NADA SERÁ COMO ANTES – O MUNDO DEPOIS DA COVID – PARTE II

Perguntas e Respostas sobre a Covid-19 | Postal Saúde - Caixa de  Assistência e Saúde dos Empregados dos Correios

Fonte: Permanência

  1. Os efeitos reais do COVID-19

Para não evocar as consequências econômicas que se revelarão no futuro, basta-nos observar as repercussões imediatas das medidas:

– Redução drástica das liberdades: de circulação, de atividade profissional, de cuidados, de educação, encontros públicos e privados, de culto…

– Efeitos sobre as pessoas: efeitos psicológicos observados em consequência do isolamento, do confinamento, do distanciamento: conflitos familiares, dúvidas mórbidas, temor, medo, paralisia e atrofia da personalidade… tanto em adultos como em crianças.

– Efeitos na vida social: divisão entre as pessoas até as raias da denúncia. Um clima de suspeita: o próximo se torna um inimigo temível; cada um se torna um perigo vivo para todos, quer estejamos com boa saúde (incluindo portadores assintomáticos) ou doentes infectados… “Toda pessoa saudável é um doente que se ignora “(Knock, ou o triunfo de medicina, por Jules Romains).

Hoje em dia, a sociedade está dividida em três classes:

– Por um lado, os defensores indiscriminados de máscaras, luvas, viseiras, pulseiras de som, medidas sanitárias de distanciamento, gaiolas de plexiglass, aplicativos de rastreamento, vacina para todos; Continuar lendo

NADA SERÁ COMO ANTES – O MUNDO DEPOIS DA COVID – PARTE I

Perguntas e Respostas sobre a Covid-19 | Postal Saúde - Caixa de  Assistência e Saúde dos Empregados dos Correios

Um mal que espalha terror,

Mal que o Céu em sua fúria

Inventa para punir os crimes da terra,

O COVID (já que deve-se que chamá-lo por seu nome),

Capaz de enriquecer em um dia o Aqueronte,

Faz guerra aos humanos.

Nem todos morrem, mas todos são atingidos …(1)

 Fonte: Permanência

Este último verso prende nossa atenção uma vez que o frisson da morte adquiriu dimensões globais.

A mensagem de alerta internacional de profissionais da área de saúde para governos e cidadãos do mundo lançado pela United Health Professionnals (2), recebe a cada dia novo apoio: “Parem o terror, a loucura, a manipulação, a ditadura, as mentiras e a maior falcatrua sanitária do século XXI”. Em uma escala mais modesta, a Dra. Nicole Delépine, em um recente fórum do France-Soir(3), lançou a questão: Fim de uma epidemia ou de um pânico organizado. Por quê.

Por falta de competência, não nos cabe mais do que uma opinião pessoal. Não podemos nos posicionar sobre assuntos que devem ser reservados a profissionais de verdade, e não a ´cientistas de opereta´, a ilustres anônimos encerrados em um comitê científico ou a profissionais de redes de televisão.

Contudo, o constante assédio da mídia, o zelo frenético das autoridades para intervir, nos conduzem a refletir e tentar entender o que está em jogo nesta agitação planetária (4).

Algumas observações e perguntas

1.1. O Grande espetáculo

Com grande espalhafato de imagens e repercussão televisiva, pudemos assistir os fechamentos de aeroportos, as crônicas do obituário diário, os transportes TGV-COVID, a repetição incessante da mídia sobre a utilidade dos hospitais de campanha ou do plano Branco e Azul, a implementação abortada de drones de vigilância…

1.2. Origem do vírus

Natural ou projetado em laboratório? Este debate sobre a origem do vírus não é sem importância porque é uma fonte de interrogações para a pessoa comum: Se houve manipulação, por qual motivo? mera pesquisa ? objetivo curativo, político? O que é evidente é que o COVID-19 é atualmente objeto de consideração, tanto de autoridades locais como de organismos internacionais, a exemplo do que diz Klaus Schwarb, fundador e presidente executivo da World Fórum Econômico (WEF), mais conhecido como Fórum de Davos (5)“A pandemia apresenta uma oportunidade rara e limitada de repensarreinventar reerguer nosso mundo do zero.” Continuar lendo

DO MAGISTÉRIO VIVO E DA TRADIÇÃO – PARA UMA “RECEPÇÃO TOMISTA” DO VATICANO II?

Concílio Vaticano II. Um Guia de Leitura | by IHU | Instituto Humanitas  Unisinos | Medium

Fonte: Courrier de Rome – Tradução: Dominus Est

Nos dias 15 e 16 de maio de 2009 ocorreu, nas instalações do Instituto católico de Toulouse, um colóquio organizado pela Revue thomiste e pelo Instituto Santo Tomás de Aquino, sob a direção do Padre Serge Thomas Bonino, O.P. O colóquio tinha como tema: «Vaticano II – Ruptura ou continuidade. Apresentação das hermenêuticas». Cerca de cem ouvintes, a maioria do clero, estavam presentes. A ausência da Fraternidade São Pio X parece ter sido notada com grande pesar pelos próprios organizadores. A publicação das Atas do colóquio foi anunciada para 2010. Mas os ditos do Padre Bonino em seu convite já explica suficientemente o sentido dessa iniciativa: «Nosso colóquio se propõe a refletir sobre a maneira pela qual a corrente teológica originada em Santo Tomás de Aquino pode colaborar para uma Recepção do Vaticano II que honre o Concílio como um ato da Tradição viva». Para atingir esse objetivo, o método é todo ele exposto: «Trata-se de destacar simultaneamente o aspecto “memória” e o aspecto “novidade” desse ensinamento magno do Magistério do século XX. É a exigência que o Papa Bento XVI indicava aos teólogos em seu discurso à Cúria romana em 22 de dezembro de 2005 quando ele propunha distinguir entre “hermenêutica da continuidade” e “hermenêutica da ruptura”».

Partindo desse fato que o Discurso de 22 de dezembro dirigido pelo papa Bento XVI à Cúria afirma a continuidade dos ensinamentos do Vaticano II em relação à Tradição viva da Igreja, os organizadores desse colóquio quiseram refletir sobre a maneira pela qual a teologia tomista poderia justificar essa continuidade, no âmbito da hermenêutica proposta por Bento XVI. Na intenção do papa, a hermenêutica da continuidade deveria triunfar sobre as extrapolações progressistas advindas da hermenêutica da ruptura a qual o Discurso à Cúria denuncia enquanto tal. É por isso que, retomando a proposta do Padre Bonino, a continuidade viva deve se definir como a síntese de dois aspectos: o aspecto memória e o aspecto novidade, ou, retomando as expressões de Bento XVI, longe de qualquer ruptura, ela deve corresponder a uma síntese de fidelidade e dinamismo. A partir de então, caberia à teologia elaborar os elementos especulativos dessa síntese, e o colóquio de Toulouse quis preparar o terreno para uma contribuição tomista à hermenêutica do Concílio.

É justificável tal proposta? Para responder a essa questão, examinaremos primeiro se o Vaticano II pode se apresentar como um «ensinamento magno do Magistério do século XX», e verificaremos por esse meio qual é o valor do magistério do Concílio (1ª parte). Em seguida, examinaremos o significado preciso do Discurso de 22 de dezembro de 2005 e determinaremos por meio desse exame em qual o sentido o Papa Bento XVI concebe a hermenêutica do Concílio (2ª parte). Isso nos proporcionará depois a ocasião para resgatar a definição de Tradição, que é o ponto fundamental do qual depende a solução das graves dificuldades suscitadas no último Concílio (3ª parte). Continuar lendo

ESPECIAL CORONAVÍRUS: SERMÕES DA FSSPX COSTA RICA

FSSPX – Un Católico Perplejo

TEÓRICOS DA CONSPIRAÇÃO

covid

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

“Este artigo foi publicado no Courrier de Rome em maio de 2020. Notícias recentes nos levam a oferecê-lo novamente.”

1- A paz mantém uma profunda afinidade com a unidade. Pois a paz é a tranquilidade da ordem e a ordem é uma certa forma de unidade. Estamos em paz quando não estamos dispersos, dissipados, divididos, mas antes ao contrário: unidos e unificados em nosso conhecimento e em nosso amor. A perturbação, contrária à paz, ocorre quando nossa inteligência tem dúvidas, porque ou ela é solicitada em duas considerações contrárias ou quando nossa vontade está dividida entre dois desejos opostos.

2 – O surgimento do Coronavirus, sobre o qual tanto temos falado, provocou medidas restritivas e repressivas sem precedentes em todo o mundo. Estas têm sido ocasião de uma crise econômica e financeira incomparáveis. E tudo isso mostra como é fácil agora para nossos líderes colocar quase toda a população mundial sob controle.

3 – Há cerca de três meses, muitas pessoas têm compartilhado reflexões que esses diferentes eventos suscitam. Seria talvez demasiado fácil designá-los como “conspiradores” e é, de fato, a vantagem de tais slogans dispensar a reflexão e dar o pretexto fácil para uma rejeição que nenhuma motivação séria pode apoiar. Os slogans geralmente são claros e diretos, como qualquer coisa simplista. Além desse ostracismo do slogan, vamos pensar um pouco. O que é um “conspirador“?

4 – Em certo sentido, somos todos mais ou menos assim, pois “Todo homem deseja naturalmente conhecer“, diz Aristóteles. Todos buscamos explicações e isso é inevitável, porque está profundamente enraizado em nossa natureza humana: sempre procuramos saber “por quê?” E, ao fazer isso, buscamos conhecer as causas. Pois, precisamente, o saber e a ciência consistem no conhecimento das causas, em buscar o “porquê“. Nesse sentido, todo homem é evidentemente um teórico da conspiração, e, para ele não o fosse, teria de ser despojado de sua natureza humana! Continuar lendo

A CAPACIDADE DE FAZER O MAL É UM DEFEITO DA VONTADE – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Vamos esclarecer uma coisa. A capacidade de fazer o mal é um defeito da liberdade. Isso é o que o liberalismo condena. Para os liberais, precisamente, o homem é livre; somos livres e por isso podemos fazer o bem e o mal, e se não pudéssemos fazer o mal, não seríamos livres. Esse é o seu raciocínio.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Se a capacidade de escolher entre o bem e o mal fosse um bem e uma perfeição, teríamos a impressão de poder fazer mais do que se escolhêssemos apenas coisas boas: poderíamos também escolher as más. À primeira vista, seria uma capacidade mais ampla, mas não é assim, porque se fosse uma perfeição também a seria para Deus, que desta forma também poderia fazer o mal. Porém, Deus é sumamente livre. Ele possui liberdade em um grau infinito, mas não pode fazer o mal. O mesmo acontece com os bem-aventurados, anjos ou homens.

Por outro lado, os anjos, antes de sua prova, podiam fazer o mal moral, ou seja, pecar. Deus lhes havia proposto algo novo: sua possível elevação à visão beatífica ou, como dizem alguns, havia-lhes revelado o mistério da Encarnação e sua vontade de fazer-se homem. E então alguns se rebelaram. Descartaram a necessidade de algo que já não possuíam por natureza, ou sendo puros espíritos, negaram a obrigação de adorar um Deus homem, composto de matéria, ou seja, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Portanto, para os anjos e para os homens, a capacidade de cometer o mal não é nenhuma perfeição. Isso é exatamente o que Santo Agostinho enfatizou contra os pelagianos:

“Se a possibilidade de enganar-se no bem fosse da essência e da perfeição da liberdade, então Deus, Jesus Cristo, os Anjos, os Bem-aventurados, entre os quais este poder não existe, ou não seriam livres, ou, pelo menos, o não seriam tão perfeitamente como o homem em seu estado de prova e imperfeição” 

Com certeza, isso é impensável. Deus, os anjos e os eleitos seriam menos livres e menos perfeitos do que os homens. Ademais, basta refletir um pouco: escolher o mal só pode ser um defeito. Se fizermos uma comparação com a doença: o que é mais perfeito, estar doente ou não? Se estar doente fosse melhor do que não estar – os santos no céu não podem estar- os homens na terra poderiam “escolher” entre a saúde e a doença, e assim seríamos mais perfeitos na terra do que no céu. Isso é ridículo.

Escolher o mal é um defeito e não pode ser mais do que isso. No fundo, se escolhe a própria destruição … é suicidar-se. Querer o que é pecado é querer a própria imperfeição e, portanto, o nada. Como Deus poderia querer seu próprio mal? Isso é impossível, porque já não seria Deus. Como poderiam os anjos e os eleitos, que estão em perfeito gozo e absoluta perfeição, destruirem-se procurando o mal? Isso é impossível.

Vamos esclarecer uma coisa. A capacidade de fazer o mal é um defeito da liberdade. Isso é o que o liberalismo condena. Para os liberais, precisamente, o homem é livre; somos livres e por isso podemos fazer o bem e o mal, e se não pudéssemos fazer o mal, não seríamos livres. Esse é o seu raciocínio.

Este é o pensamento que norteia nossas sociedades atuais, ditas liberais: o homem é livre e deve poder exercer sua liberdade e fazer o que quiser.

D. Marcel Lefebvre – Sou eu, o acusado, quem deveria vos julgar

NA HOLANDA, O ANJO DA MORTE PAIRA SOBRE OS BERÇOS

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Hugo de Jonge, Ministro da Saúde da Holanda, anunciou na Câmara dos Deputados que o governo examinaria a possibilidade de permitir a eutanásia de crianças e pré-adolescentes. A Conferência Episcopal do país se pronuncia contra uma medida que, se adotada, tornaria essa prática gravemente ilícita, aplicável agora a todas as idades.

À primeira vista, não ousamos acreditar. Mas temos que lidar com a terrível realidade: a Holanda está pensando seriamente em legalizar o assassinato de crianças a partir de um ano de idade.

Como fazer para alterar a legislação, em uma civilização secularizada onde qualquer forma de transcendência se reduz ao mínimo de saúde e bem-estar? Basta confiar nos relatos de médicos e especialistas, os oráculos contemporâneos.

Assim, em 2019, três hospitais universitários holandeses publicaram um relatório quase inacreditável, afirmando que “84% dos pediatras na Holanda querem a eutanásia ativa para crianças entre 1 e 12 anos“. Continuar lendo

IDEOLOGIA DE GÊNERO: MAIS UM PASSO DA REVOLUÇÃO ANTICRISTÃ

Ideologia de Gênero | Cooperadores da Verdade

“A Revolução é o triunfo do esforço de todas as potências tenebrosas que se sucederam no curso dos séculos (…), a coroação do incansável combate que o Inferno não cessou de travar contra a ordem divina, geração pós geração (…) e objetiva quase que exclusivamente a destruição do Cristianismo. Pois bem: o Cristianismo somente se encontra em estado íntegro, vivo e expansivo na Igreja Católica” (Jean Ousset, “Para que Ele reine”)

Pe. Ricardo Olmedo, FSSPX

Introdução

 O tema desta conversa é a descrição de um novo intento e ataque à ordem natural, à civilização cristã e à Igreja.

Por trás desse intento existe um poder oculto, inimigo de Deus, cuja cabeça só pode ser Satanás, que, por meio de organismos internacionais, organizações não governamentais e meios de comunicação de massa, vai impondo ideologias e modos de pensar e falar, em aberta oposição à Igreja Católica, à ordem cristã e natural. Sua meta: a Nova Ordem Mundial, humanista, antropocêntrica, na qual Deus é substituído pelo homem; um pretenso paraíso terrestre, em lugar da vida eterna.

Já faz mais de um século e meio que esse inimigo foi clara e publicamente denunciado pela hierarquia eclesiástica: “A Igreja teve outros inimigos (…); venceu a todos. Hoje, tem de enfrentar a Revolução”. E Monsenhor Gaume a definiu assim:

“Se, arrancando-lhe a máscara, perguntarem-lhe: ‘Quem és tu?’, ela responderá: ‘Não sou o que se imagina. Muitos falam de mim, mas poucos me conhecem. Não sou nem a Carbonária…, nem o motim…, nem a mudança da monarquia em república, nem a substituição de uma dinastia por outra, nem os distúrbios momentâneos da ordem pública. Não sou nem as vociferações dos jacobinos, nem os furores da Montanha, nem o combate de barricadas, nem o saque, nem o incêndio, nem a lei agrária, nem a guilhotina, nem os afogamentos. Não sou nem Marat, nem Robespierre, nem Babeuf, nem Mazzini, nem Kossuth1. Estes homens são meus filhos, não são eu mesma. Estes homens e estas coisas são fatos passageiros; já eu sou um estado permanente. Sou o ódio de toda ordem não estabelecida pelo homem e na qual ele não seja rei e Deus a um só tempo. Sou a proclamação dos direitos do homem sem a preocupação com os direitos de Deus. Sou a fundação do estado religioso e social sobre a vontade do homem em vez da vontade de Deus. Sou Deus destronado e o homem posto em seu lugar (o homem chegando a ser, ele mesmo, a sua finalidade). Eis aqui por que me chamo Revolução, quer dizer, inversão’.”

Nesse plano orgulhoso, blasfemo e diabólico, uma nova inversão vai se impondo com força avassaladora: a ideologia do gênero, aberrante atentado contra a ordem natural. É o que iremos expor com brevidade, propondo ao final algumas idéias para combatê-la. Continuar lendo

“ENQUANTO ELES DESTROEM, TEMOS A FELICIDADE DE CONSTRUIR”

Capela São José: Mons. Marcel Lefebvre - Cismático?Tal cegueira, só se explica como a realização da profecia de São Paulo, “lhes enviará um poderoso enganador, afim de que creiam na mentira” (2 Ts 2, 11). Que castigo mais terrível pode haver do que uma hierarquia desorientada? Se dermos crédito à Irmã Lúcia, isto é precisamente o que Nossa Senhor predisse na terceira parte do Segredo de Fátima: a Igreja e sua hierarquia sofrerão uma “desorientação diabólica, e esta crise corresponde ao que o Apocalipse nos diz sobre o combate da Mulher contra o Dragão. A Santíssima Virgem nos assegura que no final desta luta “seu Coração Imaculado triunfará”.

Compreendereis então porque apesar de tudo não sou pessimista. A Santíssima Virgem sairá vitoriosa, Ela vencerá a grande apostasia fruto do liberalismo. Uma razão para não ficarmos de braços cruzados! Devemos lutar mais do que nunca pelo Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Neste combate não estamos sós; temos conosco todos os papas até Pio XII inclusive. Todos combateram o liberalismo para salvaguardar a Igreja

Deus não permitiu que lograssem, mas isto não é razão para abaixar armas! É necessário resistir, é necessário construir enquanto outros destroem. É necessário reconstruir as cidades destruídas, reconstruir os baluartes da fé. Primeiro o Santo Sacrifício da Missa de sempre, forjada de santos. Depois nossas capelas que são na verdade nossas paróquias, mosteiros, as famílias numerosas, os empreendimentos fiéis à doutrina social da Igreja, nossos homens políticos decididos a fazer a política de Jesus Cristo. Devemos restaurar um conjunto de costumes, vida social e reflexos cristãos, com a amplitude e a duração que Deus queira. Unicamente o que sei e que a fé nos ensina, é que Nosso Senhor Jesus Cristo deve reinar neste mundo agora e não somente no fim do mundo, como quiseram os liberais!

Enquanto eles destroem, nós temos a felicidade de construir. Felicidade ainda maior porque gerações jovens de sacerdotes participam com zelo desta tarefa de reconstrução da Igreja, para a salvação das almas.

Pai nosso, venha a nós o Vosso Reino!

Viva Cristo Rei!

Espírito Santo enchei o coração de vossos fiéis.

Imaculado Coração de Maria, seja a nossa salvação.

 

Trecho do livro “Do Liberalismo à Apostasia” – Mons. Marcel Lefebvre

QUANDO A ECOLOGIA SUBSTITUI A TEOLOGIA

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação” foi lançado pelo Papa Francisco em 2015, no espírito da Laudato si (24 de maio de 2015), sua encíclica “ambiental”, como a imprensa a descreve.

Este ano, o Dia pelo Cuidado da Criação inaugura o “Tempo da Criação”, um período de um mês – de 1 de setembro a 4 de outubro – e dedicado ao “Jubileu pela Terra”. 

Na mensagem que o Papa publicou no dia 1º de setembro, podemos ler – entre outras coisas – que devemos “reparar a harmonia original da Criação“, “equilibrar as relações humanas comprometidas“, exigir “justiça reparadora” dos países do Norte em relação aos países do Sul, porque – aos olhos de Francisco – os países ricos contraíram “uma enorme dívida ecológica, devido principalmente ao roubo de recursos e ao uso excessivo do espaço ambiental comum para a eliminação de resíduos. ” 

Em preparação para a cúpula do clima em Glasgow (Reino Unido), adiada para 2021 devido à pandemia, cada país é convidado pelo Papa “a adotar objetivos nacionais mais ambiciosos para a redução das emissões poluentes”. 

Para Francisco, trata-se de restaurar o equilíbrio climático e se unir para limitar o aumento da temperatura média ao patamar de 1,5 ° C, objetivo fixado pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, em português)

Segundo o Papa, outra aposta capital é a preservação da biodiversidade, para salvaguardar 30% da Terra como habitat protegido antes de 2030. Segundo ele, a 15ª reunião da Convenção da ONU sobre diversidade biológica, em Kunming, na China – também adiada para 2021 – deve constituir uma verdadeira “reviravolta” para que a Terra volte a ser um lar onde a vida é “abundante”. Continuar lendo

A IGREJA CONCILIAR SUBSISTE

Como tantas vezes já denunciamos, o Concílio Vaticano II fundou uma nova religião, tendo como base um credo ecumenista, que admite e exige dos seus membros o pluralismo religioso, em nome do Homem, que foi colocado como o deus de um novo mundo.

Gustavo Corção nos deu a chave do mistério que envolve essa nova Igreja humanista, quando propos que uma mesma hierarquia governa as duas Igrejas, a Católica e a Igreja ecumênica de Vaticano II.

Essa nova religião foi chamada, pelo Card. Benelli, de Igreja conciliar, oposta em tudo à Igreja Católica; tanto na sua doutrina que é modernista, como no novo Direito Canônico, na nova Biblia, nos seus ritos sacramentais, sobretudo na Missa Nova.

O artigo que leremos agora nos ajuda a não termos escrúpulos por causa da marginalidade que os chefes dessa nova Igreja nos impõe. Ele foi publicado na Revista Le Sel de la Terre, nº 85, 2013.  [Nota da Editora Permanência]

D. TISSIER DE MALLERAIS: CONTRA A HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE NA  DIGNITATIS HUMANAE | DOMINUS EST

A IGREJA CONCILIAR SUBSISTE

Dom Bernard Tissier de Mallerais, FSSPX

A Igreja conciliar, que está destinada a se auto demolir, faz um grande esforço para subsistir.  Em que consiste a sua tenacidade? Consiste em que a sua hierarquia usa de todo o poder da hierarquia católica que ocupa, detém e desvia.  Leia a continuação.

Desde a instauração da missa de Paulo VI, essa hierarquia perseguiu, continuamente, os sacerdotes fieis à missa verdadeira, ao catecismo verdadeiro, à verdadeira disciplina sacramental, e também perseguiu os religiosos fieis à sua Regra e a seus votos. Vários são os sacerdotes que morreram de desgosto por dever – por obediência, acreditavam eles – adotar os novos ritos e usos. Vários também foram aqueles que morreram no ostracismo, pressionados canônica e psicologicamente, porém felizes em dar um testemunho inflexível do rito católico, da fé íntegra e de Cristo-Rei. As ameaças, o medo, as censuras e outras punições não os abalaram. Contudo, é triste constatar quantos são aqueles que cederam a esses métodos de violência, à chantagem da « desobediência » e da destituição exercida por seus superiores.

E nisso colocamos o dedo na ferida da malícia liberal desses superiores : Não se diz, com toda razão, que não há alguém mais sectário que um liberal ?   Não tendo princípios para fazer com que a ordem reine, fazem com que reine um regime de submissão pelo terror. Continuar lendo

OS ANTIFASCISTAS

“They are not rebelling against an abnormal tyranny; they are rebelling against what they think is a normal tyranny — the tyranny of the normal.” (Chesterton)

Fonte: Boletim Permanencia

Como uma mola comprimida, o estranho confinamento das últimas semanas terminou numa explosão de anarquia. Sob o aplauso da imprensa — que parece aprovar quando a aglomeração é desse teor — multidões passaram a se reunir nas ruas em várias capitais do mundo, depredando o patrimônio público e agredindo populares. Tudo em nome da democracia, da tolerância ou de um mundo melhor.

Essa explosão de ódio não poupou a Igreja. Na Espanha, em La Roda de Andaluzia, um monumento ao Sagrado Coração de Jesus foi decapitado, enquanto, em Portugal, uma estátua do Padre Antônio Vieira foi vandalizada. Nos Estados Unidos, o ódio iconoclasta voltou-se contra as origens do país: estátuas de Cristóvão Colombo foram depredadas em pelo menos duas localidade, bem como as de outras personalidades históricas.

Por detrás de tudo isso encontra-se um grupo chamado “Antifa”, que é a abreviação de anti-fascistas. “A violência instigada e produzida pelo “Antifa” e outros grupos similares em conexão com as manifestações é terrorismo doméstico e deverá ser tratado como tal” — declarou recentemente William Barr, Advogado Geral do governo norte-americano.

Foi esse grupo que aportou nas últimas semanas no Brasil, prometendo trazer para cá as táticas e objetivos dos auto-proclamados grupos anti-fascistas, em atuação na Europa há quase um século. Continuar lendo

PANDEMIA, IGREJA E ESTADO – A HIERARQUIA DOS BENS

Breve considerações para os tempos de epidemia

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

“É por isso que, do mesmo modo que a ninguém é lícito descurar seus deveres para com Deus, e que o maior de todos os deveres é abraçar de espírito e de coração a religião, não aquela que cada um prefere, mas aquela que Deus prescreveu e que provas certas e indubitáveis estabelecem como a única verdadeira entre todas, assim também as sociedades não podem sem crime comportar-se como se Deus absolutamente não existisse, ou prescindir da religião como estranha e inútil, ou admitir uma indiferentemente, segundo seu beneplácito.” (1) .

1 – Essas fortes palavras do Papa Leão XIII não são a expressão de uma visão retrógrada, pois o Vigário de Cristo designa o próprio princípio da ordem social cristã, ordem necessária para uma expressão da sabedoria divina. O Cardeal Billot deu a justificação teológica para isso na segunda parte de seu Tratado sobre a Igreja (2).

2 – Essa ordem encontra sua profunda raiz na própria natureza do homem e em sua elevação gratuita a uma ordem sobrenatural. Os bens exteriores ao homem (as riquezas) são ordenados ao seu bem-estar corporal e o bem-estar corporal do homem é ordenado ao seu bem-estar espiritual natural, ou seja, ao bem natural de sua alma, e este bem natural da alma está, de alguma forma, ordenado ao fim último sobrenatural, à união sobrenatural do homem com Deus, pela qual a Igreja é responsável. É nessa medida exata em que o bem natural da alma é a condição necessária, embora não suficiente, do bem sobrenatural, uma vez que a graça pressupõe a natureza. Essa hierarquia de bens resulta na hierarquia dos poderes que cabe a eles adquirir (3).

3 – O poder do Estado tem (entre outros) em sua ordem própria, preservar a saúde pública (que é o bem do corpo) e de neutralizar para isso os efeitos nocivos de uma doença contagiosa. O poder da Igreja tem por fim, em sua ordem própria, assegurar o exercício do culto devido a Deus e determinar para isso, por meio de preceito, as condições concretas da santificação do domingo. Por serem distintas, cada um em sua própria ordem, o poder do Estado e o poder da Igreja não devem estar separados (4), porque o bem que cabe ao Estado não é, de fato, um fim último; ele mesmo é ordenado ao fim de ordem sobrenatural. Santo Tomás explica isso muito claramente no De Regimine, livro I, capítulo XV: “É o Papa quem cuida do fim último, a quem deve estar sujeito aqueles que cuidam dos fins intermediários, e é por suas ordens que eles devem ser direcionados”. (N ° 819). O Papa, portanto, exerce um poder “arquitetônico” em relação aos chefes de Estado e essa expressão significa que o Papa é responsável pelo fim último, segundo o qual os chefes de Estado são obrigados a organizar todo o governo da sociedade.

4 – A saúde, que é um dos principais aspectos do bem-estar corporal do homem, nada tem a ver com a santidade, pois é ordenada de alguma maneira ao exercício do culto e à santificação do domingo. Com efeito, mesmo que não seja necessário ter uma boa saúde para ser um santo e mesmo que alguém possa ser um santo sem ter uma boa saúde, normalmente, para poder ir à missa no domingo, um dos pré-requisitos é ter uma boa saúde. O papel do Estado é, portanto, preservar a saúde pública (e neutralizar uma epidemia) para assim oferecer a melhor condição para o exercício do culto, pelo qual a Igreja é responsável, e tornar ordinariamente possível a santidade. O Papa Leão XIII diz, com efeito, que “em uma sociedade de homens, a liberdade digna do nome consiste em que, com o auxilio das leis civis, possamos viver mais facilmente segundo as prescrições da lei eterna” (5). O Estado está, portanto, nessa questão, como em qualquer outra, na dependência da Igreja e subordinado a ela na medida exata em que seu papel é colocar o bem temporal, pelo qual é responsável, a serviço do bem eterno, cujo o Igreja é responsável. “O temporal“, diz Billot, “deve garantir que não haja impedimento à realização do espiritual e deve estabelecer indultos sob as quais pode ser obtido em completa liberdade“. E ele acrescenta que o fim temporal “não deve colocar nenhum obstáculo ao fim espiritual, e, se ele vir a se opor, deve favorecer o espiritual, mesmo à custa de seu próprio detrimento”(6). Palavras surpreendentes aos olhos da razão, mas palavras verdadeiras aos olhos da razão iluminada pela fé. Porque “é melhor entrar com um olho na vida eterna do que ser lançado com dois olhos no fogo do inferno”(7) . Continuar lendo

50 ANOS DA NOVA MISSA (PARTE 5): DOM GUÉRANGER E O MOVIMENTO LITÚRGICO (CONTINUAÇÃO)

Abadia de Solesmes, restaurada e ilustrada por Dom Guéranger

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os primeiros quatro artigos nos trouxeram ao século XIX, para Dom Guéranger e para seu magnífico trabalho de restauração da liturgia Romana, prelúdio e começo do movimento litúrgico. Há, entretanto, no trabalho do fundador de Solesmes, uma passagem notável que se amolda alegremente ao estudo da nova missa.

Heresia Anti-Litúrgica

No XIVº Capítulo do primeiro livro das ‘Instituições Litúrgicas’, Dom Guéranger caracteriza o espírito anti-litúrgico em suas várias manifestações falando de heresia. Por esse termo, que repeliu o Padre Lacordaire que entendeu isso em sentido estrito, ele [Dom Guéranger] não quis significar a negação ou recusa de verdades reveladas pela fé.

Sob o nome de heresia anti-litúrgica, Dom Guéranger descreve um espírito, uma atitude na qual “vai contra as formas de adoração”. Ele procede essencialmente pelo modo de negação ou destruição, que inclui qualquer transformação que perturba ao pont de desfigurar. Ele sempre procede de uma razão profunda, que tem como alvo as crenças em si, em razão do elo íntimo entre liturgia e credo.

Dom Guéranger não hesita em qualificar como sectários aqueles que trabalham para destruir a liturgia em quaisquer tempo que seja. Admitidamente, na maioria dos casos, eles não são organizados entre si. Mas suas ações procedem do mesmo motivo. Dom Guéranger não hesita em agrupá-los sobre o nome geral de seita.

O autor de ‘Instituições Litúrgicas’ descobriu a primeira manifestação disso [heresia anti-liturgica em Vigilance, um padre da Gália [Nome da atual região da França nos tempos do Império Romano] nascido por volta do ano 370. Ele criticava a veneração das relíquias dos santos, bem como o simbolismo das cerimônias, atacou o celibato de ministros sacros e vida religiosa, “tudo para manter a pureza da Cristianismo”.
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RUMO A UMA SEGUNDA MORTE PARA VINCENT LAMBERT

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O Tribunal Criminal de Rheims liberou o Dr. Vincent Sanchez em 28 de janeiro de 2020. O último figurou por “falha em assistir uma pessoa em perigo”, depois de haver ordenado a cessação dos cuidados que causou a morte de Vincent Lambert em 11 de julho de 2019.

De acordo com a corte de Rheims, o médico “respeitou totalmente as decisões da corte”, e os fatos alegados contra ele excluem qualquer intenção de ferir Vincent Lambert” (sic).

Como se privar um paciente severamente deficiente de toda a comida e hidratação não fosse causar dano a sua vida?

Tornado um dos símbolos do debate sobre a eutanásia na França, o então enfermeiro de 42 anos, em estado de consciência mínima desde seu acidente de trânsito em 2008, morreu de fome e sede em 11 de julho de 2019, no departamento de cuidados paliativos do centro hospitalar de Rheims.

Foram os pais do jovem homem – contrários à cessação dos cuidados básicos de alimentação e hidratação artificiais, direito de todo paciente sob a lei natural – que processaram o médico por “falha em assistir uma pessoa em perigo”.

No auge da controvérsia, o Estado Francês havia rejeitado o pedido do Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência para suspender a decisão de interrupção do tratamento.

Os pais de Vincent então valeram-se do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e enviaram uma carta aberta ao Presidente da República. Sem a tomada de medidas adicionais, como a classificação final do caso, ficam um pouco mais enfraquecidas as vidas dos 1.500 pacientes em estado de consciência mínima, identificados na França em 2019.

Poucos dias depois da liberação do Dr. Sanchez, os pais de Vincent Lambert e seus advogados decidiram recorrer da decisão, lamentando em particular que as medidas provisórias solicitadas pelo Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência não foram respeitadas.

MODESTIA, A VIRTUDE ESQUECIDA

Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Publicamos hoje o segundo podcast do casal Diogo e Sara, que frequentam o Priorado da FSSPX em Lisboa. O tema agora é a Modéstia.

Neste episódio explicamos a virtude da modéstia, qual o seu fundamento e importância. A parte mais interessante será sem dúvida o nosso testemunho na procura por viver a modéstia, o caminho feito até agora e os defeitos que ainda subsistem. Abordamos os temas mais difíceis: praias, vida familiar e especialmente a forma como as senhoras vestem nos dias de hoje.

MORTE CEREBRAL E TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS

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Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

Tendo em vista os comentários acerca da revogação do Papa Bento XVI do consentimento à doação de seus órgãos, acreditamos ser apropriado apresentar essa breve exposição do Pe. Peter Scott acerca desta importante questão moral, frequentemente confusa para os católicos.

Pe. Peter Scott estudou medicina antes de entrar no seminário e foi ordenado em 1988 pelo Arcebispo Lefebvre. Ele serviu como professor de Teologia, Filosofia, Latim e História no seminário, assim como dois termos consecutivos como Superior do Distrito dos EUA pela FSSPX e como pároco do Holy Cross Seminary em Goulburn, Austrália. Atualmente, ele é reitor em Ontario, Canadá. Seus artigos eruditos e respostas acerca das questões a medicina moderna vem sendo muito valorizados ao longo dos anos.

A frequência do transplante de órgãos nos últimos anos trouxe à tona um debate não resolvido pelos Papas João Paulo II e Bento XVI, apesar das inúmeras discussões sobre a questão. Este não se trata de um debate acerca da moralidade intrínseca do transplante de órgãos. Essa questão foi, de fato, resolvida pelo Papa Pio XII, quando de sua alocução sobre o transplante da córnea ocular, a qual pode ser extraída do cadáver de uma pessoa falecida. Sobre o assunto, disse o seguinte a especialistas em cirurgia oftalmológica em 14 de maio de 1956: “O cadáver não é, no sentido apropriado da palavra, o sujeito de direitos, pois está privado da personalidade, única causa que o tornaria sujeito de direitos. A extração não é mais uma remoção de um bem; os órgãos visuais não mais possuem, em efeito, a qualidade de um bem em um cadáver, pois não mais o servem, e estão privados de finalidade.” Retira-se então a seguinte conclusão: “A pessoa falecida de quem a córnea é  retirada não é lesada em nenhum dos bens ao qual ela possui um direito, nem no próprio direito a esses bens.” (Citado de Courrier de Rome, #312, junho de 2008).

Os mesmos princípios podem ser aplicados ao transplante de órgãos vitais, moralmente permissíveis se retirados de um cadáver. João Paulo II confirmou este claríssimo ensinamento em um discurso ao 18º Congresso Internacional de Medicina em Transplante em 24 de agosto de 2000: “Órgãos vitais individuais em um corpo podem ser removidos unicamente após a morte. Este requerimento é óbvio, visto que agir diferentemente significaria intencionalmente causar a morte do doador ao remover seus órgãos.” 

Morte Cerebral e Morte Real 

Empty hospital bed

Todavia, o debate se impõe acerca da determinação do momento do óbito, necessário para moralmente remover os órgãos e realizar o transplante. A dificuldade se encontra no fato de que o momento da morte, a separação do corpo de sua alma, não é um evento sempre evidente perante a investigação empírica. Além disso, é claro que, como admitido por Pio XII e João Paulo II, a determinação desse momento não é uma questão para a teologia ou o Magistério da Igreja, mas sim de qualidade técnica pela qual a profissão médica é responsável.

Antes de 1968, o momento do óbito era determinado pela parada das funções cardíaca e respiratória, absolutamente necessárias para manter a unidade do ser vivo. Todavia, em 1968, os critérios de Harvard foram propostos e aceitos, a saber, que a morte cerebral poderia ser utilizada para determinar o óbito. Professor Seifert, especialista na questão, afirmou o seguinte ao LifesiteNews em 24 de fevereiro de 2009: “É em vão que buscamos qualquer argumento a favor desta alteração inaudita da forma de determinar o óbito …exceto por duas razões pragmáticas para a introduzir, as quais nada tem a ver com o estado vital do paciente, mas unicamente lidam com a praticidade de o considerar ou definir como morto …o desejo de obter órgãos para implante e a fim de ter um critério para desligar a ventilação mecânica nas UTIs.”

É a identificação da morte cerebral à morte real o fundamento moral para toda transplante de órgãos vitais desde 1968, visto que essa permite a extração de órgãos de uma pessoa considerada juridicamente morta (consequentemente não uma pessoa, nem considerada portadora de dignidade ou direitos humanos, exceto tal como determinado em seu último testamento), apesar de manter toda a aparência de sua vida biológica, partindo do fato de que suas funções cardíaca e respiratória são mantidas artificialmente. Tal opinião foi encorajada pelo Papa João Paulo II quando do discurso supracitado de agosto de 2000:

“Podemos dizer que os critérios recentemente estabelecidos para determinar o óbito com certeza, a saber, a completa e irreversível cessação de atividade cerebral, se rigorosamente aplicados, não parecem estar em conflito com os elementos essenciais de uma antropologia séria …a certeza moral é considerada a base necessária e suficiente para agir de forma eticamente correta.”

A opinião foi subsequentemente confirmada em 2006 por uma declaração da Santa Sé, intitulada “Por que o Conceito de Morte Cerebral é Válido como Definição do Óbito” (N.T.: tradução livre) e assinada pelo Cardeal Georges Cottier, então teólogo papal; Cardeal Alfonso Lopez Trujillo, naquele momento presidente do Conselho Pontifício para a Família; Cardeal Carlo Maria Martini, prévio Arcebispo de Milão; e Bispo Elio Sgreccia, na época presidente da Academia Pontifícia para a Vida.

Contudo, a declaração de João Paulo II certamente não foi definitiva, e, assim como Pio XII, ele aceitava o princípio de que, em dúvida, a pessoa deveria ser presumida viva, de forma alguma morta: “Ademais, reconhecemos o princípio moral segundo o qual mesmo a mínima suspeita de estar na presença e uma pessoa viva carrega consigo a obrigação de total respeito a ela e da abstenção de qualquer ação que busca ocasionar sua morte.” (20 de Março de 2004; Discurso a um congresso de médicos católicos). Seu assentimento para com a dúvida acerca dessa questão se evidenciou em sua aprovação da decisão da Academia Pontifícia para a Vida de convocar um encontro de especialistas em fevereiro de 2005 “Da Determinação do Momento Preciso da Morte” (N.T.: tradução livre), cujo propósito seria nulo se o critério neurológico fosse a resposta segura da questão.

Bento XVI prosseguiu com a mesma atitude deveras ambígua, de um lado a favor do transplante de órgãos como ato de caridade (ele mesmo um portador do cartão de doador de órgãos até ser eleito Papa), do outro insistindo que apenas a morte verdadeira pode legitimar o transplante. Professor E. Christian Brugger, colaborador sênior em Ética na fundação Culture of Life, ressaltou que em sua alocução de novembro de 2009 em uma conferência sobre transplante de órgãos organizada parcialmente pela Academia Pontifícia pela Vida, Bento XVI “advertiu que o princípio de certeza moral para a determinação do óbito deve ser de altíssima prioridade aos médicos. Com seu grupo de palestrantes, essa conferência …não tocou na questão moral que é central na controvérsia acerca dos transplantes de órgãos.” (LifeSiteNews, 4 de fevereiro de 2011).

Enquanto eticistas de escola tradicional mantêm a esperança de que a opinião no Vaticano retorne a condenar a morte cerebral como critério de morte real, devemos nos perguntar o porquê de tamanha timidez em frente a tão importante questão. Por que é que a evidente observação do bom senso de que a morte cerebral não é causa de dissolução do organismo, nem de sua unidade, nem de suas atividades vitais, não é claramente admitida  por teólogos modernistas? Só pode haver uma explicação: a influência da ética casuística, que declara que a moralidade de cada ato particular depende essencialmente das circunstâncias, e não do ato em si, resulta na hesitação em condenar atos como intrinsecamente maus. Isto, combinado com o foco em uma ética mais secular, concentrando valor na existência física do homem, em oposição à primazia de sua alma e de sua salvação eterna, gera tal confusão. Se apenas tivéssemos a clareza do Papa Pio XII que, em seu discurso sobre os problemas da ressuscitação, afirmou: “A vida humana prossegue enquanto suas funções vitais – o que não é a simples vida dos órgãos – prosseguem a se manifestar espontaneamente ou com o auxílio de procedimentos artificiais.(no Courrier de Rome, supracitado).

A falsidade da regra do doador falecido

Uma contribuição particularmente interessante ao debate sobre a moralidade da remoção de órgãos de pessoas consideradas cerebralmente mortas provém de uma fonte inesperada. É o New England Journal of Medicine que a publicou, em 14 de agosto de 2008, vol. 359 (7), pg. 674-675, em um artigo que demonstra para além de quaisquer graves dúvidas que a remoção de órgãos é realizada em pessoas que estão verdadeiramente vivas, e que, de fato, é a própria extração desses órgãos vitais, como pulmões, coração, dois rins, fígado completo e pâncreas, a real causa de morte.

O título do artigo é “A Regra do Doador Falecido e Transplante de Órgãos” (N.T.: tradução livre) e foi escrito pelo Dr. Truong e Professor Miller (vide excerto abaixo).

Os autores não concluem que, desta forma, o transplante não deve ser realizado, mas, ao contrário, justificam-no por um não-princípio utilitarista de que a pessoa falecerá logo de de um modo ou de outro. Isto não podemos aceitar, visto que a Igreja consistentemente ensina que o fim não justifica os meios, e não se pode assassinar uma pessoa pelo bem que trará a outra pessoa. De qualquer forma, a passagem infracitada como nota ilustra o princípio de que o doador de órgãos é, de fato, uma pessoa viva, e, destarte, o ato de tomar seus órgãos é uma aniquilação deliberada de sua vida, e que o transplante de órgãos vitais só pode ser justificado como a tomada de uma vida para salvar ou prolongar outra – ou seja, é como se fazer de Deus. Os autores são inteiramente a favor de tal imoralidade, mas ao menos eles evitam a hipocrisia proveniente de qualquer tentativa de justificar esse ato dissimulando que a pessoa vítima de morte cerebral é, na realidade, uma não-pessoa falecida, ressaltando que ela mantém diversas funções vitais e poderia viver por anos nesse estado.

Em suas próprias palavras: “A inconfortável conclusão que provém desta literatura é que, apesar de ser perfeitamente ética a remoção de órgãos vitais de pacientes, para transplante, que satisfazem o critério diagnóstico de morte cerebral, a razão pela qual esse ato seria ético não pode ser de que temos o convencimento que eles estejam realmente mortos.” Os autores nem mesmo hesitam em questionar os motivos pelos quais a profissão médica alterou a definição de morte da parada de função cardíaca para a morte cerebral, com o simples fim de obter órgãos para transplantação: “Na pior das hipóteses, a atual aprovação [dessas alterações] sugerem que a profissão médica vem manipulando a definição de morte para que esta cuidadosamente se conforme com as condições mais favoráveis para transplante. Na melhor das hipóteses, a regra proveu um uma cobertura ética que não resiste ao escrutínio criterioso.”

Dada esta exposição, resta-nos o urgente problema moral dos pacientes que estão morrendo, e cuja única esperança é o transplante de fígado, pulmão ou coração. Certamente, se está nas mãos da profissão médica a determinação do óbito, da mesma forma é responsabilidade da Igreja afirmar claramente que a morte cerebral não é morte real, nem é justificativa para o transplante. Esses órgãos só podem ser efetivamente obtidos de corpos que ainda mantém suas funções vitais e estão intactos – ou seja, estão biologicamente vivos. O fato de que a pessoa sofreu morte cerebral não altera esse fato[ de que estão biologicamente vivos] de qualquer forma. Essas pessoas não possuem outra alternativa, a não ser aceitar sua enfermidade terminal e se preparar para uma morte santa. Aceitar a doação de órgãos é aceitar que se termine a vida de outro para seu próprio bem.

Contudo, deve-se distinguir claramente as pessoas que podem receber a doação de um órgão de uma pessoa viva, sem a remoção do órgão causar-lhe a morte. Este é o caso da transplante de um único rim, da parte de um fígado ou pâncreas (seja de uma pessoa em boa saúde, seja de alguém em vias de morte), da córnea ou de outros procedimentos não lesivos, como doação de medula óssea (N.T.: como todo procedimento invasivo, a doação de medula pode ocasionar danos ao doador, mas esses são transitórios. Numa rápida busca pela literatura, não encontrei um exemplo sequer de mortalidade. É neste sentido que o procedimento deve ser considerado “não lesivo”.) Pelo contrário, tais transplantes, que requerem um sacrifício da parte do doador, mas não a perda da vida, são fortemente encorajados dado que eles representem um tratamento médico apropriado e proporcional

Finalmente, deve-se recordar os católicos de que não se deve garantir uma permissão geral para o transplante de órgãos de seu próprio corpo, como é frequentemente requerido, e que não devem consentir que tal permissão seja incluída em sua carteira de motorista (N.T.: o autor exemplifica que é prática comum nos Estados Unidos que a permissão seja impressa na carteira de motorista. O exemplo se estende, naturalmente, a quaisquer permissões formais em documentos oficiais). Efetivamente, esse consentimento significaria permissão para remover seus órgãos imoralmente, consequentemente para seu próprio assassinato, no caso de uma morte cerebral, e retiraria de seus parentes católicos a capacidade de evitar a realização desse procedimento por parte da profissão médica.

Excerto citado:

Padre Scott citou o seguinte artigo publicado por Dr. Truong e Prof. Miller, publicado no New England Journal of Medicine, em 14 de agosto, edição de 2008, vol. 359 (7), pg. 674-675.

Ele chocantemente demonstra que a indústria médica admite que pacientes “cerebralmente mortos” estão, na realidade, vivos. Assim, conclui-se sem erros que a extração de órgãos vitais desses pacientes é um ato imoral.

A regra do doador falecido e transplante de órgãos

Trauma hospitalar

Desde sua concepção, o transplante de órgãos é conduzido pelo requerimento ético geral conhecido como regra do doador falecido, que afirma que pacientes devem ser declarados mortos antes da remoção de quaisquer órgãos vitais para transplantação.

Antes do desenvolvimento da terapia intensiva atual, o diagnóstico de morte era relativamente simples: pacientes estavam mortos quando se tornavam frios, azulados e enrijecidos. Infelizmente, órgãos desses cadáveres não podem ser usados para transplante. 40 anos atrás, um comitê ‘ad hoc’ da Faculdade de Medicina de Harvard, presidido por Henry Beecher, sugeriu a revisão da definição de morte a fim de que pacientes com lesão neurológica devastadora se tornassem aptos para o transplante de órgãos sob a regra do doador falecido.

O conceito de morte cerebral nos serviu bem e vem sendo a justificativa ética e legal para milhares e doações e transplantes essenciais para salvar a vida dos recipientes. Ainda assim, persistiram as questões acerca do estado vital de pacientes com lesão cerebral massiva, apneia e perda de reflexos do tronco cerebral. Afinal, quando a lesão é inteiramente intracraniana, esses pacientes parecem inteiramente vivos: estão quentes e rosados; digerem e metabolizam comida; excretam; passam por maturação sexual e até mesmo reproduzem. Para um observador casual, eles se parecem inteiramente com os pacientes que recebem ventilação artificial por longos períodos e dormem.

Os argumentos que defendem que esses pacientes devem ser considerados mortos nunca foram inteiramente convincentes. A definição de morte cerebral requer total ausência de todas as funções de todo o cérebro, entretanto eles retêm a função neurológica essencial, como a secreção regulada de hormônios hipotalâmicos. Há quem argumente que esses pacientes estão mortos pois estão permanentemente inconscientes (o que é verdade), mas, se essa é a justificativa, então pacientes que estão em estado vegetativo permanentes, e que respiram espontaneamente, também deveriam ser considerados mortos, uma caracterização que a maioria consideraria implausível. Outros ainda afirmam que pacientes “cerebralmente mortos” estão mortos pois seu dano cerebral levou à “cessação permanente do funcionamento do organismo em sua totalidade”. Ao contrário, as evidências mostram que se esses pacientes forem assistidos além da fase aguda de sua enfermidade (o que raramente é feito), eles podem sobreviver por muitos anos. A inconfortável conclusão que provém desta literatura é que, apesar de ser perfeitamente ética a remoção de órgãos vitais de pacientes que satisfazem o critério diagnóstico de morte cerebral, a razão pela qual esse ato seria ético não pode ser de que temos o convencimento que eles estejam realmente mortos.

Ao longo dos últimos anos, a aprovação da regra do doador falecido foi novamente desafiada, dessa vez pela emergência da doação após morte cardíaca como via de doação de órgão. Sob os protocolos para esse tipo de doação, pacientes que não estão cerebralmente mortos, mas que estão passando por uma retirada planejada do suporte vital são monitorados para o evento de uma parada cardíaca. Pelos protocolos típicos, pacientes são considerados mortos dois a cinco minutos após uma assístole (considerada segundo critérios cardíacos), e seus órgãos são subsequentemente removidos para transplante. Apesar de todos concordarem que muitos pacientes poderiam ser ressuscitados após um intervalo de dois a cinco minutos, advogam por essa abordagem à doação com a defesa de que esses pacientes podem ser considerados mortos, pois a decisão foi tomada em prol de não tentar a ressuscitação.

Tal compreensão da morte é problemática em múltiplos níveis. A definição de morte cardíaca requer a cessação irreversível de função cardíaca. Enquanto a compreensão comum de “irreversível” é “impossível de reverter”, nesse contexto irreversibilidade é interpretada como o resultado da escolha de não reverter. Essa interpretação cria o paradoxo de que os corações de pacientes considerados mortos por perda irreversível de função cardíaca foram, de fato, transplantados e passaram a funcionar no tórax de outrem. Novamente, apesar de que pode ser ético a remoção dos órgãos vitais desses pacientes, acreditamos que a justificativa ética não pode ser fundamentada no convencimento de que os doadores estão mortos.

Na aurora do transplante de órgãos, a regra do doador falecido era aceita como uma premissa ética que não exigia reflexão ou justificativa, presumivelmente pois parecia ser necessária como segurança contra a remoção antiética dos órgãos vitais de pacientes vulneráveis. Em retrospecto, porém, parece que a aprovação da regra do doador falecido possui maior potencial de comprometer a confiança no empreendimento do transplante do que de preservá-la. Na pior das hipóteses, a atual aprovação sugere que a profissão médica vem manipulando a definição de morte para que esta cuidadosamente se conforme com as condições mais favoráveis para o transplante. Na melhor das hipóteses, a regra proveu um uma cobertura ética que não resiste ao escrutínio criterioso. Uma melhor abordagem na busca de órgãos vitais, enquanto se protege pacientes vulneráveis contra o abuso, seria enfatizar a importância de obter consentimento válido e informado de pacientes doadores ou seus procuradores antes da retirada do suporte de vida em situações de lesão neurológica devastadora e irreversível….

ABORTO: O CRIME SILENCIOSO

Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Publicamos hoje um podcast de um casal amigo, Diogo e Sara, que frequentam o Priorado da FSSPX em Lisboa. O tema é o aborto, um dos pecados que clama ao céu por vingança.

Olá, Bem-vindos ao Bronze Podcast, um casal católico em conversa sobre a fé e a atualidade. No primeiro episódio decidimos falar sobre a maior injustiça dos tempos modernos, o aborto. Um crime praticado e autorizado pela maioria dos governos mundiais. Banalizado pela cultura e aceite como uma prática médica especializada, o aborto é um holocausto moderno, que ceifa a milhões de vidas por ano. Desmistificamos alguns dos argumentos utilizados para defender o aborto e explicamos porque todos os católicos que pratiquem, aconselhem ou participem num aborto estão automaticamente excomungados.

O QUE ACONTECEU DEPOIS DO CONCÍLIO? – A MUDANÇA DA MISSA

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Neste primeiro artigo de uma série que publicaremos, extraído de uma conferência proferida por D. Lefebvre em Roma, em 6 de julho de 1977, intitulada “A Igreja depois do Concílio”, explicaremos uma a uma as consequências desastrosas e a tempestade causada pelas mudanças feitas no Concílio Vaticano II.

Na Santa Missa, o Sacrifício foi substituído pela Ceia. Assim, ao invés do Sacrifício da Cruz, se insistirá sobre a Ceia, sobre a comunhão e a participação dos fiéis. Essa orientação é completamente contrária à Tradição da Igreja e à fé da Igreja.

O que é importante em nossa Missa é o sacrifício. O sacrifício da Missa não é apenas uma ceia, não é a ceia evangélica, é um verdadeiro sacrifício. Porque também se o sacerdote oferece, sozinho, o Sacrifício da Missa, isto vale o mesmo que se mil pessoas estivessem com ele, como se houvesse uma multidão na Igreja. Agora, pelo contrário, parece que a Missa é sobretudo uma assembleia e que o padre é o presidente da assembleia. Presidente, e não sacrificador. É uma nova noção da Missa. Como podem ver, é uma mudança radical, muito grave.

Não digo que a nova Missa seja herética, nunca disse isso; mas enfatizo que há cada vez mais Missas inválidas, porque se alteram as bases da mesma. Eu realmente acho que esta Missa é uma Missa equívoca, porque pode ser dita tanto por protestantes como por católicos. Os protestantes concordam em dizer esta Missa. Tenho aqui um documento que prova isso, um documento dos protestantes da Alsácia que se reuniram, documento da “Confissão de Augsburgo na Alsácia-Lorena”. O documento diz: Continuar lendo

A DIMINUIÇÃO DO NÚMERO DE MISSAS – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Eis aqui algumas palavras de Mons. Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, sobre a dramática diminuição do número de Missas na atualidade e, consequentemente, Da secularização e profanação do padre que, não encontrando sua razão de ser, sente a necessidade do mundo e de encontrar uma saída.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

A diminuição da prática religiosa e do número de vocações

Alguns dirão: “Não tem nada a ver com a liturgia se agora há muito menos pessoas nas igrejas. A causa de tudo isso é o ambiente materialista.” Mas são os próprios progressistas que reconhecem essa relação. Por exemplo, Mons. Grégoire, bispo de Montreal, fez uma longa apresentação sobre a situação em sua diocese. Ele disse explicitamente: “Pensamos que a reforma litúrgica tem um papel importante no fato de que os fiéis abandonam as igrejas“. O cardeal Ratzinger reconheceu o mesmo. Não somos nós apenas que dizemos isso. Seria preciso negar as evidências para dizer que a liturgia não tem nada a ver. O mesmo acontece com a ausência de vocações e a ruína do sacerdócio. O padre está essencialmente ligado à Missa. Não se pode conceber o sacrifício sem sacerdote ou o sacerdote sem sacrifício. Há uma relação essencial entre o padre e o sacrifício. Vocês acreditam que todos os padres que abandonaram seu sacerdócio o teriam feito se seus corações não tivessem sido afetado pela destruição do sacrifício? Obviamente que não.

Se desaparece a Cruz de Nosso Senhor, se seu Corpo e Sangue não estão mais presentes, os homens se encontram ao redor de uma mesa deserta e sem vida. Nada mais os une. E é isso que está acontecendo: não há mais vida! As pessoas percebem e daí vem seu cansaço e o tédio que começam a se expressar em toda parte, e o desaparecimento das vocações, que já não têm mais razão de existir.

Daí a secularização e profanação do padre que, não encontrando sua razão de ser, sente a necessidade do mundo e de encontrar uma saída. O padre já não sabe mais quem ele é. E por isso lança ao mundo sem saber onde vai parar ou sem saber para que foi criado. O padre se profana, se seculariza, vai ao mundo e acaba se casando. Ele termina percebendo que, depois de tudo,  pode ter uma profissão e também celebrar o culto no domingo […]. Continuar lendo