BULA “INEFFABILIS DEUS” – DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO

Murillo_immaculate_conceptionPosição e privilégios de Maria nos desígnios de Deus

Deus inefável, “cuja conduta toda é bondade e fidelidade”, cuja vontade é onipotente, e cuja sabedoria “se estende com poder de um extremo ao outro (do mundo), e tudo governa com bondade”, tendo previsto desde toda a eternidade a triste ruína de todo o gênero humano que derivaria do pecado de Adão, com desígnio oculto aos séculos, decretou realizar a obra primitiva da sua bondade com um mistério ainda mais profundo, mediante a Encarnação do Verbo. Porque, induzido ao pecado — contra o propósito da divina misericórdia — pela astúcia e pela malícia do demônio, o homem não devia mais perecer; antes, a queda da natureza do primeiro Adão devia ser reparada com melhor fortuna no segundo.

Assim Deus, desde o princípio e antes dos séculos, escolheu e pré-ordenou para seu Filho uma Mãe, na qual Ele se encarnaria, e da qual, depois, na feliz plenitude dos tempos, nasceria; e, de preferência a qualquer outra criatura, fê-la alvo de tanto amor, a ponto de se comprazer nela com singularíssima benevolência. Por isto cumulou-a admiravelmente, mais do que todos os Anjos e a todos os Santos, da abundância de todos os dons celestes, tirados do tesouro da sua Divindade. Assim, sempre absolutamente livre de toda mancha de pecado, toda bela e perfeita, ela possui uma tal plenitude de inocência e de santidade, que, depois da de Deus, não se pode conceber outra maior, e cuja profundeza, afora de Deus, nenhuma mente pode chegar a compreender.

E, certamente, era de todo conveniente que esta Mãe tão venerável brilhasse sempre adornada dos fulgores da santidade mais perfeita, e, imune inteiramente da mancha do pecado original, alcançasse o mais belo triunfo sobre a antiga serpente; porquanto a ela Deus Pai dispusera dar seu Filho Unigênito — gerado do seu seio, igual a si mesmo e amado como a si mesmo — de modo tal que Ele fosse, por natureza, Filho único e comum de Deus Pai e da Virgem; porquanto o próprio Filho estabelecera torná-la sua Mãe de modo substancial; porquanto o Espírito Santo quisera e fizera de modo que dela fosse concebido e nascesse Aquele de quem Ele mesmo procede. Continuar lendo

O SAQUE DE ROMA, UM CASTIGO MISERICORDIOSO

sacco-di-Roma-401x278Fonte: Corrispondenza Romana – Tradução: Dominus Est

A Igreja vive uma época de desvio doutrinário e moral. O cisma é deflagrado na Alemanha, mas o Papa não parece se dar conta do alcance do drama. Um grupo de cardeais e de bispos propunha a necessidade de um acordo com os hereges. Como sempre acontece nas horas mais graves da História, os eventos se sucedem com extrema rapidez.

A Igreja vive uma época de desvio doutrinário e moral. O cisma é deflagrado na Alemanha, mas o Papa não parece dar-se conta do alcance do drama. Um grupo de cardeais  e de bispos propugna a necessidade de um acordo com os hereges. Como sempre acontece nas horas mais graves da História, os  eventos se sucedem com extrema rapidez.

No domingo, 5 de maio de 1527, um exército descido da Lombardia entra no Gianicolo [uma das sete colinas de Roma]. O Imperador Carlos V, irado pela aliança política do Papa Clemente VII com o seu adversário, o rei francês Francisco I, tinha feito avançar um exército contra a capital da Cristandade. Naquela noite, o sol se pôs pela última vez sobre a beleza deslumbrante da Roma renascentista. Cerca de 20.000 homens, italianos, espanhóis e alemães, entre os quais os mercenários Lanzichenecchi, de fé luterana, se preparavam para atacar a Cidade Eterna. Seu comandante havia lhes dado licença para saquear. Durante toda a noite o sino do Capitólio tocou a repique para chamar os romanos às armas, mas já era tarde demais para improvisar uma defesa eficaz.  Continuar lendo

AS VÁRIAS POSIÇÕES TOMADAS NA CRISE ATUAL

frame-crise-na-igreja1) PROGRESSISMO: se subdivide em diversas categorias:

a) Obediência cega: aqueles que não admitem resistência às autoridades. É a posição mais cômoda na crise atual. Tem vários graus. Há até aqueles que dizem: “Prefiro errar com o Papa a acertar sem ele”, “Se o Papa fosse para o inferno eu iria junto”. Peca por excesso: chama-se subserviência. Destes tais dizia São Bernardo: “Aquele que faz o mal, sob o pretexto de obediência, faz antes um ato de rebeldia do que de obediência”.

b) Ultra-progressismo: são aqueles que, seguindo os princípios do Concílio Vaticano II, são mais lógicos e vão até às últimas conseqüências, sendo mais avançados do que as próprias autoridades auto-demolidoras da Igreja, não respeitando os freios que estas, por receio de escândalo, tentam impor. São os que, por exemplo, promovem os cultos afros, na linha da inculturação preconizada por João Paulo II; são os que pregam o ecumenismo total, na linha do encontro ecumênico de Assis; são os que apóiam as invasões de terra e o socialismo, na linha da teologia da libertação, etc.

c) Oficialismo: é a posição daqueles que, talvez pelo receio de serem chamados cismáticos, procuram tranqüilizar a própria consciência dizendo que seguem as autoridades oficiais da Igreja, mesmo quando favorecem à autodemolição. É a tentação da oficialidade, que reconhecemos ser bastante forte e sedutora, como se viu na Paixão de Jesus, quando a grande maioria do povo preferiu ficar do lado das autoridades religiosas oficiais que condenavam injustamente a Jesus, que ficou com poucos amigos fiéis.

Os que defendem tal posição teriam ficado com Aarão, sumo sacerdote oficial escolhido por Deus, que levou o povo a adorar o bezerro de ouro; teriam ficado com Caifás, sumo sacerdote oficial, que condenou a Jesus, teriam ficado com o Papa Libério, que favoreceu ao semi-arianismo e excomungou Santo Atanásio; teriam ficado com o Papa Honório que foi anatematizado pela Igreja, após sua morte, por ter também favorecido à heresia. Continuar lendo

CARTA AOS AMIGOS E BENFEITORES – N° 85

fellay082610Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Caros Amigos e Benfeitores,

Estas últimas semanas nos mostram – com a multiplicação de ataques terroristas na Europa e na África, com a sangrenta perseguição de numerosos cristãos no Oriente Médio – quão profundamente perturbada está a situação do mundo. Na Igreja, o recente Sínodo sobre a família e a próxima abertura do Ano Santo não deixam de causar preocupações legítimas. Diante de tal confusão, nos parece útil compartilhar nossas reflexões respondendo às vossas perguntas. Acreditamos que esta apresentação permitirá destacar mehor como nós, que estamos ligados à Tradição, devemos reagir aos problemas encontrados hoje.

Em 01 de setembro o Papa Francisco deu a todos os fiéis, por iniciativa própria, a possibilidade de se confessarem com os sacerdotes da Fraternidade São Pio X durante o Ano Santo. Como o senhor interpreta este gesto? Ele traz algo de novo para a Fraternidade?

Na verdade, fomos surpreendidos por este ato do Santo Padre por ocasião do Ano Santo, pois ficamos sabendo, como todo mundo, pela imprensa. Como recebemos esse ato? Permita-me recorrer a um exemplo. Quando o fogo se enfurece, todos entendem que aqueles que têm os meios devem se esforçar para apagá-lo, sobretudo se não há bombeiros. Assim tem agido os padres da Fraternidade, durante todos os anos desta terrível crise que sacode a Igreja sem interrupção por 50 anos. Em especial, frente à trágica falta de confessores, nossos sacerdotes se entregaram ao serviço das almas dos penitentes, utilizando a situação de emergência previsto pelo Código de Direito Canônico. Continuar lendo

MISSA E PALESTRA COM D. FELLAY EM RIBEIRÃO – 18/11/15

fellay-readyÉ com grande satisfação e alegria que anunciamos a visita de Sua Exma. Revma. D. Bernard Fellay, Bispo e Superior Geral da Fraternidade São Pio X, a Ribeirão Preto, no dia 18/11/15, onde ele rezará uma Missa e proferirá uma palestra.

D. Fellay, que estará no Brasil para a XIV Formação da FSSPX (que será realizada em Caçapava), e para conferir a Crisma no Priorado de São Paulo (no dia 22/11/15), visitará algumas capelas e centros de Missa, e no dia 18 estará em Ribeirão.

Estão todos convidados para esse momento ímpar.

Os horários podem ser vistos aqui.

VISITA DE D. FELLAY A RIBEIRÃO PRETO – 18/11/15

fellay-readyÉ com grande satisfação e alegria que anunciamos a visita de Sua Exma. Revma. D. Bernard Fellay, Bispo e Superior Geral da Fraternidade São Pio X, a Ribeirão Preto, no dia 18/11/15, onde ele rezará uma Missa e proferirá uma palestra.

D. Fellay, que estará no Brasil para a XIV Formação da FSSPX (que será realizada em Caçapava), e para conferir a Crisma no Priorado de São Paulo (no dia 22/11/15), visitará algumas capelas e centros de Missa, e no dia 18 estará em Ribeirão.

Estão todos convidados para esse momento ímpar.

Os horários podem ser vistos aqui.

PRIMEIRAS COMUNHÕES EM LA REJA (ARG) E ANIVERSÁRIO DA FSSPX

No dia 1º de novembro, aniversário da fundação da FSSPX, ocorreu a missa das primeiras comunhões das crianças da Escola do Menino Jesus.

Há 45 anos, era fundada canonicamente a Fraternidade Sacerdotal São Pio X por Mons. François Charriere, na diocese de Friburgo, Suíça.

A história da FSSPX, como a da Igreja Católica, é um belo mistério. Ambas continuam florescendo, apesar de muitos contratempos e incertezas. Desde seu humilde começo, a FSSPX tem crescido exponencialmente: tem mais de 600 sacerdotes, quase meio milhão de fiéis e proclama hoje a fé em todo o mundo.

Mas a missa solene do dia de Todos os Santos, aniversário de fundação da FSSPX, foi uma dupla ocasião de alegria no seminário.

Além de comemorar a fundação providencial de nossa congregação, tivemos a graça de ver as primeiras comunhões de 27 alunos da Escola do Menino Jesus e do catecismo das irmãs do Convento de São José.

As famílias encheram a igreja para a missa, celebrada pelo Pe. López Badra, diretor da Escola, que destacou no sermão a importância de manter indissolúvel o vínculo de nossas almas com o Divino Redentor. Os jovens da confraria de São Estêvão acolitaram a missa, que foi particularmente embelecida pelo coro polifônico dos seminaristas.

Todos estão cordialmente convidados para a cerimônia de Confirmações que será celebrada por Dom Alfonso de Galarreta no dia 28 de novembro.

OS MAIS BELOS ALTARES – PARTE 1

NOTIFICAÇÃO CONCERNENTE ÀS MULHERES QUE VESTEM ROUPAS DE HOMEM [1]

calca_saiaAo Reverendo Clero,

A todas as Religiosas professoras 

Aos queridos filhos da Ação Católica, 

Aos educadores que desejam seguir verdadeiramente a Doutrina Cristã [2]

O primeiro sinal da nossa primavera tardia indica certo aumento, este ano, do uso das vestes masculinas por mulheres, jovens e até mesmo por mães de família. Até 1959, em Genova, este tipo de veste significava que a pessoa era uma turista, mas agora parece que há um número significativo de garotas e mulheres da mesma Genova que escolhem, ao menos em viagens de lazer, vestir calças de homem.

A evolução deste comportamento nos obriga a refletir seriamente, e nós pedimos a quem esta notificação vai dirigida dar toda a atenção que este problema merece, como é próprio das pessoas que estão conscientes de ser responsáveis frente a Deus.

Nós pretendemos acima de tudo fazer um juízo moral equilibrado sobre o uso de roupas masculinas pelas mulheres. De fato nossa reflexão só pode estar fundamentada sobre a questão moral. [3]

Em primeiro lugar, quando a questão é cobrir o corpo feminino, não se pode dizer que o uso de roupas masculinas pelas mulheres seja uma grave ofensa contra a modéstia, pois as calças certamente cobrem mais do corpo da mulher que as saias das mulheres modernas.

No entanto, as vestes para serem modestas não necessitam apenas cobrir o corpo, e tampouco devem estar coladas ao corpo. [4] É verdade que muitas roupas femininas colam mais do que muitas calças, mas as calças podem ser feitas para apertarem mais, e de fato geralmente apertam. Por isso, este tipo de roupa, colada ao corpo, nos dão a mesma preocupação quanto às roupas que expõem o corpo. Então a imodéstia das calças masculinas no corpo feminino é um aspecto do problema que não pode ser deixado sem uma observação geral sobre elas, ainda que não deva ser superficialmente exagerado também. Continuar lendo

O QUE DIZER DA CREMAÇÃO DOS CORPOS?

poFonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Parece que agora está se tornando moda cremar os mortos. E essa prática está aumentando muito rapidamente devido, sobretudo, às autoridades religiosas que nunca reprovaram e, nem sequer advertiram os fiéis sobre sua malícia, porque temos que saber que queimar os corpos dos fiéis é totalmente contrário à doutrina e às práticas cristãs.

Os argumentos dos “cremacionistas” em favor da incineração parece ser bastante atraente. A palavra mágica (e tão moderna!) para que todos a engulam consiste em dizer que a cremação é o sistema mais prático. Entre outras coisas, se a compararmos com o enterro tradicional, a incineração é muito mais barata, pois economizamos o “caixão”, a cripta, etc. Além disso, as cinzas podem ser guardadas em casa, em uma caixa de pequeno volume. E no topo de vantagens, esta nova prática é muito mais higiênica do que a lenta decomposição de um cadáver.

Porém, os católicos devem saber que não se trata aqui de uma questão meramente prática. Na realidade, a escolha que faz a Igreja do sepultamento em relação à cremação, se baseiam em razões tanto teológicas como de sentido comum.

No Antigo Testamento

A prática tradicional do supultamento, ou seja, enterrar os mortos, é essencialmente judaico-cristã. Já no Antigo Testamento, os judeus eram praticamente os únicos que enterravam os mortos, colocando-os abaixo da terra. Deus tinha pronunciado esta sentença: “Retornarás à terra, pois dela foi retirada”

Na lei de Moisés está escrito com grande precisão que é um dever sagrado o de enterrar os mortos, incluindo aqueles que foram condenados ou inimigos. O sepulamento tornou-se o sinal distintivo dos judeus. A história de Tobias, a quem louvava a Sagrada Escritura, porque fazia todo o possível para enterrar os mortos à noite, mesmo arriscando a sua própria vida, nos ensina de uma maneira especial: “Quando oravas tu e tua nora Sara, eu apresentava suas orações diante do Santíssimo. Quando enterravas os mortos, eu também lhe assistia. Quando se levanta sem preguiça e deixavas de comer para ir para enterrá-los, não me ocultava essa boa obra, antes estava contigo “(Tob, 12, 12…). Continuar lendo

FOTOS DA FESTA DE TODOS OS SANTOS NO CANADÁ

Ontem, 1 de novembro, a Igreja recordou o exemplo, testemunho e oração de homens e mulheres que foram proclamados Santos. Esses santos são mais do que simples modelos, eles são membros de uma família com a qual continuamos compartilhando um relacionamento e uma ligação através da oração, chamada Comunhão dos Santos. Todo ano quando celebramos esse dia, o Evangelho lido é aquele das Bem-Aventuranças.

As Bem-Aventuranças são o modelo estabelecido para a vida cristã. Por isso é natural e adequado que esse Evangelho seja proclamado no Dia de todos os Santos. Santos são pessoas que viveram o espírito das Bem-Aventuranças como Jesus viveu. Nesse dia, nós também somos desafiados a modelar nossas vidas de acordo com o espírito e as promessas das Bem-Aventuranças.

E uma vez que Jesus também disse que a menos que nos tornemos como crianças, não entraremos no Reino dos Céus, achamos apropriado vestir as crianças como Santos para celebrar a festinha após a Missa, para se comemorar o Dia de Todos os Santos em nossa paróquia.

Espero que gostem das fotos.

Gercione Lima

A PALAVRA DE UM HOMEM OPERA O SACRIFÍCIO

Santa MisaAdmirai-vos, talvez, de me ouvir dizer que a Missa é uma obra maravilhosa? E não é, com efeito, inefável Maravilha o que opera a palavra de um humilde sacerdote? Que língua angélica ou humana poderia explicar Poder tão excessivo?

Quem, jamais, poderia imaginar que a palavra de um homem, que não tem, naturalmente, a força de levantar da terra uma palha, receberia da Graça o poder surpreendente de fazer descer do Céu o Filho de DEUS?

Aí está um poder maior que o de transportar montanhas, esgotar o mar e abalar os céus; poder comparável, de certo modo, àquele primeiro Fiat com que DEUS fez surgir do nada todas as coisas, e que pode mesmo parecer sobrepujar, em outro sentido, aquele Fiat pelo qual a Virgem Santíssima atraiu a seu seio o Verbo Divino.

A Virgem Maria nada mais fez que fornecer a matéria do Corpo de Cristo, dela formado, de seu puríssimo sangue, mas não por ela nem por sua operação: enquanto que a voz do sacerdote, sendo instrumento de CRISTO no ato da Consagração, O reproduz de um modo novo e admirável, quer dizer, sacramentalmente, e isto tantas vezes quantas consagra.

O bem-aventurado João, o Bom, de Mântua, levou um eremita seu companheiro a compreender esta verdade. Este não conseguia se persuadir de que a palavra de um padre tivesse o poder de mudar a substância do pão no Corpo de JESUS CRISTO, e a do vinho em seu Sangue. O que é mais deplorável, tinha cedido a essa tentação diabólica. O servo de DEUS percebeu o erro do companheiro e, conduzindo-o a beira de uma fonte, aí encheu de água uma taça e deu-lhe de beber. Continuar lendo

O ALTO POSTO OCUPADO PELO PADRE

sacerA excelência da dignidade sacerdotal mede-se também pelo alto posto que o padre ocupa. No sínodo de Chartres, celebrado em 1550, é chamado “a morada dos santos”. Dá-se aos padres o título de vigários de Jesus Cristo, e assim os chama Sto. Agostinho, porque fazem as suas vezes na terra. Tal é também a linguagem empregada por S. Carlos Borromeu no sínodo de Milão: Somos nós os embaixadores de Jesus Cristo; é Deus quem pela nossa boca vos exorta. Foi o que o próprio Apóstolo declarou. Subindo ao Céu, o divino Redentor deixou os sacerdotes para serem na terra os mediadores entre Deus e os homens, particularmente ao altar, como diz S. Lourenço Justiniano: “Deve o padre aproximar-se do altar como o próprio Jesus Cristo”.

S. Cipriano diz: “O padre ocupa verdadeiramente o lugar e desempenha o ofício do Salvador; e S. Crisóstomo: Quando virdes o sacerdote a oferecer o sacrifício, vêde a mão de Jesus Cristo estendida dum modo invisível”. Ocupa também o padre o lugar do Salvador, quando remite os pecados, dizendo: Ego te absolvo. O grande poder que o Padre eterno deu o seu divino Filho, comunica-o Jesus Cristo aos padres, De suo vestiens sacerdotes, segundo a expressão de Tertualiano.

Para perdoar um pecado, é necessário o poder do Altíssimo, como a Igreja o faz ouvir nas suas orações. Tinham pois razão os judeus, quando, ao verem que Jesus Cristo perdoava os pecados ao paralítico, disseram: “Quem senão Deus pode perdoar os pecados?” Mas esta graça que só Deus pode fazer pela sua onipotência, o padre a pode também dispensar por estas palavras: Ego te absolvo a peccatis tuis; porque a forma, ou, se o quiserem, as palavras da forma, pronunciadas pelo padre nos sacramentos, operam imediatamente o que significam. Qual seria o nosso espanto, se víssemos um homem que, mediante algumas palavras, tinha a virtude de tornar branca a pele dum negro! Continuar lendo

ORDENAÇÕES MENORES EM LA REJA 2015

Dom Bernard Fellay administrou a tonsura, as ordens menores e o subdiaconato na Missa Pontifical do dia 17 de outubro.

Nesse dia, Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, administrou:

  • a tonsura a dois seminaristas argentinos.
  • as ordens menores de hostiário e leitor a sete seminaristas (quatro argentino, dois brasileiros e um mexicano).
  • as ordens menores de exorcista e acólito a seis seminaristas (quatro brasileiros, um argentinos e um mexicano).
  • o subdiaconato a um seminarista brasileiro.

O Superior Geral chegou na sexta-feira, dia 9, para a Peregrinação à Basílica de Luján, a Visita Canônica anual e a Missa de Ordenações.

Dom Marcel Lefebvre nos explica no breve texto que segue a importância dessa cerimônia para a formação dos seminaristas:                                                                                       

“As ordenações são a razão de ser do seminário. Os dias de ordenação são dias realmente cheios da luz e da caridade do Espírito Santo. Os seminaristas estudam e rezam diariamente com vistas a receber as graças da ordenação. O seminário prepara sacerdotes e estas etapas regulares que representam as ordenações põem constantemente ante os olhos dos seminaristas o ideal do seminário.

É evidente que para receber a graça do sacerdócio, é necessário preparar-se durante muitos anos. Estas etapas, que sinalam a tonsura, as ordens menores e as ordens maiores, são tantas outras ocasiões para que os seminaristas façam um balanço e saibam se realmente estão respondendo ao chamado da Igreja, pafastando-se do espírito do mundo e aferrando-se a Deus, porque a Igreja lhes diz: Considerai o ministério que vos é confiado, pensai no que vos será concedido.”

PEREGRINAÇÃO DA FSSPX À LOURDES 2015 – BÊNÇÃO DO SANTÍSSIMO E BÊNÇÃO DOS DOENTES

PEREGRINAÇÃO DA FSSPX À LOURDES 2015 – O SANTÍSSIMO SACRAMENTO PELAS RUAS DE LOURDES

DECLARAÇÃO DE D. FELLAY A PROPÓSITO DO RELATÓRIO FINAL DO SÍNODO SOBRE A FAMÍLIA

mgr_fellayFonte: La Porte Latine

O Relatório final da segunda sessão do Sínodo sobre a família, publicado no dia 24 de outubro de 2015, longe de manifestar um consenso entre os padres sinodais, é a expressão de um compromisso entre posições profundamente divergentes. São recordados alguns pontos doutrinais sobre o matrimônio e a família católica, mas o texto apresenta também omissões e ambiguidades lamentáveis, especialmente as lacunas abertas na disciplina em nome de uma misericórdia pastoral relativista. A impressão geral que emerge do documento é a de uma confusão que não deixará de ser explorada em forma contrária ao ensinamento constante da Igreja.

Por isso consideramos necessário reafirmar a verdade recebida de Cristo sobre a função do papa e dos bispos (1) e sobre a família e o matrimônio (2). Fazemo-lo com o mesmo espírito que nos levou a apresentar uma súplica ao Papa Francisco antes da segunda sessão deste Sínodo.

1 – A função do papa e dos bispos[1]

Como filhos da Igreja Católica, cremos que o bispo de Roma, sucessor de São Pedro, é Vigário de Cristo e cabeça de toda a Igreja. Seu poder é uma jurisdição em sentido próprio, por cuja razão tanto os pastores como os fiéis das Igrejas particulares, considerados individualmente ou em conjunto, inclusive quando estão reunidos em concílio, sínodo ou conferências episcopais, estão submetidos a ele por um dever de subordinação hierárquica e de verdadeira obediência.

Deus assim dispôs as coisas para que, ao guardar com o bispo de Roma a unidade da comunhão e da profissão da mesma fé, a Igreja de Cristo fosse um só rebanho sob um só pastor. A Santa Igreja de Deus foi divinamente constituída como uma sociedade hierárquica, na qual a autoridade que governa os fiéis vem de Deus por meio do papa e dos bispos que lhe estão submetidos.[2] Continuar lendo

PEREGRINAÇÃO DA FSSPX À LOURDES 2015 – PROCISSÃO E ROSÁRIO ATÉ A GRUTA

IMPRESSÕES SOBRE O SÍNODO DA FAMÍLIA: O ESPÍRITO CONTRA A LETRA

12088425_10153058478025723_4365017566234380313_nPor Pe. Romano | FratresInUnum.com

As três últimas semanas, para a Igreja Católica, foram vividas com muita intensidade e ansiedade. De fato, era grande a expectativa sobre as conclusões que os Padres Sinodais e, em última instância, o Papa, iriam dar às questões mais problemáticas envolvendo as famílias, em especial aos divorciados em segunda união e à possibilidade dos mesmos poderem ter acesso aos sacramentos, isto é, à confissão e à comunhão. Tal debate, iniciado no Sínodo extraordinário do ano passado com a proposta do cardeal Kasper e de outros purpurados e teólogos, havia suscitado forte apreensão por parte de milhares de fiéis – clérigos e leigos – que se chocaram diante de uma posição frontalmente contrária à doutrina sobre a indissolubilidade do matrimônio, divinamente revelada e confirmada, ao longo dos séculos, pelo magistério da Igreja, a despeito de fortes pressões e perseguições.

Como se encerra o Sínodo? Desde o Concílio Vaticano II, nenhuma assembleia da cúpula da Igreja havia suscitado tanto interesse, sobretudo por parte da mídia. E, a despeito de se afirmar que o centro do debate era a família, e não a questão da comunhão para os divorciados em segunda união, o que se viu foi uma dura batalha, no interior da aula sinodal, sobre esta questão, entre posições bastante divergentes: de um lado, os inovadores; do outro lado, os fiéis à doutrina católica. O segredo, que deveria ser mantido ao longo dos trabalhos, deixou de sê-lo, desde o início, e foi despudoradamente apresentado à mídia. A imagem que se queria passar, evidentemente, era a de uma Igreja mais “humana”, samaritana, misericordiosa, que punha ao centro o homem, na sua situação concreta. Esta imagem é a que o Papa Francisco, desde o início de seu pontificado, tem se esforçado para passar. E não é difícil perceber de que lado está o Papa. Para se entender o que virá depois do Sínodo, não é tanto ao texto das propostas dos Padres Sinodais  ao Papa que devemos nos ater. Francisco sabe o que quer, e irá até o fim em seu projeto revolucionário. Continuar lendo

PEREGRINAÇÃO DA FSSPX À LOURDES 2015 – AS ESTAÇÕES DA CRUZ (VIA SACRA)