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Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de fé católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta segunda parte relembra que a fé católica não é fruto de uma evolução nem de uma experiência religiosa, mas da adesão à Revelação divina confiada de uma vez por todas à Igreja, que a transmite fielmente por meio da Sagrada Escritura e da Tradição.
I -A Revelação divina, a fé e a Tradição
7 – Creio que Deus, na sua bondade, chamou o homem, pelo dom da graça, a alcançar a visão beatífica. Sustento firmemente e professo que essa exaltação do homem ultrapassa as forças e as exigências da natureza humana, e que é um dom gratuito de Deus, ou seja, um dom sobrenatural.
8 – Creio que Deus não deixou o homem entregue às suas meras forças naturais, mas lhe revelou os mistérios de sua vida divina e do destino sobrenatural a que o chama. Foi por isso que, depois de ter falado outrora aos profetas na Antiga Aliança, falou definitivamente, por meio do seu único Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, na Nova Aliança, com a qual a Revelação divina se completou perfeitamente.
9 – Essa Revelação é a palavra veraz de Deus, confiada à Igreja como um depósito, e proposta aos homens como regra de fé na forma de um corpo de doutrina, onde os mistérios são formulados de uma maneira que os torna inteligíveis e exprimíveis em palavras. A Revelação não é a expressão progressiva de uma consciência religiosa, nem o fruto de uma experiência coletiva da comunidade dos crentes; é a verdade mesma de Deus comunicando-se de modo sobrenatural à inteligência dos homens para a sua salvação. Continuar lendo

“O que Deus quis ao vir até nós, senão mostrar-nos o seu amor? Se até agora não nos esforçamos para amá-Lo, que ao menos não demoremos mais em retribuir-Lhe amor com amor.”
Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est
O que não nos aparenta valor atrai pouca atenção. Esse é o destino reservado, com demasiada frequência, ao Evangelho. O fiel católico ouve e lê trechos da Sagrada Escritura todos os domingos na missa. O hábito se instala e, com ele, a falta de atenção. Essa negligência é profundamente prejudicial. Pois o que é a Sagrada Escritura, senão uma sucessão de cartas inspiradas pelo coração de Deus, nas quais Ele se revela às suas criaturas? Para ler essas cartas, é preciso, antes de tudo, possuir o espírito que as inspirou. “A letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Cor 3, 6). Sem a fé e a humildade, o texto sagrado permanece mal compreendido, ou carece da atenção necessária. Torna-se, então, letra morta para a alma.
Para evitar essa armadilha, é essencial lembrar-se um fato singular entre todos: Deus escreve ao homem. Deus, na Trindade, digna-se a adaptar-se aos modos de agir do homem, sua criatura, para se dar a conhecer a ele. A simples constatação desse fato demonstra a importância das Sagradas Escrituras na vida de todo cristão. Sobrecarregada pelas muitas preocupações do cotidiano, testada pelas dificuldades da existência ou simplesmente entorpecida pela rotina ou pela mundanidade, a alma fiel chega, às vezes, a esquecer uma verdade que, no entanto, é primordial e fundamental: Deus nos ama, Ele se importa conosco.
A Palavra divina está repleta de exemplos e provas desse amor de Deus por cada um. Ele se manifesta de forma evidente na criação. Deus, então, decidiu livremente compartilhar sua existência, e até mesmo sua vida espiritual, com seres que não existiam. Isso só pode ser explicado por um gesto de amor, pois é preciso amar para dar a vida. Continuar lendo

Em Bourges (como em vários locais do mundo), nada de ecumenismo para os inimigos do ecumenismo.
Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est
Ao explicar aos fiéis de sua diocese o alcance das sagrações de 1º de julho, Dom Sylvain Bataille, arcebispo de Bourges, insistiu: “Não sonhemos com uma unidade de compromisso, fundada na ambiguidade“. A isso, só podemos concordar.
No entanto, na véspera de sua nomeação como Arcebispo de Bourges, em 15 de outubro de 2025, um encontro ecumênico organizado pela diocese foi realizado em sua sede episcopal com o tema: “Descobrindo Formas de Orar… com Lutero e Calvino”. Após apresentações sobre Martinho Lutero e John Calvino — uma delas feita pelo presidente da Igreja Reformada de Bourges — seguiu-se uma discussão, e depois uma oração em comum. Durante a discussão sobre a doutrina dos sacramentos, um padre católico presente insistiu no respeito tanto pela teologia protestante quanto pela católica, já que ambas evoluíram: “Em certo momento, tínhamos 12 sacramentos… Nós também evoluímos!”. Nenhuma explicação foi dada para essa afirmação. Tampouco foi mencionada a questão de que a doutrina católica expressa a verdade revelada, enquanto o protestantismo a contradiz. A cortesia ecumênica exige isso.
Deveríamos considerar isso apenas um deslize ocasional, levando em conta que uma conversa informal pode conter imprecisões, ou até mesmo descuidos? Continuar lendo

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Essa primeira parte expõe as razões que tornam necessária, hoje em dia, uma profissão integral da fé, sem diminuir em nada a doutrina transmitida pela Igreja.
Em nome da santa e indivisa Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo.
Preâmbulo
1 – Professo e abraço a inteira verdade da fé católica, tal como foi “recebida pelos Apóstolos dos próprios lábios de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou transmitida como de mão em mão pelos próprios Apóstolos conforme lhes ditava o Espírito Santo”, e a seguir conservada fielmente até chegar a nós por uma sucessão ininterrupta na Igreja católica, através da pregação dos papas e dos bispos, dos escritos dos Padres da Igreja e dos teólogos, e das definições dos santos concílios.
2 – Recebo firmemente todas e cada uma das verdades que a Igreja infalível propôs como divinamente reveladas e necessárias para a salvação, seja pelas definições do seu Magistério solene, seja pela unanimidade do seu Magistério ordinário e universal 3. Recebo também tudo o que pertence à doutrina católica em razão de uma conexão necessária com o depósito revelado 4, e tenho por certas as verdades que a Igreja ensinou com constância a fim de preservar esse depósito em face dos erros 5.
3 – Rejeito, consequentemente, todos os erros contrários a essa fé, especialmente os do liberalismo, do indiferentismo, do modernismo, do ecumenismo e do laicismo, condenados pelos papas Pio IX , Leão XIII, São Pio X, Pio XI e Pio XII. Tais erros, com efeito, obscurecem a doutrina revelada, falseiam a Tradição, desfiguram a santa liturgia, corrompem a moral, enfraquecem o espírito missionário e desagregam a ordem social cristã, causando grave prejuízo à salvação das almas. Continuar lendo
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Ladainha ao Imaculado Coração de Maria
Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
Cristo, olhai-nos.
Cristo, escutai-nos
Deus Pai celestial, Tem misericórdia de nós.
Deus Filho Redentor do mundo, Tem misericórdia de nós.
Deus Espírito Santo, Tem misericórdia de nós.
Santa Trindade, um só Deus, Tem misericórdia de nós.
Santa Maria, Coração Imaculado de Maria, rogai por nós
Coração de Maria, cheio de graça, rogai por nós
Coração de Maria, vaso do amor mais puro, rogai por nós
Coração de Maria, consagrado íntegro a Deus, rogai por nós
Coração de Maria, preservado de todo pecado, rogai por nós
Coração de Maria, morada da Santíssima Trindade, rogai por nós
Coração de Maria, delícia do Pai na Criação, rogai por nós
Coração de Maria, instrumento do Filho na Redenção, rogai por nós
Coração de Maria, a esposa do Espírito Santo, rogai por nós
Coração de Maria, abismo e prodígio de humildade, rogai por nós
Coração de Maria, medianeiro de todas as graças, rogai por nós
Coração de Maria, batendo em uníssono com o Coração de Jesus, rogai por nós
Coração de Maria, gozando sempre da visão beatífica, rogai por nós
Coração de Maria, holocausto do amor divino, rogai por nós
Coração de Maria, advogado ante a justiça divina, rogai por nós
Coração de Maria, transpassado por uma espada, rogai por nós
Coração de Maria, Coroado de espinhos por nossos pecados, rogai por nós
Coração de Maria, agonizando na paixão de teu Filho, rogai por nós
Coração de Maria, exultando na Ressurreição de teu Filho, rogai por nós
Coração de Maria, triunfando eternamente com Jesus, rogai por nós
Coração de Maria, fortaleza dos cristãos, rogai por nós
Coração de Maria, refúgio dos perseguidos, rogai por nós
Coração de Maria, esperança dos pecadores, rogai por nós
Coração de Maria, consolo dos moribundos, rogai por nós
Coração de Maria, alívio dos que sofrem, rogai por nós
Coração de Maria, laço de união com Cristo, rogai por nós
Coração de Maria, caminho seguro ao Céu, rogai por nós
Coração de Maria, prenda de paz e santidade, rogai por nós
Coração de Maria, vencedora das heresias, rogai por nós
Coração de Maria, da Rainha dos Céus e Terra, rogai por nós
Coração de Maria, da Mãe de Deus e da Igreja, rogai por nós
Coração de Maria, que por fim triunfarás, rogai por nós
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Perdoai-nos Senhor
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Escutai-nos Senhor
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Tem misericórdia de nós.
Rogai por nós Santa Mãe de Deus
R. Para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo
Oremos:
Vós que nos tens preparado no Coração Imaculado de Maria uma digna morada de teu Filho Jesus Cristo, concedei-nos a graça de viver sempre conforme a sua vontade e de cumprir seus desejos.
Por Cristo teu Filho, Nosso Senhor. Amém

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est
A questão do humanismo surgiu desde o início do cristianismo. São Paulo escreve, por um lado, aos Filipenses (capítulo 4):
“Tudo o que é verdadeiro, honesto, justo, santo, amável, de bom nome, as virtudes, seja isso o objeto de vossos pensamentos.”
E, por outro lado, vejamos os Gálatas (capítulo 6):
“O mundo morreu para mim na Cruz, e na Cruz eu morri para o mundo.”
São Paulo, portanto, começa por discernir o que vem do mundo: é preciso reter do mundo o que é verdadeiro. Mas há mentiras no mundo. O diabo reina nele como mentiroso. É preciso reter o que é nobre. Mas há baixezas no mundo. O senso de honra às vezes se mistura com a vaidade e a ambição. Devemos extrair do mundo o que é justo, mas a injustiça domina o mundo. O que encontramos no mundo é, antes, sede de justiça. É preciso reter do mundo o que nele há de puro. O exemplo natural das crianças, da maioria delas pelo menos, mas o mundo, como vemos com demasiada clareza hoje, está à mercê da imoralidade. Continuar lendo

A foto de um crucifixo viralizou rapidamente após sua publicação em 26 de julho. Essa cruz estava localizada no epicentro de um incêndio que devastou as florestas da Gironda. Intacta em meio às árvores carbonizadas, esse belo crucifixo foi preservado, gerando comentários espontâneos sobre um “milagre” nas redes sociais e na imprensa.
Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est
Tirada em 26 de julho pelo fotojornalista Patrick Bernard, essa foto do crucifixo em Saumos despertou entusiasmo imediato. Muitos a viram como um milagre, um sinal do Céu e um sinal de esperança, e recordaram a vitória de Cristo sobre o inferno.
Esse entusiasmo e fervor de fé não foram bem recebidos pelo clero de Bordéus. O site da Diocese de Bordéus publicou um artigo do Padre Clément Barré, que se opôs à descrição do evento como um milagre. Ele escreveu:
“Se afirmarmos que Deus interveio para poupar esse crucifixo, estamos simultaneamente afirmando que Ele não interveio pelas casas, pelas florestas, pelos animais, pelos bombeiros mortos ou feridos e por aqueles que perderam tudo. Um Deus que salvasse a sua imagem e deixasse as suas criaturas queimarem não seria o Pai de Jesus Cristo. Seria um ídolo, zeloso da sua madeira e indiferente à carne.”
Essa é uma linha de raciocínio estranha. Deduzir, a partir de um ato milagroso, uma vontade divina — ou, pelo menos, uma passividade — de Deus em relação a outras criaturas é, no mínimo, estranho. Para demonstrar isso, vamos citar alguns exemplos que falarão mais alto do que uma refutação lógica em boa e devida forma. Continuar lendo

“A fidelidade não é estática, é dinâmica, na continuidade da fé que é imutável, mas as situações são sempre novas e o Espírito está incessantemente em ação”…
Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est
Leia a Parte 1 aqui
Aos olhos de D. Sylvain Bataille de Bourges (1), a Tradição “não consiste numa herança estática, estagnada e intocável. Pelo contrário, é a transmissão viva da própria fé dos Apóstolos, incessantemente aprofundada sob a orientação do Espírito e vivida em diferentes contextos históricos e culturais” […]“. A fidelidade não é estática, é dinâmica, na continuidade da fé que é imutável, mas as situações são sempre novas e o Espírito está incessantemente em ação”. A iniciativa das sagrações de 1 de julho ficaria, assim, privada de sua principal justificativa.
Aqui encontramos o discurso evolucionista inaugurado pelo Vaticano II e teorizado por Bento XVI, com a ambiguidade que abre as portas a todo tipo de negação, sob o pretexto de aprofundar a compreensão. O parágrafo 17 da Profissão de Fé apresentada em 24 de junho pela Fraternidade dissipa essa ambiguidade:
A Tradição pode ser chamada de “viva” não no sentido de que mudaria de significado, mas no sentido de que o Magistério vivo propõe ao longo dos séculos, de maneira sempre mais clara e mais explícita, a mesma verdade com o mesmo significado(2). O que foi crido por todos, sempre e em todo lugar, como pertencente a fé, não pode ser negado nem posto em dúvida por nenhuma voga teológica, nenhuma pressão pastoral, nenhuma necessidade diplomática, nenhuma pretensa exigência do mundo moderno (3).
Vemos claramente, infelizmente, que a “transmissão viva” à qual se refere Dom Bataille instaura uma forma de praticar a religião que altera o sentido da verdade revelada, sob o pretexto da adaptação. A prática do ecumenismo, por exemplo, insinua cada vez mais o erro do indiferentismo.
No que diz respeito ao culto, o arcebispo de Bourges gostaria de criticar a expressão “missa de sempre”, utilizada por Dom Lefebvre, para justificar as reformas litúrgicas do pós-Vaticano II: Continuar lendo
Revmo. Pe. José Maria, no décimo segundo Domingo de Pentecostes, sobre a nossa incapacidade de sequer um só bom pensamento sem a Graça de Deus.

Fonte: Diane Montagna’s Substack – Tradução: Dominus Est
Dom Athanasius Schneider divulgou sua primeira declaração pública desde que Roma declarou que os seis bispos da FSSPX incorreram em excomunhão automática devido às sagrações episcopais realizadas pela Fraternidade em Écône, em 1º de julho, contra a vontade do Papa Leão XIV.
Sua Excelência tem sido uma voz ativa no debate sobre as sagrações, e sua reação às consequências do ocorrido era aguardada com particular interesse. Nos meses anteriores, ele implorou repetidamente ao Papa Leão XIV que concedesse à Fraternidade São Pio X um mandato apostólico, em vez de permitir que o ato prosseguisse sem sua aprovação — principalmente em um “Apelo Fraterno” de 24 de fevereiro, que exortava o Papa a agir como um “construtor de pontes” e alertava contra “uma divisão adicional, verdadeiramente desnecessária e dolorosa, dentro da Igreja”.
Em uma nova declaração intitulada “O dilema entre preservar a integridade inequívoca da fé católica e ser reconhecido canonicamente pelo Papa” (texto completo abaixo), D. Schneider argumenta que a FSSPX se deparou com uma escolha “trágica” e pouco comum: manter-se fiel à doutrina católica tal como sempre foi ensinada ou garantir o reconhecimento formal da Santa Sé.
Ele enquadra a situação atual como um exemplo de um dilema enfrentado anteriormente na história da Igreja, por Santo Atanásio de Alexandria, no século IV. Quando o Papa Libério, sob pressão imperial, entrou em comunhão com os bispos arianos e exigiu que Atanásio fizesse o mesmo, Atanásio recusou-se — e foi excomungado pelo próprio Papa, acusado de “perturbar a paz da Igreja”. Continuar lendo
Revmo. Pe. Carlos Mestre, igreja de Nossa Senhora Rainha de Portugal, na festa da Assunção de Nossa Senhora sobre a Graça de uma boa morte, que não podemos merecer pelos nossos esforços, mas apenas por Graça de Deus.

Sua Excelência D. Sylvain Bataille, na qualidade de Arcebispo de Bourges, considerou oportuno divulgar alguns “pontos de referência para compreender a situação” referente às sagrações episcopais da Fraternidade São Pio X( 1).
Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est
É possível colocar-se acima da Igreja, rejeitar um Concílio que reuniu os bispos de todo o mundo? É possível considerar que, há mais de 60 anos, 7 papas sucessivos, os 8.000 bispos do mundo — com poucas exceções — e a imensa maioria dos sacerdotes e fiéis teriam abandonado a verdadeira fé? Na raiz de todos os cismas, sempre se identifica a mesma tentação: a de acreditar que só se detém a verdade, que só se é fiel, que só se é puro, que só se pode salvar a Igreja.
A unidade da Igreja seria, então, a de uma maioria?… Se fosse esse o caso, já se poderia reverter a questão contra seu autor e perguntar-lhe: “Pode-se rejeitar, em nome do ecumenismo, da liberdade religiosa e da colegialidade, cerca de vinte concílios ecumênicos que reuniram os bispos de toda a história?” Pode-se considerar que, durante quase 2000 anos, 260 papas sucessivos, juntamente com os bispos, os padres e os fiéis, teriam cometido graves erros na fé, desconhecendo os verdadeiros princípios da eclesiologia e da doutrina social?”. A bem ver, sim, se a unidade da Igreja é a de uma maioria, foi justamente a Igreja do Concílio Vaticano II que sucumbiu à tentação de acreditar que é a única detentora da verdade, é precisamente a Igreja desses 7 papas, que há mais de 60 anos pregam uma nova eclesiologia e uma nova doutrina social, que sucumbiram à tentação de acreditar que é a única a ser pura, a ser fiel e a poder salvar as almas. É essa Igreja que seria, de fato, cismática. Continuar lendo

Em 2 de julho de 2026, o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, assinou o decreto de “excomunhão” contra os bispos sagrantes e os sagrados no dia anterior em Écône. É irônico ver este decreto assinado por um prelado que, em 27 de janeiro, durante a sessão plenária de seu dicastério, convidava à “humildade intelectual, espiritual e teológica”.
Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est
Na ocasião, ele denunciou uma “absolutização da própria razão ou de determinados critérios morais que poderia levar a graves abusos’. Entre os exemplos mencionados figuravam a Inquisição, as guerras mundiais e o Holocausto… Essa advertência está agora sendo ignorada pelo cardeal argentino, mas apenas porque implica excomungar uma Tradição bimilenar.”
No InfoVaticana, em 6 de julho, Pedro Gómez Carrizo considera que o decreto assinado pelo cardeal Fernández aponta, acima de tudo, para o fracasso de Leão XIV. Ele se indigna, com razão: “Que tal personagem promova uma excomunhão em nome da pureza da comunhão eclesial é simplesmente o cúmulo. É o cúmulo porque um dos aspectos que mais distanciam os excomungados dos excomungadores é que aqueles denunciam, precisamente, até que ponto estes esvaziaram de sentido seus atos”. Em outras palavras: até que ponto transformaram seus atos em algo sem sentido.
E explica em que se transformou hoje a Doutrina da Fé, da qual o cardeal Fernández é responsável: “A doutrina é pouco mais do que o relatório de um grupo de trabalho, sempre dependente do contexto; a moral vem se dissolvendo nessa misericórdia sem julgamento que acompanha o pecador, procurando não incomodá-lo; a liturgia sofre há décadas com a criatividade paroquial; a Alemanha vem há anos ensaiando o cisma por etapas e o Partido Comunista da China ordenando bispos; a Cúria coloca cardeais a serviço de prefeitas religiosas, enquanto casais homossexuais são abençoados desde que não rezem em latim; o trabalho pastoral já não é conduzir as almas à verdade, mas sim amenizar essa verdade, a ponto de ocultá-la completamente, e a sinodalidade conseguiu que antigas heresias renasçam reluzentes, como se tivessem acabado de sair de uma sessão de brainstorming”. Continuar lendo

Para ler a Meditação de Santo Afonso para essa data, clique aqui.
Para ler e ouvir um Sermão de D. Lefebvre, de 1990, sobre a Festa da Assunção, clique aqui.
Para ler e ouvir um Sermão de D. Lefebvre, de 1975, sobre a Festa da Assunção, clique aqui.
Para ler um Sermão de São Tomás de Villanueva sobre a Festa, clique aqui.
Para ler a belíssima Encíclica MUNIFICENTISSIMUS DEUS, de Pio XII, que define o Dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu em Corpo e Alma, clique aqui.
Abaixo colocamos o momento da proclamação do dogma pelo Papa Pio XII

Da obra-prima Meu Único Rei – Escritos Afonsianos para Viver Bem no Tempo e na Eternidade.
Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est
[…] Observando a maneira pela qual a maioria dos padres reza a Missa, com tanta pressa e com tanto barulho nas cerimônias, deveria-se chorar, e chorar lágrimas de sangue. A eles seria bom dizer como Clemente de Alexandria repreendeu aos sacerdotes gentios, ou seja, que eles transformavam o céu em palco e Deus em personagem de peça teatral: Oh impietatem! scenem coelum fecestis, et Deus factus est actus.
Mas o que quero dizer com peça? Ah, quanta atenção esses sujeitos prestariam se tivessem que representar um papel em uma peça teatral! E quanto à Missa, que atenção prestam nela? Palavras mutiladas, genuflexões no ar que mais parecem atos de desprezo do que de reverência, sinais da cruz que não se sabe o que significam, caminham ao redor do altar e se viram de um jeito até mesmo engraçado, depois manuseiam a hóstia sacrossanta e o cálice consagrado como se tivessem um simples pedaço de pão e um cálice de vinho nas mãos, desordenam as palavras da Missa com as cerimônias, encavalando-as uma em cima da outra antes do tempo estipulado pelas rubricas……enfim, toda a sua Missa não passa, do começo ao fim, de um amontoado de desordem e irreverência. Continuar lendo

“O que Deus quis ao vir entre nós, senão nos mostrar o seu Amor? Se até agora não nos apressamos em amá-Lo, pelo menos não demoremos mais em retribuir-Lhe amor por amor.”
Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est
O que não tem valor aparente atrai pouca atenção. Esse é o destino reservado, com demasiada frequência, ao Evangelho. O fiel católico ouve e lê trechos da Sagrada Escritura todos os domingos na missa. O hábito se instala e, com ele, a falta de atenção. Tal descuido é profundamente prejudicial. Pois o que é a Sagrada Escritura, senão uma sucessão de cartas inspiradas pelo coração de Deus, nas quais Ele se revela às suas criaturas? Para ler essas cartas, é preciso, antes de tudo, possuir o espírito que as inspirou. “A letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Cor 3, 6). Sem a fé e a humildade, o texto sagrado permanece mal compreendido, ou carece da atenção necessária. Torna-se, então, letra morta para a alma.
Para evitar essa armadilha, é essencial lembrar um fato singular acima de todos os outros: Deus escreve ao homem. O Deus Trino digna-se a adaptar-se aos modos de agir do homem, sua criatura, para se dar a conhecer a ele. A simples constatação desse fato mostra até que ponto a Sagrada Escritura é importante em toda vida cristã. Oprimida pelas múltiplas preocupações do dia a dia, provada pelas dificuldades da existência ou simplesmente entorpecida pela rotina ou pela mundanidade, a alma fiel chega, às vezes, a esquecer uma verdade que, no entanto, é primordial e fundamental: Deus nos ama, Ele se importa conosco. Continuar lendo
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Nesta última aula, Dom Lourenço Fleichman faz uma descrição das 14 aulas – sendo algumas em duas partes – do Curso sobre a crise na Igreja Católica. Agradece a todos os colaboradores e menciona os comentários dos assistentes, fazendo uma crítica aos espírito de desordem dos sedevacantistas, e lamentando não ter podido responder aos bons comentários e às dúvidas de boa fé de muitos. No final, uma visão sobre as Sagrações de Ecône no momento da tempestade simboliza o bom combate pela fé.
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Revmo. Pe. Carlos Mestre, na igreja Nossa Senhora Rainha de Portugal, em Lisboa, no décimo Domingo depois de Pentecostes, sobre o que é a verdadeira religiosidade, por oposição às observância das meras práticas exteriores, conforme demonstra a bela passagem do Evangelho deste dia sobre o fariseu e o publicano.
A Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo não é propriamente um milagre, mas a cessação momentânea de um milagre: o da Encarnação do Verbo. Durante algum tempo, Jesus abdica dos direitos e prerrogativas da Sua divindade; a Sua pessoa divina esconde a Sua glória e faz-Se voluntariamente, durante toda a Sua vida terrena, um mortal. Esconde a Sua divindade para preparar a Sua Paixão. A Sua Transfiguração, ao mostrar-nos por um momento no estado glorioso em que devia ter estado durante toda a Sua vida, mostra-nos ainda mais claramente o Seu Amor por nós, o Seu ardente desejo de sofrer pelos nossos pecados e, consequentemente, o mérito infinito de tantas humilhações, ignomínias e sofrimentos assim aceites, desejados e preferidos por Sua livre vontade.A iluminação do monte Tabor antecipa o escândalo do monte Gólgota. Aquele que seguiremos com lágrimas através de todas as fases dolorosas da Paixão é verdadeiramente, pela Sua natureza consubstancial a Deus Pai, coroado de glória e de honra, o Rei do Céu, a alegria dos Anjos, o soberano Juiz que virá um dia, em todo o esplendor da Sua majestade, julgar todos os homens…
Este rosto, que será profanado por golpes e saliva, desfigurado, torna-se mais brilhante do que o sol do monte Tabor, transfigurado: Continuar lendo

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est
Foi o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, quem assinou, em 2 de julho de 2026, o decreto de “excomunhão” contra os bispos sagrantes e sagrados da Fraternidade São Pio X, e que ameaçava com a mesma sanção os sacerdotes e fiéis que aderissem ao “cisma”.
Essa aplicação do Direito Canônico não é isolada; ela se insere no âmbito do magistério “líquido” da Igreja “sinodal”. De fato, essa “excomunhão” é decretada por um prelado que foi o redator do Papa Francisco, para quem escreveu “Amoris laetitia” [2016] — autorizando os divorciados civilmente recasados a receber a comunhão —, bem como “Fiducia supplicans” [2023] — permitindo a bênção de casais do mesmo sexo.
A propósito, vale lembrar que Víctor Manuel Fernández, antes de se tornar a eminência que é hoje graças a Francisco, é autor de duas obras: “Sáname con tu boca: El arte de besar” [Cura-me com tua boca: a arte de beijar, 1995] e “La pasión mística: espiritualidad y sensualidad” [A paixão mística: espiritualidade e sensualidade, 1998]. Os títulos eloquentes desses livros — dos quais nunca se retratou — afirmam que a temperança é uma virtude cardinal… exceto para o cardeal Fernández. Continuar lendo

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est
A Profissão de Fé Católica que a Fraternidade São Pio X dirigiu ao Papa Leão XIV e a todos os cardeais em 24 de junho de 2026, uma semana antes das sagrações episcopais de 1º de julho, está em direta consonância com a Carta Aberta dirigida a João Paulo II por D. Marcel Lefebvre e D. Antonio de Castro Mayer em 21 de novembro de 1983, nove anos após a famosa Declaração do fundador da Ecône em 21 de novembro de 1974, e cinco anos antes das sagrações de 30 de junho de 1988. A crise na Igreja continua, a doutrina da Igreja permanece.
Eis o que os dois bispos, que realizaram juntos a sagração em 1988, escreveram a João Paulo II em 1983: “Milhares de clérigos e milhões de fiéis vivem em angústia e perplexidade devido a ‘autodestruição da Igreja’. Os erros contidos nos documentos do Concílio Vaticano II, as reformas pós-conciliares e, especialmente, a reforma litúrgica, as falsas concepções disseminadas por documentos oficiais e os abusos de poder perpetrados pela hierarquia os lançam em turbulência e desordem.”
“Nessas circunstâncias dolorosas, muitos perdem a fé, a caridade esfria e o conceito da verdadeira unidade da Igreja desaparece no tempo e no espaço. Para tanto, tomamos a liberdade de anexar a esta carta um anexo [intitulado: Breve Resumo dos Principais Erros da Eclesiologia Conciliar ] contendo os principais erros que estão na origem desta situação trágica e que, além disso, já foram condenados por seus predecessores.”
A lista a seguir apresenta um enunciado, mas não é exaustiva: Continuar lendo

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est
Em 2 de julho de 2026, um dia após as sagrações episcopais em Écône, o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, assinou um “decreto de excomunhão latae sententiae” que impunha automaticamente os bispos sagrantes e sagrados, e ameaçava com a mesma sanção os sacerdotes e fiéis que aderissem a esse “ato cismático”. Ou seja, somente na cerimônia de 1º de julho: mais de 16.500 fiéis, 589 padres, irmãos e seminaristas, e 397 religiosas, representando 65 nacionalidades.
A Roma atual excomunga muitos. Mas mantém silêncio sobre a Declaração de Fé da Fraternidade São Pio X de 14 de maio (Nouvelles de Chrétienté n.º 219, maio-junho de 2026, pp. 3-5), bem como sobre a Carta aberta ao papa e aos cardeais e a Profissão de fé católica de 24 de junho (DICI n.º 470, julho de 2026, pp. 8-11, e a presente edição das Notícias da Cristandade, pp. 13-22). Seriam esta declaração e esta profissão heterodoxas? Não revelariam elas as verdadeiras razões doutrinais da luta pela fé? Roma permanece em silêncio. E Leão XIV não recebeu o Padre Davide Pagliarani, apesar dos repetidos pedidos, em 2025 e 2026.
Roma prefere aplicar a lei de forma automática, sem considerações doutrinárias. A sanção se aplica por si só ou, melhor ainda, segundo alguns comentaristas, os bispos teriam se excomungado a si mesmos…“Dura lex, sed lex; a lei é dura, mas é a lei”, é a desculpa oferecida em voz baixa, pois esse formalismo jurídico pré-conciliar não se coaduna com a recepção fraternalmente ecumênica reservada à “arcebispa” anglicana, Sarah Mullally, ao abençoar cardeais romanos, no último dia 4 de maio. É melhor que a “excomunhão” ocorra automaticamente, sem que as autoridades precisem intervir. Para não terem de se retratar. Continuar lendo
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Caros fiéis,
Não podemos iniciar este 69º boletim sem manifestar, primeiramente, nossa profunda gratidão a Deus, nosso Senhor, que nos concede a graça de sermos membros da grande obra da Tradição, que é a Fraternidade São Pio X, autênticos filhos de Mons. Marcel Lefebvre, em tempos nos quais as almas se encontram tão perdidas, desamparadas e enganadas. Impõe-se, naturalmente, agradecer a nossos superiores, em particular ao Superior Geral, com o seu conselho, que nos guia neste caminho de fidelidade.
Manifestamos nossa gratidão igualmente ao estimado e querido Padre Francisco Mouroux, que dedicou sete incansáveis anos de seu sacerdócio, em terras estrangeiras, para nos guiar, santificar e instruir na Verdade, no amor à Igreja e à sua Tradição — em uma palavra, no caminho da salvação. Trata-se de uma tarefa que nos compete continuar com fidelidade, sob o manto e a guia de Nossa Senhora das Dores, Mãe do Divino Sacerdote.
Há exatamente um mês que vivenciamos as sagrações episcopais: momento em que se experimentou um sopro de cristandade em seu maior esplendor. Contudo, uma ponta de tristeza pairava sobre todos. Não tanto pelas ameaças concretizadas por parte do Santo Padre, o Papa, mas pela incompreensão, oposição e negação do Vigário de Cristo a respeito da Tradição. Nisto, paradoxalmente, manifestava-se aquela nota própria e essencial da Igreja que nunca deixa de brilhar em nossa querida Fraternidade, que não é outra coisa senão uma obra da Igreja: a sua romanidade. Continuar lendo