PADRE DE BLIGNIÈRES E A UNIDADE DA IGREJA – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE

A unidade da Igreja se baseia, em primeiro lugar, na fé, e não na obediência. Inverter esses princípios equivale a transformar a autoridade papal numa tirania.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Desde o anúncio das sagrações ocorrido no último dia 2 de fevereiro, o padre de Blignières ataca, com força redobrada, a Fraternidade São Pio X[1]. De acordo com ele, as sagrações episcopais de 1º de julho serão cismáticas e passíveis, como tais, da excomunhão latae sententiae. Ora, não o são, com toda a certeza, porque representam a medida excepcional à qual é legítimo recorrer em razão de um estado de necessidade bem óbvio para que ele precise ser demonstrado. Bem óbvio também para que seja possível demonstrar sua não existência.

Não obstante, de que meio o padre de Blignières se dota para concluir pelo cisma?

Duas estratégias lhe continuam viáveis. A primeira consiste em minimizar o estado de necessidade para concluir, daí, que ele não beira ao ponto de exigir a medida tão excepcional que as sagrações episcopais representam. A segunda consiste em invocar canonicamente o direito divino: ainda que o estado de necessidade exigisse a medida excepcional supramencionada, não deixaria de ser menos ilegítima e, portanto, impossível, porque consagrar bispos em contradição com a vontade do Papa seria contrário ao direito divino. Continuar lendo

25/03/2026 – 35 ANOS DO FALECIMENTO DE S.E.R. DOM MARCEL LEFEBVRE

Tempo da paixão

Tomando conhecimento da morte de sua irmã mais velha, Jeanne, Dom Lefebvre decidiu não ir ao seu funeral [ndr: por conta de seus problemas de saúde]: “Rezo todo dia para que eu possa morrer antes de perder minha consciência. Prefiro partir, pois se caísse em contradição, diriam: ‘Aí está; ele disse que errou!’ E eles tirariam vantagem disso”.Muitas vezes o Arcebispo mencionava a morte suave de sua irmã mais velha, chamada de volta à casa por Deus quando acabara de ir tirar um cochilo; ele gostaria de ter falecido assim, embora com a Extrema Unção. Mas Deus pediria ao padre e bispo Marcel Lefebvre que tomasse parte em Seus sofrimentos redentores.

Em 7 de março de 1991, festa de Santo Tomás de Aquino, o Arcebispo deu a seus amigos e benfeitores de Valais a tradicional conferência. Cheio de fé e eloqüência, concluiu com estas palavras: “Nós as teremos!”. E no dia seguinte, às 11 da manhã, celebrou o que seria sua última Missa na terra. Mas tamanhas eram sua dor de estomago e fadiga que realmente pensou que não poderia terminá-la. Apesar disso, partiu de carro para Paris, a fim de assistir ao encontro dos fundadores religiosos nos “Círculos da Tradição”:  “É algo muito importante”, disse, “e está dentro do meu coração”.

Hospitalização, operação

Ele sequer passou de Bourg-en-Bresse; por volta das 4 da manhã, acordou seu motorista, Rémy Bourgeat: “Não estou bem”, disse, “vamos voltar para a Suíça”. E a seu pedido, ingressou no hospital em emergência na manhã de 9 de março. O direitor do hospital em Martigny, Sr. Jo Grenon, era um amigo de Ecône. O Arcebispo foi acolhido na ala operatória no quarto 213. Atrás das montanhas que cercam a cidade estava Forclaz, e França, e não muito distante o Grande Passo de São Bernardo, Itália, e Roma.

O Arcebispo estava confiante, mas sofria: “É como um fogo queimando meu estômago e subindo até meu peito”.

Padre Simoulin deu-lhe a Sagrada Comunhão, que receberia até a sua operação: Ele o agradeceu: “Fiz o senhor perder as vésperas… mas o senhor fez uma obra de caridade. Trouxe para mim o melhor Médico. Nenhum deles pode me dar mais do que o senhor deu”.

Admirava o Crucifixo, que fora trazido para o altar temporário em seu quarto: “Ele ajuda a suportar os sofrimentos”. Continuar lendo

BISPOS DEVEM GARANTIR A VIDA CRISTÃ

As sagrações episcopais de 1988 por Lefebvre não criaram um cisma?

Infelizmente, é preciso reconhecer que a vida da Igreja atravessa uma grave crise, apesar do zelo sincero de muitos clérigos em exercer seu ministério da melhor maneira possível. A FSSPX assegura aos fiéis que a desejam o alicerce estável para uma vida cristã integral a que têm direito e com o qual, infelizmente, não podem, a priori, confiar em suas paróquias. Este apostolado exige um ministério episcopal.

Fonte: Le Saint-Vincent nº 41 – Tradução: Dominus Est

O direito dos fiéis aos bens espirituais

O Código de Direito Canônico promulgado em 1983 afirma, no que diz respeito aos direitos e deveres dos fiéis da Igreja, que eles “têm o direito de receber dos sagrados pastores o auxílio proveniente dos bens espirituais da Igreja, sobretudo da palavra de Deus e dos sacramentos” (213(1)).

Esse direito decorre das exigências da vida cristã, que compreende:

  • o culto divino (“adorar a Deus em espírito e em verdade”, Jo 4,23), em particular por meio do culto público, que é a liturgia;
  • a batalha espiritual para vencer o pecado dentro de si mesmo;
  • as obrigações do dever de estado (familiar – em particular, educacional – cívico e profissional);
  • e o zelo da caridade, através do exercício de obras de misericórdia e o empenho em imbuir a sociedade com um espírito cristão, na medida de suas possibilidades.

A vida do fiel católico desenrola-se normalmente dentro da estrutura disciplinar estabelecida pela hierarquia legítima; mas suas exigências são tais que o próprio direito canônico prevê casos de jurisdição de suplência para casos particulares previsíveis (2). Para todos os casos imprevisíveis, o Código de Direito Canônico limita-se a recordar, e esta é propositadamente a sua última palavra, que “a salvação das almas é a lei suprema na Igreja (3)”.

Os deveres correspondentes do clero

O clero tem, portanto, o dever de assegurar aos fiéis o ensino da doutrina católica integral, sem erros e sem ambiguidades, concernente aos mistérios da fé e à moral cristã, sobretudo nos domínios minados pelos erros contemporâneos. Esse ensino inclui também a preparação correta para a recepção dos sacramentos. Continuar lendo

OS ADORADORES DA PACHAMAMA CONTINUAM OFERECENDO SACRIFÍCIOS HUMANOS

The worshippers of Pachamama continue to perform human sacrifices.

Fonte: Infovaticana – Tradução: Dominus Est

Há anos, em ambientes ideológicos, midiáticos e inclusive eclesiásticos (veja aqui e aqui), tentou-se apresentar o culto à Pachamama como uma mera expressão folclórica, uma espiritualidade inofensiva vinculada à natureza ou uma forma poética de religiosidade indígena. Mas a realidade, quando se examina sem propaganda e sem covardia moral, é muito mais sinistra. Em pleno século XXI continuam aparecendo na Bolívia casos, testemunhos e investigações jornalísticas que vinculam esse culto com sacrifícios humanos reais. Não se trata de lendas coloniais ou de exageros apologéticos. São fatos publicados por meios de comunicação, recolhidos por jornalistas identificados e respaldados, em alguns casos em processos judiciais.

O caso mais brutal foi relatado pelo jornalista Ariel Melgar Cabrera em El Deber. Em sua reportagem, publicada no dia 15 de março de 2024, explica-se como a justiça de La Paz condenou dois homens pelo desaparecimento de Shirley H. R. A., uma jovem mãe de 25 anos, cujo desaparecimento se remontava a 2021. Segundo a Promotoria e a investigação policial, a mulher foi enganada, dopada, levada inconsciente e enterrada em uma mina do município de Palca como oferenda à Pachamama. Não estamos perante uma interpretação enviesada nem de uma leitura simbólica de um rito ancestral. O caso de acusação feito pela justiça boliviana foi exatamente esse: a vítima foi entregue como sacrifício. Continuar lendo

SURGEM FOTOS DE ROBERT PREVOST EM CULTO A PACHAMAMA

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Essa abominação é antiga, mas tem uma atualização também nisso: LEÃO XIV INAUGURA A MISSA BERGOLIANA PELO CUIDADO DA CRIAÇÃO

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O portal LifeSiteNews publicou, pela primeira vez, uma série de fotografias nas quais o atual Papa Leão XIV, então o agostiniano Robert Francis Prevost, aparece de joelhos participando em um rito da Pachamama durante um simpósio celebrado em São Paulo, em janeiro de 1995. As imagens vêm das atas oficiais do encontro, editadas em 1996 com o título Ecoteologia: uma perspectiva desde San Agustín.

A reportagem se apoia no trabalho do sacerdote Charles Murr, que prepara um livro sobre o atual Pontífice e afirma ter recompilado, durante meses, a documentação do caso. Segundo Murr, três sacerdotes argentinos identificaram sem margem de dúvida a Prevost na fotografia principal, na qual é visto ajoelhado com outros participantes no contexto do rito. Continuar lendo

“ONDE ESTÁ O CISMA?”, PELO PADRE JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

O cisma existe de fato. Mas não está onde alguns acreditam vê-lo.

Fonte: La Porte Latine – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio

O anúncio das sagrações episcopais, previstas para o próximo dia 1º de julho, não deixou ninguém indiferente. Especialmente porque a Carta endereçada em 18 de fevereiro passado ao Cardeal Fernández pelo Superior Geral da Fraternidade permaneceu, até agora, sem qualquer reação por parte de Roma. Diante deste silêncio de Roma, bispos se pronunciam: uns para censurar a iniciativa das sagrações, outros para justificá-la e defendê-la contra as censuras incorridas.

As declarações de Dom Schneider são agora bem conhecidas. Recebido em audiência em 18 de dezembro de 2025 pelo Papa Leão XIV, o bispo auxiliar de Astana já havia pleiteado a causa da Fraternidade São Pio X. Posteriormente, em uma entrevista concedida em 17 de fevereiro ao jornalista Robert Moynihan, Dom Schneider opôs-se firmemente às declarações feitas pelo Cardeal Fernández ao Superior Geral da Fraternidade São Pio X durante o encontro de 12 de fevereiro — declarações tornadas públicas, pelas quais o Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé pretendia impor à Fraternidade a retomada de um diálogo que já se previa sem saída, e que teria como único efeito tangível adiar sine die a data das sagrações episcopais, em grande detrimento da salvação das almas.

Em 24 de fevereiro, Dom Schneider tornou público um “Apelo fraterno dirigido ao Papa Leão XIV“: “A Santa Sé“, declara ele, “deveria estar grata à FSSPX, pois ela é atualmente quase a única entidade eclesiástica de relevo a sublinhar aberta e publicamente a existência de elementos ambíguos e incorretos em certas declarações do Concílio e no Novus Ordo Missae. Nesta empreitada, a FSSPX é guiada por um amor sincero à Igreja: se não amasse a Igreja, o Papa e as almas, não empreenderia este trabalho, nem dialogaria com as autoridades romanas — e sua vida seria, sem dúvida, mais fácil”. E concluiu que o Papa deveria conceder sem condições o mandato apostólico para as sagrações episcopais de 1º de julho de 2026. Por fim, em 9 de março passado, em uma longa entrevista concedida ao jornalista Andreas Wailzer no canal de YouTube Kontrapunkt, Dom Schneider afirma categoricamente que as sagrações episcopais não serão cismáticas, pois são a reação necessária e legítima exigida pela salvação das almas por parte da Fraternidade São Pio X. Continuar lendo

19 DE MARÇO – FESTA DE SÃO JOSÉ

Novena de São José: receba as bençãos do santo

Alguns excelentes posts sobre São José:

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Para acessar todos os posts publicados relacionados ao glorioso São José, clique aqui.

PECADO POR OMISSÃO

Concílio Vaticano II e as fontes da Revelação

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Lido nos meandros do caminho sinodal alemão:

“Essa diferença de status [entre clero e leigos], à qual estão atribuídos diferentes direitos e deveres, ainda hoje marca o direito eclesiástico e a liturgia. No entanto, ela não é bíblica. O clericalismo tem suas raízes na ênfase dada a essa diferença de status (1).”

Aparentemente, a mera ausência de qualquer menção nas Sagradas Escrituras é suficiente para invalidar a distinção entre clero e leigos. No entanto, é sabido que muitos elementos da doutrina católica não se encontram na Bíblia: a Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, a sua Imaculada Conceição, o próprio cânone das Escrituras, etc. “Há muitas coisas“, diz Santo Agostinho, “que a Igreja universal preserva e que, portanto, temos razão em crer que foram ordenadas pelos Apóstolos, apesar da ausência de textos escritos(2)”.

Devemos encarar essa insinuação tendenciosa do sínodo alemão como uma especialidade dos progressistas mais radicais? Na verdade, não, eles podem basear seu argumento em uma polêmica anterior ao Concílio Vaticano II, que se traduziu em um desses textos de compromisso nos quais o Concílio se especializou, nos quais ele se destaca por não dizer as coisas diretamente Continuar lendo

VÍDEO/CURSO 10: AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS – NEM CISMÁTICOS NEM EXCOMUNGADOS – PARTE 2

Segunda parte das explicações do Pe. Raphael Diniz sobre as Sagrações Episcopais de 1988, estudo que se tornou de grande atualidade pelo anúncio das Sagrações de 1º de julho próximo.

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Marcel Lefebvre – Biografia, por Dom Tissier de Mallerais

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TEM PIEDADE DE MIM, Ó DEUS, SEGUNDO A VOSSA MISERICÓRDIA

Devemos aceitar que só na misericórdia de Deus e no seu amor encontraremos apoio, confiança e despreocupações. Essa é a maravilhosa surpresa que cada uma de nossas confissões nos reserva.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Por que nossas confissões frequentemente se assemelham a monólogos, nos quais o acusador apresenta ao confessor uma série de faltas de importância e significado tão diversos? Esse amontoado indistinto revela uma consciência que não estabelece uma hierarquia entre as faltas.

A confissão não é uma formalidade que se cumpre por hábito ou obrigação. Quando nos aproximamos do confessionário, devemos ter a intenção de ser perdoado e de receber o perdão de Cristo pela virtude de seu sangue. Este sacramento que Nosso Senhor instituiu para nos perdoar é um ato profundamente humano. Graças a ele, Deus suscita e aperfeiçoa interiormente, no coração do pecador, atos de fé viva, de arrependimento e de reparação, e isso no momento mesmo em que pede ao pecador que expresse exteriormente suas disposições através da confissão de seus pecados. Continuar lendo

NOVENA A SÃO JOSÉ

São José – Wikipédia, a enciclopédia livre

DIA 10 – S. José, Pai Nutrício de Jesus

DIA 11 – José, Esposo da Mãe de Deus

DIA 12 – José, Chefe da Sagrada Família

DIA 13 – José, Exemplo de Fidelidade

DIA 14 – José, Espelho de Paciência

DIA 15 – José, Modelo dos Operários

DIA 16 – José, Protetor da Santa Igreja

DIA 17 – José, Esperança dos Enfermos

DIA 18 – José, Padroeiro dos Moribundos

CARDEAL ZEN PEDE AO PAPA QUE INTERVENHA NO CASO DA FSSPX

Cardeal Zen: "O Papa não compreende a China" | Salve Maria

O cardeal Joseph Zen, bispo emérito de Hong Kong, e uma das vozes mais respeitadas do catolicismo asiático, publicou em seu site oldyosef.hkcatholic.com (e também no X) uma reflexão dedicada à situação da FSSPX.

O Caso da FSSPX

Sexta-feira, 2ª Semana da Quaresma

Em relação ao caso da FSSPX, parece que até mesmo os tradicionalistas estão divididos. Isso é compreensível; há dois pontos a considerar.

A.) Um cisma deve ser evitado a todo custo, pois causará danos graves e duradouros à Igreja; mas, por outro lado, B.) uma séria questão de consciência também deve ser respeitada: “Como alguém pode ser forçado a seguir ensinamentos que evidentemente negam a Sagrada Tradição da Igreja?

Então, como o caso pode ser resolvido?

A FSSPX foi enviada para dialogar com o chefe do Dicastério para a Doutrina da Fé, mas há alguma esperança nesse diálogo?

Lendo a primeira leitura e o salmo responsorial seguinte da missa de hoje, parece-me que podemos ver as coisas desta maneira:

José ─ FSSPX

Irmãos de José ─ Cardeal Tucho

Rúben ─ Papa Leão XIV (talvez com a ajuda de Sua Excelência Schneider)

Os irmãos de José o odiavam.

Tucho, que pretende desfazer as tradições da Igreja, como pode não odiar a FSSPX? Ele provavelmente ficará feliz em vê-los excomungados!

Então não há mais esperança?

Aí está Rúben, o bom irmão!

Aí está Leão XIV, o bom Padre!

A unidade da família de Deus lhe é cara! Mas e se seus filhos não aceitarem o Concílio?

O Papa Leão XIV é alguém que ouve! Ele compreende e fará com que seus filhos compreendam que certas coisas perpetradas em nome do chamado “espírito do Concílio“, mas contrárias à Tradição da Igreja, não são do Concílio!

E ​​a Missa Tridentina? Claramente, é um erro querer eliminá-la! O Novus Ordo não respeitou as intenções dos Padres Conciliares (Sua Excelência Atanásio Schneider reuniu ampla evidência a esse respeito).

O Papa Bento XVI, ao falar de uma “reforma da reforma”, admitiu a possibilidade de enriquecimento mútuo das duas formas de liturgia da Missa Romana.

Confiemos no Papa Leão XIV; ele iniciou sua catequese nos Documentos Conciliares; é a eles que todos devemos retornar!

Esse texto, divulgado por ocasião da sexta-feira da segunda semana da Quaresma, recorre ao Evangelho e às leituras da missa do dia para evocar as tensões atuais em torno da Tradição na Igreja.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Nessa meditação, o cardeal Zen aborda diretamente a questão do diálogo entre a Santa Sé e a FSSPX. Inicialmente, recorda que um cisma constituiria um grave prejuízo para a Igreja, e deve ser evitado (a FSSPX não aventa qualquer intenção de causar um cisma: se deseja proceder às sagrações episcopais, é sem a menor intenção cismática, com a única preocupação de assegurar a continuidade de seu apostolado a serviço da Igreja). Além do mais, o cardeal salienta a gravidade do problema de consciência ao qual são confrontados numerosos fiéis ligados à tradição. Fundamentalmente, questiona: “Como se pode obrigar alguém a seguir ensinamentos que negam manifestadamente a santa Tradição da Igreja?” Continuar lendo

VIVER NA PRESENÇA DE DEUS

“Não queirais pois andar (demasiadamente) inquietos pelo dia de amanhã. Porque o dia de amanhã cuidará de si; a cada dia basta o seu cuidado.(Mt 6, 34)

Fonte:  Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

Estas palavras são bem conhecidas. O que é menos conhecido é que elas são de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, infelizmente, não são as mais bem compreendidas. Seria essa uma sentença da filosofia epicurista ou, pelo contrário, de uma máxima do Evangelho? Será que Jesus pretende incitar seus discípulos a uma vida despreocupada? Será que ele se esquece da necessidade de um mínimo de prevenção? O paradoxo é reforçado quando sabemos que é o mesmo Deus que nos ensina a agir com sabedoria e a organizar nossas vidas para não sermos pegos desprevenidos: “Por isso estai vós também preparados, porque não sabeis a que hora virá o Filho do homem.” (Mt 24, 44). Por um lado, Cristo condena a preocupação e a ansiedade estéreis que nos paralisam. Por outro, ele nos encoraja à prudência e à vigilância para viver sob o olhar de Deus. Então, devemos viver na despreocupação do momento presente ou devemos viver em vigilância constante?

Viver no presente de Deus

A verdadeira vida está no presente. É por isso que devemos viver um dia de cada vez, como Nosso Senhor nos recomenda. Continuar lendo

JÁ TARDE DEMAIS? – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

Colocando a obediência ao mesmo nível da fé, o cardeal Robert Sarah abstem-se de reconhecer a confusão inaudita que assola a Igreja, o que torna seu apelo à unidade pouco convincente.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

O discurso de um conservador

A declaração do cardeal Sarah publicada neste primeiro domingo da Quaresma, dia 22 de fevereiro, e divulgada por meios de comunicação, rapidamente suscitou uma resposta contundente por parte de John-Henry Westen, cofundador e editor-chefe do site americano LifeSiteNews. (Veja o vídeo incorporado em outro post, clicando aqui)

Até aqui, sua Eminência Robert Sarah gozava de certa simpatia por parte dos círculos conservadores da Igreja Católica. Seus posicionamentos em favor do celibato eclesiástico ou contra o “casamento para todos” chamaram a atenção dos católicos perplexos. Prefeito da Congregação para o Culto divino sob o Papa Francisco, não fez mistério de suas reticências em relação à orientação tomada pelo sucessor de Bento XVI. Recentemente, em 24 de maio de 2025, enviado pelo Papa Leão XIV para representá-lo durante as cerimônias pelo quarto centenário do aniversário das aparições a Santa Ana d’Auray, ainda fez declarações sobre o estado presente do mundo e da Igreja que impressionaram as almas.

Um discurso pouco convincente

Apesar de tudo, sua declaração de 22 de fevereiro passado, publicada no Journal du Dimanche sob o título sensacionalista “Antes que seja tarde demais” não conseguiu ofuscar as afirmações de D. Schneider. Continuar lendo

VÍDEO/CURSO 10: AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS E O ESTADO DE NECESSIDADE – PARTE 1

Primeira parte das explicações do Pe. Raphael Diniz sobre as Sagrações Episcopais de 1988, estudo que se tornou de grande atualidade pelo anúncio das Sagrações de 1º de julho próximo.

CLIQUE AQUI para acessar o vídeo.

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Marcel Lefebvre – Biografia, por Dom Tissier de Mallerais

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O PODER SEM A VERDADE

Interior da Basílica de São Pedro no Vaticano Roma Itália ...

As contradições inerentes às ameaças de sanções dirigidas pelo Cardeal Fernández à FSSPX

Um excelente e essencial artigo do Aquila Blog aponta a grande ferida que a ameaça de excomunhão à Fraternidade São Pio X está revelando: enquanto as autoridades que atualmente dirigem a Igreja se abrem à comunidade LGBT, elogiam Lutero, declaram todas as religiões como caminhos de salvação desejados por Deus, enviam felicitações à comunidade islâmica pelo Ramadã e aceitam todo desvio doutrinal de bispos, padres e teólogos, parecem querer usar a máxima severidade apenas para sancionar aqueles que rejeitam o circo ecumênico-inter-religioso e se mostram zelosamente ligados ao que a Igreja sempre ensinou, à sua Tradição perene. Essa contradição, infelizmente, soa como uma condenação das autoridades que utilizam um conceito abstrato e puramente jurídico da unidade da Igreja, esquecendo-se de que o fundamento último e mais importante de sua unidade é a verdade. A lei suprema da Igreja é a salvação das almas.

Excomunhão sem condenação: a crise de sentido do catolicismo conciliar

Fonte: Vitis Vera – Tradução: Dominus Est

A questão das sagrações anunciadas pela FSSPX e a reação do Dicastério para a Doutrina da Fé revelam um curto-circuito interno que não pode mais ser ignorado: uma Igreja que empunha a arma suprema da disciplina canônica enquanto sistematicamente destrói os pressupostos teológicos que a tornam inteligível. Quando a verdade sobrenatural é substituída por um humanismo “inclusivo”, a excomunhão deixa de ser uma cura para a alma e passa a ser um vestígio de poder. E um poder nu, desprovido de sua finalidade, não gera obediência. Gera apenas ressentimento. Continuar lendo

SIM: ALEA IACTA EST

A Santa Sé à Fraternidade São Pio X: Iniciemos um diálogo ...

Por Dardo Juán Calderón

Fonte: Adelante la Fe – Tradução: Dominus Est

Franca e cordial. Com essa frase as duas partes definem o momento que marca o final das considerações e a inviabilidade da argumentação, dando início aos “fatos”. A sorte está lançada.

Falar que foi franca e cordial não é, de modo algum, hipocrisia diplomática. De um lado e do outro as posições estão marcadas claramente; e sem as ambiguidades a que nos acostumamos até agora, “não pensamos discutir nem o concílio, nem a reforma litúrgica” diz um lado; e o outro “não pensamos aceitar nem o concílio, nem a reforma litúrgica” – mas além desses pontos que documentam e demarcam a liça, ambos sabem que há um abismo espiritual entre os dois, e por isso não cabe irritar-se com uma ninharia. Quiçá me digam que não há “cordialidade” uma vez que há ameaças, mas insisto que a declaração não é mendaz – quem declara sua posição abertamente, abre seu coração. Os anúncios de sanções expressas e definidas não excluem nem a franqueza, nem a cordialidade. Quando a arma não se oculta, todo homem viril agradece a possibilidade de uma boa luta cara a cara, e com coração aberto.

Progressismo e tradicionalismo colocaram as cartas na mesa – e toda a escória que criou o Conservadorismo, de boa ou má fé, para ganhar tempo na esperança de que a confusão permita certa subsistência de meias-verdades, murmuradas por bocas tapadas, em cargos vazios de função mas com algo de prestígio, aguardando que o tempo – um velho traidor – faça o trabalho de que suas vontades fogem. Continuar lendo

O ERRO DO CARDEAL SARAH CONTRA A FRATERNIDADE SÃO PIO X – PELO PROF. MATTEO D’AMICO

Infelizmente, o cardeal caiu no “sirismo” (*), o erro do arcebispo de Gênova de uma obediência excessiva que impediu a maioria dos católicos de se opor à ocupação modernista da Igreja.

Assista a um vídeo com uma Carta Aberta de John-Henry Westen ao Cardeal Sarah no final desse texto.

Fonte: Vitis Vera – Tradução: Dominus Est

O jornal Il Foglio, notoriamente pró-Israel e pró-americano (para dizer o mínimo), publicou um texto do Cardeal Sarah no qual o cardeal lançava uma espécie de apelo à Fraternidade São Pio X para que renunciasse à sagração de novos bispos. É interessante que um jornal ultra-sionista se preocupe com uma questão eclesiológica complexa e se posicione contra a Fraternidade. Mas, além desse aspecto, que merece uma análise mais aprofundada, um ponto no raciocínio de Sarah é interessante: o cardeal se baseia no exemplo batido do Padre Pio que, injustamente suspeito e combatido (entre outros, pelo Pe. Agostino Gemelli), foi proibido de ouvir confissões de penitentes por 12 anos, ordem que respeitou fielmente. A Fraternidade hoje, segundo ele, deveria fazer o mesmo.

No entanto, Sarah desenvolve um raciocínio falho por quatro razões: Continuar lendo