BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – ABRIL/26

O discípulo continua a missão do Mestre (Jo 20,19-23)

Caros fieís,

No mundo, a palavra “tradição” não tem uma conotação negativa. Pelo contrário, transmite uma imagem positiva e conota qualidade. Ao chegar em Indaiatuba, antes de virar na rua onde será construída a Igreja da Imaculada Conceição, um anúncio de um novo loteamento traz o título bastante apropriado: “A tradiçao encontra um novo capítulo”. No vídeo promocional do projeto, um orador argumenta: “Valorizar a história… raízes profundas… recebendo o novo sem perder a essência”. Ele compreende o conceito de tradição: receber, valorizar e transmitir.

Mas, na Igreja, por que é tão difícil falar sobre tradição(ões) hoje em dia? Vamos arriscar uma explicação baseada na preservação do patrimônio. Essa palavra (derivada do latim patrimonium) originalmente se referia a todos os bens e direitos herdados do pai (pater). Hoje em dia, adquiriu o significado mais geral de “propriedade transmitida a uma pessoa ou comunidade por gerações anteriores”. E quanto ao patrimônio religioso?

No início do ano, um padre diocesano de Minas Gerais me contou que tinha uns 15 anos quando o velho pároco de sua paróquia faleceu. Isso foi na década de 1980. O novo padre havia empilhado todas as vestes litúrgicas em uma propriedade rural para serem queimadas. Ele dirigiu um trator até a nave da igreja, arrancou o piso e removeu todos os corpos enterrados para fazer uma laje de concreto. Continuar lendo

19 DE MARÇO – FESTA DE SÃO JOSÉ

Novena de São José: receba as bençãos do santo

Alguns excelentes posts sobre São José:

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PECADO POR OMISSÃO

Concílio Vaticano II e as fontes da Revelação

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Lido nos meandros do caminho sinodal alemão:

“Essa diferença de status [entre clero e leigos], à qual estão atribuídos diferentes direitos e deveres, ainda hoje marca o direito eclesiástico e a liturgia. No entanto, ela não é bíblica. O clericalismo tem suas raízes na ênfase dada a essa diferença de status (1).”

Aparentemente, a mera ausência de qualquer menção nas Sagradas Escrituras é suficiente para invalidar a distinção entre clero e leigos. No entanto, é sabido que muitos elementos da doutrina católica não se encontram na Bíblia: a Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, a sua Imaculada Conceição, o próprio cânone das Escrituras, etc. “Há muitas coisas“, diz Santo Agostinho, “que a Igreja universal preserva e que, portanto, temos razão em crer que foram ordenadas pelos Apóstolos, apesar da ausência de textos escritos(2)”.

Devemos encarar essa insinuação tendenciosa do sínodo alemão como uma especialidade dos progressistas mais radicais? Na verdade, não, eles podem basear seu argumento em uma polêmica anterior ao Concílio Vaticano II, que se traduziu em um desses textos de compromisso nos quais o Concílio se especializou, nos quais ele se destaca por não dizer as coisas diretamente Continuar lendo

TEM PIEDADE DE MIM, Ó DEUS, SEGUNDO A VOSSA MISERICÓRDIA

Devemos aceitar que só na misericórdia de Deus e no seu amor encontraremos apoio, confiança e despreocupações. Essa é a maravilhosa surpresa que cada uma de nossas confissões nos reserva.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Por que nossas confissões frequentemente se assemelham a monólogos, nos quais o acusador apresenta ao confessor uma série de faltas de importância e significado tão diversos? Esse amontoado indistinto revela uma consciência que não estabelece uma hierarquia entre as faltas.

A confissão não é uma formalidade que se cumpre por hábito ou obrigação. Quando nos aproximamos do confessionário, devemos ter a intenção de ser perdoado e de receber o perdão de Cristo pela virtude de seu sangue. Este sacramento que Nosso Senhor instituiu para nos perdoar é um ato profundamente humano. Graças a ele, Deus suscita e aperfeiçoa interiormente, no coração do pecador, atos de fé viva, de arrependimento e de reparação, e isso no momento mesmo em que pede ao pecador que expresse exteriormente suas disposições através da confissão de seus pecados. Continuar lendo

VIVER NA PRESENÇA DE DEUS

“Não queirais pois andar (demasiadamente) inquietos pelo dia de amanhã. Porque o dia de amanhã cuidará de si; a cada dia basta o seu cuidado.(Mt 6, 34)

Fonte:  Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

Estas palavras são bem conhecidas. O que é menos conhecido é que elas são de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, infelizmente, não são as mais bem compreendidas. Seria essa uma sentença da filosofia epicurista ou, pelo contrário, de uma máxima do Evangelho? Será que Jesus pretende incitar seus discípulos a uma vida despreocupada? Será que ele se esquece da necessidade de um mínimo de prevenção? O paradoxo é reforçado quando sabemos que é o mesmo Deus que nos ensina a agir com sabedoria e a organizar nossas vidas para não sermos pegos desprevenidos: “Por isso estai vós também preparados, porque não sabeis a que hora virá o Filho do homem.” (Mt 24, 44). Por um lado, Cristo condena a preocupação e a ansiedade estéreis que nos paralisam. Por outro, ele nos encoraja à prudência e à vigilância para viver sob o olhar de Deus. Então, devemos viver na despreocupação do momento presente ou devemos viver em vigilância constante?

Viver no presente de Deus

A verdadeira vida está no presente. É por isso que devemos viver um dia de cada vez, como Nosso Senhor nos recomenda. Continuar lendo

SEM ILUSÕES E NEM DISPERSÕES: COMO VIVER NA PRESENÇA DE DEUS

Viver o momento presente é o que o Bom Deus pede aos seus filhos, porque é a forma privilegiada de comungar com a presença eterna d’Ele.

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

Uma disposição fundamental: receber

O momento presente é um instante no tempo. Mas o tempo nos é dado, não de uma só vez, mas gota a gota, a cada instante. Como, então, podemos viver o momento presente enquanto pensamos em Deus?

Antes de tudo, recebendo-o como um dom de Deus. Devemos, portanto, acolhê-lo, recebê-lo como um dom e desejar serenamente a ação que lhe está associado, sem sermos passivos, sem sofrermos nossa vida. Nossa alma poderá então oferecer mais facilmente a Deus as ações que realizamos, por meio de um ato voluntário de caridade. Ela deve primeiro ser receptiva, antes de se lançar em múltiplas atividades. Se nossa mente está ocupada com muitas outras coisas — julgamentos, murmurações, modos de pensar mais ou menos deficientes, etc. — ela não pode estar na atitude de quem recebe, de quem acolhe. A constante fixação no passado, a recusa em desapegar-se de certas coisas, as intermináveis projeções para o futuro, o medo do que pode acontecer nele — tudo isso esgota a pessoa. O Bom Deus nos dá a vida no presente, não para nos esgotar. Devemos, portanto, saber acolher este momento presente com humildade e gratidão. Continuar lendo

PRINCIPAIS MANIFESTAÇÕES DA MISERICÓRDIA DE MARIA SANTÍSSIMA

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Pe. Garrigou Lagrange

Maria é a Mãe de Misericórdia na medida em que é “a saúde dos enfermos, o refúgio dos pecadores, a consoladora dos aflitos, o auxílio dos cristãos”. Essa gradação de títulos que aparece nas litanias é belíssima; mostra que Maria exerce sua misericórdia sobre aqueles que sofrem no corpo, para curar sua alma, e que em seguida os consola em suas aflições e os fortalece em meio a todas as dificuldades que devem suportar. Nenhuma criatura é mais elevada que Maria, e ainda assim nenhuma é mais acessível, mais experiente e mais doce para nos reanimar (1).

Saúde dos enfermos

Maria é a saúde dos enfermos pelas inumeráveis curas providenciais ou mesmo verdadeiramente milagrosas obtidas por sua intercessão nos vários santuários da cristandade ao longo dos séculos e em nossos dias. O número incalculável dessas curas é tal que se pode dizer que Maria é um mar insondável de curas miraculosas. Mas só cura os corpos para levar o remédio às enfermidades da alma.

Ela cura, sobretudo, as quatro feridas espirituais, que são as consequências do pecado original e de nossos pecados pessoais: a ferida da concupiscência, da fraqueza, da ignorância e da maldade(2).

Maria cura da concupiscência ou da cobiça, que se radica na sensibilidade, mitigando o ardor das paixões e aniquilando os hábitos imorais; ela faz com que o homem comece a querer fortemente o bem para rejeitar os maus desejos e permanecer também insensível à embriaguez das honras ou ao atrativo das riquezas. Cura assim a “concupiscência da carne e a dos olhos”.

Remedia também as feridas da fraqueza, que é a debilidade da busca pelo bem, a preguiça espiritual. Maria dá à vontade a constância para aplicar-se à virtude e desprezar os atrativos do mundo lançando-se nos braços de Deus. Ela fortalece os que vacilam e reanima os caídos. Continuar lendo