TORNAR-SE SACERDOTE – TRADITIO: PARTE 1 – UMA OBRA DE FÉ

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Conforme anunciado dias atrás em um Trailer oficial, este primeiro episódio da série documental TRADITIO – Por amor à Igreja é dedicado ao sacerdócio católico, à história da FSSPX e à formação sacerdotal nos seus seminários internacionais. Realizada ao longo de dois anos por dois jovens estudantes da Suíça e da Alemanha em colaboração com a Casa Geral da FSSPX, esta produção de mais de quatro horas é um dos projetos cinematográficos mais ambiciosos alguma vez realizados pela Fraternidade.

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MONS. SCHNEIDER EXPÕE A “QUESTÃO CENTRAL” NO DEBATE SOBRE AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DA FSSPX

“Em sua essência, o conflito gira em torno da questão da verdade.”

Fonte: Substack de Diane Montagna – Tradução: Dominus Est

ROMA, 4 de junho de 2026 — Com a Fraternidade São Pio X prestes a realizar as sagrações episcopais em 1º de julho, Mons. Athanasius Schneider publicou uma nova declaração argumentando que a controvérsia vai além das questões de disciplina eclesiástica e reflete disputas doutrinárias e litúrgicas que persistem na Igreja Católica desde o Concílio Vaticano II.

Intitulado “A Questão Central relativa a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X” e publicado na íntegra abaixo, o documento está estruturado em torno de 5 argumentos principais e levanta diversas questões-chave, incluindo:

  • Por que a aceitação incondicional dos textos do Vaticano II por parte da FSSPX está sendo apresentada como conditio sine qua non para a plena comunhão com a Santa Sé, enquanto não existe exigência comparável em relação aos ensinamentos pastorais, disciplinares ou não definitivos dos vinte Concílios Ecumênicos anteriores?
  • Por que a reconciliação e o diálogo paciente devem ser enfatizados no caso dos bispos alemães, mas não no caso da FSSPX?

Monsenhor Schneider afirmou que está publicando este texto porque as discussões sobre a Fraternidade São Pio X (FSSPX) e as sagrações episcopais planejadas permaneceram, em grande parte, superficiais, particularmente entre o clero e os fiéis de mentalidade tradicional, sem abordar o que ele considera as questões fundamentais envolvidas. Continuar lendo

QUAL RUPTURA? ANÁLISE DO LIVRO DO PE. ALBERT JAQUEMIN – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

No fundo, não há nada de novo, pois esta análise se limita a reproduzir os pontos essenciais do Motu próprio Ecclesia Dei afflicta de João Paulo II. A oposição, se é que existe, situa-se entre duas concepções da Tradição e do Magistério: a concepção católica, herdada dos concílios de Trento e do Vaticano I, defendida por Dom Lefebvre, e a concepção neomodernista, herdada do Vaticano II e de Francisco, passando por João Paulo II e Bento XVI, que o padre Jaquemin pretenderia defender.

Fonte: Courrier de Rome n°697 – Tradução: Dominus Est

O Pe. Albert Jaquemin e suas obras

Localizada no 19º distrito de Paris, a igreja de Santa Clara foi construída entre 1956 e 1958 pelo arquiteto André le Donné, aluno de Auguste Perret. Ela foi erigida como paróquia em 1963.

Desde 2020, seu pároco é o padre Mathias Sütterlin e aí reside o cônego Albert Jaquemin, oficial do Tribunal Penal Canônico da Conferência Episcopal da França, professor adjunto da Faculdade de Direito Canônico do Instituto Católico de Paris e juiz da Oficialidade de Paris. Albert Jaquemin foi ordenado sacerdote por Dom Lefebvre, em 29 de junho de 1987, em Ecône. Não reconhecendo a legitimidade das sagrações episcopais de 30 de junho de 1988, deixa a Fraternidade Sacerdotal São Pio X nessa data.

Tendo em seu histórico cerca de quarenta publicações no site do Instituto Católico de Paris, o padre Jaquemin acaba de escrever uma nova obra, publicada neste mês de maio pela Editions du Cerf: A Escolha da Ruptura. Dom Lefebvre, Roma, as sagrações. 1974-2026. 152 páginas de texto, distribuídas em sete capítulos e um epílogo, seguidas por cerca de sessenta páginas de anexos, onde estão reproduzidos 17 documentos importantes sobre o assunto, incluindo as últimas declarações do atual superior-geral da Fraternidade São Pio X, relativas às futuras sagrações episcopais anunciadas para o próximo dia 1º de julho. Continuar lendo

O EPISCOPADO NA ENCRUZILHADA – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

Brasil conta com cinco nomeações para o episcopado…

Fonte: Courrier de Rome n°697 – Tradução gentilmente cedida pelo André Abdelnor Sampaio

Toda a ofensiva travada há alguns meses contra a legitimidade das sagrações episcopais previstas na Fraternidade São Pio X para o próximo 1º de julho provém da corrente Ecclesia Dei, principalmente com estudos publicados na revista Sedes sapientiae da Fraternidade São Vicente Ferrer ou no site Claves da Fraternidade São Pedro(1). Falamos deliberadamente de uma «ofensiva travada contra», pois a questão que nos ocupa não é uma questão puramente teológica, suscitada apenas no plano das ideias puras, no âmbito de um debate que pretendesse apenas confrontar hipóteses e que por isso pudesse permanecer pacífico. A questão que nos ocupa diz respeito precisamente à legitimidade de uma ação — as consagrações de 2026 como as de 1988 — que não é moralmente indiferente e que deve ser objeto não de uma hipótese, mas de uma decisão carregada de consequências. Trata-se, pois, de uma questão de prudência, e a solução que ela exige diz respeito à conduta a adotar no plano da ação moral. A prudência pressupõe sem dúvida a consideração dos princípios dogmáticos ou teológicos, mas distingue-se da ciência (ou da sabedoria especulativa) por preocupar-se em evidenciar não o que convém conhecer, mas o que convém pôr em prática para agir da melhor forma. E aqui, a aposta da ação a realizar é considerável, pois esta visa responder a uma necessidade grave. E é isso que importa: não é primeiramente o simples fato de consagrar bispos apesar da oposição explícita de Roma, mas precisamente o fato de dar assim aos fiéis católicos o meio extraordinário de assegurar a sua salvação, numa situação em que o recurso ao meio ordinário se torna moralmente, senão impossível, ao menos demasiado difícil.

2. Repitamo-lo uma vez mais(2): o desacordo não versa sobre algo facultativo, que pudesse admitir uma diversidade legítima de opiniões. Pois, se a salvação das almas está em causa num estado de necessidade grave, só se pode recusar a possibilidade de recorrer, para suprir essa necessidade, a meios extraordinários proporcionados, se e somente se se tiver a certeza de fé divina e católica — e não apenas teológica — de que o recurso a tais meios seria ilegítimo. É essa certeza que nos é oposta — e que contestamos. Continuar lendo

DOENTES E SAUDÁVEIS

O anseio por um maior sentido do sagrado foi qualificado como patológico por um liturgista.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est 

O crescente interesse pela liturgia tradicional entre os jovens suscita reações mais ou menos ponderadas. Na linha do Papa Francisco, que suspeita de um desequilíbrio entre os padres envolvidos[1], é um estudioso da Diocese de Estrasburgo, professor da Universidade “Miséricordia” de Friburgo, que qualifica esse movimento de patológico[2].

Como seria de esperar, ele vê nisto um “recuo de identidade” motivado pelo “medo[3] do que está por vir” e baseado numa “profunda subjetividade”, uma vez que estes jovens têm a audácia de decidir por si próprios o que satisfaz as suas aspirações, em vez de ouvir os sábios. As antigas práticas litúrgicas fazem-lhe lembrar os encantamentos dos profetas de Baal.

O artigo faz referência ao padre Congar[4], que, na esteira do Concílio, considerava necessário esclarecer o conceito de sagrado, afirmando que o Novo Testamento declara sagrado “tudo o que é santificado pelo uso do homem”. Ao fazê-lo, ele aboliu o sagrado do Antigo Testamento; a antiga Lei, de fato, separa rigorosamente os lugares, os objetos e o próprio povo — seres sagrados — do profano e do impuro; por sua vez, Jesus libertou do Templo[5], dos rituais de purificação e dos rigores do sábado; em seu seguimento, os Apóstolos triunfarão sobre os judaizantes que querem impor os costumes judaicos aos pagãos batizados: doravante, nada está excluído da presença de Deus. O Concílio, por sua vez, falava do papel dos leigos na “consagração do mundo[6]” na sequência do Salvador que “de certa forma se uniu a todo homem[7]” (n.º 22, §2). Continuar lendo

ESPETACULAR – TRADITIO, POR AMOR À IGREJA – TRAILER OFICIAL

Legendas disponíveis em francês, inglês, alemão, espanhol, italiano, português, polonês e holandês. Clique em ⚙️ e depois em «Legendas» para escolher o seu idioma.

TRADITIO – POR AMOR À IGREJA é uma série documental em três partes dedicada à vida e ao apostolado dos sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X em todo o mundo. Produzida ao longo de dois anos por dois jovens estudantes da Suíça e da Alemanha em colaboração com a Casa Geral da FSSPX, a série totaliza mais de quatro horas de filmagem e constitui um dos projetos cinematográficos mais extensos e ambiciosos já realizados pela Fraternidade.

📅 Datas de lançamento:

• Uma obra de fé – 7 de junho de 2026

• Uma obra de esperança – 14 de junho de 2026

• Uma obra de caridade – 21 de junho de 2026 Descubra o apostolado mundial da

FSSPX e o ministério do sacerdote católico ao serviço da Igreja.

AS SAGRAÇÕES PELA IGREJA – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

“Não posso, em sã consciência, deixar estes seminaristas órfãos. Tampouco posso deixá-los órfãos, morrendo sem providenciar o futuro.”
D. Lefebvre, Sermão de 30 de junho de 1988, em Écône.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O episcopado, princípio de vida: o papel do bispo na Igreja

O propósito da sagração episcopal é transmitir, dentro da Igreja, o poder de que as almas tanto necessitam; e esse poder é descrito por D. Lefebvre, seguindo São Paulo, como o de um pai. É à imagem do poder de Deus, que conduz as almas à vida da graça. É o poder de transmitir a vida, e é por isso que privar a Igreja desse poder equivale a secar as próprias fontes de vida dentro dela, privando-a da paternidade. Uma Igreja sem bispos é uma Igreja sem pais, uma Igreja de órfãos, uma Igreja sem futuro, uma Igreja incapaz de se reproduzir e condenada a desaparecer. Assim como a sociedade precisa de pais de família, a Igreja também precisa.

Compreende-se, então, por que as sagrações de 30 de junho de 1988 foi a “Operação Sobrevivência” da Tradição. É a operação que impede que o princípio da vida desapareça.

Duas fontes de vida: jurisdição e ordem.

A palavra “bispo” pode ser entendida em dois sentidos: como alguém que possui o poder da ordem ou como alguém que possui o poder de jurisdição. O poder da Ordem é o poder de santificar, ou seja, o poder de celebrar a Missa, administrar os sacramentos e dar bênçãos. O poder de jurisdição é o poder de governar e ensinar com autoridade. A Igreja é composta por uma única hierarquia, um único conjunto de líderes, mas cujos membros são investidos de dois poderes distintos. O Código de Direito Canônico de 1917 afirma isso claramente no parágrafo 3 do cânon 108: Continuar lendo

TAPETE VERMELHO PARA UMA “ARCEBISPA”, CARTÃO VERMELHO PARA UM PADRE

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Ela apareceu na Basílica de São Pedro, vestida com uma batina púrpura, uma cruz peitoral, um anel episcopal e os sinais exteriores da autoridade apostólica. Foi recebida com todas as honras da pompa romana. Abençoou os bispos católicos na Capela Clementina. E, durante sua audiência com o Papa Leão XIV, foi possível ver duas figuras vestidas da mesma maneira, sentadas na mesma altura, conversando de igual para igual.

Ela é Sarah Mullally, a “arcebispa” de Canterbury, primaz da Comunhão Anglicana. Aos olhos da Igreja Católica, ela não é nem bispa nem sacerdotisa. E mesmo seus correligionários da Federação das Igrejas Anglicanas do Sul (GSFA) – que abrange mais de 10 províncias e aproximadamente 35 milhões de membros, em sua maioria africanos — não a reconhecem como sua líder espiritual, a exemplo do primaz do Sudão do Sul e atual presidente da GSFA, Justin Badi Arama.

No entanto, Leão XIV a recebeu no Vaticano, estendendo o tapete vermelho, assim como Paulo VI havia oferecido e colocado um anel episcopal no dedo de Michael Ramsey, como João Paulo II havia concedido uma bênção conjunta com George Carey, como Bento XVI havia abraçado Rowan Williams e como Francisco havia recebido pessoalmente a bênção de Justin Welby. Todos esses primazes anglicanos que Sarah Mullally sucede, e aos quais ela supera com seu apoio militante ao sacerdócio feminino, à bênção de uniões homossexuais, à posição pró-escolha sobre o aborto, até a afirmação pastoral da ideologia de gênero… Continuar lendo

BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – JUNHO/26

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Caros fiéis,

A Fraternidade São Pio X não busca seu próprio bem, mas o bem da Igreja. É por isso que sempre recusou uma regularização canônica em detrimento da defesa integral da fé. Até o momento, o reconhecimento oficial da Fraternidade por Roma está condicionado à aceitação das novidades do Concílio Vaticano II e das reformas que se seguiram; em particular, o novo rito da missa. Como a Fraternidade recusa essas reformas, ela continua, portanto, a não estar “em plena comunhão”.

No entanto, desde 1988, houve avanços. Ao revogar a injusta excomunhão, o Papa Bento XVI explicou esse gesto aos bispos de todo o mundo: o problema da Fraternidade não é um problema disciplinar, mas sim doutrinário. Também não é, antes de tudo, um problema litúrgico. Assim, o mesmo papa concedeu faculdades especiais aos bispos para permitir maior liberdade da missa tridentina. Esse outro gesto atendeu a um pedido da Fraternidade. Por fim, o Papa Francisco concedeu à Fraternidade a jurisdição para as confissões e os casamentos. Esses poucos anos de quase regularização permitiram que muitas almas conhecessem a Tradição católica. Eles mostraram que era possível oferecer um quadro de referência para aqueles que desejam permanecer-lhe fiéis. Uma única coisa é necessária: a boa vontade das autoridades. Continuar lendo

PENTECOSTES: MONS. STRICKLAND DENUNCIA O SILÊNCIO QUE SUFOCA A VERDADE NA IGREJA

Por ocasião do Pentecostes, Mons. Joseph Strickland denunciou o silêncio que atualmente mina a Igreja diante da confusão doutrinal e dos ataques contra a Tradição Católica. Um silêncio de pastores que já não ousam mais falar com clareza. O Bispo Emérito de Tyler menciona, em particular, as crescentes pressões exercidas contra a Fraternidade São Pio X e a missa tradicional, exortando os católicos a reencontrarem a coragem de testemunhar publicamente a verdade.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Existe uma antiga canção de Simon e Garfunkel chamada “The Sound of Silence” (O Som do Silêncio). Muitos de vocês a conhecem. Um trecho diz: “Pessoas falando sem dizer, pessoas ouvindo sem escutar”. Essas palavras ressoam em minha mente com a aproximação do Pentecostes.

Pois vivemos em uma época repleta de ruídos. De palavras sem fim. Comentários sem fim. Pronunciamentos sem fim. Reuniões sem fim. Documentos sem fim. Discussões sem fim. E, no entanto, sob todo esse alvoroço, um silêncio terrível cresce no mundo, e até mesmo em certas partes da Igreja.

Não o silêncio sagrado da oração. Não o silêncio de uma alma ajoelhada diante do Santíssimo Sacramento. Não o silêncio dos monges ou religiosos enclausurados, à escuta do sussurro de Deus. Mas é o silêncio que se instala quando os homens deixam de ouvir o Espírito Santo. Continuar lendo

“SÓ A FSSPX”: A EXPLICAÇÃO SIMPLISTA DA FRATERNIDADE SÃO PEDRO (III) – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

O EPISCOPADO – SAPIENTIAE CHRISTIANAE

Fonte: Courrier de Rome nº 696 – Tradução gentilmente cedida por André Abdelnor Sampaio

Esse texto é continuação do: “MUNUS ET POTESTAS”: A EXPLICAÇÃO SIMPLISTA DA FRATERNIDADE SÃO PEDRO (II) 

1 – O texto aparecido na página de 11 de abril último do síte «Claves» da Fraternidade São Pedro dá citação do nosso propósito: «A situação presente, que é a de uma invasão generalizada e permanente do modernismo no espírito dos homens da Igreja, reclama, para a santificação e a salvação das almas, um episcopado verdadeiramente católico e indemne dos erros do concílio Vaticano II, tal que não poderia de facto encontrar-se fora da obra suscitada por Dom Lefebvre»¹. E de comentar: «É portanto encarado que os futuros bispos da FSSPX sejam sagrados não somente sem jurisdição nem missão recebidas mas também fora da comunhão hierárquica católica, pois somente a FSSPX pode, na sua opinião, transmitir sem alteração o Depósito da f黲.

2 – «Fora da Fraternidade São Pio X não há salvação»: eis o que resume a ideia colocada por este comentário. Ideia de uma censura caricatural lançada contra a iniciativa das sagrações e cujo alcance não ultrapassa a de um simples slogan. A palavra «slogan» designava na sua origem na língua inglesa a «divisa de um grupo». Divisa aqui de todos aqueles que querem manter a hostilidade em relação à iniciativa das sagrações. Para além da manipulação retórica, que joga com as palavras, a extrapolação não aparecerá porém demasiado evidente a quem se der ao trabalho de refletir — e de voltar aos textos. Continuar lendo

A CASA GERAL DA FSSPX ANUNCIA OS NOMES DOS FUTUROS BISPOS

Documento original aqui.

Nesta oitava de Pentecostes, o Padre Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, tem a alegria de anunciar os nomes dos sacerdotes da Fraternidade que foram escolhidos para receber, no dia 1º de julho, em Ecône, a sagração episcopal. 

Em sinal de respeito à autoridade suprema da Igreja universal, os dossiês desses sacerdotes foram apresentados ao Santo Padre, acompanhados de algumas explicações necessárias para a boa compreensão deste processo, no contexto muito particular e excepcional dessas sagrações episcopais.

Os quatro sacerdotes são:

  • Padre Pascal Schreiber, de nacionalidade suíça;
  • Padre Michael Goldade, de nacionalidade americana;
  • Padre Michel Poinsinet de Sivry, de nacionalidade francesa;
  • Padre Marc Hanappier, de nacionalidade francesa.

O Superior Geral reafirma que a seleção e a sagração desses eleitos não decorrem de qualquer desejo de reivindicar poder jurisdicional ou de estabelecer uma autoridade paralela dentro da Igreja. Elas não constituem, de forma alguma, uma negação, uma recusa ou um desafio ao poder jurisdicional supremo, pleno e imediato do Vigário de Cristo sobre a Igreja universal.

A cerimônia 1º de julho não terá outro objetivo senão manter a administração dos sacramentos da Ordem e da Confirmação, bem como dos sacramentais reservados aos bispos, segundo o rito tradicional da Santa Igreja Romana e a fé de sempre. 

O episcopado que esses sacerdotes receberão é, portanto, considerado apenas como um serviço prestado às almas e à Igreja, em meio a esta crise de fé sem precedentes. 

Nossa vontade de servir à Santa Igreja Católica permanece inabalável, conscientes do dever imperativo de transmitir fiel e plenamente aquilo que recebemos, ou seja, aquilo em que a Igreja sempre acreditou, ensinou e praticou.

Menzingen, 26 de maio de 2026

Padre Pascal Schreiber

Com 53 anos de idade, o Reverendo Padre Pascal Schreiber nasceu numa família católica de cinco filhos originária do cantão de Argóvia, na Suíça. Em 1992, ingressa no seminário Herz Jesu de Zaitzkofen, na Alemanha, antes de prosseguir com os estudos em Écône, na Suíça, onde recebe a ordenação sacerdotal no verão de 1998.

Depois de cinco anos de ministério na Alemanha e na Suíça francesa, recebe, em 2003, o encargo de dirigir uma escola secundária para meninos, em Mels, na Suíça alemã.

Dois anos mais tarde, torna-se responsável pela escola primária e secundária para meninas na comuna de Wil, ministério que exerce durante nove anos.

Chamado em 2014 a Rickenbach, sede do distrito da Suíça, exerce ali primeiro a função de ecônomo por dois anos, antes de ser nomeado superior do distrito.

Desde 15 de agosto de 2020, é diretor do seminário Herz Jesu de Zaitzkofen, na Alemanha, onde se dedica à formação de mais de 50 futuros sacerdotes e irmãos oriundos de 16 países. É fluente em alemão e francês, e fala também inglês.

 

Padre Michael Goldade

Originário de Dakota do Norte, e criado em St. Marys, no Kansas, Estados Unidos, o Reverendo Padre Michael Goldade vem de uma família católica de dez filhos, entre os quais se contam três Irmãs da Fraternidade São Pio X. Aos 18 anos de idade, ingressa no seminário de Winona, onde é ordenado sacerdote em 2004.

Exerce o ministério em Armada, estado de Michigan, durante cinco anos, antes de ser chamado para dirigir a casa de retiros de Ridgefield.

Em 2014, é nomeado prior na Cidade do Kansas, onde se ocupa ao mesmo tempo de um priorado, de uma importante paróquia, de uma escola e de uma comunidade de religiosas. A estes encargos vem-se juntar, em 2021, a função de assistente do Superior do Distrito. Nomeado no verão de 2023 como diretor do seminário Santo Tomás de Aquino, na Virgínia, cuida hoje da formação de cerca de 100 seminaristas. Tem 45 anos, fala inglês, estudou francês e possui também algumas noções de espanhol.

Padre Michel Poinsinet de Sivry

De nacionalidade francesa e oriundo de uma família católica de sete filhos, o Reverendo Padre Michel de Poinsinet de Sivry tem 42 anos. Realizou a sua formação sacerdotal no seminário de Flavigny, na França, e a seguir em Écône, onde recebeu a ordenação sacerdotal em 2008.

Tendo iniciado o seu ministério na escola Saint- Joseph-des-Carmes, no sul da França, recebeu, em 2011, o encargo de dirigir a escola primária Saint- Louis, em Paris. Exerceu essa função ao longo de cinco anos, ao mesmo tempo em que atendia uma capela em Seine-Saint-Denis e colaborava no apostolado da igreja de Saint-Nicolas-du-Chardonnet, em Paris.

Torna-se, depois, diretor do ginásio e colégio Saint-Jean-Baptiste-de-La-Salle, em Camblain-l’Abbé, perto de Arras, e ali permanece por seis anos, antes de ser nomeado superior do distrito de Benelux, em 2022, função esta que exerce atualmente. Além de francês, fala também inglês e está aprendendo alemão e holandês.

Padre Marc Hanappier

O Reverendo Padre Hanappier, de nacionalidade francesa, nasceu em 1990, numa família católica de dez filhos, de onde provieram muitas vocações: um dos seus irmãos é sacerdote da Fraternidade, outro, sacerdote dos capuchinhos de Morgon, e uma de suas irmãs é dominicana professora em Saint-Pré.

Formado nos seminários de Flavigny e Écône, recebe a ordenação sacerdotal em 2013. Inicia o seu ministério em França no ensino, primeiro na escola l’Étoile-du-Matin, perto de Bitche, depois na escola Saint-Michel, não longe de Châteauroux.

Em 2020, nomeado professor no seminário de Dillwyn, na Virgínia, antes vai aperfeiçoar o seu domínio do inglês, passando um ano na Escócia, enquanto colabora com o ministério paroquial.

No seminário, ensina principalmente metafísica e dogma, além de, aos domingos, ocupar- se do ministério pastoral em diversas capelas. Fala fluentemente francês e inglês, estudou alemão e tem noções de espanhol.

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SHIFT + DOUTRINA

A tecla Shift altera o caractere impresso por outra tecla. No Sínodo, a tecla Shift transforma uma doutrina em seu oposto.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

O famoso relatório do 9º grupo de estudo do Sínodo sobre problemas doutrinários, éticos e pastorais “emergentes“(1), reivindica uma “mudança de paradigma” (paradigm shift na versão em inglês), que supostamente remete à “experiência libertadora do Evangelho” apresentada originalmente por Jesus.

Essa mudança permite renunciar a “proclamação abstrata e a aplicação dedutiva de princípios estabelecidos de forma imutável e rígida”, “contra a tentação da fossilização estéril e regressiva de princípios e afirmações, normas e regras, sem levar em conta a experiência dos indivíduos e das comunidades (2)”. O texto faz referência a um discurso do Papa Leão XIV afirmando que a doutrina social da Igreja é, acima de tudo, uma busca coletiva da verdade e, certamente, não um doutrinamento (3). No final, compreende-se que é preciso renunciar a declarar pecaminosas as relações contra a natureza e encorajar a Igreja a aceitar as uniões baseadas nessas relações. Continuar lendo

O CORAÇÃO DE UMA MÃE….E A HISTÓRIA DE DOIS SACERDOTES

“Quem diria à sua mãe que o bebê que ela salvou, um dia ajudaria a salvar sua alma?”

Fonte: Nieves’s Substack – Tradução: Dominus Est

Esta história tem início em dezembro de 2023, no dia em que minha mãe, de 86 anos,recebeu o diagnóstico de câncer de pâncreas. Mas, na verdade, tudo começou muito antes disso, e é difícil para mim dizer exatamente quando. Um dos nossos padres disse certa vez que Deus olha para o tempo à distância. Ele olha para a grande tapeçaria de nossas vidas e diz: “Dê-me tempo, dê-me 20, 30 ou 50 anos e eu realizarei”. Poderíamos dizer que esta história começou quando nossa família decidiu se mudar do Velho Mundo para o Novo, em 2018. Ou talvez tenha começado quando meu marido americano decidiu se mudar para a Espanha em 2001 a trabalho e acabou ficando lá por 18 anos – depois de me conhecer, casar e ter três filhos. Ou talvez tenha começado quando meus pais, originários da Espanha, decidiram na juventude que queriam uma vida melhor e se mudaram para a Alemanha, onde passariam a maior parte de suas vidas até a aposentadoria… Mas gosto de pensar que tudo começou no dia em que minha mãe soube, por meio de uma colega de trabalho, que estava grávida novamente e que não queria ficar com o bebê, considerando a possibilidade de fazer um aborto. Minha mãe, uma boa mulher que, na década de 60, havia se afastado da fé católica tradicional em que fora criada e se convertido ao protestantismo, nunca deixou, porém, de rezar a Deus nem de distinguir o certo do errado, como a Santa Igreja Católica lhe ensinara. Ela sabia que o aborto era errado, sabia que significaria a morte de um bebê e não podia permitir que isso acontecesse. Além disso, meus pais, que tentavam ter um filho desde quando se casaram, muitos anos antes, não tinham conseguido engravidar. Minha mãe pediu à colega de trabalho que esperasse, que ela falaria com o marido e pediria que ele concordasse em adotar o bebê. Meu pai, muitas vezes um homem difícil, em parte devido à sua infância difícil, não teve dúvidas: eles acolheriam essa criança e a criariam como se fosse sua. Continuar lendo

“MUNUS ET POTESTAS”: A EXPLICAÇÃO SIMPLISTA DA FRATERNIDADE SÃO PEDRO (II) – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

O EPISCOPADO – SAPIENTIAE CHRISTIANAE

Fonte: Courrier de Rome nº 696 – Tradução gentilmente cedida por André Abdelnor Sampaio

Esse texto é continuação do: DA NATUREZA DO EPISCOPADO: A EXPLICAÇÃO SIMPLISTA DA FRATERNIDADE SÃO PEDRO (I)

1 – A constituição dogmática Lumen gentium sobre a Igreja é um dos textos maiores do concílio Vaticano II. É também um dos documentos mais problemáticos deste Concílio, tendo dado lugar ao que se concorda em designar como uma “nova eclesiologia”. O número 8 desta constituição no capítulo I apresenta, com efeito, a controversa expressão do “Subsistit”, que abriu a porta a um ecumenismo indiferentista. Uma das outras novidades introduzidas pela nova eclesiologia do Vaticano II diz respeito à definição do episcopado, e desemboca numa definição equívoca da colegialidade, ao ponto de pôr em dúvida a natureza monárquica da constituição divina da Igreja.

2 – Esta nova definição do episcopado toma o seu ponto de partida na maneira pela qual o poder ao qual corresponde é comunicado àquele que o recebe. O episcopado diz-se, com efeito, ao mesmo tempo, de um poder de ordem e de um poder de jurisdição. O poder de ordem episcopal é o poder de conferir o sacramento da confirmação assim como o poder de ordem (presbiterado, diaconado, subdiaconado, ordens menores). O poder de jurisdição episcopal é o poder de governar e de ensinar em nome do próprio Cristo. Cada um destes dois poderes é formalmente independente do outro na sua própria essência de poder. E cada um deles é comunicado àquele que o recebe de uma maneira formalmente diferente do outro: o poder de ordem é comunicado pelo rito de uma sagração ao passo que o poder de jurisdição é comunicado por um ato da vontade do Papa. Os dois devem, contudo, exercer-se em dependência: o exercício do poder de ordem é o fim, a razão de ser, do poder de jurisdição, pois o governo e o ensinamento, na Igreja, estão ordenados à santificação e à salvação das almas; o exercício do poder de jurisdição é, na Igreja, um poder sagrado — (tal é, aliás, o sentido do adjetivo “hierárquico”: o que corresponde a um poder (archê) sagrado (hierâ)) — e é por isso que aquele que, na Igreja, detém e exerce o poder de jurisdição deve ser consagrado e revestido para tal do poder de ordem. Por outras palavras, o poder de jurisdição depende do poder de ordem segundo os dois pontos de vista da causa final e da causa material. A consequência que daí decorre é a seguinte: o poder de jurisdição deve normalmente ser detido e exercido por um sujeito que possui, por outro lado, o poder de ordem, e que deve, portanto, receber a sagração episcopal (se ainda não a recebeu) o mais cedo possível; ao contrário, o poder de ordem pode muito bem ser detido e exercido por um sujeito que não recebeu e não receberá nunca o poder de jurisdição. Mesmo que esta segunda situação seja relativamente rara na Igreja, ela não é extraordinária, ao passo que a situação de um bispo provido do poder de jurisdição e desprovido do poder de ordem permaneceria sempre extraordinária, mesmo que não fosse rara. Continuar lendo

SAGRAÇÕES EPISCOPAIS: O QUE O PADRE PAGLIARANI DISSE AOS MEMBROS DA FRATERNIDADE SÃO PIO X

A preparação dos corações às sagrações episcopais

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Caros fiéis e amigos,

No contexto da preparação às sagrações episcopais previstas em Écône, em 1º de julho próximo, excepcionalmente desejamos colocar à vossa disposição um editorial que o Reverendíssimo Superior Geral dirigiu, no último dia 7 de março, aos membros da Fraternidade.

Este texto não reconsidera a questão das sagrações em si, mas concentra-se em recordar o espírito no qual elas devem ser preparadas e vividas: espírito de fé, de caridade, de confiança sobrenatural e de amor pela Igreja. Porque não basta esclarecer vossa inteligência, se, ao mesmo tempo, não prepareis o coração.

Além disso, a algumas semanas desta cerimônia tão importante para toda a Igreja, parece-nos conveniente compartilhar estas reflexões com os fiéis e os amigos da Fraternidade, afim que todos possamos nos unir mais profundamente a esta preparação, na oração, sacrifício e paz interior. Continuar lendo

PADRE MURR, ANTIGO COLABORADOR DO CARDEAL GAGNON, TAMBÉM SE PRONUNCIA: “A SAGRAÇÃO DOS BISPOS DA FSSPX ESTÁ TOTALMENTE CORRETA.”

Anche don Murr, già collaboratore del Card. Gagnon, prende posizione: «La consacrazione dei vescovi FSSPX è del tutto corretta»

Fonte: Radio Spada Tradução: Dominus Est

Ontem, observamos como a confusão comunicativa-doutrinária do Vaticano (e de alguns neoconservadores) colocou a FSSPX em uma situação em que ela só tem a ganhar. As confirmações vêm chegando com força há algum tempo e  — embora tenha havido até mesmo o caso recente de um padre italiano que deixou a FSSPX anos atrás e defendeu sua antiga congregação, e também tenhamos visto padres e bispos “não lefebvristas” defendendo abertamente a causa das consagrações — agora é a vez do Padre Murr.

Padre e escritor renomado, colaborador do Cardeal Gagnon (autor do conhecido dossiê sobre a infiltração da Maçonaria no Vaticano), Dom Murr concedeu uma entrevista à revista La Fe de la Iglesia , traduzida por Claudio Forti e editada por Aldo Maria Valli. Trata-se de uma intervenção contundente, da qual reproduzimos alguns trechos, com destaques nossos. Continuar lendo

POR QUE A CONFUSÃO COMUNICATIVA-DOUTRINÁRIA DO VATICANO (E DOS NEOCONSERVADORES) COLOCOU A FSSPX EM UMA SITUAÇÃO EM QUE ELA SÓ TEM A GANHAR?

Perché il pasticcio comunicativo-dottrinale vaticano (e cons-moderato) ha messo la FSSPX in una situazione win-win

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

O Vaticano e seus neoconservadores estão acertando em cheio. Sim, por transformarem as sagrações da FSSPX em uma situação onde qualquer que seja a “jogada”, só ela tem a ganhar (ou seja, “qualquer movimento que se faça acaba fortalecendo-a“), superando até mesmo suas expectativas mais otimistas. Que fique bem claro: aqui, a questão não é tática. Mas isso também importa e é preciso falar sobre o assunto.

Vaticano: Estamos diante de uma combinação perfeita para uma explosão. De um lado, o caos doutrinal, senhoras vestidas como “arcebispas” anglicanas sendo recebidas com grande pompa, concessões às cegas para nomeações diocesanas pelo Partido Comunista Chinês, bispos que inauguram lojas maçônicas, cerimônias semelhantes ao orgulho gay na Basílica de São Pedro, vice-presidentes da CEI aprovando as escolhas LGBT, sem mencionar todo o resto. Do outro lado – em relação à FSSPX – um rigor burocrático com o estilo de um funcionário público às vesperas da aposentadoria no mérito, combinado com poses de guarda de trânsito que se julga o Rambo nos métodos. Note-se: estamos indo além do princípio de “aberto a todos, exceto católicos ” para nos aproximarmos – como já foi observado antes – do modelo Brega-Verdone em Un sacco bello, e talvez até mesmo superá-lo. A segunda e última declaração de Fernández, na qual ele reiterou a ameaça de excomunhão, foi essencialmente uma cópia da primeira. Inútil, repetitiva, vazia, publicada por um negador da Corredenção no aniversário de Fátima. Não acrescentava nada, a não ser problemas para quem a divulgava. Continuar lendo

DA NATUREZA DO EPISCOPADO: A EXPLICAÇÃO SIMPLISTA DA FRATERNIDADE SÃO PEDRO (I) – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

O EPISCOPADO – SAPIENTIAE CHRISTIANAE

Fonte: Courrier de Rome nº 696 – Tradução gentilmente cedida por André Abdelnor Sampaio

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Uma censura injustificada

1 – Frei Luís de León, que ensinava na Universidade de Salamanca no século XVI, teve de acertar as contas com a Inquisição¹. Foi lançado à prisão. Quando reapareceu, após vários anos, começou sua aula de retorno com estas palavras: “Dizia-vos eu no outro dia…”.

2 – A anedota é relatada por Simon Leys, no início dos seus Ensaios sobre a China². Veio-nos à mente quando tomamos conhecimento da recente prosa do Padre Louis-Marie de Blignières³. Nela, o fundador da Fraternidade São Vicente Ferrer evoca certos teólogos que, segundo ele, “há algum tempo”, consideram que a necessidade do mandato pontifício exigido para as consagrações episcopais pertence ao direito eclesiástico. “Há algum tempo”… Por ora, os teólogos da corrente Ecclesia Dei — e o Padre de Blignières faz parte dela — querem fazer-nos crer que a doutrina teológica mais segura e mais conforme com os dados tradicionais do Magistério seria uma novidade recente, forjada “do zero” pelos discípulos de Dom Lefebvre, para servir aos fins da própria causa. As falsas explicações do Padre de Blignières tentam inutilmente aprisionar, à sombra de uma desqualificação injusta, a sã teologia do episcopado. Mas elas passarão, assim como passaram os anos de prisão que Frei Luís de León teve de suportar. Quanto à verdadeira teologia, essa não passa. Finalmente liberta de todos os sofismas que grassam aqui e acolá, neste período de neo-modernismo, que esperamos tão cedo encerrado, ela poderá impor-se sem se deparar com certos obstáculos nas almas: “Dizia-vos eu no outro dia…”.

3 – Mais recentemente ainda, o sítio “Claves” da Fraternidade São Pedro, no estudo assinado por “Theologus”, publicado na página de 11 de abril⁴, pretende validar esta falsa interpretação. “Infelizmente”, escreve, “cada vez mais claramente a FSSPX forja uma noção de episcopado manifestamente contrária à Tradição católica”. Na realidade, são precisamente as comunidades da corrente Ecclesia Dei — dentre as quais, aqui, a Fraternidade São Pedro, através do texto que publica em seu sítio — que se entregam a tal “falsificação”, em consonância com uma nova eclesiologia inventada, “do zero”, durante o último concílio Vaticano II. Vejamos um pouco. Continuar lendo

O QUE ACONTECERÁ EM 1º DE JULHO DE 2026?

SAGRAÇÕES EPISCOPAIS NA FSSPX? APRENDENDO COM O PASSADO | DOMINUS EST

Mesmo nas colunas “moderadas” da Paix Liturgique, há uma posição claramente a favor das sagrações.

Uma análise de Philippe de Labriolle

Fonte: Paix Liturgique – Tradução: Dominus Est

O prazo de 1º de julho de 2026, estabelecido pela FSSPX para proceder com a sagração de bispos inegavelmente fiéis à Tradição da Igreja e à Fé Católica recebida dos Apóstolos, é um prenúncio bem-vindo de um dia de alegria. Aqueles que lamentam a política de autoafirmação de Ecône, mesmo compartilhando a Fé imutável e sendo adeptos do vetus ordo, se deparam com a ambiguidade de sua posição. Seus antecessores, tendo lamentado em 1988 as sagrações que Roma não desejava, deixaram a FSSPX na esperança de que a Santa Sé lhes agradeceria. O grupo Ecclesia Dei (1988/2019), formado para dar essa impressão, jamais serviu de baluarte, muito menos de um refúgio, contra a fúria dos Ordinários que, vangloriando-se no púlpito de estarem abertos a todos, reservavam sua ira apenas para os católicos tradicionalistas, salvo raras exceções.

O que acontecerá, de uma perspectiva humana, após essas novas sagrações? A priori, nada, a não ser incluir os novos bispos sagrados no próximo dia 2 de julho na situação geral da FSSPX, a qual, ao longo de 30 anos, passou de uma excomunhão de grande proporção à validação de suas confissões pelo Papa e de seus casamentos pelos Ordinários por ordem papal. Mas não entremos em detalhes. Em resumo, as sagrações de 1988, uma vez passado o choque inicial, foram assimiladas. O mesmo ocorrerá com as seguintes, em virtude da jurisprudência, e porque a Igreja não pode renunciar formalmente à sua Tradição sem assumir a responsabilidade por heresias cuja acumulação equivale a um cisma. Os conciliaristas estão no poder: o cisma emocional e cognitivo mascara, cada vez menos, o cisma real. Continuar lendo

DOM SCHNEIDER, MAIS UMA VEZ SOBRE AS SAGRAÇÕES DE 1º DE JULHO: “NÃO CONCORDO QUE CONSTITUA UM CISMA.”

“O único crime que é punido em nosso tempo é a fidelidade à fé e às tradições de nossos pais, enquanto toda blasfêmia tem rédea solta na Igreja.”

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O bispo auxiliar de Astana, Dom Athanasius Schneider, convidado do programa de Raymond Arroyo, concedeu uma entrevista em 15 de maio à EWTN, a maior rede de televisão católica do mundo, com transmissão em mais de 160 países e alcance de mais de 435 milhões de lares. Além da parte referente a FSSPX, o bispo também fez uma crítica contundente ao relatório do Grupo de Estudos nº 9 do Sínodo sobre a Sinodalidade, que ele acusa abertamente de promover a ideologia homossexual no próprio âmago das estruturas oficiais do Vaticano.

[…]

A entrevista passa então a abordar as futuras sagrações episcopais da Fraternidade São Pio X. O jornalista lembra que o cardeal Víctor Manuel Fernández declarou oficialmente que as sagrações previstas para 1º de julho constituiriam um ato cismático passível de excomunhão.

Dom Schneider respondeu imediatamente: “Acredito que eles [FSSPX] levarão adiante o projeto de sagração. Mas não concordo com a afirmação de que seria cismático.”

O bispo então se referiu à recente declaração doutrinal publicada pelo Padre Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade São Pio X: “Ao lê-la, percebe-se que é inteiramente católica. Foi escrita com tamanha devoção ao Santo Padre. Eles dizem: ‘Santo Padre, queremos apenas ser seus bons filhos da Igreja Católica Romana’”.

Ele continua: “Eles reconhecem a plena autoridade do Papa, sua jurisdição, seu magistério e lhe pedem: ‘Por favor, fortaleça-nos nesta fé católica que professamos.’ E o que eles professam é a doutrina constante da Igreja. Todos os pontos que eles enumeram nesta declaração nada mais são do que aquilo que a Igreja sempre professou, desde sempre.” Continuar lendo