COMO EDUCAR A CRIANÇA QUE MEXE NO ALHEIO – PARTE 2

Outras causas

A esses conflitos afetivos prendem-se os furtos por inveja e ciúme, e principalmente por vingança: crianças que querem privar os pais de objetos que lhe são úteis ou queridos, ou querem desgostá-los, sabendo o desagrado que lhes causam seus furtos. Então, procuram, às vezes, inutilizar os objetos furtados, com evidente desejo de vingar-se.

Relacionemos igualmente aqui o chamado furto generoso ou altruístico, que se encontra também nos adultos, mas que na criança representa mais freqüentemente a compensação pela falta de afeto: ela, com presentes, procura entre colegas, a estima que julga lhe negarem seus pais e mestres. Alguns o praticam por vaidade, ou também compensando-se de uma situação de inferioridade.

Por sugestão

Depois dos conflitos íntimos, creio que a causa mais constante dos furtos infantis é a sugestão. O ambiente é contagioso. Raríssimos, em toda a humanidade, lhe escapam ao influxo. Mais que os adultos, cedem facilmente as crianças à força do exemplo, das palavras, da vida doméstica. Desgraçadas daquelas que não têm no lar sadia atmosfera moral.

Se não é muito alto o padrão de honestidade dos pais, instala-se nos filhos uma deformação que só a muito custo se corrigirá. Raros mandarão, expressamente, os filhos roubarem; muitos, porém, o farão de outras maneiras: Continuar lendo

COMO EDUCAR A CRIANÇA QUE MEXE NO ALHEIO – PARTE 1

De todas as faltas infantis é talvez o furto a que mais profunda e desagradável impressão produz aos pais.

Atribuindo-lhe uma importância moral que ela não pode ter, exageram-lhe o aspecto social, temendo a vergonha que se abaterá sobre toda a família, manchada pela presença de um “ladrão”. Descarregam, então, sobre a pobre criança os mais severos castigos – os quais, digamo-lo quanto antes, em lugar de remediar, agravam a situação, inclinando mais fortemente ao furto e complicando-o com mentiras e astúcias.

Alguns, ao lado disso, tratam de escondê-lo, quando o mal demanda medidas pedagógicas e médicas, e não silêncio e esconderijo.

A criança que furta merece especiais e imediatos cuidados. Não que ela seja um ladrão, que tenha a noção da propriedade alheia e as consciência moral de que a está violando, não! Esta é uma atitude adulta, aos poucos adquirida e consolidada. Mas porque o furto infantil é indício de insatisfação pessoal, de tendências irrealizadas, de morbidez, ou de sugestões consciente ou inconscientemente absorvidas.

Existem nessa pobre criança móveis (às vezes secretos e profundos) que é preciso atingir para remover – sem o que é impossível a sua cura. Analisá-la é, pois, a primeira necessidade, embora nem sempre seja fácil, mesmo com o concurso imprescindível (veja-se bem: imprescindível) do psicólogo e do pegagogo.

Carências profundas

A imensa maioria dos pais, despreparados para o ofício de educadores, adeptos da “paudagogia”, pensando que castigos físicos são o mais eficiente remédio para esse e outros males, rirão do que vou agora dizer: Continuar lendo

O GRANDE PONTO É ABRAÇAR A VONTADE DIVINA

entrega…em tudo quanto acontece, seja agradável ou desagradável às nossas inli­nações. Nas coisas agradáveis, os mesmos pecadores se conformam com a vontade de Deus, porém os Santos unem-se à vontade divina, mesmo quando são desagradáveis e contra o amor próprio. Nisto se prova o nosso amor para com Deus. O padre d’Ávila, dizia: «Uma ação de graças no tempo da tribulação vale mais que mil atos de agradecimento no tempo em que tudo nos prospera.»

Demais, nós não só devemos unir-nos à divina vontade nas adversidades que dire­tamente nos vem de Deus, como a doença, a desolação do espírito, a pobreza e a morte de nossos parentes, mas também nos casos promovidos pelas criaturas, assim como o desprezo, a perda da reputação, a injustiça os roubos e todas as mais perseguições. Devemos atender, quando sofrermos injú­rias na nossa reputação, honra ou bens, que nosso Senhor não deseja o pecado, que os outros cometem, mas sim a nossa hu­milhação, pobreza e mortificação É certo e de boa fé, que tudo quanto acontece no mundo é por permissão divina: «Eu sou o Senhor, fora de mim não há outro sou o Senhor que faço todas as coisas.» (Isaías XLI. 7.) 

Do Senhor nos vem os bens e os males, porque nos são contrários, mas que realmente são para nós bens, quando os aceitamos de Suas mãos: diz o profeta Amos: «Haverá mal em alguma cidade, que o Senhor não tenha feito?» ( III. 6.) e Salomão diz: «O bem e o mal, a vida, a morte, a pobreza e a riqueza de Deus nos provém.» (Ecl. XI. 14.) É certo, conforme o que eu tenho dito, que quando o homem vos ofende, não é esta ofensa dese­jada por Deus, nem Ele concorre na enaltecia de Sua vontade, mas concorre pelo concurso geral das ações materiais que vos afligem, envergonham ou injuriam, de maneira que a ofensa recebida, é sem dúvida permitida por Deus, e vem de Sua mão. Assim o Se­nhor o disse a David, que Ele seria o autor das injúrias que havia de receber de Absalão: «Levantarei males contra ti, que procederão de tua própria casa; tirar-te-ei tuas mulheres diante de teus olhos, e isto em castigo dos teus pecados.» (II Reis XII. 11)  Continuar lendo

22 ADULTOS BATIZADOS EM SAINT-NICOLAS-DU-CHARDONNET – PARIS

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Depois dos ritos preparatórios administrados à tarde, e após a bênção da água batismal durante a própria vigília, antes de receber o sacramento em si cada um deles fez uma profissão pública de sua fé católica diante de uma igreja lotada.

Em seguida vieram os sacramentais que indicam os principais efeitos do batismo: a unção do Santo Crisma para mostrar que o recém-batizado tornou-se “encristado” e, portanto, Cristão; a investidura da túnica branca que indica a pureza da alma após a remissão total, tanto do pecado original como de todas as faltas pessoais passadas e as penas relacionadas a elas; a entrega, enfim, da vela acesa: encristado, o recém-batizado é chamado, por sua vez, a ser luz do mundo, o que ele será na medida em que a sua vida for se consumindo lentamente, como uma vela cuja chama ” busca sempre as coisas do alto, não as de baixo “(Epístola de vigília de Páscoa).

Durante a missa que se seguiu, todos fizeram a sua primeira comunhão, assim como os outros 6 adultos já batizados.

Quem são estes novos batizados? De origens muito diferentes, eram 16 homens e 6 mulheres. Todos com menos de 35 anos, com exceção de dois, com 53 e 54 anos, respectivamente. O mais jovem tinha acabado de assoprar sua 18º vela. E eis que um deles era da religião judaica, dois outros praticavam o Islã (um francês islamizado), mais dois de cultura muçulmana e três de origem hindu. Mas a maioria, nas palavras de um deles, eram filhos da república laica.

A estas graças de conversão acrescentam-se ainda três abjurações (dois da ortodoxia e um do protestantismo), sem contar as inúmeras dezenas de pessoas que fizeram a primeira confissão de suas vidas durante a Quaresma de 2016.

Que bela colheita. Em um momento onde nossas sociedades parecem entrar em colapso, a graça de Deus age, e o reino de Deus continua a se edificar.

Abbé Patrick de La Rocque, padre da Fraternidade São Pio X, cura de St-Nicolas-du-Chardonnet

AQUELE QUE SE ENTREGA A DEUS JÁ NÃO SE PERTENCE

entregaDeixa de existir aos seus próprios olhos, não vive em si mesmo, mas nAquele a quem se entregou, e não tem outros interesses a não ser os do Mestre.

Esquecer-se de si próprio, por amor, eis a grande lei de toda a vida espiritual. Esquecer-se é excluir das ações, sofrimentos e orações todo o cálculo humano, toda a sombra se amor-próprio ou intenção egoísta.

Esquecer-se é aceitar simplesmente da mão de Deus todas as responsabilidades, todos os deveres, todos os sofrimentos, todas as contrariedades, sem queixumes, sem pretender sobressair por isso, sem examinar a duração e a natureza das próprias penas ou sacrifícios, tal como se eles tivessem atingido outra pessoa.

Esquecer-se é moderar a procura de satisfações pessoais, fugindo das ilícitas e só escolhendo das outras as que a Providência tiver preparado.

Esquecer-se é avaliar-se pelo seu justo valor, isto é, como um mísero pecador; é afastar da memória própria e alheia as qualidades e obras pessoais; é mesmo evitar um olhar ansioso e demorado sobre as próprias fraquezas.

Esquecer-se é desaparecer aos próprios olhos, por um ato de vontade, para não ver em si e nos outros, nas pessoas e nas coisas, senão Jesus e a Sua santa vontade.

Aquele que quiser vir após Mim, diz Jesus, renuncie a si mesmo. Quem desejar ter parte na Ressurreição de Jesus, consinta primeiro em morrer com Jesus; quem quiser com Jesus levantar-se glorioso do túmulo, desça primeiro aí com Ele; quem quiser salvar a sua vida, comece por perdê-la. Continuar lendo

EDUCAÇÃO LITÚRGICA

abcChama-se Liturgia o culto oficial da Igreja nos seus ritos, nas suas fórmulas, nos seus cânticos. Tem um sentido litúrgico quem compreende este culto e quer tomar parte nele. Importa muitíssimo orientar, bem cedo, as crianças nas formas de devoção seguidas pela Igreja. Numa palavra, é necessário educá-las para a compreensão e participação litúrgica.

Note-se a mãe uma verdade: há na alma infantil um eco para as cerimônias e devoções litúrgicas. Cuide de aproveitá-lo sabiamente. Aqui terá a leitora umas normas largamente traçadas.

A primeira inicação – Um dia o nenêzinho descobre no seu quarto o Crucificado. A mãe lhe disse: É Jesus, filhinho! Ele o repete. Passa depois a lhe dar bom-dia e boa-noite, a lhe atirar beijinhos. Mais tarde o ensina a dizer: perdão, Jesus; não faço mais, quando fez artes, foi manhoso, etc. Vem o sinal da cruz, vem a Mãe do Céu. É bom que a criança veja a mamãe rezando, toda série. Essa seriedade a impressiona, arrasta-a à imitação.

O Natal com o presépio – Não sefala à criança nessa coisa tola e inexpressiva de Papai Noel. Fale-se-lhe singelamente: “Filho, amanhã é aniversário do nascimento do Menino Deus; foi nesse dia que ele veio ao mundo para trazer alegria para todos”. Os presentes sejam motivados por essa alegria. Nós temos o presépio tão instrutivo e atraente para a criança. Para que substituí-lo por uma árvore toda cheia de luzes e presentes, mas sem a poesia dos pastores e carneirinhos, da gruta e de seu boizinho, ao lado da caminha tão pobre do Menino Deus? Como tudo isso enche a alma infantil de poesia e encanto! Aos pés do recém-nascido irá a criança depor seus brinquedos, como presentes ao Menino Deus. Este, por sua vez, mandará a mãe devolvê-los à criança. Já o coração infantil se abriu para o desprendimento. Continuar lendo

MULHER FORTE E A VERDADEIRA BELEZA

modesFortitudo et decor indumentum ejus,  et ridebit in die novissimo.  Os suum aperuit sapientiae,  et lex clementiae in lingua ejus.

Uma força misturada de graça é o seu vestido,  e ela terá alegria nos seus últimos dias.  Ela abriu a boca a sabedoria  e a lei da clemência está em seus lábios.

(Prov. XXXI, 25-26)

Nós temos o hábito de começar os nossos entretenimentos pelo resumo do entretenimento precedente: este método tem  talvez, a dupla vantagem de ligar o conjunto da doutrina e recordar sucessivamente o que se disse da última reunião.

A mulher forte deve ter o talento de enobrecer seu marido pelo doce contato de uma natureza diferente, de lhe tornar flexível o caráter, de comunicar-lhe alguma coisa da estranha penetração, do olfato dos pequenos nadas, que tanta importância têm nas relações sociais. É esta uma das mais nobres e mais esplêndidas missões da mulher, quando a toma a peito dá algumas vezes um grandíssimo valor ao que estaria em estado de vinha inculta. Sobre isto explicamos as palavras da Bíblia: – “O marido da mulher forte será ilustre nas assembléias, quando sentado no meio dos senadores da terra“; e se o lugar do senador está reservado para alguns privilegiados, a mulher forte pode, todavia, praticar num sentido, o conselho do Espírito Santo: Perto dela o marido adquire uma certa distinção que lhe permite sustentar-se, ao menos, com conveniência na assembléia dos velhos e dos prudentes, pois tal é a primitiva etimologia da palavra senador.

O versículo seguinte forneceu-nos ocasião de darmos alguns conselhos práticos as pessoas envolvidas no comércio. Recomendamos-lhes especialmente a probidade e a afabilidade: a probidade que sabe negociar honestamente e que é a mãe de um verdadeiro e sólido sucesso, e o único que devem ambicionar o homem que atrai as práticas e que se torna uma das melhores e mais legítimas condições do bom êxito.

O texto seguinte será o tema da nossa conferência de hoje:

Uma força misturada de graça é o seu vestido, e ela terá alegria nos últimos dias. Ela abriu a boca a sabedoria, e a lei da clemência está em seus lábios.” Continuar lendo

O FIEL DEPOSITÁRIO

Saint+Joseph+and+Baby+JesusÉ opinião generalizada e sentir comum entre os homens que o depósito, isto é, um bem que recebemos para guardar, tem qualquer coisa de sagrado e que o devemos conservar para quem no-lo confia não somente por fidelidade mas por uma espécie de sentimento religioso. Por isso o grande Santo Ambrósio nos ensina no livro 29 de seus Ofíciosque era piedoso costume estabelecido entre os fiéis o de trazer aos bispos e a seu clero aquilo que se queria guardar com mais cuidado, para que fosse colocado junto ao altar, em virtude da santa persuasão em que estavam de que não havia melhor lugar para guardar um tesouro do que aquele ao qual o próprio Deus confiou a guarda dos seus, isto é, os santos mistérios. 

Este costume se tinha introduzido na Igreja a exemplo da sinagoga antiga. Lemos na História Sagrada que o augusto templo de Jerusalém era lugar de depósito para os judeus. Autores profanos também nos ensinam que os pagãos tributavam esta honra a seus falsos deuses, colocando seus depósitos nos templos e confiando-os a seus sacerdotes, como se a própria natureza das coisas nos ensinasse que o respeito ao depósito tem algo de religioso e que não pode estar mais bem colocado do que nos lugares santos onde se reverencia a Divindade, nas mãos daqueles que a religião consagra.  

Ora, se jamais existiu depósito que merecesse tanto ser chamado santo, santamente guardado, é este de que falo, que a providência do Pai confia à fé do justo José, tanto assim que sua casa se assemelha a um templo porque Deus aí se digna habitar e entregar-se a Si próprio em depósito. José deve ter sido, portanto, consagrado a fim de guardar tão santo tesouro. E realmente o foi, cristãos: seu corpo pela continência, sua alma por todos os dons da graça. […]  

No projeto que me proponho, o de apoiar os louvores a São José, não em conjeturas duvidosas mas em doutrina sólida tirada das Escrituras divinas e dos Padres seus intérpretes fiéis, nada de mais conveniente posso fazer, na solenidade deste dia, do que apresentar este grande santo como um homem que Deus escolheu entre todos os outros para lhe pôr nas mãos Seu tesouro e fazê-lo, aqui na Terra, seu depositário. Pretendo fazer ver hoje que nada melhor lhe convém, que nada existe tão ilustre e que esse belo título de depositário, desvendando-nos os desígnios de Deus sobre esse bem-aventurado patriarca, nos mostra a fonte de todas as graças e o fundamento seguro de todos os louvores.   Continuar lendo

OS FALSOS MOTIVOS PARA A CONTRACEPÇÃO

image008Este post é continuação do: NEO-MALTUSIANISMO – UM GRANDE GOLPE DO INIMIGO

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São insubsistentes os motivos com que pretendem justificar-se os fraudadores. Examinemos alguns dos mais comuns.

1) Situação econômica 

Autoriza a continência periódica desde que seja real. Nunca autorizará um ato contra a natureza. Na verdade, os que argumentam com situação econômica são, em geral, os que melhor a desfrutam. Guilherme Schimidt chegou a estabelecer como uma tese que “o temor dos filhos é fruto da abundância, e não da necessidade”. Têm com que manter os próprios filhos e estão ainda obrigados em consciência a concorrer para as crianças pobres que vivem na miséria. Mas desejam uma vida cada vez mais burguesa, gozadores, impenitentes e insaciáveis.

Move-os a desmedida ambição da riqueza, a preocupação obsedante do luxo, a vaidade imbecil da ostentação. Aqueles, cuja situação econômica é deveras penosa, são os grandes procriadores em que se estaria a densidade demográfica, se o Estado acudisse à mortalidade infantil que dizima assustadoramente as classes proletárias.

2) Melhor educação aos filhos

Não consiste, porém, em colégios caros, vida folgada, estágios no estrangeiro, mimos excessivos, absoluta ociosidade servida à mão por serviçais bem pagos. Pelo contrário. Nada melhor para prejudicar a educação dos filhos! Como nada melhor para realizar uma boa educação doméstica e social do que o ambiente da família numerosa.

3) Saúde da esposa

Quer o marido poupar a saúde da esposa, em prejuízo da consciência dela impondo-lhe sacrifícios morais, enchendo-a de remorsos, atribulando-lhe o coração cristão – contanto que ele não diminua a dose de prazeres sexuais! esta é a verdade. Sei de casos em que o “delicado” esposo, para poupar a cara metade, franzida e doentia, fê-la correr o risco de uma operação esterilizadora – quando o cavalheirismo (já não digo o amor) mandava conter-se, se fosse real o motivo alegado.
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A PREDESTINAÇÃO DE SÃO JOSÉ E SUA EMINENTE SANTIDADE

st_josephQui minor est inter vos, hic major est.” (Luc., IX, 48)

Não se pode escrever um livro sobre a Santíssima Virgem sem falar da predestinação de São José, de sua eminente perfeição, do caráter próprio de sua missão excepcional, de suas virtudes e de seu atual papel na santificação das almas.

Sua preeminência sobre todos os outros santos cada vez mais afirmada na Igreja

A doutrina segundo a qual São José é o maior dos santos depois da Virgem Maria tende a tornar-se uma doutrina comumente aceita na Igreja, que não teme declarar o humilde carpinteiro superior em graça e em beatitude aos patriarcas, a Moisés, aos maiores dos profetas, a São João Batista, e também aos apóstolos, a São Pedro, a São João, a São Paulo, e por mais forte razão superior em santidade aos maiores mártires e aos maiores doutores da Igreja. O menor, por sua profunda humildade, é em razão da conexão das virtudes, o maior pela elevação da caridade: “Qui minor est inter vos, hic major est” (Luc. IX, 48).

Essa doutrina é ensinada por Gerson1 e por São Bernardino de Sena2. A partir do século XIV, torna-se cada vez mais corrente, é admitida por Santa Teresa, pelo dominicano Isidoro de Isolanis, que parece ter escrito o primeiro tratado sobre São José3, por São Francisco de Sales, por Suárez4, mais tarde por Santo Afonso Maria de Ligório5, mais recentemente pelo cônego Sauvé6, pelo cardeal Lepicier7 e por M. Sinibaldi8; essa doutrina está bem exposta no Dicionário de Teologia Católica, no artigo Joseph (saint), por A-M. Michel.

Além disso recebeu a aprovação de Leão XIII na encíclica Quanquam pluries, de agosto de 1899, escrita para proclamar o patrocínio de São José sobre a Igreja universal. Ele diz: “Certamente a dignidade da Mãe de Deus é tão alta que nada pôde ser criado acima dela. No entanto, como José foi unido à bem-aventurada Virgem pelo laço conjugal, não se pode duvidar que ele se tenha aproximado, mais do que ninguém, dessa dignidade supereminente pela qual a Mãe de Deus ultrapassa tanto todas as naturezas criadas. A união conjugal é, com efeito, a maior de todas; em razão de sua própria natureza, ela acompanha-se da comunicação recíproca dos bens dos dois esposos. Se, pois, Deus deu à Virgem José como esposo, certamente não somente o deu como apoio na vida, como testemunho de sua virgindade, guarda de sua honra, mas o fez também participar, pelo laço conjugal, da eminente dignidade que ela recebeu.”9 Continuar lendo

A EDUCAÇÃO DA VONTADE

123Três coisas têm grande influência sobre a vontade: o sentimento, a imaginação e o temperamento. Não somos totalmente senhores deles; o “livre arbítrio” do homem não é, pois, completo em nós. Tu mesmo deves ter notado que um dia te levantas triste e abatido, e que no dia seguinte, ao invés, estás tão alegre que terias vontade de dançar; e não podes dizer a razão nem do abatimento de ontem, nem da alegria de hoje.

O mesmo ocorre com a imaginação. De repente, e sem causa alguma, as recordações de um acontecimento passado emergem na tua memória, ou entãopor sob os vincos da tua fronte, idéias absurdas e imagens enganadoras se desenham. Donde vêm? Por que é que se apresentam naquele minuto preciso? Não saberias dizê-lo … E é de frequente que a nossa imaginação assim nos jogueteia, é a miúdo que nos mostra dificuldades imensas e obstáculos insuperáveis no caminho dos nossos trabalhos, para nos desgostar deles. Se tens um dente para mandar extrair ou tratar, não é o trabalho do dentista que é o mais doloroso; é a meia hora que passas na sala de espera, deixando livre campo à tua imaginação que te mostra, exagerando-o atrozmente, o sofrimento que te aguarda.

Pois bem, meu filho, se não somos totalmente senhores dos nossos sentimentos e da nossa imaginação, cumpre-nos entretanto tentar estender o reino da nossa vontade até à atividade deles; cumpre-nos velar sobre os sentimentos e tomar as rédeas à imaginação. Acordaste de mau humor? Não importa! Trata de sorrir e de cantar, já estarás vitorioso, – em parte ao menos.

Tens um trabalho de álgebra que fazer. Tua imaginação pinta-o sob imagens assustadoras: “Escuta, esse problema é tão difícil que vais suar frio!” Pois bem , contradize-a! Dize-lhe: “Não é verdade! És uma mentirosa, minha querida imaginação! A solução não é tão terrível assim; tu aumentas as dificuldades; para que pareçam maiores do que são … pois afronto-as”. Continuar lendo

NEO-MALTUSIANISMO – UM GRANDE GOLPE DO INIMIGO

CONTRA“Qualquer uso do matrimônio, em que pela malícia humana, o ato seja destituído da sua natural virtude geradora, é contra a lei de Deus e da natureza, e aqueles que ousem cometer esses atos tornam-se réus de culpa grave”. (Encíclica Casti Connubii – Papa Pio XI)

Os erros vêm de longe quando atingem o terreno moral.  O individualismo racionalista tem velhas raízes. A Renascença iniciou muita desgraça, que os erros acumulados foram alastrando. A Reforma protestante, sendo também  um fruto, inclinou ainda mais rapidamente, caindo em abismos. O Comunismo é o último deles – e não sabemos se é possível virem outros piores. Do individualismo religioso do frade apóstata sairia facilmente o individualismo pedagógico e político de Rousseau ou o individualismo econômico de Adam Smith.

Outros individualismos viriam. Ou melhor novas formas e aplicações do mesmo sistema, em que o indivíduo se coloca no centro do mundo e da sociedade, fazendo que tudo gire em torno dele. Assim é que veio o individualismo demográfico de Malthus.

Robert Malthus, economista inglês, pastor protestante, é o responsável mais próximo por um dos mais desgraçados crimes do individualismo. O homem, levantando-se contra a comunidade, irá perseguir a espécie nas suas próprias fontes, estancando-as. O bem social da propagação da espécie humana vai reverter em mero instrumento de prazer individual sem ônus. Pouco importa que com isso se desrespeitem as mais evidentes leis da natureza. Triunfe o indivíduo, embora pereça a espécie!

Homem de pouca visão. Malthus se impressionou com o empobrecimento crescente do solo da Inglaterra e com o espantoso aumento de população nos Estados Unidos. Jogando com estes dois dados, conclui, erradamente, para todo o mundo, que as populações cresciam em progressão geométrica, enquanto a terra produzia em progressão aritmética. O remédio estava em diminuir os nascimentos. Continuar lendo

SÁBADO SANTO – MEDITAÇÃO PARA A TARDE

sbtSolenidade de Maria Santíssima depois da sepultura de Jesus.

Posuit me desolatam, tota die maerore confectam — “Pôs-me em desolação, afogada em tristeza todo o dia” (Thren. 1, 13).

Sumário. Ah, que noite de dor foi para Maria a que se seguiu à sepultura do seu divino Filho! A desolada Mãe volve os olhos em torno de si, e já não vê o seu Jesus, mas representam-se-lhe diante dos olhos todas as recordações da bela vida e da desapiedada morte do Filho. Como se não pudesse crer em seus próprios olhos: Filho, pergunta a João, aonde está o teu mestre? E à Madalena: Filha, dize-me onde está o teu dileto?… Minha alma, roga a Santíssima Virgem, que te admita a chorar consigo. Ela chora por amor, e tu, chora pela dor dos teus pecados.

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I. Diz São Boaventura que, depois da sepultura de Jesus, as mulheres piedosas velaram a Bem-aventurada Virgem com um manto lúgubre, que lhe cobria todo o rosto. Acrescenta São Bernardo, que na volta do sepulcro para a sua casa a pobre Mãe andava tão aflita e triste, que comovia muitos a chorarem, ainda que involuntariamente: Multos etiam invitos ad lacrimas provocabat. De modo que, por onde passava, todos aqueles que a encontravam, não podiam conter as lágrimas. Os santos discípulos e as mulheres que a acompanhavam, quase que choravam mais as penas de Maria do que a perda de seu Senhor.

Quando a Virgem passou por diante da Cruz, banhada ainda com o sangue do seu Jesus, foi a primeira a adorá-la. Ó santa Cruz, disse então, eu te beijo e te adoro, já que não és mais madeiro infame, mas trono de amor e altar de misericórdia, consagrado com o sangue do Cordeiro divino, que em ti foi imolado pela salvação do mundo. — Deixa depois a Cruz e volta à sua casa. Chegada ali, a aflita Mãe volve os olhos em torno, e não vê mais o seu Jesus; em vez da presença do querido Filho, apresentam-se-lhe aos olhos todas as recordações da sua bela vida e da sua desapiedada morte. Continuar lendo

SÁBADO SANTO – MEDITAÇÃO PARA A MANHÃ

sbmSétima Dor de Maria Santíssima – Sepultura de Jesus.

Involvit sindone, et posuit eum in monumento — “Amortalhou-O no sudário, e depositou-O no sepulcro” (Marc. 15, 46).

Sumário. Consideremos como a Mãe dolorosa quis acompanhar os discípulos que levaram Jesus morto à sepultura. Depois de O ter acomodado com suas próprias mãos, diz um último adeus ao Filho e ao sepulcro, e volta para casa, deixando o coração sepultado com Jesus. Nós também, à imitação de Maria, encerremos o nosso coração no santo tabernáculo, onde reside Jesus, já não morto, mas vivo e verdadeiro como está no céu. Para isso é mister que o nosso coração esteja desapegado de todas as coisas da terra.

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I. Quando uma mãe assiste a seu filho que padece e morre, sem dúvida ela sente e sofre todas as penas do filho; mas quando o filho atormentado, já morto, deve ser sepultado e a aflita mãe deve despedir-se dele, ó Deus! O pensamento de o não tornar a ver é uma dor que excede todas as outras dores. Essa foi a última espada que traspassou o coração aflito de Maria.

Para melhor considerá-la, voltemos ao Calvário e observemos atentamente a aflita Mãe, que ainda tem abraçado seu Jesus morto e se consome de dor ao beijar-Lhe as chagas. Os santos discípulos, temendo que ela expirasse pela veemência da dor, animaram-se a tirar-lhe do regaço o depósito sagrado, para o sepultarem. Com violência respeitosa tiraram-lh’O dos braços, e embalsamando-O com aromas, envolveram-No em um sudário adrede preparado. — Eis que já O levam à sepultura; já se põe em movimento o cortejo fúnebre. Os discípulos carregam o corpo exânime; inúmeros anjos do céu O acompanham; as santas mulheres O seguem e juntamente com elas vai a Mãe aflitíssima, acompanhando o Filho à sepultura. Continuar lendo

SEXTA-FEIRA SANTA – MEDITAÇÃO PARA A TARDE

sxtSexta Dor de Maria Santíssima – Jesus é descido da Cruz.

Ioseph, deponens eum, involvit sindone — “José, depondo-O da cruz, O amortalhou no sudário” (Marc. 15, 46).

Sumário. Consideremos como, depois da morte do Senhor, dois dos seus discípulos, José e Nicodemos, o descem da cruz e O depõem nos braços da aflita Mãe, que com ternura O recebe e O aperta contra o peito. Se Maria fosse ainda capaz de dor, que pena sentiria vendo que os homens, tendo visto seu Filho morto por amor deles, continuam a maltratá-Lo com os seus pecados? Não atormentemos mais a nossa aflita mãe, e se pelo passado nós também a temos afligido com as nossas culpas, voltemos arrependidos ao Coração aberto de seu Jesus.

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I. Temendo a Mãe dolorosa, que depois do ultraje da lançada outras injúrias fossem feitas a seu amado Filho, pede a José de Arimatéia, obtivesse de Pilatos o corpo de seu Jesus, a fim de que ao menos morto O pudesse guardar e livrar dos ultrajes. Foi José ter com Pilatos e expôs-Lhe a dor e o desejo da aflita Mãe, e diz Santo Anselmo que a compaixão para com ela enterneceu Pilatos e o moveu a conceder-lhe o corpo do Salvador.

Eis que descem Jesus da cruz. Foi revelado a Santa Brígida, que para o descimento encostaram à cruz três escadas. Primeiro, os santos discípulos despregaram as mãos e depois os pés, e os cravos foram entregues a Maria, como refere Metaphrastes. Depois, segurando um o corpo de Jesus por cima, e outro por baixo, o desceram da cruz. Bernardino de Bustis medita como a aflita Mãe se levanta sobre as pontas dos pés, e, estendendo os braços, vai receber o querido Filho; abraça-O e depois senta-se debaixo da cruz. Continuar lendo

A AGONIA DE JESUS

Agonia2Espírito Divino iluminai a minha inteligência, inflamai o meu coração, enquanto medito na Paixão de Jesus. Ajudai-me a penetrar nesse mistério de amor e sofrimento do meu Deus, que, feito homem sofre, agoniza, morre por mim.

Ó Eterno, ó Imortal, descei até nós para sofrer um martírio inaudito, a morte infame sobre a cruz no meio dos insultos, de impropérios e ignomínias, a fim de salvar a criatura que o ultrajou e continua a atolar-se na lama do pecado.

O homem saboreia o pecado e, por causa do pecado, Deus está mortalmente triste; os tormentos duma agonia cruel fazem-no suar sangue!…

Não, não posso penetrar neste oceano de amor e de dor sem a ajuda da vossa graça, ó meu Deus. Abri-me o acesso à mais íntima profundidade do coração de Jesus, para que eu possa participar da amargura que o conduziu ao Jardim das Oliveiras, até às portas da morte — para que me seja dado consolá-lo no seu extremo abandono. Ah! Pudesse eu unir-me a Cristo, abandonado pelo Pai e por Si próprio, a fim de expirar com Ele!

Maria, Mãe das Dores, permiti que eu siga Jesus e participe intimamente da sua Paixão e do seu sofrimento!

Meu Anjo da guarda velai para que as minhas faculdades se concentrem todas na agonia de Jesus e nunca mais se desprendam… No termo da sua vida terrestre, depois de se nos ter inteiramente entregue no Sacramento do seu amor, o Senhor dirige-se ao Jardim das Oliveiras, conhecido dos discípulos, mas de Judas também. Pelo caminho ensina-os e prepara-os para a sua Paixão iminente convida-os, por Seu amor, a sofrer calúnias, perseguições até à morte, para os transfigurar à semelhança dele, modelo divino. No momento de começar a sua Paixão amaríssima, não é nele que pensa; pensa em ti. Continuar lendo

SEXTA-FEIRA SANTA – MEDITAÇÃO PARA A MANHÃ

sxnMorte de Jesus.

Et inclinato capite, tradidit spiritum — “E inclinando a cabeça, rendeu o espírito” (Io. 19, 30).

Sumário. Contempla como depois de três horas de agonia, pela veemência das dores, as forças faltam a Jesus; entrega o corpo ao próprio peso, deixa cair a cabeça sobre o peito, abre a boca e expira. Alma cristã, dize-me: não merece porventura todo o nosso amor um Deus que, para nos salvar da morte eterna, quis morrer no meio dos mais atrozes tormentos? Todavia, como são poucos os que amam e muitos os que, em vez de O amarem, Lhe pagam com injúrias e ultrajes.

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I. Considera que o nosso amável Redentor é chegado ao fim da sua vida. Amortecem-se-Lhe os olhos, o seu belo rosto empalidece, o coração palpita debilmente, e todo o sagrado corpo é lentamente invadido pela morte. Vinde, anjos do céu, vinde assistir a morte do vosso Deus. Vós, ó Mãe dolorosa, Maria, chegai-vos mais próxima à cruz, levantai os olhos para vosso Filho, e contemplai-O atentamente, porque está prestes a expirar.

Pater, in manus tuas commendo spiritum meum (1) — “Pai em vossas mãos entrego o meu espírito”. É esta a última palavra que Jesus profere com confiança filial e perfeita resignação com a vontade divina. Foi como se dissesse: Meu Pai, não tenho vontade própria; não quero nem viver nem morrer. Se é vossa vontade que eu continue a padecer sobre a cruz, eis-me aqui, estou pronto para obedecer; em vossas mãos entrego o meu espírito; fazei de mim segundo a vossa vontade. — Tomara que nós disséssemos o mesmo, quando temos alguma cruz, deixando-nos guiar pelo Senhor, conforme o seu agrado. Tomara que o repetíssemos especialmente no momento da morte! Mas para bem o fazermos então, devemos praticá-lo muitas vezes em nossa vida. Continuar lendo

QUINTA-FEIRA SANTA – MEDITAÇÃO PARA A TARDE

qitQuinta Dor de Maria Santíssima – Morte de Jesus.

Et erit vita tua quasi pendens ante te — “A tua vida estará como suspensa diante de ti” (Deut, 28, 66).

Sumário. Contemplemos a acerba dor de Maria Santíssima no Calvário, obrigada a assistir a Jesus moribundo e ver todas as penas que Ele padecia, sem, contudo, Lhe poder dar alívio. Então a aflita Mãe não cessou de oferecer a vida do Filho à divina justiça pela nossa salvação. Lembremo-nos que pelo merecimento de suas dores cooperou para nos fazer nascer para a vida da graça. Por isso todos nós somos seus filhos. Ó, como a Virgem exerceu sempre e ainda exerce bem o ofício de Mãe! Mas como nos vemos nós como filhos?

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I. Fogem as mães da presença dos filhos moribundos; e se por acaso alguma mãe se vê obrigada a assistir um filho que está para morrer, procura-lhe todos os alívios que pode dar. Concerta-lhe a cama, para que esteja em posição mais cômoda; serve-lhe refrescos, e assim a própria mãe procura mitigar a própria dor. Ah, mãe a mais aflita de todas as mães, ó Maria! Incumbe-vos o assistir a Jesus moribundo, mas não vos é permitido dar-Lhe algum alívio.

Maria ouviu o Filho dizer: Sitio — tenho sede; mas não lhe foi permitido dar uma gota de água para Lhe mitigar a sede. Só pode dizer-Lhe, como contempla São Vicente Ferrer: Filho, não tenho senão a água de minhas lágrimas.  Fili, non habeo nisi aquam lacrimarum. Via que sobre aquele leito de morte, Jesus, pregado com três cravos de ferro, não achava repouso. Queria abraçá-Lo para Lhe dar alívio, ao menos para O deixar expirar entre seus braços; mas não podia. Via o pobre Filho, que naquele mar de aflições buscava quem O consolasse, como Ele já tinha predito pela boca do profeta Isaías (1). Mas quem entre os homens O desejava consolar, se todos eram seus inimigos? Mesmo sobre a cruz um O blasfemava e escarnecia de uma maneira, outro de outra, tratando-O como um impostor, ladrão, usurpador sacrílego da divindade, digno de mil mortes. Continuar lendo

QUINTA-FEIRA SANTA – MEDITAÇÃO PARA A MANHÃ

qimO dia do amor.

Sciens Iesus quia veni hora eius, ut transeat ex hoc mundo ad Patrem, cum dilexisset suos, qui erant in mundo, in finem dilexit eos — “Sabendo Jesus que era chegada a hora de passar deste mundo ao Pai, como tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim” (Io. 13, 1).

Sumário. Embora Jesus Cristo em todo o curso de sua vida mortal nos tivesse amado ardentemente e nos tivesse dado mil provas de seu amor infinito, todavia, quando chegou ao termo dos seus dias, quis dar-nos a prova mais patente pela instituição do Santíssimo Sacramento. Aí o Senhor se faz não só nosso constante companheiro, mas ainda nosso sustento e se nos dá todo inteiro. Com muita razão, portanto, Santa Maria Madalena de Pazzi chamava a quinta-feira santa o dia do amor.

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I. Um pai amoroso nunca patenteia melhor a sua ternura e o seu afeto para com os filhos do que no fim da sua vida , quando os vê em torno do seu leito, aflitos e com os olhos em pranto, e pensa que em breve deve abandoná-los. Tira do seu coração e põe sobre os seus lábios o resto de sua vida prestes a extinguir-se, abraça aqueles penhores queridos do seu amor, exorta-os a serem sempre bons, imprimi-lhes no rosto os mais ternos beijos, e misturando as suas lágrimas com a dos filhos, lança-lhes a sua benção. Depois manda trazer o que mais precioso possui e dando a cada um uma última lembrança: Tomai, diz, e lembrai-vos sempre do amor que vos tenho dedicado.

Foi exatamente assim que quis fazer conosco Jesus Cristo, verdadeiro Pai da nossa alma e Pai tão amante, que na terra não tem havido, nem jamais haverá outro igual. Embora em todo o curso da sua vida mortal nos tivesse amado com amor ardente, e nos tivesse dado mil provas de seu amor infinito, todavia, quando chegou ao termo de seus dias, quis dar-nos a prova mais patente, pela instituição do Santíssimo Sacramento. E por isso, na mesma noite em que devia ser traído, reuniu os seus discípulos ao redor de si, instituiu a Santíssima Eucaristia, e disse-lhes para os consolar de sua próxima partida: Filhos meus, vou morrer por vós, para vos mostrar o amor que vos tenho. Posto que, escondido debaixo das espécies sacramentais, deixo-vos o meu corpo, a minha alma, a minha divindade, a mim mesmo todo. Numa palavra, não quero nunca estar separado de vós, enquanto estiverdes na terra: Ecce ego vobiscum sum, usque ad consummationem saeculi (1) — “Eis que estou convosco, até a consumação dos séculos”. — Meu irmão, que tal te parece esta extrema fineza de Jesus Cristo? Não tinha razão Santa Maria Madalena de Pazzi de chamar a quinta-feira santa o dia do amor? Continuar lendo

QUARTA-FEIRA SANTA – MEDITAÇÃO PARA A TARDE

4tJesus é crucificado entre dois ladrões.

Crucifixerunt eum, et cum eo alios duos, hinc et hinc, medium autem Iesum — “Crucificaram-No e com Ele outros dois, um de uma parte, e outro da outra, e no meio Jesus” (Jo, 19, 18).

Sumário. Imaginemos que junto com a divina Mãe presenciamos a crucifixão de Jesus Cristo. Eis que, plantada já a cruz, o Filho de Deus está neste patíbulo infame, suspenso em suas próprias feridas, e sofre tantas mortes, quantos momentos durou aquela longa agonia. Ó Deus! Jesus pensou então em cada um de nós, e a previsão de nossas culpas tornava-Lhe a morte mais dolorosa. Unamo-nos em espírito com a Santíssima Virgem, e aproximemo-nos para beijar a preciosa Cruz com coração contrito e amante.

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I. Logo que Jesus chegou ao Calvário, todo exausto de dores e de cansaço, deram-Lhe a beber o vinho misturado com fel, que era costume dar aos condenados à cruz, para diminuir neles o sentimento da dor. Jesus, porém, querendo morrer sem alívio, provou apenas e não quis beber. Depois, tendo-se a multidão colocado em círculo ao redor de Nosso Senhor, os soldados arrancaram-Lhe as vestes, pegadas ao corpo todo chagado e dilacerado, e com as vestes Lhe arrancaram também pedaços da carne. Em seguida deitaram-no sobre a cruz. Jesus estende as sagradas mãos e oferece ao Eterno Pai o grande sacrifício de si mesmo e pede-Lhe que O aceite pela nossa salvação.

Os soldados furiosos tomam os pregos e os martelos, e traspassando as mãos e os pés de nosso Salvador, pregam-no na cruz. Afirma São Bernardo que na crucifixão de Jesus os algozes se serviram de pregos sem ponta, para que causassem dor mais violenta. O som das marteladas ressoa pelo monte, e chega aos ouvidos de Maria, que se achava perto, acompanhando o Filho. — Ó mãos sagradas, que com vosso tato curastes tantos enfermos, porque vos traspassam agora sobre a cruz? Ó pés sacrossantos, que vos cansastes tantas vezes na busca das ovelhas perdidas, que somos nós, porque vos pregam com tanta dor nesse patíbulo? Continuar lendo

QUARTA-FEIRA SANTA – MEDITAÇÃO PARA A MANHÃ

4mQuarta Dor de Maria Santíssima — Encontro com Jesus, que carrega a cruz.

Vidimus eum, et non erat aspectus, et desideravimus eum — “Vimo-Lo, e não havia nele formosura, e por isso nós O estranhamos” (Is. 53, 2).

Sumário. Consideremos o encontro que no caminho do Calvário teve o Filho com sua Mãe. Jesus e Maria olham-se mutuamente, e estes olhares são como outras tantas setas que lhes traspassam o Coração amante. Se víssemos uma leoa que vai após seu filho conduzido à morte, aquela fera havia de inspirar-nos compaixão. E não nos moverá à ternura ver Maria que vai após o seu Cordeiro imaculado, enquanto o conduzem à morte por nós? Tenhamos compaixão, e procuremos também acompanhar a seu Filho e a ela, levando com paciência a cruz que nos dá o Senhor.

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I. Medita São Boaventura que a Bem-aventurado Virgem passou a noite que precedia a Paixão de seu Filho sem tomar descanso e em dolorosa vigília. Chegada a manhã, os discípulos de Jesus Cristo vieram a esta aflita Mãe: um a referir-lhe os maus tratamentos feitos a seu Filho na casa de Caifás, outro os desprezos que recebeu de Herodes, mais outro a flagelação ou a coroação de espinhos. Numa palavra, cada um dava a Maria uma nova informação, cada qual mais dolorosa, verificando-se nela o que Jeremias tinha predito: Non est qui consoletur eam ex omnibus caris eius (1) — “Não há quem a console entre todos os seus queridos”.

Veio finalmente São João e lhe disse: “Ah, Mãe dolorosa! Teu Filho já foi condenado à morte, e já saiu, levando Ele mesmo a sua cruz para ir ao Calvário. Vem, se O queres ver e dar-Lhe o último adeus, em alguma rua, por onde tenha de passar”. Continuar lendo

PAPA EMÉRITO BENTO XVI ROMPE O SILÊNCIO E FALA DE “PROFUNDA CRISE” ATINGINDO A IGREJA APÓS O VATICANO II

O Papa retoma o uso do saturnoPor LifeSiteNews.com Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com

No dia 16 de março, ao falar publicamente em uma rara aparição, o Papa Bento XVI deu uma entrevista ao Avvenire, o jornal da Conferência Episcopal Italiana, abordando uma “dupla e profunda crise” que a Igreja está enfrentando na esteira do Concílio Vaticano II. A notícia já chegou até a Alemanha como cortesia do vaticanista Giuseppe Nardi, do site de notícias católicas da Alemanha vinculado a Katholisches.info.

O Papa Bento nos recorda a antiga e indispensável convicção católica da possibilidade da perda da salvação eterna, ou que as pessoas vão para o inferno:

Os missionários do século 16 estavam convencidos de que uma pessoa não batizada está condenada para sempre. Após o Concílio [Vaticano II], essa convicção foi definitivamente abandonada. O resultado foi uma dupla e profunda crise. Sem essa atenção para com a salvação, a Fé perde o seu fundamento.

Além disso, ele fala de uma “profunda evolução do dogma” em relação ao dogma “fora da Igreja não existe salvação”. Esta mudança proposital do dogma levou, aos olhos do papa, a uma perda do zelo missionário na Igreja – “Qualquer motivação para um futuro compromisso missionário foi removido”.

Papa Bento XVI faz uma pergunta penetrante suscitada por essa mudança palpável de atitude da Igreja: “Por que você deveria tentar convencer as pessoas a aceitar a fé cristã, se elas podem ser salvas sem ela?” Continuar lendo

TERÇA-FEIRA SANTA – MEDITAÇÃO PARA A TARDE

3tJesus é condenado e vai ao Calvário.

Tunc ergo tradidit eis illum ut crucifigerunt — “Então entregou-lhes Jesus, para ser crucificado” (Jo, 19, 16).

Sumário. Imaginemos ver Jesus Cristo que escuta a injusta sentença de morte, aceita-a por nosso amor, e abraçando a cruz, se encaminha para o Calvário. Os judeus temendo que a cada momento expire, e desejosos de O ver morrer crucificado, obrigam a Simão Cirineu a levar a cruz atrás de Jesus. Unamo-nos ao ditoso Simão, e abraçando com resignação a nossa cruz, carreguemo-la atrás de Jesus, que no-la manda para nosso bem.

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I. Considera como Pilatos, depois de proclamar diversas vezes a inocência de Jesus, finalmente a torna a proclamar, lavando as mãos e protestando que é inocente do sangue daquele justo. Se, pois, havia de morrer, os judeus deveriam responder por Ele. Em seguida lavra a sentença e condena Jesus à morte. Ó injustiça nunca mais vista no mundo! O Juiz condena o acusado ao mesmo tempo que o declara inocente!

Lê-se a iníqua sentença de morte na presença do Senhor condenado; este escuta-a, e todo conformado com o decreto de seu Eterno Pai, que o condena à cruz, aceita-a humildemente, não pelos delitos que os judeus lhe imputavam falsamente, mas pelas nossas culpas verdadeiras, pelas quais se tinha oferecido a satisfazer com a sua morte. Na terra, Pilatos diz: Morra Jesus; e o Pai Eterno confirma a sentença no céu dizendo: Morra meu Filho. E o mesmo Filho acrescenta: Eis-me aqui, obedeço e aceito a morte, e a morte de cruz: Humiliavit semetipsum, factus obediens usque ad mortem, mortem autem crucis (1) — “Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de cruz. Continuar lendo

TERÇA-FEIRA SANTA – MEDITAÇÃO PARA A MANHÃ

3mJesus é coroado de espinhos e apresentado ao povo.

Et plectentes coronam de spinis, posuerunt super caput eius — “E entrançando uma coroa de espinhos Lha puseram na cabeça” (Mat. 27, 29).

Sumário. Depois de terem açoitado a Jesus, os algozes, tratando-O como rei de comédia, atiram-Lhe sobre os ombros um manto de púrpura, colocam-Lhe um caniço na mão, e põem-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos, na qual batem fortemente com o caniço, a fim de que penetre mais. O Senhor ficou reduzido a tão triste estado, que Pilatos julgou que comoveria de compaixão os próprios inimigos, só com apresentá-Lo. Contemplemo-Lo também, e pensando que foi tão maltratado por nosso amor, não tenhamos a crueldade de dizer com os judeus: Crucifigatur — “Seja crucificado”.

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I. Contemplemos os outros bárbaros suplícios que os soldados infligiram a nosso Senhor já tão atormentado. Instigados, e, como afirma São João Crisóstomo, subornados pelo dinheiro dos Judeus, reúnem ao redor de Jesus toda a corte, põem-Lhe aos ombros um manto vermelho a servir de manto real, nas mãos colocam-Lhe um caniço a servir de cetro e na cabeça um feixe de espinhos a servir de coroa. Os espinhos estavam entrelaçados em forma de capacete, de modo que Lhe cobria a cabeça toda: Et plectentes coronam de spinis, posuerunt super caput eius.

Mas, porque os espinhos com a força das mãos não penetravam bastante na cabeça sagrada, já tão ferida pelos açoites, tomam-Lhe o caniço, e enquanto Lhe escarravam também no rosto, batem com toda a força sobre a cruel coroa, de sorte que rios de sangue corriam da cabeça ferida pelo rosto e sobre o peito. Ah, espinhos ingratos! É assim que atormentais o vosso Criador? — Mas, para que acusar os espinhos? Ó pensamentos perversos dos homens, sois vós que transpassastes a cabeça do meu Redentor. Continuar lendo

SEGUNDA-FEIRA SANTA – MEDITAÇÃO PARA A TARDE

flagellationJesus preso à coluna e flagelado

Tunc ergo apprehendit Pilatus Iesum et flagellavit — “Pilatos tomou então a Jesus e o mandou açoitar”(Io. 19, 1).

Sumário: Contemplemos como os algozes pegam dos açoites e a um sinal dado começam a bater por toda a parte em nosso divino Redentor. Seu corpo virginal primeiro torna-se roxo; depois começa a correr o sangue, e com tão grande abundância, que ficam manchados, não só os açoites, senão também as vestes dos algozes e a própria terra. Pelo que o Senhor ficou transfigurado como um leproso, coberto de chagas desde a cabeça até aos pés. E nós continuaremos a acariciar esta carne rebelde?

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Vendo Pilatos que falharam os dois meios empregados para não ter que condenar ao inocente Jesus, isto é, a remessa para Herodes e a apresentação ao lado de Barrabás, toma o alvitre de lhe dar um castigo qualquer e depois mandá-Lo embora. Convoca portanto os Judeus e lhes diz: “Apresentastes-me este homem como um agitador; não acho, porém, n’Ele culpa alguma, nem tampouco a achou Herodes. Todavia para vos contentar mandarei castigá-Lo e depois mandá-Lo-ei embora.” Ó Deus, que injustiça clamorosa! Declara-O inocente, e depois manda-O castigar!

Mas, qual é o castigo, ó Pilatos, a que condenas este inocente? Vais condená-Lo a ser açoitado? A um inocente infliges uma pena tão cruel e tão vergonhosa? Sim, foi o que se fez. Tunc ergo apprehendit Pilatus Iesum, et flagellavit (1) — “Então Pilatos tomou a Jesus e mandou que O açoitassem.” — Minha alma, contempla como, depois de uma ordem tão injusta, os algozes agarram furiosos o Cordeiro mansíssimo, e entre gritos e alaridos o levam ao Pretório e o prendem à coluna. E Jesus, que faz Jesus? Todo humilde e submisso, aceita por nossos pecados o tormento tão doloroso e ignominioso. Eis como os verdugos já pegam dos açoites, e ao sinal dado levantam os braços e começam a bater por toda a parte, na carne sagrada do Senhor. — Ó algozes, estais enganados, o criminoso não é Ele; fui eu que mereci esses castigos.

Ó minha alma, queres ser do número daqueles que indiferentes contemplam um Deus açoitado? Considera a dor, e mais ainda o amor com que o teu dulcíssimo Senhor padece por ti tão grande suplício. Com certeza, entre os açoites Jesus pensava em ti. Se Ele tivesse sofrido por amor de ti um golpe só, já deverias estar abrasado de amor para com Jesus e dizer: “Um Deus quis ser batido por amor de mim!” Jesus porém quis, para satisfação de teus pecados, que Lhe fossem rasgadas e dilaceradas todas as carnes, segundo a profecia de Isaías: Ipse autem vulneratus est propter iniquitates nostras (2) — “Ele foi ferido pelas nossas iniqüidades”. Continuar lendo

SEGUNDA-FEIRA SANTA – MEDITAÇÃO PARA A MANHÃ

HERODESJesus é levado a Pilatos e a Herodes e posposto a Barrabás.

Et vinctum adduxerunt eum, et tradiderunt Pontio Pilato praesidi — “E preso O conduziram e entregaram ao governador Pôncio Pilatos” (Matth. 27, 2).

Sumário. Imaginemos ver Jesus Cristo, que em meio de uma multidão de gentalha insolente é conduzido ao tribunal de Pilatos, depois ao de Herodes e afinal novamente ao de Pilatos. Este, para livrá-Lo, apresenta-O ao povo juntamente com um ladrão e assassino; mas o povo responde: Seja livre Barrabás, e Jesus seja crucificado. Ó céus! Todas as vezes que pecamos, fizemos o mesmo, pospondo nosso Deus a um vil interesse, a um pouco de fumo, a um vil prazer.

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I. Ao amanhecer, os príncipes dos sacerdotes novamente declaram Jesus réu de morte, e depois conduzem-no a Pilatos, a fim de que este O condene a morrer crucificado. Pilatos, tendo interrogado diversas vezes tanto os Judeus como nosso Salvador, reconhece que Jesus é inocente e que todas as acusações são calúnias. Sai, pois, para fora e declara que não acha em Jesus culpa alguma para condená-Lo. Vendo, porém, que os Judeus se empenhavam sumamente em fazê-Lo morrer, e ouvindo que Jesus era da Galiléia, para tirar-se dos apuros, remisit eum ad Herodem (1) — “devolveu-O a Herodes”.

Herodes ficou muito contente ao ver Jesus levado à sua presença. Esperava ver um dos muitos milagres obrados pelo Senhor e dos quais tinha ouvido falar. Interrogou-O muito, mas Jesus se calou e não lhe deu resposta alguma; castigando assim a vã curiosidade daquele insolente: At ipse nuhil illi respondebat (2). Ai da alma a qual o Senhor não fala mais. — Meu Jesus, eu também tinha merecido este castigo, por ter resistido tantas vezes às vossas misericordiosas inspirações. Mas, meu amado Redentor, tende piedade de mim e falai-me: Loquere, Domine, quia audit servus tuus (3) — “Falai, Senhor, porque o vosso servo escuta”. Dizei-me o que desejais de mim; quero obedecer-Vos e contentar-Vos em tudo.
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SUBDIÁCONOS E ÚLTIMAS ORDENS MENORES CONFERIDAS EM ÊCONE

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Em 12 de março de 2016, no sábado chamado de “Sitientes” , do nome do Intróito da missa daquele dia, 15 jovens levitas receberam o subdiaconato das mãos de Dom Bernard Fellay , Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X .

Esta primeira ordem maior, na lista daquelas que levam ao sacerdócio, envolve a doação total de si a Deus através dos votos de castidade e a obrigação de recitar o breviário em nome da Igreja.

Dos 15 seminaristas ordenados ao subdiaconato, 12 são membros da FSSPX – 11 franceses e 1 espanhol -, 2 pertencem à ordem dos Beneditinos de Bellaigues e 1 à Fraternidade da Transfiguração de Mérigny.

Durante a mesma cerimônia 4 outros clérigos receberam as duas últimas ordens menores de Acólito e Exorcista: 3 para a FSSPX e 1 para o convento dos Capuchinhos de Morgon .

Dom Fellay fora assistido pelo Pe. Benoît de Jorna, diretor do seminário de Ecône, como padre assistente, e pelos Padres Gleize e Biselx, ambos professores, como diáconos assistentes.

Oremos pela perseverança desses jovens que são uma fonte de real esperança e promessas para a Igreja

ORAÇÃO A SÃO JOSÉ PELA IGREJA

Go-to-Joseph“A vós, São José, recorremos em nossa tribulação, e depois de ter implorado o auxílio de vossa santíssima Esposa, cheios de confiança, solicitamos o vosso patrocínio. Por esse laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem Imaculada, Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente vos suplicamos que lanceis um olhar benigno sobre a herança que Jesus Cristo conquistou com seu Sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com vosso auxílio e poder.

Protegei, ó Guarda providente da Divina família, a raça eleita da Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do Céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas. E assim como outrora salvaste da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas de seus inimigos e contra toda adversidade.
Amparai a cada um de nós com o vosso constante patrocínio, a fim de que, a exemplo de vós e sustentado com o vosso auxilio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no Céu a eterna bem aventurança. Assim seja. Amém!”

SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ

Dia de São José -Ite ad Ioseph, et quidquid ipse vobis dixerit, facite — “Ide a José e fazei tudo que ele vos disser” (Gen. 41, 55).

Sumário. Aos outros Santos Deus concedeu o poderem proteger numa necessidade especial; mas a São José, como atesta a experiência, concedeu o ser protetor em todas as necessidades. O nosso Santo não somente tem vontade de auxiliar-nos, mas de certa maneira obrigação, pois que por nossa causa foi ele elevado a sua alta dignidade. Imaginemos portanto que o Senhor, vendo as nossas aflições, nos diz o que o Faraó disse ao povo do Egito no tempo da fome: Se quiserdes ser socorridos, ide a José!

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Deus concedeu aos demais Santos o serem protetores numa necessidade especial; mas a São José concedeu o ser protetor universal. Assim disse Santo Tomás, e Santa Teresa acrescenta que a experiência assim o demonstra. Socorrer em todas as necessidades quer dizer que São José socorre a todos que se lhe recomendam. Prova evidente disso acha-se na ordem da Igreja que de todos seja realizado o Ofício do Patrocínio de São José, onde se diz: Sperate in eo, omnis congregatio populi, effundite coram illo corda vestra (1) — “Esperai nele, toda a congregação do povo; derramai diante dele os vossos corações”.

O nosso Santo nos socorrerá não somente por inclinação de vontade, mas ainda de certa maneira reconhece-se obrigado a proteger todos os fiéis, e especialmente os que a ele recorrem; porquanto é por causa deles que recebeu a honra insigne de fazer às vezes de pai junto a Jesus. Se não fora necessária a Redenção, São José ficara privado de tão grande honra. Tendo-lhe Deus recomendado o cuidado do Redentor, encarregou-o no mesmo tempo do cuidado de todos os remidos, a fim de que nos assista e nos ajude a conseguirmos o fruto da Redenção, que é a salvação eterna. Continuar lendo