CARTA: QUEM PRESTARÁ CONTAS A DEUS? CONTRA O LEGALISMO SEMÂNTICO DOS MODERNISTAS: A CARIDADE DA VERDADE NAS SAGRAÇÕES DA FSSPX

Lettera / Chi renderà conto a Dio? Contro il legalismo semantico dei modernisti: la carità della Verità nelle ordinazioni della FSSPX

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

por Pietro Pasciguei

Embora muito já tenha sido escrito nas colunas deste blog (RS) — e com admirável diligência — sobre a natureza das sagrações episcopais da FSSPX, o recrudescimento de recentes ataques dialéticos contra a Fraternidade nos impõe um dever adicional de testemunho. Não é minha intenção pecar por obstinação ou cair naquela repetitividade estéril que caracteriza nossos detratores; o objetivo não é jogar lenha na fogueira, mas fornecer aos leitores uma “bússola” doutrinária para se orientarem com firmeza entre os fetiches do legalismo burocrático e a realidade objetiva e dramática do Estado de Necessidade.

Não escrevo para superar em perspicácia aqueles que me precederam – não seria capaz disso –, mas para responder a uma ofensiva teológica específica e dissimulada que tenta usar justamente o Magistério de Pio XII e uma suposta interpretação correta do Concílio Vaticano II como armas para encurralar a Tradição em um beco sem saída. As acusações que aqui iremos refutar não se limitam às habituais denúncias de “desobediência”, mas tentam uma operação de “cirurgia doutrinária” sobre um ponto nevrálgico: a passagem dos termos potestas para munus na Constituição Lumen Gentium. O objetivo dos oponentes é claro: demonstrar que, segundo a nova eclesiologia, o ato de sagrar sem mandato pontifício é “intrinsecamente” cismático, esvaziando efetivamente o conceito de Estado de Necessidade. Nesta contribuição, pretendo demonstrar como a tão alardeada “hermenêutica da continuidade” é, neste caso, um castelo de cartas semântico que desmorona assim que comparado ao Magistério perene da Igreja.

As críticas dirigidas à FSSPX pelas sagrações episcopais de 1º de julho partem de uma premissa de puro legalismo positivista, ignorando o fato de que o direito eclesiástico está a serviço da Fé e não o contrário. Em alguns círculos conservadores ratzingerianos (defensores da nunca comprovada “hermenêutica da continuidade”), tenta-se transformar uma questão de sobrevivência doutrinal em um mero debate técnico sobre a palavra munus versus potestas, esquecendo-se de que a Igreja não é uma academia de semântica, mas o Corpo Místico de Cristo, cuja lei suprema é a salus animarum. Continuar lendo →

LEÃO XIV E A SRA. MULLALY – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE

Tendo permanecido até agora indiferente às iniciativas empreendidas pelo Superior Geral da Fraternidade São Pio X para obter dele uma simples audiência, o Papa Leão XIV recebeu no Vaticano, nesta segunda-feira, 26 de abril, com todas as honras devidas a um arcebispo, a representante oficial do cisma anglicano, que incentiva o lobby LGBT, se declara aberta à possibilidade do aborto e recebeu uma ordenação inválida, perpetrada em desrespeito ao direito divino.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Uma visita estranha

“Uma mulher atravessa o pátio de São Dâmaso no Vaticano, vestida com uma batina púrpura, uma faixa, um colarinho romano, uma cruz peitoral e um anel episcopal. Cardeais a saúdam, abrem-lhe as portas e a acompanham até o gabinete do Papa. Ela posará ao lado de Leão XIV. Receberá as honras devidas a um primaz. Ela abençoará a todos, conforme o costume dos bispos. A imagem circulará pelas primeiras páginas, abrirá os noticiários televisivos, ficará gravada nos livros de história ecumênica. E a imagem dirá, sem palavras, mas com extrema eloquência, o seguinte: diante dessa pessoa e diante do sucessor de Pedro, os sinais sacramentais são intercambiáveis.. 

Essa equivalência visual é falsa. E é falsa de uma forma realmente importante, porque os sinais sagrados não são meros ornamentos protocolares. São o que Santo Agostinho chamava de verba visibilia, palavras visíveis: comunicam uma realidade teológica. […] Significam que aquele que os ostenta recebeu, pela imposição de mãos em sucessão apostólica ininterrupta, o poder da ordenação, o caráter sacramental. […] Esse poder é, na fé católica, a única razão pela qual o bispo se veste como se veste e abençoa como abençoa. Quando o sinal é separado de seu conteúdo, ele não permanece neutro: torna-se ativo na direção oposta. Informa que o conteúdo nunca importou de fato(1). Continuar lendo →

PROGRESSISMO E CONSERVADORISMO: HISTÓRIA DA DISSOLUÇÃO DO HOMEM NO MUNDO E NA IGREJA NOS ÚLTIMOS 100 ANOS

Grupo Companhia das Letras

Fonte: Sì Sì No No, ano XXXV, n. 14 – Tradução: Dominus Est

Esquema introdutório

• Antonio Gramsci (1891-1937) trabalhou na expansão do pensamento revolucionário da década de 1920 até o final da década de 1930. Seu estudo tinha como objetivo fazer com que a filosofia do materialismo dialético marxista fosse aceita intelectualmente por meio de manipulação mental (“entrismo”) e não pela força. Gramsci queria uma “revolução cultural”, ou seja, adquirir a hegemonia, o consenso e a direção da sociedade civil-cultural europeia (penetrando na escola, na imprensa, nas publicações, no judiciário e na mídia de massa). Só então se poderia pensar em ocupar o poder, o governo e o domínio do Estado. Gramsci é o progenitor de todas as correntes revolucionárias (Escola de Frankfurt, Estruturalismo francês) que tentarão, depois dele, trabalhar a revolta dentro do homem individual e não apenas na sociedade.

• Um autor que buscará revolucionar a Europa também religiosamente (e não só culturalmente como Gramsci) é Ernst Bloch (1885-1977), filósofo alemão de origem judaica, que na década de 1960 trabalhou para converter os católicos à dialética social-comunista por meio do diálogo, opondo à religião tradicional ou dogmática (tese) uma religião progressista (antítese), a fim de alcançar um messianismo terreno e imanentista ou “socialismo-cristão” (síntese). Infelizmente, sua estratégia foi bem-sucedida com o Concílio Vaticano II, que se propôs a dialogar com o mundo sem mais querer convertê-lo.

• Dos anos 1920-1930 até os anos 1960, a “Escola de Frankfurt” (Adorno-Marcuse), por meio de drogas, psicanálise, pansexualismo, moda e música pop, tentou revolucionar e aniquilar (a partir da Alemanha e dos EUA) o próprio homem nos aspectos mais profundos de sua alma e personalidade[1] (inclinações, intelecto e vontade) e não mais apenas a sociedade cultural (Gramsci) ou religiosa (Bloch). Continuar lendo →

JESUS CONHECE O CORAÇÃO DE SEUS AMIGOS

Enquanto Ele estava em Jerusalém durante as festas da Páscoa, muitos creram nEle ao ver os milagres que realizava. 

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Nosso Senhor havia começado Seu ministério divino no Templo com um ato de suprema autoridade. A atenção foi atraída para Ele. Os discípulos acorreram a Ele imediatamente. O que Ele havia negado aos sumos sacerdotes do Templo, multiplicou na Cidade; confirmou Sua palavra com sinais. Assim, satisfez as exigências dos judeus e, indiretamente, colocou as autoridades em seus devidos lugares, as quais certamente estavam cientes dos milagres do Senhor. 

Entre esses novos discípulos, muitos eram, na verdade, curiosos atraídos por qualquer novidade, mas em quem dificilmente se podia confiar. Eles ficavam impressionados com os milagres realizados por Jesus; ouviam suas palavras, ficavam comovidos e se misturavam facilmente à multidão que o cercava. Mas, no fundo, seus corações ainda estavam longe das profundas transformações que a verdadeira fé exige dos verdadeiros discípulos do Mestre. 

Por isso, São João, que os conhecia e que talvez tivesse notado muitas deserções em suas fileiras, escreveu sobre eles: Continuar lendo →

A SEGUNDA TÁBUA DE SALVAÇÃO

Não é ao sacerdote que nos confessamos, mas ao próprio Jesus; o sacerdote é apenas um instrumento. Quão bondoso Jesus era para com aqueles que se aproximavam dele!

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

“Tendo proferido estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-Ihes-ão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser–Ihes-ão retidos.” (João 20, 22-23).

Eis o poder extraordinário que Nosso Senhor Jesus Cristo deu aos seus Apóstolos e aos seus sacerdotes: apagar os pecados em Seu Nome. Ele providenciou um remédio tão eficaz e acessível quanto o mal e o pecado que abundavam no mundo.

O sacramento da penitência, comumente chamado de “confissão”, é uma obra de justificação e santificação. Destina-se a perdoar os pecados cometidos após o batismo. Santo Tomás de Aquino chama-o de “a segunda tábua de salvação”.(1) No coração do sacramento, por meio do sacerdote, seu instrumento livre e consciente, é o próprio Jesus quem age diretamente sobre a alma. Ele apaga as manchas do pecado e vivifica a alma com a vida sobrenatural da graça santificante. Essa graça tem dois aspectos: é “curativa” e “elevadora”; isto é, cura as feridas do pecado pessoal e eleva a alma a uma vida cristã mais perfeita. Essa é a parte de Jesus no sacramento da penitência. Continuar lendo →

“QUEM É QUE RASGA A TÚNICA DE CRISTO?” – ENTREVISTA COM O SUPERIOR-GERAL DA FRATERNIDADE SÃO PIO X

“Quem é que rasga a túnica de Cristo?”

“A ruptura não vem da parte da Fraternidade São Pio X, mas da divergência flagrante entre os ensinamentos oficiais e a Tradição e o Magistério constante da Igreja.”

Fonte: FSSPX

FSSPX.Actualités: Senhor Superior-Geral, o anúncio feito pelo senhor, em 2 de fevereiro passado, sobre as futuras sagrações episcopais, causou uma série de reações especialmente fortes. Que acha o senhor disso?

Padre David Pagliarani(1): Entende-se que tenha sido assim, pois trata-se de questão muito sensível para a vida da Igreja. Além disso, os motivos dessa decisão são objetivamente graves: o que está em jogo – o bem das almas – é uma questão capital. É natural, pois, que o debate desencadeado pelo anúncio tenha tido tanta ressonância. No fundo, ninguém ficou indiferente. É este um fator objetivamente positivo, e acho que, providencialmente, corresponde a uma necessidade muito atual. 

Nestes últimos anos, o campo conservador e tradicionalista – no sentido mais amplo – tem por vezes dado a impressão de se reduzir a um ambiente de comentadores, onde são expressas análises, expectativas e frustrações, muitas vezes legítimas, mas que dificilmente se traduzem em posicionamentos realistas e consequentes. Entre eles, há quem ainda aguarde uma resposta da Santa Sé aos dubia formulados dez anos atrás por quatro cardeais – dos quais dois já faleceram – acerca de Amoris lætitia, ou que aguardam a eventual publicação de um novo motu proprio tratando da missa tridentina. Continuar lendo →

LEI DA SHARIA NO VATICANO

Se houvesse muçulmanos vivendo no Vaticano e pedissem a aplicação da sharia, deveria-se atender a esse pedido?

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Há algo de repugnante nisso… E, no entanto, a declaração Dignitatis humanae, uma das mais famosas do Concílio Vaticano II, parece afirmá-lo claramente:

“A liberdade religiosa exige que os grupos religiosos não sejam impedidos de dar a conhecer livremente a eficácia especial da própria doutrina para ordenar a sociedade e vivificar toda a atividade humana.” Dignitatis Humanae nº 4

Como se chega a essa conclusão?

A Declaração afirma que o homem deve estar isento de qualquer coação, seja ela qual for, em matéria religiosa, por parte de qualquer poder humano. Essa imunidade é apresentada como um direito inalienável decorrente da natureza humana e deve ser inscrita na legislação civil (DH n.º 2). Desse direito decorre o de manifestar no espaço público tudo o que a religiosidade comporta de social (DH n.º 4). A única restrição imposta é a dos  “justos limites” (DH n.º 2), baseados nas “justas exigências da ordem pública” (DH n.º 4).

É difícil entender como pode haver “limites justos” ao exercício desse direito se as necessidades do indivíduo são tão amplas e inalienáveis. Essa é a ambiguidade dos direitos humanos, que estabelecem exigências absolutas em relação à pessoa humana, antes de percebermos que a realidade impõe leis ainda mais absolutas! Pode-se sempre proclamar o direito à alimentação suficiente, mas o que isso significa se, após um naufrágio, dez pessoas se encontrarem em uma jangada com apenas uma lata de sardinhas e sem abridor de latas? Continuar lendo →

CARTA A UM BISPO DIOCESANO SOBRE VOCAÇÕES

A perspectiva que a Fraternidade São Pio X pode oferecer à Igreja universal no que diz respeito às vocações sacerdotais.

CLIQUE AQUI e acesso nosso Especial sobre VOCAÇÔES

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Monsenhor,

Uma vez que nossa última conversa versou sobre as vocações sacerdotais, permita-me partilhar fraternalmente com o Sr. minha visão sobre o futuro das vocações nas dioceses.

Parece-me que os responsáveis ​​pela pastoral vocacional muito se beneficiariam se meditassem sobre as grandes lições que as comunidades tradicionais extraíram de sua experiência atual: o florescimento das vocações é, antes de tudo, fruto de uma vida de fé coerente, não apenas individual, mas familiar e social, de uma sólida cultura cristã, e não de uma estratégia de comunicação.

Nossa experiência com vocações

Observamos que as vocações surgem onde o sacerdócio é vivenciado como algo elevado e edificante, não como uma mera função, onde sua missão é vista claramente como sobrenatural e necessária — como um instrumento insubstituível da graça de Deus — e não como uma espécie de assistente social ou administrador. Um pároco da diocese me dizia recentemente:  “Nós nos dedicamos à presença e ao encontro. Vemos coisas belas.” Claramente, ele não inspirará nenhuma vocação. Continuar lendo →

O BOM PASTOR – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

mgr-lefebvre-5Fonte: FSSPX – Distrito do México – Tradução: Dominus Est

 

Eis algumas palavras de Mons. Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, sobre o evangelho de hoje, domingo – Jesus, o Bom Pastor.

 

Nosso Senhor disse no Evangelho do Bom Pastor: “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco e é preciso que Eu as traga, e elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor “(Jo. 10, 16).

 

Esta exortação é completamente contrária ao ecumenismo moderno. Nosso Senhor pede que tragamos as ovelhas. Ele não diz que devemos deixa-las no rebanho onde estão, mas que as conduzamos a Ele. É o que faz o bom padre. Vai buscar as ovelhas perdidas e desviadas no erro, pelo pecado, neste mundo de pecado e sob a influência do demônio; vai busca-las corajosa e zelosamente, imitando desta maneira, o Bom Pastor.

 

Há de ter um coração de pastor, que vai buscar suas ovelhas uma a uma. Continuar lendo →

“E VÓS, NÃO TENHAIS MEDO!”

Ao chegarem ao túmulo onde o corpo de Jesus havia sido depositado, as santas mulheres — Maria Madalena e a outra Maria — ouviram, na manhã da Páscoa e por duas vezes, primeiro do anjo que rolou a pedra e depois do Cristo ressuscitado: “Não tenhais medo!”

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

A expressão, porém, não é nova nas Escrituras: pelo contrário, ela permeia todo o texto sagrado, a ponto de alguns terem encontrado até 365 vezes! Mas ela ganha todo o seu sentido na Páscoa, à luz da Ressurreição: se Jesus Cristo venceu o pecado com sua consequência, a morte, o que bem podem temer todos aqueles que depositaram nele sua fé e sua esperança?

Mais do que imaginamos, o medo — em todas as suas formas, fracas ou fortes — determina, ou pelo menos modifica, nossas ações, pensamentos, reações e planos. Como qualquer outra emoção, o medo não deve ser negado, nem mesmo rejeitado de forma absoluta: ele sinaliza àquele que o sente uma ameaça real ou imaginária; cabe a cada um, então, avaliar a realidade, a gravidade e a iminência do perigo para saber até que ponto é importante deixar o medo prosperar ou não no coração. Continuar lendo →

POR QUE ADMIRAMOS GRANDES HOMENS?

Se o mundo mergulha no marasmo, é porque está à altura dos “heróis” que escolheu a si próprios: homens inúteis cuja fama assenta unicamente na cobertura midiática e não mais na verdadeira virtude.

Fonte: Editorial da revista Fideliter n°263 – Tradução: Dominus Est

A admiração instiga a reflexão. Um acontecimento inusitado, uma atitude inapropriada, uma resposta absurda, surpreende-nos. Todos os sentidos despertados nos incitam a encontrar a razão dessas manifestações inusitadas. E então, com mais ou menos cuidado, nos preocupamos em descobrir o porquê. Alguns se cansarão rapidamente da busca, mas outros, mais perseverantes, irão querer fugir dessa ignorância que os atormenta. Sabemos que os grandes pensadores foram todos pessoas obstinadas que viraram e reviraram, em todos os sentidos, estas observações iniciais para finalmente descobrir o segredo escondido sob a aparência inicialmente desoladora. Conhecemos, por exemplo, o grito de vitória de Arquimedes em sua banheira: eureka, encontrei; e conhecemos o pessimismo de Blaise Pascal, inquieto, que admitiu: “O que mais me surpreende é o fato que nem todos estão surpreendidos com sua fraqueza.” Mas o exemplo mais tocante e mais divino de admiração continua sendo o da Bem-Aventurada Virgem Maria quando o anjo lhe anuncia o privilégio de se tornar a mãe de Deus: “Como se fará isso, eu que não conheço homem algum?”

“O extraordinário provoca admiração e emoção.”

O inusitado, por definição, como o extraordinário, o incomum, o raro, efetivamente provoca admiração; é uma emoção que pode lançar uma vida inteira na busca de uma certeza. O nosso tempo, por mais rico que seja em descobertas científicas, não vê apaziguar esta furiosa paixão pelas novas descobertas, sob o risco de abolir não só toda a moral, mas também as leis naturais sobre as quais não pode deixar de se apoiar. Mas, paradoxalmente, os meios eletrônicos atuais tendem a abafar qualquer admiração: a facilidade que oferecem para possuir tudo e rapidamente gera, em muitos, desencanto e decepção. Mentes desiludidas e cansadas tornam-se incapazes de admirar; o virtual destrói o inusitado.

E, no entanto, a natureza, sua flora e fauna criadas pelo bom Deus, nunca deixará de nos surpreender no pouco que lhe prestamos atenção. “Que Deus me conceda o dom de ouvir sempre… a imensa música das coisas…de descobrir os maravilhosos bordados da vida”, disse um jesuíta inclinado ao Ômega. Continuar lendo →

TRADIÇÃO: UMA EXPERIÊNCIA FORMIDÁVEL E TEMIDA

Entre os benefícios espirituais das sagrações episcopais que ocorrerão em Écône em 1º de julho de 2026, estará o de permitir que todos aqueles que assim o desejarem vivenciem a Tradição, tal como pretendia Dom Marcel Lefebvre.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

É precisamente essa experiência que os progressistas temem, como afirmou inequivocamente o jesuíta Thomas Reese no Religion News Service, em 13 de abril de 2021: “A Igreja deve deixar claro que deseja o desaparecimento da liturgia não reformada [destaque nosso] e que só a autorizará por bondade pastoral para com os idosos que não compreendem a necessidade de mudança. Crianças e jovens não deveriam ser autorizados a assistir a essas missas [sic]..” – Em outras palavras, a Missa Tridentina é proibida para menores de 18 anos e reservada para maiores de 98 anos.

Esse é o objetivo do Motu proprio Traditionis custodes de 16 de julho de 2021, que reduz drasticamente a possibilidade de celebração da Missa Tridentina. Trata-se de confinar a Tradição, de confiná-la a uma reserva para uso de padres e fiéis que se espera que estejam em vias de extinção. E essas medidas profiláticas têm como objetivo proteger a “Igreja conciliar” – como a chamava Dom Giovanni Benelli, em 1976 – do “contágio” da Tradição. Continuar lendo →

A ECLESIOLOGIA ILUSÓRIA DA FRATERNIDADE SÃO PEDRO – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

O legalismo da Fraternidade São Pedro foge à vista do lobo e abandona as ovelhas.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

“Sagrações legítimas?” Este é o título de um texto assinado por “Theologus” e publicado em 11 de abril de 2026 no site “claves.org”(1) pelos sacerdotes da Fraternidade São Pedro. Nele, tentam demonstrar que a argumentação apresentada pela FSSPX para estabelecer a legitimidade das sagrações episcopais que se prepara para realizar, no próximo dia 1º de julho, seria vã.

Esse tipo de discurso não é novo. De fato, desde o início, ou seja, desde o “verão de 1988”, os sacerdotes determinados a não seguir D. Lefebvre em sua decisão de nomear sucessores para o episcopado têm se esforçado para justificar sua posição. Foram, principalmente, os sacerdotes da então nascente Fraternidade São Pedro e, entre eles, o padre Josef Bisig(2). E o fizeram apresentando a iniciativa das sagrações como conduzindo a um episcopado não católico, um episcopado cismático, um episcopado que veicula uma heresia implícita. Reforçado pelo padre de Blignières(3), o estudo do padre Bisig inspira em grande parte a reflexão atual dos padres da Fraternidade São Pedro, em particular tal como se expressa no texto publicado online em 11 de abril(4).

A novidade, se é que existe alguma, consiste em contestar os argumentos apresentados pela FSSPX por ocasião do anúncio das futuras sagrações de 1º de julho de 2026. E em acompanhar o estudo com uma “enfática homenagem” do Cardeal Sarah. Continuar lendo →

ONDE A TRADIÇÃO É VERDADEIRAMENTE VIVIDA, A IGREJA CRESCE.

Um sacerdote húngaro, o padre Daniel Östör, responsável pelo apostolado da juventude da FSSPX na Hungria, regressou de uma viagem de estudos aos Estados Unidos e transmitiu o seguinte relato.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

No início da Quaresma de 2026, durante minha viagem aos Estados Unidos, tive a oportunidade de visitar dois lugares de particular importância na vida da Fraternidade São Pio X: a cidade de Armada, no estado de Michigan, e St. Marys, no estado do Kansas. Esses dois lugares diferem em tamanho e história, mas manifestam duas faces da mesma realidade eclesial.

Armada é uma comunidade familiar com cerca de 600 a 800 membros — a primeira fundação da Fraternidade nos Estados Unidos — que se encontra hoje no início de uma nova fase de desenvolvimento. St. Marys, por outro lado, com seus 5.000 a 6.000 mil fiéis, é quase uma pequena cidade católica, e sob essa forma praticamente única no mundo.

A história de Armada remonta aos primórdios da Fraternidade. A comunidade foi fundada em 1973 pelo próprio D. Marcel Lefebvre. Foi uma experiência especial visitar locais diretamente ligados à sua pessoa e à sua obra. Durante a minha estadia, realizou-se um funeral: foi sepultado um pai de família com mais de noventa anos que, após o serviço militar, dedicou toda a sua vida à Fraternidade. Era pai de mais de dez filhos. A presença de numerosos filhos, netos, familiares e fiéis demonstrou de forma impressionante o quanto essas comunidades se apoiam nas famílias. Continuar lendo →

A VERDADEIRA QUESTÃO EM JOGO NAS SAGRAÇÕES, SEGUNDO O CARDEAL MÜLLER – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

O cardeal recrimina a Fraternidade por adotar a atitude daqueles que acreditam poder remediar as crises “se escondendo em um canto amuado de uma Igreja dos puros, último bastião de ortodoxia que deseja impor sua reintegração completa na Igreja Católica, convertendo-a ao seu próprio cenáculo”. Na verdade, não seria o contrário? Na realidade, não é a Igreja dos puros do Vaticano II, o último bastião entrincheirado do neomodernismo, que deseja impor uma pseudo unidade da Igreja, uma “plena comunhão eclesial”, convertendo todos os católicos à nova liturgia e à nova teologia do Concílio?

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O cardeal Müller, o protótipo do conservador na Igreja?

O cardeal Gerhard Ludwig Müller, nascido em Mainz, em 1947, foi um homem de confiança de Bento XVI. Aliás, foi este último que, em 2 de julho de 2012, quis elevá-lo à dignidade de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e, da mesma forma, lhe confiou a Presidência da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. Dois anos depois, em 12 de janeiro de 2014 – tendo o Papa Bento XVI renunciado nesse ínterim – o Papa Francisco o elevou ao cardinalato.

E foi o novo Cardeal Müller que, no outono de 2014, cinco anos após as primeiras discussões doutrinais de 2009-2011, retoma – na sua qualidade de Presidente da Comissão Ecclesia Dei – o diálogo com a Fraternidade São Pio X, e recebe, em Roma, Dom Bernard Fellay, então Superior Geral da referida Fraternidade. Diálogo que atingiu um ponto sem retorno em 6 de junho de 2017, quando o Cardeal Müller, em nome da Santa Sé, enviou a Dom Fellay uma carta na qual era exigido que, no caso de uma normalização canônica da Fraternidade, ou de um restabelecimento da “plena comunhão”, os membros da Fraternidade “declarem, explicitamente, sua aceitação dos ensinamentos do Concílio Vaticano II e daqueles do período pós-conciliar, concedendo às referidas afirmações doutrinárias o grau de adesão que lhes é devido”, e que reconhecessem “não apenas a validade, mas também a legitimidade do Rito da Santa Missa e dos Sacramentos, de acordo com os livros litúrgicos promulgados após o Concílio Vaticano II”(1). Continuar lendo →

A ABSURDA DEFESA DA FAMÍLIA

AS VIRTUDES DA FAMÍLIA CATÓLICA | DOMINUS EST

Por Dardo Juan Calderón

Fonte: Adelante la fe – Tradução: Dominus Est

No século XX, alertava-se acerca do fato de que a família, como instituição formadora, estava sendo atacada por um sistema liberal individualista, que apontava seus canhões sobre o princípio de autoridade, pilar fundamental de toda instituição. Contudo, ninguém tinha dúvidas sobre as vantagens emotivas de ter uma família e a reprodução tinha seus números mais altos. O que se questionava é se essa família impunha a seu integrante – na qualidade de herdeiro sem benefício de inventário – uma concepção de ordem, uma cosmologia que condicionasse seu recebedor para o resto de sua vida. Aos mais avisados, não se ocultava que essa cosmologia era a essência mesma da instituição, que não era nada além da religião católica – e que, uma vez escamoteada, tudo cairia por seu próprio peso, inclusive a agradável tarefa de se reproduzir. A família é para continuar o religioso, ou se torna uma carga insuportável.

O assunto vinha de um século antes, pensado como estratégia para romper os esquemas sociais estabelecidos pelo “Antigo Regime” mediante o Código Civil Napoleônico que rompia com os patrimônios familiares, debilitando a coesão social e aumentando a pressão do Leviatã. Os confusos desvios monárquicos do corso e seu acordo (vergonhoso) com a Santa Sé, acordo que pariu o ralliement, fez com que muitos católicos perdessem a clara consciência de que o liberalismo atacava concretamente a Ordem Católica, a Cosmologia Católica e o Antigo Regime somente enquanto sustentava o mundo católico; mas poder-se-ia até salvar o sistema monárquico – desde que não fosse católico, como na Inglaterra. Cresceram crendo que a discussão era assunto de políticas em que se devia fazer acordos e acomodar-se, para desse modo poder seguir sendo católicos – mesmo com o mundo sendo diferente. Continuar lendo →

O DIREITO DE NÃO SABER

Falar sobre tudo sem saber e querer ter uma opinião sobre todos os assuntos é prova da vaidade e da presunção da alma.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Em 8 de junho de 1978, em um famoso discurso na Universidade de Harvard (EUA), o dissidente russo Alexander Solzhenitsyn defendeu um novo direito humano.

“Todos têm o direito de saber tudo. Mas esse é um slogan falso, fruto de uma falsa era. De valor muito maior é este direito confiscado, o direito das pessoas de não saber, de não terem sua alma divina sufocada por fofocas, estupidez e palavras vazias. Uma pessoa que leva uma vida plena de trabalho e significado não tem absolutamente nenhuma necessidade desse fluxo pesado e incessante de informações. (…) A imprensa é o lugar privilegiado onde se manifestam essa pressa e essa superficialidade que constituem a doença mental do século XX. Ir ao cerne dos problemas é-lhe contraindicado, isso não está em sua natureza; ela retém apenas as frases sensacionalistas.”

Alexander Solzhenitsyn, discurso proferido na Universidade de Harvard, 8 de junho de 1978.

Mas Soljenítsin está só.

Quem o ouviu? Quem reivindicou para si esse “direito de não saber”? E quem o colocou em prática? Ninguém, ou quase ninguém…

Esse apelo de Soljenitsyn denuncia um sintoma: o da superficialidade. Por trás desse sintoma, há uma doença. E essa doença tem um nome: a vaidade da alma humana. Na imprensa, nas redes sociais ou em conversas privadas, frases sensacionalistas e julgamentos precipitados são, com demasiada frequência, preferidos ao esforço pela verdade e à caridade do real. Continuar lendo →

PORTAS FECHADAS PARA A FSSPX, MAS ABERTAS AO MODERNISMO

No dia 28 de março, os participantes de uma peregrinação organizada pela FSSPX foram impedidos de entrar no Santuário de Nossa Senhora das Dores, em Cuceglio (perto de Turim, Itália). Dom Aldo Rossi, responsável pela peregrinação, leu uma declaração em frente à igreja. Embora a peregrinação tivesse sido anunciada, as portas permaneceram fechadas diante deles.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O jornal La Voce noticiou que vários padres, as Irmãs Consoladoras do Sagrado Coração, bem como numerosos fiéis — incluindo famílias jovens — participaram desta peregrinação de vários quilômetros, alguns carregando uma imagem de Nossa Senhora das Dores. Conforme escreve o jornal, “os fiéis do priorado de São Carlos de Montalenghe haviam organizado uma peregrinação quaresmal, anunciada com antecedência”. “Não houve Missa, nem celebração litúrgica: apenas algumas orações finais, como gesto de devoção”, estavam planejadas.

O jornal laico La Voce prossegue sua reportagem com espanto: segundo suas fontes, a decisão de fechar as portas ao grupo de peregrinos foi tomada pelo reitor do santuário, D. Luca Meinardi, sob influência de seu superior, o bispo de Ivrea, D. Daniele Salera. O jornal comenta: “Uma escolha que inevitavelmente contradiz um vocabulário eclesiástico que, nos últimos anos, tem enfatizado palavras como acolhimento, inclusão, diálogo e misericórdia.”

Declaração de Dom Aldo Rossi

Caros peregrinos, chegamos ao fim desta peregrinação, mas, como podem ver, encontramos as portas do santuário fechadas porque as autoridades religiosas locais se recusaram a abri-las para nós. Isso nos lembra precisamente as palavras de Santo Atanásio — que estávamos examinando esses dias para publicá-las em nosso boletim, Il Cedro — que diz, entre outras coisas, contra os arianos e semiarianos dos primeiros séculos da Igreja: “Vós tendes que permanecer fora dos lugares de culto, mas permaneceis, contudo, dentro da fé”. “Consideremos o que é mais importante: o lugar ou a fé? A verdadeira fé, certamente.” Continuar lendo →

BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – ABRIL/26

O discípulo continua a missão do Mestre (Jo 20,19-23)

Caros fieís,

No mundo, a palavra “tradição” não tem uma conotação negativa. Pelo contrário, transmite uma imagem positiva e conota qualidade. Ao chegar em Indaiatuba, antes de virar na rua onde será construída a Igreja da Imaculada Conceição, um anúncio de um novo loteamento traz o título bastante apropriado: “A tradiçao encontra um novo capítulo”. No vídeo promocional do projeto, um orador argumenta: “Valorizar a história… raízes profundas… recebendo o novo sem perder a essência”. Ele compreende o conceito de tradição: receber, valorizar e transmitir.

Mas, na Igreja, por que é tão difícil falar sobre tradição(ões) hoje em dia? Vamos arriscar uma explicação baseada na preservação do patrimônio. Essa palavra (derivada do latim patrimonium) originalmente se referia a todos os bens e direitos herdados do pai (pater). Hoje em dia, adquiriu o significado mais geral de “propriedade transmitida a uma pessoa ou comunidade por gerações anteriores”. E quanto ao patrimônio religioso?

No início do ano, um padre diocesano de Minas Gerais me contou que tinha uns 15 anos quando o velho pároco de sua paróquia faleceu. Isso foi na década de 1980. O novo padre havia empilhado todas as vestes litúrgicas em uma propriedade rural para serem queimadas. Ele dirigiu um trator até a nave da igreja, arrancou o piso e removeu todos os corpos enterrados para fazer uma laje de concreto. Continuar lendo →

PADRE DE BLIGNIÈRES E A UNIDADE DA IGREJA – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE

A unidade da Igreja se baseia, em primeiro lugar, na fé, e não na obediência. Inverter esses princípios equivale a transformar a autoridade papal numa tirania.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Desde o anúncio das sagrações ocorrido no último dia 2 de fevereiro, o padre de Blignières ataca, com força redobrada, a Fraternidade São Pio X[1]. De acordo com ele, as sagrações episcopais de 1º de julho serão cismáticas e passíveis, como tais, da excomunhão latae sententiae. Ora, não o são, com toda a certeza, porque representam a medida excepcional à qual é legítimo recorrer em razão de um estado de necessidade bem óbvio para que ele precise ser demonstrado. Bem óbvio também para que seja possível demonstrar sua não existência.

Não obstante, de que meio o padre de Blignières se dota para concluir pelo cisma?

Duas estratégias lhe continuam viáveis. A primeira consiste em minimizar o estado de necessidade para concluir, daí, que ele não beira ao ponto de exigir a medida tão excepcional que as sagrações episcopais representam. A segunda consiste em invocar canonicamente o direito divino: ainda que o estado de necessidade exigisse a medida excepcional supramencionada, não deixaria de ser menos ilegítima e, portanto, impossível, porque consagrar bispos em contradição com a vontade do Papa seria contrário ao direito divino. Continuar lendo →

25/03/2026 – 35 ANOS DO FALECIMENTO DE S.E.R. DOM MARCEL LEFEBVRE

Tempo da paixão

Tomando conhecimento da morte de sua irmã mais velha, Jeanne, Dom Lefebvre decidiu não ir ao seu funeral [ndr: por conta de seus problemas de saúde]: “Rezo todo dia para que eu possa morrer antes de perder minha consciência. Prefiro partir, pois se caísse em contradição, diriam: ‘Aí está; ele disse que errou!’ E eles tirariam vantagem disso”.Muitas vezes o Arcebispo mencionava a morte suave de sua irmã mais velha, chamada de volta à casa por Deus quando acabara de ir tirar um cochilo; ele gostaria de ter falecido assim, embora com a Extrema Unção. Mas Deus pediria ao padre e bispo Marcel Lefebvre que tomasse parte em Seus sofrimentos redentores.

Em 7 de março de 1991, festa de Santo Tomás de Aquino, o Arcebispo deu a seus amigos e benfeitores de Valais a tradicional conferência. Cheio de fé e eloqüência, concluiu com estas palavras: “Nós as teremos!”. E no dia seguinte, às 11 da manhã, celebrou o que seria sua última Missa na terra. Mas tamanhas eram sua dor de estomago e fadiga que realmente pensou que não poderia terminá-la. Apesar disso, partiu de carro para Paris, a fim de assistir ao encontro dos fundadores religiosos nos “Círculos da Tradição”:  “É algo muito importante”, disse, “e está dentro do meu coração”.

Hospitalização, operação

Ele sequer passou de Bourg-en-Bresse; por volta das 4 da manhã, acordou seu motorista, Rémy Bourgeat: “Não estou bem”, disse, “vamos voltar para a Suíça”. E a seu pedido, ingressou no hospital em emergência na manhã de 9 de março. O direitor do hospital em Martigny, Sr. Jo Grenon, era um amigo de Ecône. O Arcebispo foi acolhido na ala operatória no quarto 213. Atrás das montanhas que cercam a cidade estava Forclaz, e França, e não muito distante o Grande Passo de São Bernardo, Itália, e Roma.

O Arcebispo estava confiante, mas sofria: “É como um fogo queimando meu estômago e subindo até meu peito”.

Padre Simoulin deu-lhe a Sagrada Comunhão, que receberia até a sua operação: Ele o agradeceu: “Fiz o senhor perder as vésperas… mas o senhor fez uma obra de caridade. Trouxe para mim o melhor Médico. Nenhum deles pode me dar mais do que o senhor deu”.

Admirava o Crucifixo, que fora trazido para o altar temporário em seu quarto: “Ele ajuda a suportar os sofrimentos”. Continuar lendo →

BISPOS DEVEM GARANTIR A VIDA CRISTÃ

As sagrações episcopais de 1988 por Lefebvre não criaram um cisma?

Infelizmente, é preciso reconhecer que a vida da Igreja atravessa uma grave crise, apesar do zelo sincero de muitos clérigos em exercer seu ministério da melhor maneira possível. A FSSPX assegura aos fiéis que a desejam o alicerce estável para uma vida cristã integral a que têm direito e com o qual, infelizmente, não podem, a priori, confiar em suas paróquias. Este apostolado exige um ministério episcopal.

Fonte: Le Saint-Vincent nº 41 – Tradução: Dominus Est

O direito dos fiéis aos bens espirituais

O Código de Direito Canônico promulgado em 1983 afirma, no que diz respeito aos direitos e deveres dos fiéis da Igreja, que eles “têm o direito de receber dos sagrados pastores o auxílio proveniente dos bens espirituais da Igreja, sobretudo da palavra de Deus e dos sacramentos” (213(1)).

Esse direito decorre das exigências da vida cristã, que compreende:

  • o culto divino (“adorar a Deus em espírito e em verdade”, Jo 4,23), em particular por meio do culto público, que é a liturgia;
  • a batalha espiritual para vencer o pecado dentro de si mesmo;
  • as obrigações do dever de estado (familiar – em particular, educacional – cívico e profissional);
  • e o zelo da caridade, através do exercício de obras de misericórdia e o empenho em imbuir a sociedade com um espírito cristão, na medida de suas possibilidades.

A vida do fiel católico desenrola-se normalmente dentro da estrutura disciplinar estabelecida pela hierarquia legítima; mas suas exigências são tais que o próprio direito canônico prevê casos de jurisdição de suplência para casos particulares previsíveis (2). Para todos os casos imprevisíveis, o Código de Direito Canônico limita-se a recordar, e esta é propositadamente a sua última palavra, que “a salvação das almas é a lei suprema na Igreja (3)”.

Os deveres correspondentes do clero

O clero tem, portanto, o dever de assegurar aos fiéis o ensino da doutrina católica integral, sem erros e sem ambiguidades, concernente aos mistérios da fé e à moral cristã, sobretudo nos domínios minados pelos erros contemporâneos. Esse ensino inclui também a preparação correta para a recepção dos sacramentos. Continuar lendo →

“ONDE ESTÁ O CISMA?”, PELO PADRE JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX

O cisma existe de fato. Mas não está onde alguns acreditam vê-lo.

Fonte: La Porte Latine – Tradução gentilmente cedida pelo nosso amigo André Abdelnor Sampaio

O anúncio das sagrações episcopais, previstas para o próximo dia 1º de julho, não deixou ninguém indiferente. Especialmente porque a Carta endereçada em 18 de fevereiro passado ao Cardeal Fernández pelo Superior Geral da Fraternidade permaneceu, até agora, sem qualquer reação por parte de Roma. Diante deste silêncio de Roma, bispos se pronunciam: uns para censurar a iniciativa das sagrações, outros para justificá-la e defendê-la contra as censuras incorridas.

As declarações de Dom Schneider são agora bem conhecidas. Recebido em audiência em 18 de dezembro de 2025 pelo Papa Leão XIV, o bispo auxiliar de Astana já havia pleiteado a causa da Fraternidade São Pio X. Posteriormente, em uma entrevista concedida em 17 de fevereiro ao jornalista Robert Moynihan, Dom Schneider opôs-se firmemente às declarações feitas pelo Cardeal Fernández ao Superior Geral da Fraternidade São Pio X durante o encontro de 12 de fevereiro — declarações tornadas públicas, pelas quais o Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé pretendia impor à Fraternidade a retomada de um diálogo que já se previa sem saída, e que teria como único efeito tangível adiar sine die a data das sagrações episcopais, em grande detrimento da salvação das almas.

Em 24 de fevereiro, Dom Schneider tornou público um “Apelo fraterno dirigido ao Papa Leão XIV“: “A Santa Sé“, declara ele, “deveria estar grata à FSSPX, pois ela é atualmente quase a única entidade eclesiástica de relevo a sublinhar aberta e publicamente a existência de elementos ambíguos e incorretos em certas declarações do Concílio e no Novus Ordo Missae. Nesta empreitada, a FSSPX é guiada por um amor sincero à Igreja: se não amasse a Igreja, o Papa e as almas, não empreenderia este trabalho, nem dialogaria com as autoridades romanas — e sua vida seria, sem dúvida, mais fácil”. E concluiu que o Papa deveria conceder sem condições o mandato apostólico para as sagrações episcopais de 1º de julho de 2026. Por fim, em 9 de março passado, em uma longa entrevista concedida ao jornalista Andreas Wailzer no canal de YouTube Kontrapunkt, Dom Schneider afirma categoricamente que as sagrações episcopais não serão cismáticas, pois são a reação necessária e legítima exigida pela salvação das almas por parte da Fraternidade São Pio X. Continuar lendo →

PECADO POR OMISSÃO

Concílio Vaticano II e as fontes da Revelação

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Lido nos meandros do caminho sinodal alemão:

“Essa diferença de status [entre clero e leigos], à qual estão atribuídos diferentes direitos e deveres, ainda hoje marca o direito eclesiástico e a liturgia. No entanto, ela não é bíblica. O clericalismo tem suas raízes na ênfase dada a essa diferença de status (1).”

Aparentemente, a mera ausência de qualquer menção nas Sagradas Escrituras é suficiente para invalidar a distinção entre clero e leigos. No entanto, é sabido que muitos elementos da doutrina católica não se encontram na Bíblia: a Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, a sua Imaculada Conceição, o próprio cânone das Escrituras, etc. “Há muitas coisas“, diz Santo Agostinho, “que a Igreja universal preserva e que, portanto, temos razão em crer que foram ordenadas pelos Apóstolos, apesar da ausência de textos escritos(2)”.

Devemos encarar essa insinuação tendenciosa do sínodo alemão como uma especialidade dos progressistas mais radicais? Na verdade, não, eles podem basear seu argumento em uma polêmica anterior ao Concílio Vaticano II, que se traduziu em um desses textos de compromisso nos quais o Concílio se especializou, nos quais ele se destaca por não dizer as coisas diretamente Continuar lendo →

TEM PIEDADE DE MIM, Ó DEUS, SEGUNDO A VOSSA MISERICÓRDIA

Devemos aceitar que só na misericórdia de Deus e no seu amor encontraremos apoio, confiança e despreocupações. Essa é a maravilhosa surpresa que cada uma de nossas confissões nos reserva.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Por que nossas confissões frequentemente se assemelham a monólogos, nos quais o acusador apresenta ao confessor uma série de faltas de importância e significado tão diversos? Esse amontoado indistinto revela uma consciência que não estabelece uma hierarquia entre as faltas.

A confissão não é uma formalidade que se cumpre por hábito ou obrigação. Quando nos aproximamos do confessionário, devemos ter a intenção de ser perdoado e de receber o perdão de Cristo pela virtude de seu sangue. Este sacramento que Nosso Senhor instituiu para nos perdoar é um ato profundamente humano. Graças a ele, Deus suscita e aperfeiçoa interiormente, no coração do pecador, atos de fé viva, de arrependimento e de reparação, e isso no momento mesmo em que pede ao pecador que expresse exteriormente suas disposições através da confissão de seus pecados. Continuar lendo →

O BAGRE PONTIFÍCIO E A EXCOMUNHÃO À MISSA TRADICIONAL: UM BALÃO DE TESTE?

Leão XIV, Mons. Breis Pereira e o bagre pontifício (12/01/2026) – (min.: 0.34)

Fonte: Adelante la Fe – Tradução: Dominus Est

Por César Félix Sanchéz

A última notícia na guerra contra a liturgia tradicional, realizada pelas atividades eclesiásticas, é o anúncio da excomunhão de, no mínimo, os sacerdotes que celebrem o rito de São Pio V fora do único lugar designado por mons. Carlos Alberto Breis Pereira, Arcebispo de Maceió, em Alagoas. Segundo uma nota oficial, qualquer outra celebração será vista como um “ato de cisma público” e implicaria uma excomunhão automática.

Além da lambança legal – que, por exemplo, ignora que o direito canônico “recomenda encarecidamente” a todo sacerdote que não sofre sanções a celebrar a Santa Missa com frequência (c. 904), em um lugar sagrado ou, se houver necessidade, em qualquer lugar digno (c. 932), sem fazer referência a algum rito específico – há uma monstruosidade doutrinal: como poderia ser a celebração da missa católica, em si, um ato de cisma? Continuar lendo →

A TODAS AS MULHERES…

…que em todos os dias do ano se espelham “na Mulher” apresentada abaixo e tem-Na como exemplo de conduta de vida, nossos sinceros votos de crescimento espiritual e santificação.nossa-senhora-do-bom-conselhoAssim, parabenizamos a vocês, mulheres católicas, que no seu dia a dia (todos os dias do ano), como filhas de Nossa Senhora:

  • Buscam incansavelmente sua santificação e a santificação de sua família;
  • Que não se importam com comemorações liberais e pagãs;
  • Não se deixam levar por ideologias feministas, esquerdistas e pela moda reinante;
  • Que não querem essa “liberdade” anti-cristã para si e para suas filhas;
  • Que não querem outro espaço a conquistar que não seja o coração do marido;
  • Que sabem, como católicas, que homens e mulheres não são iguais em direitos e deveres;
  • Que sabem, como solteiras, de seus direitos e deveres para com seu estado;
  • Que sabem, como casadas, que não tem os mesmos direitos e deveres de seus maridos (e conhecem seus direitos e deveres para com o marido);
  • Que sabem, como viúvas, de seus direitos e deveres para com seu estado;

Parabenizamos a vocês, mulheres católicas, que todos os dias, como filhas de Nossa Senhora:

  • São virtuosas;
  • São humildes;
  • São generosas;
  • São amáveis;
  • São fiéis;
  • São exemplo de caridade;
  • São benevolentes;
  • São exemplo de modéstia e pudor;
  • Aceitam santamente o sofrimento;
  • Aceitam com paciência todos os filhos que Deus envia;
  • Se entregam à Providência;
  • Que não colocam os bens materiais acima dos bens espirituais;
  • Sabem o que é o verdadeiro amor cristão para com sua família e ao próximo; 
  • Concedem uma educação sobrenatural a seus filhos;
  • São “o sol” de sua casa, iluminando e irradiando alegria, ternura, carinho e amor cristão aos filhos e ao marido;

woman-veil-churchFaçamos hoje pequenos atos de desagravo ao Coração Imaculado de Maria, ao longo do dia. Façamos uma pequena penitência e ofereçamos à Mãe de Deus, pelos muitos membros do clero e pelos muitos católicos leigos que se atrevem a comemorar este dia, fruto do liberalismo (o tal “Dia internacional da Mulher”).

Doce coração de Maria, sede nossa salvação.

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Para saber mais sobre a origem do Dia Internacional das Mulheres e o Feminismo, clique aqui

CARDEAL ZEN PEDE AO PAPA QUE INTERVENHA NO CASO DA FSSPX

Cardeal Zen: "O Papa não compreende a China" | Salve Maria

O cardeal Joseph Zen, bispo emérito de Hong Kong, e uma das vozes mais respeitadas do catolicismo asiático, publicou em seu site oldyosef.hkcatholic.com (e também no X) uma reflexão dedicada à situação da FSSPX.

O Caso da FSSPX

Sexta-feira, 2ª Semana da Quaresma

Em relação ao caso da FSSPX, parece que até mesmo os tradicionalistas estão divididos. Isso é compreensível; há dois pontos a considerar.

A.) Um cisma deve ser evitado a todo custo, pois causará danos graves e duradouros à Igreja; mas, por outro lado, B.) uma séria questão de consciência também deve ser respeitada: “Como alguém pode ser forçado a seguir ensinamentos que evidentemente negam a Sagrada Tradição da Igreja?“

Então, como o caso pode ser resolvido?

A FSSPX foi enviada para dialogar com o chefe do Dicastério para a Doutrina da Fé, mas há alguma esperança nesse diálogo?

Lendo a primeira leitura e o salmo responsorial seguinte da missa de hoje, parece-me que podemos ver as coisas desta maneira:

José ─ FSSPX

Irmãos de José ─ Cardeal Tucho

Rúben ─ Papa Leão XIV (talvez com a ajuda de Sua Excelência Schneider)

“Os irmãos de José o odiavam.“

Tucho, que pretende desfazer as tradições da Igreja, como pode não odiar a FSSPX? Ele provavelmente ficará feliz em vê-los excomungados!

Então não há mais esperança?

Aí está Rúben, o bom irmão!

Aí está Leão XIV, o bom Padre!

A unidade da família de Deus lhe é cara! Mas e se seus filhos não aceitarem o Concílio?

O Papa Leão XIV é alguém que ouve! Ele compreende e fará com que seus filhos compreendam que certas coisas perpetradas em nome do chamado “espírito do Concílio“, mas contrárias à Tradição da Igreja, não são do Concílio!

E ​​a Missa Tridentina? Claramente, é um erro querer eliminá-la! O Novus Ordo não respeitou as intenções dos Padres Conciliares (Sua Excelência Atanásio Schneider reuniu ampla evidência a esse respeito).

O Papa Bento XVI, ao falar de uma “reforma da reforma”, admitiu a possibilidade de enriquecimento mútuo das duas formas de liturgia da Missa Romana.

Confiemos no Papa Leão XIV; ele iniciou sua catequese nos Documentos Conciliares; é a eles que todos devemos retornar!

Esse texto, divulgado por ocasião da sexta-feira da segunda semana da Quaresma, recorre ao Evangelho e às leituras da missa do dia para evocar as tensões atuais em torno da Tradição na Igreja.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Nessa meditação, o cardeal Zen aborda diretamente a questão do diálogo entre a Santa Sé e a FSSPX. Inicialmente, recorda que um cisma constituiria um grave prejuízo para a Igreja, e deve ser evitado (a FSSPX não aventa qualquer intenção de causar um cisma: se deseja proceder às sagrações episcopais, é sem a menor intenção cismática, com a única preocupação de assegurar a continuidade de seu apostolado a serviço da Igreja). Além do mais, o cardeal salienta a gravidade do problema de consciência ao qual são confrontados numerosos fiéis ligados à tradição. Fundamentalmente, questiona: “Como se pode obrigar alguém a seguir ensinamentos que negam manifestadamente a santa Tradição da Igreja?” Continuar lendo →

VIVER NA PRESENÇA DE DEUS

“Não queirais pois andar (demasiadamente) inquietos pelo dia de amanhã. Porque o dia de amanhã cuidará de si; a cada dia basta o seu cuidado.”(Mt 6, 34)

Fonte:  Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

Estas palavras são bem conhecidas. O que é menos conhecido é que elas são de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, infelizmente, não são as mais bem compreendidas. Seria essa uma sentença da filosofia epicurista ou, pelo contrário, de uma máxima do Evangelho? Será que Jesus pretende incitar seus discípulos a uma vida despreocupada? Será que ele se esquece da necessidade de um mínimo de prevenção? O paradoxo é reforçado quando sabemos que é o mesmo Deus que nos ensina a agir com sabedoria e a organizar nossas vidas para não sermos pegos desprevenidos: “Por isso estai vós também preparados, porque não sabeis a que hora virá o Filho do homem.” (Mt 24, 44). Por um lado, Cristo condena a preocupação e a ansiedade estéreis que nos paralisam. Por outro, ele nos encoraja à prudência e à vigilância para viver sob o olhar de Deus. Então, devemos viver na despreocupação do momento presente ou devemos viver em vigilância constante?

Viver no presente de Deus

A verdadeira vida está no presente. É por isso que devemos viver um dia de cada vez, como Nosso Senhor nos recomenda. Continuar lendo →

O COQUETEL INFERNAL DO LIBERALISMO E O MÉTODO REVOLUCIONÁRIO DE ENVENENAMENTO

O coquetel infernal do liberalismo e o método revolucionário de envenenamento (um texto do famoso convertido Padre Joseph Lémann)

Um texto do famoso convertido Pe. Joseph Lémann (1836-1915).

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

Desde o princípio, a Revolução foi venenosa, mas com arte, com habilidade; imitou e até superou as misturas de Agripina e Locusta .

Revisemos, por um momento, a Roma pagã: Locusta é uma famosa envenenadora da época dos Césares. Primeiro, ela foi incumbida de matar o Imperador Cláudio, a mando de Agripina. Em seguida, foi convocada ao conselho e incumbida de envenená-lo com engenhosidade! Um veneno de ação rápida demais tornaria evidente o assassinato de Cláudio. Um veneno de ação lenta demais lhe daria tempo para perceber o crime e garantir os direitos de Britânico, seu filho. Locusta compreende e encontra algo sofisticado em termos de venenos, que perturbará sua razão e extinguirá lentamente sua vida. Um eunuco fez o infeliz César beber esse veneno, colocando-o em um cogumelo, que ele saboreia com prazer: ele morre atordoado!

Um ano depois, Locusta se livrou de Britânico, que era um obstáculo para Nero. Desta vez, não lhe pediram um veneno lento, tímido e secreto, como aquele que ela havia preparado com tanta elegância para Cláudio, mas sim um veneno ativo, rápido e fulminante. Britânico caiu morto à mesa imperial. Continuar lendo →