A IDÉIA É SUPERIOR À REALIDADE?

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“Todos iremos para o céu, quer sejamos ladrões, assassinos, mentirosos, etc.” Tal conceito de santidade ou santificação é um verdadeiro afronta a Deus. É querer fazer de Deus cúmplice das injustiças.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

De um lado, os idealistas respondem afirmativamente. Para eles – quer dizer, infelizmente para um bom número de nossos contemporâneos – a ideia (o conceito) prevalece sobre a realidade (o fato, a verdade). É necessário, portanto, submeter a realidade à ideia concebida ou preconcebida. Do outro lado, os realistas respondem negativamente. Isso, dizem eles, é uma questão de simples bom senso, a realidade tem uma preeminência sobre a ideia, que dela deriva sua origem. O que devemos pensar sobre isso? Qual é a consequência em nossa vida espiritual?

O homem inteligente

O homem não nasce com suas idéias/conceitos infusos. Ao nascer, seu espírito é virginal, tabula rasa (literalmente: uma folha de papel em branco). No decorrer de sua vida, seu espírito será marcado, moldado, “instruído” (no sentido de uma “impressão sensível”) apenas pela experiência. Graças ao seu poder cognitivo, o homem compreende a natureza das realidades que o cercam: seja pela abstração, seja pelo raciocínio (julgamento), ou finalmente pela simples adesão da inteligência.

A inteligência humana compreende a natureza das coisas através de uma operação que lhe é própria, a abstração. Ela desenvolve, em seguida, um conceito, uma ideia da realidade (coisa) considerada. Por ideia ou conceito nos referimos à realidade (a coisa) como é conhecida pela inteligência. A inteligência, portanto, capta as realidades externas por meio de conceitos ou idéias. Também pode passar de uma ideia para outra, graças ao raciocínio. A ideia tem sua origem na realidade, na experiência. A verdadeira ideia é aquela que está de acordo com a natureza da coisa. É por esta razão que a verdade é definida, por Aristóteles e Santo Tomás de Aquino, como sendo a adequação da inteligência à realidade, isto é, a conformidade do conceito, da ideia à realidade, à natureza das coisas. Para ser verdadeira ou objetiva, a inteligência humana deve estar submissa à realidade e não o contrário: humildade, essa é verdade! Continuar lendo

A BARBA E OS JOELHOS

O capitão Haddock não consegue pregar os olhos de noite. Foi-lhe feita uma pergunta embaraçosa: ele dorme com a barba abaixo ou acima do cobertor? Uma comparação com a saia: acima ou abaixo do joelho?

Fonte: Le Parvis n ° 112 – Tradução: Dominus Est

A barba pode levantar sérias questões. Na Coke en stock (As aventuras de Tintim), o capitão Haddock não consegue pregar os olhos de noite. Foi-lhe feita uma pergunta embaraçosa: ele dorme com a barba abaixo ou acima do cobertor? O joelho é uma articulação maravilhosa e muito útil, embora sem nenhuma beleza especial. Felizmente, as moças não têm barba, o que lhes permite dormir tranquilamente sem estas considerações. Mas elas têm joelhos. E é pela manhã que surge o dilema: saia acima ou abaixo do joelho? O joelho, como já dissemos, nada tem de estético. Mas a voz do mundo e a voz da Igreja discordam sobre o que é conveniente sobre tal assunto. Saber onde está o bem não basta para vencer a batalha. 

Tudo isso para apresentar este pequeno testemunho: Continuar lendo

A REAÇÃO PARADOXAL DAS COMUNIDADES “EX-ECCLESIA DEI” AO MOTU PROPRIO TRADITIONES CUSTODES

La réaction paradoxale des communautés « ex-Ecclesia Dei » au motu proprio  Traditionis Custodes • La Porte Latine

Se a nova missa é “fecunda” e “legítima”, por que recusar seu uso exclusivo? Especialmente se o papa tomou tal decisão motivado pelo desejo de união na Igreja…

Fonte: La Porte Latine – Tradução cedida pelo nosso amigo Bruno Rodrigues da Cunha

Amicus Plato, sed magis amica veritas.Sou amigo de Platão, mas mais amigo da verdade”. Se por um lado lastimamos sinceramente um motu proprio que revoga quase todo direito de cidadania à liturgia tradicional, por outro lado não podemos deixar de notar o caráter paradoxal das reações dos institutos “ex-Ecclesia Dei”.

A reação mais emblemática é, sem dúvida, a do padre Paul-Joseph, Superior do Distrito francês da Fraternidade São Pedro. Numa entrevista à Famille Chrétienne, ele disse que “a Fraternidade São Pedro nunca rejeitou o Concílio Vaticano II. Para nós, ele não contém dificuldades fundamentais, mas unicamente demanda esclarecimentos acerca de determinados pontos, que nós interpretamos à luz da tradição da Igreja tal como preconiza Bento XVI”. Disse também que “jamais colocamos em dúvida a validade e a fecundidade do missal de Paulo VI”.

Essas palavras nos lembram que, diferentemente do que alguns pensam, as posições da Fraternidade São Pedro sobre o Concílio e a missa nova são completamente diferentes das posições da Fraternidade São Pio X.

A Fraternidade São Pio X afirma que no Concílio e no ensinamento dos papas pós-conciliares há erros, que se colocam em descontinuidade em relação à doutrina católica de sempre. Por exemplo, a liberdade religiosa, o ecumenismo, a colegialidade, citando apenas os pontos mais importantes. A Fraternidade São Pedro reduz tudo isso a um problema de interpretação e de esclarecimentos a serem dados. Continuar lendo

CONFUSÃO E QUADRATURA DO CÍRCULO

IED

Reunidos no dia 31 de agosto passado em Courtalain, doze superiores das comunidades Ecclesia Dei assinaram uma carta na qual manifestaram suas reações ao recente motu proprio Traditionis Custodes, do Papa Francisco. Muito obrigado, Santo Padre?…

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Inquietos com a ideia de que seus Institutos estejam sujeitos a visitas apostólicas disciplinares, que poderão chegar a lhes retirar a possibilidade de celebrar a missa segundo o rito de São Pio V, os signatários da cartaafirmam sua adesão ao Magistério do Vaticano II e subsequente, e se voltam aos bispos da França, para implorar por paciência e ouvidos, por compreensão e por misericórdia – num diálogo verdadeiramente humano. Nenhuma palavra acerca da nocividade intrínseca da nova missa de Paulo VI. Nenhuma palavra acerca dos frutos amargos do Concílio. Nenhuma palavra acerca da aceleração lamentável da crise da Igreja sob o Papa Francisco. E a comunhão aos divorciados recasados? E o escândalo da Pachamama? Essa diplomacia, se considerarmos tal carta como diplomacia,está muito próxima da ingenuidade ou da inconsequência, quando não da hipocrisia. O que dirão os pobres e bravos fieis que frequentam tais Institutos?…

Que pedem, de fato, todos esses superiores gerais? Pedem a liberdade, a liberdade de continuar celebrando o rito da missa antiga, no meio de todos aqueles que celebram o rito da missa nova. Ora, tal liberdade é impossível. E o que é chocante, ao se ler essa carta, é a ausência de qualquer referência à verdade subjacente: a oposição essencial que impede o novo rito da missa de Paulo VI de coabitar pacificamente com a missa de sempre.

Por que tal oposição? Repitamos a evidência: a lei da oração é expressão da lei da fé. Ora, o novo rito da missa de Paulo VI é a expressão de uma nova fé, em oposição à antiga. Dom Lefebvre apontou isso várias vezes, notavelmente em sua homilia nas ordenações sacerdotais de 29 de junho de 1976: “Temos a convicção que esse rito novo da missa exprime uma nova fé, uma fé que não é a nossa, uma fé que não é a católica. Essa nova missa é um símbolo, uma expressão, uma imagem de uma fé nova, de uma fé modernista. Esse rito novo, subentende – se posso dizer – supõe uma outra concepção da religião católica, uma outra religião”. Continuar lendo

DECLARAÇÃO PÚBLICA DO PE. CALMEL SOBRE SUA ESCOLHA DE RECUSAR O NOVUS ORDO DE PAULO VI E DE SE ATER À MISSA DE SEMPRE.

Perante a vergonhosa e já esperada Capitulação conjunta  Declaração conjunta – dos Institutos Eccleia Dei, que até ontem eram vendidos, por muitos, como defensores da Tradição, republicamos a Carta do Pe. Calmel, escrita em 1970, antes mesmo da fundação da FSSPX, proclamando publicamente sua escolha de recusar o novus ordo de Paulo VI e de se ater à Missa de sempre.

Adicionamos aqui também outros 3 textos relacionados ao assunto, mostrando a verdadeira face de tudo isso.

 

Père Roger-Thomas Calmel • La Porte Latine

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A MISSA TRADICIONAL

Eu me atenho à MISSA TRADICIONAL, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o ORDO MISSAE de Paulo VI.

Por quê? Porque, na realidade, este Ordo Missae não existe. O que existe é uma Revolução litúrgica universal e permanente, patrocinada ou desejada pelo Papa atual, e que se reveste, por um momento, da máscara de Ordo Missae de 3 de abril de 1969. É direito de todo e qualquer padre recusar-se a vestir a máscara desta Revolução litúrgica. Julgo ser meu dever de padre recusar celebrar a Missa num rito equívoco.

UMA REFORMA REVOLUCIONÁRIA

Se aceitarmos este rito novo, que favorece a confusão entre a Missa católica e a Ceia protestante — como o dizem de maneira equivalente dois cardeais e como o demonstram sólidas análises teológicas — então cairemos sem tardar de uma Missa ambivalente (como de fato o reconhece um pastor protestante) numa missa totalmente herética e, portanto, nula. Iniciada pelo Papa, depois abandonada por ele às igrejas nacionais, a reforma revolucionária da Missa seguirá sua marcha acelerada para o precipício. Como aceitar ser cúmplice? Continuar lendo

3 DE SETEMBRO – DIA DE SÃO PIO X

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Nesta data tão importante para a Igreja, listamos abaixo alguns links que postamos sobre o Santo:

OS “RALLIÉS”, VISTOS POR MONS. LEFEBVRE

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Publicado originalmente em 21/07//2018

1) Quem são os “ralliés” (acordistas)?

Chamamos de “ralliés” as comunidades, os sacerdotes e os fiéis que escolheram inicialmente defender a Tradição, mas que depois das sagrações de 30 de Junho de 1988 e da excomunhão contra Mons. Lefebvre, Mons. Castro Mayer e os quatro bispos sagrados, escolheram se submeter efetivamente sob a dependência da hierarquia atual, conservando, contudo, a liturgia tradicional. Logo, eles fizeram um acordo com a igreja conciliar.

Por extensão, o termo “ralliés” designa as comunidades, sacerdotes e fiéis que mantém a liturgia tradicional, mas aceitam os grandes erros conciliares, assim como a plena validade e legitimidade do Novus Ordo de Paulo VI e dos sacramentos promulgados e editados por Paulo VI .

Dom Gerard, em sua declaração, faz referência ao que lhe foi dado e aceito ao se submeter à obediência da Roma modernista, que permanece fundamentalmente anti-tradicional” (1).

2) A palavra “ralliés” não é pejorativa?

Sim, a palavra “ralliés” é pejorativa, pois expressa uma traição em relação à Tradição.

3) Como os “ralliés”  traíram a Tradição?

Os “ralliés” traíram a Tradição porque muitos deles, tendo começado a servi-la, pararam de defendê-la, para depois abandoná-la, fazendo gradualmente apologia dos erros conciliares, e se opondo à Tradição e seus defensores,

“Eles nos traem. Agora eles dão as mãos àqueles que demolem a Igreja, os liberais, os modernistas “(2).

4) Por que dizemos que os “ralliés”  pararam de defender a Tradição?

Diz-se que os “ralliés” deixaram de defender a Tradição porque, desde 1988, não mais denunciam os erros conciliares (nocividade da Nova Missa, do novo Código de Direito Canônico, do diálogo inter-religioso, da liberdade religiosa, etc.. (3)).

“Quando dizem que não desistiram, não é verdade. Eles deixaram de lado a possibilidade de contra-atacar Roma. Eles não podem mais dizer nada. Eles devem ficar calados, dado os favores que receberam. Agora é impossível que eles denunciem os erros da Igreja Conciliar “(4). Continuar lendo

“DO COVID À CUSTODES” – O TRABALHO DA FSSPX CONTINUA

O Superior do Distrito dos Estados Unidos, Pe. John Fullerton, relata os desafios enfrentados pela Igreja nos últimos 18 meses, “do COVID à Custodes” e dá garantias do trabalho da FSSPX em todos os Estados Unidos e no mundo…

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

CARTA DO SUPERIOR DE DISTRITO DOS EUA: AGOSTO DE 2021

Caros amigos e benfeitores,

Neste tempo de crise, a perseverança e a fé de nossos sacerdotes e leigos produziram frutos incríveis.

O número de nossos fiéis aumentou dramaticamente, com muitos chegando à Tradição pela primeira vez. Muitos dos abandonados de suas paróquias pelas políticas da COVID compareceram às Missas e confissões da FSSPX pela primeira vez. Talvez alguns tenham vindo por necessidade, mas muitos permaneceram depois que as restrições foram suspensas.

O motivo não é um mistério. Como muitos estados classificaram a Santa Missa como serviço “não essencial”, dioceses após dioceses foram fechadas sob pressão do governo. A partir da Páscoa de 2020, muitos Bispos proibiram a celebração do Santo Sacrifício. Outros limitaram o comparecimento e a reverência proibindo o recebimento da comunhão na língua.

Em contrapartida, os padres da FSSPX se esforçaram ao máximo para administrar os sacramentos ao seu rebanho. Nossos padres, com a ajuda de muitos fiéis dedicados, trabalharam incansavelmente para cumprir os regulamentos estaduais e locais – celebrando Missas ao ar livre, reorganizando os assentos para cumprir as diretrizes de distanciamento social, até mesmo oferecendo o quadruplo do número habitual de Missas dominicais para servir ao aumento de fiéis e manter os sacramentos disponíveis para todos. Continuar lendo

FINALIZANDO O MÊS, UMA SELETA DE NOSSOS POSTS DE AGOSTO

MOTU PROPRIO TRADITIONIS CUSTODES, PELO PE. JEAN-FRANÇOIS MOUROUX, FSSPX, PRIOR DO PRIORADO DE SÃO PAULO

AS MISSÕES: REVISTA “FOREIGN MISSION TRUST”

ADELANTE LA FE: E LEFEBVRE TINHA RAZÃO

CATECISMO EM VÍDEO: O SACRAMENTO DA CONFIRMAÇÃO

QUANDO O PAPA CELEBRA A MISSA NOVA

COMISSÃO EUROPEIA DECIDE PROCESSAR A HUNGRIA

PARTICIPEM: “AÇÃO ENTRE AMIGOS” DE UM BELÍSSIMO ORATÓRIO – 2021

AS MARAVILHAS DO EVANGELHO

SANTO PADRE, BISPOS, PERCEBAM A ANGUSTIA DOS FIÉIS

IRMÃS CONSOLADORAS ADQUIREM UM BELO CONVENTO CONSTRUÍDO EM 1603

AUSTRÁLIA: IGREJA PODE SER EXPULSA DE CEMITÉRIOS

13 DE AGOSTO EM FÁTIMA: A APARIÇÃO QUE A MAÇONARIA QUERIA EVITAR

A VOCAÇÃO DE TODOS

15 DE AGOSTO: RECORDAÇÃO DO MILAGRE DO PAPA PIO VII

A UNIDADE: UM FALSO ARGUMENTO PARA SEDUZIR OS FIÉIS

PALAVRAS DE MONS. LEFEBVRE AO CARDEAL RATZINGER: VÓS TRABALHAIS EM PROL DA DESCRISTIANIZAÇÃO DA SOCIEDADE, DA PESSOA HUMANA E DA IGREJA, E NÓS TRABALHAMOS PARA A CRISTIANIZAÇÃO

“ELES TÊM OS TEMPLOS, VÓS A FÉ APOSTÓLICA”

TOMADA DE BATINA NO SEMINÁRIO NOSSA SENHORA CORREDENTORA, EM LA REJA (ARG) 2021

UMA NOVA IGREJA PARA A FSSPX EM VIENA

UMA BELA EXPLICAÇÃO SOBRE AS ORAÇÕES AO PÉ DO ALTAR, NA MISSA TRIDENTINA

O MOTU PROPRIO QUE LEVA À LOUCURA

CONSELHOS DE SÃO CLAUDIO DE LA COLOMBIÈRE PARA QUE NOSSAS ORAÇÕES SEJAM PROVEITOSAS

MICROSOFT: UM PERVERSO PATROCÍNIO

O ESPÍRITO MISSIONÁRIO DE MONS. MARCEL LEFEBVRE, POR D. TISSIER DE MALLERAIS

SERMÃO DE D. TISSIER DE MALLERAIS

O sermão transcrito abaixo foi dado em Ecône, no dia 27 de junho de 2002.  De grande força doutrinária, estas palavras tiram as consequências dolorosas mas reais de toda a destruição operada pelo Concílio Vaticano II, não somente nos atos e costumes da Igreja oficial, mas também nas mentalidades, nos corações de milhões de católicos espalhados pelo mundo e vivendo dentro dessas heresias e desses erros terríveis e acreditando que se deve obedecer a tais chefes.

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Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, amém.

Senhor Superior Geral, Prezados senhores Bispos, senhor Diretor, caros confrades no sacerdócio, caros Ordinandos, queridos fieis,

Em alguns instantes o bispo, no decorrer desta cerimônia de ordenação de diáconos e de padres, pronunciará essas palavras, aos diáconos ele dirá: Vós sois, de agora em diante, os cooperadores do Sangue e do Corpo do Senhor, e aos padres, depois da própria ordenação, lhes dirá: recebei o poder de oferecer o sacrifício a Deus e de celebrar as missas tanto pelos vivos como pelos defuntos.

Essas palavras que nos parecem banais, de nossa simples Fé católica, que exprimem o próprio objeto do sacerdócio, que é a consagração do Corpo e do Sangue de Nosso, Senhor para renovar de modo não cruento sua Paixão Divina, essas palavras foram agora suprimidas do novo Pontifical de ordenação tanto dos diáconos como dos padres. Esse desaparecimento é muito significativo e quer dizer que a Nova Religião não quer mais exprimir a transmissão de um poder de consagrar o Corpo e o Sangue do Cristo e de um poder de renovar a Paixão do Calvário. E então, meus caríssimos ordinandos, estou certo, evidentemente, de que no curso de vossos seis anos de seminário haveis penetrado bem na doutrina católica a qual, agora, é ignorada pela maior parte dos padres da Nova Religião. Porque essa mudança do rito da ordenação significa uma Nova Religião.  Nessa supressão de um poder de oferecer e de consagrar o Corpo e o Sangue do Cristo é precisamente onde se exprime a Nova Religião. Na qual se encontra a grande maioria dos católicos, a contra gosto, mas estão nessa Nova Religião, que consiste não apenas em um novo culto, mas em uma nova doutrina. Assim, se me permitem, caros fiéis, em algumas palavras descreverei primeiramente a nova doutrina dessa Nova Religião e em seguida seu novo culto.

Primeiramente os novos dogmas, uma nova doutrina conseqüência de novos dogmas.
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O CANTO GREGORIANO É, ANTES DE TUDO, ORAÇÃO

Diocese de Novo Hamburgo - MOVIMENTOS E CARISMAS: CORO GREGORIANO DE NOVO  HAMBURGOPe. Hervé Gresland

Existem muitas missas compostas por vários músicos que são boa música, e que podemos chamar de música religiosa, pois possuem caráter religioso. O gregoriano, porém, não é uma “música religiosa” entre outras, mas, segundo a feliz fórmula de Dom Gajard1, é uma “oração cantada”. Aí está toda a diferença.

A alma que canta essa oração, ou que escuta esse canto num espírito de fé, é o contrário de um esteta. Quem concorda em abrir a sua alma para o mistério do cantochão, atinge o objetivo para o qual foi concebido, pois o gregoriano tem a vocação de nos abrir e nos conduzir ao reino do qual Nosso Senhor nos fala no Evangelho, que é o reino da graça.

O canto gregoriano ensina a rezar

Antes de tudo, esse canto é essencialmente oração. É verdadeiramente um canto “consagrado” 2, porque deve servir unicamente ao culto. O seu fim primeiro, com efeito, é o “sacrifício de louvor” da Igreja. Por ser feito e por voltar-se para Deus, coloca-nos de saída diante do nosso Criador numa atitude de oração. Esse canto faz com que nos voltemos para as realidades sobrenaturais e divinas. Ensina ao homem o senso do sagrado e da grandeza de Deus. Ele lhe ensina a rezar, a contemplar a Deus, a louvá-lo. Ele nos faz encontrar a Deus para podermos lhe falar de coração a coração. Suas melodias nos introduzem imediatamente numa atmosfera sobrenatural.

A maior parte das peças gregorianas são curtas, mas são capazes de impor desde logo uma atitude de fé, de admiração, de confiança, de adesão a Deus e a sua vontade – elas nos fazem atingir Deus diretamente. Elas conduzem à contemplação dos mistérios mesmos que revivem. Com efeito, a virtude essencial do nosso canto é a de ser capaz de conduzir e manter o nosso olhar (tanto quanto possível aqui embaixo) em algo de perfeitamente puro, em Deus, que habita uma luz inacessível. Esse canto é transparente ao espiritual, reflete um outro mundo, diz o que nenhuma outra música diz: fala à alma do invisível, dos mistérios divinos. Introduz-nos no mistério, no sagrado, abre-nos as mais altas realidades espirituais. É uma arte impregnada do sobrenatural.

O canto gregoriano ajuda e favoriza assim o recolhimento, a contemplação e inspira o bom gosto3. Dirige-se ao que há de mais profundo dentro da alma. É por isso que atrai as almas amantes da beleza e do sagrado. Traz consigo uma graça própria que é a de nos introduzir de modo único no coração do mistério, na contemplação. Continuar lendo

SABEMOS QUE DEVEMOS AMAR AO PRÓXIMO COMO A NÓS MESMOS, MAS COMO DEVEMOS AMAR A NÓS MESMOS?

Igreja | Associação dos Campistas Santa Terezinha do Menino Jesus | Página  15

Pe. Juan Iscara, FSSPX

É necessário ter ideias claras acerca do verdadeiro amor de caridade por si mesmo, porque há muitas maneira de amar a si mesmo que não têm nada a ver com a caridade sobrenatural que deve regular nossas relações com o próximo.

Primeiramente, há o amor sensual, desordenado e imoral, que o pecador professa a seu corpo, dando-lhe todo tipo de prazeres ilícitos.

Também há o amor puramente natural, que consiste em preservar a própria existência e buscar o próprio bem. Não é uma virtude sobrenatural, pois é apenas algo puramente instintivo e natural, mas não é uma desordem em si. Esse amor-próprio é comum a todos os homens, bons e maus.

Há uma espécie superior de amor, o amor sobrenatural de desejo, pelo qual a felicidade eterna da glória do céu é desejada. Ele é bom e honesto, porém imperfeito e, na verdade, pertence à virtude da esperança, não da caridade.

Finalmente, há o amor sobrenatural de caridade, pelo qual amamos uns aos outros em Deus, através de Deus e por Deus. Essa é uma forma perfeitíssima de amor, da mais alta dignidade, pois, tendo Deus como seu motivo formal – embora recaia materialmente sobre outros homens – pertence, propriamente, à virtude teológica da caridade e recebe dela sua excelência. 

De acordo com essas distinções, então, o amor sobrenatural de caridade por si é o ato sobrenatural pelo qual amamos a nós mesmos em Deus, através de Deus e por Deus. O amor de caridade por si próprio estende-se à nossa própria pessoa e a tudo que pertence a nós, tanto na ordem natural, quanto na sobrenatural, pois tudo deve estar relacionado com Deus. Continuar lendo

O ESPÍRITO MISSIONÁRIO DE MONS. MARCEL LEFEBVRE, POR D. TISSIER DE MALLERAIS

Marcel Lefebvre, depois de seis anos no Seminário de Libreville, de 1931 a 1937, onde ensinou francês, geografia, história, matemática, ciências físicas e biológicas, depois ciências sagradas aos jovens e antigos seminaristas, é finalmente nomeado para a selva no Gabão.

Fonte: Le Chardonnet n ° 368 – Tradução: Dominus Est

O espírito missionário

Com que espírito e com que método ele aborda os nativos? Eles são pagãos a serem convertidos ou novos cristãos a serem fortalecidos. A todos, ele prega em primeiro lugar o nome, a pessoa, a vida e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele se opõe ao naturalismo daqueles que não querem que falemos imediatamente de Jesus aos pequenos pagãos, mas apenas sobre as verdades naturais de Deus e da Criação, desprezando “a virtude misteriosa, infinitamente poderosa“, conversora, do nome de Jesus. Ele também condena o erro daqueles que afirmam que “antes de converter povos subdesenvolvidos, eles devem primeiro ser desenvolvidos e civilizados“, o que é precisamente impossível sem a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, que ao mesmo tempo cura as feridas infligidas à alma pelo pecado original: tal como a ignorância de Deus, ódio ao próximo, a preguiça no trabalho e a luxúria carnal, e ao mesmo tempo eleva a alma ao estado sobrenatural, que é chamado de estado de graça, ao infundir o perdão divino dos pecados.

E então, é claro, para Marcel Lefebvre, a missão é essencialmente a conversão de almas: uma conversão da adoração de ídolos, e portanto, de demônios, para a adoração verdadeira, de adoração ao verdadeiro Deus Uno e Trino. Para Marcel Lefebvre, a missão nada tem a ver com o diálogo inter-religioso. Entre esses pagãos, que, não obstante, acreditam em um Deus criador, a religião é distorcida e pervertida, pois a oração dirigida a Deus é substituída pelos encantamentos dirigidos ao demônio para obter dele a rejeição dos infortúnios, a inversão dos maus feitiços e a punição do próximo. O paganismo está impregnado de ódio. Não há nada a ganhar com ele, é uma anti-religião a ser demolida, a ser extirpada, a fim de reconstruir a religião do amor: respeito filial a Deus Pai, amor fraterno ao próximo. Esta conversão total e adequada logo se manifesta nos rostos dos nativos: a máscara da tristeza e do medo é arrancada, o sorriso floresce em rostos abertos e felizes, que refletem a paz interior das almas regeneradas pelo santo batismo.

Para Marcel Lefebvre, o ecumenismo é uma invenção europeia de uso de liberais doutrinários e sem dinamismo. Continuar lendo

INICIA-SE HOJE A NOVENA PELAS VOCACÕES PARA A FESTIVIDADE DE SÃO PIO X

Fonte: FSSPX

Convidamos todos os fiéis a se unirem a esta novena, que do dia 25 de agosto até 2 de setembro será rezada pela nossa Fraternidade em todas as capelas do Brasil, a fim de pedir pelo florescimento e pela perseverança das vocações sacerdotais e religiosas. Todos os dias se rezará pelo menos uma dezena do Terço, se possível em família, e depois a seguinte oração:

Senhor Jesus, Bom Pastor, que viestes buscar as ovelhas desgarradas a fim de salvá-las, e instituístes o sacerdócio para continuar a vossa obra até o fim dos tempos, a Vós insistentemente pedimos: Enviai operários à vossa messe! Concedei santos sacerdotes à vossa Igreja, e enviai-lhe também religiosos e religiosas. Enchei as famílias católicas do amor ao sacerdócio e do espírito de sacrifício, para que todos aqueles que Vós escolhestes respondam fielmente ao vosso chamado. Sustentai todos os sacerdotes, religiosos e religiosas na sua árdua missão. Concedei que sejam fiéis à Tradição católica pela oração, por suas palavras e por seu exemplo, para estender o vosso Reino sobre as sociedades e sobre os corações dos homens, e assim levar à vida eterna o maior número possível de almas. Amém.

Senhor, dai-nos sacerdotes.

Senhor, dai-nos santos sacerdotes.

Senhor, dai-nos muitos santos sacerdotes.

Senhor, dai-nos muitas santas vocações religiosas.

Maria, Mãe do Sacerdócio, rogai por nós.

São José, Padroeiro das vocações, rogai por nós.

São Pio X, rogai por nós.

A GUERRA FÚTIL DA “OUTRA” CONTRA O CATOLICISMO

Espanha e Portugal

Robert Morrison

Como vários católicos atentos observaram, o Motu Proprio Traditionis Custodes, de Francisco, encerrou abruptamente a confusa campanha da “hermenêutica da continuidade”, que tinha por objetivo convencer o mundo de que, apesar de tudo o que transparecia, as reformas do Vaticano II estavam em continuidade com a religião Católica de sempre. Como deixa claro a carta que acompanha Traditionis Custodes, é necessário escolher entre as crenças e práticas que os católicos mantiveram por quase dois mil anos e aquelas que decorreram do Vaticano II. Ora, se fossem as mesmas, por que seria necessário escolher entre elas?

Ao passo que a tentativa de eliminar a ruptura entre o Catolicismo e a religião animada pelo Vaticano II (a Outra[1]) tenha sido sempre irremediavelmente frustrante e fútil, avaliar as diferenças entre as duas religiões é, em comparação, simples e iluminador. Para esse fim, vale considerar: o papel da Outra na guerra movida por Satanás; como e por que as duas religiões são diferentes; o propósito da nova religião; por que o Catolicismo é a única religião rejeitada pela Outra; e, finalmente, quão incoerente é a Outra.

O papel da Outra na guerra movida por Satanás

Poderíamos nos ver tentados a considerar a situação atual da Igreja como uma refutação de sua indefectibilidade. De fato, muitos abandonam a Fé porque acreditam erroneamente que a Igreja foi derrotada. Todavia, Deus tem nos dado razões abundantes para nos mantermos firmes na Fé, mesmo se parece que os inimigos triunfaram: temos a promessa de Nosso Senhor de que as portas do inferno não prevalecerão (Mt 16, 18), e dois mil anos de história onde vemos a Igreja resistir a assaltos aparentemente insuportáveis.

Além disso, há importantes aparições da Santíssima Virgem Maria trazendo avisos proféticos sobre a infiltração na Igreja. No início do século XVII, María del Buen Suceso de La Purificación (comumente conhecida como Nossa Senhora do Bonsucesso) apareceu à Venerável Madre Mariana de Jesus Torres, uma freira de clausura do Convento Real da Imaculada Conceição em Quito, Equador. Sua mensagem a respeito de eventos que ocorreriam no século XX é de particular interesse para os católicos de hoje: Continuar lendo

CONSELHOS DE SÃO CLAUDIO DE LA COLOMBIÈRE PARA QUE NOSSAS ORAÇÕES SEJAM PROVEITOSAS

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Perseverança na oração

Queres que todas as suas orações sejam infalivelmente eficazes? Quereis forçar a Deus a satisfazer todos os seus desejos? Em primeiro lugar, digo que não deves cansar-te de rezar. Aqueles que se cansam depois de ter rezado um pouco, carecem de humildade ou de confiança, e, deste modo, não merecem ser ouvidos.

Dá a impressão que desejas que tua oração seja obedecida instantaneamente, como se fosse uma ordem. Não sabes que Deus resiste aos orgulhosos e se compraz nos humildes? O que, acaso teu orgulho não permite que sofras ao ser obrigado a voltar mais de uma vez para a mesma coisa? É ter muita pouca confiança na bondade de Deus esse desesperar tão cedo, fazer das menores procrastinações, rechaços absolutos.

Quando entendes verdadeiramente o quão longe vai a bondade de Deus, jamais acreditas ser um rejeitado, jamais acreditas que Deus deseja retirar-nos toda a esperança. Penso, confesso, que quando vejo que quanto mais Deus me faz insistir em pedir uma mesma graça, mais sinto crescer em mim a esperança de obtê-la. Nunca acredito que minha oração tenha sido rejeitada, até que me dou conta que deixei de rezar. Quando, após um ano de pedidos, me encontro com tanto fervor quanto tive no início, não duvido da realização de meus desejos, e longe de perder valor depois de tão longa espera, acredito ter motivos para me alegrar, porque estou convencido de que ficarei tanto mais satisfeito quanto mais tempo fiquei rogando. Se minhas primeiras instâncias tivessem sido totalmente inúteis, jamais teria reiterado os mesmos votos, minha esperança não teria sido sustentada, visto que minha assiduidade não cessou, é uma razão para eu acreditar que serei pago liberalmente. Continuar lendo