LEÃO XIV DEFENDE UMA ‘MUDANÇA PROFUNDA’ NA POSIÇÃO DA IGREJA EM RELAÇÃO ÀS FALSAS RELIGIÕES

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A obra “Uma Jornada de Esperança”, de Leão XIV, rejeita a abordagem histórica da Igreja em relação ao erro religioso, considerando-a “defensiva” e “isolacionista”, ao mesmo tempo que propõe um “novo paradigma” de diálogo inter-religioso.

Fonte: Life Site News – Tradução: Dominus Est

O Vaticano publicou recentemente um “documento comemorativo” para marcar os 60 anos da “promulgação” da Nostra Aetate, a “Declaração sobre a Relação da Igreja com as Religiões Não-Cristãs” do Concílio Vaticano II.

O texto contém erros referentes a:

  • A natureza da religião,
  • As fontes da revelação,
  • A virtude teologal da fé,
  • A encarnação de Nosso Senhor,
  • A relação entre a antiga e a nova aliança,
  • Os deveres do Estado para com a verdadeira religião,
  • A necessidade da Igreja para a salvação,
  • A missão da Igreja para com aqueles que estão fora de seu rebanho,
  • A maneira pela qual os batizados devem ser reconciliados com a Igreja,
  • A proibição de participar em cultos falsos,
  • O uso legítimo da violência por uma sociedade em legítima defesa.

Por trás desses erros específicos podem ser discernidos os sistemas errôneos do naturalismo, do liberalismo e do modernismo.

Considerado em sua totalidade, o texto é incompatível com a profissão pública da fé católica e com a unidade visível da Igreja de Cristo.

Os autores do texto

O documento, intitulado “Uma Jornada de Esperança: 60 Anos de Diálogo Inter-religioso e Fraternidade à Luz da Declaração Conciliar Nostra Aetate“, foi publicado em nome de três cardeais do Vaticano e seus secretários. Continuar lendo →

NÃO DEFENDEMOS CRISTO DIMINUINDO A SUA MÃE

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta sétima parte recorda o lugar único que Deus reservou para a Bem-Aventurada Virgem Maria na obra da salvação: Mãe de Deus, sempre virgem, Corredentora e Medianeira Universal. Diminuir seus privilégios em nome do ecumenismo não é honrar melhor a Cristo, mas sim desconsiderar a ordem divina.

VI – A Santíssima Virgem Maria na economia da salvação

46 – Creio que a Santíssima Virgem Maria ocupa na história da salvação um lugar único desejado por Deus desde toda a eternidade, e que a sua condição, portanto, não é a condição comum das demais criaturas. Aquele que havia decidido dar o seu Filho aos homens havia também decidido dar-lhe uma Mãe.

47 – Professo que a Bem-aventurada Virgem Maria, por um privilégio singular, foi imaculada desde o primeiro instante da sua conceição, a fim de ser a digna Mãe de Jesus Cristo. Preservada do pecado original em previsão dos merecimentos de Cristo e, desta sorte, remida de um modo mais sublime, cumulada de graça desde o primeiro instante da sua existência, Maria sempre se mostrou perfeitamente fiel à vontade de Deus.

48 – Creio que Ela permaneceu sempre virgem, antes, durante e depois do parto; a sua virgindade perpétua manifesta a origem divina do seu Filho e a sua consagração total à obra de Deus. Continuar lendo →

LEÃO XIV DESEJA REDESCOBRIR O “POTENCIAL ECUMÊNICO” DA CONFISSÃO DE AUGSBURGO

Leão XIV recebe uma delegação da Federação Luterana Mundial no Vaticano, em 1º de outubro de 2026.

A quatro anos antes do quinto centenário da Confissão de Augsburgo,texto fundador do luteranismo, Leão XIVdeseja torná-la um novo passo na aproximação com os protestantes. Mas que unidade pode ser construída sobre erros aos quais a Igreja já respondeu oficialmente em 1530?

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Ao receber uma delegação da Federação Luterana Mundial, em 1º de outubro de 2026, Leão XIV expressou sua esperança de que o 500º aniversário da Confissão de Augsburgo, em 2030, se tornasse uma “profunda experiência ecumênica”, dando uma “nova energia e nova alegria” à caminhada rumo à “unidade plena e visível”.

O Papa começou por expressar a sua satisfação com o amadurecimento das relações entre luteranos e católicos nas últimas décadas. Ele destacou, em particular, como “uma etapa importante do caminho ecumênico” a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, assinada em Augsburgo em 1999 pela Igreja Católica e pela Federação Luterana Mundial.

Ele também mencionou os trabalhos conjuntos dedicados à Eucaristia e ao ministério eclesial. “Uma comunhão renovada na fé apostólica, nos sacramentos e nos ministérios é o objetivo de nosso caminho ecumênico de graça”, declarou ele. Continuar lendo →

CRISTO MORREU POR TODOS, MAS NEM TODOS SÃO SALVOS.

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Essa sexta parte professa que Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, é o único Mediador e Salvador da humanidade. Por meio de seu sacrifício na Cruz, Ele mereceu a salvação para todos, mas essa salvação deve ser recebida pela fé, conversão e graça: nem todos são salvos somente por esse ato.

V – Jesus Cristo, Verbo Encarnado, único Mediador e Redentor

37 – Creio e professo que Nosso Senhor Jesus Cristo é o Verbo eterno de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, consubstancial ao Pai, segundo a divindade, e de mesma natureza que nós, segundo a humanidade, semelhante a nós, a não ser no pecado 41. É Ele o único Mediador entre Deus e os homens, o único Salvador do gênero humano, o único Rei das almas e das sociedades, prometido por Deus, na sua misericórdia, aos nossos primeiros pais, e anunciado pelos profetas.

38 – Professo que, ao chegar a plenitude dos tempos, o Filho de Deus se encarnou, não para confirmar o homem na sua dignidade humana ou para lhe revelar a imagem de Deus nele, mas para o salvar do pecado e tornar a dar-lhe acesso à vida eterna. Nascido da Virgem Maria, sem deixar de ser Deus, tomou uma natureza humana verdadeira, viveu entre nós, ensinou a verdade, cumpriu as profecias, manifestou a sua divindade pelos seus milagres, e então se ofereceu livremente sobre a Cruz em sacrifício propiciatório pelos pecados do mundo.

39 – Professo que a Redenção é uma satisfação verdadeira oferecida à justiça divina, em reparação pelo pecado original e pelos pecados pessoais. Cristo, Sacerdote e Vítima em sua humanidade santa, resgatou-nos pelo seu sangue. Arcando com os nossos pecados e sofrendo a pena que nos era devida, oferece ao seu Pai um ato perfeito de obediência, ato de amor e de reparação, ao qual a dignidade da sua Pessoa divina conferia um valor meritório infinito. Continuar lendo →

O HOMEM NÃO PODE SALVAR A SI MESMO

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta quinta parte relembra a realidade do pecado original e a profunda ferida que ele infligiu à natureza humana. Ela afirma, contra o naturalismo moderno, que nem o progresso, nem a ciência, nem a cultura podem salvar o homem: ele precisa da Redenção e da graça de Cristo.

IV – O pecado original e a condição humana

29 – Creio que os nossos primeiros pais foram por Deus estabelecidos num estado de justiça e de santidade originais, e dotados dos dons de integridade, de impassibilidade e de imortalidade. Por um favor particular de Deus, possuíam não apenas a integridade da sua natureza própria, mas ainda os dons sobrenaturais que os ordenavam à vida mesma de Deus. Adão, cabeça e princípio da humanidade, recebeu ademais o dom de ciência.

30 – Professo que, pela sua desobediência, Adão realmente cometeu o pecado original, que se transmite a todos os homens pela geração. Esse pecado é para todos um pecado de natureza, que os condena à morte, ao sofrimento, à ignorância e à concupiscência. Despojados da graça santificante e dos dons preternaturais, que não podiam mais transmitir à sua descendência, Adão e Eva foram expulsos do paraíso terrestre.

31 – Em Adão, no entanto, a natureza do homem não foi destruída, mas tão somente ferida. A sua inteligência, embora obscurecida, permanece capaz de conhecer a verdade; seu livre-arbítrio, embora enfraquecido, permanece capaz de querer e de amar o bem natural. Por essa razão, rejeito todas as doutrinas que, num pessimismo desesperado, consideram que o homem está irremediavelmente corrompido e é incapaz de qualquer bem. Continuar lendo →

PAPA LEÃO XIV CONCEDE PRÊMIO RATZINGER A UM TEÓLOGO QUE CONSIDEROU A MISSA TRIDENTINA DEFICIENTE

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“Consideramos que chegou a hora daqueles que passaram a fazer parte do movimento litúrgico tridentino reconsiderem sua posição”, escreveram o professor John Cavadini e seus coautores em 2022.

Fonte: Life Site News – Tradução: Dominus Est

O Papa Leão XIV entregará pessoalmente o Prêmio Ratzinger deste ano a um teólogo que questionou o Summorum Pontificum .

O Vatican News anunciou na terça-feira que o Dr. John C. Cavadini, professor de teologia da Universidade de Notre Dame, foi selecionado pelo Comitê Científico da “Fundação Vaticana Joseph Ratzinger-Bento XVI” para receber o prêmio, que leva o nome do Papa Bento XVI. O Papa Leão XIV aprovou a premiação e a entregará pessoalmente a Cavadini no Palácio Apostólico em 19 de dezembro.

Cavadini, que dedicou seus estudos especialmente aos Padres da Igreja e a Santo Agostinho, foi coautor de uma série publicada em 2022 pelo Church Life Journal, na qual argumentava que aqueles que frequentam a Missa Tridentina deveriam deixar de fazê-lo, retornando ao Novus Ordo Missae.

“Consideramos que chegou a hora daqueles que passaram a fazer parte do movimento litúrgico tridentino reconsiderem sua posição”, escreveram Cavadini, Mary Healy e Thomas Weinandy. Os autores sustentaram que “é imprescindível que aqueles que fazem parte do movimento tridentino, para o bem do Corpo de Cristo, retornem à forma litúrgica ordinária da Igreja”, em prol da “unidade”. Continuar lendo →

LIBERDADE RELIGIOSA, IGUALDADE COLEGIAL, FRATERNIDADE ECUMÊNICA

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Sobre nosso último post PAPA LEÃO XIV CELEBRA O LEMA MAÇÔNICO E REVOLUCIONÁRIO FRANCÊS “LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE”….vejamos o que D. Lefebvre diz sobre a Revolução implantada na Igreja através do Vaticano II.

Clique nesse link para acessar o texto e entender o porquê disso: LIBERDADE RELIGIOSA, IGUALDADE COLEGIAL, FRATERNIDADE ECUMÊNICA

PAPA LEÃO XIV CELEBRA O LEMA MAÇÔNICO E REVOLUCIONÁRIO FRANCÊS “LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE”

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O Papa Leão XIV celebrou um lema usado pelos maçons que remonta à sangrenta Revolução Francesa, período marcado pelo ódio anticatólico.

Fonte: Life Site News – Tradução: Dominus Est

O Papa Leão XIV celebrou um lema da Revolução Francesa usado pelos maçons — “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” — como “imperativos éticos universais” durante um discurso no Palácio do Eliseu na sexta-feira.

“A França foi responsável por avanços significativos em nosso mundo, incluindo o reconhecimento dos direitos humanos fundamentados na natureza da pessoa humana, particularmente a liberdade religiosa”, afirmou Leão na presença do presidente Emmanuel Macron e de autoridades francesas.

“Essa ênfase constante na dignidade inerente a cada pessoa encontra eco em vosso lema nacional. Liberdade, igualdade e fraternidade não são simplesmente palavras estampadas na fachada dos vossos edifícios públicos; referem-se a imperativos éticos universais que encontram também na mensagem do Evangelho uma fonte inesgotável de inspiração e realização”, disse o pontífice.

A referência de Leão a “Liberdade, igualdade e fraternidade” como “imperativos éticos universais” é preocupante porque, embora essas palavras sirvam como lema nacional da França, elas também servem como lema do Grande Oriente Maçônico e da Grande Loja da França. O lema tem origem na Revolução Francesa, que se opôs ferozmente à Igreja Católica e matou milhares de bispos, padres, religiosos e leigos católicos na guilhotina durante o “Reino do Terror”.

O elogio de Leão à “liberdade religiosa” que, segundo ele, foi reconhecida pela França também contraria a compreensão tradicional da Igreja Católica sobre o assunto. A encíclica Quanta Cura e o Syllabus, do Papa Pio IX, condenaram a ideia de que “todo homem é livre para abraçar e professar a religião que, guiado pela luz da razão, considerar verdadeira”. Continuar lendo →

INFALIBILIDADE PAPAL: QUAIS OS LIMITES?

Em entrevista concedida ao Distrito italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 11 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco expõe os limites da infalibilidade papal e os diferentes graus do magistério do Papa.

FSSPX Itália — Quais são os limites da infalibilidade papal? Em particular, como distinguir entre o ensinamento privado do Papa, o magistério público não infalível e a definição solene ex cathedra ? E o que aconteceria se um Papa ensinasse algo contrário a uma verdade já definida pelo magistério anterior?

Padre Daniele di Sorco — O ensinamento católico sobre a infalibilidade do Papa encontra-se, em primeiro lugar, no Concílio Vaticano I, um grande ato do magistério que definiu essa verdade, e, em segundo lugar, no ensinamento de teólogos católicos antes, durante e também depois do Concílio, que esclareceram, sob a orientação do magistério, o verdadeiro significado desses ensinamentos.

É preciso, antes de tudo, distinguir entre o ensinamento privado e o ensinamento público do Papa. Continuar lendo →

A VIRTUDE DA FORTALEZA EM TEMPOS DE CRISE

Fonte: Le Parvis nº 169 – Tradução: Dominus Est

O martírio é o principal ato da virtude da fortaleza.

A crise atual na Igreja pode-nos levar a várias perguntas e, entre elas: Quanto tempo irá durar? Parece haver muitas opções para lidar com o sofrimento e as inquietações que ela provoca. Tanto a precipitação quanto a hesitação prolongada, mesmo que com boas ações, nos conduzem pelo caminho errado e nos levam a tomar decisões equivocadas.

Nestes tempos marcados por incertezas, sofrimentos e provações, a doutrina católica oferece uma perspectiva especial por meio da virtude da fortaleza, uma das quatro virtudes cardeais. Ela pode ser definida da seguinte forma: “A fortaleza é a virtude moral que assegura, diante das dificuldades, firmeza e constância na busca do bem. Ela fortalece a resolução de resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza nos capacita a vencer o medo, inclusive da morte, e a enfrentar provações e perseguições. Ela nos dispõe a chegar até a abnegação e ao sacrifício da própria vida para defender uma causa justa.” Essa virtude não é uma simples resistência estoica ou uma coragem puramente natural. É uma disposição habitual da alma, aperfeiçoada pela graça, que ordena o apetite irascível — aquela parte de nós que reage às dificuldades e ameaças — segundo a razão iluminada pela fé. Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica (I-II, q. 123), esclarece que a fortaleza tem como principal objeto o medo e a ousadia, particularmente diante dos perigos da marte. Consiste em dois movimentos complementares: “aggredi” (enfrentar, atacar o mal) e “sustinere” (suportar; perseverar). Em tempos de crise, é frequentemente o segundo que prevalece: a paciência e a constância diante daquilo que não pode ser mudado imediatamente. Continuar lendo →

IDE E “DIALOGAI” EM NOME DO PAI, DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO

No dia 16 de setembro de 2026 foi publicado no site da Santa Sé o último documento aprovado pelo papa Leão XIV e assinado pelos prefeitos dos dicastérios para a Promoção da unidade dos cristãos, para o Diálogo inter-religioso e para a Doutrina da fé. A presença desse último, na pessoa do cardeal Fernández, é particularmente significativa: ela enfatiza a extensão doutrinária do documento.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Trata-se da nota Um caminho de esperança. Sessenta anos de diálogo e de fraternidade inter-religiosa à luz da declaração conciliar Nostra ætate. O título e o subtítulo já dizem quase tudo. Limitar-nos-emos a algumas observações. Aqueles que desejarem aprofundar a questão encontrarão material suficiente nos textos citados em nota.

A nota recorda que “a declaração Nostra ætate nasceu após a Segunda Guerra mundial e que inicialmente não se referia ao diálogo com as demais religiões, mas constituía uma resposta às trágicas consequências do antissemitismo, que culminaram na Shoah”. Foi após o seu encontro “com o judeu Jules Isaac (ateu e comunista, ndt.), tornado possível pela mediação de Maria Vingiani, fundadora do Secretariado para as Atividades Ecumênicas”, que João XXIII, “já muito sensível a essa questão, […] encarregou o cardeal Augustin Bea de redigir um texto conciliar destinado a sanar e renovar as relações entre a Igreja e o povo judeu” (§ 4). Continuar lendo →

O DEMÔNIO TOCA FLAUTA

As repugnantes blasfêmias proferidas em certas instituições da Igreja não provocam quaisquer reações das autoridades, que estão ocupadas  demais com o processo sinodal.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Um artigo no  site da Conferência Episcopal Alemã, katholisch.de, provocou protestos em todos os meios de comunicação católicos ditos conservadores. O texto apresenta, sem a menor análise crítica, uma obra publicada por Simone e Claudia Paganini, professores de teologia, exegese e filosofia, ambos considerados católicos devotos. O livro busca, em diversas figuras bíblicas, indícios de distúrbios psicológicos: depressão em Moisés, transtorno obsessivo-compulsivo em Jó (afinal, ele oferece sacrifícios pelos possíveis pecados de seus filhos), tendências maníacas em Judite, uma propensão ao álcool no próprio Jesus (já que seus adversários o chamam de bêbado) e narcisismo em Deus, por ele afirmar ser o único Deus. Era só isso que faltava.Diante dessa repugnante blasfêmia, ainda aguardamos os comunicados anunciando a proibição de toda oração pública nos santuários de Lourdes ou Mariazell para tais escritores e todos aqueles que os recomendam, como a Conferência Episcopal Alemã. Qual seria a reação? “E daí?”, diria Jesus,  segundo o evangelho apócrifo do Padre Arnaud Alibert, editor-chefe de La Croix. Assim como nas polêmicas em torno das uniões contra a natureza, nos responderão que isso não é o mais importante. O que é urgente é a sinodalidade e a denúncia dos pecados contra a ecologia. A Igreja está atordoada com encontros sinodais, mistagógicos e kerigmáticos, e obcecada por cubos de gelo e espécies ameaçadas de extinção. Continuar lendo →

A FSSPX AINDA PODERIA ESPERAR ALGO DE ROMA?

Em entrevista concedida ao Distrito italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 14 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco explica as necessidades práticas que impossibilitaram o adiamento das sagrações episcopais, apesar dos esforços empreendidos junto a Roma. Ele também aborda a profissão de fé publicada pela Fraternidade e os obstáculos doutrinais que, até o momento, impediram qualquer acordo verdadeiro.

FSSPX Itália — Voltando especificamente às sagrações, elas poderiam ter sido evitadas?

Alguns defendem que a Fraternidade poderia ter esperado mais um pouco, construído um relacionamento com Leão XIV, tentado obter um mandato pontifício ou aguardado uma mudança na liderança do Dicastério para a Doutrina da Fé.

A Fraternidade realmente tentou todas as vias possíveis antes de chegar a essa decisão?

Por que o senhor considera que era o momento oportuno para sagrar os novos bispos?

Padre Di Sorco — A Fraternidade decidiu prosseguir agora com as sagrações episcopais por uma razão eminentemente prática. 

Na Fraternidade, restavam apenas dois bispos em atividade. Esses dois bispos estão envelhecendo e enfrentavam dificuldades para atender a todas as necessidades dos fiéis e dos sacerdotes. Continuar lendo →

O CÉU É UMA DÁDIVA, NUNCA UM DIREITO

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta quarta parte relembra que o homem, criado à imagem de Deus, é chamado gratuitamente a um destino sobrenatural que ultrapassa as forças de sua natureza. Ela reafirma que somente a graça eleva o homem até Deus e rejeita as doutrinas que reduzem a fé a um mero humanismo.

III – A criação do homem e a ordem sobrenatural da graça

23 – Creio que Deus criou o homem à sua imagem, provido de uma alma espiritual e imortal, capaz de conhecer a verdade, de amar o bem conhecido pela razão natural, e de se voltar livremente para o seu Criador. O homem, portanto, não é o produto necessário de uma evolução cega, nem o mero resultado de forças materiais; vem de Deus como de sua causa criadora, depende de Deus, que o mantém no ser, e está ordenado a Deus como ao seu fim.

24 – Professo que Deus não destinou o homem à sua perfeição meramente natural, senão que o chamou gratuitamente a um fim sobrenatural que ultrapassa absolutamente as forças e os direitos da natureza criada: a visão beatífica, na qual o homem verá Deus face a face e participará da vida íntima da Santíssima Trindade. Que o homem seja chamado a tornar-se filho de Deus, partícipe da natureza divina e herdeiro do Céu, não é a consumação necessária da sua natureza, mas um puro efeito da liberalidade divina. Continuar lendo →

CRISE DE AUTORIDADE: QUANDO UM ÓDIO INCONSCIENTE PARALISA A AUTORIDADE

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

Nenhuma sociedade humana pode subsistir sem autoridade. Eis uma verdade fundamental da ordem natural e política: a partir do momento que as pessoas se unem para formar uma comunidade, uma família, uma cidade ou mesmo a Igreja, a existência de um princípio de ordem e direção torna-se absolutamente imprescindível. A autoridade é, portanto, o poder moral conferido a um superior para compelir seus inferiores a agirem em prol do bem comum da sociedade. Ela não pode ser concebida e não tem sentido senão no âmbito social. Sem uma orientação clara, sem uma direção firme em direção a esse bem comum para todo o corpo social, e sem a posse de uma força coercitiva legítima capaz de assumir e impor essa direção, a comunidade se dissolve imediatamente no caos da anarquia ou no choque de interesses particulares.

A origem divina e a natureza paternal do poder

As Sagradas Escrituras afirmam isso sem ambiguidade: toda autoridade vem de Deus. São Pedro ensina isso explicitamente aos primeiros fiéis: “Sêde, pois, submissos a toda a instituição humana, por amor de Deus: quer ao rei, como a soberano, quer aos governadores, como enviados por ele” (1 Pedro 2, 13-14). E quando a autoridade humana falha em sua missão suprema, os Apóstolos recordam simultaneamente sua origem e seus limites: ”Deve-se obedecer a Deus antes do que aos homens” (Atos 5, 29). Da mesma forma, diante do poder temporal personificado por Pôncio Pilatos, Nosso Senhor Jesus Cristo já havia declarado: “Tu não terias poder algum sobre mim, se te não fosse dado do alto.” (João 19, 11). Portanto, se toda autoridade vem de Deus, então ela não deriva seu princípio fundamental de um contrato social arbitrário ou da mera vontade da maioria. Continuar lendo →

CEGUEIRAS E VELHACARIAS

What US adults think about Pope Leo XIV, according to a new ...

“As almas encontram-se enfermas de uma terrível Doença: a fadiga e o horror à verdade” (Louis Veuillot)

por Tomás Ignacio González Pondal 

O site Religión en Libertad — bem ganho pelo progressismo — publica a seguinte notícia: “Histórico primeiro encontro entre o Vaticano e o confucionismo para construir uma sociedade ideal”. Acrescenta-se que foi “organizado pelo Dicastério para o Diálogo Inter-religioso” presidido pelo “cardeal George Jacob Koovakad”, e que os move o “falar e escutar, dar e receber, crescimento e enriquecimento mútuos”. E algo mais nos é dito: “Junto ao dicastério vaticano, neste histórico encontro participam a conferência episcopal da Coreia e a Academia Confuciana Coreana, e fazem-no em torno do tema ‘Novo Céu, Nova Terra e Datong [Grande Harmonia, Grande Unidade]: o diálogo cristão-confuciano para construir uma sociedade ideal’”. Pois bem, nos dias 4 e 5 de agosto de 2026, dentro de poucos dias apenas, a política vaticana modernista agora nas mãos do Papa Leão XIV mostrará ao rebanho católico este novo circo com o confucionismo; mais anticatolicismo servido a milhões de pessoas, e ainda há quem diga que não há estado de necessidade geral.

No dia 31 de julho o Papa Leão XIV recebeu a roqueira Patti Smith, «a madrinha do punk». Segundo as notícias, a punk rock foi “criada como filha de uma testemunha de Jeová e recebeu uma forte educação religiosa, que abandonou na adolescência por achá-la demasiado restritiva. A este respeito, Smith escreveu anos depois, na estrofe inicial da sua versão de uma canção dos Them, «Gloria», que «Jesus morreu pelos pecados de alguém, mas não pelos meus», e isso em resposta a essa experiência” (https://es.wikipedia.org/wiki/Patti_Smith). Patti Smith é favorável à manobra assassina chamada aborto e favorável ao orgulho LGBT (muitas das suas letras dão conta disso). Já conhecemos os encontros do Papa Francisco com personagens semelhantes, por exemplo com o ex-presidente Biden. Quando se invocam estes casos, a pastelaria progressista sai a dizer que “Jesus reuniu-se com pecadores”. Mas um “nada a ver” fica-me curto. Porque nos encontros de agora não há admoestações contra os pecados; observa-se antes uma espécie de simpatia e quase uma premiação de itinerários mundanos. Continuar lendo →

O ESTADO DE NECESSIDADE INVOCADO PELA FSSPX É REAL?

Em uma entrevista concedida ao Distrito da Itália da Fraternidade São Pio X e publicada em 14 de agosto de 2026, o padre Daniele Di Sorco explica por que os erros decorrentes do Concílio Vaticano II não podem ser combatidos por meras críticas e como a atual crise da Igreja gera um verdadeiro estado de necessidade espiritual.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

FSSPX Itália — O que o senhor responderia aos católicos que reconhecem o caráter problemático desses episódios (oração inter-religiosa em Assis, beijo no Alcorão por João Paulo II, cerimônia da Pachamama no Vaticano e recepção a Sarah Mullaly), mas consideram a reação da Fraternidade São Pio X excessiva ou injustificada?

Padre di Sorco — Existem, de fato, católicos chamados de conservadores e que se opõem a esses excessos.

Por exemplo, católicos que não aceitam a legitimação da homossexualidade, que não aceitam a comunhão a pessoas divorciadas e recasadas, que ficam profundamente perplexos diante de documentos como o de Abu Dhabi, onde se afirma que todas as religiões são fruto da vontade de Deus, que constituem uma riqueza desejada por Deus.

O problema é que esses conservadores param por aí.

Eles rejeitam, digamos, a segunda fase do modernismo, mas aceitam a primeira. Não compreendem que esses desenvolvimentos na esfera moral ou dogmática nada mais são do que as consequências lógicas dos erros do Concílio Vaticano II. Continuar lendo →

EM ASSIS: FALSOS CULTOS ADMITIDOS NAS IGREJAS, FSSPX EXCLUÍDA

No domingo, 6 de setembro de 2026, os sacerdotes e fiéis da Fraternidade São Pio X que estavam concluindo sua Peregrinação anual a Assis com o canto do Credo na Basílica de São Francisco, tiveram o acesso ao edifício negado enquanto comunidade. Dom Gabriele d’Avino, Superior do Distrito da Itália, proferiu uma exortação no adro da igreja antes que os peregrinos cantassem o Credo publicamente.

Exortação de Dom Gabriele d’Avino

Antes de lhes dar a bênção final, fazer os últimos comunicados e, em seguida, nos despedirmos ao final desta belíssima edição de nossa Peregrinação anual de Bevagna a Assis, gostaria de dedicar mais um minuto a uma consideração final, a fim de chamar a atenção de vocês para o significado do que realizamos.

Essa peregrinação a pé foi árdua, e o sol não colaborou muito. Mas o Senhor nos deu a graça e a força para podermos dar testemunho público da nossa fé.

Por que testemuhar publicamente essa fé? Recorrerei a uma passagem do apóstolo São Paulo que, em sua segunda epístola aos Coríntios, coloca esta pergunta retórica: “Que harmonia pode haver entre a luz e as trevas? Que harmonia pode haver entre Cristo e Belial?” — Belial sendo um nome dado ao demônio. Continuar lendo →

REDEFINIR O CISMA PARA INCLUIR A FSSPX?

Em entrevista concedida ao Distrito Italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 11 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco aborda a acusação de cisma feita contra a FSSPX e explica a distinção entre desobediência a um ato específico de autoridade e recusa da própria autoridade.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

FSSPX Itália — A plena comunhão com a Igreja Católica é tradicionalmente descrita por meio de três vínculos fundamentais: a profissão da mesma fé, a comunhão nos sacramentos e a comunhão no governo da Igreja, ou seja, com o Papa e os bispos em comunhão com ele.

A Fraternidade São Pio X é frequentemente acusada de se encontrar em situação de cisma porque, ao sagrar bispos sem mandato pontifício, teria rejeitado a autoridade do Papa, rompendo assim um desses três laços.

Mas será realmente correto equiparar a desobediência a um ato específico da autoridade à recusa da própria autoridade? Do ponto de vista teológico e canônico, como a Fraternidade explica sua posição? Continuar lendo →

PEQUIM ESCOLHE BISPOS COMUNISTAS…E ROMA APROVA

A rendição do catolicismo ao maoísmo.

Pequim escolheu um novo bispo católico, que promoveu a ideologia comunista, participou da “reeducação” política maoísta e negou relatos de perseguição contra católicos em sua própria diocese. Roma o aprovou mesmo assim. A sagração de Paulo Liu Honggang, argumenta Gaetano Masciullo, é um exemplo chocante do que o acordo sino-vaticano produziu: o regime comunista escolhe e Roma apenas concorda.

Fonte: The Remnant – Tradução: Dominus Est

A farsa diplomática da Ostpolitik do Vaticano atingiu um novo e desolador ápice. Em 31 de agosto passado , Paul Liu Honggang foi sagrado bispo de Datong. A nomeação havia sido formalizada pelo Papa Leão XIV em 10 de agosto, meses depois de a Associação Patriótica Católica Chinesa tê-lo “eleito” unilateralmente em 28 de abril. Como já é prática comum: Pequim escolhe, Roma ratifica e consagra.

A figura de Liu Honggang personifica perfeitamente o drama da “sinização” do catolicismo: um processo que não explica a fé à cultura local, como gostariam de fazer crer os defensores do mecanismo sino-vaticano criado sob a direção de Bergoglio e Parolin nos últimos anos, mas subordina a doutrina do Evangelho à ideologia marxista.

O bispo que qualificou as denúncias de perseguição como “inventadas”.

O currículo do novo bispo de Datong fala por si só. Em outubro de 2018, Liu liderou pessoalmente cerimônias de hasteamento da bandeira para promover os “valores socialistas fundamentais”. Quando, em novembro de 2018, oito fiéis de sua diocese assinaram e publicaram na AsiaNews uma carta desesperada, denunciando a destruição de uma cruz, de uma igreja e a apreensão de Bíblias, Liu não agiu como um pastor, mas se tornou um negador da perseguição, publicando uma carta na qual as acusações feitas por seus próprios fiéis foram descartadas como invenções. Continuar lendo →

DOM SCHNEIDER SUPLICA QUE ROMA RECONHEÇA OS NOVOS BISPOS DA FSSPX

Em uma entrevista concedida ao jornalista Niwa Limbu para o AdVaticanum, em 2 de setembro de 2026, Dom Athanasius Schneider explica porque ele continua a defender a Fraternidade São Pio X apesar das sanções que se seguiram às sagrações episcopais de 1° de julho. Ele também aborda as ambiguidades do Vaticano II, as exigências impostas à Fraternidade e a reforma litúrgica, respondendo à recente catequese de Leão XIV, que não corresponde “nem à realidade nem à história”.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Santo Atanásio e a desobediência a uma ordem papal

Dom Schneider começa esclarecendo a dimensão da comparação que ele fizera entre a situação atual da Fraternidade e a de Santo Atanásio, sob o papa Libério. De forma alguma ele pretende que o bispo de Alexandria tenha realizado sagrações episcopais sem mandato pontifício: “Nenhuma comparação é exata em 100%. Em situações históricas difíceis, ela serve mais como ilustração. Naturalmente, não comparei o caso de Atanásio ao das sagrações em si. Seria errôneo.”

Tal afirmação seria, além do mais, anacrônica, porque o mandato pontifício não era então requerido na sua forma atual para as sagrações episcopais. O ponto comum reside em outro lugar: em ambas as situações, uma ordem concreta do Papa foi recusada para não comprometer a integridade da fé.

Santo Atanásio tinha recebido do papa Libério a ordem de estabelecer a comunhão eclesiástica com certos bispos hereges ou semi-hereges do Oriente. Essencialmente, dizia-lhe: “Eu, o Papa, estou em comunhão com estes bispos. Como vós, Atanásio, podeis recusar a comunhão com um grupo de bispos com os quais eu mesmo, enquanto Papa, estou em comunhão?” Ele se recusa a obedecer e prossegue, apesar da excomunhão pronunciada contra ele, o governo da sua diocese e da sua província eclesiástica. Continuar lendo →

UM NOVO DOCUMENTO APROVADO POR LEÃO XIV: BUDA COMPARADO A SÃO FRANCISCO, EVOLUCIONISMO E PALAVRAS ALEATÓRIAS SOBRE O VEGETARIANISMO. ENFIM, NADA DE SURPREENDENTE

Nuovo documento approvato da Leone XIV: Buddha paragonato a San Francesco, evoluzionismo e parole in libertà sul vegetarianesimo. Insomma, tutto da programma.

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

Trata-se de um emaranhado interminável de palavras, por vezes ilegível, devido à sua prolixidade e falta de conclusões. Mas, sobretudo, devido aos seus erros contidos. Estamos falando do documento “Cuidando da Nossa Casa Comum”: Uma Resposta Responsável e Fraternal ao Deus Trinitário, cujo título por si só já causa certa apreensão.

Aprovado por Leão XIV, trata-se de mais uma confirmação, desnecessária, da plena continuidade com as heterodoxias vaticanosegundistas em geral e bergoglianas em particular. Vejamos rapidamente três observações: Continuar lendo →

LEÃO XIV RECEBEU OS LUTERANOS NORUEGUESES

Após receber Sarah Mullally como Arcebispa Anglicana de Canterbury, Leão XIV acolheu os bispos luteranos da Noruega e os convidou a construir a comunhão sobre o fundamento de um “batismo comum” e uma “missão compartilhada”.

Fonte: DICI – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio

Em 26 de agosto de 2026, Leão XIV recebeu no Vaticano uma delegação de onze bispos da “Igreja da Noruega”, a denominação luterana oficial do país. Vários membros dessa delegação eram mulheres. Esses títulos de “bispo”, usados sem reservas pela própria Santa Sé, não designam, contudo, um episcopado ou sacerdócio sacramentalmente válido.

Essa invalidade remonta ao estabelecimento da Reforma no Reino da Dinamarca-Noruega em 1536-1537. Após a deposição dos bispos católicos, o reformador Johannes Bugenhagen instalou os primeiros sete “superintendentes” luteranos das dioceses dinamarquesas em 2 de setembro de 1537. Bugenhagen havia recebido a ordenação sacerdotal católica em 1509, antes de sua conversão a Lutero, mas nunca fora consagrado bispo. Portanto, não podia transmitir a autoridade episcopal que não possuía. A sucessão apostólica foi, assim, interrompida desde o início dessa nova hierarquia.

Essa ruptura material foi agravada pelo abandono da doutrina católica do sacerdócio sacrificial e pela alteração do rito e da intenção necessários para a validade do sacramento da Ordem. Quanto às mulheres agora apresentadas como “bispas”, elas são, em todo caso, fundamentalmente incapazes de receber validamente a ordenação. Continuar lendo →

A FÉ EM DEUS NÃO SE LIMITA À SUA UNIDADE

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Essa terceira parte relembra que Deus é o Criador de todas as coisas, que Ele pode ser conhecido pela razão humana e que Se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo. Ela reafirma que o mistério da Santíssima Trindade deve ser professado integralmente, sem omissões nem atenuações.

II – Deus, princípio e fim de todas as coisas, Santíssima Trindade

18 – Professo a existência de um Deus único, pessoal, vivo e verdadeiro, princípio primeiro e fim último de todas as coisas, que no começo criou a partir do nada o céu e a terra, as coisas visíveis e invisíveis. Infinitamente perfeito, eterno e onipotente, imutável, incompreensível na sua essência e soberanamente livre nas suas obras, Ele é distinto do mundo que criou livremente, que conserva na existência e que governa por meio de sua Providência.

19 – Professo que Deus pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão a partir das suas criaturas, como a causa é conhecida pelos seus efeitos. A fé católica reconhece, de fato, que a inteligência humana é capaz de atingir verdadeiramente a realidade das coisas, de conhecer frequentemente as suas causas e de chegar a verdadeiras certezas. Continuar lendo →

UMA PEREGRINAÇÃO ISLÂMICO-CRISTÃ A LOURDES

Poucos meses antes de proibir a Fraternidade São Pio X de celebrar missas, administrar os sacramentos e realizar quaisquer orações públicas no Santuário, Lourdes recebeu uma peregrinação islâmico-cristã na presença de D. Jean-Marc Micas. Durante quatro dias, cristãos e muçulmanos foram convidados a rezar e meditar em torno de uma suposta imagem comum de Maria.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

De 18 a 21 de outubro de 2025, cerca de 100 cristãos e muçulmanos de toda a França reuniram-se em Lourdes para a primeira edição da peregrinação “Juntos com Maria”. O evento foi organizado pela associação de mesmo nome com várias entidades.

O site oficial do Santuário anunciou uma “experiência de oração, partilha, meditação e convívio”, na presença de D. Jean-Marc Micas, bispo de Tarbes e Lourdes. O objetivo declarado era permitir que os participantes “refletissem, recarregassem suas energias, partilhassem, se conhecessem melhor e avançassem juntos em um caminho de esperança”.

Uma cerimônia na capela de Nossa Senhora

Os participantes foram acolhidos na Cité Saint-Pierre, uma instalação dos Serviços Católicos de Assistência em Lourdes. Durante três dias, sucederam-se ensinamentos, discussões em pequenos grupos e momentos de oração. Entre os palestrantes estavam o Padre Jean-François Bour, um frade dominicano do Serviço Nacional para as Relações com os Muçulmanos, Tareq Oubrou, o Grande Imã de Bordeaux, bem como Georges Jousse e Hamid Demmou. Continuar lendo →

A FSSPX PRATICA UM “LIVRE EXAME” DA TRADIÇÃO?

Em uma entrevista concedida ao Distrito da Itália da Fraternidade São Pio X, e publicada em 11 de agosto de 2026, o padre Daniele Di Sorco responde à acusação de “livre exame” frequentemente dirigida à FSSPX, e explica porque ela considera que pode recusar determinados ensinamentos do Vaticano II em nome do magistério anterior da Igreja.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

FSSPX Itália – A Fraternidade Sacerdotal São Pio X nasceu, sem que isso constituisse a sua única razão de ser, como reação a certas doutrinas e orientações pastorais que surgiram com ou após o Concílio Vaticano II, consideradas em ruptura com o magistério anterior da Igreja.

As questões evocadas com maior frequência dizem respeito à liberdade religiosa, ao ecumenismo, à colegialidade episcopal – cuja sinodalidade constitui hoje um desenvolvimento suplementar – e a reforma litúrgica. De acordo com a Fraternidade, esses elementos não seriam conciliáveis com o ensinamento perene da Igreja. Logo, a questão envolve diretamente o primeiro dos três vínculos da comunhão eclesial: a profissão da mesma fé.

Se tal é o diagnóstico, é necessário, todavia, se perguntar sobre as consequências teológicas e eclesiológicas. Como é possível afirmar que se permanece em plena comunhão eclesial quando, ao mesmo tempo, se considera que uma parte da hierarquia da Igreja ensina ou promove doutrinas incompatíveis com o magistério anterior? Continuar lendo →

QUE “COMUNHÃO”? – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

Na festa de São Pedro e São Paulo, o Papa evocou as chaves como símbolo da unidade da Igreja.

Fonte: La Porte Latine – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio

Nosso Santo Padre o Papa Leão XIV, Vigário de Jesus Cristo e Chefe supremo de toda a Igreja universal, celebrou no dia 29 de junho passado, na presença dos cardeais reunidos em Roma por ocasião do Consistório, a missa da festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo. Foi nessa celebração que o Papa impôs o pálio aos novos arcebispos metropolitanos.

Na homilia que proferiu nesse dia, Leão XIV insistiu na “solicitude fiel e paciente pela unidade” que cabe ao sucessor de Pedro e que é “muito bem expressa pelo símbolo das chaves, com o qual frequentemente o identificamos (cf. Mt 16, 19)”. E desenvolveu assim a descrição da metáfora: “Uma chave, com efeito, não derruba as portas, mas as abre e depois as fecha, procurando em seu interior as alavancas certas e acompanhando seus movimentos, para que os bloqueios se desfaçam, as fechaduras deslizem e as portas girem livremente sobre seus gonzos, unindo assim os espaços e fazendo dos numerosos cômodos isolados uma única e mesma casa acolhedora”.

Como se deve, portanto, compreender, à luz dessa metáfora, a definição da unidade e da comunhão na Igreja? “Do mesmo modo”, explica Leão XIV, “a comunhão na Igreja não se constrói fixando-se nas próprias posições, mas buscando, no coração de cada um, os pontos de encontro na Verdade, à única luz da qual cada um se torna, para o outro, instrumento de crescimento”. E é aqui que surge a questão fundamental: de que “Verdade” se trata? O bispo de Bourges, Dom Sylvain Bataille, fez recentemente eco a essa reflexão do Papa quando, posicionando-se, em um comunicado datado de 13 de julho passado, a respeito das sagrações realizadas pela Fraternidade São Pio X, o recente sucessor de Dom Jérôme Beau declara: “Não sonhemos com uma unidade de compromisso, fundada na ambiguidade” [1]. Continuar lendo →

BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – SETEMBRO/26

São Pio X e Inspetoria Salesiana do Sul do Brasil

Caros fiéis, 

Neste mês de nosso padroeiro, São Pio X, convém trazer à tona a célebre frase que ele pronunciou com profunda tristeza, mas irredutível firmeza, quando, em 9 de dezembro de 1905, a Terceira República Francesa aprovou a Lei de Separação da Igreja e do Estado. Dirigindo-se ao episcopado na Encíclica Gravissimo Officii Munere (10 de agosto de 1906), declarou o Papa: Queridos bispos da França, “prefiro uma Igreja pobre, mas livre.” Ou seja, uma Igreja independente do mundo e com mais razão, independente do espírito do mundo. 

Poderíamos nos perguntar por que este santo Pontífice assim procedeu com o país considerado a “Fille aînée de l’Église”— a nação mais rica em catedrais barrocas, mosteiros românicos e conventos. A resposta é simples: “A verdade vos libertará” (Jo 8, 32). Trata-se da liberdade própria daquele que fala com autoridade e simplicidade, movido por uma convicção inabalável, pois a Verdade é simples, perfeita, infinita, imutável, eterna e única. A Verdade é o próprio Deus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6). 

Na Teologia Moral, um famoso axioma prescreve: Bonum ex integra causa, malum ex quocumque defectu (“Para que uma coisa seja boa, deve sê-lo em toda a sua integridade; para que seja má, basta-lhe um único defeito”). Continuar lendo →

O DEPÓSITO DA FÉ NÃO SE ALTERA

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de fé católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta segunda parte relembra que a fé católica não é fruto de uma evolução nem de uma experiência religiosa, mas da adesão à Revelação divina confiada de uma vez por todas à Igreja, que a transmite fielmente por meio da Sagrada Escritura e da Tradição.

I -A Revelação divina, a fé e a Tradição

7 – Creio que Deus, na sua bondade, chamou o homem, pelo dom da graça, a alcançar a visão beatífica. Sustento firmemente e professo que essa exaltação do homem ultrapassa as forças e as exigências da natureza humana, e que é um dom gratuito de Deus, ou seja, um dom sobrenatural.

8 – Creio que Deus não deixou o homem entregue às suas meras forças naturais, mas lhe revelou os mistérios de sua vida divina e do destino sobrenatural a que o chama. Foi por isso que, depois de ter falado outrora aos profetas na Antiga Aliança, falou definitivamente, por meio do seu único Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, na Nova Aliança, com a qual a Revelação divina se completou perfeitamente.

9 – Essa Revelação é a palavra veraz de Deus, confiada à Igreja como um depósito, e proposta aos homens como regra de fé na forma de um corpo de doutrina, onde os mistérios são formulados de uma maneira que os torna inteligíveis e exprimíveis em palavras. A Revelação não é a expressão progressiva de uma consciência religiosa, nem o fruto de uma experiência coletiva da comunidade dos crentes; é a verdade mesma de Deus comunicando-se de modo sobrenatural à inteligência dos homens para a sua salvação. Continuar lendo →

NÃO HÁ UNIDADE NA AMBIGUIDADE

Em Bourges (como em vários locais do mundo), nada de ecumenismo para os inimigos do ecumenismo.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Ao explicar aos fiéis de sua diocese o alcance das sagrações de 1º de julho, Dom Sylvain Bataille, arcebispo de Bourges, insistiu: “Não sonhemos com uma unidade de compromisso, fundada na ambiguidade“. A isso, só podemos concordar.

No entanto, na véspera de sua nomeação como Arcebispo de Bourges, em 15 de outubro de 2025, um encontro ecumênico organizado pela diocese foi realizado em sua sede episcopal com o tema: “Descobrindo Formas de Orar… com Lutero e Calvino”. Após apresentações sobre Martinho Lutero e John Calvino — uma delas feita pelo presidente da Igreja Reformada de Bourges — seguiu-se uma discussão, e depois uma oração em comum. Durante a discussão sobre a doutrina dos sacramentos, um padre católico presente insistiu no respeito tanto pela teologia protestante quanto pela católica, já que ambas evoluíram: “Em certo momento, tínhamos 12 sacramentos… Nós também evoluímos!”. Nenhuma explicação foi dada para essa afirmação. Tampouco foi mencionada a questão de que a doutrina católica expressa a verdade revelada, enquanto o protestantismo a contradiz. A cortesia ecumênica exige isso.

Deveríamos considerar isso apenas um deslize ocasional, levando em conta que uma conversa informal pode conter imprecisões, ou  até mesmo descuidos? Continuar lendo →