UM CRUCIFIXO MILAGROSAMENTE POUPADO DE UM INCÊNDIO FLORESTAL

A foto de um crucifixo viralizou rapidamente após sua publicação em 26 de julho. Essa cruz estava localizada no epicentro de um incêndio que devastou as florestas da Gironda. Intacta em meio às árvores carbonizadas, esse belo crucifixo foi preservado, gerando comentários espontâneos sobre um “milagre” nas redes sociais e na imprensa.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Tirada em 26 de julho pelo fotojornalista Patrick Bernard, essa foto do crucifixo em Saumos despertou entusiasmo imediato. Muitos a viram como um milagre, um sinal do Céu e um sinal de esperança, e recordaram a vitória de Cristo sobre o inferno.

Esse entusiasmo e fervor de fé não foram bem recebidos pelo clero de Bordéus. O site da Diocese de Bordéus publicou um artigo do Padre Clément Barré, que se opôs à descrição do evento como um milagre. Ele escreveu:

“Se afirmarmos que Deus interveio para poupar esse crucifixo, estamos simultaneamente afirmando que Ele não interveio pelas casas, pelas florestas, pelos animais, pelos bombeiros mortos ou feridos e por aqueles que perderam tudo. Um Deus que salvasse a sua imagem e deixasse as suas criaturas queimarem não seria o Pai de Jesus Cristo. Seria um ídolo, zeloso da sua madeira e indiferente à carne.”

Essa é uma linha de raciocínio estranha. Deduzir, a partir de um ato milagroso, uma vontade divina — ou, pelo menos, uma passividade — de Deus em relação a outras criaturas é, no mínimo, estranho. Para demonstrar isso, vamos citar alguns exemplos que falarão mais alto do que uma refutação lógica em boa e devida forma. Continuar lendo

O ARCEBISPO DE BOURGES DIANTE DAS SAGRAÇÕES DE 1º DE JULHO – PELO PE. JEAN MICHEL GLEIZE, FSSPX – PARTE 2 DE 2

“A fidelidade não é estática, é dinâmica, na continuidade da fé que é imutável, mas as situações são sempre novas e o Espírito está incessantemente em ação”…

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Leia a Parte 1 aqui

Aos olhos de D. Sylvain Bataille de Bourges (1), a Tradição “não consiste numa herança estática, estagnada e intocável. Pelo contrário, é a transmissão viva da própria fé dos Apóstolos, incessantemente aprofundada sob a orientação do Espírito e vivida em diferentes contextos históricos e culturais” […]“. A fidelidade não é estática, é dinâmica, na continuidade da fé que é imutável, mas as situações são sempre novas e o Espírito está incessantemente em ação”.  A iniciativa das sagrações de 1 de julho ficaria, assim, privada de sua principal justificativa.

Aqui encontramos o discurso evolucionista inaugurado pelo Vaticano II e teorizado por Bento XVI, com a ambiguidade que abre as portas a todo tipo de negação, sob o pretexto de aprofundar a compreensão. O parágrafo 17 da Profissão de Fé apresentada em 24 de junho pela Fraternidade dissipa essa ambiguidade: 

A Tradição pode ser chamada de “viva” não no sentido de que mudaria de significado, mas no sentido de que o Magistério vivo propõe ao longo dos séculos, de maneira sempre mais clara e mais explícita, a mesma verdade com o mesmo significado(2). O que foi crido por todos, sempre e em todo lugar, como pertencente a fé, não pode ser negado nem posto em dúvida por nenhuma voga teológica, nenhuma pressão pastoral, nenhuma necessidade diplomática, nenhuma pretensa exigência do mundo moderno (3).

Vemos claramente, infelizmente, que a “transmissão viva” à qual se refere Dom Bataille instaura uma forma de praticar a religião que altera o sentido da verdade revelada, sob o pretexto da adaptação. A prática do ecumenismo, por exemplo, insinua cada vez mais o erro do indiferentismo.

No que diz respeito ao culto, o arcebispo de Bourges gostaria de criticar a expressão “missa de sempre”, utilizada por Dom Lefebvre, para justificar as reformas litúrgicas do pós-Vaticano II: Continuar lendo

DOM SCHNEIDER: UM ENVOLVIMENTO SÉRIO DO VATICANO COM A FRATERNIDADE SÃO PIO X MARCARIA O “COMEÇO DO FIM” DO PROJETO MODERNISTA

Fonte: Diane Montagna’s Substack – Tradução: Dominus Est

Dom Athanasius Schneider divulgou sua primeira declaração pública desde que Roma declarou que os seis bispos da FSSPX incorreram em excomunhão automática devido às sagrações episcopais realizadas pela Fraternidade em Écône, em 1º de julho, contra a vontade do Papa Leão XIV.

Sua Excelência tem sido uma voz ativa no debate sobre as sagrações, e sua reação às consequências do ocorrido era aguardada com particular interesse. Nos meses anteriores, ele implorou repetidamente ao Papa Leão XIV que concedesse à Fraternidade São Pio X um mandato apostólico, em vez de permitir que o ato prosseguisse sem sua aprovação — principalmente em um “Apelo Fraterno” de 24 de fevereiro, que exortava o Papa a agir como um “construtor de pontes” e alertava contra “uma divisão adicional, verdadeiramente desnecessária e dolorosa, dentro da Igreja”.

Em uma nova declaração intitulada “O dilema entre preservar a integridade inequívoca da fé católica e ser reconhecido canonicamente pelo Papa” (texto completo abaixo), D. Schneider argumenta que a FSSPX se deparou com uma escolha “trágica” e pouco comum: manter-se fiel à doutrina católica tal como sempre foi ensinada ou garantir o reconhecimento formal da Santa Sé.

Ele enquadra a situação atual como um exemplo de um dilema enfrentado anteriormente na história da Igreja, por Santo Atanásio de Alexandria, no século IV. Quando o Papa Libério, sob pressão imperial, entrou em comunhão com os bispos arianos e exigiu que Atanásio fizesse o mesmo, Atanásio recusou-se — e foi excomungado pelo próprio Papa, acusado de “perturbar a paz da Igreja”. Continuar lendo

O ARCEBISPO DE BOURGES DIANTE DAS SAGRAÇÕES DE 1º DE JULHO – PELO PE. JEAN MICHEL GLEIZE, FSSPX – PARTE 1 DE 2

Sua Excelência D. Sylvain Bataille, na qualidade de Arcebispo de Bourges, considerou oportuno divulgar alguns “pontos de referência para compreender a situação” referente às sagrações episcopais da Fraternidade São Pio X( 1).

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

É possível colocar-se acima da Igreja, rejeitar um Concílio que reuniu os bispos de todo o mundo? É possível considerar que, há mais de 60 anos, 7 papas sucessivos, os 8.000 bispos do mundo — com poucas exceções — e a imensa maioria dos sacerdotes e fiéis teriam abandonado a verdadeira fé? Na raiz de todos os cismas, sempre se identifica a mesma tentação: a de acreditar que só se detém a verdade, que só se é fiel, que só se é puro, que só se pode salvar a Igreja.

A unidade da Igreja seria, então, a de uma maioria?… Se fosse esse o caso, já se poderia reverter a questão contra seu autor e perguntar-lhe: “Pode-se rejeitar, em nome do ecumenismo, da liberdade religiosa e da colegialidade, cerca de vinte concílios ecumênicos que reuniram os bispos de toda a história?” Pode-se considerar que, durante quase 2000 anos, 260 papas sucessivos, juntamente com os bispos, os padres e os fiéis, teriam cometido graves erros na fé, desconhecendo os verdadeiros princípios da eclesiologia e da doutrina social?”. A bem ver, sim, se a unidade da Igreja é a de uma maioria, foi justamente a Igreja do Concílio Vaticano II que sucumbiu à tentação de acreditar que é a única detentora da verdade, é precisamente a Igreja desses 7 papas, que há mais de 60 anos pregam uma nova eclesiologia e uma nova doutrina social, que sucumbiram à tentação de acreditar que é a única a ser pura, a ser fiel e a poder salvar as almas. É essa Igreja que seria, de fato, cismática. Continuar lendo

QUAL A CREDIBILIDADE DOUTRINAL E A AUTORIDADE MORAL DO CARDEAL FERNÁNDEZ?

Em 2 de julho de 2026, o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, assinou o decreto de “excomunhão” contra os bispos sagrantes e os sagrados no dia anterior em Écône. É irônico ver este decreto assinado por um prelado que, em 27 de janeiro, durante a sessão plenária de seu dicastério, convidava à “humildade intelectual, espiritual e teológica”.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Na ocasião, ele denunciou uma “absolutização da própria razão ou de determinados critérios morais que poderia levar a graves abusos’. Entre os exemplos mencionados figuravam a Inquisição, as guerras mundiais e o Holocausto… Essa advertência está agora sendo ignorada pelo cardeal argentino, mas apenas porque implica excomungar uma Tradição bimilenar.”

No InfoVaticana, em 6 de julho, Pedro Gómez Carrizo considera que o decreto assinado pelo cardeal Fernández aponta, acima de tudo, para o fracasso de Leão XIV. Ele se indigna, com razão: “Que tal personagem promova uma excomunhão em nome da pureza da comunhão eclesial é simplesmente o cúmulo. É o cúmulo porque um dos aspectos que mais distanciam os excomungados dos excomungadores é que aqueles denunciam, precisamente, até que ponto estes esvaziaram de sentido seus atos”. Em outras palavras: até que ponto transformaram seus atos em algo sem sentido.

E explica em que se transformou hoje a Doutrina da Fé, da qual o cardeal Fernández é responsável: “A doutrina é pouco mais do que o relatório de um grupo de trabalho, sempre dependente do contexto; a moral vem se dissolvendo nessa misericórdia sem julgamento que acompanha o pecador, procurando não incomodá-lo; a liturgia sofre há décadas com a criatividade paroquial; a Alemanha vem há anos ensaiando o cisma por etapas e o Partido Comunista da China ordenando bispos; a Cúria coloca cardeais a serviço de prefeitas religiosas, enquanto casais homossexuais são abençoados desde que não rezem em latim; o trabalho pastoral já não é conduzir as almas à verdade, mas sim amenizar essa verdade, a ponto de ocultá-la completamente, e a sinodalidade conseguiu que antigas heresias renasçam reluzentes, como se tivessem acabado de sair de uma sessão de  brainstorming”. Continuar lendo

15 DE AGOSTO – ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

assum

Para ler a Meditação de Santo Afonso para essa data, clique aqui.

Para ler e ouvir um Sermão de D. Lefebvre, de 1990, sobre a Festa da Assunção, clique aqui.

Para ler e ouvir um Sermão de D. Lefebvre, de 1975, sobre a Festa da Assunção, clique aqui.

Para ler um Sermão de São Tomás de Villanueva sobre a Festa, clique aqui.

Para ler a belíssima Encíclica MUNIFICENTISSIMUS DEUS, de Pio XII, que define o Dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu em Corpo e Alma, clique aqui.

Abaixo colocamos o momento da proclamação do dogma pelo Papa Pio XII

MISTURAM DESORDENADAMENTE AS PALAVRAS DA MISSA COM AS CERIMÔNIAS

“Complicano le parole della Messa disordinatamente con le cerimonie”, Sant’Alfonso sul disastro della liturgia

Da obra-prima Meu Único Rei – Escritos Afonsianos para Viver Bem no Tempo e na Eternidade.

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est 

[…] Observando a maneira pela qual a maioria dos padres reza a Missa, com tanta pressa e com tanto barulho nas cerimônias, deveria-se chorar, e chorar lágrimas de sangue. A eles seria bom dizer como Clemente de Alexandria repreendeu aos sacerdotes gentios, ou seja, que eles transformavam o céu em palco e Deus em personagem de peça teatral: Oh impietatem! scenem coelum fecestis, et Deus factus est actus.

Mas o que quero dizer com peça? Ah, quanta atenção esses sujeitos prestariam se tivessem que representar um papel em uma peça teatral! E quanto à Missa, que atenção prestam nela? Palavras mutiladas, genuflexões no ar que mais parecem atos de desprezo do que de reverência, sinais da cruz que não se sabe o que significam, caminham ao redor do altar e se viram de um jeito até mesmo engraçado, depois manuseiam a hóstia sacrossanta e o cálice consagrado como se tivessem um simples pedaço de pão e um cálice de vinho nas mãos, desordenam as palavras da Missa com as cerimônias, encavalando-as uma em cima da outra antes do tempo estipulado pelas rubricas……enfim, toda a sua Missa não passa, do começo ao fim, de um amontoado de desordem e irreverência. Continuar lendo

COMPREENDER O AMOR DE DEUS POR NÓS NO EVANGELHO

“O que Deus quis ao vir entre nós, senão nos mostrar o seu Amor? Se até agora não nos apressamos em amá-Lo, pelo menos não demoremos mais em retribuir-Lhe amor por amor.”

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

O que não tem valor aparente atrai pouca atenção. Esse é o destino reservado, com demasiada frequência, ao Evangelho. O fiel católico ouve e lê trechos da Sagrada Escritura todos os domingos na missa. O hábito se instala e, com ele, a falta de atenção. Tal descuido é profundamente prejudicial. Pois o que é a Sagrada Escritura, senão uma sucessão de cartas inspiradas pelo coração de Deus, nas quais Ele se revela às suas criaturas? Para ler essas cartas, é preciso, antes de tudo, possuir o espírito que as inspirou. “A letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Cor 3, 6). Sem a fé e a humildade, o texto sagrado permanece mal compreendido, ou carece da atenção necessária. Torna-se, então, letra morta para a alma.

Para evitar essa armadilha, é essencial lembrar um fato singular acima de todos os outros: Deus escreve ao homem. O Deus Trino digna-se a adaptar-se aos modos de agir do homem, sua criatura, para se dar a conhecer a ele. A simples constatação desse fato mostra até que ponto a Sagrada Escritura é importante em toda vida cristã. Oprimida pelas múltiplas preocupações do dia a dia, provada pelas dificuldades da existência ou simplesmente entorpecida pela rotina ou pela mundanidade, a alma fiel chega, às vezes, a esquecer uma verdade que, no entanto, é primordial e fundamental: Deus nos ama, Ele se importa conosco. Continuar lendo

SUMÁRIO DAS AULAS – AULA 14 DO CURSO SOBRE A CRISE NA IGREJA – COMENTÁRIOS FINAIS

Nesta última aula, Dom Lourenço Fleichman faz uma descrição das 14 aulas – sendo algumas em duas partes – do Curso sobre a crise na Igreja Católica. Agradece a todos os colaboradores e menciona os comentários dos assistentes, fazendo uma crítica aos espírito de desordem dos sedevacantistas, e lamentando não ter podido responder aos bons comentários e às dúvidas de boa fé de muitos. No final, uma visão sobre as Sagrações de Ecône no momento da tempestade simboliza o bom combate pela fé.

Acesse o vídeo clicando aqui

A RELIGIOSIDADE SINCERA – PELO PE. CARLOS MESTRE, FSSPX

Revmo. Pe. Carlos Mestre, na igreja Nossa Senhora Rainha de Portugal, em Lisboa, no décimo Domingo depois de Pentecostes, sobre o que é a verdadeira religiosidade, por oposição às observância das meras práticas exteriores, conforme demonstra a bela passagem do Evangelho deste dia sobre o fariseu e o publicano.

06 DE AGOSTO: TRANSFIGURAÇÃO DE NOSSO SENHOR

A Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo não é propriamente um milagre, mas a cessação momentânea de um milagre: o da Encarnação do Verbo. Durante algum tempo, Jesus abdica dos direitos e prerrogativas da Sua divindade; a Sua pessoa divina esconde a Sua glória e faz-Se voluntariamente, durante toda a Sua vida terrena, um mortal. Esconde a Sua divindade para preparar a Sua Paixão. A Sua Transfiguração, ao mostrar-nos por um momento no estado glorioso em que devia ter estado durante toda a Sua vida, mostra-nos ainda mais claramente o Seu Amor por nós, o Seu ardente desejo de sofrer pelos nossos pecados e, consequentemente, o mérito infinito de tantas humilhações, ignomínias e sofrimentos assim aceites, desejados e preferidos por Sua livre vontade.A iluminação do monte Tabor antecipa o escândalo do monte Gólgota. Aquele que seguiremos com lágrimas através de todas as fases dolorosas da Paixão é verdadeiramente, pela Sua natureza consubstancial a Deus Pai, coroado de glória e de honra, o Rei do Céu, a alegria dos Anjos, o soberano Juiz que virá um dia, em todo o esplendor da Sua majestade, julgar todos os homens…

Este rosto, que será profanado por golpes e saliva, desfigurado, torna-se mais brilhante do que o sol do monte Tabor, transfigurado: Continuar lendo

CARDEAL FERNÁNDEZ: A CANETA DE FRANCISCO E LEÃO XIV

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Foi o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, quem assinou, em 2 de julho de 2026, o decreto de “excomunhão” contra os bispos sagrantes e sagrados da Fraternidade São Pio X, e que ameaçava com a mesma sanção os sacerdotes e fiéis que aderissem ao “cisma”.

Essa aplicação do Direito Canônico não é isolada; ela se insere no âmbito do magistério “líquido” da Igreja “sinodal”. De fato, essa “excomunhão” é decretada por um prelado que foi o redator do Papa Francisco, para quem escreveu “Amoris laetitia” [2016] — autorizando os divorciados civilmente recasados a receber a comunhão —, bem como “Fiducia supplicans” [2023] — permitindo a bênção de casais do mesmo sexo.

A propósito, vale lembrar que Víctor Manuel Fernández, antes de se tornar a eminência que é hoje graças a Francisco, é autor de duas obras: “Sáname con tu boca: El arte de besar” [Cura-me com tua boca: a arte de beijar, 1995] e “La pasión mística: espiritualidad y sensualidad” [A paixão mística: espiritualidade e sensualidade, 1998]. Os títulos eloquentes desses livros — dos quais nunca se retratou — afirmam que a temperança é uma virtude cardinal… exceto para o cardeal Fernández. Continuar lendo

1974-1983-2026, SEMPER IDEM

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Profissão de Fé Católica que a Fraternidade São Pio X dirigiu ao Papa Leão XIV e a todos os cardeais em 24 de junho de 2026, uma semana antes das sagrações episcopais de 1º de julho, está em direta consonância com a Carta Aberta dirigida a João Paulo II por D. Marcel Lefebvre e D. Antonio de Castro Mayer em 21 de novembro de 1983, nove anos após a famosa Declaração  do fundador da Ecône em 21 de novembro de 1974, e cinco anos antes das sagrações de 30 de junho de 1988. A crise na Igreja continua, a doutrina da Igreja permanece. 

Eis o que os dois bispos, que realizaram juntos a sagração em 1988, escreveram a João Paulo II em 1983: “Milhares de clérigos e milhões de fiéis vivem em angústia e perplexidade devido a ‘autodestruição da Igreja’. Os erros contidos nos documentos do Concílio Vaticano II, as reformas pós-conciliares e, especialmente, a reforma litúrgica, as falsas concepções disseminadas por documentos oficiais e os abusos de poder perpetrados pela hierarquia os lançam em turbulência e desordem.”

“Nessas circunstâncias dolorosas, muitos perdem a fé, a caridade esfria e o conceito da verdadeira unidade da Igreja desaparece no tempo e no espaço. Para tanto, tomamos a liberdade de anexar a esta carta um anexo [intitulado:  Breve Resumo dos Principais Erros da Eclesiologia Conciliar ] contendo os principais erros que estão na origem desta situação trágica e que, além disso, já foram condenados por seus predecessores.”

A lista a seguir apresenta um enunciado, mas não é exaustiva: Continuar lendo

ROMA CONDENA CANONICAMENTE, MAS SE CALA DOUTRINALMENTE

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em 2 de julho de 2026, um dia após as sagrações episcopais em Écône, o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, assinou um “decreto de excomunhão latae sententiae” que impunha automaticamente os bispos sagrantes e sagrados, e ameaçava com a mesma sanção os sacerdotes e fiéis que aderissem a esse “ato cismático”. Ou seja, somente na cerimônia de 1º de julho: mais de 16.500 fiéis, 589 padres, irmãos e seminaristas, e 397 religiosas, representando 65 nacionalidades.

A Roma atual excomunga muitos. Mas mantém silêncio sobre a Declaração de Fé da Fraternidade São Pio X de 14 de maio (Nouvelles de Chrétienté n.º 219, maio-junho de 2026, pp. 3-5), bem como sobre a Carta aberta ao papa e aos cardeais e a Profissão de fé católica de 24 de junho (DICI n.º 470, julho de 2026, pp. 8-11, e a presente edição das Notícias da Cristandade, pp. 13-22). Seriam esta declaração e esta profissão heterodoxas? Não revelariam elas as verdadeiras razões doutrinais da luta pela fé? Roma permanece em silêncio. E Leão XIV não recebeu o Padre Davide Pagliarani, apesar dos repetidos pedidos, em 2025 e 2026.

Roma prefere aplicar a lei de forma automática, sem considerações doutrinárias. A sanção se aplica por si só ou, melhor ainda, segundo alguns comentaristas, os bispos teriam se excomungado a si mesmos…“Dura lex, sed lex; a lei é dura, mas é a lei”, é a desculpa oferecida em voz baixa, pois esse formalismo jurídico pré-conciliar não se coaduna com a recepção fraternalmente ecumênica reservada à “arcebispa” anglicana, Sarah Mullally, ao abençoar cardeais romanos, no último dia 4 de maio. É melhor que a “excomunhão” ocorra automaticamente, sem que as autoridades precisem intervir. Para não terem de se retratar. Continuar lendo

BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – AGOSTO/26

Caros fiéis, 

Não podemos iniciar este 69º boletim sem manifestar, primeiramente, nossa profunda gratidão a Deus, nosso Senhor, que nos concede a graça de sermos membros da grande obra da Tradição, que é a Fraternidade São Pio X, autênticos filhos de Mons. Marcel Lefebvre, em tempos nos quais as almas se encontram tão perdidas, desamparadas e enganadas. Impõe-se, naturalmente, agradecer a nossos superiores, em particular ao Superior Geral, com o seu conselho, que nos guia neste caminho de fidelidade. 

Manifestamos nossa gratidão igualmente ao estimado e querido Padre Francisco Mouroux, que dedicou sete incansáveis anos de seu sacerdócio, em terras estrangeiras, para nos guiar, santificar e instruir na Verdade, no amor à Igreja e à sua Tradição — em uma palavra, no caminho da salvação. Trata-se de uma tarefa que nos compete continuar com fidelidade, sob o manto e a guia de Nossa Senhora das Dores, Mãe do Divino Sacerdote. 

Há exatamente um mês que vivenciamos as sagrações episcopais: momento em que se experimentou um sopro de cristandade em seu maior esplendor. Contudo, uma ponta de tristeza pairava sobre todos. Não tanto pelas ameaças concretizadas por parte do Santo Padre, o Papa, mas pela incompreensão, oposição e negação do Vigário de Cristo a respeito da Tradição. Nisto, paradoxalmente, manifestava-se aquela nota própria e essencial da Igreja que nunca deixa de brilhar em nossa querida Fraternidade, que não é outra coisa senão uma obra da Igreja: a sua romanidade. Continuar lendo

VÍDEO/CURSO 13 – AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS

Dom Lourenço Fleichman gravou esta aula antes das sagrações de 1º de julho de 2026, mas o anúncio das sagrações já fora feito. 

Leitura dos textos iniciais entre a Fraternidade Sacerdotal São Pio X e as autoridades de Roma.

Acesse o vídeo clicando aqui.

*************************************

ACESSE NOSSO “ESPECIAL DOS ESPECIAIS” COM OS MAIS DIVERSOS ESTUDOS SOBRE SAGRAÇÕES, OBEDIÊNCIA, CISMA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, ECCLESIA DEI, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., CLICANDO AQUI.

A NOVA TEOLOGIA – PELO PE. GARRIGOU-LAGRANGE – PARTE 3/3

Amazon.com.br: Réginald Garrigou-Lagrange: livros, biografia, última  atualização

 Fonte: Permanencia

Leia a parte 1 clicando aqui.

Leia a parte 2 clicando aqui.

O primeiro artigo do Pe. Garrigou-Lagrange provocou uma resposta mais ou menos irritada, segundo se pode deduzir do segundo com que o ilustre dominicano respondeu às objeções suscitadas pelo precedente. Esta irritação, em boa parte, procede do fato de ter o Pe. Garrigou-Lagrange sublinhado a inclinação pronunciada da nova teologia para a heresia, se é que não constitui ela mesma uma heresia pura.

Nada mais agasta, ao que parece, aos novos teólogos do que esta pecha de heretizantes. Não obstante, deixando o juízo definitivo à Santa Sé, e, quanto à consciência, a Deus Nosso Senhor, notamos uma semelhança não pequena entre eles e aqueles que, no decurso da história, tentaram dilacerar a túnica inconsútil de Jesus Cristo.

Seu modo de proceder dispersivo, sem uma exposição sistemática, como idéias que surgem espalhadas em diversos lugares e diversos autores, lembra os Modernistas, dos quais notara Pio X, de santa memória, na grande encíclica Pascendi: “os Modernistas, com astuciosíssimo engano, costumam apresentar suas doutrinas, não coordenadas e juntas como num todo, mas dispersas, e como separadas umas das outras, a fim de serem tidos por duvidosos e incertos, ao passo que de fato estão firmes e constantes” [fn]É interessante observar uma identidade de pensamento e método entre os novos teólogos e os que escritores, como Jules Romains, atribuem a certas sociedades secretas: “Je vous dit, reprit Lengnau (o mestre que iniciava o estudante nos segredos da Loja): même sur le plan mystique. J’insiste: l’Unité en question va plus loin que l’organisation politique, matérielle, même rationelle du genre humain… elle la depasse, la transcende, et du même coup la traîne derrière elle comme un pêcheur traîne son filet… Une foule d’idées traversait précipitamment l’espirit de Jerphanion. Il pensait à Auguste Comte, et au Grand Etre, à tel passage de Hegel, à telle effusion de Renan, à certains hymnes mystérieux de Hugo… “Il a raison de dire quequelque chose rejoint ces hommes-lá. Um certain même avènement a été désiré, annoncé par eux, par d’autres encore. Il y a une tradition de prophéties…” (Recherche d’une Eglise, Flammarion, Paris, pp. 298/9.). — Os grifos são nossos.[/fn]. Continuar lendo

ASSISTA “TRADITIO, POR AMOR À IGREJA” – SÉRIE COMPLETA

A FSSPX lança «Traditio», uma série documental sobre seu apostolado no  mundo – INFOVATICANA

TRADITIO – POR AMOR À IGREJA é uma série documental em três partes dedicada à vida e ao apostolado dos sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X em todo o mundo. Produzida ao longo de dois anos por dois jovens estudantes da Suíça e da Alemanha em colaboração com a Casa Geral da FSSPX, a série totaliza mais de quatro horas de filmagem e constitui um dos projetos cinematográficos mais extensos e ambiciosos já realizados pela Fraternidade.

CONHEÇA A FUNDO TODA A OBRA DA FSSPX, O SIGNIFICADO DA TRADIÇÃO E O VERDADEIRO TRABALHO DA IGREJA.

Legendas disponíveis em francês, inglês, alemão, espanhol, italiano, português, polonês e holandês. Clique em ⚙️ e depois em «Legendas» para escolher o seu idioma.

PARTE 1 – TORNAR-SE SACERDOTE – UMA OBRA DE FÉ

PARTE 2 – MISSIONÁRIOS CATÓLICOS AO REDOR DO MUNDO – UMA OBRA DE ESPERANÇA

PARTE 3 – DAR A PRÓPRIA VIDA: UMA OBRA DE CARIDADE

NEM ÁRIO NEM ATANÁSIO

“The Semi-arians attempted a middle way between orthodoxy and heresy, but could not stand their ground”Cardeal John Henry Newman (1801-1890)

1. Introdução

Há um certo grupo de católicos que, não humildemente e aproveitando-se sofisticamente da clássica definição de virtude1, coloca-se como o caminho certo entre dois desvios do pós-Concílio Vaticano II. Eles se veem como uma bela montanha cercada por dois precipícios, os quais podemos resumir da seguinte maneira:

  • De um lado, os modernistas/progressistas, que dizem: “ainda bem que a Igreja mudou” — celebram a ruptura.
  • Do outro, os tradicionalistas: “infelizmente a Igreja mudou” — lamentam a ruptura.

Para nos salvar desses dois grupos, eis então que vem o “conservador” católico ou, como alguns desse grupo costumam se autointitular, continuístas. Estes, como cavaleiros brancos em armadura reluzente, apresentam sempre os defeitos dos dois lados e, como bons vendedores, colocam-se como a solução verdadeiramente católica. Nem o apego a um passado cristalizado, dizem, nem a tempestade revolucionária.

Não nego que o sofisma tenha seu apelo, caso contrário seus vários fautores não estariam cercados de seguidores de rede social (não que essa métrica signifique algo além de mais problemas para suas almas no Juízo, mas enfim…).

Leia esse excelente texto, por completo, no Verbum Fidelis clicando aqui.
 .