QUE CADA UM CARREGUE SUA PRÓPRIA MOCHILA

As crianças não estão preparadas para suportar as preocupações dos adultos.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

A família Dupont sai para um passeio. Radiante, Pierrot é o primeiro a pegar uma das sacolas de piquenique. A mãe incentiva a iniciativa do menino, que costuma ser um pouco preguiçoso, mas conhece bem os limites do pequeno: discretamente, ela tira da sacola uma garrafa grande e a coloca na própria bolsa. E, com cada um carregando o peso de acordo com suas forças, a família passa um dia maravilhoso. Daqui a alguns anos, é claro que Pierre, já crescido, conseguirá carregar sacolas muito mais pesadas do que a do piquenique, mas até lá, o peso desproporcional seria esmagador para ele.

Queridos pais, tenham piedade de seus filhos, não os esmaguem sob o peso de suas preocupações, suas tristezas, suas responsabilidades: a alma deles não está madura o suficiente para suportar isso.

Ombros pequenos e fardos pesadas

Há assuntos que não se deve abordar com as crianças ou na presença delas.

Os filhos mais novos da família Martin sabem que a família não é muito rica e, portanto, devem ser cuidadosos com seus pertences; além disso, em uma família simples e unida, a felicidade vem com poucas coisas. Os filhos mais velhos, por sua vez, têm uma vaga noção de que o pai enfrenta sérias dificuldades e que precisarão contribuir com os custos dos estudos trabalhando durante o verão. Somente na vida adulta é que descobriram, de fato, como os negócios do pai faliram por causa de um golpista, e assim por diante. Crianças felizes, eles só souberam das dificuldades financeiras dos pais o que seus ombros frágeis podiam suportar, para ajudá-los a crescer com o espírito da humildade. Continuar lendo

06 DE AGOSTO: TRANSFIGURAÇÃO DE NOSSO SENHOR

A Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo não é propriamente um milagre, mas a cessação momentânea de um milagre: o da Encarnação do Verbo. Durante algum tempo, Jesus abdica dos direitos e prerrogativas da Sua divindade; a Sua pessoa divina esconde a Sua glória e faz-Se voluntariamente, durante toda a Sua vida terrena, um mortal. Esconde a Sua divindade para preparar a Sua Paixão. A Sua Transfiguração, ao mostrar-nos por um momento no estado glorioso em que devia ter estado durante toda a Sua vida, mostra-nos ainda mais claramente o Seu Amor por nós, o Seu ardente desejo de sofrer pelos nossos pecados e, consequentemente, o mérito infinito de tantas humilhações, ignomínias e sofrimentos assim aceites, desejados e preferidos por Sua livre vontade.A iluminação do monte Tabor antecipa o escândalo do monte Gólgota. Aquele que seguiremos com lágrimas através de todas as fases dolorosas da Paixão é verdadeiramente, pela Sua natureza consubstancial a Deus Pai, coroado de glória e de honra, o Rei do Céu, a alegria dos Anjos, o soberano Juiz que virá um dia, em todo o esplendor da Sua majestade, julgar todos os homens…

Este rosto, que será profanado por golpes e saliva, desfigurado, torna-se mais brilhante do que o sol do monte Tabor, transfigurado: Continuar lendo

UMA VESTIMENTA CATÓLICA?

As roupas dizem algo sobre nós mesmos.

Fonte: Le Saint Vincent n°42 – Tradução: Dominus Est

Em ocasiões importantes, é fácil perceber que a roupa é importante: um desfile de militares sem uniforme, um diretor-geral sem paletó nem gravata ou uma noiva sem seu vestido nos parecem improváveis.

Gostemos ou não, a roupa importa. Ela diz algo sobre nós, revela quem somos e como queremos ser vistos. Para se convencer disso, basta observar o cuidado que uma mãe dedica ao vestir toda a sua família e perceber o quanto ela fica constrangida ao ver seus queridos filhos voltarem da escola com roupas manchadas ou rasgadas. No teatro, fica claro que o traje desempenha seu papel e define um personagem.

Qual é o nosso papel? … não no teatro, mas na vida real, no nosso dia a dia, para nós que somos batizados? Que vestimenta corresponde a esse papel?

Sem entrar em muitos detalhes, estas poucas linhas visam proporcionar alguns pontos de reflexão sobre a elegância católica. Continuar lendo

CARDEAL FERNÁNDEZ: A CANETA DE FRANCISCO E LEÃO XIV

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Foi o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, quem assinou, em 2 de julho de 2026, o decreto de “excomunhão” contra os bispos sagrantes e sagrados da Fraternidade São Pio X, e que ameaçava com a mesma sanção os sacerdotes e fiéis que aderissem ao “cisma”.

Essa aplicação do Direito Canônico não é isolada; ela se insere no âmbito do magistério “líquido” da Igreja “sinodal”. De fato, essa “excomunhão” é decretada por um prelado que foi o redator do Papa Francisco, para quem escreveu “Amoris laetitia” [2016] — autorizando os divorciados civilmente recasados a receber a comunhão —, bem como “Fiducia supplicans” [2023] — permitindo a bênção de casais do mesmo sexo.

A propósito, vale lembrar que Víctor Manuel Fernández, antes de se tornar a eminência que é hoje graças a Francisco, é autor de duas obras: “Sáname con tu boca: El arte de besar” [Cura-me com tua boca: a arte de beijar, 1995] e “La pasión mística: espiritualidad y sensualidad” [A paixão mística: espiritualidade e sensualidade, 1998]. Os títulos eloquentes desses livros — dos quais nunca se retratou — afirmam que a temperança é uma virtude cardinal… exceto para o cardeal Fernández. Continuar lendo

1974-1983-2026, SEMPER IDEM

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Profissão de Fé Católica que a Fraternidade São Pio X dirigiu ao Papa Leão XIV e a todos os cardeais em 24 de junho de 2026, uma semana antes das sagrações episcopais de 1º de julho, está em direta consonância com a Carta Aberta dirigida a João Paulo II por D. Marcel Lefebvre e D. Antonio de Castro Mayer em 21 de novembro de 1983, nove anos após a famosa Declaração  do fundador da Ecône em 21 de novembro de 1974, e cinco anos antes das sagrações de 30 de junho de 1988. A crise na Igreja continua, a doutrina da Igreja permanece. 

Eis o que os dois bispos, que realizaram juntos a sagração em 1988, escreveram a João Paulo II em 1983: “Milhares de clérigos e milhões de fiéis vivem em angústia e perplexidade devido a ‘autodestruição da Igreja’. Os erros contidos nos documentos do Concílio Vaticano II, as reformas pós-conciliares e, especialmente, a reforma litúrgica, as falsas concepções disseminadas por documentos oficiais e os abusos de poder perpetrados pela hierarquia os lançam em turbulência e desordem.”

“Nessas circunstâncias dolorosas, muitos perdem a fé, a caridade esfria e o conceito da verdadeira unidade da Igreja desaparece no tempo e no espaço. Para tanto, tomamos a liberdade de anexar a esta carta um anexo [intitulado:  Breve Resumo dos Principais Erros da Eclesiologia Conciliar ] contendo os principais erros que estão na origem desta situação trágica e que, além disso, já foram condenados por seus predecessores.”

A lista a seguir apresenta um enunciado, mas não é exaustiva: Continuar lendo

ROMA CONDENA CANONICAMENTE, MAS SE CALA DOUTRINALMENTE

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em 2 de julho de 2026, um dia após as sagrações episcopais em Écône, o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, assinou um “decreto de excomunhão latae sententiae” que impunha automaticamente os bispos sagrantes e sagrados, e ameaçava com a mesma sanção os sacerdotes e fiéis que aderissem a esse “ato cismático”. Ou seja, somente na cerimônia de 1º de julho: mais de 16.500 fiéis, 589 padres, irmãos e seminaristas, e 397 religiosas, representando 65 nacionalidades.

A Roma atual excomunga muitos. Mas mantém silêncio sobre a Declaração de Fé da Fraternidade São Pio X de 14 de maio (Nouvelles de Chrétienté n.º 219, maio-junho de 2026, pp. 3-5), bem como sobre a Carta aberta ao papa e aos cardeais e a Profissão de fé católica de 24 de junho (DICI n.º 470, julho de 2026, pp. 8-11, e a presente edição das Notícias da Cristandade, pp. 13-22). Seriam esta declaração e esta profissão heterodoxas? Não revelariam elas as verdadeiras razões doutrinais da luta pela fé? Roma permanece em silêncio. E Leão XIV não recebeu o Padre Davide Pagliarani, apesar dos repetidos pedidos, em 2025 e 2026.

Roma prefere aplicar a lei de forma automática, sem considerações doutrinárias. A sanção se aplica por si só ou, melhor ainda, segundo alguns comentaristas, os bispos teriam se excomungado a si mesmos…“Dura lex, sed lex; a lei é dura, mas é a lei”, é a desculpa oferecida em voz baixa, pois esse formalismo jurídico pré-conciliar não se coaduna com a recepção fraternalmente ecumênica reservada à “arcebispa” anglicana, Sarah Mullally, ao abençoar cardeais romanos, no último dia 4 de maio. É melhor que a “excomunhão” ocorra automaticamente, sem que as autoridades precisem intervir. Para não terem de se retratar. Continuar lendo

BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – AGOSTO/26

Caros fiéis, 

Não podemos iniciar este 69º boletim sem manifestar, primeiramente, nossa profunda gratidão a Deus, nosso Senhor, que nos concede a graça de sermos membros da grande obra da Tradição, que é a Fraternidade São Pio X, autênticos filhos de Mons. Marcel Lefebvre, em tempos nos quais as almas se encontram tão perdidas, desamparadas e enganadas. Impõe-se, naturalmente, agradecer a nossos superiores, em particular ao Superior Geral, com o seu conselho, que nos guia neste caminho de fidelidade. 

Manifestamos nossa gratidão igualmente ao estimado e querido Padre Francisco Mouroux, que dedicou sete incansáveis anos de seu sacerdócio, em terras estrangeiras, para nos guiar, santificar e instruir na Verdade, no amor à Igreja e à sua Tradição — em uma palavra, no caminho da salvação. Trata-se de uma tarefa que nos compete continuar com fidelidade, sob o manto e a guia de Nossa Senhora das Dores, Mãe do Divino Sacerdote. 

Há exatamente um mês que vivenciamos as sagrações episcopais: momento em que se experimentou um sopro de cristandade em seu maior esplendor. Contudo, uma ponta de tristeza pairava sobre todos. Não tanto pelas ameaças concretizadas por parte do Santo Padre, o Papa, mas pela incompreensão, oposição e negação do Vigário de Cristo a respeito da Tradição. Nisto, paradoxalmente, manifestava-se aquela nota própria e essencial da Igreja que nunca deixa de brilhar em nossa querida Fraternidade, que não é outra coisa senão uma obra da Igreja: a sua romanidade. Continuar lendo

A INDISPENSÁVEL ORAÇÃO EM FAMÍLIA

“Uma família que reza é uma família que vive.”

Fonte: Apostol n°207 – Tradução: Dominus Est

Rezar em família significa formar, na alegria dos filhos de Deus, uma pequena comunidade cristã que se torna uma célula da Igreja.

É no seio da família que as crianças aprendem a rezar e a perseverar na oração. Para as crianças pequenas, em particular, a oração diária em família é o primeiro testemunho da presença viva do Espírito Santo no lar. A família cristã é o primeiro e principal lugar de educação para a oração!

O que rezar, senão elevar a alma a Deus? O batismo nos torna filhos de Deus e nos permite estabelecer uma relação amorosa e filial com nosso Pai Celestial. A oração é esse elo essencial com o Pai para a vida da nossa alma: ela é o oxigênio da nossa alma! Se não falarmos com Deus, a caridade e a fé gradualmente se dissiparão, e Deus desaparecerá dos nossos corações. Continuar lendo

A NOVA TEOLOGIA – PELO PE. GARRIGOU-LAGRANGE – PARTE 3/3

Amazon.com.br: Réginald Garrigou-Lagrange: livros, biografia, última  atualização

 Fonte: Permanencia

Leia a parte 1 clicando aqui.

Leia a parte 2 clicando aqui.

O primeiro artigo do Pe. Garrigou-Lagrange provocou uma resposta mais ou menos irritada, segundo se pode deduzir do segundo com que o ilustre dominicano respondeu às objeções suscitadas pelo precedente. Esta irritação, em boa parte, procede do fato de ter o Pe. Garrigou-Lagrange sublinhado a inclinação pronunciada da nova teologia para a heresia, se é que não constitui ela mesma uma heresia pura.

Nada mais agasta, ao que parece, aos novos teólogos do que esta pecha de heretizantes. Não obstante, deixando o juízo definitivo à Santa Sé, e, quanto à consciência, a Deus Nosso Senhor, notamos uma semelhança não pequena entre eles e aqueles que, no decurso da história, tentaram dilacerar a túnica inconsútil de Jesus Cristo.

Seu modo de proceder dispersivo, sem uma exposição sistemática, como idéias que surgem espalhadas em diversos lugares e diversos autores, lembra os Modernistas, dos quais notara Pio X, de santa memória, na grande encíclica Pascendi: “os Modernistas, com astuciosíssimo engano, costumam apresentar suas doutrinas, não coordenadas e juntas como num todo, mas dispersas, e como separadas umas das outras, a fim de serem tidos por duvidosos e incertos, ao passo que de fato estão firmes e constantes” [fn]É interessante observar uma identidade de pensamento e método entre os novos teólogos e os que escritores, como Jules Romains, atribuem a certas sociedades secretas: “Je vous dit, reprit Lengnau (o mestre que iniciava o estudante nos segredos da Loja): même sur le plan mystique. J’insiste: l’Unité en question va plus loin que l’organisation politique, matérielle, même rationelle du genre humain… elle la depasse, la transcende, et du même coup la traîne derrière elle comme un pêcheur traîne son filet… Une foule d’idées traversait précipitamment l’espirit de Jerphanion. Il pensait à Auguste Comte, et au Grand Etre, à tel passage de Hegel, à telle effusion de Renan, à certains hymnes mystérieux de Hugo… “Il a raison de dire quequelque chose rejoint ces hommes-lá. Um certain même avènement a été désiré, annoncé par eux, par d’autres encore. Il y a une tradition de prophéties…” (Recherche d’une Eglise, Flammarion, Paris, pp. 298/9.). — Os grifos são nossos.[/fn]. Continuar lendo

NEM ÁRIO NEM ATANÁSIO

“The Semi-arians attempted a middle way between orthodoxy and heresy, but could not stand their ground”Cardeal John Henry Newman (1801-1890)

1. Introdução

Há um certo grupo de católicos que, não humildemente e aproveitando-se sofisticamente da clássica definição de virtude1, coloca-se como o caminho certo entre dois desvios do pós-Concílio Vaticano II. Eles se veem como uma bela montanha cercada por dois precipícios, os quais podemos resumir da seguinte maneira:

  • De um lado, os modernistas/progressistas, que dizem: “ainda bem que a Igreja mudou” — celebram a ruptura.
  • Do outro, os tradicionalistas: “infelizmente a Igreja mudou” — lamentam a ruptura.

Para nos salvar desses dois grupos, eis então que vem o “conservador” católico ou, como alguns desse grupo costumam se autointitular, continuístas. Estes, como cavaleiros brancos em armadura reluzente, apresentam sempre os defeitos dos dois lados e, como bons vendedores, colocam-se como a solução verdadeiramente católica. Nem o apego a um passado cristalizado, dizem, nem a tempestade revolucionária.

Não nego que o sofisma tenha seu apelo, caso contrário seus vários fautores não estariam cercados de seguidores de rede social (não que essa métrica signifique algo além de mais problemas para suas almas no Juízo, mas enfim…).

Leia esse excelente texto, por completo, no Verbum Fidelis clicando aqui.
 .

A NOVA TEOLOGIA – PELO PE. GARRIGOU-LAGRANGE – PARTE 2/3

Amazon.com.br: Réginald Garrigou-Lagrange: livros, biografia, última  atualização

Fonte: Permanencia

Leia a parte 1 clicando aqui.

É natural que se investigue a causa desta nova teologia. Responde um bom juiz, diz o Pe. Garrigou-Lagrange, que ela procede da freqüência com os mestres do pensamento moderno. “Recolhemos os frutos da freqüência, sem precauções, dos cursos universitários. Querem freqüentar os mestres do pensamento moderno para convertê-los, e deixam-se converter por eles. Aceitam, pouco a pouco, suas idéias, seus métodos, seu desdém pela escolástica, seu historicismo, seu idealismo e todos os seus erros”. (Pág. 142).

Sem achar que aí se encontra toda a explicação, é certo que os novos teólogos almejam a independência dos filósofos modernos diante das decisões da Santa Sé. Aduz o Pe. Garrigou-Lagrange vários testemunhos desta atitude de rebeldia, envolta no menosprezo mais ou menos voltaireano do que é tradicional e venerável, quase diríamos sagrado nas escolas católicas: a filosofia de S. Tomás.

Vimos acima como a definição clássica da verdade não agradou aos novos que a reputam “quimérica e abstrata”. Em outro passo, louva-se um “feliz adormecimento que protege o tomismo canonizado, e também, como dizia Péguy, enterrado, enquanto vivem os pensamentos votados, em seu nome, à contradição”. (Gaston Fessards, S.J., em Etudes de Nov. 1945, pp. 269/70.) (Pág. 133). Continuar lendo

A NOVA TEOLOGIA – PELO PE. GARRIGOU-LAGRANGE – PARTE 1/3

Amazon.com.br: Réginald Garrigou-Lagrange: livros, biografia, última  atualização

Fonte: Permanência 

O Pe. Garrigou-Lagrange, professor no “Angelicum”, que é a Universidade dos Dominicanos em Roma, nos põe a par de uma nova orientação teológica, em dois artigos publicados na revista da mesma Universidade em 1946, fasc. 3 e 4, e 1947, fasc. 2[fn] “La nuovelle théologie oú va-t-elle?” e “Verité et immutabilité du Dogme”. Estes dois artigos, publicados em separata, trazem, respectivamente, a seguinte paginação: 126-145 e 1-16, Nestas notas vêm citados pelas páginas.[/fn]. Como ele diz que é “estrita obrigação de consciência para os teólogos tradicionais responderem (a estas aberrações)”, “do contrário faltariam gravemente ao seu dever, falta de que deverão dar contas a Deus” (pág. 135), parece-nos oportuno comunicar também aos leitores brasileiros o que se passa na Velha Europa (somente lá?) de hostil e perigoso dentro dos arraiais da mesma Igreja. Vamos nos servir do material fornecido pelo grande teólogo dominicano, e restringir-nos às suas informações, esquecendo, no momento, o que possamos conhecer por outras vias

Fonte: Permanencia

I

Cremos poder afirmar — sempre através do que colhemos nos artigos do Pe. Garrigou-Lagrange — que a primeira preocupação da “Nova Teologia” é criar ambiente favorável às suas idéias, que ela reconhece que são novas e, na aparência, chocantes. É assim que estabelece um princípio, à sua primeira vista sedutor: “Uma teologia que não fosse atual, seria uma teologia falsa” (pág. 126) [fn] Esta frase é do Pe. Henri Bouillard, S. J. (Conversion et grâce chez S. Thomas d’Aquin, 1944, pág. 219).[/fn]. Em outras palavras, deve a ciência teológica, como as demais, acompanhar um progresso que não é exclusivo das ciências experimentais, mas se faz sentir também nas disciplinas transcendentes, a Filosofia e a Teologia.

Quando sabemos o medo que têm os homens de passar por retrógrados, percebemos quanto vai de ardiloso nesta afirmação. Mais. Tomam os novos teólogos o cuidado de amortecer os escrúpulos, que porventura possam surgir, diante de uma doutrina muito estranha: “Isto — dizem — parece a princípio uma loucura; não obstante, visto de perto, não deixa de ter sua verossimilhança, e é mesmo aceito por muitos” (pág. 134). A curiosidade, a tentação do novo, o temor de ser tido por espírito tacanho, estreito, sem visão, a ilusão de que a corrente nova é grande e autorizada, levam facilmente os espíritos menos prevenidos a se deixar seduzir. Atesta um professor, em carta ao do Pe. Garrigou-Lagrange, que estes escritos “exercem grande influência sobre os espíritos medianos” (pág. 1452), que são a maioria. Continuar lendo

APÓS AS SAGRAÇÕES, D. GÄNSWEIN ACUSA A FSSPX DE PROTESTANTISMO: UMA RESPOSTA PONTO A PONTO.

Monsenhor Georg Gänswein, secretário particular de Bento XVI

No dia 4 de julho, o Le Salon Beige publicou uma entrevista com Dom Georg Gänswein, ex-secretário de Bento XVI e atual Núncio Apostólico nos Estados Bálticos. Nela, o prelado formula várias acusações graves contra a FSSPX, em um tom ao mesmo tempo sentimental e doutrinário. Cada uma delas merece uma resposta franca.

Fonte: Medias Presse Info – Tradução: Dominus Est

“Bento XVI levantou a excomunhão como um pai que busca fazer as pazes. Uma mão estendida que eles não aceitaram.”

A frase é comovente. No entanto, também é imprecisa no que sugere.

A FSSPX não rejeitou o levantamento das excomunhões de 2009. Ela a acolheu com gratidão, como um ato de justiça — pois essas excomunhões eram, como já demonstramos em outra ocasião, canonicamente contestáveis. O que a Fraternidade recusou, por outro lado, foi assinar uma profissão de fé que incluísse uma adesão sem reservas aos textos do Concílio Vaticano II — condição que Roma impunha como pré-requisito para qualquer regularização canônica completa.

Mas foi precisamente aí que o diálogo se rompeu, não por obstinação da FSSPX, mas porque os textos em questão levantam problemas teológicos reais que os próprios cardeais, bispos e teólogos, alheios a qualquer corrente tradicionalista, já haviam levantado. Recusar-se a assinar aquilo em que não se acredita não é rejeitar uma mão estendida — é simplesmente honestidade intelectual e fidelidade à fé recebida. Continuar lendo

DOM SCHNEIDER NOVAMENTE: A FSSPX PERTENCE À NOSSA FAMÍLIA. ELA NÃO ESTÁ FORA DA IGREJA

“Ela não é, de forma alguma, cismática. E precisamos corrigir o próprio significado de ‘cismático’. Nos últimos séculos, tivemos uma visão muito reducionista do que é cisma, uma visão completamente legalista. E também tivemos uma visão reducionista do que é obediência. Chegamos até a absolutizar a obediência ao Papa, que é uma criatura, não Deus. O Papa não é Deus. E, de fato, devo afirmar que na mentalidade de muitas pessoas, tradicionais ou conservadoras, inclusive bispos e cardeais até os dias de hoje —, há uma divinização implícita do papa. Digo implícita. Não formal, não explícita, implícita. Portanto, qualquer desobediência é imediatamente rotulada: você é cismático, porque é desobediente.

Isso era estranho à grande tradição da Igreja. Era completamente estranho aos Padres da Igreja. Sou um estudioso da patrística e, portanto, quando Santo Atanásio desobedeceu ao papa, este o excomungou. E o mesmo fez o Papa Libério. Creio que essa excomunhão foi de natureza formal. Naturalmente, segundo a lei, tratava-se de uma excomunhão. Mas acredito que essa excomunhão foi, aos olhos de Deus, inválida. Como pôde o Papa Libério, que colaborou de alguma forma com os arianos, com tamanha ambiguidade, excomungar o maior defensor da ortodoxia? Aos olhos da história, essa excomunhão do Papa Libério contra Santo Atanásio foi injusta e, creio eu, inválida aos olhos de Deus. 

Penso que neste momento, a questão das sagrações da Fraternidade São Pio X é, de certa forma, providencial. Deus permite isso porque somos uma grande família e a Fraternidade São Pio X faz parte da nossa família. Ela não está fora da Igreja.”

Atanásio Schneider 

CISMÁTICOS BONS X “CISMÁTICOS” MAUS

O Papa Leão XIV e o catolicato Aram I, líder da Igreja cismática armênia, na audiência geral na Praça de São Pedro, Vaticano, em 20 de maio de 2026.

Roma condena a FSSPX em nome do cisma, ao mesmo tempo em que faz vista grossa a cismas bem reais. Ainda se pode falar em coerência?

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

É possível ter um raciocínio lógico e, ainda assim, estar errado. Mas o inverso não é possível: afirmações contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. É assim que alguns tentam usar as próprias armas da FSSPX, procurando demonstrar a incoerência de uma posição que afirma, ao mesmo tempo, jurar obediência ao papa e, no entanto, desobedecê-lo abertamente. Não se trata aqui de voltar a discutir a fragilidade de tal objeção, que esquece que a autoridade pode falhar.

O objetivo não é discutir novamente a coerência da posição da FSSPX, que já foi amplamente comprovada, aliás —, mas de examinar a coerência da própria Roma. Sem admitir, nem por um instante, que a FSSPX seja cismática, examinemos se Roma é coerente ao tratá-la como tal, tendo em vista sua atitude em relação a grupos verdadeiramente cismáticos: Continuar lendo

RELATOS INDICAM UMA FREQUÊNCIA REGULAR OU CRESCENTE NAS CAPELAS DA FSSPX EM TODO O MUNDO.

Featured Image

Registros da frequência às Missas de domingo indicam que a ameaça de excomunhão do Vaticano aos fiéis que “aderem” ao “cisma” da FSSPX não desestimulou a frequência às suas capelas.

Fonte: Life Site News – Tradução: Dominus Est

Várias reportagens indicam que, desde que o cardeal Víctor Manuel “Tucho” Fernández emitiu um decreto de excomunhão contra a Fraternidade São Pio X (FSSPX) por suas sagrações episcopais, a frequência às capelas da FSSPX permaneceu estável ou  mesmo aumentou.

Republicando fotos tiradas no último domingo em frente às capelas da FSSPX como prova, a Mason-Dixon Latin Mass Mason-Dixon compartilhou no domingo que “as capelas da FSSPX estão lotadas hoje” e que há filas de pessoas tentando entrar nas capelas que se estendem pelas calçadas. 

“As pessoas estão se ajoelhando nas ruas em frente às igrejas apenas para poderem estar presentes no Santo Sacrifício da Missa”, observou a conta do X. Continuar lendo

AS 3 FRATERNIDADES

DA FRATERNIDADE FARISAICA À FRATERNIDADE CONCILIAR

Algumas breves palavras sobre três fraternidades.

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est

Comecemos por duas delas: a fraternidade farisaica e a fraternidade conciliar.

 A fraternidade farisaica não hesitou em agraciar Pilatos e seus seguidores, tudo com o propósito de condenar Jesus Cristo à morte; ela tinha o diabo como pai, mas fingia ser filha de Abraão; fingia pureza, mas estava podre por dentro, daí a expressão “sepulcros caiados”. E há a fraternidade conciliar, invenção puramente modernista, que busca a unidade com todas as crenças, vendo, como se sabe, uma possibilidade de salvação por meio delas. É uma fraternidade maçônica, falsa, verdadeiramente filha do demônio, à semelhança da primeira que se fazia passar por filha de Abraão, esta se faz passar por católica, e se aquela primeira perseguiu a Cristo, esta outra, na verdade, persegue a Ele, à Sua Igreja, a toda a fé católica, tal como denunciará São Pio X na Encíclica Pascendi: “não sobre as ramagens e os brotos, mas sobre as mesmas raízes que são a Fé e suas fibras mais vitais, é que meneiam eles o machado”, “ela também se faz passar por refrescante, viva, alegre, mas por trás dessa máscara de brancura está totalmente podre, por isso não se hesita em qualificá-la de sepulcro caiado. 

A fraternidade conciliar está consagrada nos documentos conciliares (Dignitatis Humanae, Nostra Aetate) e em diversos documentos escritos pelos Papas pós-conciliares, como o Ut Unum Sint de João Paulo II. mas que eles a colocaram e continuam colocando em prática. A última porcaria recém-saída do forno da tal fraternidade ocorreu há poucas horas, e o veículo Aciprensa a intitula assim: “O Vaticano reúne cristãos e religiões orientais para fortalecer a fraternidade na Europa” (25/6/2026): https://www.aciprensa.com/noticias/126359/vaticano-reune-a-cristianos-y-religiones-orientales-para-fortalecer-la-fraternidad-en-europa

 A ACI Prensa continua: “Representantes do cristianismo e das religiões orientais presentes na Europa reuniram-se em Roma para refletir sobre a fraternidade e promover o diálogo e a cooperação inter-religiosos no continente. O Dicastério para o Diálogo Inter-religioso do Vaticano organizou este encontro, que decorreu entre 23 e 24 de junho na Pontifícia Universidade de Santo Tomás de Aquino (Angelicum), em Roma, sob o título ‘Budistas, cristãos, hindus, jainistas e sikhs na Europa: Construindo a fraternidade através do diálogo e da colaboração‘”. Continuar lendo

MÜLLER, CURA TE IPSUM!

Müller, cura te ipsum!

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

Entre os críticos mais severos das sagrações episcopais da FSSPX destaca-se o Cardeal Müller (que acabou de ordenar padres para o IBP), um dos principais expoentes do “conservadorismo”, que comparou os continuadores da obra de D. Lefebvre ao herege Lutero e ao cismático Henrique VIII(1).

Bem, a ambas as acusações pode-se responder tranquilamente: “Médico, cura-te a ti mesmo!”

Quanto a Henrique VIII, que, como é sabido, deu origem a um cisma e a uma hierarquia antirromana para que seu adultério e concubinato fossem legitimados, lembramos que o Eminentíssimo esteve entre os defensores da ortodoxia da Amoris laetitia (aprovação prática do concubinato(2) e entre os críticos das modalidades de apresentação das infames dubia(3). Continuar lendo

ANÁLISE CANÔNICA: O DECRETO DDF DE 2026 SOBRE A FSSPX

Pelo Cônego de Shaftesbury, vigário judicial (não pertencente à FSSPX)

Fonte: Rorate Caeli – Tradução: Domimus Est

A questão é se o Decreto e a Nota Explicativa emitidos pelo Dicastério para a Doutrina da Fé (DDF) em 2 de julho de 2026 de fato concretizaram o que muitos afirmam, a saber, a excomunhão de seis bispos, mais de setecentos sacerdotes e um número não especificado de fiéis. A resposta sucinta, ao ler os documentos à luz do Código de Direito Canônico, é que não, não se concretizaram..

O próprio Decreto nomeia seis indivíduos: quatro bispos recém-sagrados, o sagrante principal (D. de Galarreta) e um co-sagrante (D. Fellay). A acusação contra os cinco primeiros baseia-se no cânon 1387 CDC, que impõe uma excomunhão latae sententiae a qualquer bispo que sagre sem mandato pontifício, e também àquele que recebe tal sagração.

É importante notar que D.Fellay não é acusado com base no cânon 1387, mas sim no cânon 1364 §1, a disposição geral sobre cisma. Esta é uma divergência juridicamente significativa. O Código não trata automaticamente a sagração episcopal não autorizada como cisma. A invocação da Ecclesia Dei Adflicta (1988) pelo Cardeal Fernández para caracterizar o ato como cismático baseia-se num salto lógico (de um ato de desobediência para uma rejeição total da primazia papal, mas não se trata de um salto verdadeiro, visto que reafirmaram a sua fidelidade ao Santo Padre) que o texto do cânon 751 não sustenta. O cânon 751 define cisma como uma retirada da submissão: um repudio total e deliberado da autoridade, não um único ato de desobediência. Desobediência e cisma são ofensas distintas. Pode-se dizer “Não posso fazer isto” e ainda assim reconhecer uma autoridade. Isso não é o mesmo que dizer “Você não tem autoridade sobre mim”. Continuar lendo

A “EXCOMUNHÃO” DO ABSURDO (E O RIDÍCULO DOS “CONSERVADORES DE INTERNET”)

La “scomunica” dell’assurdo (e il ridicolo dei “conservatori da tastiera”)

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

Em 1º de julho de 2026, Écône reafirmou sua missão: não um ato de rebeldia, mas um ato de suprema fidelidade. Enquanto a tempestade do Concílio continua a dilacerar o Corpo Místico, a sagração de quatro novos bispos representa uma tábua de salvação. Representa a continuidade da ordenação, a sobrevivência do Rito Romano — aquele rito que uma hierarquia desorientada tentou, em vão, relegar ao esquecimento — e a garantia, segundo as promessas divinas, de que a missão católica não se extinga sob o peso do modernismo.

Por essa razão, ler os delírios publicados por certos círculos que se autodenominam “conservadores” — os fariseus de sempre — é um exercício, árduo, de piedade. Eles tentam se agarrar a pretextos da liturgia e do direito canônico para jogar lama sobre a Fraternidade São Pio X, mas acabam apenas expondo sua pobreza espiritual.

O espanto deles diante da não leitura de um mandato apostólico é sinal de que não compreenderam nada do que está acontecendo. A Igreja não é uma sociedade anônima onde tudo se resolve com uma delegação assinada. Quando a Sé Apostólica é ocupada por aqueles que minam a Fé, a autoridade não desaparece, e a necessidade exige que o essencial seja preservado. Ler a declaração do Padre Pagliarani não é um “abuso”, mas sim o ato de um pastor explicando ao seu rebanho por que, em tempos de naufrágio, não se espera pela ordem de um capitão que está afundando o navio. Continuar lendo

O CONCEITO MODERNISTA DE EXCOMUNHÃO

Raio atinge Basílica de São Pedro e causa repercussão na internet | GZH

Revista Guarde a Fé, Ano I, nº 4, jul/set, 2019

Pe. Juan María de Montagut Puertollano

A linguagem e os mitos modernistas

Caros fiéis e amigos do Brasil,

Os artigos do presente número da nossa revista Guarde a Fé são densos o bastante para, após uma leitura atenta, entendermos um pouco melhor o mal do modernismo. Esta corrente de pensamento, que começou promovendo um movimento nos ambientes mais acadêmicos da Igreja, passou, do âmbito teórico da filosofia e teologia, a criar uma estratégia capaz de popularizar suas ideologias. Assim, usando de táticas sutis para se infiltrar em todos os âmbitos da vida da Igreja, acabou invadindo a própria alma dos cristãos. Vivemos hoje as consequências: a fé não é mais a fé senão um sentimento; a caridade não é mais a caridade senão a solidariedade filantrópica; a esperança não é mais a esperança senão a confiança nas forças do ‘progresso’… Sem notar, a maioria dos católicos tem trocado a religião divina e sobrenatural por uma religiosidade natural ao serviço do homem.

Por trás dos bastidores do modernismo inicial e da nossa época, aconteceu o triste evento do Concílio Vaticano II, quem permitiu que esta serpente – que os Papas tiveram tão bem presa desde o século XIX – erguesse a cabeça. Ao obter a carta de cidadania, com a benção papal, o modernismo pôde enfim passar dos textos conciliares à prática, usando os meios de apostolado próprios dos ministros da Igreja. Assim, precisava adaptar a liturgia, a pastoral e a pregação como instrumentos privilegiados para atingir o povo católico fiel, que passou a se chamar habilmente de ‘Povo de Deus’ (expressão aduladora para estimular as vaidades…)

Em 1983, um filósofo católico, Rafael Gambra Ciudad, escrevia o livro A linguagem e os mitos. Nesta interessante obra, ele descreve a sutil manipulação que as ideologias modernas fazem das palavras e da linguagem, quer deformando o seu significando genuíno, quer criando novas expressões. O mestre desta estratégia é o comunismo. Porém, o professor constatava, com tristeza, que «a incrível mutação na atitude da Igreja é o maior êxito desta técnica de penetração e inversão mental. A admissão de certos termos na linguagem é a ponta de lança para penetrar os espíritos deste ‘novo catolicismo’ ou ‘religião humanista’».

E, para melhor compreender a gravidade dos erros modernistas na Igreja, é importante localizar essas palavras novas, ou melhor, com significados novos, para desmascará-los. São muitas, porém gostaria de assinalar algumas que considero recorrentes:

• Comunhão: o termo ‘comunhão’, tradicionalmente, se refere à união na caridade, ou seja, na graça de Deus. Daí a lógica que tem a expressão ‘receber a comunhão’, em relação à Sagrada Eucaristia, pois este ato expressa exteriormente a união, na graça, de todos os que recebem Jesus sacramentado.

Desta primeira acepção, derivou-se um significado canônico, referente à pertença visível à Igreja Católica (pela profissão da mesma fé, participação nos mesmos sacramentos e obediência aos legítimos pastores); ora, o termo foi mais usado no sentido negativo: o ‘excomungado’ era aquele católico banido da comunhão dos outros fiéis, por decisão da autoridade eclesiástica.

Sentido modernista: a palavra ‘comunhão’ é usada atualmente de forma ambivalente, e perdeu a clareza do seu significado clássico. É usada como sinônimo de fraternidade e respeito mútuo, de submissão aos pastores (sem referência alguma à fé católica, fundamento dessa união); e como – eis o pior dos sentidos! – uma mera coincidência material entre crenças e práticas comuns a todos os que se denominam ‘cristãos’. Daí a invenção das expressões ‘comunhão plena’ e ‘comunhão parcial’, como reflexo da maior ou menor proximidade (aparente, exterior, diplomática) entre as chamadas ‘confissões cristãs’. Ora, a comunhão expressa um estado da alma, então, ou ela existe ou não existe, assim como a realidade da graça divina ou está ou não está numa alma, independentemente de seus diversos graus. Por acaso se poderia falar de estar ‘parcialmente’ na graça de Deus? De igual modo, a pertença à Igreja Católica, única Igreja de Cristo, ou é plena ou não é: quer se guardem a fé católica, os sacramentos da Igreja e o reconhecimento da autoridade legítima, quer se rejeite algum desses elementos. Neste último caso, falar-se-á de herege ou cismático, nunca de membro da Igreja (aliás, de qual Igreja?) em ‘comunhão parcial’. Não se dão graus na comunhão, e inventá-los é um modo de relativizar a necessidade da graça de Deus, da verdadeira fé e dos sacramentos, e da pertença à Igreja hierárquica. Eis o trabalho do modernismo, manipulando as palavras para favorecer o mito do falso ecumenismo.

• Tradição: como ensina o Catecismo, a Tradição é a palavra de Deus não escrita, mas comunicada de viva voz por Jesus Cristo e pelos Apóstolos, e que chegou sem alteração, de século em século, por meio da Igreja, até nós. Daí que, em sentido estrito, falemos de ‘Tradição apostólica’ e, em sentido amplo, da ‘Tradição’, ao referirmos aos decretos dos Concílios, aos escritos dos Santos Padres, aos atos da Santa Sé, e às palavras e usos da Sagrada Liturgia. Consequentemente, por definição, todo católico deve ser ‘tradicionalista’, pois isso equivale a aceitar a principal fonte da fé revelada.

Sentido modernista: a palavra ‘tradição’ foi, na prática, banida do vocabulário quotidiano, já que se rompeu a continuidade, principalmente, na transmissão do Magistério e do culto católico multissecular. Quando se usa esta palavra, é para exaltar usos e costumes sociais, culturais, ou até religiosos não católicos. Em referência à acepção teológica, a palavra foi substituída pela expressão ‘tradição viva’, o que é uma contradição, e um modo de disfarçar seu abandono: pretende-se que a Tradição é ainda conservada na Igreja, porém ela é algo vivo, enquanto se adapta aos tempos e à sociedade cristã oferecendo novas formas. Ou seja, a tradição é algo evolutivo, e os meios de transmissão da mesma (magistério, liturgia, pastoral…) devem igualmente evoluir, usando novos conceitos, vocabulário e práticas, conforme evoluem as sociedades. É o mito modernista de um progresso sempre superior da humanidade, que superaria o conhecimento e a vida dos cristãos que nos precederam.

• Carisma: nos catecismos clássicos nem aparece esta palavra. Ela se refere, na teologia, aos dons extraordinários concedidos por Deus à algumas almas, capazes assim de realizar milagres, falar línguas, profetizar, ler as consciências, etc. Estes dons foram mais abundantes nos primeiros tempos do cristianismo, em que Deus quis enriquecer a sua Igreja com esses sinais externos. Passada esta primeira época, os carismas não desapareceram, contudo se tornaram mais raros, podendo ser identificados na vida de alguns santos.

Sentido modernista: a palavra carisma é uma das mais usadas atualmente. Fala-se de carisma em referência às características próprias das diversas vocações na Igreja. Fala-se de carismas para se referir à pretensos dons extraordinários com ocasião de sessões de oração ou de cura e libertação, promovidos por movimentos modernos de leigos. E, igualmente, se fala de carisma, para definir a si mesmo, querendo enfatizar alguma preferência pessoal ou algum dom natural. Mais um mito criado e difundido por esta palavra: o ‘carisma’ dá um selo ‘divino’ a uma multidão de inclinações ou preferências mais naturais do que sobrenaturais, quando não chega ao ponto de confundir autossugestão ou hipnose com a ação direta de Deus.

Caros amigos, é necessário permanecer fiéis ao vocabulário católico tradicional, sempre nítido e direto, para expressar a nossa fé e a poder defender melhor. Não é fazer um favor usar os novos termos com católicos ainda mergulhados nos ambientes modernistas. É por caridade, e com paciência, que os devemos ajudar a enxergar as armadilhas e falsas noções que se encerram nas novas palavras inventadas pelo modernismo. Restaurar a linguagem católica é um dos elementos que contribuirá à restauração da fé nas almas.

Com a minha bênção,

† Pe. Juan María de Montagut Puertollano

Superior do Distrito da FSSPX no Brasil

 

*************************************

ACESSE NOSSO “ESPECIAL DOS ESPECIAIS” COM OS MAIS DIVERSOS ESTUDOS SOBRE SAGRAÇÕES, OBEDIÊNCIA, CISMA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, ECCLESIA DEI, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., CLICANDO AQUI.

CARTA DOS SUPERIORES DA FSSPX AO CARDEAL GANTIN, DE 6 DE JULHO DE 1988

The Sacred Heart: A Collection of Devotions, Histories, and Meditations |  District of Africa

Recordamos essa carta apenas para um paralelo entre a situação da época e a contemporânea. Não é um comunicado oficial atual da FSSPX. 

*******************************

CARTA ABERTA A SUA EMINÊNCIA O CARDEAL GANTIN PREFEITO DA CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS – 06  DE JULHO DE 1988

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Eminência,

Reunidos em torno de seu Superior Geral, os Superiores dos Distritos, Seminários e Casas Autônomas da Fraternidade Sacerdotal São Pio X consideram oportuno expressar-lhes respeitosamente as seguintes reflexões. Continuar lendo

LEÃO XIV, AS “CHAVES DE SÃO PEDRO” E A FRATERNIDADE SÃO PIO X

La FSSPX ante el abismo del cisma: El biógrafo del Papa San ...

Um sermão do Papa mostra que a verdadeira questão em disputa entre o Vaticano e a FSSPX reside na mudança de conceito de verdade e na relação correta entre obediência e verdade.

Fonte: Vitis Vera – Tradução: Dominus Est

(Vitis Vera, blog de Matteo D’Amico) No dia 29 de junho, durante a missa solene da festa de São Pedro e São Paulo, o Papa proferiu um sermão na qual se deteve no tema da unidade, oferecendo uma interpretação específica da simbologia das “chaves de São Pedro”. Creio que não seja imprudente supor que, implicitamente, ele tenha procurado abordar a situação da Fraternidade São Pio X e as sagrações de 1º de julho:

Esta solicitude fiel e paciente pela unidade está bem representada no símbolo das chaves, com o qual frequentemente o identificamos (cf. Mt 16, 19). Com efeito, uma chave não derruba portas, mas abre-as e fecha-as, procurando no seu interior as alavancas certas e acompanhando os seus movimentos, para que os bloqueios desapareçam, os trincos deslizem e as dobradiças girem livremente, unindo os espaços e transformando tantos compartimentos isolados numa única casa acolhedora.”

Essa interpretação nos parece realmente original, mas pouco ligada à Tradição da Igreja. Para Leão, aliás, as chaves servem para abrir portas suavemente, unindo cômodos que, de outra forma, estariam separados e criando a unidade de um único ambiente. É óbvia, creio eu, a alusão à Igreja/casa comum com muitas divisões (muitas diversidades) que o Papa procura fundir em um único “espaço”, no qual, precisamente, todos possam coexistir, apesar da diversidade de ideias. Nada de dramático e tudo muito horizontal, mundano: São Pedro surge como um facilitador de contatos e de amizade entre as diversidades, uma espécie de conciliador dialético das diferenças. Não parece estar em jogo nada que remeta ao drama luminoso da vida eterna, à alternativa entre a salvação e a perdição das almas. Continuar lendo

MÊS DE JULHO, DEDICADO AO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE JESUS CRISTO

Comemoração do Preciosíssimo Sangue Jesus | Rumo à SantidadeFoste imolado e resgataste para Deus, ao preço de teu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça” (Ap 5,9).

Fonte: Hojitas de Fe, 203, Seminário Nossa Senhora Corredentora
Tradução: 
Dominus Est

A Igreja dedica todo o mês de julho ao amor e adoração do Preciosíssimo Sangue de nosso Salvador Jesus. É justo que nós adoremos na santa humanidade de Cristo, com um culto especial, aquelas partes que são mais significativas de algum mistério ou perfeição divina; e assim honramos:

• SEU CORAÇÃO: para prestar culto ao seu amor infinito;

• SUAS CHAGAS: para prestar culto a suas dores e sua paixão;

• SEU SANGUE: para prestar culto ao preço de nossa Redenção.

No entanto, esse culto do Sangue do Salvador assume um caráter festivo no mês de julho e na festa com a qual este mês inicia. Já na Quinta-feira Santa celebramos a instituição da Eucaristia e na Sexta-feira Santa o Sangue de Cristo derramado por nós; mas o acento da celebração centrava-se em sentimentos de dor, de compunção, de contrição. A Igreja volta depois a dar culto à Sagrada Eucaristia na festa de Corpus Christi, e também à Paixão e Sangue do Salvador, mas com maior ênfase nos sentimentos de alegria e triunfo.

Por este culto nós agradecemos a Nosso Senhor a Redenção como uma vitória já obtida, e nos exultamos em tomar parte entre o número dos redimidos, daqueles que foram lavados no Sangue do Cordeiro. E prestamos culto de latria ao Sangue do Redentor, reconhecendo especialmente uma virtude salvadora, como se vê: Continuar lendo

CARTA DO SUPERIOR GERAL DA FSSPX EM RESPOSTA A SUA SANTIDADE, O PAPA LEÃO XIV

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Do Superior Geral
À Sua Santidade, o Papa Leão XIV

Écône, 30 de junho de 2026

Santíssimo Padre,

Agradeço-lhe muito sinceramente pela Carta que teve a gentileza de me enviar.

Fiquei profundamente comovido com a vossa solicitude paternal.

Há muito tempo que desejo ter a oportunidade de me encontrar convosco para expressar pessoalmente o nosso sincero desejo de servir a Igreja. Infelizmente, essa oportunidade ainda não surgiu.

Peço-vos simplesmente que tenha a bondade de considerar a autenticidade dessa intenção, que não é de modo algum forjada. Paradoxalmente, no contexto atual, parece-nos precisamente o nosso dever fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para remendar a túnica de Cristo, rasgada por forças e pressões incompatíveis com um espírito autenticamente católico. Peço-vos simplesmente que considere a autenticidade desta intenção antes de tomarem uma decisão a respeito da Fraternidade São Pio X. Ainda não é tarde demais. Continuar lendo

COMBO REFUTAÇÕES GERAIS

Sites oficiais da FSSPX em Portugal | Distrito de Espanha e Portugal

Combo com os principais “Especiais” do blog contendo os mais diversos textos, notícias, estudos teológicos, canônicos e filosóficos dos assuntos mais pertinentes:

ESPECIAIS DO BLOG: OBEDIÊNCIA E DESOBEDIÊNCIA

ESPECIAIS DO BLOG: AS SAGRAÇÕES NA FSSPX

ESPECIAIS DO BLOG: CISMA???

ESPECIAIS DO BLOG: A MISSA NOVA

ESPECIAIS DO BLOG: ALGUMAS RESPOSTAS A ARGUMENTOS CONSERVADORES

ESPECIAIS DO BLOG: VATICANO II

ESPECIAIS DO BLOG: A LIBERDADE RELIGIOSA

ESPECIAIS DO BLOG: O ECUMENISMO

ESPECIAIS DO BLOG: BREVE CATECISMO SOBRE A IGREJA E O MAGISTÉRIO

ESPECIAIS DO BLOG: PAPAS JOÃO PAULO II, PAULO VI E JOÃO XXIII

ESPECIAIS DO BLOG: A LEI ANTIGA E A LEI EVANGÉLICA SEGUNDO O VATICANO II E SEGUNDO A TRADIÇÃO CATÓLICA

*******************************

OUTROS ASSUNTOS

PROFISSÃO DE FÉ CATÓLICA DA FRATERNIDADE SÃO PIO X PARA ESCLARECER AS ALMAS CONFRONTADAS COM OS ERROS MODERNOS

ESPECIAIS DO BLOG: MARIA MEDIANEIRA E CORREDENTORA

TRADITIO: PARTE 1 – TORNAR-SE SACERDOTE – UMA OBRA DE FÉ

TRADITIO: PARTE 2 – MISSIONÁRIOS CATÓLICOS AO REDOR DO MUNDO – UMA OBRA DE ESPERANÇA

TRADITIO: PARTE 3 – DAR A PRÓPRIA VIDA: UMA OBRA DE CARIDADE

BREVE CRÔNICA DA OCUPAÇÃO NEO-MODERNISTA NA IGREJA CATÓLICA

D. LEFEBVRE, CAUSA DA CRISE NA IGREJA? – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

SEJAM RACIONAIS: TORNEM-SE PROTESTANTES!

CARTA ABERTA AOS CATÓLICOS PERPLEXOS

DO LIBERALISMO A APOSTASIA

OS TRADICIONALISTAS SÃO JANSENISTAS? – PARTE 1

OS TRADICIONALISTAS SÃO JANSENISTAS? – PARTE 2

O INIMIGO E O PROVOCADOR

Imagem do Pin de história

por Dardo Juan Calderón

Tradução gentilmente cedida por Carlos Nougué

Caros perplexos, o problema não é o que fazer diante da dúvida (o que justifica qualquer decisão), mas o que fazer diante da CERTEZA, coisa que compromete e faz perigar até a vida.

Um dos piores males desta farsa modernista é que, assim como não há demônios nem condenados, assim, por conseguinte, tampouco há inimigos. Mesmo entre católicos corretos, costuma-se entender que os inimigos da alma são o Demônio, o Mundo e a Carne, sim, lindíssimo, mas estes inimigos um tanto abstratos se tornam concretos em pessoas. A carne não é algo abstrato, normalmente tem nome e sobrenome, tentadoras formas de encanto. O mundo são instituições e grupos de interesses que nos rodeiam e que nos convocam através de pessoas que têm nome e sobrenome, as quais costumam ser muito agradáveis com gratificações suculentas. E, quanto ao demônio, costuma-se esquecer que há pessoas concretas, “um terço da humanidade”, dirá Monléon (que não é numérico), que trabalham concretamente para o maldito, e estas não nos assaltam pelo lado de amar as coisas, com o pouco bem que trazem em seu ser, mas lá dos abismos do ressentimento, do mal sem bem. 

Há inimigos, concretos, com nome e sobrenome, e o católico durante sua existência trava uma batalha contra essas forças, sim, mas também contra essas pessoas concretas que têm nome e sobrenome. E esta civilização afeminada (sem tomar isto como um insulto, mas como um simples diagnóstico, civilização que premia os temperamentos femininos e reprime as reações viris), que entende mal isto de “amar o inimigo”, de que “há que atacar o pecado e não o pecador”, e perdeu a necessária ferocidade, dentro da serenidade, com que há de enfrentá-los. A Cristandade vituperou muitos inimigos designados coletivamente, mas que se encarnavam em homens singulares que havia que enfrentar e derrubar, aos quais, dando-lhes previamente a possibilidade de conversão, havia que mandar para o outro mundo. Continuar lendo

BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – JULHO/26

Imagem do Pin de história

Caros fiéis,

Este 68º boletim será, para mim, o último. Há sete anos, cheguei à Terra da Santa Cruz a pedido dos meus superiores. Mais uma vez, é a pedido dos meus superiores que deixo o maior país católico do mundo. Gostaria de poder agradecer a cada um dos senhores pessoalmente pelas festas de despedida tão bem preparadas, pelos vossos presentes, pelas vossas cartas carinhosas, pelas vossas orações… mas isso é impossível. Aproveito, portanto, este último boletim para dizer a todos, confrades e fiéis, um imenso obrigado por estes belos anos que passei convosco. 

O Padre João Maria Ferreira da Costa é o sucessor ideal: brasileiro, de mãe francesa, conhece bem o apostolado do nosso priorado. A transição é fácil. No entanto, ele terá de manter, pelo menos nos próximos seis meses, a direção do Colégio São José, além do seu novo cargo de prior. Terá, portanto, muito trabalho. Tenhamos, pois, a caridade de não lhe criar preocupações desnecessárias. Que ele possa contar com o apoio das nossas orações e da nossa ajuda nos diversos aspectos do apostolado. Continuar lendo

DOM STRICKLAND: FRATERNIDADE SÃO PIO X, UMA HISTÓRIA DE AMOR

“…E ainda que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os misterios e toda a ciencia, e tivesse toda a fe, até ao ponto de transportar montanhas, se nao tivesse caridade, não seria nada..” (1 Coríntios 13, 2) 

Fonte: Pillars of Faith – Tradução: Dominus Est

Em momentos de grande tensão dentro da Igreja, devemos lembrar que todo julgamento proferido deve, em última instância, servir à salvação das almas. A verdade nunca pode ser separada da caridade, nem a caridade da verdade. 

À medida que as discussões sobre a Fraternidade São Pio X continuam, acredito que devemos fazer uma pergunta que vá além dos argumentos canônicos ou das disputas históricas. O que moveu esses sacerdotes e fiéis ao longo dos últimos 50 anos? 

Para compreender a Fraternidade, devemos recordar os seus primórdios. Dom Marcel Lefebvre não trilhou esse caminho porque era fácil, nem porque lhe trouxe honra ou paz. Independentemente do que se pense de cada decisão que ele tomou, poucos negariam que ele suportou um imenso sofrimento pessoal. Ele acreditava que os preciosos tesouros confiados por Cristo à Sua Igreja – o Santo Sacrifício da Missa, a celebração reverente dos mistérios sagrados, a formação de sacerdotes santos e os ensinamentos perenes da fé católica – corriam o risco de serem menosprezados. Sua resposta nasceu de um profundo desejo de preservar e transmitir o que gerações de católicos haviam recebido com gratidão.  

Esse amor pela herança sagrada da Igreja continuou a inspirar muitos sacerdotes, religiosos e famílias fiéis que aceitaram incompreensões e sacrifícios porque acreditavam que valia a pena preservar esses tesouros para as gerações futuras.  Continuar lendo