuar lendo

O DINHEIRO DA INIQUIDADE – PE. ÁLVARO CALDERÓN, FSSPX

Pode um cristão viver com dinheiro sujo?

Sermão do VIII Domingo depois de Pentecostes

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Celebramos o oitavo domingo depois de Pentecostes. O Evangelho nos apresenta uma parábola singular de Nosso Senhor, na qual Ele louva o administrador infiel: aquele que, fraudando ainda mais o patrão, faz esmola com bens que não são seus. E, no entanto, o Senhor louva a sua astúcia — uma “misericórdia”, diríamos entre aspas — e dá um conselho que também soa estranho:

Fazei-vos amigos com o dinheiro da iniquidade — mammona iniquitatis —, para que, quando morrerdes, vos recebam nas moradas eternas.

Mammon é uma palavra de origem semítica para designar o dinheiro. Era costume acrescentar-lhe esse adjetivo — dinheiro da iniquidade —, precisamente neste contexto evangélico.

O dinheiro como “dinheiro da iniquidade”

Alguém poderia pensar que Nosso Senhor, ao pôr o exemplo de um administrador desonesto, quer nos dizer: com maior razão fazei esmola com dinheiro honesto, bem ganho, que seja verdadeiramente vosso. Mas o adjetivo de iniquidade, se se reflete um pouco, corresponde a todo dinheiro. Sempre foi assim; mais ainda em tempos em que as sociedades se desordenam e se afastam da justiça ao se afastarem de Deus. Continuar lendo

EM ASSIS: FALSOS CULTOS ADMITIDOS NAS IGREJAS, FSSPX EXCLUÍDA

No domingo, 6 de setembro de 2026, os sacerdotes e fiéis da Fraternidade São Pio X que estavam concluindo sua Peregrinação anual a Assis com o canto do Credo na Basílica de São Francisco, tiveram o acesso ao edifício negado enquanto comunidade. Dom Gabriele d’Avino, Superior do Distrito da Itália, proferiu uma exortação no adro da igreja antes que os peregrinos cantassem o Credo publicamente.

Exortação de Dom Gabriele d’Avino

Antes de lhes dar a bênção final, fazer os últimos comunicados e, em seguida, nos despedirmos ao final desta belíssima edição de nossa Peregrinação anual de Bevagna a Assis, gostaria de dedicar mais um minuto a uma consideração final, a fim de chamar a atenção de vocês para o significado do que realizamos.

Essa peregrinação a pé foi árdua, e o sol não colaborou muito. Mas o Senhor nos deu a graça e a força para podermos dar testemunho público da nossa fé.

Por que testemuhar publicamente essa fé? Recorrerei a uma passagem do apóstolo São Paulo que, em sua segunda epístola aos Coríntios, coloca esta pergunta retórica: “Que harmonia pode haver entre a luz e as trevas? Que harmonia pode haver entre Cristo e Belial?” — Belial sendo um nome dado ao demônio. Continuar lendo

REDEFINIR O CISMA PARA INCLUIR A FSSPX?

Em entrevista concedida ao Distrito Italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 11 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco aborda a acusação de cisma feita contra a FSSPX e explica a distinção entre desobediência a um ato específico de autoridade e recusa da própria autoridade.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

FSSPX Itália — A plena comunhão com a Igreja Católica é tradicionalmente descrita por meio de três vínculos fundamentais: a profissão da mesma fé, a comunhão nos sacramentos e a comunhão no governo da Igreja, ou seja, com o Papa e os bispos em comunhão com ele.

A Fraternidade São Pio X é frequentemente acusada de se encontrar em situação de cisma porque, ao sagrar bispos sem mandato pontifício, teria rejeitado a autoridade do Papa, rompendo assim um desses três laços.

Mas será realmente correto equiparar a desobediência a um ato específico da autoridade à recusa da própria autoridade? Do ponto de vista teológico e canônico, como a Fraternidade explica sua posição? Continuar lendo

POLÔNIA: 700 PEREGRINOS AOS PÉS DE NOSSA SENHORA DE CZĘSTOCHOWA

De 4 a 15 de agosto de 2026, a 32ª Peregrinação Internacional da Tradição Católica ligou Varsóvia a Jasna Góra. Durante 11 dias, os fiéis caminharam em direção ao grande santuário mariano da Polônia, sob a orientação espiritual dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X.

Não se tratava apenas de chegar a Częstochowa, mas de apresentar intenções pessoais, familiares e religiosas diante da imagem milagrosa da Virgem Negra, aceitando as dificuldades da jornada em espírito de penitência e oração. 

O tema escolhido para esta 32ª edição resumia essa orientação profundamente mariana: “A Santíssima Virgem Maria, Corredentora e Medianeira de todas as graças”.

De Varsóvia a Jasna Góra

A partida ocorreu no dia 4 de agosto da Igreja da Imaculada Conceição em Varsóvia-Radość. A Peregrinação teve início com uma Missa reazada pelo Padre Karol Stehlin, que proferiu um sermão para preparar os fiéis para os 11 dias de caminhada. Continuar lendo

PEQUIM ESCOLHE BISPOS COMUNISTAS…E ROMA APROVA

A rendição do catolicismo ao maoísmo.

Pequim escolheu um novo bispo católico, que promoveu a ideologia comunista, participou da “reeducação” política maoísta e negou relatos de perseguição contra católicos em sua própria diocese. Roma o aprovou mesmo assim. A sagração de Paulo Liu Honggang, argumenta Gaetano Masciullo, é um exemplo chocante do que o acordo sino-vaticano produziu: o regime comunista escolhe e Roma apenas concorda.

Fonte: The Remnant – Tradução: Dominus Est

A farsa diplomática da Ostpolitik do Vaticano atingiu um novo e desolador ápice. Em 31 de agosto passado , Paul Liu Honggang foi sagrado bispo de Datong. A nomeação havia sido formalizada pelo Papa Leão XIV em 10 de agosto, meses depois de a Associação Patriótica Católica Chinesa tê-lo “eleito” unilateralmente em 28 de abril. Como já é prática comum: Pequim escolhe, Roma ratifica e consagra.

A figura de Liu Honggang personifica perfeitamente o drama da “sinização” do catolicismo: um processo que não explica a fé à cultura local, como gostariam de fazer crer os defensores do mecanismo sino-vaticano criado sob a direção de Bergoglio e Parolin nos últimos anos, mas subordina a doutrina do Evangelho à ideologia marxista.

O bispo que qualificou as denúncias de perseguição como “inventadas”.

O currículo do novo bispo de Datong fala por si só. Em outubro de 2018, Liu liderou pessoalmente cerimônias de hasteamento da bandeira para promover os “valores socialistas fundamentais”. Quando, em novembro de 2018, oito fiéis de sua diocese assinaram e publicaram na AsiaNews uma carta desesperada, denunciando a destruição de uma cruz, de uma igreja e a apreensão de Bíblias, Liu não agiu como um pastor, mas se tornou um negador da perseguição, publicando uma carta na qual as acusações feitas por seus próprios fiéis foram descartadas como invenções. Continuar lendo

DOM SCHNEIDER SUPLICA QUE ROMA RECONHEÇA OS NOVOS BISPOS DA FSSPX

Em uma entrevista concedida ao jornalista Niwa Limbu para o AdVaticanum, em 2 de setembro de 2026, Dom Athanasius Schneider explica porque ele continua a defender a Fraternidade São Pio X apesar das sanções que se seguiram às sagrações episcopais de 1° de julho. Ele também aborda as ambiguidades do Vaticano II, as exigências impostas à Fraternidade e a reforma litúrgica, respondendo à recente catequese de Leão XIV, que não corresponde “nem à realidade nem à história”.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Santo Atanásio e a desobediência a uma ordem papal

Dom Schneider começa esclarecendo a dimensão da comparação que ele fizera entre a situação atual da Fraternidade e a de Santo Atanásio, sob o papa Libério. De forma alguma ele pretende que o bispo de Alexandria tenha realizado sagrações episcopais sem mandato pontifício: “Nenhuma comparação é exata em 100%. Em situações históricas difíceis, ela serve mais como ilustração. Naturalmente, não comparei o caso de Atanásio ao das sagrações em si. Seria errôneo.”

Tal afirmação seria, além do mais, anacrônica, porque o mandato pontifício não era então requerido na sua forma atual para as sagrações episcopais. O ponto comum reside em outro lugar: em ambas as situações, uma ordem concreta do Papa foi recusada para não comprometer a integridade da fé.

Santo Atanásio tinha recebido do papa Libério a ordem de estabelecer a comunhão eclesiástica com certos bispos hereges ou semi-hereges do Oriente. Essencialmente, dizia-lhe: “Eu, o Papa, estou em comunhão com estes bispos. Como vós, Atanásio, podeis recusar a comunhão com um grupo de bispos com os quais eu mesmo, enquanto Papa, estou em comunhão?” Ele se recusa a obedecer e prossegue, apesar da excomunhão pronunciada contra ele, o governo da sua diocese e da sua província eclesiástica. Continuar lendo

UM NOVO DOCUMENTO APROVADO POR LEÃO XIV: BUDA COMPARADO A SÃO FRANCISCO, EVOLUCIONISMO E PALAVRAS ALEATÓRIAS SOBRE O VEGETARIANISMO. ENFIM, NADA DE SURPREENDENTE

Nuovo documento approvato da Leone XIV: Buddha paragonato a San Francesco, evoluzionismo e parole in libertà sul vegetarianesimo. Insomma, tutto da programma.

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

Trata-se de um emaranhado interminável de palavras, por vezes ilegível, devido à sua prolixidade e falta de conclusões. Mas, sobretudo, devido aos seus erros contidos. Estamos falando do documento “Cuidando da Nossa Casa Comum”: Uma Resposta Responsável e Fraternal ao Deus Trinitário, cujo título por si só já causa certa apreensão.

Aprovado por Leão XIV, trata-se de mais uma confirmação, desnecessária, da plena continuidade com as heterodoxias vaticanosegundistas em geral e bergoglianas em particular. Vejamos rapidamente três observações: Continuar lendo

LEÃO XIV RECEBEU OS LUTERANOS NORUEGUESES

Após receber Sarah Mullally como Arcebispa Anglicana de Canterbury, Leão XIV acolheu os bispos luteranos da Noruega e os convidou a construir a comunhão sobre o fundamento de um “batismo comum” e uma “missão compartilhada”.

Fonte: DICI – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio

Em 26 de agosto de 2026, Leão XIV recebeu no Vaticano uma delegação de onze bispos da “Igreja da Noruega”, a denominação luterana oficial do país. Vários membros dessa delegação eram mulheres. Esses títulos de “bispo”, usados sem reservas pela própria Santa Sé, não designam, contudo, um episcopado ou sacerdócio sacramentalmente válido.

Essa invalidade remonta ao estabelecimento da Reforma no Reino da Dinamarca-Noruega em 1536-1537. Após a deposição dos bispos católicos, o reformador Johannes Bugenhagen instalou os primeiros sete “superintendentes” luteranos das dioceses dinamarquesas em 2 de setembro de 1537. Bugenhagen havia recebido a ordenação sacerdotal católica em 1509, antes de sua conversão a Lutero, mas nunca fora consagrado bispo. Portanto, não podia transmitir a autoridade episcopal que não possuía. A sucessão apostólica foi, assim, interrompida desde o início dessa nova hierarquia.

Essa ruptura material foi agravada pelo abandono da doutrina católica do sacerdócio sacrificial e pela alteração do rito e da intenção necessários para a validade do sacramento da Ordem. Quanto às mulheres agora apresentadas como “bispas”, elas são, em todo caso, fundamentalmente incapazes de receber validamente a ordenação. Continuar lendo

DE NADA SERVE A ANSIEDADE – POR SÃO JOÃO CRISÓSTOMO

Memória de São João Crisóstomo

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est 

Não nos deixemos, portanto, dominar pelas preocupações, pois nenhum fruto colheremos senão apenas o de destruir-nos com nossas aflições. Com efeito, quer nos preocupemos ou não — ou melhor, extamente por não nos preocuparmos — Deus nos provê todas as necessidades. Que restará, então, da tua ansiedade senão ter imposto a ti mesmo sofrimentos inúteis? Quem está prestes a participar de um farto banquete jamais se angustiará por causa a comida, nem quem se aproxima de uma fonte se afligirá por causa da bebida. Nós, portanto, que temos à nossa disposição uma abundância de bens incomparavelmente maior do que a de mil fontes ou banquetes — isto é, a providência de Deus — não nos comportemos como pobres pusilânimes.

Em Matthaeum Homiliae XXII, 3, PG 57, col. 302-303

A FÉ EM DEUS NÃO SE LIMITA À SUA UNIDADE

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Essa terceira parte relembra que Deus é o Criador de todas as coisas, que Ele pode ser conhecido pela razão humana e que Se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo. Ela reafirma que o mistério da Santíssima Trindade deve ser professado integralmente, sem omissões nem atenuações.

II – Deus, princípio e fim de todas as coisas, Santíssima Trindade

18 – Professo a existência de um Deus único, pessoal, vivo e verdadeiro, princípio primeiro e fim último de todas as coisas, que no começo criou a partir do nada o céu e a terra, as coisas visíveis e invisíveis. Infinitamente perfeito, eterno e onipotente, imutável, incompreensível na sua essência e soberanamente livre nas suas obras, Ele é distinto do mundo que criou livremente, que conserva na existência e que governa por meio de sua Providência.

19 – Professo que Deus pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão a partir das suas criaturas, como a causa é conhecida pelos seus efeitos. A fé católica reconhece, de fato, que a inteligência humana é capaz de atingir verdadeiramente a realidade das coisas, de conhecer frequentemente as suas causas e de chegar a verdadeiras certezas. Continuar lendo