CRUZADA DE ORAÇÕES – AS MISSAS E AS VOCAÇÕES, NOSSOS TESOUROS!

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A situação internacional está claramente se deteriorando. Um dos pontos mais críticos diz respeito à proibição das Missas públicas. Como todos sabemos que a Missa é a alavanca que levanta o mundo, só podemos nos preocupar com o futuro.

Os fiéis e os sacerdotes da FSSPX, em todo o mundo, estão preocupados em se opor a esta situação com meios proporcionais. Para encorajar tal estado de espírito, ajudando a lutar principalmente em um nível sobrenatural, o Superior Geral decidiu lançar uma Cruzada de Orações, apoiada pela recitação do Rosário.

É uma cruzada tanto pela Missa quanto pelas vocações. Assim, ao mesmo tempo que responde à necessidade presente, esta cruzada responde ao próprio objetivo da Fraternidade, permitindo manter nossa preocupação com as vocações e nosso apego à Missa. (DICI)

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Caros membros da Fraternidade, caros fiéis, caros amigos,

Este é um chamado enérgico, implorante, que se endereça aos senhores e a todos aqueles a quem os senhores possam transmitir: «Unamos nossas forças para obter do céu a liberdade incondicional de rezar publicamente e de assistir à Missa». A Santa Missa é o bem mais querido para nós. Assim, ela precisa ser rezada de novo com total liberdade: ela contém a solução a todos os males, a todas as doenças, a todos os temores.

A isso se une uma intenção de oração não menos importante: as vocações. Rezemos, supliquemos aos céus para enviar muitos operários para a vinha do Senhor, muitos santos sacerdotes. Nossos seminários devem estar sempre cheios! As almas têm sede e não têm padres suficientes para saciá-las!

Ficaremos então insensíveis à situação atual? « Todo aquele que pede recebe, e a quem bate abrir-se-á » (Mt VII, 8), promete-nos Nosso Senhor. Façamos nossa parte: as graças são obtidas somente se pedimos com insistência.

Caros amigos, eu vos convido a todos, adultos e crianças, leigos e pessoas consagradas, e vos suplico de se juntarem a esta cruzada de oração pelas Missas e pelas Vocações. Os cruzados partiam para libertar o túmulo de Nosso Senhor Jesus Cristo; partamos então para libertar o tesouro de Cristo Rei, seu testamento de amor!

Quando partiremos para a cruzada? No dia 21 de novembro, festa da Apresentação da Santíssima Virgem no Templo.

Quem liderará esta cruzada? Aquela que permaneceu de pé aos pés da Cruz e para a qual foi dito: “Mulher, eis aqui o teu filho”. Aquela que tem a responsabilidade de cuidar de todos nós, cujo coração é tão bom e cujo poder de intercessão é infalível!

Qual arma utilizaremos? Aquela que nos foi dada pelos céus: o Terço. Uma arma fácil de encontrar, fácil de usar e de uma eficácia imensa junto ao coração de Nosso Senhor; arma que põe em fuga o demônio, inimigo mortal da Santa Missa e dos sacerdotes.

Quando terminará esta cruzada? Na Quinta-feira Santa (1o de abril de 2021), no qual celebraremos tanto a instituição do Santo Sacrifício da Missa como do sacerdócio, ou seja, aquilo que nos é mais caro.

A quem ofereceremos os resultados desta cruzada? À própria Nossa Senhora. Cada distrito organizará a coleta e enviará para a Casa Geral no momento devido.

Se o Céu, pela intervenção da Santíssima Virgem, nos oferece a possibilidade, a Fraternidade irá em uma grande peregrinação de ação de graças a Lourdes, em outubro de 2021.

Que Deus vos abençoe e abençoe a vossa generosidade!

Menzingen, 11 de novembro de 2020, na festa de São Martinho de Tours

Padre Davide Pagliarani, Superior Geral

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR A PLANILHA E ANOTAR OS TERÇOS REZADOS

A partir do dia 02/04, os que ajudaram nessa Cruzada podem nos enviar um email (gespiox@yahoo.com.br) com a Planilha ou apenas com o total de terços rezados no período.  Aos que acompanham nosso blog, faremos a somatória com a Missão de Ribeirão e enviaremos para o Priorado de São Paulo para a contabilização com o restante dos Priorados e Missões no Brasil.

QUÃO FÁCIL É FALAR E QUÃO DIFÍCIL É CALAR!

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

“Mesmos os próprios demônios, sendo espíritos de divisão e semeadores de joio, o próprio Cristo diz que não se deve crer que entre si andem em divisão, pois se Satanás está dividido contra si mesmo, como pode manter de pé seu reino?” (Lc 11,18).

Neste mês das almas do Purgatório, nada melhor do que falar desses vícios que se apegam às nossas almas, impedindo um vôo alto até o Céu, à virtude, à imitação de Nosso Senhor. Desses vícios pelos quais, certamente, muitas almas no Purgatório estão sofrendo e se purificando deles até que estejam bem limpas.

E neste mês, devido a várias circunstâncias e depois de muita reflexão, gostaria de criticar o vício da fofoca, da murmuração. Por ser o vício mais terrível em uma comunidade religiosa, em uma família cujo primeiro objetivo é se aproximar de Deus, deve-se ter em conta que a única coisa a se procurar é salvar suas almas. A sua e dos outros membros dessa família.

E a murmuração é definida pelo dicionário como “Comentário que se faz sobre uma pessoa que não está presente, tentando fazer com que esta não saiba e com a finalidade de lhe fazer mal ou de a incomodar”. A murmuração, então, não tem a intenção de salvar a alma dos demais, pelo contrário, ela busca o seu mal. E é por isso que é um pecado horrível, gravíssimo.

Diz a Sagrada Escritura no livro dos Provérbios – que é uma joia que sempre recomendo ler – o seguinte sobre a murmuração: O vento do aquilão traz as chuvas, e a língua detratora, às ocultas, ensombra os semblantes.”

Em outras palavras, nunca haverá um murmurador feliz, nunca o murmurador estará feliz, porque por trás da murmuração está a inveja, o ciúme amargo. O único propósito do murmurador em sua vida é viver de olho nos outros, não para ajudá-los, que seria algo extraordinário, que seria algo maravilhoso, mas para julgá-los, para condená-los. E a lei de seu julgamento não são os mandamentos ou as virtudes, não é a moralidade católica. Sua lei, a vara de sua justiça, é ele mesmo, seus próprios gostos, sua própria maneira de pensar, enfim: SEU AMOR PRÓPRIO. Continuar lendo

TEÓRICOS DA CONSPIRAÇÃO

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Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

“Este artigo foi publicado no Courrier de Rome em maio de 2020. Notícias recentes nos levam a oferecê-lo novamente.”

1- A paz mantém uma profunda afinidade com a unidade. Pois a paz é a tranquilidade da ordem e a ordem é uma certa forma de unidade. Estamos em paz quando não estamos dispersos, dissipados, divididos, mas antes ao contrário: unidos e unificados em nosso conhecimento e em nosso amor. A perturbação, contrária à paz, ocorre quando nossa inteligência tem dúvidas, porque ou ela é solicitada em duas considerações contrárias ou quando nossa vontade está dividida entre dois desejos opostos.

2 – O surgimento do Coronavirus, sobre o qual tanto temos falado, provocou medidas restritivas e repressivas sem precedentes em todo o mundo. Estas têm sido ocasião de uma crise econômica e financeira incomparáveis. E tudo isso mostra como é fácil agora para nossos líderes colocar quase toda a população mundial sob controle.

3 – Há cerca de três meses, muitas pessoas têm compartilhado reflexões que esses diferentes eventos suscitam. Seria talvez demasiado fácil designá-los como “conspiradores” e é, de fato, a vantagem de tais slogans dispensar a reflexão e dar o pretexto fácil para uma rejeição que nenhuma motivação séria pode apoiar. Os slogans geralmente são claros e diretos, como qualquer coisa simplista. Além desse ostracismo do slogan, vamos pensar um pouco. O que é um “conspirador“?

4 – Em certo sentido, somos todos mais ou menos assim, pois “Todo homem deseja naturalmente conhecer“, diz Aristóteles. Todos buscamos explicações e isso é inevitável, porque está profundamente enraizado em nossa natureza humana: sempre procuramos saber “por quê?” E, ao fazer isso, buscamos conhecer as causas. Pois, precisamente, o saber e a ciência consistem no conhecimento das causas, em buscar o “porquê“. Nesse sentido, todo homem é evidentemente um teórico da conspiração, e, para ele não o fosse, teria de ser despojado de sua natureza humana! Continuar lendo

FORMAÇÃO 2020 – 50 ANOS DA FSSPX – TRANSMISSÃO AO VIVO

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20 a 22 de Novembro de 2020 – Transmissão ao vivo

Devido às restrições atuais, o número de vagas para a participação presencial na Formação de 2020 ficou bastante reduzido. Além disso, todos os anos muitas pessoas deixam de participar por conta da distância e dos custos de viagem envolvidos.

Pensando nisso, pela primeira vez ofereceremos a oportunidade de participação a distância da Formação, com transmissão ao vivo de todas as conferências durante os três dias de evento.

ADQUIRA SEU INGRESSO PARA ASSISTIR À FORMAÇÃO AO VIVO

De modo a cobrir as despesas envolvidas com a realização do evento e sua transmissão, o custo de participação é de R$25, que podem ser pagos por boleto ou cartão. Após confirmação de pagamento, você receberá um usuário e senha para acessar a área de transmissão do evento.

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Pagamento online 100% seguro. São aceitos todos os cartões e boleto bancário.

Programação da Formação 2020

Sexta, 20/11/20

17h – Conferência de abertura

18h30 – 2ª Conferência

Sábado, 21/11/20

9h30 – 3ª Conferência

11h30 – 4ª Conferência

15h – 5ª Conferência

17h30 – 6ª Conferência

21h – Fórum

Domingo, 22/11/20

9h – 7ª Conferência

10h30 – Missa Solene

Como funciona o acesso?

Quando seu pagamento for confirmado, você receberá instruções de acesso por e-mail. 

Importante:

  • O acesso ao evento é pessoal e intransferível. Não é permitido compartilhar seus dados de acesso com terceiros (o sistema bloqueia)
  • Uma família pode assistir, junta, ao evento usando o mesmo login, desde que no mesmo computador
  • Se você não puder assistir ao vivo, não se preocupe: a gravação de cada conferência ficará disponível para assistir até segunda, 23/11/20.

NADA TÃO ATUAL: O GOLPE DE MESTRE DE SATANÁS

Neste pronunciamento, Mons. Lefebvre desmascara o golpe de mestre que a inteligência perversa do demônio inventou para prejudicar a Igreja pós-Vaticano II: levar à desobediência por meio da obediência.

Por outro lado, repetimos com São Pedro: “Devemos obedecer a Deus e não aos homens” (Atos dos Apóstolos), ou com São Bernardo: “Aquele que pela obediência se submete ao mal está aderido à rebelião contra Deus e não à submissão devida a Ele“.

GOLPENota: A publicação on-line deste livro tem como único objetivo a divulgação para uso doméstico. Fica proibido o uso para fins comerciais.

E-BOOK GRATUITO: EXAME DE CONSCIÊNCIA

book

A Editora Santa Cruz está disponibilizando uma versão completa de um excelente Exame de Consciência em formato e-book!

Clique na imagem para acessá-lo.

Esse exame foi retirado do querido Devocionário – Alimento da Alma Devota e disponibilizado para você totalmente grátis em formato PDF.

Ajude outros fiéis a se confessarem bem divulgando esse Exame de Consciência em formato e-book. 

A CAPACIDADE DE FAZER O MAL É UM DEFEITO DA VONTADE – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Vamos esclarecer uma coisa. A capacidade de fazer o mal é um defeito da liberdade. Isso é o que o liberalismo condena. Para os liberais, precisamente, o homem é livre; somos livres e por isso podemos fazer o bem e o mal, e se não pudéssemos fazer o mal, não seríamos livres. Esse é o seu raciocínio.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Se a capacidade de escolher entre o bem e o mal fosse um bem e uma perfeição, teríamos a impressão de poder fazer mais do que se escolhêssemos apenas coisas boas: poderíamos também escolher as más. À primeira vista, seria uma capacidade mais ampla, mas não é assim, porque se fosse uma perfeição também a seria para Deus, que desta forma também poderia fazer o mal. Porém, Deus é sumamente livre. Ele possui liberdade em um grau infinito, mas não pode fazer o mal. O mesmo acontece com os bem-aventurados, anjos ou homens.

Por outro lado, os anjos, antes de sua prova, podiam fazer o mal moral, ou seja, pecar. Deus lhes havia proposto algo novo: sua possível elevação à visão beatífica ou, como dizem alguns, havia-lhes revelado o mistério da Encarnação e sua vontade de fazer-se homem. E então alguns se rebelaram. Descartaram a necessidade de algo que já não possuíam por natureza, ou sendo puros espíritos, negaram a obrigação de adorar um Deus homem, composto de matéria, ou seja, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Portanto, para os anjos e para os homens, a capacidade de cometer o mal não é nenhuma perfeição. Isso é exatamente o que Santo Agostinho enfatizou contra os pelagianos:

“Se a possibilidade de enganar-se no bem fosse da essência e da perfeição da liberdade, então Deus, Jesus Cristo, os Anjos, os Bem-aventurados, entre os quais este poder não existe, ou não seriam livres, ou, pelo menos, o não seriam tão perfeitamente como o homem em seu estado de prova e imperfeição” 

Com certeza, isso é impensável. Deus, os anjos e os eleitos seriam menos livres e menos perfeitos do que os homens. Ademais, basta refletir um pouco: escolher o mal só pode ser um defeito. Se fizermos uma comparação com a doença: o que é mais perfeito, estar doente ou não? Se estar doente fosse melhor do que não estar – os santos no céu não podem estar- os homens na terra poderiam “escolher” entre a saúde e a doença, e assim seríamos mais perfeitos na terra do que no céu. Isso é ridículo.

Escolher o mal é um defeito e não pode ser mais do que isso. No fundo, se escolhe a própria destruição … é suicidar-se. Querer o que é pecado é querer a própria imperfeição e, portanto, o nada. Como Deus poderia querer seu próprio mal? Isso é impossível, porque já não seria Deus. Como poderiam os anjos e os eleitos, que estão em perfeito gozo e absoluta perfeição, destruirem-se procurando o mal? Isso é impossível.

Vamos esclarecer uma coisa. A capacidade de fazer o mal é um defeito da liberdade. Isso é o que o liberalismo condena. Para os liberais, precisamente, o homem é livre; somos livres e por isso podemos fazer o bem e o mal, e se não pudéssemos fazer o mal, não seríamos livres. Esse é o seu raciocínio.

Este é o pensamento que norteia nossas sociedades atuais, ditas liberais: o homem é livre e deve poder exercer sua liberdade e fazer o que quiser.

D. Marcel Lefebvre – Sou eu, o acusado, quem deveria vos julgar

NA HOLANDA, O ANJO DA MORTE PAIRA SOBRE OS BERÇOS

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Hugo de Jonge, Ministro da Saúde da Holanda, anunciou na Câmara dos Deputados que o governo examinaria a possibilidade de permitir a eutanásia de crianças e pré-adolescentes. A Conferência Episcopal do país se pronuncia contra uma medida que, se adotada, tornaria essa prática gravemente ilícita, aplicável agora a todas as idades.

À primeira vista, não ousamos acreditar. Mas temos que lidar com a terrível realidade: a Holanda está pensando seriamente em legalizar o assassinato de crianças a partir de um ano de idade.

Como fazer para alterar a legislação, em uma civilização secularizada onde qualquer forma de transcendência se reduz ao mínimo de saúde e bem-estar? Basta confiar nos relatos de médicos e especialistas, os oráculos contemporâneos.

Assim, em 2019, três hospitais universitários holandeses publicaram um relatório quase inacreditável, afirmando que “84% dos pediatras na Holanda querem a eutanásia ativa para crianças entre 1 e 12 anos“. Continuar lendo

ONDE BUSCAREMOS REFÚGIO?

Cresce perseguição aos cristãos no Oriente Médio – Olhares do Mundo

Fonte: Boletim Permanencia

No espaço de menos de 30 dias, lemos novos relatos de ataques bárbaros realizados por muçulmanos na França. Primeiro, um professor foi brutalmente assassinado por ter mostrado aos seus alunos uma caricatura de Maomé; poucas semanas depois, outro ataque ocorreu dentro de uma igreja na cidade de Nice: o ataque levou três fiéis à morte, entre os quais, uma brasileira.

Não foi o primeiro ataque terrorista ocorrido dentro de uma igreja — ainda está fresco na memória de todos o assassinato do Pe. Jacques Hamel, poucos anos atrás. A única novidade aqui foi a crueldade do ato: tanto o professor como uma das vítimas de Nice foram literalmente decapitados pelo muçulmano.

Infelizmente, nada disso servirá para mudar a política europeia de acolhida indiscriminada dos imigrantes, ou o ecumenismo irenista de Roma.

Sobre esse último ponto, convém recordar a carta que um grupo de muçulmanos convertidos ao catolicismo escreveu ao Papa Francisco em 25 de dezembro de 2017, denunciando o equívoco da sua aproximação ao islã.

As palavras desses convertidos são certamente amargas e dolorosas, mas muito verdadeiras: Continuar lendo

PARA UMA JUSTA REAVALIAÇÃO DO VATICANO II: EPÍLOGO

As quatro janelas abertas do Concílio Vaticano II

Fonte: Courrier de Rome  n.º 322, maio de 2009 – Tradução: Dominus Est

Autor: Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

4.1 – Um dilema inalterado

Reencontramos aqui o mesmo dilema, onde apesar de tudo estamos obrigados a escolher entre duas concepções diferentes de Tradição. Por um lado, uma Tradição concebida como a transmissão fiel de uma doutrina substancialmente imutável; pelo outro, uma Tradição viva concebida como um movimento histórico. Quando ainda teólogo, Joseph Ratzinger havia explicado claramente: «Não somente deve-se dizer que a história dos dogmas, no âmbito da teologia católica, é fundamentalmente possível, mas também que todo dogma que não se elabora como história dos dogmas é inconcebível»[50]; e é por isso que «a formação do conceito de Tradição no catolicismo pós-tridentino constitui o maior obstáculo a uma compreensão histórica da realidade cristã»[51].

Com efeito, o conceito pós-tridentino de Tradição supõe que a revelação foi encerrada na morte do último dos apóstolos e que desde então ela se mantém substancialmente imutável. Ora, «o axioma do fim da revelação com a morte do último apóstolo», explica Joseph Ratzinger, «era e é, no interior da teologia católica, um dos principais obstáculos à compreensão positiva e histórica do cristianismo: o axioma assim formulado não pertence aos primeiros dados da consciência cristã»[52]. «Ao afirmar que a revelação encerrou-se com a morte do último apóstolo, concebe-se objetivamente a revelação como um conjunto de doutrinas que Deus comunicou à humanidade. Essa comunicação terminou em uma determinado dia e os limites desse conjunto de doutrinas reveladas permaneceram assim estabelecidos ao mesmo tempo. Tudo o que vem após seria ou a consequência dessa doutrina ou a corrupção dela»[53]. Ora, «não somente essa concepção se opõe a uma plena compreensão do desenvolvimento histórico do cristianismo, mas está inclusive em contradição com os dados bíblicos»[54].

Não vemos como seria possível conciliar essa proposta com os ensinamentos do papa São Pio X. No Decreto Lamentabili, ele condena efetivamente as duas proposições seguintes: «A revelação, que é objeto da fé católica, não terminou com os apóstolos»[55] e «Os dogmas que a Igreja apresenta como revelados não são verdades caídas do céu, mas uma interpretação dos fatos religiosos que o espírito humano logrou alcançar à custa de laboriosos esforços»[56].

4.2 – Congelar o magistério?

Nessas condições, podemos dizer que não é preciso «congelar a autoridade do magistério da Igreja em 1962»? Se a autoridade do magistério está «congelada» no sentido em que ela não poderia mais sequer ser exercida após essa data, e que só valeria em si mesma a doutrina já proposta nos atos do magistério anterior, resulta que só se teria na Igreja um magistério póstumo, contrastando com um magistério vivo. Ora, nós sabemos bem que a instituição divina da Igreja faz com que seja necessária uma autoridade social que seja exercida em cada época da história, no ambiente de uma pregação viva porque atual, e que essa pregação do magistério tenha como tarefa propor com autoridade, explicar e esclarecer, sempre no mesmo sentido, o depósito da fé. Nesse sentido, está bem claro que a Igreja católica não poderia ser definida, por princípio, como «a Igreja dos sete ou dos vinte primeiros concílios ecumênicos».

Mas por outro lado, é indubitável que a autoridade desse magistério vivo deve ser exercida em cada época da história para transmitir sem alteração o depósito da fé definitivamente revelada, e nesse sentido, para retomar a expressão metafórica do papa Bento XVI, tudo está «congelado» desde a morte do apóstolo São João e a doutrina católica permanece substancialmente imutável: «As definições são estáticas, as definições são definitivas, o Credo é algo definitivo, não se pode mudar o Credo»[57]. Ora, nós somos obrigados a constatar: para Bento XVI, se «não se pode congelar a autoridade do magistério da Igreja em 1962», isso se explica porque o «Vaticano II contém em si a história doutrinal inteira da Igreja», ou seja, porque a Tradição é viva. Mas nós encontramos aí a noção já indicada por João Paulo II no Motu proprioEcclesia Dei afflicta, noção que constitui uma novidade inaudita em relação aos ensinamentos do magistério anterior ao Vaticano II.

4.3 – A solução verdadeira requer a questão verdadeira

O fato é que, acerca de uma questão, devemos reconhecer em Bento XVI o mérito da clareza. Exprimindo sua intenção de unir no futuro a comissão pontificial Ecclesia Dei à Congregação para a Doutrina da Fé, o papa explica nos seguintes termos o sentido desse desejo: «Deste modo torna-se claro que os problemas, que agora se devem tratar, são de natureza essencialmente doutrinal e dizem respeito sobretudo à aceitação do Concílio Vaticano II e do magistério pós-conciliar dos Papas»[58]. A remissão da excomunhão é um «provimento no âmbito da disciplina eclesiástica. […] É preciso distinguir este nível disciplinar do âmbito doutrinal»[59].

Embora existam ainda muitos pontos de vista possíveis, é difícil de seguir um e impossível seguir muitos simultaneamente. Não distinguir a natureza das verdades que estão em jogo, e que tornam necessárias as discussões entre a Fraternidade São Pio X e a Santa Sé, pode fazer com que todo o esforço para dissipar os mal-entendidos acabe tendo como efeito a multiplicação deles. Se nos limitarmos às declarações recentes que citamos e analisamos, podemos perceber que o papa delimita inequivocamente o ponto da disputa, cuja solução deverá estar no centro de uma eventual discussão doutrinal entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X.

Seria necessário começar por entender acerca da própria natureza da Tradição e do magistério. É somente às custas desse primeiro esclarecimento que o Concílio Vaticano II poderia ser objeto de uma discussão séria, e que se poderia esperar resolver seriamente os graves problemas que apareceram até aqui.

Fim.

Notas

  1. Joseph Ratzinger, Théologie et histoire. Notes sur le dynamisme historique de la foi, 1972, p. 108, citadopor Joaquim E. M. Terra, Itinerarioteologico di Benedetto XVI, Roma, 2007, p. 66.
  2. Id., ibid., p. 65.
  3. Id., ibid., p. 64.
  4. Id. ibid.
  5. Id. ibid.
  6. Proposição condenada n.º 21 em DS 3421.
  7. Proposição condenada n.º 22 em DS 3422.
  8. Mons. Lefebvre, «Conferência em Écône, 18 de outubro de 1976» em Vu de haut n.º 13 (outono 206), p. 47.
  9. Beto XVI, «Carta de Sua Santidade Bento Xvi aos bispos da Igreja católica a propósito da remissão da excomunhão aos quatro bispo consagrados pelo Arcebispo Lefebvre» em DC n.º 2321, p. 319-320.
  10. Id., ibid., p. 319.

 

FORMAÇÃO MJCB 2020 – 50 ANOS DA FSSPX – TRANSMISSÃO AO VIVO

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20 a 22 de Novembro de 2020 – Transmissão ao vivo

Devido às restrições atuais, o número de vagas para a participação presencial na Formação de 2020 ficou bastante reduzido. Além disso, todos os anos muitas pessoas deixam de participar por conta da distância e dos custos de viagem envolvidos.

Pensando nisso, pela primeira vez ofereceremos a oportunidade de participação a distância da Formação, com transmissão ao vivo de todas as conferências durante os três dias de evento.

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De modo a cobrir as despesas envolvidas com a realização do evento e sua transmissão, o custo de participação é de R$25, que podem ser pagos por boleto ou cartão. Após confirmação de pagamento, você receberá um usuário e senha para acessar a área de transmissão do evento.

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Programação da Formação 2020

Sexta, 20/11/20

17h – Conferência de abertura

18h30 – 2ª Conferência

Sábado, 21/11/20

9h30 – 3ª Conferência

11h30 – 4ª Conferência

15h – 5ª Conferência

17h30 – 6ª Conferência

21h – Fórum

Domingo, 22/11/20

9h – 7ª Conferência

10h30 – Missa Solene

 

Como funciona o acesso?

Quando seu pagamento for confirmado, você receberá instruções de acesso por e-mail. 

Importante:

  • O acesso ao evento é pessoal e intransferível. Não é permitido compartilhar seus dados de acesso com terceiros (o sistema bloqueia)
  • Uma família pode assistir, junta, ao evento usando o mesmo login, desde que no mesmo computador
  • Se você não puder assistir ao vivo, não se preocupe: a gravação de cada conferência ficará disponível para assistir até segunda, 23/11/20.

A UNIDADE DA HUMANIDADE

L'unité du genre humain • La Porte Latine

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

O Bom Deus quis que os homens nascessem de um só homem e de uma só mulher – que ela mesma fosse tirada dele – para que a unidade da raça humana fosse perfeita. De fato, “Porque ninguém aborreceu jamais a sua própria carne, mas nutre-a e cuida dela”(Ef. 5, 29). Foi o pecado que destruiu este plano de Deus. Assim, o Gênesis conta o assassinato de Abel por seu irmão Caim, imediatamente após a narração do pecado original.

A Redenção deveria restabelecer as coisas da maneira mais maravilhosa no mistério do Verbo Encarnado, mas não suprimindo toda divisão entre os homens. Ao contrário, Deus se dirigiu à serpente tentadora, profetizando: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua raça e a dela” (Gn 3, 15). Toda a História Sagrada descreve as muitas separações que o Bom Deus permitiu ou ordenou: Abraão deixou sua família; Isaac, e não Ismael foi o escolhido; Jacó foi preferido a seu irmão Esaú … O que São Paulo disse ao louvar a fé poderíamos repetir sobre as divisões e separações que narra a Sagrada Escritura: “E que mais direi ainda? Fartar-me-ia o tempo, se eu quisesse falar de Gedeão, de Barac, de Sansão, de Jefté, de David, de Samuel, e dos profetas.“(Hb. 11, 32)

Os homens nunca aceitaram este plano divino. Não é incrível que o único evento narrado pelo Gênesis entre o Dilúvio e o chamado de Abraão seja a construção da Torre de Babel? Nada é dito sobre a história dos homens sobre como eles se multiplicam novamente, exceto a tentação de estabelecer uma unidade da humanidade sem recorrer a Deus. “Vinde, façamos para nós uma cidade e uma torre, cujo cimo chegue até ao céu: e tornemos celebre o nosso nome antes que nos espalhemos por toda a terra.”(Gn. 11, 4). Deus não demorou a castigar esta pretensão de restabelecer uma união dos homens que não fosse baseada no amor e serviço de Deus: “Vinde pois, desçamos, e confundamos de tal sorte a sua linguagem, que um não compreenda a voz do outro.”(Gn. 11, 7) Continuar lendo

CARTA DO PE. PAGLIARANI SOBRE A IMPORTÂNCIA DA ORDEM TERCEIRA DA FSSPX

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O Superior Geral da Fraternidade São Pio X, Pe. Davide Pagliarani, escreve aos fiéis e amigos da FSSPX sobre a importância da Ordem Terceira nos tempos atuais:

Caros fiéis e amigos da Fraternidade São Pio X,

Esta carta é dirigida a todos aqueles que aspiram à santidade; a todos aqueles que buscam um caminho fácil e uma ajuda eficaz para alcançar o Céu; a todos os católicos que amam sinceramente a FSSPX e que desejam estar mais intimamente ligados a ela. Sobretudo, dirige-se a todas as almas sinceras que amam a Nosso Senhor e que querem prova-Lo dando-Lhe “algo a mais“.

Não vos falarei aqui do sacerdócio, nem da vida religiosa, mas de outro meio que a Igreja dá aos fiéis para lhes ajudar: a Ordem Terceira. Todas as grandes Ordens religiosas têm uma, e se Mons. Lefebvre desejava fundar uma Ordem Terceira para a Fraternidade, é porque a via como um meio poderoso de santificação.

A Ordem Terceira é um dos “ramos” da FSSPX. Tornar-se membro da Ordem Terceira é, portanto, pertencer à família da Fraternidade, da mesma forma que Padres, Irmãos ou Oblatas. Significa entrar em sua vida, seu combate, suas alegrias e preocupações; significa apoiar todos os outros membros com a própria fidelidade e ser ajudado por todos quando a luta se torna cansativa e falta coragem. Este é, enfim, o dogma da Comunhão dos Santos, tão belo e consolador, vivida todos os dias! Continuar lendo