Sermão proferido pelo Revmo. Pe. Carlos Mestre, no Priorado S. Pio X de Lisboa, no Domingo de Ramos, com alguns conselhos práticos para viver santamente a Semana Santa.
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MISSA DO DOMINGO DE RAMOS, DIRETO DO PRIORADO DE SÃO PAULO
BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – ABRIL/23

Caríssimos fiéis,
“Jesus autem tacebat”, “Mas Jesus se calava” (Mt 26,63). Nosso Senhor não respondeu às acusações caluniosas de pessoas mal-intencionadas.
“Jesus autem tacebat”. Esta foi a resposta de Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira (1844-1878), bispo capuchinho da diocese de Olinda (atual diocese de Recife), por ocasião de sua prisão no Arsenal da Marinha no Rio de Janeiro. Logo após sua entronização em sua cidade episcopal (24 de maio de 1872), ele foi confrontado com a hostilidade dos maçons. Sem se retrair das exigências de seu dever, ele empreendeu a conversão, primeiramente, e depois a condenação dos clérigos e leigos católicos pertencentes à seita. A pertinácia de alguns o obrigou a agir. Ele impôs um interdito (suspensão da administração dos sacramentos) em vários lugares de culto.
No final do século XIX, a maçonaria estava conduzindo uma virulenta campanha de perseguição contra a Igreja em todo o mundo. O Brasil não era exceção. A reação de Dom Vital foi insuportável para o governo imperial, sob influência maçônica. Preso em 2 de janeiro de 1874, Dom Vital foi levado à prisão no Rio em 13 de janeiro. Em 2 de fevereiro, ele recebeu seu mandado de acusação, deu-lhe uma resposta dentro de 8 dias. Nós sabemos a resposta: “Jesus autem tacebat”. No final de um julgamento tão iníquo quanto retumbante, Dom Vital foi condenado a quatro anos de prisão com trabalhos forçados. O Imperador Pedro II comutou a sentença para a prisão simples. E finalmente, após pressão de Roma, o “Atanásio brasileiro” foi amnistiado em setembro de 1875. Há um tempo para falar e um tempo para permanecer em silêncio! Continuar lendo
O CARDEAL METEOROLOGISTA

O cardeal Raniero Cantalamessa tem sido o pregador da Casa Pontifícia desde 1980. Como tal, todos os anos, ele prega a Quaresma aos membros da Cúria Romana. O exórdio do primeiro sermão, proferido em 3 de março, mostra claramente que ele prega em sua paróquia.
Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est
Atentem-se: “A história da Igreja no final do século XIX e início do século XX deixou-nos uma lição amarga que não deveríamos esquecer, para não repetir o erro que está em sua origem. Refiro-me ao atraso, ou melhor, à recusa em reconhecer as mudanças ocorridas na sociedade e da crise do modernismo que daí resultou.”
E prossegue: “Que danos resultaram para uns e para outros, quer dizer, tanto para a Igreja como para os chamados [sic] “modernistas”. A falta de diálogo, por um lado, empurrou alguns dos modernistas mais notórios para posições cada vez mais extremas e, em última instância, claramente heréticas.
“Por outro lado, privou a Igreja de enormes energias, provocando em seu interior lagrimas e sofrimentos sem fim, levando-a a se fechar cada vez mais em si mesma e a ficar para trás em relação ao seu tempo.” Continuar lendo
AS ESTRATÉGIAS DO DEMÔNIO – PELO PE. JOSÉ MARIA, FSSPX
Sermão proferido pelo Revmo. Pe. José Maria, no Priorado S. Pio X de Lisboa, por ocasião do I Domingo da Paixão, sobre a luta diária que travamos com as tentações.
A PAIXÃO DA IGREJA – SERMÃO DE D. LEFEBVRE EM 29 DE JUNHO DE 1982

Como pode o Bom Deus permitir escândalos em sua Igreja? Mas também, como pôde permitir o escândalo da cruz – Jesus Cristo humilhado, ferido, morto como um malfeitor, abandonado por seus discípulos escandalizados?
Fonte de esperança, este sermão de D. Lefebvre, por ocasião das ordenações de 1982, alumia o mistério de uma Igreja tão enferma quanto sublime.
Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est
CLIQUE AQUI PARA OUVIR O ÁUDIO ORIGINAL DO SERMÃO DE D. LEFEBVRE
Meus queridos irmãos,
Meus queridos amigos,
Reunimo-nos aqui novamente em Ecône para participar desta comovente cerimônia de ordenação sacerdotal. Com efeito, se existe uma cerimônia que nos faz viver os momentos mais sublimes da Igreja, essa é a cerimônia das ordenações sacerdotais. Em particular, recorda-nos a Última Ceia, onde Nosso Senhor Jesus Cristo fez seus apóstolos sacerdotes.
Recorda-nos também a efusão do Espírito Santo sobre os apóstolos no dia de Pentecostes. E assim a Igreja segue. O Espírito Santo continua a se efundir através das mãos dos sucessores dos apóstolos.
E hoje estamos felizes por poder conferir a ordenação sacerdotal a 13 novos sacerdotes. Não deveria haver ordenações sacerdotais este ano. Na verdade, os estudos passaram de 5 para 6 anos e as consequências desta mudança deveriam ocorrer este ano e é por isso que, normalmente, não deveria haver ordenações sacerdotais, pelo menos para a Fraternidade.
Mas circunstâncias particulares, ocasiões especiais nos levaram hoje a ordenar 7 diáconos da Fraternidade e outros 6 que fazem parte das várias sociedades de irmãos, irmãs, que lutam nesse mesmo combate, com as mesmas convicções, com o mesmo amor pela Igreja. Continuar lendo
MISSA DA ANUNCIAÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM, DIRETO DO PRIORADO DE SÃO PAULO
O MAGISTÉRIO DE JESUS CRISTO

Sem Jesus como Mestre, nenhum homem pode ser salvo.
Fonte: Apostol nº 160 – Tradução: Dominus Est
Jesus não é apenas um profeta, mas é o “único profeta”. Para compreender esta expressão, ensinada pelo Concílio Vaticano I, é necessário definir o que é um profeta. Profeta: “Aquele que fala em nome de Deus” ou “Aquele por quem Deus fala”. Jesus é o Verbo de Deus. Por conseguinte, é a “Profecia” por excelência, e a fonte de todo poder para ensinar em nome de Deus.
Claro que houve profetas, pois acreditamos no Espírito Santo “que falou pelos profetas”. Mas São Paulo é claro: “Deus, tendo falado outrora muitas vezes e de muitos modos a nossos pais pelos profetas, nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio de seu Filho” (Heb 1,1). São Paulo subentende que Deus ensinou imperfeitamente os homens até enviar seu Filho, que ensina perfeitamente. Deus diz isso explicitamente a Moisés: “Eu lhes suscitarei do meio de seus irmãos um profeta semelhante a ti, e porei na sua boca as minhas palavras, e ele lhes dirá tudo o que eu lhes mandar” (Deut 18,18). Os judeus sabiam que esta passagem falava do Messias, como testemunhado pela samaritana, quando ela encontra Jesus. “Quando, pois, ele [o Messias] vier, nos anunciará todas as coisas. Jesus disse-lhe: Sou eu, que falo contigo” (Jo 4, 26).
Na noite da Última Ceia, Jesus, depois de lavar os pés dos discípulos, disse-lhes: “Chamais-me Mestre e Senhor e dizeis bem, porque o sou ” (Jo 13,13). Ele já lhes havia dito, como assinala Santo Agostinho: “Nem façais que vos chamem mestres, porque um só é vosso Mestre, o Cristo ” (Mt 23,10). Cristo, portanto, não é um mestre entre outros, senão o mais perfeito: ele é, por direito, o único Mestre supremo e universal que todos devem ouvir e de quem todos os outros doutores devem haurir. Não só ninguém tem o direito de ensinar depois de Jesus, mas Ele pode até mesmo julgar o que outros profetas disseram antes Dele. “Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás… Pois eu digo-vos que todo aquele que se irar contra teu irmão será submetido ao juízo do tribunal” (Mt 5, 21-22). Continuar lendo
MISSA TRIDENTINA EM RIBEIRÃO – 24, 25 E 26 DE MARÇO

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DA PRIMAZIA DA EDUCAÇÃO SOBRE A INSTRUÇÃO DOS FILHOS

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est
Em nome do secularismo, esta nova religião tanto estatal quanto conciliar, as crianças a partir dos três anos de idade terão agora que receber a escolaridade obrigatória. Mal saíram do seio materno, seus pequenos cérebros são obrigados a engolir noções impostas pelo Estado. Suas imaginações, ainda frágeis e muito tenras, provavelmente ficarão impressionadas, correndo o risco de alterar o processo natural de aprendizagem humana.
Mas qualquer que seja sua previsível deformação, esse ensino não é, de qualquer forma, uma meio de educação. Na verdade não é nem um nem outro. O primeiro, ainda que bem feito, conduz a inteligência em sua busca pelo conhecimento da realidade, a segunda molda um homem inteiro. Com efeito, outra ciência, outra virtude. Nosso mundo, imbuído dos princípios de Jean-Jacques Rousseau, toma a criança por um deus, mas a fé nos revela e a Igreja nos ensina que a prole que a Natureza dá aos pais nasce com esse pecado da natureza, o pecado original. E essa prole, por mais bela que seja, mesmo restaurada pela graça, carrega os resquícios indeléveis desse pecado.
E essa é o verdadeiro desafio da educação desde a primeira infância, quase desde o nascimento. Os pais têm a insigne tarefa de condizir à perfeição, como filhos de Deus, aqueles que eles levaram à pia batismal e que pediram apenas uma coisa: a vida eterna. Continuar lendo
MISSA DE SÃO JOSÉ, ESPOSO DE NOSSA SENHORA, DIRETO DO PRIORADO DE SÃO PAULO
GUERRA E PAZ

Líbia, Síria, Armênia, Ucrânia: uma ladainha inacabada de uma longa série de guerras que marcaram a última década… Como encontrar a paz?
Fonte: Lou Pescadou nº 230 – Tradução: Dominus Est
É certo que Caim e Abel nos ensinaram que a guerra é sempre a consequência do vício: é habitada pela ganância e pela inveja, pela sede de poder e pelo desejo de derrubar. Nesse sentido, é a prova irrefutável do pecado original. Importa-nos, pois, perguntar: se a multiplicação dos confrontos violentos, tanto internamente (em nossos países) como internacionalmente, não seria uma manifestação do pecado que, desde o início, viciou nossas sociedades modernas? Em outras palavras, a guerra, a violência e a destruição não estariam inscritas no próprio DNA do chamado mundo ocidental? Não seriam parte integrante da sua identidade? Isso seria muito grave porque mostraria como nossa cultura é uma cultura de morte, e o quanto nossas sociedades, longe de se unirem, dissolvem-se e dividem-se por natureza.
Não é segredo que o espírito da Revolução Francesa trouxe consigo sua parcela de conflitos, internos e externos. O filme Vaincre ou mourir soube dizer tudo isso. Esse fluxo, infelizmente, jamais se esgotou. Trazendo para uma pequena escala, as greves de hoje recordam-nos disso, assim como os grandes conflitos da última década. Poderia ser de outra forma? Existe paz quando o desejo humano se concentra principalmente nos bens que se multiplicam quando são partilhados.
Assim são os bens de ordem espiritual: quando comunicada, a alegria multiplica-se, a partir si mesma.
Assim é Deus: todos tem sua parte e todos a têm em sua totalidade.
Só há paz interior, portanto, quando o desejo do Infinito que habita no coração humano pode ser alcançado nesse Infinito, e só há paz social e internacional na medida em que este mesmo Infinito é colocado no ápice da busca humana. Quando, ao contrário, os bens espirituais são renegados ou, semelhantemente, são colocados numa esfera puramente privada, então reina a busca pelos bens materiais, de riquezas temporais que se dividem cada vez que são compartilhadas. A sede pelo Infinito então se transforma em ganância, cada vez mais, e o outro torna-se um rival. Ora, nossas sociedades ocidentais definem-se como sociedades de consumo, centradas em bens materiais e perecíveis e admitem também ter como regulador o interesse, e não mais o bem Infinito. Tudo está dito. Eles dividem-se ao invés de unirem-se. São, por natureza, geradores de conflitos, guerras e greves. Continuar lendo
MISSA TRIDENTINA EM RIBEIRÃO – 24, 25 E 26 DE MARÇO

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DEVEMOS MAIS CONFIANÇA A DEUS – PELO PE. CARLOS MESTRE, FSSPX
Sermão proferido no Priorado S. Pio X de Lisboa, por ocasião do III Domingo da Quaresma, sobre a importância de evitar o pecado de forma a mantermos a nossa amizade com Deus.
MISSA DO TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA, DIRETO DO PRIORADO DE SÃO PAULO
É MAIS FÁCIL FAZER PENITÊNCIA COM A VIRGEM

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est
A verdade é que, à primeira vista, a penitência nos assusta. Talvez nós simplesmente não queiramos fazê-la, ou talvez pensemos que não podemos? Mas esse modo de pensar produz maus frutos e leva à destruição da vida da graça, porque é o oposto da vida de Cristo.
A penitência, embora amarga, é tão necessária à nós quanto a comida e a bebida são para o corpo. Mas esse alimento amargo no início, carrega uma doçura espiritual muito especial, acima de tudo o que a terra pode oferecer.
Se isso não é suficiente para nos encorajar no caminho da penitência, nosso bom Pai, que está no céu, nos deu uma terna Mãe para nos moldar em sua prática. Como uma criança toma seu remédio amargo? Ele toma o que não gosta graças aos afagos de sua mãe.
É o mesmo na vida espiritual. E Maria nos ensina dessa forma em Lourdes e Fátima: “Penitência, penitência!“
A vida de Nossa Senhora era, de fato, uma vida de dor sem comparação. Ora, a penitência é essencialmente a dor pelo pecado, com a firme resolução de repará-lo e não fazê-lo novamente. Pela pena de seus pecados, o homem reconhece seus delitos contra Deus, que é a fonte de toda bondade e amante das almas. Continuar lendo
É TEMPO DE PENITÊNCIA – PELO PE. CARLOS MESTRE, FSSPX
Sermão proferido no Priorado S. Pio X de Lisboa, por ocasião do I Domingo de Quaresma, com uma exortação à prática de sacrifícios ao longo deste tempo de penitência.
TONSURA E ORDENS MENORES NO SEMINÁRIO SÃO PIO X, EM ECÔNE – 2023

No dia 4 de março de 2023, sábado das Quatro Têmporas da Quaresma, no Seminário São Pio X em Ecône, D. Tissier de Mallerais conferiu a tonsura clerical a 10 levitas (6 franceses, 2 italianos, 1 luxemburguês e 1 suíço) e a 1 Irmão capuchinho de Morgon, e as Ordens de Porteiro (Hostiário) e Leitor a outros 9 (1 belga, 6 franceses, 1 espanhol e 1 suíço), além de 2 Irmãos capuchinhos de Morgon.
Para apreciar todas as belíssimas fotos das cerimônias clique aqui.
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A FSSPX conta atualmente com (alguns números aproximados):
- 3 Bispos
- 707 sacerdotes
- 137 Irmãos
- 200 Irmãs em 28 casas [“Relacionadas” à FSSPX: 183 professas e 14 noviças]. As freiras ajudam em 15 escolas e administram outras 4. Estão presentes também em muitos Priorados e em duas residências para idosos em Brémien Notre-Dame, na França, e na Maison Saint-Joseph, na Alemanha.
- 19 Irmãs Missionárias do Quênia
- 80 Oblatas
- 250 Seminaristas e 80 pré-seminaristas
Está presente em 37 países e visita regularmente outros 35.
Mantém:
- 1 Casa Geral
- 14 Distritos e 5 Casas Autônomas
- 4 Conventos Carmelitas
- 6 Seminários
- 167 priorados
- 772 centros de missa
- Mais de 100 escolas (do Ensino Básico ao Médio),
- 2 universidades
- 7 casas de repouso para idosos
- Numerosas Ordens Latinas e Orientais tradicionais amigas em todo o mundo
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Nota do blog: Colocamos abaixo alguns links sobre a vocação sacerdotal:
- A VOCAÇÃO SACERDOTAL
- TENHO VOCAÇÃO?
- A FORMAÇÃO DE FUTUROS SACERDOTES
- ENQUETE: O QUE MOTIVA OS JOVENS A ENTRAR EM UM SEMINÁRIO DA FSSPX
- SEMINÁRIOS: FORMAÇÃO DE FUTUROS LÍDERES PARA A IGREJA
- NO CORAÇÃO DE UM SEMINÁRIO CATÓLICO
- OS SEMINÁRIOS DA FSSPX
- AS ORDENS SAGRADAS
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“Senhor, dai-nos sacerdotes,
Senhor, dai-nos santos sacerdotes,
Senhor, dai-nos muitos santos sacerdotes,
Senhor, dai-nos muitas santas vocações religiosas,
Senhor, dai-nos famílias católicas,
São Pio X, rogai por nós”
MISSA DO SEGUNDO DOMINGO DA QUARESMA, DIRETO DO PRIORADO DE SÃO PAULO
POR UM JEJUM PUJANTE

A Quaresma é um tempo de jejum: menos alimento para o corpo e mais alimento para a alma. Como diz o Prefácio deste tempo litúrgico: “Vitias compresses, mentem elevas – Meu Deus, vós que, pelo jejum corporal, reprimis os vícios, elevai a alma, concedei força e recompensa”. Menos comida, mais orações, leituras espirituais, meditações…
Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est
Todavia, esse desejo só será eficaz se for acompanhado de uma firme resolução, realizada de forma dinâmica: jejum das telas, a abstinência dos meios de comunicação. Em outras palavras, menos tempo perdido na internet, na frente do computador, da televisão ou do rádio.
Pois, de que serve querer rezar mais, se nunca deixamos de alimentar uma insaciável curiosidade, se ficamos à espreita a tudo o que circula por aí, com o ridículo desejo de “agarrar a espuma” dos dias atuais?
A Quaresma é inútil quando não nos abstemos de embeber nossas mentes com toda essa confusão midiática, imediatamente expulsa pelas notícias do dia seguinte.
Paul Verlaine descreveu perfeitamente a miséria espiritual que hoje se esconde sob uma superabundância de informações: Continuar lendo
OS 60 ANOS DO CONCÍLIO

Sessenta anos após o Concílio Vaticano II, já não é mais o tempo de adaptar a apresentação da doutrina para torná-la acessível à mentalidade do homem moderno. Parece ter chegado o momento de percorrer um “caminho de conversão e reforma […] institucional e pastoral”.
Uma análise sobre um recente discurso do Papa Francisco.
Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX
Fonte: Courrier de Rome n° 660, janeiro de 2023 – Tradução: Dominus Est
“Irmãos e irmãs, voltemos ao Concílio, que redescobriu o rio vivo da Tradição sem estagnar nas tradições”.
Homilia proferida pelo Papa Francisco em 11 de outubro de 2022 em Roma.
1. Esta é, provavelmente, uma das frases-chave da Homilia proferida pelo Papa Francisco na terça-feira, 11 de outubro de 2022, na Basílica de São Pedro no Vaticano, por ocasião do 60° aniversário da abertura do Concílio Vaticano II (1). O que o bom Povo de Deus poderia lembrar desta reflexão? Muito provavelmente duas palavras: “rio vivo” e “estagnar”. Com efeito, são duas expressões que impressionam as pessoas porque apelam à imaginação. E aqui temos uma amostra particularmente representativa – mais uma! – da maneira surpreendente a qual o Papa nos habituou e que não cessa de nos desconcertar.
2. De fato, é notável como o pensamento do Papa Francisco sempre caminha mais ou menos por metáforas, ou seja, através de imagens que falam, antes de tudo, à imaginação. Certamente, o uso dessas figuras de linguagem é benéfico e mesmo necessário(2), pois está em conformidade com a natureza do homem elevar-se às ideias inteligíveis a partir das realidades sensíveis e concretas. O exemplo ilustrado da metáfora representa, portanto, uma ferramenta preciosa, graças a qual o espírito dos leitores ou dos ouvintes pode aceder à compreensão das definições e das distinções. Mas é ainda necessário que estas definições e distinções estejam presentes no decorrer da apresentação que se apoia na expressão metafórica. E esta expressão intervém às vezes antes que a definição seja dada, e aqui serve para preparar o espírito para compreendê-la e, às vezes após a definição ter sido dada, e aqui serve para dar sua confirmação. Em ambos os casos, para preparar e confirmar, a imagem desempenha o papel de exemplo ou ilustração. Mas é evidente que a ilustração pressupõe a ideia abstrata que se deseja ilustrar e que o exemplo pressupõe a noção geral que se deseja concretizar.
3. Entretanto, somos obrigados a constatar que o discurso pontifício da atualidade se limita, com demasiada frequência, a recorrer a fórmulas que são, sem dúvida, sedutoras, em virtude de sua originalidade, mas que permanecem puramente metafóricas em seu conteúdo. Onde se espera uma explicação ou uma prova, um argumento que, aos olhos da razão, deve explicar a afirmação repetida, não se encontra outra justificação que não seja a de uma imagem, e esta é demasiadamente decepcionante à expectativa do ouvinte, e mais parece um malabarismo. Continuar lendo
BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – MARÇO/23
Caríssimos fiéis,
“Deus é bom, Ele me perdoará“. Muitas pessoas apaziguam sua consciência com esta fórmula, que expressa uma trágica ignorância do amor de Deus. Esta falsa ideia se encontra na concepção moderna da Redenção, que deseja ver neste mistério apenas uma obra de amor, mas não de justiça. Façamos, portanto, um rápido esclarecimento.
O mistério da Redenção é o mistério de Jesus Cristo que morreu na Cruz para redimir todos os homens.
Deus é amor. A Redenção é uma prova evidente disso. O Pai envia seu único Filho à Terra para ser sacrificado por nós. E o Filho aceita generosamente a missão que lhe foi confiada. Toda sua vida será um longo sacrifício completado pela imolação do Calvário, um sacrifício inspirado por seu amor por nós. “Não há maior amor do que dar a vida por aqueles que se ama”. A Redenção é, portanto, a obra de amor por excelência.
Deus é justiça. A Redenção também manifesta a justiça de Deus. Na Cruz, o Filho se oferece por amor à humanidade. Isto é verdade, mas dizer isto não é suficiente. Devemos especificar que a morte de Nosso Senhor tem como objetivo e efeito a redenção dos homens, ao obter o perdão de seus pecados. Assim, a ofensa cometida contra Deus é reparada. Esta reparação, realizada pelo Deus Homem, não só é igual à ofensa, mas a excede em muito. A Redenção é, portanto, obra da justiça por excelência. Continuar lendo
CONFERÊNCIAS DA QUARESMA, PELO PE. SAMUEL BON, FSSPX
FINALIZANDO O MÊS, UMA SELETA DE NOSSOS POSTS DE FEVEREIRO/23

ESTADOS UNIDOS: UNIVERSIDADES CATÓLICAS MULTIPLICAM O NÚMERO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE PRÓ-VIDA
TOMADA DE BATINA E TONSURA CLERICAL NO SEMINÁRIO SANTO TOMÁS DE AQUINO (EUA) – 2023
TOMADA DE BATINA, TONSURA CLERICAL E ORDENS MENORES NO SEMINÁRIO SAGRADO CORAÇÃO (ALEMANHA) – 2023
TOMADA DE BATINA NO SEMINÁRIO SANTO CURA D’ARS (FRANÇA) – 2023
ORAÇÃO DE UM MÉDICO QUE QUER SE SANTIFICAR EM SEU ESTADO
FILHOS DA IGREJA EM TEMPOS DE PROVAÇÃO
NOS ESTADOS UNIDOS, CIÊNCIA E FÉ ANDAM DE MÃOS DADAS
O ÓDIO AO PENSAMENTO: O PONTIFICADO DO PAPA FRANCISCO
SATANISTAS PLANEJAM “RITUAL DE AFIRMAÇÃO DE GÊNERO”
HAITI: UM MISSIONÁRIO SEQUESTRADO E FREIRAS BRASILEIRAS ATACADAS
COMPREENSÃO MÚTUA ENTRE OS ESPOSOS
A PARTICIPAÇÃO NA MISSA, TRADICIONAL OU NOVA, INFLUENCIA A FÉ?
A PAZ NA FAMÍLIA – NAS PALAVRAS DE PIO XII
A QUARESMA – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

Oferecemos aqui uma reflexão de D. Lefebvre sobre a Quaresma.
Fonte: FSSPX Distrito da América Central – Tradução: Dominus Est
Meus queridos irmãos,
De acordo com uma antiga e salutar tradição da Igreja, por ocasião do início da Quaresma, dirijo-me aos senhores para encorajá-los a adentrar plenamente neste tempo penitencial com as disposições desejadas pela Igreja, e para cumprir o propósito para o qual a Igreja as prescreve.
Se eu olhar para os livros da primeira metade deste século, parece-me que indicam três fins para as quais a Igreja recomenda este tempo penitencial:
- Primeiro, refrear a concupiscência da carne;
- Segundo, facilitar a elevação de nossas almas às realidades divinas;
- Finalmente, satisfazer nossos pecados.
Nosso Senhor nos deu o exemplo, durante Sua vida aqui na terra: a oração e a penitência. Entretanto, Nosso Senhor, estando livre da concupiscência e do pecado, fez penitência e, de fato, satisfação por nossos pecados, o que demonstra que nossa penitência pode ser benéfica não apenas para nós mesmos, mas também para os outros.
Rezar e fazer penitência. Fazer penitência para rezar melhor, a fim de se aproximar de Deus Todo-Poderoso. Isso é o que todos os Santos fizeram, e é isso que todas as mensagens de Nossa Senhora nos recordam. Continuar lendo
MISSA DO PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA, DIRETO DO PRIORADO DE SÃO PAULO
A INCOMPREENSÃO DO VALOR DA CRUZ – PELO PE. JOSÉ MARIA, FSSPX
Sermão proferido por ocasião do Domingo de Quinquagésima, no Priorado S. Pio X de Lisboa, lembrando-nos do valor imensurável da cruz e a razão pela qual este é o meio para chegarmos ao Céu.
MISSA TRIDENTINA EM RIBEIRÃO – 24, 25 E 26 DE FEVEREIRO

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MISSA DA QUARTA FEIRA DE CINZAS, DIRETO DO PRIORADO DE SÃO PAULO
VAIDADE ECLESIÁSTICA

Artigo originalmente publicado em outubro de 1992
Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est
Conta-se que um pretensioso padre escreveu uma obra de história local em três volumes: Minha paróquia antes de minha pessoa, Minha paróquia durante minha pessoa, Minha paróquia depois de minha pessoa. O segundo foi, de longe, o mais volumoso. O terceiro volume não foi impresso por falta de Nihil Obstat do sucessor deste glorioso pároco.
Hoje, essa acusação contra a vaidade eclesiástica é facilmente aplicável no terreno mais amplo da era pós-conciliar em geral. Inovadores progressistas escrevem constantemente com a mesma arrogância de nosso presunçoso pároco. Praticamente os dois primeiros volumes já foram escritos e circulam em fascículos: A Igreja antes de nós (todo preto), A Igreja feita por nós (todo rosa). Mas do terceiro volume, o que diriam?
Não há necessidade, claro, de prever um terceiro volume intitulado: A Igreja depois de nós. De fato, não restará nada da Igreja depois deles, nem dogmas, nem liturgia, nem Direito Canônico, nem orações, nem imagens, nem coroinhas, nem sinos, e nem sequer a consolação de um De Profundis.
Pe. Philippe Sulmont, em Toujours curé

