QUANDO A BÚSSOLA SE TRANSFORMA EM UM CATAVENTO

Do novo rito da Missa à negação do sacrifício

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Em um artigo publicado por La Croix(1), o Pe. Martin Pochon SJ afirma deliberadamente o oposto do Concílio de Trento: Jesus “ofereceu o seu corpo e sangue, não a Deus, mas aos seus discípulos, em nome do seu Pai”, considerando que a doutrina tridentina não faz justiça ao verdadeiro significado evangélico da Ceia Pascal, e que o rito de Paulo VI contribuiu para recuperá-lo. 

Recordemos o que afirma o Concílio de Trento: “Se alguém disser que na Missa não se oferece a Deus um verdadeiro e autêntico sacrifício ou que “ser oferecido” não significa outra coisa senão o fato de Cristo nos ser dado como alimento: que seja anátema.(2)” Continuar lendo

VÍDEO/CURSO 6: A MISSA DE PAULO VI – NOVA ETAPA NA CRISE – PARTE 1 – POR D. ANTONIO MARIA ARAÚJO

A missa de Paulo VI, também chamada de “missa nova”, responde aos requisitos necessários para uma missa católica? Na 6ª aula do nosso curso, Dom Antônio Maria Araújo apresenta uma comparação entre a missa católica, a missa de sempre, e a missa nova de Paulo VI.

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EM 21 DE NOVEMBRO….HÁ 51 ANOS…

“Nós aderimos de todo o coração e com toda a nossa alma à Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade.

Pelo contrário, negamo-nos e sempre nos temos negado a seguir a Roma de tendência neomodernista e neoprotestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II, e depois do Concílio em todas as reformas que dele surgiram.

Todas estas reformas, com efeito, contribuíram, e continuam contribuindo, para a demolição da Igreja, a ruína do sacerdócio, a destruição do Sacrifício e dos Sacramentos, a desaparição da vida religiosa, e a implantação de um ensino naturalista e teilhardiano nas universidades, nos seminários e na catequese, um ensino surgido do liberalismo e do protestantismo, condenados múltiplas vezes pelo magistério solene da Igreja.

Nenhuma autoridade, nem sequer a mais alta na hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir a nossa fé católica, claramente expressa e professada pelo magistério da Igreja há dezenove séculos. Continuar lendo

VÍDEO/CURSO 5: UM NOVO ESPÍRITO NA VIDA PAROQUIAL – POR D. LOURENÇO FLEICHMAN

As estranhas mudanças no comportamento dos fiéis em suas paróquias. Na quinta aula do curso sobre a crise na Igreja, Dom Lourenço Fleichman mostra como o novo espírito, a partir do Concílio Vaticano II, foi imposto aos fiéis através de movimentos que abriram as portas para o progressismo: Movimento Litúrgico, Ação Católica, Cursilhos de Cristandade, Carismatismo, entre outros.

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ENTREVISTA COM O SUPERIOR GERAL DA FRATERNIDADE SACERDOTAL SÃO PIO X ACERCA DA PUBLICAÇÃO DE MATER POPULI FIDELIS

“A negação do título de “corredentora” equivale a depor a Santíssima Virgem de seu reinado, e isso fere a alma católica no que lhe é mais caro.”

Fonte: FSSPX

FSSPX.News: Reverendo Padre Superior Geral, um documento do Dicastério para a Doutrina da Fé, restringindo o uso de certos títulos tradicionalmente atribuídos à Santíssima Virgem, foi publicado no dia 4 de novembro com o título Mater populi fidelis. Qual foi sua primeira reação a ela?

Don Davide Pagliarani: Confesso ter ficado em choque. Se, por um lado, o Papa Leão XIV já manifestara desejo de continuidade com seu antecessor, por outro lado eu não esperava um documento de um dicastério romano restringindo o uso de títulos, tão ricos de significado, que a Igreja tradicionalmente atribui à Virgem. Minha primeira reação foi celebrar uma Missa de reparação contra esse novo ataque à Tradição e, mais ainda, contra a Santíssima Virgem.

De fato, não é apenas o uso dos termos de “Corredentora” e “Medianeira de todas as graças” que foi posto em dúvida; é o significado tradicional desses títulos que foi deturpado. Isso é muito mais grave, porque a negação dessas verdades equivale a depor a Santíssima Virgem de seu reinado, o que fere a alma católica no que lhe é mais caro. Com efeito, a Santíssima Virgem representa, junto com a Santíssima Eucaristia, os dons mais preciosos que Nosso Senhor nos deu.

O que mais o chocou?

Primeiramente, o fato de considerar o uso de “Corredentora” como “sempre inoportuno”; o que, na prática, equivale a proibi-lo. A razão que nos é dada é a seguinte: “Quando uma expressão requer muitas e constantes explicações, para evitar que se desvie de um significado correto, não presta um bom serviço à fé do Povo de Deus e torna-se inconveniente1”. Continuar lendo

COMUNICADO DA CASA GERAL DA FSSPX SOBRE A “NOTA DOUTRINAL SOBRE ALGUNS TÍTULOS MARIANOS REFERIDOS À COOPERAÇÃO DE MARIA NA OBRA DA SALVAÇÃO”

No último dia 4 de novembro, o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou uma “Nota doutrinal sobre alguns títulos marianos referidos à cooperação de Maria na obra da Salvação”.

Fonte: FSSPX

Esse texto, aparentemente preocupado em não “obscurecer a única mediação salvífica de Cristo”, ensina que “o uso do título de ‘Corredentora’ para definir a cooperação de Maria é sempre inoportuno” e que “requer-se uma especial prudência na aplicação do título ‘Medianeira’ a Maria”.

Caricaturando — para melhor se distanciar dela — a terminologia tradicional da Igreja e, por outro lado, sendo prolixo em belas considerações sobre o papel materno da Virgem, essa “Nota” pretende minimizar a missão confiada por Deus à sua Associada na obra da Redenção e da salvação das almas: de um lado, afirma-se que a Santíssima Virgem Maria não interveio na aquisição da graça; de outro, atenua-se quase até a negação o seu papel universal e necessário na distribuição das graças. Já não se lhe reconhece senão um vago papel de intercessão materna. Continuar lendo

ESPECIAIS DO BLOG: MARIA MEDIANEIRA E CORREDENTORA

O que significa dizer que Maria é “corredentora” e “medianeira de todas as  graças”?

Diante dos horrores pronunciados pela igreja conciliar sobre Maria como Medianeira e Corredentora, seguem abaixo alguns artigos sobre esse assunto, de acordo com a verdadeira Doutrina:

MARIA MEDIANEIRA, CORREDENTORA E DISPENSADORA DE TODAS AS GRAÇAS – PARTE 1/2

MARIA MEDIANEIRA, CORREDENTORA E DISPENSADORA DE TODAS AS GRAÇAS – PARTE 2/2

A CORREDENTORA – PELO PE. ÁLVARO CALDERÓN, FSSPX

POR QUE NEGAM A CORREDENÇÃO DE MARIA? A BATALHA DOUTRINAL DO ECUMENISMO – CONFERÊNCIAS DO PE. RUBIO, FSSPX

COMUNICADO DA CASA GERAL DA FSSPX SOBRE A “NOTA DOUTRINAL SOBRE ALGUNS TÍTULOS MARIANOS REFERIDOS À COOPERAÇÃO DE MARIA NA OBRA DA SALVAÇÃO”

ENTREVISTA COM O SUPERIOR GERAL DA FRATERNIDADE SACERDOTAL SÃO PIO X ACERCA DA PUBLICAÇÃO DE MATER POPULI FIDELIS

A MEDIAÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM

MARIA CORREDENTORA DO GÊNERO HUMANO E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS – PELO PE. JOSÉ MARIA, FSSPX

ORAÇÃO DE REPARAÇÃO À BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA, IMACULADA, MÃE DE DEUS, MEDIANEIRA E CORREDENTORA

01 DE OUTUBR0 – NOSSA SENHORA MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS

NOSSA SENHORA: MEDIANEIRA JUNTO AO MEDIADOR

MARIA SANTÍSSIMA É A MEDIANEIRA DOS PECADORES PARA COM DEUS

CENTENÁRIO DA MISSA DE MARIA MEDIANEIRA

VÍDEO/CURSO 4: OS DOCUMENTOS DO CONCÍLIO VATICANO II – PARTE 1- POR D. ESTEVÃO FERREIRA DA COSTA

Quarta aula do Curso sobre a crise na Igreja – D. Estevão fala sobre os textos do Concílio, seus erros, e como contradizem a doutrina de sempre da Igreja..

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CAIRÁ A MALDIÇÃO DE D. ÁLVARO SOBRE LEÃO XIV?

Fonte: InfoVaticana

MAIS SOBRE O OPUS DEI, CLIQUE AQUIAQUIAQUI E AQUI

Entre os pedaços singulares da espiritualidade interna do Opus Dei, há uma frase que não procede de “são” Josemaria, mas de seu primeiro sucessor, Álvaro del Portillo. E não se encontra em homilia alguma, nem em texto de governo, mas em uma carta privada de 30 de junho de 1975, apenas quatro dias após a morte do fundador.

Nessa carta, que era o testamento de fidelidade para os membros da Obra, del Portillo escreveu uma súplica que com o tempo se tornaria célebre, e que Opuslibros [1] relembrou num artigo recente, escrito por Darian Veltross:

“E rogo também que se, no decorrer dos séculos, alguém – não ocorrerá, estamos certos – quiser perversamente corromper esse espírito que nosso Padre nos legou, ou desviar a Obra… que o Senhor o confunda e lhe impeça cometer esse crime, causar esse dano à Igreja e às almas.” Continuar lendo

UMA PANDEMIA DE DESESPERO

Eles não estão brincando, os evangélicos estão de fato partindo para o momento em que a teologia do domínio tentará chegar ao poder político' (João Cezar de Castro Rocha)

Por Dardo Juán Calderón

Fonte: Adelante la Fe

Perante a – em princípio inexplicável e aparentemente surpreendente – condescendência na proliferação de condutas pervertidas em ambientes religiosos, surpreendentemente especial na Igreja Católica, devemos lembrar que uma geração marcada pela falta de compromisso pessoal, pela falta de amor, iria afetar a Igreja desde um mundo corrompido (ao qual o Concílio Vaticano II dá boas vindas e compreensão), degenerando em uma tempestade de sentimentos impuros, que já reinavam gordos nas nações e que hoje mostram, no clero católico, a ponta de um iceberg que vinha congelando há muito tempo.

Os agnósticos estudiosos dos fenômenos sociais já o viam nesse mundo tão louvado pelos padres conciliares, e a definição de desespero, de falta de esperança, era a chave que encontravam. “Se ao menos pudesse sentir algo!”, é a fórmula de Lipovetsky para expressar o que chama de “novo desespero”. E segue desvelando tal desespero como “um mal-estar difuso que tudo invade, um sentimento de vazio interior e de absurdidade da vida”. Agrega Christopher Lasch: “os indivíduos aspiram cada vez mais a um desapego emocional, em razão dos riscos de instabilidade que sofrem, atualmente, as relações pessoais”, o que define como “a fuga ante o sentimento”. Não escapa a esses autores nenhum dos fenômenos que essa personalidade traz consigo, acentuando o lugar que o “sexo” ocupa nesse homem desesperado. “A liberação sexual, o feminismo e a pornografia, apontam ao mesmo fim: levantar barreiras contra as emoções e deixar de lado as intensidades afetivas”: é a aparição do cool sex, das relações livres, a condenação dos ciúmes e da possessividade, “trata-se de fato de esfriar o sexo”, “não somente para proteger-se das decepções, mas também para proteger-se dos próprios impulsos que ameaçam o equilíbrio interior”. O homossexualismo é a realização total desse desprendimento de compromisso afetivo, é em si mesma e conaturalmente uma relação sem futuro possível e até com um enorme dose de desilusão (ou melhor, repugnância) imediata ao ato de prazer, que apenas uma grande intervenção artificial das ciências (medicina, direito positivo, publicidade) consegue ocultar de seu decurso desagradável. “Uma temporada no inferno”, descreverá Rimbaud e “De profundis”, Oscar Wilde. Verlaine sangrará poemas de arrependimento no limite do desespero. Entendemos que como em Judas, possa, para aprofundar a tragédia, coexistir um fio de Fé com o desespero, mas a única explicação para que homens da Igreja amparem – e, por isso, promovam – tal abismo de amargura existencial é produto de eles mesmos sofrerem a mesma deformação por perda das virtudes teologais. E o que expressam é autocompaixão. Continuar lendo

VÍDEO/CURSO 2: NOVO ESPÍRITO DO PAPADO – POR D. LOURENÇO FLEICHMAN

Segunda aula do Curso sobre a crise na Igreja – Com João XXIII um novo espírito aparece nos papas – O papel de cada papa do concílio na obra de destruição da Tradição católica.

Para acessá-la, CLIQUE AQUI.

“NÓS O INCITAREMOS AO CISMA!”

Tal como a Revolução, o pós-Concílio redefine o bom cidadão da Igreja.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Em um testemunho publicado em 2009, pouco antes da sua morte, D. Jacques Masson(1) (1937–2010) relatou que o seu bispo, D. Jacques Ménager, furioso com a sua colaboração à obra de D. Lefebvre, exclamou durante uma entrevista acalorada com ele em 1971: “D. Lefebvre é um integrista, fez de tudo para sabotar o Concílio. Diz que é fiel ao Papa, mas desobedece a Paulo VI: recusa-se a celebrar a missa nova. Pois bem! Veremos até onde irá a sua fidelidade ao Papa: faremos com que o Papa Paulo VI proíba a Missa de São Pio V: ou ele obedecerá ao Papa celebrando a missa nova, ou nós o incitaremos ao cisma(2)!

D. Ménager foi bispo auxiliar de Versalhes, bispo de Meaux, depois arcebispo de Reims, presidente da Comissão Francesa “Justiça e Paz” (!) do episcopado francês quando esta foi criada em 1967.

O episódio tem o mérito de mostrar que quanto mais se prega a abertura e o diálogo, mais se abrem as hostilidades. Continuar lendo

OS TRADICIONALISTAS SÃO JANSENISTAS: UMA ACUSAÇÃO ERRÔNEA – PARTE 2/2

A primeira parte desta série de artigos (clique aqui para lê-la) lançou um olhar crítico sobre certas distorções do catolicismo tradicional encontradas no polêmico artigo de Josh Blanchard e Rick Yoder, “A Rival Magisterium“. Especificamente, argumentau-se que acusar os tradicionalistas de serem “jansenistas“, embora seja um tropo de longa data, carece de mérito. Este artigo aborda a acusação mais séria feita por Blanchard e Yoder, a saber, que, assim como os jansenistas de antigamente, os católicos tradicionalistas construíram seu próprio magistério paralelo — ou melhor, rival — desafiando a autoridade do magistério da Igreja.

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

Uma distinção necessária

Embora haja divergências entre alguns católicos tradicionalistas quanto ao status exato do Concílio Vaticano II e à ortodoxia doutrinária de diversos documentos de ensino que emanaram da Igreja nas últimas seis décadas, a Fraternidade São Pio X (FSSPX) tem consistentemente chamado a atenção para os pontos em que esses pronunciamentos se desviam do depósito da fé. A liberdade religiosa, a colegialidade e o ecumenismo – todos os ensinamentos do Concílio Vaticano II — foram cuidadosamente examinados pela Fraternidade e por outros tradicionalistas. Essa postura crítica, que sempre foi adotada em defesa da fé católica, não equivale à construção de um magistério rival dentro da Igreja. Ela é feita a serviço da Igreja, para lembrar aos fiéis o que ela professava claramente antes do advento do modernismo.

Não é de surpreender, portanto, que Blanchard e Yoder dediquem uma parte significativa de sua atenção à Fraternidade, incluindo seu fundador, D. Marcel Lefebvre. Recordando a famosa “Declaração de 1974” do Arcebispo, a dupla aparentemente enxerga um espírito jansenista nessa declaração — antes de confessar que essa proclamação de fidelidade à Tradição Católica, na verdade, nada tem a ver com o jansenismo propriamente dito.  Continuar lendo

OS TRADICIONALISTAS SÃO JANSENISTAS: UMA ACUSAÇÃO ERRÔNEA – PARTE 1/2

Acusar católicos tradicionalistas de serem “jansenistas” é um tropo desgastado que persiste há décadas. Essa acusação mal formulada geralmente não tem nada a ver com os enigmáticos debates sobre graça e predestinação que definiram o jansenismo histórico do século XVII. Em vez disso, o “jansenismo” é usado como sinônimo pejorativo de rigorismo estéril, frieza espiritual e desobediência eclesiástica. Embora avanços significativos tenham sido feitos nos últimos anos para esclarecer a real história do jansenismo e dos movimentos adjacentes que ele inspirou, é irônico que dois acadêmicos que tem procurado atualizar a compreensão pública sobre o jansenismo tenham voltado a comparar os tradicionalistas católicos a esse movimento condenado pelo Papa.

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

Dois jovens acadêmicos renovam uma antiga acusação

Em um artigo que é, ao mesmo tempo, informativo e frustrante, “A Rival Magisterium” (Commonweal), os estudiosos jansenistas Shaun Blanchard e Richard T. Yoder se propuseram a explicar  “o que os tradicionalistas de hoje têm em comum com os jansenistas”. Blanchard, por sua vez, é o autor de The Synod of Pistoia and Vatican II: Jansenism and the Struggle for Catholic Reform – Jansenismo e a luta pela reforma católica (Oxford University Press 2020). Pistoia, que foi um sínodo diocesano italiano de 1786, foi condenado pelo Papa Pio VI em 1794 por emitir uma série de decretos que, entre outras coisas, buscavam introduzir o vernáculo na liturgia, limitar o calendário de santos e abolir todas as ordens monásticas, exceto as que seguiam a Regra de São Bento. Blanchard argumenta que Pistoia não foi apenas um precursor do Concílio Vaticano II, mas uma espécie de “ponto culminante” da incorporação de certas reformas jansenistas na vida da Igreja.

Yoder, juntamente com Blanchard, também foi curador de Jansenism: An International Anthology (Catholic University of America Press, 2024). Essa coletânea de textos jansenistas (ou relacionados ao jansenismo) abrange cerca de 150 anos de história da Igreja, abrangendo geograficamente desde o Vallée de Chevreuse, a sudoeste de Paris, na França, até Beirute, no Líbano. Ele também contém uma extensa introdução sobre a história do jansenismo feita pela dupla, que é amplamente repetida de forma condensada em sua polêmica contra o catolicismo tradicional. Embora não seja possível recapitular essa história aqui, é suficiente dizer que Blanchard e Yoder prestaram um serviço à erudição histórica ao traçar o jansenismo (nomeado assim em homenagem ao bispo Cornelius Jansen – um bispo e teólogo cujo controverso Tomo sobre o pensamento de Santo Agostinho ajudou a engendrar o movimento) de uma disputa sobre graça e predestinação a uma série de disparates, mas conectados, que questionaram o alcance da autoridade papal; a natureza do governo da Igreja; a estrutura e o serviço da liturgia; práticas devocionais populares; e certas vertentes da teologia moral e da práxis. Por fim, sua obra se soma ao pequeno, mas crescente, corpus da literatura anglófona que vê certas vertentes do jansenismo prenunciando a Nouvelle Théologie do século XX e as reformas do Vaticano II. Continuar lendo

ESPECIAIS DO BLOG: A MISSA NOVA

La nouvelle messe • LPL

Em mais uma “Operação Memória” de nosso blog, colocamos abaixo alguns textos/vídeos/estudos que publicamos sobre a missa nova:

O “SUBSISTIT IN” E A NOVA CONCEPÇÃO DE IGREJA

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

“A questão da Igreja e de sua constituição, as novas abordagens e perspectivas que o Concílio Vaticano II traz sobre a Igreja estão no centro de um debate teológico que nos leva a questionar a ortodoxia de vários de seus textos. Não se pode deixar de estudá-los se se quer compreender as questões de um debate cinquentenário, que não deve se perder nas falsas pistas de uma correta ou má recepção dos textos, que, na verdade, estariam em conformidade com a doutrina da Igreja Católica, de uma correta ou má interpretação ou hermenêutica desses mesmos textos, moldadas conforme as intenções de ruptura, que iriam além daquelas do magistério conciliar. O pressuposto de que os textos são necessariamente isentos de erros esterilizaria qualquer exame teológico sério.”

Assim, a novidade que a expressão “subsistit in” – que associa a Igreja de Cristo subsistindo na Igreja Católica – constitui para todos pode ser qualificada como estratégica. Ela é estratégica do ponto de vista do novo ecumenismo implementado e propagado pelos Papas conciliares e pós-conciliares.

Recordemos que o ecumenismo moderno busca em todas as religiões cristãs o menor denominador comum, a fim de recuperar a unidade perdida. Isso sempre foi condenado, até 1949, por Pio XII [1]. O ecumenismo, no sentido católico, busca renegar as comunidades cristãs dissidentes para integrar a única Igreja de Cristo, que é a Igreja Católica, única arca e fonte de salvação. Quanto ao diálogo inter-religioso, nascido do movimento e extensão do ecumenismo moderno, busca, por meio do debate aberto entre representantes de religiões não cristãs, promover a paz e o intercâmbio sobre os valores éticos, excluindo qualquer proselitismo [2]. Continuar lendo

MUNDO, MUNDO…

Gustavo Corção – Conservador ardente | Pro Roma Mariana

Gustavo Corção

Entre os belos Cantos Eucarísticos do grande poeta místico que foi Santo Tomás de Aquino, vêm-nos à memória estes versos.

Solum expertus potest scire

quid sit Jesum diligere

Traduzimos, sem sabermos traduzir o sabor original: “Somente aqueles que o experimentaram podem saber o que seja o amor de Jesus”. Ou, “somente os que por experiência sabem…”.

Todos os mestres místicos ensinaram que a contemplação infusa é uma “quase experiência de Deus”. Por que “quase”? Este termo parece restritivo, e portanto impróprio para definir a mais alta de todas as aventuras da alma humana, a subida do Carmelo ou do Calvário, nas pegadas de um Deus que por nós se deixou crucificar. É por isso mesmo, aliás, que nunca poderemos encontrar termos próprios para exprimir a sobrenatural aventura. A linguagem dos místicos é inevitavelmente hiperbólica, antitética e metafórica; e é aqui, mais do que na poesia, que se aplica o que disse Rimbaud: que tentava dizer o indizível.

No caso em questão, Santo Tomás ousa empregar o termo “experimentar” quando canta, mas seus discípulos, quando tentam explicar o canto de maior linguagem especulativa, recuam diante do termo que traz sobre si uma pesada carga de conotações empíricas e carnais. E até ensinam que na subida do Caminho da perfeição o desejo de experiências sensíveis, sejam elas embora feitas do mais piedoso afeto, constituem pedras de tropeço, e até às vezes atrasos e retrocessos, porque nelas a alma se demora e se compraz no sabor e nas consolações de tal afeto. Ora, não foi este o exemplo que Jesus nos deixou na subida do Calvário. A subida mística só se fará se deixarmos para trás o lastro de terra e de carne, e se, corajosamente, aceitarmos a purificação da noite dos sentidos. Daí se explica a reserva dos mestres quando falam mais na pauta especulativa do que naquela da “experiência” ou “superexperiência” vivida na união com Deus.

* * *

Mas agora, caído em mim de tais alturas que tanto desejara ter alcançado, e das quais só ouso falar com ciência de empréstimo e de desejo, imagino o leitor a interpelar-me: — A que vêm todas essas considerações em torno da experiência mística, e dos cantos eucarísticos de Santo Tomás, quando falávamos da agonia da Espanha, e esperávamos comentários das efervescências nacionais em torno da denúncia em boa hora levantada por Dom Sigaud sobre a infiltração comunista na CNBB? Continuar lendo

SÉRIE “CRISE NA IGREJA” – EPISÓDIO 10: INFILTRAÇÃO MODERNISTA – OS PRIMÓRDIOS

Neste episódio, temos a presença do Pe. Paul-Isaac Franks, professor no St. Mary’s College, para iniciar nosso estudo sobre o modernismo, analisando os antecedentes desse erro. Primeiro, veremos como ele surgiu na teologia protestante, depois, como o Modernismo tentou dar uma interpretação inteiramente nova das Escrituras e da Divindade de Nosso Senhor e, finalmente, como esses erros se espalharam nas mentes de alguns teólogos católicos no final do século XIX. No final, veremos como esses teólogos teriam sido extremamente influentes nas mentes dos clérigos ao longo do século XX e além.

DESCONTINUIDADE: A DESVIRILIZAÇÃO DA LITURGIA E DO SACERDÓCIO NO NOVUS ORDO MISSAE

Resumo de um excelente artigo do Padre Richard G. Cipolla sobre a “desvirilização” da liturgia do Novus Ordo.

Fonte: Chiesa e Post Concilio – Tradução: Dominus Est

Aquilo a que o cardeal estava se referindo está no cerne da forma Novus Ordo da Missa Romana e nos profundos e inerente problemas que afligem a Igreja desde a imposição do Novus Ordo Missae em 1970. Pode-se ser tentado a cristalizar o que o Cardeal Heenan vivenciou como a feminização da liturgia. Mas esse termo seria inadequado e, em última análise, enganoso, visto que há um aspecto mariano autêntico na liturgia que é, indubitavelmente, feminino. A liturgia carrega a Palavra de Deus; oferece o Corpo da Palavra à Adoração e o dá como Alimento. Uma terminologia melhor poderia ser que, no rito da Missa Novus Ordo, a Liturgia foi efeminizada

[…] Quando se fala da feminização da liturgia, corre-se o risco de ser mal interpretado, como se se estivesse desvalorizando o significado de ser mulher e da própria feminilidade. Sem adotar a perspectiva um tanto machista de César sobre os efeitos da cultura sobre os soldados, pode-se certamente falar de uma desvirilização do soldado que absorve sua força e sua determinação para fazer o que deve. Isso não é uma rejeição do feminino: em vez disso, descreve o enfraquecimento do que significa ser um homem.

Este termo desvirilização é o que quero usar para descrever o que o Cardeal Heenan testemunhou naquele dia de 1967, durante a celebração da primeira Missa experimental. Continuar lendo

DECADÊNCIA E CRISE DO SACERDÓCIO NA ATUAL CRISE DA IGREJA, PELO PE. CORNÉLIO FABRO

CAPÍTULO V DO LIVRO L’AVVENTURA DELLA TEOLOGIA PROGRESSISTA

Padre Cornélio Fabro

Milão, 1974

Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo Gederson Falcometa

Aquilo que na presente situação, segundo May, sobretudo é deprimente, são os erros de professores, não tanto a fraqueza e a vileza dos Bispos: aquilo que é mais deprimente no cuidado das almas é a fraude e a pena que foi dada ao bravo povo alemão. A nenhum observador diligente da Igreja Católica escapou nos últimos anos que a Igreja na Alemanha percorre um caminho suicida no que diz respeito ao cuidado das almas. Basta dar uma olhada na situação.

Atitude de monopolização da teologia progressista

É preciso partir de um fenômeno que é decisivo e ao mesmo tempo surpreendente para os católicos, a saber a determinante, ou melhor, dominante posição da teologia Igreja aggiornata. Essa parece ter se transformado de uma Igreja de Bispos em uma Igreja de professores. Devo em verdade me corrigir: dominante não é simplesmente a teologia, mas uma determinada forma de teologia que se chama com a modéstia, que lhe é própria, teologia do progresso, que eu porém indico como progressista. Muito menos esta teologia é uma unidade, e contudo, mostra em um certo campo características comuns  [1].

Evidentemente esta teologia progressista não tem nada a ver com o verdadeiro progresso, que se chama aproximação da perfeição – e é isto em verdade o verdadeiro progresso -, ao qual o Senhor da Igreja nos convida. O progresso autêntico afirma os valores presentes e busca desenvolvê-los, não os destrói. Ao invés disso, o progressismo contém um programa de total insegurança. Aquilo que esse afirma ser progresso é na verdade regresso, a saber desagregação de valores, esvaziamento de conteúdos, destruição de formas: em resumo, uma demolição, uma liquidação de que uma vez um professor de teologia dogmática me disse: «A liquidação se pode fazer apenas uma vez!». As oposições na Igreja não são de fato entre conservadores e progressistas. Não se trata de fato de uma diversa impostação da mesma herança católica que por ninguém é negada, mas se trata de fidelidade aos valores católicos ou de sua traição. Alguns meses atrás o episcopado alemão, como é notável, organizou uma consulta aos sacerdotes. Entre as muitas respostas existiu uma que sem dúvida é extremamente significativa: 68% dos sacerdotes se lamentou da confusão em que foi precipitada a teologia. Seja os sacerdotes seja o povo católico todos estavam habituados até poucos anos atrás (a esperar) que os teólogos que ensinam por encargo da Igreja anunciassem também a sua doutrina. Mas a situação, já faz alguns anos, mudou. Hoje não é raro o fato mirabolante que os anunciadores da fé, autorizados pela Igreja, ensinem em contraste com a doutrina da Igreja. Eu não exagero se digo que a guia da Igreja passou de fato em larga escala de pastores relevantes e responsáveis a teológos progressistas irresponsáveis. Continuar lendo

TESTEMUNHOS INSUSPEITOS DE PROTESTANTES SOBRE A MISSA NOVA

Pastores protestantes Georges, Jasper, Sephard, Konneth, Smith, e Thurian com o Papa Paulo VI.

É notório que, nos trabalhos de preparação do novo “Ordo Missae”, seis pastores protestantes, especialmente convidados, estiveram presentes. Este fato explica a tendência do novo “Ordo” de conciliar o ponto de vista protestante com o católico nos assuntos relativos à ceia dos protestantes e à Missa da Santa Igreja. Esta tendência teve como resultado um “Ordo Missae” que, segundo declarações de próceres protestantes, pode ser empregado também na liturgia de suas “ceias do Senhor”.

Declarações de protestantes:

a) Max Thurian, da Comunidade protestante de Taizé: “Um dos frutos do novo “Ordo” será talvez que as comunidades não católicas poderão celebrar a santa ceia com as mesmas orações da Igreja católica. Teologicamente é possível” (“La Croix”, 305-69).

b) “O movimento litúrgico de âmbito universal que tem lugar atualmente na Igreja Romana constitui um esforço tardio no sentido de promover uma participação ativa e inteligente do laicato na Missa de modo que os fiéis possam julgar-se “concelebrantes” com o sacerdote” (Luther D. Reed, The lutheran liturgy, p. 234). Continuar lendo

ESPECIAIS DO BLOG: OBEDIÊNCIA E DESOBEDIÊNCIA

Nessa coletânea, Mons. Lefebvre e padres da FSSPX desmascaram o golpe de mestre que a inteligência perversa do demônio inventou para prejudicar a Igreja pós-Vaticano II: levar à desobediência por meio da obediência.

Por outro lado, repetimos com São Pedro: “Devemos obedecer a Deus e não aos homens” (Atos dos Apóstolos), ou com São Bernardo: “Aquele que pela obediência se submete ao mal está aderido à rebelião contra Deus e não à submissão devida a Ele“.

LEÃO XIV INAUGURA A MISSA BERGOLIANA PELO CUIDADO DA CRIAÇÃO

Léon XIV inaugure la messe bergoglienne pour la sauvegarde de la création

No dia 09 de julho, nos jardins de Castel Gandolfo, o Papa Leão XIV celebrou a nova “Missa pelo cuidado da Criação”. Em um espírito muito bergogliano, ele adotou a doutrina de Francisco de “conversão ecológica”.

Fonte: Medias Presse Info – Tradução: Dominus Est

Usando simbolicamente a cruz peitoral de Francisco, Leão XIV celebrou a Missa Bergogliana “pelo cuidado da criação”

Usando simbolicamente a cruz peitoral de Francisco, seu sucessor Leão XIV celebrou a missa Bergogliana “pelo cuidado da criação” nos jardins dedicados ao centro “Burgo Laudato Si”, na residência de verão papal, o Castel Gandolfo, “uma catedral natural“.

Preparada por Francisco, esta nova missa votiva do Novus Ordo, que Leão aprovou há algumas semanas, é diretamente inspirada na encíclica neopagã bergogliana Laudato Si ‘.

O sermão do novo pontífice nessa primeira celebração foi igualmente de inspiração bergogliana. Diante de uma pequena plateia de prelados e religiosos, incluindo o Arcebispo Vittorio Viola, Secretário da Congregação para o Culto Divino, e o Arcebispo John Joseph Kennedy, chefe da seção disciplinar do Dicastério para a Doutrina da Fé, Leão XIV mais uma vez elogiou seu predecessorvaticavatica Continuar lendo

TRECHO DO FANTÁSTICO SERMÃO DE MONS. MARCEL LEFEBVRE EM LILLE (1976)

“Pois se, ao invés do que fiz naquele tempo eu tivesse formado meus seminaristas assim como eles são formados hoje em dia nos seminários atuais eu que seria excomungado.

Se tivesse ensinado o catecismo assim como ele está sendo ensinado hoje nas escolas, eu é que seria chamado de herege.

Se eu tivesse celebrado a Santa Missa do modo que ela é celebrada hoje, eu é que seria considerado suspeito de heresia e fora do âmbito da Igreja.

Isto que acontece está além da minha compreensão.

Isto significa que alguma coisa mudou dentro da Igreja.

Na hora de minha morte, quando Nosso Senhor me perguntar: “O que fizeste com seu episcopado? ” O que fizeste dom sua graça episcopal e sacerdotal? Eu não quero ouvir de seus lábios as terríveis palavras: “Ajudastes a destruir a Igreja assim como os demais”.”

PALAVRAS DE MONS. LEFEBVRE AO CARDEAL RATZINGER: OS SRS. TRABALHAM EM PROL DA DESCRISTIANIZAÇÃO DA SOCIEDADE, DA PESSOA HUMANA E DA IGREJA, E NÓS TRABALHAMOS PARA A CRISTIANIZAÇÃO.

Resumi ao Cardeal Ratzinger em poucas palavras, porque digamos que é difícil resumir toda esta situação, mas eu lhe disse: “Eminência, mesmo que nos conceda um Bispo, mesmo que nos conceda certa autonomia em relação aos Bispos, mesmo se nos outorgue toda a liturgia de 1962, nos conceda continuar a obra dos seminários da Fraternidade tal como o fazemos atualmente, nós não podemos colaborar. É impossível, é impossível, porque nós trabalhamos em duas direções diametralmente opostas: os Srs. trabalham em prol da descristianização da sociedade, da pessoa humana e da Igreja, e nós trabalhamos para a cristianização. Não podemos, portanto, nos entender.

Então eu lhe disse: “Para nós, Cristo é tudo; Nosso Senhor Jesus Cristo é tudo, é a nossa vida. A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, é Sua noiva mística. O padre é outro Cristo; sua Missa é o sacrifício de Jesus Cristo e o triunfo de Jesus Cristo pela cruz. Nosso seminário: ali onde aprendemos a amar a Cristo e somos totalmente propensos ao Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nosso apostolado é pelo reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eis o que somos. E os Srs. fazeim o oposto. O Sr. acabou de me dizer que a sociedade não deve ser cristã, não pode ser cristã, que é contra sua natureza!  Acabou de me provar que Nosso Senhor Jesus Cristo não pode e não deve reinar nas sociedades! Quer provar que a consciência humana é livre em relação a Nosso Senhor Jesus Cristo! – ‘É preciso dar-lhes liberdade e um espaço social autônomo’, como disse. É a descristianização. Pois bem, nós somos pela cristianização” .

Eis então porque não podemos nos entender. E isso, garanto aos senhores, isso é o resumo. Não podemos seguir essas pessoas.

Conferência de Mons. Lefebvre durante o Retiro dos Sacerdotes da FSSPX, 1987

Trecho retirado da Revista Sal de la Terre, nº 87

30/06/25 – 37 ANOS DAS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS EM ÉCÔNE

Preferimos continuar na Tradição, esperando que essa Tradição reencontre seu lugar em Roma, esperando que ela reassuma seu lugar entre as autoridades romanas, em suas mentes” — Mons. Marcel Lefebvre

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Introdução de Michael J. Matt (editor de Remnant) – Tradução Dominus Est

Em 1976, quando eu tinha dez anos, fui crismado pelo Arcebispo Marcel Lefebvre. Lembro-me de um homem bondoso e santo, de fala suave e verdadeiramente humilde. Mesmo ainda sendo crianças, meus irmãos e eu entendemos que ali estava um verdadeiro soldado de Cristo, que assumira uma posição corajosa e solitária em defesa da sagrada Tradição, em um momento em que não havia nada mais “hip” do que novidade e inovação. Nosso pai estava junto a ele, e esses homens eram “traddies” muito bem antes de “traddy” ser algo legal.

Lembrem-se que o mundo inteiro estava passando por um revolução na época — sexual, política, litúrgica, cultural — e “não havia nada mais antiquado do que o passado“. A resistência solitária dos primeiros tradicionalistas pôde, então, ser comparada a algo tão absurdo (aos olhos do mundo na época) como um homem na lama em Woodstock que insistisse para que os hippies colocassem suas roupas de volta e parassem de tomar ácido e fumar maconha. Ninguém se importava. Eram zombados, riam deles e, por fim, mandados que saíssem da Igreja.

Os tempos estavam realmente ‘mudando’, e com poucas exceções, o elemento humano da Igreja de Cristo acompanhou a loucura — com efeito, poder-se-ia dizer, liderando o caminho.

Quando nos lembramos do motivo desses homens terem resistido à loucura dos anos 60, lembremo-nos de que eles não foram motivados principalmente pela ideia de salvaguardar suas próprias circunstâncias. O Arcebispo Lefebvre, por exemplo, estava aposentado antes que o mundo descobrisse quem ele era. Ele foi persuadido a sair de sua aposentadoria por seminaristas que, de repente, viram-se cercados por lobos em pele de cordeito, nos próprios seminários. Os modernistas estavam, literalmente, em toda parte. Continuar lendo

PIO XII CONTRA O AMERICANISMO

Fonte: Sì Sì No No, Ano LI, n. 9 – Tradução: Dominus Est

O catolicismo entre o liberalismo e o socialismo

Pio XII[1], ao contrário de Russel Kirk (†1994), Edmund Burke (1797) e os neoconservadores atuais, compreendeu muito bem a oposição irreconciliável entre o espírito liberal/americanista (não uma questão de raça, mas de ideias) e o catolicismo; entre o comunismo (trotskista ou stalinista, essencialmente iguais, acidentalmente diferentes) e o cristianismo.

A excomunhão do comunismo ateu e materialista

De fato, depois de ter excomungado o comunismo apóstata, por ser ateu e materialista, em 1949, e de ter se pronunciado abertamente contra o perigo de uma junta social/comunista em Roma, em 1952, ele expulsou Alcide De Gasperi da Sé por não querer se aliar (tal como De Gasperi havia pedido) à direita contra a esquerda e por ter denunciado Giovanni Guareschi. Por fim, ele também expulsou Monsenhor Montini de Roma por estar muito próximo da mentalidade secularista e democrata-cristã de De Gasperi. Continuar lendo