A CONVERSÃO DOS JUDEUS (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

judA Santa Escritura nos assinala um grande acontecimento que se nos mostra entrelaçado na guerra que o Anticristo desencadeará contra a Igreja: a conversão dos judeus. Deixamos este assunto de lado até aqui para tratá-lo com mais detalhes. Além disso, aqui ele estará muito bem colocado, pois a conversão dos judeus nos é apresentada como fruto da pregação de Elias.

O povo judeu é o ponto em torno do qual gira a história da humanidade. Ele recebeu o toque de Deus na pessoa de Abraão de onde saiu. É, antes da vinda de Nosso Senhor, o povo sacerdotal por excelência, cujo estado, no testemunho de Santo Agostinho, é inteiramente profético; dele nasceu a Santíssima Virgem e o Salvador do mundo; ele formou o núcleo da Igreja nascente. Todos esses privilégios fazem da raça judia uma raça excepcional cujos destinos são misteriosos.

Por uma inversão estranha e lamentável, no momento em que ela produz o Salvador do mundo, a raça eleita, a raça bendita entre todas merece ser condenada. Recusa reconhecer, em sua humildade, Aquele em quem ela não sabe adorar as grandezas invisíveis. Parece que Deus quis mostrar assim que não há nada da carne e do sangue na vocação do cristianismo, já que aqueles mesmos a quem pertencia o Cristo, segundo a carne (Rm 9, 5), são rejeitados por causa de seu orgulho tenaz e carnal.

Será uma condenação definitiva? Permanecerão presas de Satã excluídos do resto do mundo pela cruz do Senhor? Deus não permita! Deus prepara supremas misericórdias para o povo que foi seu. A esse povo, a quem foi dito: “Não sois mais meu povo“, será dito um dia: “Vós sois os filhos do Deus vivo“. (Os 3, 4-5). Depois de ter ficado longos anos sem rei, sem príncipe, sem sacrifício, sem altar, os filhos de Israel procurarão o Senhor seu Deus; e isso acontecerá no fim dos tempos. (Id. III, 4, 5) Continuar lendo

GOLPE PROFUNDO

mat2O primeiro e mais profundo golpe no matrimônio nos tempos modernos foi vibrado pelo Protestantismo. Os “reformadores” do século XVI negaram-lhe qualquer caráter religioso e sacramental. Lutero renovou os erros dos gnósticos e albigenses, ensinando que o matrimônio é tão imoral como o adultério e a fornicação.

Mas, incoerente e desabrido, dizia que a concupiscência da carne é invencível – e concluía, contraditório e inconsequente, pela obrigatoriedade do matrimônio e pelo absurdo da virgindade e do celibato. Para tirar-se do impasse, afirmava que Deus não impunha aos homens as desordens do matrimônio.

Uma verdadeira seara de erros perigosíssimos.

a)O matrimônio não é religioso, mas profano. Eis a primeira e mais terrível “profanação” do matrimônio. Calvino chegou a dizer que o matrimônio é tão sagrado como o trabalho do campo… Daí nascerão todas as demais profanações, como de sua fonte.

b)As teorias da “necessidade fisiológica”, da nocividade da continência, etc., hoje tão correntes e perniciosas, estão em Lutero.

c)A equiparação da vida conjugal com as desordens extra-conjugais, ensinada por ele, levaria os costumes às facilidades atuais.

O resto é conseqüência.

Os evolucionistas ensinaram que a constituição da família veio tardia, por imposição da sociedade, no desejo de organizar-se. Negavam assim ao matrimônio caráter religioso, tanto quanto os “reformadores”, e punham o matrimônio às mãos dos homens, à sua mercê, como obra deles, por eles criada e afeiçoada, por eles também, decerto, desmontável e reformável! Continuar lendo

A CRISE FINAL (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

crise finalParemos um instante diante dos intrépidos missionários de Deus e notemos a oportunidade divina de sua aparição. Segundo São Pedro: “nos últimos tempos virão embusteiros, zombadores sedutores vivendo as suas concupiscências, dizendo: Onde está a promessa e a vinda (de Jesus Cristo)? Desde que nossos pais morreram tudo continua como desde o princípio da criação” (2 Pd 3, 3-4).

Esses sedutores, estes embusteiros, os estamos vendo com nossos próprios olhos, ouvindo com nossos ouvidos. Chamam-se racionalistas, materialistas, positivistas: negam, “a priori”, toda causa superior, todo fato sobrenatural; não se interessam em saber de onde vêm, nem para onde vão; semelhantes aos insensatos do livro da Sabedoria olham a vida como uma dessas nuvens da manhã que não deixam rastro ao raiar do sol. O que está além do túmulo, chamam o grande desconhecido; recusam-se terminantemente a investigá-lo. Em conseqüência, o todo do homem, a seus olhos, está em gozar o mais possível o momento presente, pois tudo o mais é incerto.

Esses falsos sábios relegam os escritos de Moisés a cosmogonias fabulosas. Recusam-se a reconhecer algum valor histórico nos livros santos. Segundo o que dizem, todos esses documentos, em contradição com a ciência, seriam obras de um judeu exaltado, Esdras, que quis realçar sua nação. Quanto à vinda de Jesus Cristo, à ressurreição geral, ao julgamento final, às recompensas e às penas eternas, tratam como sonhos absurdos. Asseguram que a humanidade, em via de um indefinido progresso, encontrará um dia o paraíso na terra.

Ora, para confundir esses impostores, Deus suscitará Henoc, representante do período ante-diluviano; Henoc, quase contemporâneo das origens do mundo. Suscitará Elias, representante do judaísmo mosaico; Elias que, de um lado, toca Salomão e David de outro Isaías e Daniel. Estes grandes homens virão, com indiscutível autoridade, estabelecer a autenticidade da Bíblia, e mostrar que o Cristianismo está ligado à era dos profetas até Moisés e à era dos patriarcas até Adão. Neles se levantarão todos os séculos para renderem testemunho à verdade da revelação. Nunca a divindade do Cordeiro que foi morto desde a origem do mundo (Ap 13, 8) resplandecerá de modo mais fulgurante. Continuar lendo

OS SERVIDORES DE DEUS E A REFORMA DA IGREJA

cata1Há um remédio capaz de aplacar minha ira. São os meus servidores, quando se esforçam por coagir-me ao perdão com suas lágrimas, por reter-me com os laços do amor. Com essa corrente tu me amarraste! Dei tais servidores a ti (30), porque desejava ser misericordioso para com o mundo. É por tal motivo que infundo neles o ardor e o desejo de glorificar-me, bem como de salvar os homens. Quero ser coagido por suas lágrimas, diminuir a violência de minha justiça. Tu e os meus servidores, portanto, hauri lágrimas e suor na fonte da minha divina caridade! Lavai a face da minha Esposa! Prometo que por tal forma lhe será devolvida a beleza. Não é pela espada, guerra ou crueldade que ela irá reaver sua formosura, mas pela paz, pelas orações humildes e contínuas, pelo suor e lágrimas amorosamente derramados pelos meus servidores. É assim que realizarei o teu desejo: com grandes sofrimentos, tua paciência iluminará as trevas em que vivem os pecadores do mundo. Não tenhais medo se o mundo vos perseguir. Estarei convosco; em nada vos faltará minha providência.

(30)  – Com a palavra “servidores”, o Diálogo indica evidentemente os discípulos de Catarina. Por essa forma se vê como o livro quer ser um manual de formação dos futuros reformadores.

O Diálogo – Santa Catarina de Sena

HENOC E ELIAS (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

02_Elias_AscendeOs fatos maravilhosos que descrevemos não são suposições aventurosas; são verdades tomadas na Santa Escritura e que seria pelo menos temerário negar. Antes do fim dos tempos, e durante a perseguição do Anticristo, aparecerão no meio dos homens dois extraordinários personagens, chamados Henoc e Elias. Quem são estes personagens? Em que condições farão sua entrada providencial no cenário do mundo? É o que vamos examinar à luz das Escrituras e da Tradição.

Henoc é um dos descendentes de Set, filho de Adão e raiz da raça dos filhos de Deus. Ele é o chefe da sexta geração a partir do pai do gênero humano. Eis o que o Gênesis nos ensina a seu respeito: “e Jared viveu 162 anos e gerou Henoc… Ora Henoc viveu 65 anos e gerou Matusalém. E Henoc andou com Deus e depois de ter gerado Matusalém viveu 365 anos. E andou com Deus e desapareceu porque Deus o levou” (Gn 5, 18-25).

Deus o levou com a idade de 365 anos, quer dizer, nessa época de grande longevidade, na idade madura. Não morreu, desapareceu. Foi transportado vivo, para um lugar conhecido apenas por Deus. Aí está o que sabemos de Henoc, patriarca da raça de Set, trisavô de Noé, ancestral do Salvador. Quanto a Elias, sua história é melhor conhecida. Henoc, anterior ao Dilúvio, nasceu muitos milhares de anos antes de Jesus Cristo. Elias apareceu no reino de Israel, menos de mil anos antes do Salvador; é o grande profeta da nação judaica.

Sua vida não podia ter sido mais dramática (Rs 3; 4). Pode-se dizer que ela é uma profecia em ação do estado da Igreja, no tempo da perseguição do Anticristo. Vivia errante, sempre ameaçado de morte, sempre protegido pela mão de Deus, que ora o esconde no deserto onde corvos o alimentam, ora o apresenta ao orgulhoso Acab, que treme diante dele. Dá-lhe as chaves do céu para desencadear a chuva ou os raios; sobre o monte Horeb favorece-o com uma visão cheia de mistérios. Em resumo, o faz crescer até o porte de Moisés, o Taumaturgo, de modo que com Moisés acompanhe Nosso Senhor sobre o Monte Tabor. Continuar lendo

MARIA E AS ALMAS CONSAGRADAS

mariaRainha das virgens porque teve a virgindade no mais eminente grau, porque conservou a virgindade na concepção, no parto do Salvador e para sempre.

Por isso, ela fez as almas compreenderem o valor da virgindade, que não é apenas, como o pudor, uma inclinação louvável da sensibilidade mas uma virtude, isto é, uma força espiritual1. Ela mostra que a virgindade consagrada a Deus é superior à simples castidade, porque promete a Deus a integridade do corpo e a pureza do coração por toda a vida. Santo Tomas diz que a virgindade está para a castidade assim como a munificência para a simples liberalidade, pois ela é um dom por si mesmo excelente, que manifesta uma perfeita generosidade. 

Maria preserva as virgens no meio dos perigos, sustenta-as em suas lutas e as conduz, se elas são fieis, a uma grande intimidade com seu Filho.

Qual é o seu papel em relação às almas consagradas? Estas almas são chamadas pela Igreja: “as esposas do Cristo”. Seu perfeito modelo é evidentemente a Santíssima Virgem. A seu exemplo, devem ter, em união com Nosso Senhor, uma vida de oração e de reparação ou de imolação pelo mundo e pelos pecadores. Elas devem também consolar os aflitos, lembrando o que diz o Evangelho, que o consolo que elas levam sobrenaturalmente aos membros sofredores do Cristo, é a Ele que elas levam, para fazer-lhe esquecer tantas ingratidões, friezas e mesmo profanações.

Por isso a vida destas almas deve se esforçar para produzir as virtudes de Maria e continuar, em certa medida, seu papel em relação a Nosso Senhor e aos fieis. Continuar lendo

AQUELES QUE AMAM A DEUS, VIVEM SEMPRE SATISFEITOS

satisfeitoEpíteto e Atho (Hos. L. 1.) dois Bem-aventurados Mártires de Jesus Cristo, quando sofreram o tormento, queimados com fachos por ordem do tirano, e dilacerados com ganchos de ferro, disseram somente: «Senhor, seja feita em nós a Vossa vontade. E quando chegaram ao lugar da execução, exclamaram em altas vozes: «Bendito sejais, ó Deus Eterno, porque a Vossa vontade se cumpriu amplamente em nós.»

Cesário relata (Liv. 10, Cap. 6.) que certo religioso, que ainda que exteriormente não era diferente dos mais, tinha contudo chegado a um tal grau de santidade, que pelo mero toque de seus hábitos, curava aqueles que estavam doentes. O Superior admirado disto, per­guntou-lhe como fazia ele estes milagres, não vivendo mais exemplarmente do que os outros: ao que o religioso respondeu que também se admirava, e não sabia a razão disso: mas quais são as vossas devoções? lhe tornou o abade. O bom religioso repli­cou, que poucas eram, ou para melhor dizer, nenhumas, mas que sempre tinha cuidado de entregar a sua vontade à vontade de Deus, e que nosso Senhor lhe havia concedido a graça de abandonar inteiramente a sua vontade à divina «A prosperidade não me eleva, nem a adversidade me abate, porque eu tudo recebo como vindo da mão de Deus, e para este fim dirijo todas as minhas preces, para que a Sua vontade se cumpra perfeitamente em mim.» O Superior lhe replicou: «Não vos ressentistes vós ontem contra o inimigo, que tanto nos prejudicou, roubando-nos os nossos mantimentos, e lançando-nos o fogo na nossa propriedade, destruindo-nos o nosso gado e a nossa seara? Não, foi a sua resposta, pelo contrário, dei graças a Deus como cos­tumo fazer em iguais desgraças; conhecendo que Deus faz ou permite tudo para a Sua maior glória e nosso maior bem; e por esta razão sempre estou contente, suceda o que suceder.» Ouvindo isto o abade, e vendo-o em tanta uniformidade com a vontade divina, não se admirou mais de que ele fizesse mi­lagres. Aquele que assim fizer não só vem a ser um grande Santo, mas goza de uma paz perpétua. Continuar lendo

COMO SE HÁ DE RESISTIR ÀS TENTAÇÕES

tentacao1Enquanto vivemos neste mundo, não podemos estar sem trabalhos e tentações. Por isso lemos no livro de Jó (7,1): É um combate a vida do homem sobre a terra. Cada qual, pois, deve estar acautelado contra as tentações, mediante a vigilância e a oração, para não dar azo às ilusões do demônio, que nunca dorme, mas anda por toda parte em busca de quem possa devorar (1 Pdr 5,8) . Ninguém há tão perfeito e santo, que não tenha, às vezes, tentações, e não podemos ser delas totalmente isentos.

São, todavia, utilíssimas ao homem as tentações, posto que sejam molestas e graves, porque nos humilham, purificam e instruem. Todos os santos passaram por muitas tribulações e tentações, e com elas aproveitaram; aqueles, porém, que não as puderam suportar foram reprovados e pereceram. Não há Ordem tão santa nem lugar tão retirado, em que não haja tentações e adversidades.

Nenhum homem está totalmente livre das tentações, enquanto vive, porque em nós mesmos está a causa donde procedem: a concupiscência em que nascemos. Mal acaba uma tentação ou tribulação, outra sobrevém, e sempre teremos que sofrer, porque perdemos o dom da primitiva felicidade. Muitos procuram fugir às tentações, e outras piores encontram. Não basta a fuga para vencê-las; é pela paciência e verdadeira humildade que nos tornamos mais fortes que todos os nossos inimigos.

Pouco adianta quem somente evita as ocasiões exteriores, sem arrancar as raízes; antes lhe voltarão mais depressa as tentações, e se achará pior. Vencê-las-á melhor com o auxílio de Deus, a pouco e pouco com paciência e resignação, que com importuna violência e esforço próprio. Toma a miúdo conselho na tentação e não sejas desabrido e áspero para o que é tentado, trata antes de o consolar, como desejas ser consolado. Continuar lendo

A IGREJA DURANTE A TORMENTA (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

igrejSão Gregório Magno, em seus luminosos comentários de Jó, penetra profundamente em toda a história da Igreja, visivelmente animado do mesmo espírito profético espalhado nas Escrituras. Ele contempla a Igreja, no fim dos tempos, sob a figura de Jó: humilhado e sofredor, exposto às insinuações pérfidas de sua mulher e às críticas amargas de seus amigos; Jó, diante de quem, outrora, os anciãos se levantavam e os príncipes faziam silêncio!

A Igreja, disse muitas vezes o grande Papa, no fim de sua peregrinação terrestre, será privada de todo poder temporal; procurarão tirar-lhe todo ponto de apoio sobre a terra. Vai mais longe ainda, declara que ela será despojada do próprio brilho que provém dos dons sobrenaturais. “O poder dos milagres, diz ele, será retirado, a graça das curas arrebatada, a profecia desaparecerá, o dom de uma grande abstinência será diminuído, os ensinamentos da doutrina se calarão, os prodígios milagrosos cessarão”.

Isto não quer dizer que não haverá mais nada disso; mas todos esses sinais não brilharão abertamente, sob mil formas como nos primeiros tempos. Será mesmo a ocasião de um maravilhoso discernimento. Neste estado de humilhação da Igreja, crescerá a recompensa dos bons que se prenderão a ela, tendo em vista somente os bens celestes; quando aos maus, não vendo mais na Igreja nenhum atrativo temporal, não terão nada a fingir, se mostrarão tais como são”. (Mor. 1, XXXV)

Que palavra terrível: os ensinamentos da doutrina se calarão! São Gregório proclama em outro lugar que a Igreja prefere morrer a se calar. Então ela falará: mas seu ensinamento será entravado, sua voz encoberta; muitos dos que deveriam gritar sobre os telhados não ousarão fazê-lo com medo dos homens. E será a ocasião de um grande discernimento. São Gregório insiste muitas vezes sobre as três categorias de pessoas que há na Igreja: os hipócritas ou os falsos cristãos, os fracos e os fortes. Ora, nesses momentos de angústia os hipócritas levantarão a máscara e manifestarão sua apostasia secreta; os fracos, coitados, perecerão em grande número e o coração da Igreja sangrará por eles; enfim, muitos dos fortes, confiantes em suas próprias forças, cairão como as estrelas do céu. Continuar lendo

A MULHER E A VERDADEIRA FORÇA

modesta2Accinxit fortitudine lumbos suos, et roboravit brachium suum.(Prov. XXXI)

Pôs a força como um cinto em volta de seus rins, e fortaleceu seu braço.

Senhoras.

A força, já o dissemos, é uma energia da alma, que nos faz suportar com serenidade os enfados e os males da vida, que nos dá a coragem de prosseguirmos nos nossos intentos com inabalável firmeza, e nos conserva um vigor de ação, que os obstáculos humanos não podem deter.

Cada uma das nossas qualidades tem dois defeitos vizinhos que caminham de cada lado, um à direita, outro à esquerda, este pecando por excesso, aquele por privação. Esta máxima aplica-se perfeitamente à força e à firmeza de caráter: a obstinação excede os limites da verdadeira força, porque leva as suas idéias além do verdadeiro e do conveniente tornando-se, por isso mesmo, uma fraqueza perigosa como a locomotiva que descarrila.

A fraqueza, propriamente dita, é, pelo contrário, o defeito de um ser sem consistência que toma as formas que se quer, e que se colore sucessivamente com todas as cambiantes de idéias.

Muitas vezes, este último defeito é apenas o cálculo político das naturezas de camaleão, que variam de cor, segundo a posição e os reflexos do sol; pois, verdadeiros atores, têm sempre meia dúzia de opiniões no seu camarim, vestindo-se do mesmo modo que o histrião muda de trajes.

Entre a obstinação e a fraqueza, caminha a verdadeira firmeza, que se prende às suas idéias, aos seus projetos, tanto quanto é necessário: secundum quod oportet – diz São Tomás – expressão cheia de senso e de amplitude, que não fixa as coisas de um modo absoluto, e que abandona as soluções às circunstâncias reguladas pela sabedoria prática. Continuar lendo

QUERO SER PADRE!

pedroAquele que havia de ser o fundador da Congregação do SS. Sacramento, o Pe Julião Eymard, parecia predestinado desde pequenino a ser um grande devoto da Eucaristia. Quando sua mãe, levando-o nos braços, ia à benção do Santíssimo, o menino não se cansava de olhar para Jesus na custódia.

Ia com a mãe em todas as visitas à igreja e não se cansava nem pedia para sair antes dela.

Sua irmã Mariana, que tinha dez anos mais e foi sua segunda mãe, costumava comungar com frequência. O irmãozinho, invejando-a, dizia:

– Oh! como você é feliz, podendo comungar tantas vezes; faça-o alguma vez por mim.

– E que pedirei a Jesus por você?

– Peça-lhe que eu seja muito mansinho e puro e me de a graça de ser padre.

Às vezes desaparecia durante horas inteiras. Procuravam-no e iam encontrá-lo ajoelhado num banquinho perto do altar, rezando com as mãos juntas e os olhos pregados no sacrário.

Antes mesmo do uso da razão ansiava por confessar-se; mas não o admitiam. Quando tinha nove anos quia aproveitar a festa de Natal para converte-se como dizia.

Apresentou-se ao vigário e depois ao coadjutor, mas, como estavam ocupados, não o entenderam.

Apresentou-se ao vigário e depois ao coadjutor, mas, como estavam muito ocupados, não o atenderam. Continuar lendo

OS PREGADORES DO ANTICRISTO (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

Visão de São João

I – Os livros santos que entram em tantos detalhes sobre o homem do pecado, nos fazem conhecer um misterioso agente de sedução que lhe submeterá a terra. Este agente, ao mesmo tempo um e múltiplo, é, segundo São Gregório, uma espécie de corpo ensinante que propagará por toda parte as perversas doutrinas da Revolução.

O Anticristo terá seus ajudantes de ordem e seus generais; possuirá um inumerável exército. Mal se ousa tomar ao pé da letra o número que São João nos dá falando de sua cavalaria (Apoc., IX, 16). Mas ele terá, sobretudo a seu serviço falsos profetas como ele, iluminados do diabo, doutores de mentiras; inimigo pessoal de Jesus Cristo, macaqueará o divino Mestre, cercando-se de apóstolos ao contrário. Falemos então, segundo São João, destes doutores ímpios que chamaremos pregadores do Anticristo.

II – São João, no capítulo XIII de seu Apocalipse, descreve uma visão parecida com a de Daniel. Ele vê surgir do mar um monstro único, reunindo em si mesmo uma horrível síntese de todos os caracteres das quatro bestas vistas pelo profeta. Este monstro parece o leopardo; tem pés de urso, goela de leão; tem sete cabeças e dez chifres.

Ele representa o império do Anticristo, formado por todas as corrupções da humanidade. Ele representa o próprio Anticristo que é o nó de todo esse conjunto violento de membros incoerentes e díspares. Chega-se a ver o impostor, com o cortejo de cristãos apóstatas, muçulmanos fanatizados, judeus iluminados, que o seguirá por toda parte.

Ora, enquanto São João considerava esta Besta, viu uma das cabeças ferida de morte; depois a chaga mortal foi curada. E toda a terra se maravilhou com a Besta. Os intérpretes vêm nisto um dos falsos prodígios do Anticristo; um de seus principais ajudantes de ordem ou talvez ele mesmo, aparecerá ferido gravemente, acreditar-se-á que morreu, quando de repente, por um artifício diabólico, se recuperará cheio de vida. Esta impostura será celebrada por todos os jornais muito crédulos nesta ocasião; o entusiasmo irá ao delírio. Continuar lendo

A ALMA SIMPLES NÃO PROCURA EM NADA A SUA GLÓRIA

simplesA alma que se esqueceu de si própria mora no seio de Deus. A sua vida, na sua simplicidade, está cheia de maravilhas, mas escapa à vista do vulgo.

Uma alma inteiramente entregue a Deus é o mesmo que uma alma simples: só tem um olhar, e esse olhar está fixo em Deus. Só tem um móbil, e esse móbil leva-a a Deus em todas as suas ocupações, sem permitir-lhe que se preocupe consigo mesma. É um fluxo constante e sem retorno para o oceano divino.

A simplicidade exclui por natureza o dobrar-se sobre si próprio. A alma entregue a Deus não pensa nas suas boas obras, na pureza da sua vida, nos méritos que acumula. Não se interessa em saber o que pensam dela. Não procura chamar a atenção para a sua pessoa, para os seus atos, nem mesmo para os seus defeitos e faltas. Não procura para si a aprovação, os favores ou a benevolência alheia, porque, nada sendo, nada pode pretender.

A alma que se entregou ama ardentemente o seu divino Mestre. Expressa-Lhe este amor de mil modos diversos e encontra a todo o instante novos meios de agradar-Lhe, pois o amor é engenhoso. Mas este amor também é singelo e exclui quaisquer artifícios.

A alma simples nunca pede a Jesus explicações sobre o modo como Ele a trata. Está nas mãos dEle como o barro nas mãos do oleiro. Nota que o Senhor lhe imprime formas muito singulares, mas pode o vaso dizer a quem o moldou: “Por que me fizeste assim?” Continuar lendo

O IMPÉRIO DO ANTICRISTO (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

danielVisão do profeta Daniel

I – Uma noite, o profeta Daniel teve uma visão terrificante. Enquanto os quatro ventos do céu se combatiam sobre um vasto mar, ele viu surgir do meio das vagas quatro bestas monstruosas. Eram: um leão, um urso, uma pantera, e um quarto animal medonho de quatro cabeças, dotado de força prodigiosa, tendo dentes e unhas de ferro, e dez chifres na testa. Foi revelado ao profeta que estas quatro bestas significavam quatro impérios que se elevariam sucessivamente sobre as vagas movediças da humanidade.

Ora, enquanto Daniel considerava com horror a quarta besta, viu um chifrezinho nascer no meio dos dez outros, abater três, e crescer acima de todos; e este chifre tinha olhos de homem, e uma boca que falava com insolência; fazia guerra aos santos do Altíssimo, e levava a melhor sobre eles. O profeta perguntou o sentido desta estranha visão. Foi-lhe respondido que os dez chifres representavam dez reis; o chifrezinho era um rei que acabaria por dominar sobre toda a terra com inaudito poder. “Vomitará, lhe foi dito, blasfêmias contra Deus, esmagará debaixo dos pés os santos do Altíssimo; ele pensará que pode mudar os tempos e as leis; e tudo lhe será entregue durante um tempo, dois tempos, e a metade de um tempo”. (Dn. VII).

II – Por este rei todos os intérpretes entendem o Anticristo. Qual é a besta sobre a qual surgiu, no tempo marcado, este chifre de impiedade? É a Revolução, pela qual se entende todo o corpo dos ímpios, obedecendo a um motor oculto e se insurgindo contra Deus: a Revolução, poder Satânico e bestial; satânico, porque animado por um espírito infernal; bestial, porque entregue a todos os instintos da natureza degradada. Ela tem dentes e unhas de ferro: pois forja leis despóticas por meio das quais esmaga a liberdade humana. Procura apoderar-se dos reis e dos governos, que têm de fazer um pacto com ela. Quando o Anticristo aparecer, ela terá dez reis a seu serviço, como os dez chifres da testa. Continuar lendo

O HOMEM DO PECADO (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

Fim_dos_TemposI – Está entre as coisas possíveis, se bem que a apostasia já esteja muito avançada, que os cristãos, por um esforço generoso, façam recuar os promotores da descristianização, e propiciem assim, para a Igreja, dias de consolação e de paz antes da grande provação. Este resultado nós o esperamos, não dos homens, mas de Deus, não tanto dos esforços, mas das orações.

Nesta ordem de idéias, alguns autores piedosos esperam, depois da crise presente, um triunfo da Igreja, qualquer coisa como um dia de Ramos, no qual esta Mãe seria aclamada pelos gritos de amor dos filhos de Jacó, reunidos às nações, na unidade de uma mesma fé. Nós nos associamos com prazer a essas esperanças, que visam um fato formalmente anunciado pelos profetas, e do qual falaremos a seu tempo.

Qualquer que seja esse triunfo, se Deus no-lo conceder, não será de longa duração. Os inimigos da Igreja, atordoados por um momento, retomarão sua obra satânica com redobrado ódio. Pode-se imaginar o estado da Igreja, então, como semelhante ao estado de Nosso Senhor nos dias que precederam sua Paixão.

O mundo será profundamente agitado, como estava o povo judeu reunido para as festas pascais. Haverá imensos rumores, cada um falando da Igreja, uns para dizer que ela é divina, outros que ela não o é. Ela será o alvo dos ataques mais insidiosos do livre pensamento; mas nunca terá reduzido tão bem ao silêncio seus contraditores, pulverizando seus sofismas. Continuar lendo

A MULHER FORTE E A FIRMEZA DE CARÁTER

modes“Ela pôs a força como um cinto em volta dos seus rins,e fortaleceu o seu braço:  Accinxit fortitudine lumbos suos, et roboravit brachium suum.” (Prov. XXXI, 17)

O que é a força?

Poderia definir-se, a energia da alma, que nos faz suportar com serenidade os enfados e os males da vida, que nos dá a coragem de prosseguirmos nos nossos desígnios com inabalável firmeza, e nos conserva com vigor da ação, que os obstáculos humanos não podem deter. “É, diz São Cirilo,uma ativa energia que faz com que a alma se ponha em ação com o vigor da mocidade.” (Isai. 1.V)

Estas diferentes definições são o comentário destas palavras da Bíblia: Ela pôs a força como um cinto, em volta dos seus rins, e fortaleceu o seu braço.

força e a firmeza de caráter são virtudes que caminham no meio de dois defeitos contrários, a obstinação e a fraqueza; e há uma nova prova desta importante verdade, sobre a qual, por mais de uma vez, tenho chamado a vossa atenção; a virtude e o vício estão, muitas vezes, separados um do outro apenas pela dose da mistura; tornai conveniente a dose e a virtude existe; tirai mais ou menos á dose e o vício começará.

Escutai São Tomás com a sua clareza e concisão ordinária: “A obstinação consiste no apego mais que necessário ás idéias e aos projetos; a fraqueza não tanto, e a firmeza, segundo o necessário: secundum quod oportet”.(Q. II.).

Não encontrareis nunca destas naturezas, de tal modo enfatuadas de si próprias que tudo quanto dizem e pensam deve ser verdadeiro? Tudo quanto sonham se deve realizar? E para as quais o resto vai todo torto?

Tanto que uma idéia lhes penetrou no cérebro, de tal modo se instala que não deixa um cantinho para a opinião contrária. 

Esta idéia tem, muitas vezes, os seus lados absurdos: não importa, entrou nessa cabeça, tomou todos os lugares disponíveis e o omnibus vai completo. Viajantes honestos e elegantes, isto é, pensamentos justos, verdadeiros, graciosos se apresentam, mas os bilhetes estão todos vendidos e já ninguém pode entrar. Continuar lendo

CUIDADOS QUE RECLAMAM A VIDA E A SAÚDE DA CRIANÇA

Não ameis só com a boca e com as palavras, diz o Espírito Santo, mas amai com as obras e com a verdade. Deus não ordena só à mãe cristã um amor de afeição e de puro sentimento, para com os seus filhos, mas também uma dedicação eficaz e generosa, que tanto tome cuidado do corpo, como da alma. Seria estéril e vã a ternura da mãe, que não desse a seus filhos os cuidados corporais e espirituais que trataremos de expor, no decurso desta obra.

Os primeiros cuidados corporais que a mãe deve a seus filhos têm por objeto a vida e a saúde destes tenros seres, cujo desenvolvimento físico Deus lhes manda vigiar. A solicitude da mulher, pela saúde e pela vida de seu filho, deve começar desde o instante em que começa a ser mãe. É para ela um dever rigoroso evitar tudo o que poderia prejudicar o fruto que traz no seio, pela benção do Céu. Durante o tempo de gravidez e sobretudo durante o segundo e terceiro mês, segundo afirmam os médicos, a vida da criança é mais frágil, e seria da parte duma mulher uma culpável imprudência levar carretos pesados, ou entregar-se a graves excessos de intemperança, a trabalhos muito puníveis, a violentos excessos de cólera, a longos e amargos pesares. 

Quantas crianças nascem disformes, por culpa de sua mãe, e quantas morrem antes de nascer, sendo ao mesmo tempo privadas da vida do corpo e da alma. Desgraça irreparável que uma mulher deve prever e prevenir, pela mais atenta vigilância. Se semelhante desgraça acontecesse por sua culpa, seria para encher a sua vida de tristeza e de remorso. «Também com que respeito religioso traz uma mulher cristã no seu seio, como num santuário abençoado por Deus, a graça que dele recebeu. Com que inefável solicitude ela pensa nesse fraco corpo, que faz parte do seu próprio! Que santa gravidade, que reserva, que sossego de todas as paixões, a fim de que a vida da criança se forme sem abalo, na profunda paz duma alma tranquila, e para que assim esteja predisposta, tanto quanto possível, para costumes pacíficos e virtuosos!»[1] Continuar lendo

OS SINAIS PRECURSORES (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

aposI – A questão do fim do mundo foi discutida desde as origens da Igreja. São Paulo tinha dado sobre esse assunto preciosos ensinamentos aos cristãos de Tessalônica; e como, apesar das instruções orais, os espíritos se deixassem inquietar por predições e rumores sem fundamento, lhes dirigiu uma gravíssima carta para acalmar as inquietações.

Nós vos rogamos com insistência, lhes diz, meus irmãos, não vos deixeis abalar em vossas resoluções, nem vos perturbeis por qualquer visão, ou falatórios, ou carta supostamente vinda de nós, como se o dia do Senhor estivesse perto”. “Ninguém de modo algum vos engane! Pois é preciso que antes venha a grande apostasia, e que apareça o homem do pecado, o filho da perdição…”.Não vos lembrais que eu vos dizia essas coisas quando ainda estava convosco?”. “E agora vós sabeis o que é que o retém. Pois o mistério da iniqüidade já faz sua obra. Aquele que o retém retenha-o, esperando até que seja posto de lado”. (II Tess., II, 1, 6).

Assim o fim do mundo não chegará sem que tenha aparecido um homem apavorantemente mau e ímpio, o filho da perdição. E este, por sua vez, só se manifestará depois da grande apostasia geral, depois do desaparecimento de um obstáculo providencial sobre o qual o Apóstolo havia ensinado de viva voz a seus fiéis.

II – De que apostasia fala São Paulo?  Não se trata de uma defecção parcial; ele diz de uma maneira absoluta, a apostasia. Só se pode entender a apostasia em massa das sociedades cristãs, que socialmente e civilmente renegarão seu batismo; a defecção dessas nações que Jesus Cristo, segundo a enérgica expressão de São Paulo, tornou membros do corpo de sua Igreja (Ef III, 6). Somente esta apostasia tornará possível a manifestação e a dominação do inimigo pessoal de Jesus Cristo, em uma palavra, o Anticristo.

Nosso Senhor disse: Será que o Filho do Homem, quando voltar, encontrará a fé sobre a terra? (Lc., XVIII, 8). O divino Mestre via a fé declinar, num mundo que envelhecia. Não são os ventos do século capazes de fazer vacilar esta chama inextinguível, mas as sociedades, embriagadas pelo bem-estar material, a afastam como inoportuna. Voltando as costas à fé, o mundo entra nas trevas e se torna joguete das ilusões do mal. Pensa que são luzes, e são meteoros enganadores. Isso irá até quando ele for tomado pelos primeiros raios do dia da vermelhidão do incêndio. Continuar lendo

MODA: UMA TRAMA DIABÓLICA

Porém há “a moda“! dir-se-á. E, quando se pronuncia esta palavra, diz-se tudo.

A moda é uma deusa, uma divindade à qual se sacrifica tudo! Por ela a pessoa torna-se escrava de um costureiro de fama; por ela, sacrifica os seus gostos, e veste-se de maneira excêntrica; por ela, vestidos luxuosos, berrantes, arriscados, extravagantes em excesso; por ela não cora de se parecer com as “virgens loucas”; por ela fecham-se os ouvidos aos avisos que nos vêm da Igreja, autoridade a mais sagrada que há na terra. Por ela, pra “seguir a moda”, que é que se não faz?

A invasão desses vestuários indecentes tornou-se tão grande, que os Bispos se viram obrigados a publicar contra aquelas que não se pejam de arrastá-los até o templo de Deus…. até o confessionário… até a Mesa santa… punições que deveriam fazer tremer uma cristã… mas que não bastam para corrigi-la disso!

No seu número de 15 de outubro de 1924, a “Revue des objections” publicou uma série de instruções do Cônego Coubé sobre está questão mais do que nunca na ordem do dia. Citamos algumas passagens dela:

Depois da guerra, um vento de loucura tem feito virar muitas cabeças. Não creio que nas épocas mais depudoradas do paganismo antigo se tenha ido jamais tão longe na libertinagem do vestir. E me pergunto se as mulheres mais desmoralizadas de Roma e de Babilônia não tinham mais recato, ao menos em público, do que certas cristãs dos nossos dias.”

A rainha Vasthi, esposa de Assuero, que preferiu renunciar ao trono a renunciar à modéstia e ao pudor no seu afeite régio, certamente faria pena acertas emancipadas do nosso tempo e passaria aos olhos delas por uma pequena ‘otária’.” Continuar lendo

NÃO POSSO SER SANTO

tothMuitos jovens têm arrepios ao ouvirem falar dos santos do cristianismo, principalmente quando lhes são propostos como modelos.

“Querem que também eu seja um santo?! Não! Não! Não quero! E muitos se assustam só em pensar nisso.

Mas que é a santidade, e quem é chamado santo? Santidade é possuir um caráter nobre que visa fins elevados. Santidade não é fuga do munido, senão triunfo sobre o mundo. Santidade é a energia de alma levada ao infinito. Santidade é a avaliação exata dos valores da vida. Os santos são heróis: heróis da liberdade de alma.

Que é que não pertence à essência da Santidade? Retrair-se furtivamente, inclinar a cabeça para o lado, revirar os olhos, entregar-se à tristeza, à melancolia, à indolência, ao extermínio de nobres aspirações naturais, enfim nada do que tanto amedronta, ao ouvir a palavra “santo”, é necessário para ser santo.

Que é pois o santo? Um herói! O herói da vitória sobre si mesmo! Um sublime e aliciante modelo daquilo que a vontade humana é capaz de realizar. O selo da inabalável fé na insigne predestinação da humanidade. O exemplo da magna vitória sobre o eu, exemplo que comunicou entusiasmo e vida a vários séculos. Santo é aquele que desenvolve, com consequências heróicas, o que possui de nobre, para que a imagem do Salvador se torne uma obra prima na sua alma. Continuar lendo

DRAMA DO FIM DOS TEMPOS – PREFÁCIO E PALAVRA AO LEITOR

117_fimtemposAs páginas que se seguem, escritas pelo R. P. Emmanuel, Prior do Mosteiro de Mesnil-Saint-Loup, têm cem anos. Foram redigidas em 1884-1885, e estão sendo publicadas em 1985.

O Reverendo Padre Emmanuel é um teólogo, mas sua doutrina é toda orientada para a vida espiritual. Sua alma arde do desejo de comunicar a verdade às almas, de levá-las ao Louvor de Deus, de santificá-las ao modo de São Bento que queria fazer de seus monges bons cristãos, quer dizer, discípulos de Jesus Cristo.

A leitura destas páginas sobre a Igreja é entusiasmante, sente-se nelas o sopro do Espírito Santo. Algumas dentre elas são mesmo proféticas, quando descrevem a Paixão da Igreja. O ano de 1884 foi também o ano da redação por Leão XIII de seu exorcismo pela intercessão de São Miguel Arcanjo, que anuncia a iniqüidade no trono de Pedro.

Alguns anos antes o Papa Pio IX fizera publicar os Atos da seita maçônica da Alta Venda, que são verdadeiras profecias diabólicas para nosso tempo.

O Reverendo Padre dá precisões surpreendentes sobre o indiferentismo religioso, que corresponde exatamente à heresia ecumênica de nossos dias. Que teria ele dito ou escrito se vivesse em nossa época! Por seus escritos ele nos encoraja a permanecermos firmes na fé da Igreja Católica e a recusar os compromissos que arruínam a liturgia, sua doutrina e sua moral. O exemplo de seu apostolado na paróquia de Nossa Senhora da Santa Esperança do Mesnil-Saint-Loup permanece um testemunho de seu zelo e de sua santidade. Continuar lendo

COMO EDUCAR A CRIANÇA QUE MEXE NO ALHEIO – PARTE 2

Outras causas

A esses conflitos afetivos prendem-se os furtos por inveja e ciúme, e principalmente por vingança: crianças que querem privar os pais de objetos que lhe são úteis ou queridos, ou querem desgostá-los, sabendo o desagrado que lhes causam seus furtos. Então, procuram, às vezes, inutilizar os objetos furtados, com evidente desejo de vingar-se.

Relacionemos igualmente aqui o chamado furto generoso ou altruístico, que se encontra também nos adultos, mas que na criança representa mais freqüentemente a compensação pela falta de afeto: ela, com presentes, procura entre colegas, a estima que julga lhe negarem seus pais e mestres. Alguns o praticam por vaidade, ou também compensando-se de uma situação de inferioridade.

Por sugestão

Depois dos conflitos íntimos, creio que a causa mais constante dos furtos infantis é a sugestão. O ambiente é contagioso. Raríssimos, em toda a humanidade, lhe escapam ao influxo. Mais que os adultos, cedem facilmente as crianças à força do exemplo, das palavras, da vida doméstica. Desgraçadas daquelas que não têm no lar sadia atmosfera moral.

Se não é muito alto o padrão de honestidade dos pais, instala-se nos filhos uma deformação que só a muito custo se corrigirá. Raros mandarão, expressamente, os filhos roubarem; muitos, porém, o farão de outras maneiras: Continuar lendo

COMO EDUCAR A CRIANÇA QUE MEXE NO ALHEIO – PARTE 1

De todas as faltas infantis é talvez o furto a que mais profunda e desagradável impressão produz aos pais.

Atribuindo-lhe uma importância moral que ela não pode ter, exageram-lhe o aspecto social, temendo a vergonha que se abaterá sobre toda a família, manchada pela presença de um “ladrão”. Descarregam, então, sobre a pobre criança os mais severos castigos – os quais, digamo-lo quanto antes, em lugar de remediar, agravam a situação, inclinando mais fortemente ao furto e complicando-o com mentiras e astúcias.

Alguns, ao lado disso, tratam de escondê-lo, quando o mal demanda medidas pedagógicas e médicas, e não silêncio e esconderijo.

A criança que furta merece especiais e imediatos cuidados. Não que ela seja um ladrão, que tenha a noção da propriedade alheia e as consciência moral de que a está violando, não! Esta é uma atitude adulta, aos poucos adquirida e consolidada. Mas porque o furto infantil é indício de insatisfação pessoal, de tendências irrealizadas, de morbidez, ou de sugestões consciente ou inconscientemente absorvidas.

Existem nessa pobre criança móveis (às vezes secretos e profundos) que é preciso atingir para remover – sem o que é impossível a sua cura. Analisá-la é, pois, a primeira necessidade, embora nem sempre seja fácil, mesmo com o concurso imprescindível (veja-se bem: imprescindível) do psicólogo e do pegagogo.

Carências profundas

A imensa maioria dos pais, despreparados para o ofício de educadores, adeptos da “paudagogia”, pensando que castigos físicos são o mais eficiente remédio para esse e outros males, rirão do que vou agora dizer: Continuar lendo

O GRANDE PONTO É ABRAÇAR A VONTADE DIVINA

entrega…em tudo quanto acontece, seja agradável ou desagradável às nossas inli­nações. Nas coisas agradáveis, os mesmos pecadores se conformam com a vontade de Deus, porém os Santos unem-se à vontade divina, mesmo quando são desagradáveis e contra o amor próprio. Nisto se prova o nosso amor para com Deus. O padre d’Ávila, dizia: «Uma ação de graças no tempo da tribulação vale mais que mil atos de agradecimento no tempo em que tudo nos prospera.»

Demais, nós não só devemos unir-nos à divina vontade nas adversidades que dire­tamente nos vem de Deus, como a doença, a desolação do espírito, a pobreza e a morte de nossos parentes, mas também nos casos promovidos pelas criaturas, assim como o desprezo, a perda da reputação, a injustiça os roubos e todas as mais perseguições. Devemos atender, quando sofrermos injú­rias na nossa reputação, honra ou bens, que nosso Senhor não deseja o pecado, que os outros cometem, mas sim a nossa hu­milhação, pobreza e mortificação É certo e de boa fé, que tudo quanto acontece no mundo é por permissão divina: «Eu sou o Senhor, fora de mim não há outro sou o Senhor que faço todas as coisas.» (Isaías XLI. 7.) 

Do Senhor nos vem os bens e os males, porque nos são contrários, mas que realmente são para nós bens, quando os aceitamos de Suas mãos: diz o profeta Amos: «Haverá mal em alguma cidade, que o Senhor não tenha feito?» ( III. 6.) e Salomão diz: «O bem e o mal, a vida, a morte, a pobreza e a riqueza de Deus nos provém.» (Ecl. XI. 14.) É certo, conforme o que eu tenho dito, que quando o homem vos ofende, não é esta ofensa dese­jada por Deus, nem Ele concorre na enaltecia de Sua vontade, mas concorre pelo concurso geral das ações materiais que vos afligem, envergonham ou injuriam, de maneira que a ofensa recebida, é sem dúvida permitida por Deus, e vem de Sua mão. Assim o Se­nhor o disse a David, que Ele seria o autor das injúrias que havia de receber de Absalão: «Levantarei males contra ti, que procederão de tua própria casa; tirar-te-ei tuas mulheres diante de teus olhos, e isto em castigo dos teus pecados.» (II Reis XII. 11)  Continuar lendo

AQUELE QUE SE ENTREGA A DEUS JÁ NÃO SE PERTENCE

entregaDeixa de existir aos seus próprios olhos, não vive em si mesmo, mas nAquele a quem se entregou, e não tem outros interesses a não ser os do Mestre.

Esquecer-se de si próprio, por amor, eis a grande lei de toda a vida espiritual. Esquecer-se é excluir das ações, sofrimentos e orações todo o cálculo humano, toda a sombra se amor-próprio ou intenção egoísta.

Esquecer-se é aceitar simplesmente da mão de Deus todas as responsabilidades, todos os deveres, todos os sofrimentos, todas as contrariedades, sem queixumes, sem pretender sobressair por isso, sem examinar a duração e a natureza das próprias penas ou sacrifícios, tal como se eles tivessem atingido outra pessoa.

Esquecer-se é moderar a procura de satisfações pessoais, fugindo das ilícitas e só escolhendo das outras as que a Providência tiver preparado.

Esquecer-se é avaliar-se pelo seu justo valor, isto é, como um mísero pecador; é afastar da memória própria e alheia as qualidades e obras pessoais; é mesmo evitar um olhar ansioso e demorado sobre as próprias fraquezas.

Esquecer-se é desaparecer aos próprios olhos, por um ato de vontade, para não ver em si e nos outros, nas pessoas e nas coisas, senão Jesus e a Sua santa vontade.

Aquele que quiser vir após Mim, diz Jesus, renuncie a si mesmo. Quem desejar ter parte na Ressurreição de Jesus, consinta primeiro em morrer com Jesus; quem quiser com Jesus levantar-se glorioso do túmulo, desça primeiro aí com Ele; quem quiser salvar a sua vida, comece por perdê-la. Continuar lendo

EDUCAÇÃO LITÚRGICA

abcChama-se Liturgia o culto oficial da Igreja nos seus ritos, nas suas fórmulas, nos seus cânticos. Tem um sentido litúrgico quem compreende este culto e quer tomar parte nele. Importa muitíssimo orientar, bem cedo, as crianças nas formas de devoção seguidas pela Igreja. Numa palavra, é necessário educá-las para a compreensão e participação litúrgica.

Note-se a mãe uma verdade: há na alma infantil um eco para as cerimônias e devoções litúrgicas. Cuide de aproveitá-lo sabiamente. Aqui terá a leitora umas normas largamente traçadas.

A primeira inicação – Um dia o nenêzinho descobre no seu quarto o Crucificado. A mãe lhe disse: É Jesus, filhinho! Ele o repete. Passa depois a lhe dar bom-dia e boa-noite, a lhe atirar beijinhos. Mais tarde o ensina a dizer: perdão, Jesus; não faço mais, quando fez artes, foi manhoso, etc. Vem o sinal da cruz, vem a Mãe do Céu. É bom que a criança veja a mamãe rezando, toda série. Essa seriedade a impressiona, arrasta-a à imitação.

O Natal com o presépio – Não sefala à criança nessa coisa tola e inexpressiva de Papai Noel. Fale-se-lhe singelamente: “Filho, amanhã é aniversário do nascimento do Menino Deus; foi nesse dia que ele veio ao mundo para trazer alegria para todos”. Os presentes sejam motivados por essa alegria. Nós temos o presépio tão instrutivo e atraente para a criança. Para que substituí-lo por uma árvore toda cheia de luzes e presentes, mas sem a poesia dos pastores e carneirinhos, da gruta e de seu boizinho, ao lado da caminha tão pobre do Menino Deus? Como tudo isso enche a alma infantil de poesia e encanto! Aos pés do recém-nascido irá a criança depor seus brinquedos, como presentes ao Menino Deus. Este, por sua vez, mandará a mãe devolvê-los à criança. Já o coração infantil se abriu para o desprendimento. Continuar lendo

MULHER FORTE E A VERDADEIRA BELEZA

modesFortitudo et decor indumentum ejus,  et ridebit in die novissimo.  Os suum aperuit sapientiae,  et lex clementiae in lingua ejus.

Uma força misturada de graça é o seu vestido,  e ela terá alegria nos seus últimos dias.  Ela abriu a boca a sabedoria  e a lei da clemência está em seus lábios.

(Prov. XXXI, 25-26)

Nós temos o hábito de começar os nossos entretenimentos pelo resumo do entretenimento precedente: este método tem  talvez, a dupla vantagem de ligar o conjunto da doutrina e recordar sucessivamente o que se disse da última reunião.

A mulher forte deve ter o talento de enobrecer seu marido pelo doce contato de uma natureza diferente, de lhe tornar flexível o caráter, de comunicar-lhe alguma coisa da estranha penetração, do olfato dos pequenos nadas, que tanta importância têm nas relações sociais. É esta uma das mais nobres e mais esplêndidas missões da mulher, quando a toma a peito dá algumas vezes um grandíssimo valor ao que estaria em estado de vinha inculta. Sobre isto explicamos as palavras da Bíblia: – “O marido da mulher forte será ilustre nas assembléias, quando sentado no meio dos senadores da terra“; e se o lugar do senador está reservado para alguns privilegiados, a mulher forte pode, todavia, praticar num sentido, o conselho do Espírito Santo: Perto dela o marido adquire uma certa distinção que lhe permite sustentar-se, ao menos, com conveniência na assembléia dos velhos e dos prudentes, pois tal é a primitiva etimologia da palavra senador.

O versículo seguinte forneceu-nos ocasião de darmos alguns conselhos práticos as pessoas envolvidas no comércio. Recomendamos-lhes especialmente a probidade e a afabilidade: a probidade que sabe negociar honestamente e que é a mãe de um verdadeiro e sólido sucesso, e o único que devem ambicionar o homem que atrai as práticas e que se torna uma das melhores e mais legítimas condições do bom êxito.

O texto seguinte será o tema da nossa conferência de hoje:

Uma força misturada de graça é o seu vestido, e ela terá alegria nos últimos dias. Ela abriu a boca a sabedoria, e a lei da clemência está em seus lábios.” Continuar lendo

OS FALSOS MOTIVOS PARA A CONTRACEPÇÃO

image008Este post é continuação do: NEO-MALTUSIANISMO – UM GRANDE GOLPE DO INIMIGO

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São insubsistentes os motivos com que pretendem justificar-se os fraudadores. Examinemos alguns dos mais comuns.

1) Situação econômica 

Autoriza a continência periódica desde que seja real. Nunca autorizará um ato contra a natureza. Na verdade, os que argumentam com situação econômica são, em geral, os que melhor a desfrutam. Guilherme Schimidt chegou a estabelecer como uma tese que “o temor dos filhos é fruto da abundância, e não da necessidade”. Têm com que manter os próprios filhos e estão ainda obrigados em consciência a concorrer para as crianças pobres que vivem na miséria. Mas desejam uma vida cada vez mais burguesa, gozadores, impenitentes e insaciáveis.

Move-os a desmedida ambição da riqueza, a preocupação obsedante do luxo, a vaidade imbecil da ostentação. Aqueles, cuja situação econômica é deveras penosa, são os grandes procriadores em que se estaria a densidade demográfica, se o Estado acudisse à mortalidade infantil que dizima assustadoramente as classes proletárias.

2) Melhor educação aos filhos

Não consiste, porém, em colégios caros, vida folgada, estágios no estrangeiro, mimos excessivos, absoluta ociosidade servida à mão por serviçais bem pagos. Pelo contrário. Nada melhor para prejudicar a educação dos filhos! Como nada melhor para realizar uma boa educação doméstica e social do que o ambiente da família numerosa.

3) Saúde da esposa

Quer o marido poupar a saúde da esposa, em prejuízo da consciência dela impondo-lhe sacrifícios morais, enchendo-a de remorsos, atribulando-lhe o coração cristão – contanto que ele não diminua a dose de prazeres sexuais! esta é a verdade. Sei de casos em que o “delicado” esposo, para poupar a cara metade, franzida e doentia, fê-la correr o risco de uma operação esterilizadora – quando o cavalheirismo (já não digo o amor) mandava conter-se, se fosse real o motivo alegado.
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A EDUCAÇÃO DA VONTADE

123Três coisas têm grande influência sobre a vontade: o sentimento, a imaginação e o temperamento. Não somos totalmente senhores deles; o “livre arbítrio” do homem não é, pois, completo em nós. Tu mesmo deves ter notado que um dia te levantas triste e abatido, e que no dia seguinte, ao invés, estás tão alegre que terias vontade de dançar; e não podes dizer a razão nem do abatimento de ontem, nem da alegria de hoje.

O mesmo ocorre com a imaginação. De repente, e sem causa alguma, as recordações de um acontecimento passado emergem na tua memória, ou entãopor sob os vincos da tua fronte, idéias absurdas e imagens enganadoras se desenham. Donde vêm? Por que é que se apresentam naquele minuto preciso? Não saberias dizê-lo … E é de frequente que a nossa imaginação assim nos jogueteia, é a miúdo que nos mostra dificuldades imensas e obstáculos insuperáveis no caminho dos nossos trabalhos, para nos desgostar deles. Se tens um dente para mandar extrair ou tratar, não é o trabalho do dentista que é o mais doloroso; é a meia hora que passas na sala de espera, deixando livre campo à tua imaginação que te mostra, exagerando-o atrozmente, o sofrimento que te aguarda.

Pois bem, meu filho, se não somos totalmente senhores dos nossos sentimentos e da nossa imaginação, cumpre-nos entretanto tentar estender o reino da nossa vontade até à atividade deles; cumpre-nos velar sobre os sentimentos e tomar as rédeas à imaginação. Acordaste de mau humor? Não importa! Trata de sorrir e de cantar, já estarás vitorioso, – em parte ao menos.

Tens um trabalho de álgebra que fazer. Tua imaginação pinta-o sob imagens assustadoras: “Escuta, esse problema é tão difícil que vais suar frio!” Pois bem , contradize-a! Dize-lhe: “Não é verdade! És uma mentirosa, minha querida imaginação! A solução não é tão terrível assim; tu aumentas as dificuldades; para que pareçam maiores do que são … pois afronto-as”. Continuar lendo

NEO-MALTUSIANISMO – UM GRANDE GOLPE DO INIMIGO

CONTRA“Qualquer uso do matrimônio, em que pela malícia humana, o ato seja destituído da sua natural virtude geradora, é contra a lei de Deus e da natureza, e aqueles que ousem cometer esses atos tornam-se réus de culpa grave”. (Encíclica Casti Connubii – Papa Pio XI)

Os erros vêm de longe quando atingem o terreno moral.  O individualismo racionalista tem velhas raízes. A Renascença iniciou muita desgraça, que os erros acumulados foram alastrando. A Reforma protestante, sendo também  um fruto, inclinou ainda mais rapidamente, caindo em abismos. O Comunismo é o último deles – e não sabemos se é possível virem outros piores. Do individualismo religioso do frade apóstata sairia facilmente o individualismo pedagógico e político de Rousseau ou o individualismo econômico de Adam Smith.

Outros individualismos viriam. Ou melhor novas formas e aplicações do mesmo sistema, em que o indivíduo se coloca no centro do mundo e da sociedade, fazendo que tudo gire em torno dele. Assim é que veio o individualismo demográfico de Malthus.

Robert Malthus, economista inglês, pastor protestante, é o responsável mais próximo por um dos mais desgraçados crimes do individualismo. O homem, levantando-se contra a comunidade, irá perseguir a espécie nas suas próprias fontes, estancando-as. O bem social da propagação da espécie humana vai reverter em mero instrumento de prazer individual sem ônus. Pouco importa que com isso se desrespeitem as mais evidentes leis da natureza. Triunfe o indivíduo, embora pereça a espécie!

Homem de pouca visão. Malthus se impressionou com o empobrecimento crescente do solo da Inglaterra e com o espantoso aumento de população nos Estados Unidos. Jogando com estes dois dados, conclui, erradamente, para todo o mundo, que as populações cresciam em progressão geométrica, enquanto a terra produzia em progressão aritmética. O remédio estava em diminuir os nascimentos. Continuar lendo