COM QUE SONHA O PAPA?

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em sua exortação pós-sinodal Querida Amazônia, publicada em 12 de fevereiro de 2020, o Papa Francisco expõe seus sonhos. Ele tem quatro: um “sonho social”, um “sonho cultural“, um “sonho ecológico” e até um “sonho eclesial“. Pensávamos que o papa não estava no trono de Pedro para sonhar, mas para “confirmar seus irmãos na fé” (cf. Lc 22, 32); estávamos errados? Acreditávamos que “os devaneios do caminhante solitário” eram reservados para Jean-Jacques Rousseau, que os discípulos de Cristo não deveriam cochilar ou adormecer, mas vigiar e orar (Mt 26, 41); estávamos errados?

Francisco sonha, mas com o que ele sonha? Ele nos diz: “Sonho com comunidades cristãs capazes de se doar e se encarnar na Amazônia, a ponto de dar à Igreja novos rostos com características amazônicas.” Uma igreja diversificada e multicolorida, não monocromática e monótona.

Este é um sonho premonitório? Pelo contrário, é uma reminiscência. O jesuíta Jorge Mario Bergoglio lembra do testamento do jesuíta progressista Carlo Maria Martini. De fato, o último livro do cardeal-arcebispo de Milão se intitula O sonho de Jerusalém (DDB, 2009), que trata de conversas que ele teve com o Pe. Georg Sporschill s.j.. Ele as apresenta da seguinte forma: “Durante essas entrevistas, nos permitimos sonhar em voz alta. Sabemos que durante a noite as ideias nascem mais facilmente do que na luz do dia.” O livro milita “por uma Igreja audaciosa” (p.11) e “por uma Igreja aberta“(p.157).

Francisco, um discípulo fiel, esforça-se por realizar o sonho do cardeal Martini que declarou em seu livro: “O Vaticano II enfrentou corajosamente os problemas de nosso tempo. Ele iniciou o diálogo com o mundo moderno tal como ele é, sem se fechar friamente em si mesmo. E, acima de tudo, o Concílio detectou onde existiam numerosas forças positivas no mundo que avançam com o mesmo objetivo de nossa Igreja, ou seja, o de ajudar os homens, além de buscar e adorar o Deus único.” (P.162)

De fato, o irenismo conciliar é um onirismo. Diante da realidade da vertiginosa queda das vocações e da prática religiosa, esse sonho beatífico é uma mentira. Hoje, como ontem, São Paulo diz aos Romanos: “Hora est jam nos de somno surgere, agora é a hora de acordar.” (Rm 13,11)

Pe. Alain Lorans

RUMO A UMA SEGUNDA MORTE PARA VINCENT LAMBERT

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O Tribunal Criminal de Rheims liberou o Dr. Vincent Sanchez em 28 de janeiro de 2020. O último figurou por “falha em assistir uma pessoa em perigo”, depois de haver ordenado a cessação dos cuidados que causou a morte de Vincent Lambert em 11 de julho de 2019.

De acordo com a corte de Rheims, o médico “respeitou totalmente as decisões da corte”, e os fatos alegados contra ele excluem qualquer intenção de ferir Vincent Lambert” (sic).

Como se privar um paciente severamente deficiente de toda a comida e hidratação não fosse causar dano a sua vida?

Tornado um dos símbolos do debate sobre a eutanásia na França, o então enfermeiro de 42 anos, em estado de consciência mínima desde seu acidente de trânsito em 2008, morreu de fome e sede em 11 de julho de 2019, no departamento de cuidados paliativos do centro hospitalar de Rheims.

Foram os pais do jovem homem – contrários à cessação dos cuidados básicos de alimentação e hidratação artificiais, direito de todo paciente sob a lei natural – que processaram o médico por “falha em assistir uma pessoa em perigo”.

No auge da controvérsia, o Estado Francês havia rejeitado o pedido do Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência para suspender a decisão de interrupção do tratamento.

Os pais de Vincent então valeram-se do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e enviaram uma carta aberta ao Presidente da República. Sem a tomada de medidas adicionais, como a classificação final do caso, ficam um pouco mais enfraquecidas as vidas dos 1.500 pacientes em estado de consciência mínima, identificados na França em 2019.

Poucos dias depois da liberação do Dr. Sanchez, os pais de Vincent Lambert e seus advogados decidiram recorrer da decisão, lamentando em particular que as medidas provisórias solicitadas pelo Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência não foram respeitadas.

É MAIS FÁCIL FAZER PENITÊNCIA COM A VIRGEM

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

A verdade é que, à primeira vista, a penitência nos assusta. Talvez nós simplesmente não queiramos fazê-la, ou talvez pensemos que não podemos? Mas esse modo de pensar produz maus frutos e leva à destruição da vida da graça, porque é o oposto da vida de Cristo.

A penitência, embora amarga, é tão necessária à nós quanto a comida e a bebida são para o corpo. Mas esse alimento amargo no início, carrega uma doçura espiritual muito especial, acima de tudo o que a terra pode oferecer.

Se isso não é suficiente para nos encorajar no caminho da penitência, nosso bom Pai, que está no céu, nos deu uma terna Mãe para nos moldar em sua prática. Como uma criança toma seu remédio amargo? Ele toma o que não gosta graças aos afagos de sua mãe.

É o mesmo na vida espiritual. E Maria nos ensina dessa forma em Lourdes e Fátima: “Penitência, penitência!

A vida de Nossa Senhora era, de fato, uma vida de dor sem comparação. Ora, a penitência é essencialmente a dor pelo pecado, com a firme resolução de repará-lo e não fazê-lo novamente. Pela pena de seus pecados, o homem reconhece seus delitos contra Deus, que é a fonte de toda bondade e amante das almas.

O segundo pensamento, que pode nos ajudar a perseverar na prática da penitência, é o pensamento em Jesus e Maria.

No meio da alegria do Natal, enquanto Maria segurava Jesus nos braços, Simeão profetizou: “Eis que este menino está posto para a ruína e para ressurreição de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição, e uma espada trespas­sa­rá a tua alma a fim de se descobrirem os pensamentos escondidos nos corações de muitos.” (Lc 2, 34). O Pe. Faber diz que essas palavras encheram a alma de Maria de uma dor indescritível e que lhe foi dada conhecer todos os detalhes da futura paixão de Cristo. Em outras palavras, como Jesus desejou sua paixão desde a concepção, Maria obteve essa graça 40 dias após o nascimento de seu Filho. Assim, a partir do dia da Apresentação, Jesus e Maria se uniram em uma sinfonia de dores, em uma vida de penitência.

Essa verdade profunda nos ensina exatamente como praticar a penitência. Não necessariamente de flagelações diárias ou jejuns freqüentes de pão e água. A forma mais profunda de penitência, a mais acessível e mais necessária a todos, é manter presente essa dor contínua do pecado, enquanto olha as severas penas de Cristo em nossos corações.

Você está sentado em seu escritório? Em união com Maria, deixe que as tristezas de Cristo ocupem uma parte importante de seu espírito, mesmo que você faça tarefas mais humildes em seu computador. Suas mãos que digitam e seus olhos cansados ​​são como aquelas mãos pregadas e dos olhos que buscam os corações que O buscam. É assim que Marie viveu. Ela viu as mãozinhas de Jesus bebê e sabia que um dia elas seriam pregadas em uma cruz. Ela olhou nos olhos de Jesus e viu as almas que Ele estava procurando. Cada movimento na vida de Cristo foi acompanhado por dor interior, por um verdadeiro sofrimento no Coração de Maria.

Em cada tarefa de nossa vida cotidiana, neste período da Quaresma, possamos nós reviver a vida de Maria. Que, com Maria, vejamos em cada árvore uma cruz, em cada mão um prego, em cada trabalho, cada obra, um fardo divino. Façamos todos nossos trabalhos diários neste espírito de união com o homem de dores. É assim que nossa conversão será concluída.

O MILAGRE DO SOL

Neste episódio o Sr. Bernardo Motta fala sobre as aparições de Fátima, em especial sobre o milagre do Sol. O Bernardo é católico, casado, pai de 3 filhos e Engenheiro de profissão, dedica o seu tempo livre ao estudo de Fátima, tanto do milagre, como mais recentemente do segredo “em três partes”. Uma conversa muito boa, feita pelo telefone, onde é possível perceber a paixão do Bernardo pelo tema. Mais do que paixão, salientamos que a mensagem de Fátima é uma mensagem de conversão, pessoal, da Igreja, do clero. Penso que o Bernardo explica tudo em detalhe!

50 ANOS DA NOVA MISSA (PARTE 2): O DESENVOLVIMENTO DO MISSAL ROMANO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Meio século atrás, o Papa Paulo VI impôs uma reforma litúrgica para toda a Igreja  em nome do Concílio que acabara de terminar. Assim nasceu a missa do Vaticano II. Ela foi imediatamente rejeitada por dois cardeais e desde então a oposição contra ela não enfraqueceu. Esse triste aniversário é uma oportunidade para traçar sua história.

Antes de se considerar a reforma litúrgica de Paulo VI e a nova Missa, é necessário recontar a história do Missal Romano, desde que essa reforma alega ser uma continuação do passado. Tal afirmação é absolutamente questionável. A distância histórica demonstra-o facilmente.

A primeira parte desta visão histórica geral sobre o desenvolvimento do Missal Romano volta para o século XII. Um novo estágio decisivo foram os trabalhos do Concílio de Trento e do Papa São Pio V, os quais apresentamos nesta segunda parte.

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Do século XII ao século XVI

O missal da Cúria Romana estava bem estabelecido no século XI. Começando com o século XII, um espírito de “reforma” foi instituído para tentar reduzir a multiplicação de composições e para restringir certos costumes, especialmente no Ofício Divino. Esse movimento pôde ser visto tanto nas ordens religiosas – Cartuxos, Cistercienses, Premonstratenses – ,  como nas seculares. A reforma litúrgica de Císter (abadia) era a mais notável. O alvo de cada Ordem era a unificação. Isso resultou no avanço da harmonização da liturgia por todo o mundo Romano.

No século XIII ainda havia várias formas do Missal Romano na própria Roma: o de Latrão, o da Basilica Liberiana, o de Santa Maria Maior, e outros. Deve ser enfatizado que as diferenças eram muito pequenas. Finalmente, o missal da Cúria seria o que iria prevalecer, e, por volta de 1230, o estado do Missal Romano estava a ponto de não mais ser modificado. Continuar lendo

50 ANOS DA NOVA MISSA (PARTE 1): A ELABORAÇÃO DO MISSAL ROMANO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Meio século atrás, o Papa Paulo VI impôs uma reforma liturgica para toda a Igreja  em nome do Concílio que acabara de terminar. Assim nasceu a missa do Vaticano II. Ela foi imediatamente rejeitada por dois cardeais e desde então a oposição contra ela não enfraqueceu. Esse triste aniversário é uma oportunidade para traçar sua história.

Antes de considerar a reforma liturgica de Paulo VI e a nova missa, é necessário recontar a história do Missal Romano, pois essa reforma afirma ser a continuação do passado. A perspectiva histórica ajudará  com o entendimento sobre a inanidade dessa alegação.

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O desenvolvimento do Missal Romano extendeu-se por vários séculos. Mesmo que os elementos essenciais, requeridos para o cumprimento do Santo Sacrifício da Missa, sempre fizeram-se presentes, eles passaram por uma progressiva consagração em ritos os quais os fazem possíveis de se entendê-los e compreender seus profundos significados.

Os Primeiro Três Séculos

Os textos do Novo testamento recontam a instituição da Santa Eucaristia no anoitecer da Quinta Feira Santa. É a refeição pascal, a nova Páscoa, que estabelece a nova aliança com o precioso Sangue de Cristo. O dia escolhido para a renovação é o Domingo, o dia da Ressurreição. O ‘Didaqué’ do fim do primeiro século, fala do ‘Dia do Senhor”, e São Justino atesta isso no Século II.’

Os textos evangélicos também mencionam a ‘partilha do pão’ que traduz um elemento essencial em nessa nova adoração, o cumprimento do mandamento do Senhor: “Fazei isso em memória de mim”. O Livro dos Atos dos Apóstolos mostra essa cerimônia sendo realizada em casas privadas “no primeiro dia da semana, quando nos reuníamos para partilha do pão”(At. 20,7)

As primeiras construções reservadas a adoração apareceram bem rapidamente, já no Século II. A mais velha igreja foi fundada em Doura-Europos no Eufrates, e é datada de por volta do ano 232. Em Roma, teríamos que esperar até o começo do século III para encontrar traços documentais de construções religiosas cristãs.. Mas apesar da Primeira Apologia de São Justino, mártir, ( morto em 165), esse período não fornece qualquer detalhe quanto ao desdobramento da adoração Cristã e das orações empregadas. Aqui está uma notória passagem do santo apologista: Continuar lendo

THE ECONOMIST, O PANGOLIM E O CORONAVÍRUS

Fonte: Boletim Permanencia

Pois esta última semana os grandes sites de notícia publicaram com certo destaque a inusitada relação entre um certo mamífero asiático, que estaria em vias de extinção, e o surto do novo coronavírus na China.

Pangolim: Iguaria ou alvo do tráfico internacional de bichos exóticos?

Depois das sopas de morcegos e das cobras do mercado de Wuhan se tornarem objeto de debate como a suposta origem zoonótica da virose, eis que passa a encabeçar a lista de suspeitos um mamífero de língua viscosa e comprida, comedor de formigas como o tamanduá; coberto de escamas e que se enrola como o tatu-bola; saltitante e arborícola como o esquilo; e que atende pelo curioso nome de pangolim.

E tem gente que come.

Quem nos lê há algum tempo deve se lembrar de um post do início de ano passado em que descrevíamos a capa da revista ‘The Economist’ para o ano de 2019. Interessante lembrar que entre as figuras desenhadas à la Da Vinci no frontispício da publicação, ali sobre o norte da América do Sul estava o simpático bichinho asiático. Supomos tratar-se de uma alusão à ecologia, ou mesmo ao tráfico de animais. Será que nos enganamos?

Coincidência ou não, em dezembro de 2019, portanto ainda dentro do escopo da ‘The Economist’, aparece no meio da China uma doença ainda pouco conhecida, de rápida difusão e que vem ganhando manchetes cada vez mais alarmantes nos meios de comunicação do mundo todo.

A infecção pelo novo coronavirus (2019-nCoV) pode evoluir da gripe comum para uma pneumonia potencialmente letal, lembrando casos recentes e relativamente preocupantes como o da gripe asiática de 2009 ou mais antigos e perturbadores como o da gripe espanhola de 1919.

Sendo assim, a suposta relação com o pangolim faz do animal um hospedeiro intermediário da doença, e o transforma de ameaçado de extinção em cúmplice de pandemia. Vale perguntar se os tais quatro cavaleiros do Apocalipse na tal capa de 2019 auguravam um cenário de uma iminente peste mundial.

Aliás, será que a capa de 2020 corrobora esse cenário? É o que veremos no próximo post.

VALIDADE NÃO É SUFICIENTE PARA FAZER QUE UMA MISSA SEJA BOA – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Validade é uma palavra enganosa. Para muitas pessoas que não estão acostumadas a termos teológicos e canônicos, validade significa que é válida. (…) Não se trata disso! Validade significa que a presença e a eficácia da graça que está no sacramento, a eficácia do efeito, podem estar presentes, mesmo que a cerimônia seja sacrílega! Uma Missa válida pode também ser sacrílega!

A missa reformada é apenas “menos boa”?

Uma vez examinadas as debilidades da reforma litúrgica, a nova Missa é apenas menos boa que a tradicional ou pode ser qualificada como ruim? Todas as Missas válidas são boas? 

Embora a validade da nova missa possa não estar em risco, é uma missa envenenada, porque a partir do momento que as verdades católicas da Missa não são mais confirmadas a fim de agradar aos protestantes, a fé nessas verdades também desaparecem pouco a pouco. É algo tão evidente ver as conseqüências da nova Missa! Por esse motivo, é impossível dizer que essa reforma é apenas ruim de uma maneira puramente acidental, puramente exterior e extrínseca.

Consideramos que a reforma da Missa, tendo sida composta por protestantes, tem uma influência ecumenista que produz um efeito que deixa, de tal modo, um sabor protestante e que, aos poucos, faz desaparecer a noção do sacrifício propiciatório, pelo qual as mudanças que foram realizadas na Missa tornam-na perigosa e envenenada.

Como essa reforma é fruto do liberalismo e do modernismo, está totalmente envenenada; sai da heresia e termina nela, embora todos os seus atos não sejam formalmente heréticos.

Eis os fatos que mostram que se perde a fé nas realidades dogmáticas essenciais da Missa. (…) É relativamente fácil estudar a nocividade da Missa nova, que não vale para nada a conclusão de algumas pessoas, às vezes muito próximas de nós e que são supostamente “tradicionalistas”, a quem se ouve dizer : “A Missa antiga é melhor, é claro, mas a outra não é ruim.” Foi o que disse o abade de Fontgombault respondendo a uma pessoa que lhe escreveu dizendo que ele não podia ser oblata beneditina daquela abadia porque estavam ligados à Missa Nova. O abade de Fontgombault respondeu: “Sim, é verdade. Reconheço, de fato, que a massa antiga é melhor, mas o novo não é ruim e, portanto, a dizemos para obedecer ”.

Não aceitamos essa conclusão de forma alguma! Dizer que a Missa nova é boa: não! A Missa nova não é boa! Se fosse boa, começaríamos a dizê-la amanhã. Se é boa, devemos obedecer. Se a Igreja nos dá algo bom e nos diz: “Os senhores precisam fazer assim“, qual seria o motivo para dizer não? Enquanto isso dizemos: “Essa Missa está envenenada; é má e faz perder, gradualmente, a fé ”, estamos claramente obrigados a rejeitá-la.

A Missa de Sempre – MONS. MARCEL LEFEBVRE +

MEDITAÇÃO SOBRE OS BENEFÍCIOS DE DEUS

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1. Põe-te na presença de Deus.
2. Pede a Deus que te inspire.

CONSIDERAÇÃO

1. Considera, com respeito ao corpo, todos os dotes que tens recebido do Criador: este corpo, duma conformação tão perfeita, esta saúde, estas comodidades tão necessárias à manutenção da vida, estes prazeres se ligam naturalmente ao teu estado, esta cooperação e assistência de teus inferiores, esta companhia suave e agradável de teus amigos. Compara-te então com outras pessoas que talvez mereçam mais do que tu e que no entanto não as possuem; pois quantas pessoas têm uma figura ridícula, um corpo disforme, uma saúde débil! Quantos não estão a gemer, abandonados de seus amigos e parentes, no desprezo, no opróbrio, em enfermidades longas ou nas angústias da pobreza. Deus assim quis uma sorte para ti e outra para eles.

2. Considera tudo aquilo que se pode chamar dotes do espírito. Pensa quantos homens idiotas, insensatos, furiosos, existem, e quantos educados grosseiramente e na mais completa ignorância; por que não és tu deste número? Não foi Deus quem velou duma maneira toda especial por ti, para te dar um natural feliz e uma boa educação?

3. Considera ainda mais, Filotéia, as graças sobrenaturais, o teu nascimento no seio da Igreja, o conhecimento tão perfeito que tens tido de Deus desde a tua infância, a recepção dos Sacramentos tão frequente e salutar. Quantas inspirações da graça, quantas luzes interiores, quantas repreensões de tua consciência, por causa de tua vida desregrada! Quantas vezes Deus te tem perdoado os pecados e velado sobre ti, para livrar-te das ocasiões, onde estavas prestes a perder eternamente a tua alma! Todos estes anos de vida que Deus te concedeu não te deram tempo bastante para progredir no aperfeiçoamento de tua alma? Examina estas graças minuciosamente e contempla quão bom e misericordioso Deus tem sido sempre para contigo.

AFETOS E RESOLUÇÕES

1. Admira a bondade de Deus. Oh! Quão bom tem sido o meu Deus para mim! Oh! Ele é bom deveras! Ó Senhor, rico sois Vós em misericórdia e imenso em bondade! Oh! Minha alma, com júbilo anuncia quantas maravilhas o teu Deus tem operado em ti! Continuar lendo