DISSOLUÇÃO SOCIAL, DISSOLUÇÃO RELIGIOSA

Ordo

As atuais restrições sanitárias estão dissolvendo a sociedade e o atual governo do Papa tende a dissolver a Igreja.

Fonte: Editorial da Revista Fideliter n ° 259 – Tradução: Dominus Est

As restrições sanitárias decretadas pelos governantes impuseram à população, voluntariamente ou não, uma dissolução social. As crianças, agora obrigadas a estudar sem ir à escola e seus pais obrigados a concentrarem-se no computador, tiveram que encontrar, sob o mesmo teto, o melhor modo de viver para não interferirem uns aos outros. Todos tiveram que encontrar, ao mesmo tempo e no mesmo lugar, os meios para exercerem suas ocupações completamente díspares umas das outras. O recolhimento em si mesmo tornou-se uma necessidade e o destino de todos. Eis o paradoxo: isolamento universal. Quem pode deixar de ver o terrível dilema com que somos confrontados – um totalitarismo se ergue face a uma democracia que se desintegra? Os pensadores modernos, consumidos pelo modus operandi binário favorecido pelo computador, resolvem tudo usando um algoritmo, e não saem da velha ambiguidade: a escolha entre a multidão ou a unidade. Alguns querem dar prioridade à unidade, mesmo ao custo de esmagar a multidão, enquanto outros reivindicam o contrário e permitem que a diversidade viva correndo o risco de minar a unidade. Pais de família vivenciam essa ambigüidade todos os dias! Cada um dos seus filhos requer uma atenção especial, com a qual está atento para não prejudicar a unidade de toda a sua família. Este é o princípio de todo chefe honrado: “Como são muitos os homens, cada um seguiria o seu caminho se não houvesse quem cuidasse do bem da multidão.” (Santo Tomás de Aquino) A função do poder é precisamente ordenar uma multidão, ou seja, unificá-la sem destrui-la.

O vício da modernidade consiste em ver uma contradição entre unidade e multidão. A partir daí, a primeira se opõe necessariamente à segunda e a instabilidade se torna endêmica porque essa oposição é antinatural. Em seguida, passamos de um excesso de poder para sua ausência. Manter todos em casa dá ao estado poder quase direto sobre todos. O totalitarismo unitário toma o lugar de uma democracia pluralista decadente.

Infelizmente, esse desvio revolucionário entrou na Igreja. A monarquia divina fundada por Jesus Cristo tende a se tornar uma pluralidade chamada sinodal, em detrimento do poder do Papa. Passamos da unidade para a pluralidade não apenas porque o poder do Vigário de Cristo tende a se dissolver em todos os tipos de assembleias, mas ainda mais porque a Igreja Católica está definhando através do ecumenismo em meio a um conjunto de religiões mais ou menos idólatras. Esta gangrena da Igreja de Jesus Cristo, que a priva da sua unidade fundamental, a transforma na Igreja “conciliar”. A catolicidade se tornou uma vaga universalidade sem regras, onde cada um encontra seu próprio caminho com base em seu sentimento pessoal. Eis a outra forma de isolamento universal que sub-repticiamente conduz a um poder excessivo. Continuar lendo

O ARCO-ÍRIS AMERICANO DESAFIA O VATICANO

A Embaixada dos Estados Unidos junto a Santa Sé decidiu hastear a bandeira do arco-íris durante todo o mês de junho, para celebrar o mês do “Orgulho LGBT”.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Nesses primeiros dias de junho de 2021, os romanos que passam em frente à Via Sallustiana, 49, ficaram confusos: enquanto o céu está azul, sem nenhum vestígio de nuvem ou chuva, um estranho arco-íris surge em uma das varandas de a Embaixada dos Estados Unidos junto à Santa Sé.

No caso da mensagem não ter sido clara, a embaixada comunicou imediatamente nas redes sociais: “Os Estados Unidos respeitam a dignidade e a igualdade das pessoas LGBTQI +. Direitos LGBTQI + são direitos humanos”, podemos ler no Twitter.

A decisão, na verdade, vem do alto escalão do governo Biden: algumas semanas antes, o secretário de Estado Antony Blinken, antecipando o “Dia Internacional contra a Homofobia” marcado para 17 de maio, encorajou os representantes diplomáticos americanos a hastear a “bandeira do orgulho” durante todo mês de junho.

Um mês que, no Ocidente secularizado e moribundo, já não é mais dedicado ao Sagrado Coração, mas ao “orgulho“, ou seja, à promoção da homossexualidade e da ideologia de gênero. Continuar lendo

NÚMERO RECORDE DE EUTANASIAS NA HOLANDA

Quase 7.000 pessoas foram “eutanasiadas” ou cometeram “suicídio legal” na Holanda em 2020. Um aumento acentuado em comparação com a diminuição na vizinha Bélgica.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os comitês regionais de monitoramento da eutanásia, responsáveis ​​por monitorar essas mortes e verificar se os critérios são elegíveis a tal procedimento, registraram 6.938 mortes no ano passado, um aumento de pouco mais de 9% em relação a 2019.

O pico anterior foi de 6.585 mortes em 2017. Os números caíram para 6.126 mortes em 2018. Parece que essa diminuição estava ligada a questões jurídicas envolvendo médicos que realizam a eutanásia na Holanda e na Bélgica.

O diagnóstico de câncer foi o motivo mais comum – 5.000 casos – para solicitar a eutanásia. No entanto, deve-se destacar que em 4 dos casos, as pessoas optaram pela morte em razão do sofrimento causado pela infecção do Covid-19.

O presidente dos comitês de monitoramento, Jeroen Recourt, não se surpreendeu com esta inflação de suicídios assistidos.

Ele observou, infelizmente com exatidão, que “cada vez mais gerações consideram a eutanásia como uma solução para um insuportável sofrimento”. Acrescentou que “a ideia de que a eutanásia é uma opção em caso de sofrimento irreparável dá (às pessoas) muita paz”.

Devemos lembrar que a Holanda permite a eutanásia desde 2002: particularmente quando o sofrimento do paciente é insuportável, não há perspectiva de melhora e o paciente pede para morrer.

Descendo ainda mais na ladeira dos critérios de elegibilidade para morte, o país incluiu “condições mentais e psicossociais” como “perda de função, solidão e perda de autonomia” entre os critérios aceitáveis ​​para a eutanásia.

Em outubro de 2020, o governo anunciou que elaboraria uma legislação para permitir que as crianças se submetessem legalmente ao suicídio assistido por médico com o consentimento dos pais (LEIA AQUI).

O país também está considerando estender seus critérios de eutanásia para pessoas que não têm problemas médicos, mas que estão “cansadas de viver“.

Este desenvolvimento, que manifesta a incapacidade de uma sociedade e seus indivíduos em ajudar as pessoas mergulhadas no sofrimento, é uma demonstração em “escala real” da desumanização inelutável que se segue ao abandono da fé cristã. Este abandono foi particularmente marcado na Holanda, após a terrível desilusão que se seguiu ao Concílio Vaticano II e ao “Concílio Pastoral Holandês”.

Os fiéis, liderados por clérigos que já haviam perdido sua fé, acreditavam que podiam transformar a Igreja. O sonho deles foi destruído e eles abandonaram da fé. Esquema esse que agora ameaça a vizinha Alemanha.

MONS. LEFEBVRE PROFETIZA SOBRE A SOVIETIZAÇÃO DE NOSSA SOCIEDADE

Trecho de um discurso de Mons. Lefebvre em 22 de agosto de 1979, em Shawinigan, Quebec:

“O socialismo está fazendo progressos consideráveis, mas isso com todo o poder da maçonaria presente em toda parte, em toda parte, que está em Roma e em toda parte. A Maçonaria está em toda parte e dirige tudo. Em breve estaremos listados (conectados) com computadores, todos teremos nosso número e não poderemos fazer nada sem que tudo esteja indicado na planilha que teremos, e tudo isso pelo computador. Estaremos em uma situação pior que de um país soviético. Dirão que são países livres, mas não são países livres: não seremos mais livres para fazer nada. Imagine só, é absolutamente inacreditável.

(…)

É chocante, não podemos imaginar para onde estamos indo neste momento, em direção a uma socialização que aparentemente não nos parece tão dura como a do comunismo, mas que, no final, será simplesmente uma imagem do comunismo, mas alcançada por meios científicos ao invés da força como fizeram os comunistas, mas será similar.

Então serão eliminados da sociedade todos aqueles que não quiserem se submeter a esta ordem, a esta ordem socialista. Eles serão eliminados. Sempre haverá uma maneira de eliminá-los. Agora estão eliminando as crianças que incomodam, em breve se eliminarão os idosos. Em breve os idosos passarão por isso também, e então não será difícil dar uma injeção ou fazer qualquer coisa a alguém que está doente, que é um incômodo; os farão desaparecer. Eles os farão desaparecer da sociedade sob o pretexto de que essas pessoas são um incômodo, que não conseguem ser enquadrados nos padrões que foram estabelecidos. Estamos realmente caminhando para uma sociedade terrível, que afirma ser livre e que não terá mais nenhuma liberdade, não terá liberdade alguma”.

ENTENDENDO A INSANIDADE

Fonte: SSPX/District of Great Britain – Tradução: Dominus Est

Insanidade no mundo

Meus queridos fiéis,

Parece haver uma escalada alarmante de conflitos e insanidades em nossa sociedade atual. Um “zeitgeist” (sinal dos tempos) frenético de desequilibradas ideologias está acelerando a queda da Igreja Católica e de toda a civilização ocidental: liberalismo, feminismo, construtivismo, amor livre, ideologia de gênero, direitos reprodutivos, ambientalismo, ideologia pandêmica, teoria crítica racial e outros. 

Estes são promovidos e impostos pelos pilares do poder mundial: governos, acadêmicos, corporações multinacionais, bancos, mídia e celebridades. Nunca antes eles foram tão coordenados e sem oposição em seus esforços. A hierarquia da Igreja Católica, outrora poderosa no cenário mundial como guardiã tanto da verdade como da moralidade, natural e sobrenatural, repete pateticamente sua mensagem em linguagem pseudo-teológica para não ser deixada para trás.

Como tantos podem abraçar a insanidade? De onde vem isso?

Motivos para aceitar a insanidade

Que as novas ideologias do “zeitgeist” são insanas é fácil de ver, pois elas contêm múltiplas contradições internas e têm consequências catastróficas na sociedade quando implementadas (ver Figura 1).

Alguns realmente não se importam se o zeitgeist é um vento favorável ou desagradável, mas cinicamente abraçam múltiplas e insanas ideologias para ganho pessoal – desde que seguir a ideologia do mundo “seja bom para mim”. 

Alguns outros querem apenas prosperar no mundo e, assim, apesar de suas reservas quanto às ideologias, capitulam às suas exigências. Continuar lendo

CHILE: UM PASSO EM DIREÇÃO AO ABISMO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os deputados chilenos aprovaram a primeira leitura de um projeto de lei que legaliza a eutanásia e o suicídio assistido no país. O texto agora deve ser examinado pela alta Câmara. Se os senadores aprovarem o projeto de lei, o decreto de implementação deverá ser publicado pelo Ministério da Saúde no prazo de três meses.

Sobre Santiago, o céu cinzento e pesado parece ter tomado as cores do luto da tarde de 20 de abril de 2021. A Câmara dos Deputados acaba de aprovar por 79 votos a favor, 59 contra e 1 abstenção, um projeto de lei que prevê um marco legal para a eutanásia.

O texto, com 40 artigos, foi submetido ao exame dos deputados no último dia 14 de abril. Ambíguo em seu título – “Morte com dignidade e cuidados paliativos” – o projeto foi votado quatro dias depois por uma câmara situada na “centro-direita” do espectro político.

A fim de fazer os parlamentares engolirem a pílula, pacientes com transtornos mentais foram excluídos do projeto durante os debates. A futura lei será, portanto, aplicável a maiores de 18 anos, portadores “de uma doença incurável, irreversível e progressiva, sem possibilidade de resposta aos tratamentos curativos e com um tempo de vida limitado”. Continuar lendo

TEMPO DE TRIBULAÇÃO, TEMPO DE ESPERANÇA E DE GRAÇA

trib“Porque o estipêndio do pecado é a morte…

Mas a graça de Deus é a vida eterna em Nosso Senhor Jesus Cristo” (Rom. 6, 23)

“Suplicamos-Vos, Senhor, afastai propício a morte e a epidemia, a fim de que nossos corações mortais reconheçam que sofrem os flagelos da vossa ira, e que vós também sois quem faz eles cessarem pela vossa grande misericórdia. Por Jesus Cristo, Senhor nosso” (Rogações no tempo de epidemia).

Caros fiéis e amigos,

As tribulações deste mundo: o preço do pecado.

Um grande pensador católico, Romano Amerio, na sua obra-prima Iota unum, comenta: “O cristão, na sua condição de pecador, não pode medir o preço da reparação que, pelos seus pecados e os do mundo, deverá suportar em dores e penas”.

O autor apenas lembra a doutrina do pecado original, segundo a qual ‘em Adão todos [os homens] pecaram’ (S. Paulo), e que Santo Tomás comenta: “Segundo a fé católica, é preciso afirmar que a morte, assim como todas as deficiências da vida presente, são penas devidas ao pecado original”.

Fatal e triste constatação que não precisa de demonstração, pois é evidente a abundância de males que acompanham a vida do homem nesta terra apenas pelo fato de ser homem.

Ora, a diferença essencial entre o homem que padece os males desta vida, e o cristão, filho de Deus, é que este sofre e padece em união com Cristo. Ele, nosso Salvador, não quer poupar-nos todas as penas temporais, enquanto sim nos tira da pena eterna, o inferno, pelos méritos de sua Paixão e Morte. Assim, o cristão não esquece que a felicidade do homem na terra é feita de esperança, pois o nosso fim é o bem infinito e eterno, não os bens finitos da terra. Enquanto chega a recompensa, devemos suportar como pena do pecado (o pecado original, os pessoais, os do mundo) os males inevitáveis da vida; devemos, mais ainda, aceitá-los por amor e gratidão a Jesus, nosso Redentor, que sendo o Cordeiro sem mancha de pecado, sofreu gratuitamente para salvar-nos. É assim que a oração da Igreja faz sentido e nos reconforta: “Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo, para que, castigado por justos flagelos, respire na vossa misericórdia” (Oração na quinta feira de Cinzas). Continuar lendo

EM UM MUNDO DE MUDANÇAS…

mud

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A Igreja deve ser a casa construída sobre a rocha que permanece firme contra ventos e marés.

É isso que Nosso Senhor recomendou na conclusão de seu Sermão da Montanha (Mt 7, 24). Nosso Senhor queria Pedro como chefe de Sua Igreja (Mt 16,19), indicando assim que ela seria uma monarquia sólida e não uma democracia dominada pelos sobressaltos da colegialidade (esta palavra evoca para mim, inevitavelmente, as confusões de alunos secundários!).

A rocha é a fé expressa no Credo.

A rocha também é a moralidade expressa nos Dez Mandamentos.

Há um escândalo quando, no dia das comunhões solenes, as “profissões de fé” sejam abandonadas à iniciativa individual das crianças que se dirigem ao microfone para dizer no que querem acreditar. Eis os novos Padres da Igreja! Eles mal sabem como dizer a “Ave Maria”, mas são capazes, ao que parece, de integrar todas as religiões na Fraternidade Universal de amanhã.

Há escândalo também quando altos dignitários religiosos e eclesiásticos elogiam o Ramadã, o laicismo, o nirvana budista na imprensa ou na televisão e querem inventar uma ética que ocuparia o lugar – agora vago – da moralidade.

Neste mundo em movimento, estou muito surpreso que as pessoas da Igreja estejam se movendo em vez de permanecer firmes na pedra estabelecida por Jesus Cristo.

São Paulo disse aos Gálatas: Admiro-me de que, assim tão depressa, passeis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro Evangelho. Evidentemente que não há outro (Evangelho diferente que eu vos preguei), mas há alguns que vos perturbam e querem inverter o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie um Evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, seja anátema. Como já vo-lo dissemos, agora de novo o digo: se alguém vos anunciarum Evangelho diferente daquele que recebestes, seja anátema.(Gal1, 6-9)

Pe. Philippe Sulmont

ELES TREMIAM DE MEDO ONDE NÃO HAVIA NADA A TEMER

medo

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Pe. Frédéric Weil, FSSPX

Os tempos não são mais de festa. Há alguns anos, o medo invadiu nossas sociedades. A esperança está desaparecendo do nossos horizontes em favor de um mundo de incertezas. O católico deve se juntar ao terror que o cerca?

Terror ambiente

Terrorismo, aquecimento global, tensões sociais e raciais, censura, confrontos urbanos, fluxos migratórios e ainda por cima o famoso vírus: estes são os novos avatares do terror contemporâneo que pairam sobre este mundo como pássaros de mau agouro. De novembro de 2015 a 2017, a França passou 2 anos em “estado de emergência” através de 6 prorrogações devido aos atentados. Em janeiro de 2019, a jovem Greta Thunberg falou na cúpula de Davos sobre o aquecimento global: “Quero que entrem em pânico, quero que sintam o medo que sinto todos os dias“, como uma profetisa de um apocalipse sem revelação divina. Mais recentemente o jornal Liberation, em sua edição de 4 de outubro de 2020, publicou um artigo sobre o perigo dos “tranquilizadores” que erraram ao quebrar o consenso do medo. “Eles me assustam muito“, disse um médico sobre essas pessoas. Era preciso temer quem tranquilizava.

As posições se invertem quando se fala em vacina. O campo do medo então se torna o de “tranquilidade” e vice-versa, de modo que não podemos designar de maneira unívoca um campo do medo. Um medo é correlativo a um outro: uma pessoa que não teme o vírus pode temer medidas governamentais, anátemas jornalísticos, crítica de colegas, discussões acaloradas, denúncias da vizinhança, multa ou mesmo a perda de um trabalho.

O que varia é o que tememos: o objeto de nossos medos é um indicativo de quem somos. Continuar lendo

QUANDO OS INIMIGOS SE TORNAM AMIGOS

Abbé Philippe Toulza • La Porte Latine

Pe. Philippe Toulza, FSSPX

Como explicar o declínio da evangelização na Europa? A rigor, a resposta a essa pergunta é que qualquer decréscimo no Cristianismo tem como sua causa, ao menos na porção adulta que afeta, uma falta de cooperação com a ação de Deus. De fato, a graça nunca falta; se a evangelização não se consuma, então isso se dá porque o homem, a quem ela está destinada, apresentou um obstáculo a ela. A descristianização ocorre quando, em um grupo humano, uma proporção crescente de almas não mais adere à fé ou, embora se mantendo católica, negligencia seu progresso em direção a Deus ou mesmo abandona a fé (ou a vida católica). Durante o iluminismo, o filósofo Julien de la Mettrie (1709-1751) foi um desses casos; ele nasceu em uma família católica na Bretanha, e seu pai achava que ele poderia ser um Padre. Ele preferiu dedicar-se ao estudo da medicina, o que o levou ao materialismo, ao ateísmo e ao libertinismo; ele espalhou essas convicções em seus escritos e entrou para a história como um exemplo lamentável de secularização. Aqueles responsáveis pela descristianização são, portanto, homens como ele e outros que rejeitam, em maior ou menor grau, para si mesmos ou para aqueles sob seus auspícios conforme o caso, as exigências do Reinado de Cristo.

Essa explicação põe a culpa em várias portas de entrada e, portanto, não é muito específica. Por essa razão, muitos preferem explicar essa descristianização não pelas suas verdadeiras causas, que devem ser buscadas nas almas, mas por aquilo que incita as almas a se afastarem de Cristo. Algumas dessas causas começaram a agir em Pentecostes: o demônio e o mundo. Outras causas estão mais intimamente conectadas a circunstâncias específicas, e são essas causas que nos interessam: quais delas levaram à secularização da Europa?

O pensamento moderno

Uma realidade tão complexa quanto a descristianização e realizada em um continente inteiro ao longo de vários séculos, necessariamente, é resultado de diversas causas: a perda das raízes [de um povo] devido à industrialização, a subversão das sociedades intelectuais, o apoio eclesiástico à escravidão, o avanço do hedonismo, etc. E alguns fatores trabalharam no sentido de promover outros fatores. Porém, o consenso geral é que a principal causa da descristianização é a modernidade. A começar com o Renascimento, a Europa pensou que estava redescobrindo a grandeza da natureza humana que o teocentrismo medieval, supostamente, havia escondido. Havia dúvida quanto a se a raça humana realmente tinha o pecado original e se o homem realmente precisava bater no próprio peito. Então, com o ímpeto da reforma protestante, toda autoridade religiosa parecia perigosa à liberdade; seguindo Rousseau e, após, Kant, a Europa divinizou a autonomia do homem. Assim como Descartes, no Século XVII, havia recusado argumentos que apelassem à autoridade na Filosofia, os pensadores modernos questionaram o dogma; eles não tinham mais a fé da mãe de Villon. No fim, levantes políticos como aqueles de 1789 desafiaram as instituições. Pedia-se liberdade de expressão do pensamento. A aliança entre o trono e o altar era denunciada. Padres eram suspeitos de serem gananciosos e o jugo da moralidade foi jogado fora; o ódio de Voltaire se espalhava. A diversidade religiosa, mesmo aquela entre católicos e protestantes, tornou-se um pretexto para rejeitar a autoridade dos Padres; havia tantas religiões na terra… o fato do Catolicismo ser a religião de nossos pais bastava para torná-lo mais crível que as outras? Continuar lendo

EUGENIA CONTRA CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN

Fonte DICI / La Nuova Bussula Cotidiana – Tradução: Dominus Est

A descriminalização do aborto, associada à ampla disponibilidade de testes que permitem a detecção precoce de anomalias no feto, desencadeou a implacável lógica da eugenia. O caso da trissomia do cromossomo 21 é emblemático nesta área.

Era inevitável, e aqueles que ainda escondem o rosto ou são hipócritas ou são ingênuos, para usar de um eufemismo. Se, por um lado, a autoridade permite o assassinato do bebê no útero materno e, por outro lado, os laboratórios estão desenvolvendo testes cada vez mais eficientes e previdentes para anomalias genéticas, não há necessidade de um especialista para prever o que acontecerá.

Se, finalmente, como vimos em muitos países, o sistema de “saúde” reembolsa esses testes, o que equivale a um incentivo, os ingredientes para a eugenia estatal estão lá. E, embora os responsáveis possam ​​sempre tentar negá-lo, explicando que são os pais decidem, não é difícil contrapor que eles forneceram as armas para matar.

O que era tão previsível e já observado aqui e ali em alguns estudos, acaba de ser trazido à luz por um artigo no European Journal of Human Genetics , publicado a 31 de outubro.

Os autores estudaram ao longo de 5 anos, de 2011 a 2015, a evolução da percentagem de nascimentos de crianças com síndrome de Down em toda a Europa. Parece que, em 5 anos, essa taxa diminuiu 54%: ou seja, caiu praticamente pela metade. Continuar lendo

O ABORTO É A PRINCIPAL CAUSA DE MORTE NO MUNDO

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Nossa época é repleta de números. Tudo é medido, catalogado, numerado: toda a vida humana está ligada a números. Estatísticas sobre tudo e qualquer coisa são publicadas regularmente. No entanto, prefere-se ignorar algumas delas.

Mas infelizmente os gráficos, as tabelas, as curvas estão diante de nós e impõem a rudeza impiedosa de sua luz. Estatísticas globais de aborto permitem entender até que ponto o mundo está sob o controle do maligno.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulga os números … para lamentar que muitos abortos são feitos em condições péssimas e perigosas para as mulheres. Mas admite que entre 2010 e 2014 houve quase 56 milhões de abortos por ano. Desde 2014 os números não diminuíram.

Em 2019, o número de mortes registradas se aproximava de 60 milhões. Mas a principal causa de morte no mundo, as doenças cardíacas, ceifaram menos de 10 milhões de vidas. Mesmo juntas, as 10 principais causas de morte não causaram tantas vítimas quanto o aborto. Continuar lendo

NADA SERÁ COMO ANTES – O MUNDO DEPOIS DA COVID – PARTE II

Perguntas e Respostas sobre a Covid-19 | Postal Saúde - Caixa de  Assistência e Saúde dos Empregados dos Correios

Fonte: Permanência

  1. Os efeitos reais do COVID-19

Para não evocar as consequências econômicas que se revelarão no futuro, basta-nos observar as repercussões imediatas das medidas:

– Redução drástica das liberdades: de circulação, de atividade profissional, de cuidados, de educação, encontros públicos e privados, de culto…

– Efeitos sobre as pessoas: efeitos psicológicos observados em consequência do isolamento, do confinamento, do distanciamento: conflitos familiares, dúvidas mórbidas, temor, medo, paralisia e atrofia da personalidade… tanto em adultos como em crianças.

– Efeitos na vida social: divisão entre as pessoas até as raias da denúncia. Um clima de suspeita: o próximo se torna um inimigo temível; cada um se torna um perigo vivo para todos, quer estejamos com boa saúde (incluindo portadores assintomáticos) ou doentes infectados… “Toda pessoa saudável é um doente que se ignora “(Knock, ou o triunfo de medicina, por Jules Romains).

Hoje em dia, a sociedade está dividida em três classes:

– Por um lado, os defensores indiscriminados de máscaras, luvas, viseiras, pulseiras de som, medidas sanitárias de distanciamento, gaiolas de plexiglass, aplicativos de rastreamento, vacina para todos; Continuar lendo

NADA SERÁ COMO ANTES – O MUNDO DEPOIS DA COVID – PARTE I

Perguntas e Respostas sobre a Covid-19 | Postal Saúde - Caixa de  Assistência e Saúde dos Empregados dos Correios

Um mal que espalha terror,

Mal que o Céu em sua fúria

Inventa para punir os crimes da terra,

O COVID (já que deve-se que chamá-lo por seu nome),

Capaz de enriquecer em um dia o Aqueronte,

Faz guerra aos humanos.

Nem todos morrem, mas todos são atingidos …(1)

 Fonte: Permanência

Este último verso prende nossa atenção uma vez que o frisson da morte adquiriu dimensões globais.

A mensagem de alerta internacional de profissionais da área de saúde para governos e cidadãos do mundo lançado pela United Health Professionnals (2), recebe a cada dia novo apoio: “Parem o terror, a loucura, a manipulação, a ditadura, as mentiras e a maior falcatrua sanitária do século XXI”. Em uma escala mais modesta, a Dra. Nicole Delépine, em um recente fórum do France-Soir(3), lançou a questão: Fim de uma epidemia ou de um pânico organizado. Por quê.

Por falta de competência, não nos cabe mais do que uma opinião pessoal. Não podemos nos posicionar sobre assuntos que devem ser reservados a profissionais de verdade, e não a ´cientistas de opereta´, a ilustres anônimos encerrados em um comitê científico ou a profissionais de redes de televisão.

Contudo, o constante assédio da mídia, o zelo frenético das autoridades para intervir, nos conduzem a refletir e tentar entender o que está em jogo nesta agitação planetária (4).

Algumas observações e perguntas

1.1. O Grande espetáculo

Com grande espalhafato de imagens e repercussão televisiva, pudemos assistir os fechamentos de aeroportos, as crônicas do obituário diário, os transportes TGV-COVID, a repetição incessante da mídia sobre a utilidade dos hospitais de campanha ou do plano Branco e Azul, a implementação abortada de drones de vigilância…

1.2. Origem do vírus

Natural ou projetado em laboratório? Este debate sobre a origem do vírus não é sem importância porque é uma fonte de interrogações para a pessoa comum: Se houve manipulação, por qual motivo? mera pesquisa ? objetivo curativo, político? O que é evidente é que o COVID-19 é atualmente objeto de consideração, tanto de autoridades locais como de organismos internacionais, a exemplo do que diz Klaus Schwarb, fundador e presidente executivo da World Fórum Econômico (WEF), mais conhecido como Fórum de Davos (5)“A pandemia apresenta uma oportunidade rara e limitada de repensarreinventar reerguer nosso mundo do zero.” Continuar lendo

NA HOLANDA, O ANJO DA MORTE PAIRA SOBRE OS BERÇOS

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Hugo de Jonge, Ministro da Saúde da Holanda, anunciou na Câmara dos Deputados que o governo examinaria a possibilidade de permitir a eutanásia de crianças e pré-adolescentes. A Conferência Episcopal do país se pronuncia contra uma medida que, se adotada, tornaria essa prática gravemente ilícita, aplicável agora a todas as idades.

À primeira vista, não ousamos acreditar. Mas temos que lidar com a terrível realidade: a Holanda está pensando seriamente em legalizar o assassinato de crianças a partir de um ano de idade.

Como fazer para alterar a legislação, em uma civilização secularizada onde qualquer forma de transcendência se reduz ao mínimo de saúde e bem-estar? Basta confiar nos relatos de médicos e especialistas, os oráculos contemporâneos.

Assim, em 2019, três hospitais universitários holandeses publicaram um relatório quase inacreditável, afirmando que “84% dos pediatras na Holanda querem a eutanásia ativa para crianças entre 1 e 12 anos“. Continuar lendo

A PSICOLOGIA DO AMOR

Resultado de imagem para olhando céu

Dom Lourenço Fleichman OSB

No mundo em que vivemos é moeda corrente as pessoas só quererem fazer o que lhes agrada. Que seja por prazer do corpo, ou pelo prazer de ter dinheiro, ou pelo prazer de se sentir influente, livre e independente, somos formados, à nossa revelia, a detestar as coisas árduas, maçantes, rotineiras, obrigatórias. Que elas tenham um quê de dificuldade ninguém discute. Que a nossa tendência seja a de diminuir a dureza das suas realizações, é compreensível. O que não pode ser é a revolta tomar conta do nosso coração sempre que temos alguma coisa obrigatória a fazer. No fim das contas, tudo o que é de nosso dever é feito com pressa, de qualquer maneira, sem a atenção necessária ou pelo dinheiro que vamos receber. A revolta a que me refiro não é necessariamente uma revolta barulhenta e explosiva. Pode ser apenas o sentimento surdo e escondido de um ódio acumulado.

Se examinarmos com atenção o ambiente cultural em que vivemos, constatamos, por exemplo, que os homens do nosso tempo passam a semana em função da sexta-feira, aguardando o fim do serviço do último dia útil para, enfim, voltar a ser “normal”. O que significa ser “normal”? Para uns, passar o tempo numa festa, numa discoteca, na porta de um botequim assando uma carninha na brasa e tocando um som com os amigos. Para outros, o sofá e a televisão, umas latinhas de cerveja. Muitos preferem passar duas horas num engarrafamento para ir à praia. Tudo isso, é claro, regado com algum sexo, muita alegria, e a sensação de que não há entrave para nada, que somos poderosos para fazer tudo, ao menos durante algumas horas, até que o monstro da segunda-feira volte a rosnar nos obrigando a retomar a vida maçante do trabalho. Vejam que não trato aqui do descanso merecido e legítimo, mas da busca de uma liberdade total que é mais um posicionamento cultural – melhor seria dizer espiritual: não enquanto coisa religiosa propriamente, mas enquanto coisa do espírito humano.

Quando se trata das crianças, já de há muito que é assim. Não se pode mais imaginar um adolescente que ame o seu estudo, como aquela obrigação amorosa que o eleva e o forma no saber. Nem se pode dizer que é culpa deles, pois há décadas que o estudo é sinônimo de dinheiro. Eles se arrastam até uma faculdade e são precipitados no liquidificador do que se chama “mercado de trabalho” onde brilha a purpurina de um futuro paradisíaco do dinheiro que tudo compra. Eles também, pobres crianças, só pensam na sexta-feira e nas férias. Depois, é a praia, as festinhas, a liberdade. Daí a grande revolta típica do nosso mundo “evoluido” quando os pais procuram orientar seus filhos em alguma atividade formadora, cultural ou religiosa. Eles encaram esta tentativa como o grande obstáculo à sua liberdade e já não temem mais enfrentar os pais e lhes jogar em rosto uma série de insultos. Continuar lendo

“…OS IDIOTAS AMANHECERAM NOVOS E CONFIANTES…”

Resultado de imagem para boca com ziperEm homenagem ao Homo postconciliarius (que Corção cita no texto)…..

***********************************

[…] O que pude garantir ao meu amigo não-católico é que antigamente a atitude média dos idiotas era tímida, modesta e respeitosa. E isto que se observava nas ruas, nas aulas particulares, nos salões de bilhar e nos clubes de xadrez, observava-se também na Igreja. De repente, em certo ângulo da história, mercê de algum gás novo na atmosfera, ou de algum fator ainda não deslindado, os idiotas amanheceram novos e confiantes. Já ouvi e li muitas vezes o termo “mutação” surrupiado das prateleiras da genética e aplicado à história, à Igreja, ao dogma e aos costumes. Dois ou três bispos franceses não sabem falar dez minutos sem usar o termo “um mundo em mutação”. 

Se mutação houve, estou inclinado a crer que foi naquele ponto a que atrás aludimos: os idiotas que antigamente se calavam estão hoje com a palavra, possuem hoje todos os meios de comunicação. O mundo é deles. Será genético o fenômeno e por conseguinte transmissível?

— “Receio muito”, gemeu a voz de meu amigo, “você não leu os jornais da semana passada?”

— O quê? — perguntei com a aflição já engatilhada.

— A descoberta do capim!

Não tinha lido tão importante notícia, e o meu amigo explicou-me: um sábio, creio que dinamarquês, chegou à conclusão de que o capim é um dos melhores alimentos do homem. Meu amigo não me explicou que se tratava do Homo Sapiens, do Everlasting Man – de Chesterton, ou do Homo postconciliarius. Seja como for, dentro de quatro ou cinco anos teremos a humanidade de quatro e espalhada nos pastos.

Trecho do incrível texto de Corção: ANTIGAMENTE CALAVAM-SE (Leia por inteiro clicando nesse link)

DERRAMAR SANGUE INOCENTE É UM PECADO MUITO GRAVE

Aborto: “Meu corpo, minhas regras”, mas e o corpo do bebê?No quinto mandamento, Não matarás (Ex 20:13), Deus nos proíbe de causar a morte a nossos semelhantes ou de golpeá-los ou feri-los; Ele proíbe também de causar-lhes qualquer dano: em sua pessoa, em sua honra e em seus bens materiais. Matar inocentes e abortar crianças é um pecado gravíssimo que clama ao céu. Na Bíblia Sagrada, lê-se que Deus perguntou a Caim: “O Senhor disse-lhe: ‘Que fizeste! EIS QUE A VOZ DO SANGUE DO TEU IRMÃO CLAMA POR MIM DESDE A TERRA‘” (Gn 4,10-12). Os homicidas são assediados pelo medo e torturados pelo remorso da consciência, embora nenhum homem os persiga.

Três são as causas que tornam lícita a morte de alguém: a autoridade pública, a legítima defesa e a guerra justa. Fora destes três casos, é sempre um pecado matar o próximo assim como feri-lo ou golpeá-lo.

O ABORTO também é um pecado gravíssimo que clama vingança ao céu. O aborto é o assassinato a sangue frio das crianças mais indefesas e inocentes. E é ainda mais grave quando essas crianças são assassinadas precisamente por aquelas pessoas que têm maior obrigação em defendê-los. Deus diz: “Não matarás o inocente e o justo, porque não absolverei o culpado” (Ex 23,7).

Ajudar e proteger os assassinos é tornar-se responsável por seus crimes; e isto é precisamente o que fazem os governos que permitem o aborto, e os cidadãos que, com seus votos, ajudam o governo abortista! Isto atrai a maldição de Deus sobre a terra e causa muitos problemas na sociedade. Toda pessoa que colabora em um aborto é excomungada da Igreja Católica.

Trecho do post OS PECADOS QUE CLAMAM VINGANÇA AO CÉU

DO CORONAVIRUS AO REINO DE SATANÁS

COVID-19 – Wikipédia, a enciclopédia livre

[Reproduzimos aqui a carta enviada pelo Pe. Laurent, capucinho, aos terciários franciscanos, sobre a questão do coronavirus] 

Fonte: Permanencia

Caros terciários,

Desde a nossa última carta, muita coisa aconteceu. A chegada repentina do coronavírus, as ações tomadas em seguida pelos governos da maioria dos países: levará algum tempo até que se tenha o recuo necessário para uma análise completa da situação. No entanto, desde já, importa considerar tudo de um modo católico, afim de nos portarmos em tudo como filhos de Deus.

Em primeiro lugar, gostaríamos de exprimir nossa compaixão por todas as famílias afetadas pela epidemia. Que Deus conceda descanso eterno a todas as almas que se foram, e que se digne a secar as lágrimas de todos que choram (Is 25, 8). Nossa compaixão também se estende a todos vocês, que foram privados dos sacramentos, especialmente durante a Semana Santa e a Páscoa. Seus padres fizeram o possível para contornar o problema com as medidas toleradas pela lei. Tenham certeza de que continuam rezando especialmente por vocês.

Mas o dever do sacerdote é também, e acima de tudo, o de jogar a luz da fé nessas provações.  Ora, as pragas que nos tocaram são um castigo e visam a nossa conversão. “Minha vontade é a morte do ímpio? diz o Senhor Deus. Não é antes que ele se converta e viva?” (Ez 18, 23).

Uma punição coletiva

Nossos pecados pessoais merecem nosso castigo pessoal, neste mundo ou no outro. Quanto às sociedades, elas não sobreviverão a este mundo. Assim, é a partir desta vida que a justiça divina se exerce contra elas. Deus costuma enviar um castigo coletivo (epidemias, guerras, desastres naturais ou sociais), para que as sociedades ‘entrem em si’ (Lc 15,17) e voltem-se para Ele. Continuar lendo

O QUE É A OMS?

OPAS/OMS | ONU Brasil

Fonte: Boletim Permanencia

Desde o início da pandemia, a Organização Mundial da Saúde foi alçada a um patamar de grande respeitabilidade mundial. Seria uma espécie de heroína na batalha contra o coronavirus. As declarações de alguns dos seus membros ganham a primeira página dos jornais, que lhe conferem grande autoridade.

No entanto, é preciso dizer que se trata de um organismo notoriamente empenhado na promoção do aborto e de ideologias ostensivamente contrárias à moral natural e, por isso, mais do que nunca, é preciso que seja denunciado.

O que é a OMS?

A Organização Mundial da Saúde (OMS ou WHO, em inglês) surgiu em 7 de abril de 1948, mas podemos remontar suas origens as International Sanitary Conferences, realizadas em Paris no ano de 1851.

O seu objetivo é advogar pelo cuidado da saúde universal, monitorar riscos à saúde pública, coordenar respostas para emergências de saúde e promover a saúde humana e o bem estar.

Atualmente, conta com 196 membros e é presidida por Tedros Adhanon (2017-2022), ex Ministro da Saúde e ex Ministro do Exterior da Etiópia. Ele mesmo não é médico nem possui qualificação alguma na área de saúde.

O orçamento da OMS gira em torno de US$ 4,4 bilhões, financiado principalmente por EUA, Alemanha e Reino Unido, investidores particulares e pela indústria farmacêutica — chama a atenção, entre os primeiros, a participação da Fundação Bill & Melinda Gates e da Fundação Rockefeller. Até recentemente, os EUA eram os principais financiadores.

Qual a autoridade da OMS?

Alguns jornais, partidos políticos e órgãos governamentais têm condenado toda a iniciativa contrária às resoluções da OMS. Um Ministro do STF chegou a ameaçar invalidar qualquer iniciativa que as contrariasse.

“A OMS tem ao seu lado o grande respaldo da ciência, da tecnologia e da racionalidade, o que lhe confere grandes poderes”, afirma o diplomata Marcos Azambuja, que chefiou a delegação do Brasil para Assuntos de Desarmamento e Direitos Humanos em Genebra. “Porém, é um órgão que apenas recomenda e sugere ações, ou seja, não tem poder de polícia, de controlar ou impor sanções contra países”. Continuar lendo

MÍSERA SORTE! ESTRANHA CONDIÇÃO.

O gemido está no quarto canto de Os Lusíadas e quem o pronuncia é um ancião de “aspecto venerando” que não vê com bons olhos o esplendor da nova civilização que os varões da ocidental praia lusitana querem inaugurar.

Ó glória de mandar, ó vã cobiça

Desta vaidade a quem chamamos Fama!

Todas as almas afinadas, um Pascal, um Péguy, a seu turno, e cada um com seu modo, dirão que o homem é um incôngrua criatura, “un monstre de contradictions, un puits d’inquietude”. O próprio Camões, mais de uma vez volta à obsessiva idéia do “desconcerto do mundo” trazido pela mesma conturbada condição humana. Nós sabemos pela Fé que tais desconcertos e contradições são conseqüências do pecado de nossos primeiros pais, e Chesterton dizia que, de todos os dogmas e mistérios da fé, o mais claro, o mais evidente é sem dúvida o do pecado original. Basta efetivamente olhar em torno de si com alguma atenção para descobrir que o animal racional é o menos razoável dos seres, e para começar a crer que algum grave mal-entendido está na origem do homem, e perdura em sua condição ao longo dos séculos.

O Concílio de Trento nos diz majestosamente: “Adão perdeu para si e para seus descendentes a inocência e a santidade de seu primeiro estado ficando assim sujeito à morte e ao cativeiro do Diabo”.

No mesmo contexto o Concílio de Trento nos ensina que, além da perda da justiça original que lhe assegura a Vida Eterna, os descendentes de Adão ficaram privados dos dons preternaturais, e da natural integridade, ficando assim decaída a natureza humana: a inteligência torna-se obnubilada para as coisas mais altas, e o livre-arbítrio se torna fraco, vacilante e com certa inclinação para o mal. Além disso, nas profundezas da alma decaída, o pecado original deixará o veneno do amor-próprio, que o Catecismo de Trento, mantendo a fórmula paulina, chama de “carne”, e que está na origem de todos os pecados, a começar especialmente pelo orgulho e pela cupidez. Continuar lendo

EDITORIAL DA PERMANÊNCIA (298) – SOBRE A EPIDEMIA

A imagem acima representa São Carlos Borromeo nos tempos da Peste

Apresentamos o Editorial da Revista 298, tempo de Pentecostes (para assinar a revista, clique aqui).

Dom Lourenço Fleichman, OSB

Raios, trovões, coriscos fulgurantes, como diz o salmo. Eis o que parece estar se abatendo sobre a Terra dos homens, sobre a vida neste vale de lágrimas. Bastaria recuarmos até o final de 2019 para compreendermos o quanto de inusitado e surpreendente se manifesta no que estamos vivendo há 3 ou 4 meses. Pode o mundo inteiro estar de pernas para o ar, como está, sem que a nossa perplexidade se manifeste em cada encontro, em cada noite mal dormida? 

Dentro do projeto a que nos propomos de formação católica, a reflexão sobre as causas e os efeitos do Coronavirus apresenta-se para nós como uma quase obrigação. O mundo não pode ser sacudido como está sendo sem que procuremos tirar dos graves acontecimentos reflexões capazes de nos orientar na vida que devemos levar durante a epidemia e, sobretudo, na vida que virá após o término do flagelo.

Talvez seja a primeira vez, em mais de um século, que Deus parece manifestar a sua face de modo claro e evidente, diante dos homens, diante de toda a humanidade, nos quatro cantos da nossa Terra de exílio. Os últimos 500 anos não serviram para preparar os homens a se curvarem diante da vontade de Deus. Ao contrário, o que vemos na humanidade é um desprezo completo pela própria existência de Deus. No máximo podemos ver, aqui ou ali, a manifestação de algum sentimento religioso marcado de naturalismo, e sobretudo de utilitarismo pluralista e horizontal. Para alguns, rezar faz bem, qualquer que seja a oração. Estamos muito longe da submissão sobrenatural à vontade divina que se realiza na prática pura e simples dos Mandamentos. Sim! Do Decálogo, aquela listinha decorada pelas crianças do Catecismo, feita para salvar as nossas almas!

Hoje podemos ouvir o gaiato do conto a gritar: – O Rei está nu! 

Se o católico parar de olhar em seu celular as informações e contra-informações que nos invadem, poderá entender melhor o espetáculo que se desenrola diante de nós. Porque o mundo está nu; o liberalismo está nu; a democracia está nua; o globalismo acabou; … e entramos numa nova forma de ditadura que promete afiar os dentes contra a verdadeira liberdade do homem. Continuar lendo

PANDEMIA, IGREJA E ESTADO – A HIERARQUIA DOS BENS

Breve considerações para os tempos de epidemia

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

“É por isso que, do mesmo modo que a ninguém é lícito descurar seus deveres para com Deus, e que o maior de todos os deveres é abraçar de espírito e de coração a religião, não aquela que cada um prefere, mas aquela que Deus prescreveu e que provas certas e indubitáveis estabelecem como a única verdadeira entre todas, assim também as sociedades não podem sem crime comportar-se como se Deus absolutamente não existisse, ou prescindir da religião como estranha e inútil, ou admitir uma indiferentemente, segundo seu beneplácito.” (1) .

1 – Essas fortes palavras do Papa Leão XIII não são a expressão de uma visão retrógrada, pois o Vigário de Cristo designa o próprio princípio da ordem social cristã, ordem necessária para uma expressão da sabedoria divina. O Cardeal Billot deu a justificação teológica para isso na segunda parte de seu Tratado sobre a Igreja (2).

2 – Essa ordem encontra sua profunda raiz na própria natureza do homem e em sua elevação gratuita a uma ordem sobrenatural. Os bens exteriores ao homem (as riquezas) são ordenados ao seu bem-estar corporal e o bem-estar corporal do homem é ordenado ao seu bem-estar espiritual natural, ou seja, ao bem natural de sua alma, e este bem natural da alma está, de alguma forma, ordenado ao fim último sobrenatural, à união sobrenatural do homem com Deus, pela qual a Igreja é responsável. É nessa medida exata em que o bem natural da alma é a condição necessária, embora não suficiente, do bem sobrenatural, uma vez que a graça pressupõe a natureza. Essa hierarquia de bens resulta na hierarquia dos poderes que cabe a eles adquirir (3).

3 – O poder do Estado tem (entre outros) em sua ordem própria, preservar a saúde pública (que é o bem do corpo) e de neutralizar para isso os efeitos nocivos de uma doença contagiosa. O poder da Igreja tem por fim, em sua ordem própria, assegurar o exercício do culto devido a Deus e determinar para isso, por meio de preceito, as condições concretas da santificação do domingo. Por serem distintas, cada um em sua própria ordem, o poder do Estado e o poder da Igreja não devem estar separados (4), porque o bem que cabe ao Estado não é, de fato, um fim último; ele mesmo é ordenado ao fim de ordem sobrenatural. Santo Tomás explica isso muito claramente no De Regimine, livro I, capítulo XV: “É o Papa quem cuida do fim último, a quem deve estar sujeito aqueles que cuidam dos fins intermediários, e é por suas ordens que eles devem ser direcionados”. (N ° 819). O Papa, portanto, exerce um poder “arquitetônico” em relação aos chefes de Estado e essa expressão significa que o Papa é responsável pelo fim último, segundo o qual os chefes de Estado são obrigados a organizar todo o governo da sociedade.

4 – A saúde, que é um dos principais aspectos do bem-estar corporal do homem, nada tem a ver com a santidade, pois é ordenada de alguma maneira ao exercício do culto e à santificação do domingo. Com efeito, mesmo que não seja necessário ter uma boa saúde para ser um santo e mesmo que alguém possa ser um santo sem ter uma boa saúde, normalmente, para poder ir à missa no domingo, um dos pré-requisitos é ter uma boa saúde. O papel do Estado é, portanto, preservar a saúde pública (e neutralizar uma epidemia) para assim oferecer a melhor condição para o exercício do culto, pelo qual a Igreja é responsável, e tornar ordinariamente possível a santidade. O Papa Leão XIII diz, com efeito, que “em uma sociedade de homens, a liberdade digna do nome consiste em que, com o auxilio das leis civis, possamos viver mais facilmente segundo as prescrições da lei eterna” (5). O Estado está, portanto, nessa questão, como em qualquer outra, na dependência da Igreja e subordinado a ela na medida exata em que seu papel é colocar o bem temporal, pelo qual é responsável, a serviço do bem eterno, cujo o Igreja é responsável. “O temporal“, diz Billot, “deve garantir que não haja impedimento à realização do espiritual e deve estabelecer indultos sob as quais pode ser obtido em completa liberdade“. E ele acrescenta que o fim temporal “não deve colocar nenhum obstáculo ao fim espiritual, e, se ele vir a se opor, deve favorecer o espiritual, mesmo à custa de seu próprio detrimento”(6). Palavras surpreendentes aos olhos da razão, mas palavras verdadeiras aos olhos da razão iluminada pela fé. Porque “é melhor entrar com um olho na vida eterna do que ser lançado com dois olhos no fogo do inferno”(7) . Continuar lendo

CORONAVIRUS: ENTRE O MEDO E A AUDÁCIA

Dom Lourenço Fleichman OSB

Mais uma vez me vejo na obrigação de esclarecer nossa posição católica, diante de crises que se abatem sobre a nossa sociedade. Nosso mundo anda mergulhado no que lhe parece ser um grande sol a iluminá-lo, quando na verdade é apenas uma escravidão consentida e desejada. Sim, os tecnológicos homens desse mundo pós-moderno sabem, percebem sua incapacidade de fugir da compulsão das redes sociais, das massificantes notícias e informações, e sobretudo da sensação que tomou conta de todos, de serem livres como um passarinho a voejar entre galhos de árvores e fios elétricos. 

Poderíamos perguntar a nós mesmos o porquê dessa doença; creio que responderia que o homem busca companhia. Até certo ponto, convenhamos, essa busca é natural, visto a definição mais do que antiga feita pelo Filósofo, segundo a qual o homem é um animal político: vive na companhia dos seus semelhantes. Ora, como o mundo moderno desenhou no pé da mesa do computador (eu sei, eu sei, já não é mais no computador, é deitado na cama ou no sofá com o celular nos dedos, mas não atrapalhem, por favor, a minha história!)… então, retomemos: como o mundo moderno desenhou no pé da cama, ou da mesa, uma bola de ferro virtual, e disse ao ser debruçado na máquina: – veja, caro amigo, esta é uma bola de ferro virtual, nada mais “real” do que o virtual. Portanto, você está preso, velho escravo. Não se mexa, não saia daí.

Como sói acontecer, o homem moderno nem escutou o que o mundo lhe disse, do mesmo modo que não escuta o pai, ou a esposa, a lhe dizer que o jantar está na mesa, ou que o filho caiu do telhado e quebrou a perna. Embasbacado estava diante do altar da nova religião… embasbacado continuou. Essa falta de reação é a prova da aceitação tácita da escravidão. 

Foi ele assim pilhado, surpreendido, acuado pelas alarmantes notícias que chegavam do outro lado do mundo, da China cheia de histórias, de civilizações pagãs, de comunismos modernos. A China do mercado, do chinguilingue, dos automóveis incrivelmente mal fabricados. Diriam as más línguas que o escravo das redes sociais chegou a experimentar certa dose de satisfação por ter sido o primeiro a ler a notícia sobre um estranho vírus coroado que teria ultrapassado as milenares muralhas. Enquanto as notícias, procuradas agora com ânsia em todos os sites, comentadas alegremente com seus parceiros de escravidão, falavam da China ou da Itália, continuava o alegre escravo a comer sua pizza de entrega super rápida, por esses mágicos aplicativos que trazem a gordura do queijo aos beiços famintos do escravo, o qual insiste em se achar a mais livre das criaturas. Nunca o mundo conheceu mais perfeita escravidão. Pobre gente. 

Eis que o improvável aconteceu: o vírus virtual chegou ao Brasil, e o escravo teve medo de ser ele real. Grudado que estava nas ondas virtuais, colou-se ainda mais forte ao que lhe parecia ser a vida. Abraçou seu celular, beijou-o com carinho: “meu Salvador, só vós podeis, nessa hora de angústias, me fazer companhia, me livrar desse bicho mau”!

A desordem instalou-se por toda parte, leis contraditórias, especialistas a explicar o grau de letalidade do vírus coroado, e outros especialistas a explicar que o importante é o mercado não parar. Médicos a pedir que todos fiquem reclusos em suas casas, e médicos a dizer que podem passear, trabalhar, só tendo cuidado com os velhinhos e meia dúzia de outras castas de doentes no grupo de risco. Políticos impondo regras rígidas de controle, e outros políticos querendo que a economia não pare, pois seria ainda pior a situação, se os médicos não tiverem com o que trabalhar, e o trabalhador não tiver com o que comer.

Valha-me Deus, que os homens escravos já eram doentes sem o pânico, agora já não se tolera mais ouvi-los, tamanha a balbúrdia que provocam, a agitação que causam nas almas, o medo que se instala no coração de todos. Continuar lendo

CARTA DO SUPERIOR GERAL AOS FIÉIS EM TEMPOS DE EPIDEMIA

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Carta do Pe. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, dirigida a todos os fiéis confinados em seus lares e que não têm mais acesso à Santa Eucaristia, devido à epidemia do coronavírus.

Caríssimos fiéis,

Neste momento de provação, certamente difícil para todos vós, gostaria de vos dirigir algumas reflexões.

Não sabemos quanto tempo durará a situação atual, nem, sobretudo, como as coisas evoluirão nas próximas semanas. Diante dessa incerteza, a tentação mais natural é buscar desesperadamente garantias e explicações nos comentários e hipóteses dos mais instruídos “especialistas”. Muitas vezes, no entanto, essas hipóteses – atualmente abundante por todos os lados – se contradizem e aumentam a confusão, em vez de trazer um pouco de serenidade. Sem dúvida, a incerteza é parte integrante desta prova. Cabe a nós saber como tirar proveito disso.

Se a Providência permite uma calamidade ou um mal, sempre o faz para obter um bem maior que, direta ou indiretamente, incide sempre  em nossas almas. Sem essa premissa essencial, corremos o risco de nos desesperar, porque uma epidemia, uma outra calamidade ou qualquer provação sempre nos acharão insuficientemente preparados.

Neste ponto, o que Deus quer que entendamos? O que Ele espera de nós nesta Quaresma em particular, quando Ele parece ter decidido quais sacrifícios devemos fazer?

Um simples micróbio é capaz de colocar a humanidade de joelhos. Na era das grandes conquistas tecnológicas e científicas, é, sobretudo, o orgulho humano que ele coloca de joelhos. O homem moderno, tão orgulhoso de suas realizações, que instala cabos de fibra ótica no fundo dos oceanos, constrói porta-aviões, usinas nucleares, arranha-céus e computadores, que depois de pisar a lua continua sua conquista até Marte, este homem é impotente diante de um micróbio invisível. O alvoroço midiático nos últimos dias e o medo que podemos ter disso não devem nos fazer perder esta lição profunda e fácil de entender, para os corações simples e puros que examinam com fé os dias atuais. A Providência ainda hoje ensina por meio de eventos. A humanidade – e cada um de nós – tem a oportunidade histórica de retornar à realidade, à realidade e não ao virtual, composto de sonhos, mitos e ilusões.

Traduzida em termos evangélicos, esta mensagem corresponde às palavras de Jesus que nos pede para permanecermos unidos, o mais próximo possível, a Ele, porque sem Ele nada podemos fazer ou resolver, qualquer problema que seja (cf. Jo 15, 5). Nossos tempos incertos, a expectativa de uma solução, o sentimento de nosso desamparo e de nossa fragilidade devem nos encorajar a buscar Nosso Senhor, implorar-Lhe, pedir Seu perdão, rezar a Ele com mais fervor e, acima de tudo, abandonar-nos a Sua Providência.

A isto se acrescenta a dificuldade, ou mesmo, a impossibilidade de participar livremente da Santa Missa, o que aumenta a dureza dessa provação. Mas resta, em nossas mãos, um meio privilegiado e uma arma mais poderosa que a ansiedade, a incerteza ou o pânico que podem causar a crise do coronavírus: trata-se do Santo Rosário, que nos liga à Santíssima Virgem e ao céu.

Chegou a hora de rezar o rosário em nossas casas de forma mais sistemática e com mais fervor do que o habitual. Não percamos nosso tempo diante das telas e não se deixemos dominar pela febre midiática. Se tivermos que observar o confinamento, aproveitemos a oportunidade para transformar nossa “prisão domiciliar” em uma espécie de feliz retiro familiar, durante o qual a oração encontre seu lugar, seu tempo e a importância que merece. Leiamos os Evangelhos por completo, meditemo-los calmamente, escutemo-los em paz: as palavras do Mestre são as mais eficazes, porque alcançam facilmente a inteligência e o coração.

Agora não é o momento de deixar o mundo adentrar nossos lares, agora que as circunstâncias e as ações das autoridades nos separam do mundo! Tiremos proveito dessa situação. Demos prioridade aos bens espirituais que nenhum germe pode atacar: acumulemos tesouros no céu, onde nem os vermes nem a ferrugem nos destroem. Pois onde está nosso tesouro, alí está também nosso coração (cf. Mt 6, 20-21).

Aproveitemos a oportunidade de mudar nossas vidas, conscientes de como nos abandonar à Providência divina. E não nos esqueçamos de rezar por aqueles que estão sofrendo nesse momento. Devemos recomendar ao Senhor todos aqueles a quem o dia do julgamento se aproxima, e pedir-Lhe que tenha misericórdia de tantos contemporâneos nossos que permanecem incapazes de tirar boas lições dos acontecimentos atuais para suas almas. Rezemos para que, uma vez superada as provações, eles não voltem à sua vida anterior, sem mudar nada. As epidemias sempre serviram para trazer os tíbios à prática religiosa, ao pensamento de Deus, à detestação do pecado. Temos o dever de pedir essa graça a cada um de nossos conterrâneos, sem exceção, incluindo – e acima de tudo – aos pastores que não têm espírito de fé e que não sabem mais discernir a vontade de Deus.

Não desanimemos: Deus nunca nos abandona. Saibamos meditar nas palavras cheias de confiança que nossa Santa Madre Igreja coloca nos lábios do sacerdote em tempos de epidemia: “Ó Deus que não quereis a morte, mas a conversão dos pecadores, volvei com bondade ao vosso povo que se volta para Vós e, enquanto fiel a Vós, livrai-o com misericórdia do flagelo de Vossa cólera ”.

Recomendo a todos ante o Altar e à paternal proteção de São José. Que Deus vos abençoe!

Pe. Davide Pagliarani +

*****************

Leiam também o post do Sermão do Pe. Puga: CORONAVÍRUS: UMA VISÃO SOBRENATURAL

 

VINTE-VINTE: MAIS DO MESMO

Resultado de imagem para capa the economist 2020A nova década de vinte

Fonte: Boletim Permanencia

Confesso aos leitores que quando publico esses textos que parecem levar a sério o que é mera especulação, recebo mensagens e acenos para revelar tudo que imaginam que sei a respeito, compilar em alguns parágrafos todas as conjecturas e decifrar os enigmas arcanos por trás dos textos, como se o futuro do mundo já estivesse escrito e pertencesse a essa elite do Mal, que caçoa das pessoas comuns criptografando mensagens nas capas de suas publicações.

De fato a brincadeira soa verdadeira quando certas coincidências se manifestam com aquela “sincronicidade suspeita” que faz a festa dos conspiracionistas. Por outro lado, como veremos a seguir, boa parte dos textos aludem a fatos conhecidos, pessoas importantes, aniversários famosos, agendas políticas e modismos.

A capa deste ano segue um padrão de fácil assimilação, pois não parece esconder nenhum nome ou sigla, desde que o leiamos em seqüência. Vejamos:

The world in 2020 (O mundo em 2020), Trump, Brexit, AI (Inteligência Artificial), Tokyo, Mars (Marte), Climate (Clima), Xi [Jiping], Recession (Recessão), [Narendra] Modi, Expo, SDGs (Metas para desenvolvimento sustentável), [James] Bond, Beethoven, Visions (Visões), Biodiversity (Biodiversidade), Rat (Rato), NPT (Tratado de Não Proliferação), [Elizabeth] Warren, Raphael [Sanzio], [Florence] Nightingale, Russia.

Os sobrenomes da vez são de Donald Trump, Xi Jiping, Narendra Modi e Elizabeth Warren, que respectivamente são os líderes dos EUA, China e Índia, acrescidos da pré-candidata ao pleito americano pelo partido Democrata. Seria isso uma previsão da sua indicação como candidata à presidência pelo seu partido? Se Warren for um nome, pode apontar para o mega investidor W. Buffet, que completará 90 anos em agosto, notório financiador dos democratas. Continuar lendo

RUMO A UMA SEGUNDA MORTE PARA VINCENT LAMBERT

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O Tribunal Criminal de Rheims liberou o Dr. Vincent Sanchez em 28 de janeiro de 2020. O último figurou por “falha em assistir uma pessoa em perigo”, depois de haver ordenado a cessação dos cuidados que causou a morte de Vincent Lambert em 11 de julho de 2019.

De acordo com a corte de Rheims, o médico “respeitou totalmente as decisões da corte”, e os fatos alegados contra ele excluem qualquer intenção de ferir Vincent Lambert” (sic).

Como se privar um paciente severamente deficiente de toda a comida e hidratação não fosse causar dano a sua vida?

Tornado um dos símbolos do debate sobre a eutanásia na França, o então enfermeiro de 42 anos, em estado de consciência mínima desde seu acidente de trânsito em 2008, morreu de fome e sede em 11 de julho de 2019, no departamento de cuidados paliativos do centro hospitalar de Rheims.

Foram os pais do jovem homem – contrários à cessação dos cuidados básicos de alimentação e hidratação artificiais, direito de todo paciente sob a lei natural – que processaram o médico por “falha em assistir uma pessoa em perigo”.

No auge da controvérsia, o Estado Francês havia rejeitado o pedido do Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência para suspender a decisão de interrupção do tratamento.

Os pais de Vincent então valeram-se do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e enviaram uma carta aberta ao Presidente da República. Sem a tomada de medidas adicionais, como a classificação final do caso, ficam um pouco mais enfraquecidas as vidas dos 1.500 pacientes em estado de consciência mínima, identificados na França em 2019.

Poucos dias depois da liberação do Dr. Sanchez, os pais de Vincent Lambert e seus advogados decidiram recorrer da decisão, lamentando em particular que as medidas provisórias solicitadas pelo Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência não foram respeitadas.

THE ECONOMIST, O PANGOLIM E O CORONAVÍRUS

Fonte: Boletim Permanencia

Pois esta última semana os grandes sites de notícia publicaram com certo destaque a inusitada relação entre um certo mamífero asiático, que estaria em vias de extinção, e o surto do novo coronavírus na China.

Pangolim: Iguaria ou alvo do tráfico internacional de bichos exóticos?

Depois das sopas de morcegos e das cobras do mercado de Wuhan se tornarem objeto de debate como a suposta origem zoonótica da virose, eis que passa a encabeçar a lista de suspeitos um mamífero de língua viscosa e comprida, comedor de formigas como o tamanduá; coberto de escamas e que se enrola como o tatu-bola; saltitante e arborícola como o esquilo; e que atende pelo curioso nome de pangolim.

E tem gente que come.

Quem nos lê há algum tempo deve se lembrar de um post do início de ano passado em que descrevíamos a capa da revista ‘The Economist’ para o ano de 2019. Interessante lembrar que entre as figuras desenhadas à la Da Vinci no frontispício da publicação, ali sobre o norte da América do Sul estava o simpático bichinho asiático. Supomos tratar-se de uma alusão à ecologia, ou mesmo ao tráfico de animais. Será que nos enganamos?

Coincidência ou não, em dezembro de 2019, portanto ainda dentro do escopo da ‘The Economist’, aparece no meio da China uma doença ainda pouco conhecida, de rápida difusão e que vem ganhando manchetes cada vez mais alarmantes nos meios de comunicação do mundo todo.

A infecção pelo novo coronavirus (2019-nCoV) pode evoluir da gripe comum para uma pneumonia potencialmente letal, lembrando casos recentes e relativamente preocupantes como o da gripe asiática de 2009 ou mais antigos e perturbadores como o da gripe espanhola de 1919.

Sendo assim, a suposta relação com o pangolim faz do animal um hospedeiro intermediário da doença, e o transforma de ameaçado de extinção em cúmplice de pandemia. Vale perguntar se os tais quatro cavaleiros do Apocalipse na tal capa de 2019 auguravam um cenário de uma iminente peste mundial.

Aliás, será que a capa de 2020 corrobora esse cenário? É o que veremos no próximo post.