AMA A TUA MÃE

Resultado de imagem para nossa senhora menino jesusO conhecido jesuíta Alexandre Baumgartner viajava certa vez com dois companheiros pela Islândia. De uma feita tiveram de pernoitar numa quinta, pertencente a uma família protestante, onde foram servidos de maneira modesta e simples, mas sincera e leal. No momento de separação, o Pe. Geyer, um dos companheiros de Baumgartner, convidou a senhora da casa a escolher como lembrança uma das três imagenzinhas que lhe foram apresentadas: a de Cristo, a da Mãe de Deus, e a do Anjo da guarda. A senhora fixou bem as três imagens e escolheu a da Mãe de Deus. Perguntou-lhe então o Pe. Geyer se ela venerava também a Maria. Sem delongas respondeu a protestante: “Certamente, pois Ela é a Mãe de Nosso Senhor!”

Se essa mulher que não tinha a felicidade de pertencer à nossa Igreja Católica, possuía tais sentimentos para com a Bem-aventurada Virgem Maria, não se esforçará uma boa católica, muito mais ainda, em honrá-lA fielmente e com todo o zelo? Faze-o também e alcançarás muitas bênçãos.

1º- Venera, fielmente, a Bem-aventurada Virgem Maria, por Sua relação íntima com o Salvador.

Nenhum homem, por mais perfeito, nenhum anjo, ainda o mais puro e mais elevado, esteve em relação tão intima e tão estreita com Deus como a Virgem Maria. O Filho Eterno e consubstancial de Deus, quando assumiu no tempo a natureza humana para nossa salvação, A escolheu para Sua verdadeira Mãe carnal. Ela trouxe, portanto, em Seu seio virginal Aquele que o Céu dos céus não pode conter; deu à luz, no tempo, Aquele que desde toda a eternidade foi gerado pelo Pai Celeste; recebeu diariamente em Nazaré provas de reverência e obediência Daquele cujo aceno obedecem os anjos do céu.

Ela se acha numa relação toda singular e extraordinária para com o Divino Salvador; criatura alguma pode nisto equipar-se a Ela. Se amamos a Jesus Cristo sobre todas as coisas, se Ele é nosso tudo, como realmente deve ser, porventura não será também Maria digna de veneração toda particular? Objetos que se relacionam com o Divino Salvador apenas de modo extrínseco e transitório têmo-lo nós os cristãos por santificados; pensamos, com amor e veneração na Sua Gruta; na Sua Cruz e no Seu Sepulcro. Maria, que conviveu com Ele, na mais íntima relação que podemos imaginar, não será mil vezes mais digna da nossa veneração?
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A GRANDE TRAIÇÃO

Reconciliar a Igreja com a Revolução: tal é a empresa dos liberais que se dizem católicos.

Os liberais que se dizem católicos sustentam que a doutrina católica do Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo e da união da Igreja com o Estado é sem dúvida verdadeira, mas inaplicável mesmo nos países católicos:

– Na teoria, pode-se aceitar a tese proposta pelos Papas e teólogos.

– Na prática, deve-se ceder ante as circunstâncias e resolutamente aderir à hipótese: promover o pluralismo religioso e a liberdade de cultos:

Os liberais católicos não têm deixado de sustentar que desejam a ortodoxia tanto quanto os mais intransigentes, e que sua única preocupação são os interesses da Igreja: “a reconciliação que procuram não é teórica nem abstrata, mas somente prática”[109]

É a famosa diferença entre a tese (a doutrina) e a hipótese (prática) conforme as circunstâncias. Notemos que se pode dar uma interpretação correta a esta diferenciação: a aplicação dos princípios deve levar em conta as circunstâncias; isto se faz com ponderação, que é parte da prudência. Daí vem que a presença dentro de uma nação católica de fortes minorias muçulmanas, judias e protestantes, poderá sugerir tolerância desses cultos em uma cidade basicamente católica, por um Estado que continua reconhecendo a verdadeira religião, porque acredita no Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas cuidado! para os católicos liberais não se trata disso! Segundo eles, os princípios, que são por definição regras de ação, não devem ser aplicados nem propostos porque são inaplicáveis, dizem. Isto é evidentemente falso. Continuar lendo

A VOCAÇÃO SACERDOTAL

Consagração | Seminario Nuestra Señora Corredentora

Para ensinar, governar e santificar os membros de Sua Igreja, Nosso Senhor não cessa de convocar jovens rapazes a se juntar às fileiras do sacerdócio. Esse chamado de Cristo, Que disse: “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi” (S. João; 15, 16), recebeu o nome de ‘vocação’, do verbo latino “vocare“, chamar. E, de fato, nenhum homem deve ousar apresentar-se para esse ofício sagrado a não ser que Deus o tenha chamado… a não ser que ele “tenha uma vocação”.

“Ninguém se apropria desta honra (do sacerdócio),” diz São Paulo, “senão somente aquele que é chamado por Deus, como Aarão”. (Hebreus 5: 4)

Infelizmente, certas tendências teológicas errôneas, como o quietismo, levaram no último século a distorções enganosas da noção de vocação para o sacerdócio. Alguns autores bem-intencionados, mas equivocados, erigiram certos elementos meramente acidentais, raramente encontrados, como critério principal para o discernimento das vocações, sendo que o resultado de suas conclusões e da atitude prática resultante, sem dúvida, desencorajaram muitos jovens rapazes aptos a iniciar ou prosseguir seus estudos eclesiásticos.

Seminaristas de La Reja (Argentina) jogando Vôlei

Para evitar esses equívocos e as suas consequências lamentáveis, vamos examinar a verdadeira noção da vocação ao sacerdócio.

O Concílio de Trento declara: “Vocari a Deo dicuntur qui a legitimis Ecdesiae ministris vocantur“. “Diz-se que os homens chamados por Deus são aqueles chamados pelos ministros legítimos da Igreja.” Continuar lendo

BREVE CRÔNICA DA OCUPAÇÃO NEO-MODERNISTA NA IGREJA CATÓLICA – PARTE 3

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TERCEIRA PARTE

A CONDENAÇÃO OFICIAL DA NOVA TEOLOGlA  

O Papa Pio XII condena a nova teologia 

O cardeal Eugenio Pacelli, eleito Soberano Pontífice em 1939 com o nome de Pio XII, perfeitamente consciente das consequências letais de uma tomada de poder na Igreja pelos novos teólogos, interveio resolutamente para condenar em nome da Igreja a nova teologia e seus propagadores.

Num discurso pronunciado em 17 de setembro de 1946 no Capítulo Geral dos Jesuítas, o Papa já tinha alertado os Padres capitulares contra uma “nova teologia que evolui juntamente com a evolução de todas as coisas, semper itura, numquam perventura, “sempre a caminho (para a verdade) sem nunca atingi-la”, acrescentando estas palavras proféticas: “Se tal opinião for abraçada, o que será da imutabilidade dos dogmas, o que seria da unidade e da estabilidade da fé?[1]”.

É quase o mesmo discurso que Pio XII dirigirá depois aos padres dominicanos, reunidos também em Capítulo Geral, confirmando como antídoto contra o novo modernismo a obrigação de não se afastar da doutrina de Santo Tomás de Aquino, assim como foi prescrito pelo Canon 1366, parágrafo 2, do Código de Direito Canônico[2].

Mas os efeitos desta denúncia foram praticamente nulos por causa da profundidade da infecção neo-modernista no mundo da intelligentsia católica, a ponto de o Papa decidir intervir de modo oficial e definitivo pela publicação da encíclica Humani generis[3].

Nesta grande encíclica, que pode ser considerada como o terceiro Syllabus contra os erros da época moderna (depois do Syllabus, com a encíclica Quanta cura, do bem aventurado Pio IX, e depois do decreto Lamentabillii com a encíclica Pascendi de São Pio X). O Papa condenava severamente “certas opiniões falsas que ameaçavam arruinar os fundamentos da doutrina católica”, sem nomear explícita e individualmente seus partidários. Continuar lendo

COMO DESTRONARAM JESUS CRISTO

Resultado de imagem para marcel lefebvreNo juízo final, Jesus Cristo acusará aos que o expulsaram da vida pública, e por este grande ultraje aplicará a mais terrível vingança”. Pio XI

Apesar do risco de repetir o que foi dito, volto ao tema da Realeza Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, este dogma de fé católica, que ninguém pode por em dúvida sem ser um herege: sim, é isso: um herético!

Ainda têm eles a Fé?

O leitor pode julgar a fé agonizante do Núncio Apostólico de Berna, Mons. Marchioni, com quem tive a seguinte conversa em 31 de março de 1976 em Berna:

– Lefebvre: “Pode-se ver claramente coisas perigosas no Concílio (…). Na Declaração sobre a liberdade religiosa há coisas contrárias aos ensinamentos dos papas: decide-se que já não pode haver Estados católicos!”.

– Núncio: “Mas é evidente!”.

– Lefebvre: “Acredita o senhor que a supressão dos Estados católicos vá ser um bem para a Igreja?”.

– Núncio: “O senhor compreende, se se faz isto se obterá uma maior liberdade religiosa entre os soviéticos!”.

– Lefebvre: “Mas o que fazem os senhores do Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo?”.

– Núncio: “O senhor sabe, atualmente é impossível; talvez em futuro afastado?… Atualmente este reino está nos indivíduos; deve ser aberto às massas”.

– Lefebvre: “E o que fazem da Encíclica ‘Quas Primas’?”.

– Núncio: “Ah, hoje em dia o Papa não a escreveria”.

– Lefebvre: “Sabe que na Colômbia foi a Santa Sé que pediu a supressão da constituição do Estado?”.

– Núncio: “Sim, e aqui também”.

– Lefebvre: “No Valais?” (província suíça).

– Núncio: “Sim, no Valais. E veja, agora me convidam para todas as reuniões”.

– Lefebvre: “Então o senhor aprova a carta que Mons. Adam (bispo de Sion, no Valais) escreveu a seus diocesanos para explicar porque deviam votar a favor da lei de separação da Igreja e do Estado?”

– Núncio: “Veja o senhor, o Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, é atualmente algo difícil…”.

Vocês vêem, ele não acredita mais! É um dogma “impossível” ou “muito difícil”, que não seria mais escrito hoje”. E quantos pensam assim atualmente! Quantos são incapazes de entender que a Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo deve se realizar com a ajuda da sociedade civil, e que o Estado deve assim, nos limites da ordem temporal, ser o instrumento de aplicação da obra da Redenção. E  eles lhes responderão: Continuar lendo

VANTAGENS DAS CONGREGAÇÕES DE MARIA SANTÍSSIMA

O DEVOTO DE MARIA SANTÍSSIMA DEVE IMITAR-LHE AS VIRTUDES | DOMINUS EST

Ingredere tu et omnis domus tua in arcam — “Entra na arca tu e toda a tua casa” (Gen. 7, 1).

Sumário. As Congregações Marianas são como outras tantas arcas de Noé, onde os seculares acham a salvação no naufrágio comum. Não somente por causa da proteção especial com que Maria cuida dos seus congregados, senão também por causa dos meios de salvação que nelas se encontram. Se quiseres, pois, o mais possível assegurar a salvação de tua alma, deixa-te alistar em alguma destas Congregações. Lembra-te, porém, que para seres congregado, não é bastante que dês teu nome, mister é que guardes também as regras.

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I. As Congregações, especialmente as de Nossa Senhora, são como tantas arcas de Noé, em que acham refúgio os pobres seculares no dilúvio das tentações e dos pecados que inundam o mundo. Regularmente falando, encontram-se mais pecados num homem que não frequenta a Congregação do que em vinte que a freqüentam. Sim, porque nela adquirem os congregados muitas defesas contra o inferno e praticam, para conservar-se na divina graça, diversos meios, de que fora dela os seculares dificilmente usam. Continuar lendo

INFELICIDADE DOS PECADORES

Resultado de imagem para pecadoresExpliquei qual é a ilusão dos pecadores no seu desordenado temor e como sou um Deus imutável, livre da acepção de pessoas, unicamente atento ao desejo santo. Foi o que te revelei no simbolismo da árvore. Passo a falar dos que sofrem e dos que não sofrem ante os espinhos e dores que a terra produziu depois do pecado (original). Tendo-me ocupado da situação dos pecadores que se deixam iludir pela própria sensualidade, vou explicar-te em que sentido essas pessoas são feridas por tais espinhos.

Todos os que nascem e vivem neste mundo passam por fadigas corporais e espirituais. Sim, também os meus servidores padecem nos seus corpos; mas em seus espíritos não, porque suas vontades estão identificadas com a minha. O que faz o homem sofrer é a vontade. Quanto aos pecadores, sofrem na alma e no corpo. Eles experimentam no mundo as primícias do Inferno, como os meus servidores já gozam a garantia do Céu.

Sabes qual é a grande felicidade dos santos? É possuir a vontade satisfeita em todas as suas aspirações. Ao desejar-me, possuem-me, tendo deixado o peso do corpo que produzia a lei que luta contra o espírito. Na vida terrena, o corpo impedia o perfeito conhecimento da Verdade e minha visão face a face. Separando-se do corpo, a vontade dos bem-aventurados realiza-se: ao desejo de ver-me corresponde a visão, e com ela, a beatitude. Vendo, conhecem-me; conhecendo, amam-me; amando, saboreiam-me; saboreando, realizam-se quanto ao desejo de me ver e conhecer. Desejando, possuem; possuindo, desejam. Como disse (14.4), o sofrimento está distante do desejo e fastio da saciedade. Como vês, meus servidores são felizes, especialmente na visão celeste. Ela satisfaz seus desejos, sacia suas vontades. Neste sentido afirmei (14.9) que a vida eterna consiste na posse das coisas que a vontade deseja, isto é, conhecer-me, ver-me.
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AMOR DE DEUS EM FAZER-SE CRIANÇA

Natividad de Jesús - Wikipedia, la enciclopedia libre

Parvulus natus est nobis, et filius datus est nobis — “Nasceu-nos uma criança, e foi-nos dado um filho” (Is. 9, 6).

Sumário. Querendo o Filho de Deus fazer-se homem, podia aparecer no mundo como homem perfeito, assim como foi criado Adão. Como, porém, as crianças atraem mais facilmente o amor dos que as vêem, Jesus Cristo quis aparecer na terra como criança, e como a criança mais pobre e humilde que jamais tenha nascido. Como é então possível, ó meu Jesus, que sejam tão poucos os que Vos amam? Do número destes poucos eu também quero ser. Sim, ó Bondade infinita, amo-Vos de todo o coração e sobre todas as coisas.

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I. Querendo o Filho de Deus fazer-se homem por nosso amor, podia fazer sua entrada no mundo na idade de homem já perfeito, assim como foi criado Adão. Como, porém, as crianças soem atrair mais facilmente o amor dos que as vêem, quis Ele aparecer na terra como criança, e como a criança mais pobre e humilde que jamais tenha nascido. “É assim que quis nascer nosso Deus”, escreve São Pedro Crisólogo, “porque quis ser amado.” Já o profeta Isaías predissera que o Filho de Deus devia nascer criança e dar-se assim todo inteiro a nós, pelo amor que nos tinha: Parvulus natus est nobis, et filius datus est nobis (1) — “Nasceu-nos uma criança, e nos foi dado um filho”. Continuar lendo

NAVEGANTES E NAUFRAGANTES

Resultado de imagem para naufragosFonte: Capela Santa Maria das Vitórias

Na travessia do mar tempestuoso desta vida há católicos que infelizmente preferem ouvir o canto da Sereia ao canto da Stella Maris, o canto da Senhora Soberana do céu e da terra. Certissimamente vão naufragar porque se recusam a sofrer todas as humilhações que a Providência Divina envia aos eleitos para purificá-los na demanda do reino do céu.

A vida do católico aqui na terra sempre foi e será um esforço constante para não desertar do combate a ser travado sob os estandartes de Cristo Rei contra o reino de Satanás e do Anticristo. É a doutrina exposta e defendida pelos grandes teólogos e mestres da vida espiritual com base na Sagrada Escritura. É a doutrina de Santo Agostinho na monumental Cidade de Deus. Em um regime de cristandade, em um estado confessional católico, onde as autoridades políticas se empenham em organizar a sociedade conforme a lei de Deus, a luta contra os inimigos da salvação pode ser menos renhida, mas, mesmo assim, a vida do católico será sempre uma luta.

Desgraçadamente, a partir do Vaticano II semelhante concepção da vida católica como um combate foi sendo deixada de lado para ser finalmente substituída pelo mito do diálogo. Não o diálogo como sempre o entendeu toda a tradição desde a antiguidade, como, por exemplo, Platão. Não o diálogo como uma investigação de pessoas que, tendo os mesmos princípios e valores, se unem em um esforço comum para chegar à solução de um problema ou sanar uma dúvida que aflige a todos. Mas um diálogo de céticos desesperados e contraditórios que, não vendo sentido em nada, se unem apenas no afã de descobrir uma regra geral de como compartilhar melhor as alegrias e penas de uma vida efêmera. Sinceramente, acho que não há exagero nestas palavras.

Foi assim que deixando de lado o hino Stella Maris, muitos católicos passaram a ouvir e a cantar o canto da Sereia e abraçaram os ídolos dos tempos modernos: democracia, liberdade, igualdade de oportunidades, direitos humanos. E agora vêem-se até defrontados com a necessidade de dialogar sobre questões que a princípio pode causar-lhes alguma repugnância mas terão de engolir se não quiserem receber a pecha de fundamentalistas. Refiro-me aos tópicos constantes da agenda da nova ordem mundial: direitos reprodutivos e sexuais da mulher, aborto, “casamento homossexual”, ideologia do gênero etc. Continuar lendo

O VALOR DA COMUNHÃO

Resultado de imagem para menino comungandoa) Lê-se na biografia do Cardeal Newman um episódio edificante. Ele, antes de se tornar católico, era protestante e alto dignatário da Igreja anglicana com um vultuoso estipêndio anual, pago pelo governo inglês.

Mesmo nessa condição quis estudar as razões e fundamentos da Igreja Católica; e, conhecida a verdade, abraçou-a prontamente. Como se sabe, tornou-se um católico fervorosíssimo; preparou-se, fez-se sacerdote e foi um apóstolo da Eucaristia.

Antes da conversão procurou-o um amigo e disse-lhe:

– Pense sériamente no passo que vai dar; saiba que, fazendo-se católico, o governo não lhe dará mais nada e lhe retirará a prebenda.

Newman pôs-se em pé e exclamou com ar de desprezo:

– Que é um punhado de ouro, em confronto com uma comunhão?

E logo depois fez-se católico.

Aquelas palavras merecem ser meditadas.

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Resultado de imagem para menino comungandob) Luísa compreende o valor da comunhão. Tem apenas nove anos e não pode ir comungar senão aos domingos na missa, às dez horas. Sua mãe, temendo que ela adoeça por ter de ficar tanto tempo em jejum, proíbe-lhe a comunhão. Luísa, usando de esperteza, finge quebrar o jejum, mas durante a semana inteira, não come nem bebe antes do almoço.

– Mamãe, a Sra. me dá licença de comungar amanhã?

– Não, filhinha; a comunhão é muito tarde… você ficaria doente.

– Mas, mamãe, eu passei toda a semana em jejum até o almoço e não me sinto mal…

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

AMOR DE DEUS EM FAZER-SE HOMEM

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo - Vida Cristã - Franciscanos Vida Cristã  - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Verbum caro factum est, et habitavit in nobis — “O Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (Io. 1, 14).

Sumário. Que se havia de dizer, se um príncipe, por compaixão de um verme morto, quisesse tornar-se verme, e fazendo um banho de seu sangue, morresse para restituir o verme à vida? Mais porém do que isso fez por nós o Verbo Eterno, que, sendo Deus, quis fazer-se homem como nós e morrer por nós, a fim de nos merecer a vida da graça divina que tínhamos perdido. Apesar disso, quão poucos são os que se Lhe mostram gratos! Do número destes poucos sejamos também nós.

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I. Consideremos o amor imenso que Deus nos mostrou fazendo-se homem, para nos adquirir a salvação eterna. Adão, nosso primeiro pai, peca, e por se ter rebelado contra Deus, é expulso do paraíso e condenado, com todos os seus descendentes, à morte eterna. Eis, porém, que o Filho de Deus, vendo o homem perdido e querendo livrá-lo da morte, se oferece a tomar a natureza humana e morrer justiçado sobre uma cruz. Mas — assim se me afigura que Lhe dissesse então o Pai — mas, meu Filho, reflete que na terra terás de levar uma vida humilde e penosa. Deverás nascer numa gruta fria e serás posto numa manjedoura. Ainda criança, terás de fugir par ao Egito a fim de te livrares das mãos de Herodes. De volta do Egito terás de viver numa oficina como humilde aprendiz, pobre e desprezado. Finalmente, perderás a vida sobre uma cruz, à força de dores, coberto de opróbrios e abandonado de todos. — Meu Pai, responde o Filho, não importa, aceito tudo, com tanto que o homem seja salvo. Continuar lendo

TEM A IGREJA UM DIREITO PÚBLICO?

Resultado de imagem para marcel lefebvreA Igreja sem o Estado é uma alma sem o corpo. O Estado sem a Igreja é um corpo sem alma”. Leão XIII – “Libertas”

Qual é a situação da Igreja em relação à sociedade civil? A resposta é objeto de uma ciência eclesiástica especial: O Direito Público da Igreja. Pode-se consultar os excelentes tratados a este respeito, do Cardeal Ottaviani e de Sílvio Romani, como também as fontes apresentadas por Lo Grasso (ver bibliografia).

Quero mostrar-lhes quanto o liberalismo se opõe ao direito público da Igreja, como o aniquila, e por conseguinte como é contrário à fé, sobre a qual se apóia integralmente o direito público da Igreja.

Os Princípios do Direito Público da Igreja

Os princípios do direito público da Igreja são na realidade verdades de fé ou que se deduzem da fé. São os seguintes:

– Independência da Igreja: A Igreja que tem por finalidade a salvação sobrenatural das almas, é uma sociedade perfeita, dotada por seu divino fundador de todos os meios para subsistir por si mesma de maneira estável e independente. O “Syllabus” condena a proposição contráriaseguinte:

“A Igreja não é uma sociedade verdadeira e perfeita, completamente livre, nem goza de seus direitos próprios e constantes a ela conferidos por seu divino fundador, mas cabe  à autoridade civil determinar quais são os direitos da Igreja e o limite dentro dos quais pode exercer estes direitos” (prop. 19, Dz nº1719).

Esta é a escravidão à qual os liberais querem reduzir a Igreja em relação ao Estado! O “Syllabus” também condena radicalmente as espoliações às quais a Igreja é submetida em seus bens e em seus direitos, periodicamente, pelo poder civil. A Igreja nunca aceitará o “princípio de direito comum”, nunca admitirá ser reduzida ao  simples direito comum de todas as associações legais na sociedade civil, que devem receber do Estado sua aprovação e seus limites. Como conseqüência a Igreja tem o direito de adquirir, possuir e administrar livre e independentemente do poder civil os bens temporais necessários à sua missão. (código de direito canônico de 1917, cânon 1495): igrejas, seminários, bispados, mosteiros, benefícios (can. 1409-1410), e ser isenta de todos os impostos civis. Tem direito de possuir suas escolas e hospitais independentemente de qualquer intromissão do Estado. A Igreja tem seus próprios tribunais eclesiásticos para julgar os assuntos concernentes às pessoas dos clérigos e aos bens da Igreja (can. 1552), independentemente, em si, dos tribunais civis (privilégio do foro). Os clérigos também são isentos do serviço militar (privilégio da isenção-can.121).
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MOMENTO DA MORTE

Santa Mãe de Deus!: Os Novíssimos: Morte, Juízo, Céu e Inferno

Si ceciderit lignum ad austrum aut ad aquilonem, in quocumque loco ceciderit, ibi erit — “Se a árvore cair para o sul ou para o norte, em qualquer lugar onde cair, aí ficará” (Eccles. 11, 3.)

Sumário. É uma verdade da fé que a morte é um momento de que depende a eternidade. Quem a errar então, tê-la-á errado para sempre, sem esperança de remédio. Se cremos nesta verdade, porque não tomamos a resolução de nos afastarmos de todo o perigo e de tomar todas as providências para nos assegurarmos uma boa morte? Nenhuma cautela será demasiada para nos assegurarmos a vida eterna! Lembremo-nos de que os dias da nossa vida são outras tantas graças que Deus nos concede para o ajuste das contas, antes que venha o momento terrível.

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I. Considera que a morte é o momento do qual depende a eternidade. Já está o homem nos extremos da vida e, portanto, próximo a uma das duas eternidades. A sua sorte depende do último suspiro, depois do qual, no mesmo instante, a alma ou está salva ou condenada para sempre. Ó momento, ó suspiro, de que depende uma eternidade, ou de glória ou de tormentos; uma eternidade, ou sempre feliz ou sempre desgraçada; ou de prazeres, ou de angústias; uma eternidade de todo o bem ou de todo o mal; uma eternidade no paraíso ou no inferno. — Numa palavra, se naquele momento te salvas, nada mais terás a sofrer; estarás sempre contente e feliz. Se, ao contrário, erras o passo e te condenas, viverás sempre aflito e desesperado, enquanto Deus for Deus. Na morte conhecerás o que quer dizer paraíso, inferno, pecado, Deus ofendido, lei de Deus desprezada, pecados calados na confissão, restituição omitida. Continuar lendo

NOS GRAUS DE GRAÇAS E GLÓRIA É PRECISO UNIFORMARMO-NOS COM O DIVINO QUERER

Imagem relacionadaEnfim, também nos graus de graças e glória é preciso uniformarmo-nos com o di­vino querer: devemos estimar aquelas coi­sas, que pertencem à gloria de Deus, mas devemos estimar ainda mais a Sua divina vontade: devemos desejar amá-lO mais que os Serafins; mas não devemos desejar maior grau de amor, que não seja aquele que o Senhor tem determinado conceder-nos. O padre Ávila diz (Audi. filia. C. 22.) «Eu creio que os Santos desejariam ser ainda melhores do que foram; porém esses dese­jos não perturbavam a paz de suas almas, porque eles, se assim o desejavam, não era por motivos de próprio interesse, mas para glória de Deus, a cujas distribuições se submetiam, ainda que Ele menos lhes desse; estimando como perfeito amor o estarem satisfeitos com o que Deus lhes tinha dado, e não apetecendo mais».

Assim Rodriguez o interpreta (Trat. 8. G. 30.), que, ainda que devemos ser diligentes em aspirar a perfeição até onde possamos chegar, para não servir de escusa a nossa preguiça e tibieza, como alguns fazem, e dizermos: Deus nos dará isto; eu posso fazer só isto: com tudo quando faltamos nesta carreira, não devemos perder a nossa paz de espirito, nem a conformidade com a vontade divina, a qual permitiu nossa falta, humilhar-nos e arrepender-nos; e pro­curando maior adjutório em Deus, prosseguir nossa carreira. Por este modo, ainda que aspiremos a ser exaltados no Céu ao coro dos Serafins, não por certo para termos maior glória, mas sim para a dar maior a Deus, e amá-lO ainda mais, todavia de­vemos resignar-nos à sua santa vontade, contentando-nos com aquele grau, que a Sua misericórdia se digne conceder-nos.

Seria pois grande culpa desejar dons de sobrenatural oração, e particularmente êxtases e revelações. Os mestres da vida espi­ritual nos ensinam, quando as almas são favorecidas com tais dons, que deveriam orar para serem privadas deles, para po­derem amar a Deus pelo puro caminho da fé, o qual é o mais seguro. Muitos tem che­gado à perfeição, sem esses sobrenaturais favores; a virtude é bastante para elevar a alma à santidade, e principalmente a da uniformidade com a vontade de Deus. E se Deus se não apraz de elevar-nos a um sublime grau de graça e glória, devemos conformar-nos à Sua santa vontade, pedin­do-Lhe que ao menos, por Sua misericórdia, sejamos salvos. Se assim fizermos, a recom­pensa não será pequena, a qual o nosso bom Senhor derramará sobre nós pela Sua bon­dade, porque Ele ama sobretudo aqueles que se resignam às Suas determinações.  Continuar lendo

PACIÊNCIA DE DEUS EM ESPERAR QUE O PECADOR FAÇA PENITÊNICA

A Penitência Quaresmal - Caminhada de Emaús

Propterea, expectat Dominus, ut misereatur vestri — “Por isso o Senhor espera, para ter misericórdia de vós” (Is. 30, 18).

Sumário. A paciência de que o Senhor usa para com os pecadores, esperando que façam penitência, é tão grande, que, no dizer de Santo Agostinho, se não fosse Deus, pareceria que falta à justiça. A misericórdia de Deus impede continuamente as criaturas, que por natural instinto quiseram vingar as injúrias feitas ao Criador; e ao mesmo tempo dispensa-lhe toda sorte de graças, a fim de conduzi-los à resipiscência. Parece que teimosamente lutamos com Deus: nós provocando os seus castigos; Deus oferecendo-nos o perdão. Mas continuará sempre assim? A paciência irritada afinal torna-se furor!

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I. A paciência de que Deus usa para com os pecadores é tão grande, que uma alma santa desejava que se construísse uma igreja e se lhe desse por título: Paciência de Deus. Meu irmão, quando ofendias a Deus, podia fazer-te morrer; mas Deus esperava, conservava-te a vida e acudia-te em todas as necessidades. Fingia não ver os teus pecados, a fim de que viesses à resipiscência: Dissimulas peccata hominum propter poenitentiam (1) — “Dissimulas os pecados dos homens, para que façam penitência”.

Mas como é isto, Senhor, exclama o profeta Habacuc: os vossos olhos são puros, não podeis sofrer a vista de um só pecado, e tantos vedes e Vos calais? (2) Vedes o impudico, o vingativo, o blasfemador, que dia a dia amontoam os pecados, e não os punis? Porque usais de tamanha paciência? Propterea expectat Dominus, ut misereatur vestri. Deus espera pelo pecador, para que se corrija, a fim de assim lhe poder perdoar e salvá-lo. Continuar lendo

MORTIFICAÇÃO E PACIFICAÇÃO DAS PAIXÕES NATURAIS

Resultado de imagem para são joão da cruzPara mortificar e pacificar as quatro paixões naturais que são gozo, esperança, temor e dor, de cuja concórdia e harmonia nascem inumeráveis bens, trazendo à alma grande merecimento e muitas virtudes, o remédio universal é o seguinte:

  • Procure sempre inclinar-se não ao mais fácil, senão ao mais difícil;
  • Não ao mais saboroso, senão ao mais insípido;
  • Não ao mais agradável, senão ao mais desagradável;
  • Não ao descanso, senão ao trabalho;
  • Não ao consolo, mas à desolação;
  • Não ao mais, senão ao menos;
  • Não ao mais alto e precioso, senão ao mais baixo e desprezível;
  • Não ao querer algo, e sim, a nada querer;
  • Não ao andar buscando o melhor das coisas temporais, mas o pior;

Enfim, desejando entrar por amor de Cristo na total desnudez, vazio e pobreza de tudo quanto há no mundo.

Abrace de coração essas práticas, procurando acostumar a vontade a elas. Porque se de coração as exercitar, em pouco tempo achará nelas grande deleite e consolo, procedendo com ordem e discrição.

Subida do Monte Carmelo – São João da Cruz

NECESSIDADE DA ORAÇÃO MENTAL

Arquivos Aprenda a fazer oração mental - Altair Fonseca

Desolatione desolata est omnis terra; quia nullus est qui rerogitet corde — “Toda a terra está inteiramente desolada, porque não há nenhum que considere no seu coração” (Ier. 12, 11.)

Sumário. Afeiçoemo-nos à oração mental e nunca a deixemos de fazer. É ela necessária, para que tenhamos luz na viagem que estamos fazendo para a eternidade e também para que conheçamos os nossos defeitos e os emendemos. Assim como sem a oração mental, não faremos bem a vocal, à qual estão ligadas as graças, assim igualmente nos faltará a força para vencer as tentações e praticar as virtudes. Infeliz, portanto, da alma que não faz oração mental; ela não precisa de demônios para lançá-la no inferno, visto que de si mesma nele se precipita.

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I. A oração mental é, em primeiro lugar, necessária, para que tenhamos luz na viagem que estamos fazendo para a eternidade. As verdades eternas são coisas espirituais, que não são vistas pelos olhos do corpo, senão somente pela consideração do espírito. Quem não faz oração, não as vê, e assim andará com dificuldade no caminho da salvação. — Além disso, quem não faz oração, não conhece os seus defeitos, e assim, como diz São Bernardo, não os aborrece. Tampouco vê os perigos em que se acha a sua salvação e não pensa em evitá-los. Mas quem faz oração logo descobre os seus defeitos e os perigos de perder-se; e vendo-os, pensará em aplicar-lhes o remédio. Por isso o mesmo São Bernardo afirma que “a meditação regula os afetos, endireita as ações e corrige os defeitos”. Continuar lendo

A LIBERDADE DE ENSINO

Resultado de imagem para marcel lefebvreO ensino deve ter por objeto unicamente coisas verdadeiras”. Leão XIII

Entre as novas liberdades, a terceira condenada pelos papas foi a liberdade de ensino.

Escandalizai-vos almas ingênuas, que não reconheceis vosso espírito liberal! Confessai que não saís de vosso assombro, que já não se compreende nada: os papas condenam a liberdade de ensino! Oh surpresa, oh escândalo! O Papa – e que papa! Leão XIII, que alguns chamam de liberal – condena a sacrossanta liberdade de ensino! Mas como defenderemos nossas escolas católicas… quer dizer, nossas escolas livres? Pois o nome de escola católica tem um ressabio de sectarismo, um sabor de guerra religiosa, um colorido muito confessional, que não convém manifestar nos tempos em cada um guarda a sua bandeira no bolso.

Farei-lhes admirar as moles e açucaradas virtudes liberais, superando-se uma à outra em hipocrisia: falta de senso, covardia e traição dão-se as mãos para cantar em coro, como nas ruas de Paris em junho de 1984, o “Cântico da Escola Livre”:

“Liberdade, liberdade, tu és a única verdade”.

O que falando claramente, significa: “não vos pedimos mais que a liberdade, um pouquinho de liberdade para nossas escolas; assim nada teremos a censurar à liberdade de ensino laica e obrigatória, à liberdade do quase monopólio da escola marxista e freudiana. Continuai tranqüilamente a arrancar Jesus Cristo das almas, denegrindo a pátria, manchando nosso passado no espírito e no coração de 80% das crianças; por nossa parte cantaremos glórias aos méritos da tolerância e do pluralismo, denunciaremos os erros do fanatismo e a superstição; em resumo, faremos apreciadores dos encantos da liberdade, aos 20% que nos restam”.
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SEXTO DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA: A PARÁBOLA DO FERMENTO E OS EFEITOS DA GRAÇA SANTIFICANTE

Simile est regnum coelorum fermento – “O reino dos céus é semelhante ao fermento” (Mat. 13, 33).

Sumário. Nesta parábola do fermento os santos Padres vêem uma figura da caridade, isto é, da graça santificante. Assim como a levedura penetra toda a massa, levanta-a e lhe dá sabor; assim a graça divina tira da alma a friúra do pecado e, excitando nela santos afetos, torna-a digna de amizade de Deus. Mais: faz com que a alma seja a morada do Espírito Santo, sua filha, sua esposa. Lancemos um olhar sobre nossas almas: estão elas ornadas da graça santificante?

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I. Na parábola do fermento Santo Agostinho, o Bem-aventurado Alberto Magno e outros vêem uma figura da caridade, isto é, da graça santificante. Porquanto, como a levedura penetra toda a massa, levanta-a e lhe dá sabor, assim a graça santificante tira da alma a friúra áspera do pecado, e inflamando-a no amor celeste eleva-a a um estado sobrenatural, torna-a digna da amizade de Deus. – Por isso é que o Espírito Santo chama a graça um tesouro infinito: Infinitus enim thesaurus est hominbus (1) – “É um tesouro infinito para os homens”. Esse tesouro, porém, acrescenta o santo homem Job, é um tesouro oculto, pois, se os homens conhecessem o valor da graça divina, não a trocariam por uma fumaça, um punhado de terra, um vil prazer: Nescit homo pretium eius (2) – “O homem não conhece o seu preço”.

Privados da luz da fé, os pagãos julgavam impossível que uma criatura pudesse ser amiga de Deus. E seguindo unicamente a luz natural, tinham razão, pois a amizade, segundo observa São Jerônimo, torna os amigos iguais. Deus, contudo, em muitos lugares nos declarou que, em virtude da sua graça, nos tornamos seus amigos, observando a sua lei: Vos amici mei estis, si feceritis quae praccipio vobis (1) – “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando”. “Ó bondade de Deus”, exclama São Gregório, “não lhe merecemos o nome de servos, e digna-se chamar-nos seus amigos!” Como se julgaria feliz quem fosse honrado com a amizade de seu rei! Mas seria temeridade para um vassalo o pretender travar amizade com o seu príncipe. No entanto uma alma pode sem temeridade aspirar a amizade do seu Deus. Continuar lendo

11 DE FEVEREIRO – DIA DE NOSSA SENHORA DE LOURDES

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Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Publicamos abaixo alguns textos sobre as aparições de Nossa Senhora, em Lourdes.

O QUARTO MANDAMENTO

Uma desordem total invadiu o nosso século. Em proporções gigantescas e com indomável força ela, dia a dia, conquista os núcleos básicos da comunidade humana.
A característica principal da forma moderna da desordem é a inversão dos valores do convívio humano, que começa cortando os laços que ligam os diversos escalões da hierarquia social e termina no desentendimento total dos homens.
 
Na família, os filhos estão surdos para o timbre da voz paterna. Os pais estupefatos temem os filhos. Temem principalmente perdê-los. Com cabisbaixa fraqueza cedem às suas imposições, para não perderem aqueles que de há muito perderam. Congrega-os o lar apenas por laços de um certo instinto gregário e os interesses monetários dos filhos. Mas o filho já é um estranho na casa.
 
Na escola, a professora condicionada por uma pedagogia que nega a tendência da criança para o mal (tendência que é um claro indício do pecado original) e o valor educativo das punições, docilmente cede a todos os caprichos infantis.
 
Nos ginásios, os adolescentes agrupados na promiscuidade da co-educação, iniciam-se nas “viagens do fumo” e dos tóxicos, preparam-se para o amor nas “inocentes” práticas sexuais, sob os olhares estimulantes e compreensivos dos orientadores educacionais.
 
Nas universidades, os representantes do mais tolo mito do século, o mito do JOVEM, elaboram os programas, impõem e depõem os mestres e dirigentes, sob o pastoral treinamento, nas universidades católicas, de sacerdotes mais imaturos que eles e que os orientam conforme a moral permissiva e a linha subversiva.

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QUANTO OS RELIGIOSOS DEVEM CONFIAR NO PATROCÍNIO DE MARIA

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Ego diligentes me diligo: et qui mane vigilante ad me, invenient me — “Eu amo os que me amam: e os que vigiam desde a manhã por me buscarem, achar-me-ão” (Prov. 8, 17.)

Sumário. Se a divina Mãe ama todos os homens com tão grande afeto, que nenhum outro lhe seja superior, ou mesmo igual, quanto mais não amará os religiosos, que sacrificaram a liberdade, a vida e tudo ao amor de Jesus Cristo? Ponhamos, pois, toda a nossa confiança em tão boa Mãe. Provemos-lhe a nossa devoção, honrando-a fervorosamente e fazendo com que os outros também a honrem. Um religioso que não tem para com nossa Senhora uma devoção especial, perseverará dificilmente.

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Se é certo, como é certíssimo, no dizer de São Pedro Damião, que a divina Mãe Maria ama todos os homens com tamanho afeto, que, depois de Deus, não há nem pode haver quem a exceda ou iguale no amor: amat nos amore invincibili — “ama-nos com amor inexcedível”, quanto devemos pensar que a grande Rainha ama os religiosos, que consagraram a sua liberdade, a sua vida, tudo ao amor de Jesus Cristo? Ela bem vê que a vida deles é mais semelhante à sua e à do seu divino Filho. Vê-os empregados continuamente em louvá-la e em honrá-la com novenas, visitas, rosários, jejuns e outras práticas de devoção. Vê-os muitas vezes a seus pés a invocá-la e a pedir-lhe graças, graças essas todas conformes aos seus santos desejos, como sejam: a perseverança no serviço divino, a força contra as tentações, o desapego da terra, o amor para com Deus. Ah! Como poderemos duvidar que ela deixe de empenhar todo o seu poder e misericórdia em benefício dos religiosos, especialmente de nós, que vivemos nesta santa Congregação (1), na qual, como se sabe, se faz profissão especial de honrar a Virgem Mãe com visitas, jejum no sábado, mortificações particulares nas suas novenas, etc., e com promover por toda a parte a sua devoção, por meio de pregações e novenas em sua honra?

A nossa excelsa Senhora é grata, e tão grata, que, como diz Santo André Cretense, costuma dar grandes coisas em retribuição a quem lhe oferece o mais pequeno obséquio: Solet maxima pro minimis reddere. A quem a honra e procura fazê-la honrar dos outros, ela promete, na sua benevolência, livrá-lo do pecado: Qui operantur in me, non peccabunt; promete-lhe também o paraíso: Qui elucidant me, vitam aeternam habebunt (2). Continuar lendo

DA DILIGENTE EMENDA DE TODA A NOSSA VIDA

Resultado de imagem para rezando joelhosSê vigilante e diligente no serviço de Deus, e pergunta-te a miúdo: a que vieste, para que deixaste o mundo? Não será para viver por Deus e tornar-te homem espiritual? Trilha, pois, com fervor o caminho da perfeição, porque em breve receberás o prêmio dos teus trabalhos; nem te afligirão, daí por diante, temores nem dores. Agora, terás algum trabalho; mas depois acharás grande repouso e perpétua alegria. Se tu permaneceres fiel e diligente no seu serviço, Deus, sem dúvida, será fiel e generoso no prêmio. Conserva a firme esperança de alcançar a palma; não cries, porém segurança, para não caíres em tibieza ou presunção.

Certo homem que vacilava muitas vezes, ansioso, entre o temor e a esperança, estando um dia acabrunhado pela tristeza, entrou numa igreja, e diante dum altar, prostrado em oração, dizia consigo mesmo: Oh! se eu soubesse que havia de perseverar! E logo ouviu em si a divina respostas: Se tal soubesses, que farias? Faze já o que então fizeras, e estarás bem seguro. Consolado imediatamente, e confortado, abandonou-se à divina vontade, e cessou a ansiosa perplexidade. Desistiu da curiosa indagação acerca do seu futuro aplicando-se antes em conhecer qual fosse a vontade e o perfeito agrado de Deus para começar e acabar qualquer boa obra.

Espera no Senhor e faze boas obras, diz o profeta, habita na terra e serás apascentado com suas riquezas (Sl 36,3). Há uma coisa que esfria em muitos o fervor do progresso e zelo da emenda: o horror da dificuldade ou o trabalho da peleja. Certo é que, mais que os outros, aproveitam nas virtudes aqueles que com maior empenho se esmeram em vencer a si mesmos naquilo que lhes é mais penoso e contrariam mais suas inclinações. Porque tanto mais aproveita o homem, e mais copiosa graça merece, quanto mais se vence a si mesmo e se mortifica no espírito.

Não custa igualmente a todos se vencer e mortificar-se. Todavia, o homem diligente e porfioso fará mais progressos, ainda que seja combatido por muitas paixões, que outro de melhor índole, porém menos fervoroso em adquirir as virtudes. Dois meios, principalmente, ajudam muito a nossa emenda, e vêm a ser: apartar-se valorosamente das coisas às quais viciosamente se inclina a natureza, e porfiar em adquirir a virtude de que mais se há mister. Aplica-te também a evitar e vencer o que mais te desagrada nos outros. Continuar lendo

A PENA MAIS GRAVE DO MENINO JESUS

O Menino Jesus sabia dos sofrimentos pelos quais iria passar?

Quae utilitas in saguine meo, dum descendo in corruptionem? — “Que proveito há no meu sangue, se desço à corrupção?” (Ps. 29, 10.)

Sumário. Quando Jesus estava ainda no seio de Maria Santíssima, já previa a dureza de coração dos homens, que pela maior parte havia de pisar o seu sangue aos pés e de desprezar a graça que com seu sangue lhes havia merecido. Foi esta a pena que mais O afligiu. Se nós também temos sido do número desses ingratos, não desesperemos, contanto que estejamos resolvidos a converter-nos; porque o divino Menino veio a oferecer a paz a todos os homens de boa vontade. Arrependamo-nos, pois, de nossos pecados e façamos o propósito de amar doravante o nosso bom Deus, e estejamos certos de que acharemos a paz, isso é, a amizade divina.

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Revelou Jesus Cristo à Venerável Águeda da Cruz, que, quando estava no seio de Maria, o que entre todas as penas mais o afligia, foi a previsão da dureza do coração dos homens, que, depois da Redenção feita haviam de desprezar as graças que ele viera derramar sobre a terra. Jesus exprimiu o mesmo sentimento já pela boca de Davi nas palavras citadas, na explicação comum dos Santos Padres: Quae utilitas in sanguine meo, dum descendo in corruptionem? Interpreta Santo Isidoro as palavras: “se desço na corrupção”, assim: se desço a tomar a natureza humana toda corrompida pelos vícios e pecados. — “Meu Pai” (assim parece dizer o Verbo divino), “eu vou tomar um corpo humano e depois derramarei todo o meu sangue pelos homens; mas quae utilitas in sanguine meo?que proveito terá o meu sangue? A maior parte dos homens nem sequer se lembrarão deste meu sangue e continuarão a ofender-me, como se nada por amor deles tivesse feito.”

Esta pena foi o cálix de amargura, do qual Jesus pediu que o Pai Eterno O livrasse, dizendo: Transeat a me calix iste (1) — “Meu Pai, passe este cálix longe de mim”. Que cálix? A vista de tamanho desprezo de seu amor. Foi ela que ainda na cruz O fez exclamar: Deus meu, Deus meu, porque me abandonastes? (2) Revelou o Senhor a Santa Catarina de Sena, que o abandono de que se queixou foi exatamente o ver que seu Pai permitiria que a sua paixão e o seu amor fossem em seguida desprezados por tantos homens, pelos quais devia morrer. — Ora, esta mesma pena atormentou ao Menino Jesus no seio de Maria: o ver desde então tanto empenho de dores, de ignomínias, de sangue e de uma morte cruel e ignominiosa, e tão pouco fruto. Desde então o santo Menino viu como, no dizer do Apóstolo, muitos (quiçá a maior parte) pisariam o seu sangue aos pés e desprezariam a graça que com seu sangue lhes havia merecido: Filium Dei conculcantes, et spiritui gratiae contumeliam facientes (3). Continuar lendo

A LIBERDADE DE IMPRENSA

Resultado de imagem para marcel lefebvre“Liberdade funesta e execrável, verdadeira opressão das massas”. Leão XIII

Se o leitor continuar a ler os documentos papais, um após outro, verá que todos disseram o mesmo sobre as novas liberdades nascidas do liberalismo: a liberdade de consciência e de cultos, a liberdade de imprensa, a liberdade de ensino, são liberdades envenenadas, falsas liberdades: porque o erro é sempre mais fácil de difundir do que a verdade, o mal é mais fácil de ser propagado do que o bem. É mais fácil dizer as pessoas: “podem ter várias mulheres” do que dizer: “só podem ter uma durante toda suas vidas”; logo é mais fácil estabelecer o divórcio como um “contrapeso” ao casamento! Assim também, deixem indiferentemente se propagar na imprensa o certo e o errado e verão com certeza o errado ser favorecido às custas da verdade.

Atualmente gostam de dizer que a verdade faz seu caminho somente com sua força intrínseca, e que para ela triunfar não necessita da proteção intempestiva e molesta do Estado e de suas leis. Se o Estado favorece a verdade, grita-se logo a injustiça, como se a justiça consistisse em manter equilibrada a balança entre o verdadeiro e o falso, entre a virtude e o vicio…Está errado! A primeira justiça é oferecer o acesso das inteligências à verdade e preservá-las do erro. É também a primeira caridade: “veritatem facientes in caritate”. Na caridade, façamos a verdade. O equilíbrio entre todas as opiniões, a tolerância de todos os comportamentos, o pluralismo moral ou religioso, são as características de uma sociedade em decomposição, que é a sociedade liberal procurada pela monarquia. Ora, foi contra o estabelecimento de uma tal sociedade que os Papas que citamos, reagiram sem cessar, afirmando o contrário, que o Estado, o Estado católico em primeiro lugar, não tem o direito de dar tais liberdades, como a liberdade religiosa, a liberdade de imprensa ou a liberdade de ensino.

A Liberdade de Imprensa

Leão XIII lembra ao estado seu dever de temperar com justiça, ou seja, de acordo com suas exigências da verdade, a liberdade de imprensa: Continuar lendo

PRECISAMOS DE SUA AJUDA!

caridPrezados amigos, prezados leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vocês que acessam e gostam de nosso blogvocês que acompanham as ações da FSSPX pelo mundo, vocês que lutam pelo Reinado Social de Nosso Senhor, vocês que sabem que a Tradição é a única solução para a restauração a Igreja… AJUDE-NOS! 

Estamos, mais uma vez, pedindo vossa ajuda nessa campanha em prol da compra de um terreno e futura construção de mais uma Capela para a Tradição e para a Santa Igreja. Sabemos que o caminho é longo e árduo, por isso, toda ajuda é importante.

CLIQUE AQUI E SAIBA COMO!

Faça um gesto nobre de caridade, por amor à Santa Igreja!!

Ad Majorem Dei Gloriam

Aproveitamos para agradecer a todos que nos ajudam ou ajudaram em algum momento nessa campanha, mesmo de forma anônima. Contem com nossas orações.

Que Nossa Senhora os conduza ao caminho da santidade.

AMOR QUE DEUS MOSTROU AOS HOMENS NO MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO

O Mistério da Encarnação na Arte Cristã (I) | Jornal da MadeiraApparuit gratia Dei Salvatoris nostri omnibus hominibus — “A graça de Deus nosso Salvador apareceu a todos os homens” (Tit. 2, 11).

Sumário. Embora a graça, isto é, o amor de Deus para com os homens, tenha sempre sido o mesmo, todavia não se manifestou sempre de igual maneira. Apareceu em toda a sua grandeza na obra da Encarnação, quando o Verbo Eterno se fez criança, gemendo e tremendo de frio, começando assim a satisfazer pelas penas que nós tínhamos merecido. Mas se este amor tão excessivo do Filho de Deus se manifestou a todos os homens, como é que nem todos o querem reconhecer e preferem as trevas do pecado à luz da graça celeste?

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Considera que pela graça, da qual aqui se diz que apareceu, se entende o amor excessivo de Jesus Cristo para com os homens: amor imerecido da nossa parte e por isso chamado graça. Em Deus este amor foi sempre o mesmo, mas não se manifestou sempre de igual maneira. Primeiro foi prometido em diversas profecias e debuxado em muitas figuras. Mas bem apareceu e se manifestou o amor divino no nascimento do Redentor, quando o Verbo Eterno se mostrou aos homens feito criança sobre um pouco de palha, chorando e tremendo de frio, começando desde então a satisfazer pelas penas que nós tínhamos merecido, e patenteando o afeto que nos tinha, pelo sacrifício de sua vida: In hoc cognovimus caritatem Dei, quoniam ille animam suam pro nobis posuit (1) — “Nisto conhecemos o amor de Deus, em que Ele deu a sua vida por nós.

Apareceu, poi, o amor de nosso Deus, e apareceu a todos os homens: omnibus hominibus. Mas porque é que nem todos conheceram, e ainda hoje em dia há tantos que não o conhecem? Eis aqui a razão: Lux venit in mundum, et dilexerunt homines magis tenebras quam lucem (2). Não o conheceram nem o conhecem, poque não o querem conhecer: amam mais as trevas do pecado do que a luz da graça. Continuar lendo

ORDENS MENORES E TOMADA DE BATINA NO SEMINÁRIO SAGRADO CORAÇÃO – FSSPX/ALEMANHA – 2017

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

D. Alfonso de Galarretabispo auxiliar da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, concedeu a batina a 7 seminaristas do primeiro ano, procedeu com a tonsura e conferiu as primeiras ordens menores à outros 6, nos dias 1 e 2 de Fevereiro de 2017, no Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Zaitzkofen, na Alemanha.

Em sinal de renúncia à vida mundana, o pontífice cortou algumas mechas de cabelo. Nas ordens antigas a tonsura é mais visível, como ainda é usada, por exemplo, pelos capuchinhos e beneditinos que, após a cerimônia de tonsura, não usam mais que uma coroa de cabelos.

A origem dos 13 seminaristas mostra bem o caráter internacional do seminário de Zaitzkofen:

  • Para 7 tomadas de batina: 3 alemães, 1 suíço, 1 polonês, 1 belga e 1 húngaro
  • Para as primeiras 6 ordenações das ordens menores: 1 alemão, 1 austríaco, 1 suíço, 2 tchecos e 1 lituano

Deo Gratias!

DO MODO DE POR FREIO À LÍNGUA

Resultado de imagem para pecado da linguaA língua do homem precisa muito de regra e de freio, porque não há quem não esteja grandemente inclinado a falar e discorrer sobre as causas que mais agradam aos sentidos.

E’ devido a uma certa soberba, que, na maioria dos casos, somos levados a falar muito . Persuadimos-nos, devido a este orgulho, de que sabemos muito,comprazemos-nos nas nossas opiniões e procuramos que os outros aceitem as nossas, para que tenhamos autoridade sobre eles, como se todos precisassem aprender de nós.

Não podemos, com poucas palavras, falar do mal que provem das muitas palavras.

A loquacidade é a mãe do desafeto, é a arma da ignorância e da insensatez, a porta da crítica descaridosa, o veículo das mentiras e o esfriamento da devolução.

As muitas palavras dão força às paixões viciosas, e estas, por sua vez, incitam depois, a língua, a que continue na sua loquacidade indiscreta .

Com os que não te ouvem de boa vontade, não sejas longa, para não os molestares. E faz o mesmo com os que gostam de te ouvir, para não seres imodesta. Continuar lendo

O PECADOR ABANDONADO POR DEUS

Resultado de imagem para pecadorCuravimus Babylonem, et non est sanata; derelinquamus eam — “Medicamos a Babilônia, e ela não sarou; deixemo-la” (Jer. 51, 9).

Sumário. Não há maior castigo do que Deus fingir que não vê a iniquidade. Permite que os pecadores prosperem e amontoem pecados sobre pecados. É sinal de que Deus os reserva para os entregar à sua justiça na vida eterna, onde terão tantos infernos a padecer, quantos foram os pecados cometidos. Desgraçados dos pecadores que prosperam nesta vida. Tal misericórdia é mais terrível do qualquer castigo.

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Deus espera o pecador, a fim de que se corrija. Quando vê, porém, que o tempo que lhe é dado para chorar os pecados, só serve para os multiplicar, esse mesmo tempo será chamado a depor contra ele (1): isso é, o tempo concedido e as misericórdias recebidas servirão para fazer castigar o pecador com mais rigor e para o entregar mais cedo ao abandono. Curavimus Babyloniam, et non est sanata; derelinquamus eam — “Medicamos a Babilônia, e ela não sarou; deixemo-la”. — E como é que Deus o abandona? Ou lhe envia a morte e o faz morrer no pecado, ou o priva das graças abundantes e só lhe deixa a graça suficiente, com que o pecador se poderia salvar, mas não se salvará. O espírito obcecado, o coração endurecido, o mau hábito contraído, tornar-lhe-ão a salvação moralmente impossível, e assim ficará, senão absolutamente, ao menos moralmente abandonado.

Auferam sepem eius, et erit in direptionem (2) — “Arrancar-lhe-ei a sebe e ficará exposta a ser roubada”. Que castigo! Quando o dono de uma vinha arranca a sebe e deixa entrar nela a todos os homens e animais, que significa isto? Significa que a abandona. Pois, é o que faz Deus quando abandona uma alma: tira-lhe a sebe do temor de Deus, dos remorsos da consciência e deixa-a nas trevas. Então entram na alma todos os monstros dos vícios. E o pecador, entregue a esta escuridão, desprezará tudo, graça de Deus, paraíso, exortações, censuras, e até escarnecerá da sua própria condenação. Impius, cum in profundum venerit peccatorum, contemnet (3) — “O ímpio, depois de haver chegado ao profundo dos pecados, desprezará tudo”. Continuar lendo