O CÉU É UMA DÁDIVA, NUNCA UM DIREITO

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta quarta parte relembra que o homem, criado à imagem de Deus, é chamado gratuitamente a um destino sobrenatural que ultrapassa as forças de sua natureza. Ela reafirma que somente a graça eleva o homem até Deus e rejeita as doutrinas que reduzem a fé a um mero humanismo.

III – A criação do homem e a ordem sobrenatural da graça

23 – Creio que Deus criou o homem à sua imagem, provido de uma alma espiritual e imortal, capaz de conhecer a verdade, de amar o bem conhecido pela razão natural, e de se voltar livremente para o seu Criador. O homem, portanto, não é o produto necessário de uma evolução cega, nem o mero resultado de forças materiais; vem de Deus como de sua causa criadora, depende de Deus, que o mantém no ser, e está ordenado a Deus como ao seu fim.

24 – Professo que Deus não destinou o homem à sua perfeição meramente natural, senão que o chamou gratuitamente a um fim sobrenatural que ultrapassa absolutamente as forças e os direitos da natureza criada: a visão beatífica, na qual o homem verá Deus face a face e participará da vida íntima da Santíssima Trindade. Que o homem seja chamado a tornar-se filho de Deus, partícipe da natureza divina e herdeiro do Céu, não é a consumação necessária da sua natureza, mas um puro efeito da liberalidade divina. Continuar lendo

CRISE DE AUTORIDADE: QUANDO UM ÓDIO INCONSCIENTE PARALISA A AUTORIDADE

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

Nenhuma sociedade humana pode subsistir sem autoridade. Eis uma verdade fundamental da ordem natural e política: a partir do momento que as pessoas se unem para formar uma comunidade, uma família, uma cidade ou mesmo a Igreja, a existência de um princípio de ordem e direção torna-se absolutamente imprescindível. A autoridade é, portanto, o poder moral conferido a um superior para compelir seus inferiores a agirem em prol do bem comum da sociedade. Ela não pode ser concebida e não tem sentido senão no âmbito social. Sem uma orientação clara, sem uma direção firme em direção a esse bem comum para todo o corpo social, e sem a posse de uma força coercitiva legítima capaz de assumir e impor essa direção, a comunidade se dissolve imediatamente no caos da anarquia ou no choque de interesses particulares.

A origem divina e a natureza paternal do poder

As Sagradas Escrituras afirmam isso sem ambiguidade: toda autoridade vem de Deus. São Pedro ensina isso explicitamente aos primeiros fiéis: “Sêde, pois, submissos a toda a instituição humana, por amor de Deus: quer ao rei, como a soberano, quer aos governadores, como enviados por ele” (1 Pedro 2, 13-14). E quando a autoridade humana falha em sua missão suprema, os Apóstolos recordam simultaneamente sua origem e seus limites: Deve-se obedecer a Deus antes do que aos homens” (Atos 5, 29). Da mesma forma, diante do poder temporal personificado por Pôncio Pilatos, Nosso Senhor Jesus Cristo já havia declarado:Tu não terias poder algum sobre mim, se te não fosse dado do alto.” (João 19, 11). Portanto, se toda autoridade vem de Deus, então ela não deriva seu princípio fundamental de um contrato social arbitrário ou da mera vontade da maioria. Continuar lendo

O EXERCÍCIO DA AUTORIDADE NA EDUCAÇÃO

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

“Meu filho não me obedece, o que esperam que eu faça?” Desiludido, esse pai desistiu; não suporta mais os caprichos do filho, seus gritos, suas lágrimas. Prefere deixar os dias passarem sem lutar; há uma certa paz em renunciar à autoridade, a paz de um cão exausto a deriva, a paz do vencido que se submete à tirania do vencedor, a paz da morte quando a vida abandona o corpo sem alma. Amanhã, essa criança se tornará um adolescente, resistente a toda autoridade, incapaz de tolerar um único comentário ou restrição; ele próprio tiranizado por suas paixões, oscilará entre entusiasmos passageiros e desânimos recorrentes.

Finalmente, na vida adulta, pelo menos em termos de idade, esse indivíduo inflexível e caprichoso será, dependendo da escolha, um revolucionário sempre em guerra contra injustiças reais ou presumidas, um adulto instável incapaz de tomar uma decisão a longo prazo, um cônjuge infiel ou egoísta, um zumbi translúcido sem caráter e sem combatividade, uma pessoa ansiosa e depressiva, sempre inquieta, nunca em paz. Continuar lendo

CEGUEIRAS E VELHACARIAS

What US adults think about Pope Leo XIV, according to a new ...

“As almas encontram-se enfermas de uma terrível Doença: a fadiga e o horror à verdade” (Louis Veuillot)

por Tomás Ignacio González Pondal 

O site Religión en Libertad — bem ganho pelo progressismo — publica a seguinte notícia: “Histórico primeiro encontro entre o Vaticano e o confucionismo para construir uma sociedade ideal”. Acrescenta-se que foi “organizado pelo Dicastério para o Diálogo Inter-religioso” presidido pelo “cardeal George Jacob Koovakad”, e que os move o “falar e escutar, dar e receber, crescimento e enriquecimento mútuos”. E algo mais nos é dito: “Junto ao dicastério vaticano, neste histórico encontro participam a conferência episcopal da Coreia e a Academia Confuciana Coreana, e fazem-no em torno do tema ‘Novo Céu, Nova Terra e Datong [Grande Harmonia, Grande Unidade]: o diálogo cristão-confuciano para construir uma sociedade ideal’”. Pois bem, nos dias 4 e 5 de agosto de 2026, dentro de poucos dias apenas, a política vaticana modernista agora nas mãos do Papa Leão XIV mostrará ao rebanho católico este novo circo com o confucionismo; mais anticatolicismo servido a milhões de pessoas, e ainda há quem diga que não há estado de necessidade geral.

No dia 31 de julho o Papa Leão XIV recebeu a roqueira Patti Smith, «a madrinha do punk». Segundo as notícias, a punk rock foi “criada como filha de uma testemunha de Jeová e recebeu uma forte educação religiosa, que abandonou na adolescência por achá-la demasiado restritiva. A este respeito, Smith escreveu anos depois, na estrofe inicial da sua versão de uma canção dos Them, «Gloria», que «Jesus morreu pelos pecados de alguém, mas não pelos meus», e isso em resposta a essa experiência” (https://es.wikipedia.org/wiki/Patti_Smith). Patti Smith é favorável à manobra assassina chamada aborto e favorável ao orgulho LGBT (muitas das suas letras dão conta disso). Já conhecemos os encontros do Papa Francisco com personagens semelhantes, por exemplo com o ex-presidente Biden. Quando se invocam estes casos, a pastelaria progressista sai a dizer que “Jesus reuniu-se com pecadores”. Mas um “nada a ver” fica-me curto. Porque nos encontros de agora não há admoestações contra os pecados; observa-se antes uma espécie de simpatia e quase uma premiação de itinerários mundanos. Continuar lendo

O ESTADO DE NECESSIDADE INVOCADO PELA FSSPX É REAL?

Em uma entrevista concedida ao Distrito da Itália da Fraternidade São Pio X e publicada em 14 de agosto de 2026, o padre Daniele Di Sorco explica por que os erros decorrentes do Concílio Vaticano II não podem ser combatidos por meras críticas e como a atual crise da Igreja gera um verdadeiro estado de necessidade espiritual.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

FSSPX Itália — O que o senhor responderia aos católicos que reconhecem o caráter problemático desses episódios (oração inter-religiosa em Assis, beijo no Alcorão por João Paulo II, cerimônia da Pachamama no Vaticano e recepção a Sarah Mullaly), mas consideram a reação da Fraternidade São Pio X excessiva ou injustificada?

Padre di Sorco — Existem, de fato, católicos chamados de conservadores e que se opõem a esses excessos.

Por exemplo, católicos que não aceitam a legitimação da homossexualidade, que não aceitam a comunhão a pessoas divorciadas e recasadas, que ficam profundamente perplexos diante de documentos como o de Abu Dhabi, onde se afirma que todas as religiões são fruto da vontade de Deus, que constituem uma riqueza desejada por Deus.

O problema é que esses conservadores param por aí.

Eles rejeitam, digamos, a segunda fase do modernismo, mas aceitam a primeira. Não compreendem que esses desenvolvimentos na esfera moral ou dogmática nada mais são do que as consequências lógicas dos erros do Concílio Vaticano II. Continuar lendo

EM ASSIS: FALSOS CULTOS ADMITIDOS NAS IGREJAS, FSSPX EXCLUÍDA

No domingo, 6 de setembro de 2026, os sacerdotes e fiéis da Fraternidade São Pio X que estavam concluindo sua Peregrinação anual a Assis com o canto do Credo na Basílica de São Francisco, tiveram o acesso ao edifício negado enquanto comunidade. Dom Gabriele d’Avino, Superior do Distrito da Itália, proferiu uma exortação no adro da igreja antes que os peregrinos cantassem o Credo publicamente.

Exortação de Dom Gabriele d’Avino

Antes de lhes dar a bênção final, fazer os últimos comunicados e, em seguida, nos despedirmos ao final desta belíssima edição de nossa Peregrinação anual de Bevagna a Assis, gostaria de dedicar mais um minuto a uma consideração final, a fim de chamar a atenção de vocês para o significado do que realizamos.

Essa peregrinação a pé foi árdua, e o sol não colaborou muito. Mas o Senhor nos deu a graça e a força para podermos dar testemunho público da nossa fé.

Por que testemuhar publicamente essa fé? Recorrerei a uma passagem do apóstolo São Paulo que, em sua segunda epístola aos Coríntios, coloca esta pergunta retórica: “Que harmonia pode haver entre a luz e as trevas? Que harmonia pode haver entre Cristo e Belial?” — Belial sendo um nome dado ao demônio. Continuar lendo

REDEFINIR O CISMA PARA INCLUIR A FSSPX?

Em entrevista concedida ao Distrito Italiano da Fraternidade São Pio X e publicada em 11 de agosto de 2026, o Padre Daniele Di Sorco aborda a acusação de cisma feita contra a FSSPX e explica a distinção entre desobediência a um ato específico de autoridade e recusa da própria autoridade.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

FSSPX Itália — A plena comunhão com a Igreja Católica é tradicionalmente descrita por meio de três vínculos fundamentais: a profissão da mesma fé, a comunhão nos sacramentos e a comunhão no governo da Igreja, ou seja, com o Papa e os bispos em comunhão com ele.

A Fraternidade São Pio X é frequentemente acusada de se encontrar em situação de cisma porque, ao sagrar bispos sem mandato pontifício, teria rejeitado a autoridade do Papa, rompendo assim um desses três laços.

Mas será realmente correto equiparar a desobediência a um ato específico da autoridade à recusa da própria autoridade? Do ponto de vista teológico e canônico, como a Fraternidade explica sua posição? Continuar lendo

PEQUIM ESCOLHE BISPOS COMUNISTAS…E ROMA APROVA

A rendição do catolicismo ao maoísmo.

Pequim escolheu um novo bispo católico, que promoveu a ideologia comunista, participou da “reeducação” política maoísta e negou relatos de perseguição contra católicos em sua própria diocese. Roma o aprovou mesmo assim. A sagração de Paulo Liu Honggang, argumenta Gaetano Masciullo, é um exemplo chocante do que o acordo sino-vaticano produziu: o regime comunista escolhe e Roma apenas concorda.

Fonte: The Remnant – Tradução: Dominus Est

A farsa diplomática da Ostpolitik do Vaticano atingiu um novo e desolador ápice. Em 31 de agosto passado , Paul Liu Honggang foi sagrado bispo de Datong. A nomeação havia sido formalizada pelo Papa Leão XIV em 10 de agosto, meses depois de a Associação Patriótica Católica Chinesa tê-lo “eleito” unilateralmente em 28 de abril. Como já é prática comum: Pequim escolhe, Roma ratifica e consagra.

A figura de Liu Honggang personifica perfeitamente o drama da “sinização” do catolicismo: um processo que não explica a fé à cultura local, como gostariam de fazer crer os defensores do mecanismo sino-vaticano criado sob a direção de Bergoglio e Parolin nos últimos anos, mas subordina a doutrina do Evangelho à ideologia marxista.

O bispo que qualificou as denúncias de perseguição como “inventadas”.

O currículo do novo bispo de Datong fala por si só. Em outubro de 2018, Liu liderou pessoalmente cerimônias de hasteamento da bandeira para promover os “valores socialistas fundamentais”. Quando, em novembro de 2018, oito fiéis de sua diocese assinaram e publicaram na AsiaNews uma carta desesperada, denunciando a destruição de uma cruz, de uma igreja e a apreensão de Bíblias, Liu não agiu como um pastor, mas se tornou um negador da perseguição, publicando uma carta na qual as acusações feitas por seus próprios fiéis foram descartadas como invenções. Continuar lendo

DOM SCHNEIDER SUPLICA QUE ROMA RECONHEÇA OS NOVOS BISPOS DA FSSPX

Em uma entrevista concedida ao jornalista Niwa Limbu para o AdVaticanum, em 2 de setembro de 2026, Dom Athanasius Schneider explica porque ele continua a defender a Fraternidade São Pio X apesar das sanções que se seguiram às sagrações episcopais de 1° de julho. Ele também aborda as ambiguidades do Vaticano II, as exigências impostas à Fraternidade e a reforma litúrgica, respondendo à recente catequese de Leão XIV, que não corresponde “nem à realidade nem à história”.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Santo Atanásio e a desobediência a uma ordem papal

Dom Schneider começa esclarecendo a dimensão da comparação que ele fizera entre a situação atual da Fraternidade e a de Santo Atanásio, sob o papa Libério. De forma alguma ele pretende que o bispo de Alexandria tenha realizado sagrações episcopais sem mandato pontifício: “Nenhuma comparação é exata em 100%. Em situações históricas difíceis, ela serve mais como ilustração. Naturalmente, não comparei o caso de Atanásio ao das sagrações em si. Seria errôneo.”

Tal afirmação seria, além do mais, anacrônica, porque o mandato pontifício não era então requerido na sua forma atual para as sagrações episcopais. O ponto comum reside em outro lugar: em ambas as situações, uma ordem concreta do Papa foi recusada para não comprometer a integridade da fé.

Santo Atanásio tinha recebido do papa Libério a ordem de estabelecer a comunhão eclesiástica com certos bispos hereges ou semi-hereges do Oriente. Essencialmente, dizia-lhe: “Eu, o Papa, estou em comunhão com estes bispos. Como vós, Atanásio, podeis recusar a comunhão com um grupo de bispos com os quais eu mesmo, enquanto Papa, estou em comunhão?” Ele se recusa a obedecer e prossegue, apesar da excomunhão pronunciada contra ele, o governo da sua diocese e da sua província eclesiástica. Continuar lendo

UM NOVO DOCUMENTO APROVADO POR LEÃO XIV: BUDA COMPARADO A SÃO FRANCISCO, EVOLUCIONISMO E PALAVRAS ALEATÓRIAS SOBRE O VEGETARIANISMO. ENFIM, NADA DE SURPREENDENTE

Nuovo documento approvato da Leone XIV: Buddha paragonato a San Francesco, evoluzionismo e parole in libertà sul vegetarianesimo. Insomma, tutto da programma.

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

Trata-se de um emaranhado interminável de palavras, por vezes ilegível, devido à sua prolixidade e falta de conclusões. Mas, sobretudo, devido aos seus erros contidos. Estamos falando do documento “Cuidando da Nossa Casa Comum”: Uma Resposta Responsável e Fraternal ao Deus Trinitário, cujo título por si só já causa certa apreensão.

Aprovado por Leão XIV, trata-se de mais uma confirmação, desnecessária, da plena continuidade com as heterodoxias vaticanosegundistas em geral e bergoglianas em particular. Vejamos rapidamente três observações: Continuar lendo

A FÉ EM DEUS NÃO SE LIMITA À SUA UNIDADE

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Essa terceira parte relembra que Deus é o Criador de todas as coisas, que Ele pode ser conhecido pela razão humana e que Se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo. Ela reafirma que o mistério da Santíssima Trindade deve ser professado integralmente, sem omissões nem atenuações.

II – Deus, princípio e fim de todas as coisas, Santíssima Trindade

18 – Professo a existência de um Deus único, pessoal, vivo e verdadeiro, princípio primeiro e fim último de todas as coisas, que no começo criou a partir do nada o céu e a terra, as coisas visíveis e invisíveis. Infinitamente perfeito, eterno e onipotente, imutável, incompreensível na sua essência e soberanamente livre nas suas obras, Ele é distinto do mundo que criou livremente, que conserva na existência e que governa por meio de sua Providência.

19 – Professo que Deus pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão a partir das suas criaturas, como a causa é conhecida pelos seus efeitos. A fé católica reconhece, de fato, que a inteligência humana é capaz de atingir verdadeiramente a realidade das coisas, de conhecer frequentemente as suas causas e de chegar a verdadeiras certezas. Continuar lendo

UMA PEREGRINAÇÃO ISLÂMICO-CRISTÃ A LOURDES

Poucos meses antes de proibir a Fraternidade São Pio X de celebrar missas, administrar os sacramentos e realizar quaisquer orações públicas no Santuário, Lourdes recebeu uma peregrinação islâmico-cristã na presença de D. Jean-Marc Micas. Durante quatro dias, cristãos e muçulmanos foram convidados a rezar e meditar em torno de uma suposta imagem comum de Maria.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

De 18 a 21 de outubro de 2025, cerca de 100 cristãos e muçulmanos de toda a França reuniram-se em Lourdes para a primeira edição da peregrinação “Juntos com Maria”. O evento foi organizado pela associação de mesmo nome com várias entidades.

O site oficial do Santuário anunciou uma “experiência de oração, partilha, meditação e convívio”, na presença de D. Jean-Marc Micas, bispo de Tarbes e Lourdes. O objetivo declarado era permitir que os participantes “refletissem, recarregassem suas energias, partilhassem, se conhecessem melhor e avançassem juntos em um caminho de esperança”.

Uma cerimônia na capela de Nossa Senhora

Os participantes foram acolhidos na Cité Saint-Pierre, uma instalação dos Serviços Católicos de Assistência em Lourdes. Durante três dias, sucederam-se ensinamentos, discussões em pequenos grupos e momentos de oração. Entre os palestrantes estavam o Padre Jean-François Bour, um frade dominicano do Serviço Nacional para as Relações com os Muçulmanos, Tareq Oubrou, o Grande Imã de Bordeaux, bem como Georges Jousse e Hamid Demmou. Continuar lendo

3 DE SETEMBRO – DIA DE SÃO PIO X

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Nesta data tão importante para a Igreja, listamos abaixo alguns links que já postamos sobre o Santo:

UM GRAVE EQUÍVOCO SOBRE A CULTURA CATÓLICA

Dardo Juan Calderón

Por Dardo Juan Calderón

Fonte: Revista Ultramontano

Por ocasião da publicação do livro “O nascimento da Cultura Cristã” de Rubén Peretó Rivas, publicou-se no site Infocatólica uma entrevista com o autor em que, para além daqueles primeiros tempos da cristandade que a obra percorre, tenta-se uma definição sobre “em que consiste essa cultura” e “quais são os seus momentos mais altos”, partindo do pressuposto de que o entrevistado é um “especialista”. No meio da entrevista, e a modo de conclusão, recorrendo à obra de John Senior, responde à pergunta fazendo um panorama descritivo de todos aqueles fenômenos que constituem essa cultura nos âmbitos artísticos e intelectuais; arquitetura, literatura, pensamento filosófico e teológico de vários autores durante a idade média e, em concordância com a ideia de Senior, dois pontos centrais: primeiro, “a ideia de justiça, de perdão e de humildade, todos derivados do mandamento de amor ao próximo que nos deixou Nosso Senhor Jesus Cristo” e “Em segundo lugar, uma série de tradições e rituais… sobretudo o tesouro enorme da Santa Missa. Todos eles formam parte da cultura cristã e nos identificam como herdeiros e membros dessa cultura. John Senior com acerto afirma que a missa é o centro e o coração da cultura cristã, já que foi em torno da celebração da santa missa onde e como se formou a nossa cultura”.

Tudo muito lindo, sim, sim. Mas não.

Tratando de sair do ambiente esteticista e emotivo em que estes dois autores se instalam, para gozo de seu frívolo mundinho católico, ensaiemos uma resposta mais adequada: a cultura cristã forma-se na consideração e adoção espiritual da Revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo e seus Apóstolos, guardada e interpretada pelo Magistério da Igreja – para isso instituída pelo próprio Cristo – que se encarna numa sociedade política que busca o cumprimento das promessas evangélicas, produzindo com este sentido tudo o que é relacionado à vida de uma sociedade concreta na história. Transformando sob uma nova luz todos os elementos culturais positivos das culturas humanas anteriores. Continuar lendo

QUE “COMUNHÃO”? – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

Na festa de São Pedro e São Paulo, o Papa evocou as chaves como símbolo da unidade da Igreja.

Fonte: La Porte Latine – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio

Nosso Santo Padre o Papa Leão XIV, Vigário de Jesus Cristo e Chefe supremo de toda a Igreja universal, celebrou no dia 29 de junho passado, na presença dos cardeais reunidos em Roma por ocasião do Consistório, a missa da festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo. Foi nessa celebração que o Papa impôs o pálio aos novos arcebispos metropolitanos.

Na homilia que proferiu nesse dia, Leão XIV insistiu na “solicitude fiel e paciente pela unidade” que cabe ao sucessor de Pedro e que é “muito bem expressa pelo símbolo das chaves, com o qual frequentemente o identificamos (cf. Mt 16, 19)”. E desenvolveu assim a descrição da metáfora: “Uma chave, com efeito, não derruba as portas, mas as abre e depois as fecha, procurando em seu interior as alavancas certas e acompanhando seus movimentos, para que os bloqueios se desfaçam, as fechaduras deslizem e as portas girem livremente sobre seus gonzos, unindo assim os espaços e fazendo dos numerosos cômodos isolados uma única e mesma casa acolhedora”.

Como se deve, portanto, compreender, à luz dessa metáfora, a definição da unidade e da comunhão na Igreja? “Do mesmo modo”, explica Leão XIV, “a comunhão na Igreja não se constrói fixando-se nas próprias posições, mas buscando, no coração de cada um, os pontos de encontro na Verdade, à única luz da qual cada um se torna, para o outro, instrumento de crescimento”. E é aqui que surge a questão fundamental: de que “Verdade” se trata? O bispo de Bourges, Dom Sylvain Bataille, fez recentemente eco a essa reflexão do Papa quando, posicionando-se, em um comunicado datado de 13 de julho passado, a respeito das sagrações realizadas pela Fraternidade São Pio X, o recente sucessor de Dom Jérôme Beau declara: “Não sonhemos com uma unidade de compromisso, fundada na ambiguidade” [1]. Continuar lendo

BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – SETEMBRO/26

São Pio X e Inspetoria Salesiana do Sul do Brasil

Caros fiéis, 

Neste mês de nosso padroeiro, São Pio X, convém trazer à tona a célebre frase que ele pronunciou com profunda tristeza, mas irredutível firmeza, quando, em 9 de dezembro de 1905, a Terceira República Francesa aprovou a Lei de Separação da Igreja e do Estado. Dirigindo-se ao episcopado na Encíclica Gravissimo Officii Munere (10 de agosto de 1906), declarou o Papa: Queridos bispos da França, “prefiro uma Igreja pobre, mas livre.” Ou seja, uma Igreja independente do mundo e com mais razão, independente do espírito do mundo. 

Poderíamos nos perguntar por que este santo Pontífice assim procedeu com o país considerado a “Fille aînée de l’Église”— a nação mais rica em catedrais barrocas, mosteiros românicos e conventos. A resposta é simples: “A verdade vos libertará” (Jo 8, 32). Trata-se da liberdade própria daquele que fala com autoridade e simplicidade, movido por uma convicção inabalável, pois a Verdade é simples, perfeita, infinita, imutável, eterna e única. A Verdade é o próprio Deus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6). 

Na Teologia Moral, um famoso axioma prescreve: Bonum ex integra causa, malum ex quocumque defectu (“Para que uma coisa seja boa, deve sê-lo em toda a sua integridade; para que seja má, basta-lhe um único defeito”). Continuar lendo

PROTEGER AS CRIANÇAS DA SUPERPROTEÇÃO

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Pierrot, de um ano, sai para explorar o mundo. Ele solta a barra da cadeira com uma mão… depois com a outra… e acaba caindo no chão de uma forma um pouco brusca. Surpreso com o acidente, olha para a mãe, sem saber o que fazer. Nesse momento há duas possibilidades:

– a mãe corre até ele, preocupada: “Oh, coitadinho! Se machucou?” A reação de Pierrot é imediata: ele percebe pela reação da mãe que é séria e começa a chorar, o que só piora a reação dela: “Não se mexa, fique sentado.

– Ou, ao contrário, a mãe olha para Pierrot com um sorriso gentil e encorajador: “Vamos lá, Pierrot, está tudo bem, tente de novo.” E, tranquilizado, Pierrot continua sua exploração. 

Este incidente aparentemente insignificante e banal ilustrou vividamente duas atitudes opostas: ao se deparar com as pequenas dificuldades da vida, pode-se ajudar a criança a superá-las para prepará-la para os maiores desafios da vida adulta ou, inversamente, sufocar toda iniciativa por meio da superproteção. É ao longo de toda a educação que a abordagem correta deve ser escolhida. 

Pierrot está prestes a iniciar o ano letivo. Será que sua mãe, ainda mais preocupada que o próprio filho, multiplicará suas recomendações, repetindo “não tenha medo” que, na verdade, são dirigidas a sim mesma? Será que ela derramará algumas lágrimas ao ver as crianças desaparecerem na sala de aula? Ou será que ela a encorajará: “Você já é um menino grande, Pierrot; você terá muita coisa para nos contar esta noite, mal posso esperar para ouvir. Continuar lendo

O DEPÓSITO DA FÉ NÃO SE ALTERA

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de fé católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta segunda parte relembra que a fé católica não é fruto de uma evolução nem de uma experiência religiosa, mas da adesão à Revelação divina confiada de uma vez por todas à Igreja, que a transmite fielmente por meio da Sagrada Escritura e da Tradição.

I -A Revelação divina, a fé e a Tradição

7 – Creio que Deus, na sua bondade, chamou o homem, pelo dom da graça, a alcançar a visão beatífica. Sustento firmemente e professo que essa exaltação do homem ultrapassa as forças e as exigências da natureza humana, e que é um dom gratuito de Deus, ou seja, um dom sobrenatural.

8 – Creio que Deus não deixou o homem entregue às suas meras forças naturais, mas lhe revelou os mistérios de sua vida divina e do destino sobrenatural a que o chama. Foi por isso que, depois de ter falado outrora aos profetas na Antiga Aliança, falou definitivamente, por meio do seu único Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, na Nova Aliança, com a qual a Revelação divina se completou perfeitamente.

9 – Essa Revelação é a palavra veraz de Deus, confiada à Igreja como um depósito, e proposta aos homens como regra de fé na forma de um corpo de doutrina, onde os mistérios são formulados de uma maneira que os torna inteligíveis e exprimíveis em palavras. A Revelação não é a expressão progressiva de uma consciência religiosa, nem o fruto de uma experiência coletiva da comunidade dos crentes; é a verdade mesma de Deus comunicando-se de modo sobrenatural à inteligência dos homens para a sua salvação. Continuar lendo

COMPREENDER O AMOR DE DEUS POR NÓS

O que Deus quis ao vir até nós, senão mostrar-nos o seu amor? Se até agora não nos esforçamos para amá-Lo, que ao menos não demoremos mais em retribuir-Lhe amor com amor.”

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O que não nos aparenta valor atrai pouca atenção. Esse é o destino reservado, com demasiada frequência, ao Evangelho. O fiel católico ouve e lê trechos da Sagrada Escritura todos os domingos na missa. O hábito se instala e, com ele, a falta de atenção. Essa negligência é profundamente prejudicial. Pois o que é a Sagrada Escritura, senão uma sucessão de cartas inspiradas pelo coração de Deus, nas quais Ele se revela às suas criaturas? Para ler essas cartas, é preciso, antes de tudo, possuir o espírito que as inspirou. “A letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Cor 3, 6). Sem a fé e a humildade, o texto sagrado permanece mal compreendido, ou carece da atenção necessária. Torna-se, então, letra morta para a alma.

Para evitar essa armadilha, é essencial lembrar-se um fato singular entre todos: Deus escreve ao homem. Deus, na Trindade, digna-se a adaptar-se aos modos de agir do homem, sua criatura, para se dar a conhecer a ele. A simples constatação desse fato demonstra a importância das Sagradas Escrituras na vida de todo cristão. Sobrecarregada pelas muitas preocupações do cotidiano, testada pelas dificuldades da existência ou simplesmente entorpecida pela rotina ou pela mundanidade, a alma fiel chega, às vezes, a esquecer uma verdade que, no entanto, é primordial e fundamental: Deus nos ama, Ele se importa conosco.

A Palavra divina está repleta de exemplos e provas desse amor de Deus por cada um. Ele se manifesta de forma evidente na criação. Deus, então, decidiu livremente compartilhar sua existência, e até mesmo sua vida espiritual, com seres que não existiam. Isso só pode ser explicado por um gesto de amor, pois é preciso amar para dar a vida. Continuar lendo

NÃO HÁ UNIDADE NA AMBIGUIDADE

Em Bourges (como em vários locais do mundo), nada de ecumenismo para os inimigos do ecumenismo.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Ao explicar aos fiéis de sua diocese o alcance das sagrações de 1º de julho, Dom Sylvain Bataille, arcebispo de Bourges, insistiu: Não sonhemos com uma unidade de compromisso, fundada na ambiguidade“. A isso, só podemos concordar.

No entanto, na véspera de sua nomeação como Arcebispo de Bourges, em 15 de outubro de 2025, um encontro ecumênico organizado pela diocese foi realizado em sua sede episcopal com o tema: Descobrindo Formas de Orar… com Lutero e Calvino”. Após apresentações sobre Martinho Lutero e John Calvino — uma delas feita pelo presidente da Igreja Reformada de Bourges — seguiu-se uma discussão, e depois uma oração em comum. Durante a discussão sobre a doutrina dos sacramentos, um padre católico presente insistiu no respeito tanto pela teologia protestante quanto pela católica, já que ambas evoluíram: “Em certo momento, tínhamos 12 sacramentos… Nós também evoluímos!”. Nenhuma explicação foi dada para essa afirmação. Tampouco foi mencionada a questão de que a doutrina católica expressa a verdade revelada, enquanto o protestantismo a contradiz. A cortesia ecumênica exige isso.

Deveríamos considerar isso apenas um deslize ocasional, levando em conta que uma conversa informal pode conter imprecisões, ou  até mesmo descuidos? Continuar lendo

A FÉ CATÓLICA INTEGRAL, NADA MENOS QUE ISSO!

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Essa primeira parte expõe as razões que tornam necessária, hoje em dia, uma profissão integral da fé, sem diminuir em nada a doutrina transmitida pela Igreja.

Em nome da santa e indivisa Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo.

Preâmbulo

1 – Professo e abraço a inteira verdade da fé católica, tal como foi “recebida pelos Apóstolos dos próprios lábios de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou transmitida como de mão em mão pelos próprios Apóstolos conforme lhes ditava o Espírito Santo”, e a seguir conservada fielmente até chegar a nós por uma sucessão ininterrupta na Igreja católica, através da pregação dos papas e dos bispos, dos escritos dos Padres da Igreja e dos teólogos, e das definições dos santos concílios.

2 – Recebo firmemente todas e cada uma das verdades que a Igreja infalível propôs como divinamente reveladas e necessárias para a salvação, seja pelas definições do seu Magistério solene, seja pela unanimidade do seu Magistério ordinário e universal 3. Recebo também tudo o que pertence à doutrina católica em razão de uma conexão necessária com o depósito revelado 4, e tenho por certas as verdades que a Igreja ensinou com constância a fim de preservar esse depósito em face dos erros 5.

3 – Rejeito, consequentemente, todos os erros contrários a essa fé, especialmente os do liberalismo, do  indiferentismo, do modernismo, do ecumenismo e do laicismo, condenados pelos papas Pio IX , Leão XIII, São Pio X, Pio XI e Pio XII. Tais erros, com efeito, obscurecem a doutrina revelada, falseiam a Tradição, desfiguram a santa liturgia, corrompem a moral, enfraquecem o espírito missionário e desagregam a ordem social cristã, causando grave prejuízo à salvação das almas. Continuar lendo

DE MITOS E MALDIÇÕES. O “MITO” CRISTÃO

 Les 50 ans de la nouvelle messe : la fabrication du nouveau missel | FSSPX  Actualités

O sacerdote modernista não é mau sujeito, está tentando “chegar” com a “mensagem” da melhor forma que encontra, porque já perdeu a ideia de que está “renovando um “fato” que tem efeitos em e por si mesmo.

por Dardo Juan Calderón

Não creio que restem muitos que não pensem que o relato evangélico e muito mais o do antigo testamento não seja um “mito” que tem uma “mensagem” a decifrar, à maneira do mito grego ou de outras religiões. O Mito Bíblico. Que não é algo histórico que ocorreu realmente e que, captando o sentido oculto, este nos ajudará a entender algo de nossa existência. E então me pus a pensar que este assunto da fé nesse conjunto de histórias que foram reveladas ao cristão para que cresse, conselhos para que seguisse e leis para que obedecesse, na medida em que passam a ser entendidas como mitos não necessitam de fé, mas de interpretação (hermenêutica), porém… como os outros mitos, atenção, pois devem necessariamente conter uma maldição!

O que se nos quer dizer com isso de que Deus se encarnou em Jesus de Nazaré? Se é um mito, devemos explicá-lo, extrair a “mensagem”. A missa passaria a ser a teatralização do mito, uma atualização dos símbolos desse mito do Deus encarnado que, com a liturgia da palavra, há que ir esclarecendo para os simples. O sacerdote faz um pouco de teatro e o explica. Isso é a nova teologia e a nova liturgia, e isso explica o porquê da suma importância que tem a “liturgia da palavra”, a explicação do mito, a interpretação do mito. A hermenêutica. Quanto ao que corresponde à “teatralização” do mito, é possível que para a melhor interpretação seja necessário fazer uma “versão adaptada” ao novo público e ao novo tempo, utilizando uma simbologia mais adequada a esse público e a esse tempo, como o filme da Odisseia e como as mil versões adaptadas de “Shakespeare” que há no cinema. E essa “adaptação” depende da perícia e das condições do “adaptador”, que consegue que a “mensagem” chegue de melhor maneira. Ratzinger dizia que a crucificação era o símbolo perfeito para a mensagem do sacrifício pelos outros naquela época do século I, mas hoje se pode dizer o mesmo com a ideia do “trabalho” e se entenderia melhor. E algo parecido com a ressurreição, que naqueles tempos significava que despertou da morte, mas que a mensagem é que “hoje vive em nós” e podemos prescindir daquele símbolo pelo de que o amor torna presente aquele que morreu (“A estranha teologia de Ratzinger”, dizia em sua obra Monsenhor Tissier). Continuar lendo

SER HOMEM E SER CRISTÃO: É A MESMA COISA?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A questão do humanismo surgiu desde o início do cristianismo. São Paulo escreve, por um lado, aos Filipenses (capítulo 4): 

“Tudo o que é verdadeiro, honesto, justo, santo, amável, de bom nome, as virtudes, seja isso o objeto de vossos pensamentos.”

E, por outro lado, vejamos os Gálatas (capítulo 6): 

“O mundo morreu para mim na Cruz, e na Cruz eu morri para o mundo.”

São Paulo, portanto, começa por discernir o que vem do mundo: é preciso reter do mundo o que é verdadeiro. Mas há mentiras no mundo. O diabo reina nele como mentiroso. É preciso reter o que é nobre. Mas há baixezas no mundo. O senso de honra às vezes se mistura com a vaidade e a ambição. Devemos extrair do mundo o que é justo, mas a injustiça domina o mundo. O que encontramos no mundo é, antes, sede de justiça. É preciso reter do mundo o que nele há de puro. O exemplo natural das crianças, da maioria delas pelo menos, mas o mundo, como vemos com demasiada clareza hoje, está à mercê da imoralidade. Continuar lendo

O ARCEBISPO DE BOURGES DIANTE DAS SAGRAÇÕES DE 1º DE JULHO – PELO PE. JEAN MICHEL GLEIZE, FSSPX – PARTE 2 DE 2

“A fidelidade não é estática, é dinâmica, na continuidade da fé que é imutável, mas as situações são sempre novas e o Espírito está incessantemente em ação”…

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Leia a Parte 1 aqui

Aos olhos de D. Sylvain Bataille de Bourges (1), a Tradição “não consiste numa herança estática, estagnada e intocável. Pelo contrário, é a transmissão viva da própria fé dos Apóstolos, incessantemente aprofundada sob a orientação do Espírito e vivida em diferentes contextos históricos e culturais” […]“. A fidelidade não é estática, é dinâmica, na continuidade da fé que é imutável, mas as situações são sempre novas e o Espírito está incessantemente em ação”.  A iniciativa das sagrações de 1 de julho ficaria, assim, privada de sua principal justificativa.

Aqui encontramos o discurso evolucionista inaugurado pelo Vaticano II e teorizado por Bento XVI, com a ambiguidade que abre as portas a todo tipo de negação, sob o pretexto de aprofundar a compreensão. O parágrafo 17 da Profissão de Fé apresentada em 24 de junho pela Fraternidade dissipa essa ambiguidade: 

A Tradição pode ser chamada de “viva” não no sentido de que mudaria de significado, mas no sentido de que o Magistério vivo propõe ao longo dos séculos, de maneira sempre mais clara e mais explícita, a mesma verdade com o mesmo significado(2). O que foi crido por todos, sempre e em todo lugar, como pertencente a fé, não pode ser negado nem posto em dúvida por nenhuma voga teológica, nenhuma pressão pastoral, nenhuma necessidade diplomática, nenhuma pretensa exigência do mundo moderno (3).

Vemos claramente, infelizmente, que a “transmissão viva” à qual se refere Dom Bataille instaura uma forma de praticar a religião que altera o sentido da verdade revelada, sob o pretexto da adaptação. A prática do ecumenismo, por exemplo, insinua cada vez mais o erro do indiferentismo.

No que diz respeito ao culto, o arcebispo de Bourges gostaria de criticar a expressão “missa de sempre”, utilizada por Dom Lefebvre, para justificar as reformas litúrgicas do pós-Vaticano II: Continuar lendo

DOM SCHNEIDER: UM ENVOLVIMENTO SÉRIO DO VATICANO COM A FRATERNIDADE SÃO PIO X MARCARIA O “COMEÇO DO FIM” DO PROJETO MODERNISTA

Fonte: Diane Montagna’s Substack – Tradução: Dominus Est

Dom Athanasius Schneider divulgou sua primeira declaração pública desde que Roma declarou que os seis bispos da FSSPX incorreram em excomunhão automática devido às sagrações episcopais realizadas pela Fraternidade em Écône, em 1º de julho, contra a vontade do Papa Leão XIV.

Sua Excelência tem sido uma voz ativa no debate sobre as sagrações, e sua reação às consequências do ocorrido era aguardada com particular interesse. Nos meses anteriores, ele implorou repetidamente ao Papa Leão XIV que concedesse à Fraternidade São Pio X um mandato apostólico, em vez de permitir que o ato prosseguisse sem sua aprovação — principalmente em um “Apelo Fraterno” de 24 de fevereiro, que exortava o Papa a agir como um “construtor de pontes” e alertava contra “uma divisão adicional, verdadeiramente desnecessária e dolorosa, dentro da Igreja”.

Em uma nova declaração intitulada “O dilema entre preservar a integridade inequívoca da fé católica e ser reconhecido canonicamente pelo Papa” (texto completo abaixo), D. Schneider argumenta que a FSSPX se deparou com uma escolha “trágica” e pouco comum: manter-se fiel à doutrina católica tal como sempre foi ensinada ou garantir o reconhecimento formal da Santa Sé.

Ele enquadra a situação atual como um exemplo de um dilema enfrentado anteriormente na história da Igreja, por Santo Atanásio de Alexandria, no século IV. Quando o Papa Libério, sob pressão imperial, entrou em comunhão com os bispos arianos e exigiu que Atanásio fizesse o mesmo, Atanásio recusou-se — e foi excomungado pelo próprio Papa, acusado de “perturbar a paz da Igreja”. Continuar lendo

O ARCEBISPO DE BOURGES DIANTE DAS SAGRAÇÕES DE 1º DE JULHO – PELO PE. JEAN MICHEL GLEIZE, FSSPX – PARTE 1 DE 2

Sua Excelência D. Sylvain Bataille, na qualidade de Arcebispo de Bourges, considerou oportuno divulgar alguns “pontos de referência para compreender a situação” referente às sagrações episcopais da Fraternidade São Pio X( 1).

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

É possível colocar-se acima da Igreja, rejeitar um Concílio que reuniu os bispos de todo o mundo? É possível considerar que, há mais de 60 anos, 7 papas sucessivos, os 8.000 bispos do mundo — com poucas exceções — e a imensa maioria dos sacerdotes e fiéis teriam abandonado a verdadeira fé? Na raiz de todos os cismas, sempre se identifica a mesma tentação: a de acreditar que só se detém a verdade, que só se é fiel, que só se é puro, que só se pode salvar a Igreja.

A unidade da Igreja seria, então, a de uma maioria?… Se fosse esse o caso, já se poderia reverter a questão contra seu autor e perguntar-lhe: “Pode-se rejeitar, em nome do ecumenismo, da liberdade religiosa e da colegialidade, cerca de vinte concílios ecumênicos que reuniram os bispos de toda a história?” Pode-se considerar que, durante quase 2000 anos, 260 papas sucessivos, juntamente com os bispos, os padres e os fiéis, teriam cometido graves erros na fé, desconhecendo os verdadeiros princípios da eclesiologia e da doutrina social?”. A bem ver, sim, se a unidade da Igreja é a de uma maioria, foi justamente a Igreja do Concílio Vaticano II que sucumbiu à tentação de acreditar que é a única detentora da verdade, é precisamente a Igreja desses 7 papas, que há mais de 60 anos pregam uma nova eclesiologia e uma nova doutrina social, que sucumbiram à tentação de acreditar que é a única a ser pura, a ser fiel e a poder salvar as almas. É essa Igreja que seria, de fato, cismática. Continuar lendo

QUAL A CREDIBILIDADE DOUTRINAL E A AUTORIDADE MORAL DO CARDEAL FERNÁNDEZ?

Em 2 de julho de 2026, o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, assinou o decreto de “excomunhão” contra os bispos sagrantes e os sagrados no dia anterior em Écône. É irônico ver este decreto assinado por um prelado que, em 27 de janeiro, durante a sessão plenária de seu dicastério, convidava à “humildade intelectual, espiritual e teológica”.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Na ocasião, ele denunciou uma “absolutização da própria razão ou de determinados critérios morais que poderia levar a graves abusos’. Entre os exemplos mencionados figuravam a Inquisição, as guerras mundiais e o Holocausto… Essa advertência está agora sendo ignorada pelo cardeal argentino, mas apenas porque implica excomungar uma Tradição bimilenar.”

No InfoVaticana, em 6 de julho, Pedro Gómez Carrizo considera que o decreto assinado pelo cardeal Fernández aponta, acima de tudo, para o fracasso de Leão XIV. Ele se indigna, com razão: “Que tal personagem promova uma excomunhão em nome da pureza da comunhão eclesial é simplesmente o cúmulo. É o cúmulo porque um dos aspectos que mais distanciam os excomungados dos excomungadores é que aqueles denunciam, precisamente, até que ponto estes esvaziaram de sentido seus atos”. Em outras palavras: até que ponto transformaram seus atos em algo sem sentido.

E explica em que se transformou hoje a Doutrina da Fé, da qual o cardeal Fernández é responsável: “A doutrina é pouco mais do que o relatório de um grupo de trabalho, sempre dependente do contexto; a moral vem se dissolvendo nessa misericórdia sem julgamento que acompanha o pecador, procurando não incomodá-lo; a liturgia sofre há décadas com a criatividade paroquial; a Alemanha vem há anos ensaiando o cisma por etapas e o Partido Comunista da China ordenando bispos; a Cúria coloca cardeais a serviço de prefeitas religiosas, enquanto casais homossexuais são abençoados desde que não rezem em latim; o trabalho pastoral já não é conduzir as almas à verdade, mas sim amenizar essa verdade, a ponto de ocultá-la completamente, e a sinodalidade conseguiu que antigas heresias renasçam reluzentes, como se tivessem acabado de sair de uma sessão de  brainstorming”. Continuar lendo

COMPREENDER O AMOR DE DEUS POR NÓS NO EVANGELHO

“O que Deus quis ao vir entre nós, senão nos mostrar o seu Amor? Se até agora não nos apressamos em amá-Lo, pelo menos não demoremos mais em retribuir-Lhe amor por amor.”

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

O que não tem valor aparente atrai pouca atenção. Esse é o destino reservado, com demasiada frequência, ao Evangelho. O fiel católico ouve e lê trechos da Sagrada Escritura todos os domingos na missa. O hábito se instala e, com ele, a falta de atenção. Tal descuido é profundamente prejudicial. Pois o que é a Sagrada Escritura, senão uma sucessão de cartas inspiradas pelo coração de Deus, nas quais Ele se revela às suas criaturas? Para ler essas cartas, é preciso, antes de tudo, possuir o espírito que as inspirou. “A letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Cor 3, 6). Sem a fé e a humildade, o texto sagrado permanece mal compreendido, ou carece da atenção necessária. Torna-se, então, letra morta para a alma.

Para evitar essa armadilha, é essencial lembrar um fato singular acima de todos os outros: Deus escreve ao homem. O Deus Trino digna-se a adaptar-se aos modos de agir do homem, sua criatura, para se dar a conhecer a ele. A simples constatação desse fato mostra até que ponto a Sagrada Escritura é importante em toda vida cristã. Oprimida pelas múltiplas preocupações do dia a dia, provada pelas dificuldades da existência ou simplesmente entorpecida pela rotina ou pela mundanidade, a alma fiel chega, às vezes, a esquecer uma verdade que, no entanto, é primordial e fundamental: Deus nos ama, Ele se importa conosco. Continuar lendo

ORDEM E DESORDEM

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Fonte: Le Parvis nº 168 – Tradução: Dominus Est

Um provérbio conhecido afirma que a ordem exterior reflete a ordem interior. Essa verdade, embora às vezes incômoda, não deixa de ser uma realidade profunda. Quem já visitou conventos de freiras pôde observar uma ordem e uma limpeza notáveis, frutos de um espírito de disciplina, pobreza e recolhimento, que geram paz, tranquilidade e alegria interior.

Esse espírito de disciplina e pobreza deveria permear todas as instituições, comunidades e famílias. Trata-se de uma virtude que se adquire desde a mais tenra infância, mas que, infelizmente, se perde cada vez mais em nossos tempos.

Existe uma estreita ligação entre a ordem e a nossa vida espiritual. De fato, toda a obra da nossa vida espiritual consiste em restaurar em nossa alma a ordem que o pecado destruiu na natureza e, particularmente, em nossa alma. Por causa do pecado original, as paixões dominam a vontade e o intelecto, e, portanto, devemos restaurar a ordem, isto é, que o intelecto, iluminado pela Fé, busque a verdade, que a vontade se oriente para o bem e que o intelecto e a vontade controlem as nossas paixões (ordem material; ordem da disciplina na vida; ordem da vida espiritual; ordem da organização; ordem da realização de projetos; ordem da obediência a princípios, regulamentos, estatutos, leis, etc.). Continuar lendo

QUE CADA UM CARREGUE SUA PRÓPRIA MOCHILA

As crianças não estão preparadas para suportar as preocupações dos adultos.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

A família Dupont sai para um passeio. Radiante, Pierrot é o primeiro a pegar uma das sacolas de piquenique. A mãe incentiva a iniciativa do menino, que costuma ser um pouco preguiçoso, mas conhece bem os limites do pequeno: discretamente, ela tira da sacola uma garrafa grande e a coloca na própria bolsa. E, com cada um carregando o peso de acordo com suas forças, a família passa um dia maravilhoso. Daqui a alguns anos, é claro que Pierre, já crescido, conseguirá carregar sacolas muito mais pesadas do que a do piquenique, mas até lá, o peso desproporcional seria esmagador para ele.

Queridos pais, tenham piedade de seus filhos, não os esmaguem sob o peso de suas preocupações, suas tristezas, suas responsabilidades: a alma deles não está madura o suficiente para suportar isso.

Ombros pequenos e fardos pesadas

Há assuntos que não se deve abordar com as crianças ou na presença delas.

Os filhos mais novos da família Martin sabem que a família não é muito rica e, portanto, devem ser cuidadosos com seus pertences; além disso, em uma família simples e unida, a felicidade vem com poucas coisas. Os filhos mais velhos, por sua vez, têm uma vaga noção de que o pai enfrenta sérias dificuldades e que precisarão contribuir com os custos dos estudos trabalhando durante o verão. Somente na vida adulta é que descobriram, de fato, como os negócios do pai faliram por causa de um golpista, e assim por diante. Crianças felizes, eles só souberam das dificuldades financeiras dos pais o que seus ombros frágeis podiam suportar, para ajudá-los a crescer com o espírito da humildade. Continuar lendo