BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – OUTUBRO/26

São Domingos e o Santo Rosário – Paróquia Nossa Senhora de Fátima RTS

Queridos fiéis,

 Neste mês de outubro, mês dedicado especialmente ao Santo Rosário e coroado pela festa de Nossa Senhora do Rosário no dia sete, eu gostaria de elevar algumas reflexões sobre a grandeza desta oração profundamente católica. É uma oração divina pela sua constituição essencialmente bíblica, pela sua origem entregue diretamente pelas mãos de Nossa Senhora e pelos seus efeitos de inúmeros milagres.

“O Rosário é um baluarte de salvação e de paz que Deus, em sua grande misericórdia, quis dar à humanidade na pessoa de sua augusta Mãe.” (Fidentem Piumque Animum, Papa Leão XIII)

O nome do Santo Rosário não deve ser uma simples denominação material, mas uma expressão de nossa vida íntima com Deus, uma expressão de sua graça — desta graça que deve santificar-nos particularmente e ser, ao mesmo tempo, um poderoso socorro em nossos grandes combates. Rezar bem e regularmente o Rosário, todos os dias e com boa vontade, é sempre possível. É preciso, inclusive, chegar ao ponto em que essa recitação diária não seja para a alma apenas um dever que se impõe — e que, por isso mesmo, poderia às vezes parecer pesado e até fastidioso —, mas uma necessidade do nosso coração, da nossa fé e da nossa vida espiritual, que não podem prescindir deste alimento amado, inteiramente consolador e fecundo. Continuar lendo →

03 DE OUTUBRO – DIA DE SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

História da autobiografia de Santa Teresinha do Menino Jesus – Santuário  Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face

No dia dessa grandiosa Santa, disponibilizamos abaixo alguns links sobre ela:

COMO MANTER A PACIÊNCIA?

A VIA MARIANA DA “PEQUENA TERESA” NO FIM DE SUA VIDA

CURA A SANTA TERESINHA

EDITORIAL DA REVISTA PERMANENCIA NO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE SANTA TERESINHA (1973)

A VIA DA INFÂNCIA ESPIRITUAL

TERESINHA, TEMPLO DE DEUS

SANTA TERESINHA, POR GUSTAVO CORÇÃO

NA IMITAÇÃO DE TERESINHA ESTÁ A SALVAÇÃO DA HUMANIDADE

SÃO JOSÉ, SEGUNDO SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

CONCERTO DA SCHOLA STELLA MARIS

Concerto realizado no dia 25 de março de 2026, na igreja de Saint-Méen e Sainte-Croix, em La Fresnais, na França.

A Schola Stella Maris é um coral e conjunto instrumental da escola Sainte Marie em Saint-Père-Marc-en-Poulet, próxima a Saint-Malo.

O Concerto completo pode ser visto clicando aqui.

02 DE OUTUBRO – DIA DOS SANTOS ANJOS DA GUARDA

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Clique aqui para ler a Meditação de Santo Afonso sobre os Anjos da Guarda.

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Para um bom entendimento sobre questões referentes aos anjos colocamos abaixo alguns links sobre o assunto:

 

O HOMEM NÃO PODE SALVAR A SI MESMO

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta quinta parte relembra a realidade do pecado original e a profunda ferida que ele infligiu à natureza humana. Ela afirma, contra o naturalismo moderno, que nem o progresso, nem a ciência, nem a cultura podem salvar o homem: ele precisa da Redenção e da graça de Cristo.

IV – O pecado original e a condição humana

29 – Creio que os nossos primeiros pais foram por Deus estabelecidos num estado de justiça e de santidade originais, e dotados dos dons de integridade, de impassibilidade e de imortalidade. Por um favor particular de Deus, possuíam não apenas a integridade da sua natureza própria, mas ainda os dons sobrenaturais que os ordenavam à vida mesma de Deus. Adão, cabeça e princípio da humanidade, recebeu ademais o dom de ciência.

30 – Professo que, pela sua desobediência, Adão realmente cometeu o pecado original, que se transmite a todos os homens pela geração. Esse pecado é para todos um pecado de natureza, que os condena à morte, ao sofrimento, à ignorância e à concupiscência. Despojados da graça santificante e dos dons preternaturais, que não podiam mais transmitir à sua descendência, Adão e Eva foram expulsos do paraíso terrestre.

31 – Em Adão, no entanto, a natureza do homem não foi destruída, mas tão somente ferida. A sua inteligência, embora obscurecida, permanece capaz de conhecer a verdade; seu livre-arbítrio, embora enfraquecido, permanece capaz de querer e de amar o bem natural. Por essa razão, rejeito todas as doutrinas que, num pessimismo desesperado, consideram que o homem está irremediavelmente corrompido e é incapaz de qualquer bem. Continuar lendo →

IRMÃ MARY MICHAEL, PRIMEIRA IRMÃ DA FSSPX: 50 ANOS DE SUA PROFISSÃO

Há meio século, o ramo feminino fundado por D. Lefebvre acolheu a sua primeira irmã professa. No dia 29 de setembro de 2026, a Irmã Mary Michael celebrou um jubileu na Austrália que a liga diretamente às origens da obra. Nascida Janine Ward, ela foi, de fato, a primeira postulante das Irmãs da Fraternidade, tendo feito os seus votos em 1976.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em 29 de setembro de 2026, festa de São Miguel Arcanjo, a Irmã Mary Michael celebrou o 50° aniversário de sua primeira profissão religiosa no Priorado da Santa Cruz em Goulburn, Nova Gales do Sul, Austrália. O Superior Geral da Fraternidade São Pio X, Padre Davide Pagliarani, celebrou uma missa solene no local, na presença de várias irmãs e 24 sacerdotes do Distrito da Austrália.

Em seu sermão, o Superior Geral apresentou a Santíssima Virgem Maria como modelo de abnegação e perseverança. Ele agradeceu à Irmã Maria Miguel pelo exemplo que ela, por sua vez, dá a todos os membros da Fraternidade e exortou as Irmãs a meditarem constantemente, seguindo o exemplo de Nossa Senhora, sobre as palavras, os atos e toda a vida de seu divino Filho.

“MONSENHOR, POSSO ENTRAR NA VOSSA CONGREGAÇÃO DE IRMÃS?”

No início da década de 1970, Janine Ward, uma jovem australiana de Melbourne, desejava consagrar-se a Deus. Ela então dirigiu um pedido bastante incomum a D. Marcel Lefebvre: “Monsenhor, posso entrar na vossa congregação de irmãs?”

O problema era que ainda não havia Irmãs.

22 de setembro de 1974: Primeira investidura das Irmãs da Fraternidade em Écône. Madre Marie-Gabriel e Irmã Mary Michael.

“Elas existiam na minha mente”, diria mais tarde D. Lefebvre sobre essa futura congregação. Já existia um “embrião” dela nos estatutos da Fraternidade Sacerdotal, que previa a filiação de religiosas quando a Providência as suscitasse. Assim, em outubro de 1972, o fundador anunciou a seus amigos e benfeitores sua “esperança de, em breve, fundar um noviciado das Irmãs Auxiliares do Sacerdócio”.

O pedido de Janine Ward ajudaria a concretizar este projeto. No outono de 1973, as duas primeiras postulantes foram confiadas à Madre Marie-Gabriel, irmã de D. Lefebvre e Missionária do Espírito Santo. Ela concordou, não sem hesitação, em ajudar seu irmão a formar a nova comunidade religiosa.

Em 2 de outubro de 1973, Janine Ward chegou a Écône depois atravessar mundo, vinda da Austrália. Ela era a primeira postulante. Quatro dias depois, uma jovem americana juntou-se a ela. Juntamente com a Madre Marie-Gabriel, irmã de D. Lefebvre, essas duas jovens formaram, nas palavras deste último, o ramo feminino da Fraternidade São Pio X.

Tomando o hábito em Écône em 1974: as primeiras Irmãs da Fraternidade em torno do Arcebispo Lefebvre. A Irmã Mary Michael está em pé à sua direita.

A pedido de D. Lefebvre, as duas postulantes foram acolhidas pelas Irmãs Dominicanas do Espírito Santo. Antes mesmo de poderem iniciar efetivamente sua formação religiosa, tiveram que aprender francês.

Tomando o hábito em Écône em 1974: as primeiras Irmãs da Fraternidade em torno do Arcebispo Lefebvre. A Irmã Mary Michael está em pé à sua direita.

No ano seguinte, outras quatro jovens, dos Estados Unidos, Espanha e França, juntaram-se em Écône. Em 22 de setembro de 1974, Janine Ward recebeu o hábito religioso e tornou-se Irmã Mary Michael.

No dia seguinte, o pequeno noviciado partiu de Écône para Albano, perto de Roma. Esta casa, destinada a seminaristas, acolheria as Irmãs em seus primeiros passos durante três anos. Sua chegada começou de forma significativa com uma peregrinação a Roma. Nos túmulos de São Pedro e São Pio X, sob a proteção de Nossa Senhora da Compaixão, as primeiras Irmãs vieram implorar a bênção de Deus sobre seu trabalho e demonstrar sua devoção à Sé de Pedro.

Foi em Albano que, dois anos depois, em 29 de setembro de 1976, a Irmã Mary Michael pronunciou seus primeiros votos de pobreza, castidade e obediência. Ela se tornou, assim, a primeira freira professa da Fraternidade São Pio X.

Foi esse compromisso, assumido há 50 anos, que ela acaba de comemorar em seu país natal.

“Oferecer-se à Vítima divina”

Dom Lefebvre queria conferir às irmãs uma vocação própria, intimamente ligada ao sacrifício da Missa e ao sacerdócio.

Ele resumiu, da seguinte forma, o espírito da instituição nos primeiros rascunhos de seus estatutos: “Assim como a Mãe de Jesus participou, por meio de sua Compaixão, da obra sacerdotal de Jesus, morrendo na cruz pela redenção das almas, as Irmãs da Fraternidade São Pio X terão uma devoção especial ao sacrifício da Missa e à Vítima Eucarística.”

Seu objetivo principal é, portanto, “oferecer-se com a Vítima divina à imagem e seguindo os passos de Nossa Senhora da Compaixão“. Dom Lefebvre insistia nisso: “O fim espiritual é o principal, e é isso que importa; o restante é meramente um meio”.

A essa vida interior, soma-se uma missão apostólica: “facilitar e complementar o apostolado sacerdotal”. As Irmãs, portanto, auxiliam os sacerdotes por meio de tarefas muitas vezes discretas nos priorados, seminários e casas da Fraternidade, mas também por meio do ensino, da catequese e de diversas obras de caridade.

Essa união entre contemplação e ação está no cerne do pensamento do fundador. A adoração eucarística, em particular, deve ocupar um lugar especial em sua vida religiosa. “Conto muito”, escreveu-lhes ele, “com a hora de adoração de vocês para a santificação da Fraternidade.”

Após os primeiros passos em Albano, o noviciado foi estabelecido em 1978 em Saint-Michel-en-Brenne, na França. Outros noviciados foram posteriormente abertos nos Estados Unidos, na Argentina e na Alemanha, enquanto comunidades de Irmãs se espalharam pelas diversas obras da Fraternidade em todo o mundo.

Cinquenta anos após os primeiros votos da Irmã Mary Michael, a obra nascida com grande simplicidade, se expandiu amplamente. Em abril de 2026, as Irmãs da Fraternidade somavam 226 irmãs professas e 20 noviças, presentes em muitos países a serviço das obras da Fraternidade.

Um desenvolvimento que as duas jovens postulantes reunidas em torno da Madre Marie-Gabriel no outono de 1973 dificilmente poderiam imaginar!

PAPA LEÃO XIV CONCEDE PRÊMIO RATZINGER A UM TEÓLOGO QUE CONSIDEROU A MISSA TRIDENTINA DEFICIENTE

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“Consideramos que chegou a hora daqueles que passaram a fazer parte do movimento litúrgico tridentino reconsiderem sua posição”, escreveram o professor John Cavadini e seus coautores em 2022.

Fonte: Life Site News – Tradução: Dominus Est

O Papa Leão XIV entregará pessoalmente o Prêmio Ratzinger deste ano a um teólogo que questionou o Summorum Pontificum .

O Vatican News anunciou na terça-feira que o Dr. John C. Cavadini, professor de teologia da Universidade de Notre Dame, foi selecionado pelo Comitê Científico da “Fundação Vaticana Joseph Ratzinger-Bento XVI” para receber o prêmio, que leva o nome do Papa Bento XVI. O Papa Leão XIV aprovou a premiação e a entregará pessoalmente a Cavadini no Palácio Apostólico em 19 de dezembro.

Cavadini, que dedicou seus estudos especialmente aos Padres da Igreja e a Santo Agostinho, foi coautor de uma série publicada em 2022 pelo Church Life Journal, na qual argumentava que aqueles que frequentam a Missa Tridentina deveriam deixar de fazê-lo, retornando ao Novus Ordo Missae.

“Consideramos que chegou a hora daqueles que passaram a fazer parte do movimento litúrgico tridentino reconsiderem sua posição”, escreveram Cavadini, Mary Healy e Thomas Weinandy. Os autores sustentaram que “é imprescindível que aqueles que fazem parte do movimento tridentino, para o bem do Corpo de Cristo, retornem à forma litúrgica ordinária da Igreja”, em prol da “unidade”. Continuar lendo →

DOM LEFEBVRE E SHAKESPEARE

King Lear Casting Out His Daughter Cordelia, Richard Earlom (London 1743–1822 London)

Rei Lear expulsando sua filha Cordélia, de Richard Earlom (Londres, 1743–1822)

Por Andrew J. Clarendon

Fonte: Angelus Press – Tradução: Dominus Est

No livro Ideias Têm Consequências, Richard Weaver escreve: «É evidente que o domínio singular da língua, próprio do poeta, é o que lhe permite enxergar as potências latentes nas circunstâncias. Ninguém ensina melhor do que ele a causa e o efeito nos negócios humanos; […] os poetas são os mais rápidos a apreender a verdade necessária.» Quem lida com «o poder evocativo das palavras […] e a força poderosa do símbolo» não surpreende que ensine verdades profundas mesmo séculos depois da morte. No grau mais alto, a lição poética tem valor perene.

Tão grande é o poder da inspiração que o poeta chega a parecer profeta: pensa-se na famosa Quarta Écloga de Virgílio, dita messiânica porque se lê como anúncio da vinda de Cristo. Em inglês, o maior poeta é, naturalmente, Shakespeare, cujas peças, embora apresentem determinado enredo e determinadas personagens, exprimem temas universais.

As lições que transmitem aplicam-se, por isso, a outras situações e servem para compreender a causa e o efeito nos negócios humanos. Neste ano em que se celebra o cinquentenário da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, reler alguns temas da tragédia Rei Lear e da comédia Como Gostais é um modo poético e conatural de apreciar melhor a defesa da tradição e da ortodoxia feita por Dom Lefebvre. Continuar lendo →

O HOMEM E OS ANIMAIS

A proximidade – e o afeto que o homem por vezes nutre pelos animais – constitui algo bom, desde que se mantenha a ordem inerente à definição, ou seja, a diferença essencial que é a razão.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

O Senhor Deus trouxe todos os animais diante de Adão, para que ele pudesse nomeá-los. Adão deu a cada um dos animais um nome próprio. E o nome que Adão deu a cada um dos animais é o seu verdadeiro nome”(1) .

Adão, com isso, exerceu uma autoridade recebida de Deus; e Deus manifestou assim o lugar único que o homem ocupa na Criação. Pois o homem não é um ser vivo como qualquer outro: ele foi criado para conhecer, ordenar e governar. Nomear os animais, portanto, consistia não apenas em designá-los, mas também em reconhecer sua natureza e manifestar a ordem que a rege.

Essa superioridade do homem sobre os animais não elimina, no entanto, a proximidade que une ambos. Aliás, foi no contexto da busca por uma “ajuda semelhante a ele” que Deus conduziu os animais até Adão, precisamente porque o homem, formado do limo da terra, é ele próprio um animal. Continuar lendo →

LIBERDADE RELIGIOSA, IGUALDADE COLEGIAL, FRATERNIDADE ECUMÊNICA

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Sobre nosso último post PAPA LEÃO XIV CELEBRA O LEMA MAÇÔNICO E REVOLUCIONÁRIO FRANCÊS “LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE”….vejamos o que D. Lefebvre diz sobre a Revolução implantada na Igreja através do Vaticano II.

Clique nesse link para acessar o texto e entender o porquê disso: LIBERDADE RELIGIOSA, IGUALDADE COLEGIAL, FRATERNIDADE ECUMÊNICA

PAPA LEÃO XIV CELEBRA O LEMA MAÇÔNICO E REVOLUCIONÁRIO FRANCÊS “LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE”

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O Papa Leão XIV celebrou um lema usado pelos maçons que remonta à sangrenta Revolução Francesa, período marcado pelo ódio anticatólico.

Fonte: Life Site News – Tradução: Dominus Est

O Papa Leão XIV celebrou um lema da Revolução Francesa usado pelos maçons — “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” — como “imperativos éticos universais” durante um discurso no Palácio do Eliseu na sexta-feira.

“A França foi responsável por avanços significativos em nosso mundo, incluindo o reconhecimento dos direitos humanos fundamentados na natureza da pessoa humana, particularmente a liberdade religiosa”, afirmou Leão na presença do presidente Emmanuel Macron e de autoridades francesas.

“Essa ênfase constante na dignidade inerente a cada pessoa encontra eco em vosso lema nacional. Liberdade, igualdade e fraternidade não são simplesmente palavras estampadas na fachada dos vossos edifícios públicos; referem-se a imperativos éticos universais que encontram também na mensagem do Evangelho uma fonte inesgotável de inspiração e realização”, disse o pontífice.

A referência de Leão a “Liberdade, igualdade e fraternidade” como “imperativos éticos universais” é preocupante porque, embora essas palavras sirvam como lema nacional da França, elas também servem como lema do Grande Oriente Maçônico e da Grande Loja da França. O lema tem origem na Revolução Francesa, que se opôs ferozmente à Igreja Católica e matou milhares de bispos, padres, religiosos e leigos católicos na guilhotina durante o “Reino do Terror”.

O elogio de Leão à “liberdade religiosa” que, segundo ele, foi reconhecida pela França também contraria a compreensão tradicional da Igreja Católica sobre o assunto. A encíclica Quanta Cura e o Syllabus, do Papa Pio IX, condenaram a ideia de que “todo homem é livre para abraçar e professar a religião que, guiado pela luz da razão, considerar verdadeira”. Continuar lendo →

INFALIBILIDADE PAPAL: QUAIS OS LIMITES?

Em entrevista concedida ao Distrito italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 11 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco expõe os limites da infalibilidade papal e os diferentes graus do magistério do Papa.

FSSPX Itália — Quais são os limites da infalibilidade papal? Em particular, como distinguir entre o ensinamento privado do Papa, o magistério público não infalível e a definição solene ex cathedra ? E o que aconteceria se um Papa ensinasse algo contrário a uma verdade já definida pelo magistério anterior?

Padre Daniele di Sorco — O ensinamento católico sobre a infalibilidade do Papa encontra-se, em primeiro lugar, no Concílio Vaticano I, um grande ato do magistério que definiu essa verdade, e, em segundo lugar, no ensinamento de teólogos católicos antes, durante e também depois do Concílio, que esclareceram, sob a orientação do magistério, o verdadeiro significado desses ensinamentos.

É preciso, antes de tudo, distinguir entre o ensinamento privado e o ensinamento público do Papa. Continuar lendo →

A VIRTUDE DA FORTALEZA EM TEMPOS DE CRISE

Fonte: Le Parvis nº 169 – Tradução: Dominus Est

O martírio é o principal ato da virtude da fortaleza.

A crise atual na Igreja pode-nos levar a várias perguntas e, entre elas: Quanto tempo irá durar? Parece haver muitas opções para lidar com o sofrimento e as inquietações que ela provoca. Tanto a precipitação quanto a hesitação prolongada, mesmo que com boas ações, nos conduzem pelo caminho errado e nos levam a tomar decisões equivocadas.

Nestes tempos marcados por incertezas, sofrimentos e provações, a doutrina católica oferece uma perspectiva especial por meio da virtude da fortaleza, uma das quatro virtudes cardeais. Ela pode ser definida da seguinte forma: “A fortaleza é a virtude moral que assegura, diante das dificuldades, firmeza e constância na busca do bem. Ela fortalece a resolução de resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza nos capacita a vencer o medo, inclusive da morte, e a enfrentar provações e perseguições. Ela nos dispõe a chegar até a abnegação e ao sacrifício da própria vida para defender uma causa justa.” Essa virtude não é uma simples resistência estoica ou uma coragem puramente natural. É uma disposição habitual da alma, aperfeiçoada pela graça, que ordena o apetite irascível — aquela parte de nós que reage às dificuldades e ameaças — segundo a razão iluminada pela fé. Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica (I-II, q. 123), esclarece que a fortaleza tem como principal objeto o medo e a ousadia, particularmente diante dos perigos da marte. Consiste em dois movimentos complementares: “aggredi” (enfrentar, atacar o mal) e “sustinere” (suportar; perseverar). Em tempos de crise, é frequentemente o segundo que prevalece: a paciência e a constância diante daquilo que não pode ser mudado imediatamente. Continuar lendo →

IDE E “DIALOGAI” EM NOME DO PAI, DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO

No dia 16 de setembro de 2026 foi publicado no site da Santa Sé o último documento aprovado pelo papa Leão XIV e assinado pelos prefeitos dos dicastérios para a Promoção da unidade dos cristãos, para o Diálogo inter-religioso e para a Doutrina da fé. A presença desse último, na pessoa do cardeal Fernández, é particularmente significativa: ela enfatiza a extensão doutrinária do documento.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Trata-se da nota Um caminho de esperança. Sessenta anos de diálogo e de fraternidade inter-religiosa à luz da declaração conciliar Nostra ætate. O título e o subtítulo já dizem quase tudo. Limitar-nos-emos a algumas observações. Aqueles que desejarem aprofundar a questão encontrarão material suficiente nos textos citados em nota.

A nota recorda que “a declaração Nostra ætate nasceu após a Segunda Guerra mundial e que inicialmente não se referia ao diálogo com as demais religiões, mas constituía uma resposta às trágicas consequências do antissemitismo, que culminaram na Shoah”. Foi após o seu encontro “com o judeu Jules Isaac (ateu e comunista, ndt.), tornado possível pela mediação de Maria Vingiani, fundadora do Secretariado para as Atividades Ecumênicas”, que João XXIII, “já muito sensível a essa questão, […] encarregou o cardeal Augustin Bea de redigir um texto conciliar destinado a sanar e renovar as relações entre a Igreja e o povo judeu” (§ 4). Continuar lendo →

O DEMÔNIO TOCA FLAUTA

As repugnantes blasfêmias proferidas em certas instituições da Igreja não provocam quaisquer reações das autoridades, que estão ocupadas  demais com o processo sinodal.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Um artigo no  site da Conferência Episcopal Alemã, katholisch.de, provocou protestos em todos os meios de comunicação católicos ditos conservadores. O texto apresenta, sem a menor análise crítica, uma obra publicada por Simone e Claudia Paganini, professores de teologia, exegese e filosofia, ambos considerados católicos devotos. O livro busca, em diversas figuras bíblicas, indícios de distúrbios psicológicos: depressão em Moisés, transtorno obsessivo-compulsivo em Jó (afinal, ele oferece sacrifícios pelos possíveis pecados de seus filhos), tendências maníacas em Judite, uma propensão ao álcool no próprio Jesus (já que seus adversários o chamam de bêbado) e narcisismo em Deus, por ele afirmar ser o único Deus. Era só isso que faltava.Diante dessa repugnante blasfêmia, ainda aguardamos os comunicados anunciando a proibição de toda oração pública nos santuários de Lourdes ou Mariazell para tais escritores e todos aqueles que os recomendam, como a Conferência Episcopal Alemã. Qual seria a reação? “E daí?”, diria Jesus,  segundo o evangelho apócrifo do Padre Arnaud Alibert, editor-chefe de La Croix. Assim como nas polêmicas em torno das uniões contra a natureza, nos responderão que isso não é o mais importante. O que é urgente é a sinodalidade e a denúncia dos pecados contra a ecologia. A Igreja está atordoada com encontros sinodais, mistagógicos e kerigmáticos, e obcecada por cubos de gelo e espécies ameaçadas de extinção. Continuar lendo →

EDUCAÇÃO: A HARMONIA ENTRE OS PAIS

Quando os pais se contradizem, a criança aprende depressa a tirar proveito disso.

Fonte: La Porte Latine – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio 

Como todas as noites, sua mãe acompanha os deveres de Claire, uma mocinha bastante inclinada à preguiça, sobretudo quando é preciso aplicar-se e pensar. Por isso, a mãe decide com firmeza, para ajudá-la a vencer seu feio defeito:

— Agora que você entendeu bem, Claire, vai terminar sozinha os seus exercícios de cálculo, e só irá brincar lá fora quando eles estiverem terminados e bem feitos.

Claire suspira, boceja, lança um olhar pela janela, rabisca alguns números vagos no caderno de rascunho, suspira novamente… A mãe não cede:

— Coragem, Claire; vou preparar a mamadeira de Pierre e, quando eu voltar, quero que o primeiro exercício esteja feito.

Assim que a mãe sai, Claire se levanta, corre para a sala, senta-se no colo do pai e lhe pede, com um ar carinhoso: Continuar lendo →

A FSSPX AINDA PODERIA ESPERAR ALGO DE ROMA?

Em entrevista concedida ao Distrito italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 14 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco explica as necessidades práticas que impossibilitaram o adiamento das sagrações episcopais, apesar dos esforços empreendidos junto a Roma. Ele também aborda a profissão de fé publicada pela Fraternidade e os obstáculos doutrinais que, até o momento, impediram qualquer acordo verdadeiro.

FSSPX Itália — Voltando especificamente às sagrações, elas poderiam ter sido evitadas?

Alguns defendem que a Fraternidade poderia ter esperado mais um pouco, construído um relacionamento com Leão XIV, tentado obter um mandato pontifício ou aguardado uma mudança na liderança do Dicastério para a Doutrina da Fé.

A Fraternidade realmente tentou todas as vias possíveis antes de chegar a essa decisão?

Por que o senhor considera que era o momento oportuno para sagrar os novos bispos?

Padre Di Sorco — A Fraternidade decidiu prosseguir agora com as sagrações episcopais por uma razão eminentemente prática. 

Na Fraternidade, restavam apenas dois bispos em atividade. Esses dois bispos estão envelhecendo e enfrentavam dificuldades para atender a todas as necessidades dos fiéis e dos sacerdotes. Continuar lendo →

O CÉU É UMA DÁDIVA, NUNCA UM DIREITO

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta quarta parte relembra que o homem, criado à imagem de Deus, é chamado gratuitamente a um destino sobrenatural que ultrapassa as forças de sua natureza. Ela reafirma que somente a graça eleva o homem até Deus e rejeita as doutrinas que reduzem a fé a um mero humanismo.

III – A criação do homem e a ordem sobrenatural da graça

23 – Creio que Deus criou o homem à sua imagem, provido de uma alma espiritual e imortal, capaz de conhecer a verdade, de amar o bem conhecido pela razão natural, e de se voltar livremente para o seu Criador. O homem, portanto, não é o produto necessário de uma evolução cega, nem o mero resultado de forças materiais; vem de Deus como de sua causa criadora, depende de Deus, que o mantém no ser, e está ordenado a Deus como ao seu fim.

24 – Professo que Deus não destinou o homem à sua perfeição meramente natural, senão que o chamou gratuitamente a um fim sobrenatural que ultrapassa absolutamente as forças e os direitos da natureza criada: a visão beatífica, na qual o homem verá Deus face a face e participará da vida íntima da Santíssima Trindade. Que o homem seja chamado a tornar-se filho de Deus, partícipe da natureza divina e herdeiro do Céu, não é a consumação necessária da sua natureza, mas um puro efeito da liberalidade divina. Continuar lendo →

CRISE DE AUTORIDADE: QUANDO UM ÓDIO INCONSCIENTE PARALISA A AUTORIDADE

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

Nenhuma sociedade humana pode subsistir sem autoridade. Eis uma verdade fundamental da ordem natural e política: a partir do momento que as pessoas se unem para formar uma comunidade, uma família, uma cidade ou mesmo a Igreja, a existência de um princípio de ordem e direção torna-se absolutamente imprescindível. A autoridade é, portanto, o poder moral conferido a um superior para compelir seus inferiores a agirem em prol do bem comum da sociedade. Ela não pode ser concebida e não tem sentido senão no âmbito social. Sem uma orientação clara, sem uma direção firme em direção a esse bem comum para todo o corpo social, e sem a posse de uma força coercitiva legítima capaz de assumir e impor essa direção, a comunidade se dissolve imediatamente no caos da anarquia ou no choque de interesses particulares.

A origem divina e a natureza paternal do poder

As Sagradas Escrituras afirmam isso sem ambiguidade: toda autoridade vem de Deus. São Pedro ensina isso explicitamente aos primeiros fiéis: “Sêde, pois, submissos a toda a instituição humana, por amor de Deus: quer ao rei, como a soberano, quer aos governadores, como enviados por ele” (1 Pedro 2, 13-14). E quando a autoridade humana falha em sua missão suprema, os Apóstolos recordam simultaneamente sua origem e seus limites: ”Deve-se obedecer a Deus antes do que aos homens” (Atos 5, 29). Da mesma forma, diante do poder temporal personificado por Pôncio Pilatos, Nosso Senhor Jesus Cristo já havia declarado: “Tu não terias poder algum sobre mim, se te não fosse dado do alto.” (João 19, 11). Portanto, se toda autoridade vem de Deus, então ela não deriva seu princípio fundamental de um contrato social arbitrário ou da mera vontade da maioria. Continuar lendo →

O EXERCÍCIO DA AUTORIDADE NA EDUCAÇÃO

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

“Meu filho não me obedece, o que esperam que eu faça?” Desiludido, esse pai desistiu; não suporta mais os caprichos do filho, seus gritos, suas lágrimas. Prefere deixar os dias passarem sem lutar; há uma certa paz em renunciar à autoridade, a paz de um cão exausto a deriva, a paz do vencido que se submete à tirania do vencedor, a paz da morte quando a vida abandona o corpo sem alma. Amanhã, essa criança se tornará um adolescente, resistente a toda autoridade, incapaz de tolerar um único comentário ou restrição; ele próprio tiranizado por suas paixões, oscilará entre entusiasmos passageiros e desânimos recorrentes.

Finalmente, na vida adulta, pelo menos em termos de idade, esse indivíduo inflexível e caprichoso será, dependendo da escolha, um revolucionário sempre em guerra contra injustiças reais ou presumidas, um adulto instável incapaz de tomar uma decisão a longo prazo, um cônjuge infiel ou egoísta, um zumbi translúcido sem caráter e sem combatividade, uma pessoa ansiosa e depressiva, sempre inquieta, nunca em paz. Continuar lendo →